Introdução aos primeiros socorros
Noções Básicas de Maqueiro
1 Introdução aos Primeiros Socorros
Definição e conceitos:
A expressão primeiros socorros é usada para caracterizar uma série de procedimentos adotados com o fim de preservar vidas sob risco iminente e em condições de urgência e/ou emergência. Esses procedimentos são realizados geralmente por pessoas comuns, com conhecimentos teóricos e práticos acerca das técnicas utilizadas.
Como o próprio nome sugere, são os procedimentos de emergência que devem ser aplicados a uma pessoa em perigo de vida, visando manter os sinais vitais e evitando o agravamento do quadro, até que ela receba assistência definitiva.
Primeiros socorros são todas as atividades de caráter técnico ou médico prestadas a uma pessoa que acaba de sofrer um mal súbito ou que tenha sido vítima de algum acidente. É de grande importância que as medidas prestadas no atendimento sejam do conhecimento de todos, visando ao lado prático das técnicas, pois quando um acidente acontece, a situação de pânico instala-se nas vítimas e também em quem está prestando socorro, atrapalhando bastante o atendimento, caso não esteja acostumado com essas situações.
O treinamento repetidas vezes condicionará o socorrista à sequência utilizada em cada caso, eliminando aqueles minutos preciosos gastos com o ordenamento de ideias e que, muitas vezes, são o limite entre a vida e a morte.
Toda pessoa que estiver realizando o atendimento de primeiros socorros deve, antes de tudo, atentar para a sua própria segurança.O impulso de ajudar a outras pessoas não justifica a tomada de atitudes inconsequentes, que acabem transformando-o em mais uma vítima.
A seriedade e o respeito são premissas básicas para um bom atendimento de primeiros socorros. Para tanto, evite que a vítima seja exposta desnecessariamente e mantenha o devido sigilo sobre as informações pessoais que ela lhe revele durante o atendimento.
Identifica-se a necessidade de aplicação dos primeiros socorros em diversas situações, sendo as mais comuns em acidentes automobilísticos, atropelamento, acidentes domésticos, tumultos, incêndios, catástrofes da natureza, acidentes de trabalho e na indústria, guerras e conflitos, ou mesmo causas fisiológicas em pessoas que sofrem de algum mal, como, por exemplo, um ataque cardíaco (apoplexia).
Os primeiros socorros, como a própria expressão nos remete, são procedimentos utilizados primariamente apenas para se preservar a condição de vida de um indivíduo até a chegada de um médico profissional, ou uma equipe médica, para que sejam adotadas as medidas que a situação requer, conforme avaliação profissional e especializada.
Os procedimentos adotados nos primeiros socorros surgiram com o suíço Jean Henry Dunant, no ano de 1859, projeto apoiado pelo imperador francês Napoleão III, e tinha o intuito de instruir pessoas das comunidades locais, principalmente aquelas que viviam em estado de guerra
Desde a sua criação até os dias atuais, as técnicas de primeiros socorros são tidas como de fundamental importância para a vida humana.Nota-se, estatisticamente, que muitas pessoas feridas e/ou acidentadas acabam vindo a óbito antes de chegar a uma unidade de saúde, devido à falta de um atendimento adequado nos primeiros socorros, atendimento esse que poderia ser realizado por qualquer tipo de pessoa devidamente e previamente instruída.
Cuidados aplicados aos primeiros socorros:
Primeiros Socorros: São os cuidados imediatos prestados a uma pessoa cujo estado físico coloca em perigo a sua vida ou a sua saúde, com o fim de manter as suas funções vitais e evitar o agravamento de suas condições, até que receba assistência médica especializada.
Socorrista: Atividade regulamentada pelo Ministério da Saúde, segundo a portaria n° 824 de 24 de junho de 1999. O socorrista possui um treinamento mais amplo e detalhado que uma pessoa prestadora de socorro.
Urgência: Estado grave, sem risco de morte iminente, que precisa atendimento médico embora não seja necessariamente urgente.
Emergência: Estado que precisa de encaminhamento rápido ao hospital, implica em um risco iminente de morte. O tempo gasto entre o momento em que a vítima é encontrada e o seu encaminhamento deve ser o mais curto possível.
Acidente: Fato em qual resultam pessoas feridas e/ou mortas que necessitam de atendimento.
Incidente: Fato ou evento desastroso do qual não acabam com pessoas mortas ou feridas, mas que pode oferecer risco futuro.
Sinal: É a informação que é obtida a partir da observação da vítima.
Sintoma: É a informação a partir de uma relato da vítima.
Aspectos legais do socorro:
Segundo o artigo nº 135 do Código Penal, a omissão de socorro consiste em "Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, em desamparo ou em grave e iminente perigo; não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública."
Pena: detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Parágrafo único: A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta em morte.
Importante: O fato de chamar o socorro especializado, nos casos em que a pessoa não tem um treinamento específico ou não se sente confiante para atuar, já descaracteriza a ocorrência de omissão de socorro.
Direitos da pessoa que estiver sendo atendida:
O prestador de socorro ter que ter em mente que a vítima possui o direito de recusa do atendimento. No caso de adultos, esse direito existe quando eles estiverem conscientes e com clareza de pensamento. Isto pode ocorrer por diversos motivos, tais como crenças religiosas ou falta de confiança no prestador de socorro que for realizar o atendimento.
Nestes casos, a vítima não pode ser forçada a receber os primeiros socorros, devendo assim certificar-se de que o socorro especializado foi solicitado e continuar monitorando a vítima, enquanto tenta ganhar a sua confiança através do diálogo.
Caso a vítima esteja impedida de falar em decorrência do acidente, como um trauma na boca por exemplo, mas demonstre através de sinais que não aceita o atendimento, fazendo uma negativa com a cabeça ou empurrando a mão do prestador de socorro, deve-se proceder da seguinte maneira:
- Não discuta com a vítima;
- Não questione suas razões, principalmente se elas forem baseadas em crenças religiosas;
- Não toque na vítima, isto poderá ser considerado como violação dos seus direitos;
- Converse com a vítima, informe a ela que você tem treinamento em primeiros socorros, que irá respeitar o direito dela de recusar o atendimento, mas que está pronto para auxiliá-la no que for necessário;
- Fale para as testemunhas de que o atendimento foi recusado por parte da vítima;
- Em caso de crianças, a recusa do atendimento pode ser feita pelo pai, pela mãe ou pelo responsável legal. Se a criança é retirada do local do acidente antes da chegada do socorro especializado, o prestador de socorro deverá, se possível, arrolar testemunhas que comprovem o fato;
- O consentimento para o atendimento de primeiros socorros pode ser formal, quando a vítima verbaliza ou sinaliza que concorda com o atendimento, após o prestador de socorro ter se identificado como tal e ter informado à vítima de que possui treinamento em primeiros socorros, ou implícito, quando a vítima esteja inconsciente, confusa ou gravemente ferida a ponto de não poder verbalizar ou sinalizar consentindo com o atendimento. Neste caso, a legislação infere que a vítima daria o consentimento, caso tivesse condições de expressar o seu desejo de receber o atendimento de primeiros socorros.
- O consentimento implícito pode ser adotado também no caso de acidentes que envolvem menores desacompanhados dos pais ou responsáveis legais. Do mesmo modo, a legislação infere que o consentimento seria dado pelos pais ou responsáveis, caso estivessem presentes no local.
Identificação de emergências:
Se tem percebido na maioria dos casos de acidentes, que as pessoas leigas dotadas apenas de boa vontade e solidariedade, no atendimento a uma vítima sem as devidas instruções acerca de primeiros socorros e suas técnicas, que acabam causando muito mais danos do que benefícios, aumentando ainda mais a situação de um ferido e/ou intoxicado, do que colaborando para a melhoria de um quadro clínico.
O tempo decorrido para que uma pessoa leiga identifique uma situação de risco, por exemplo, é muito maior do que uma que teve um preparo para lidar com situações de emergência, o que pode decisivamente interferir na recuperação de uma vítima.
O treinamento em primeiro socorros, então, acaba tornando-se fundamental, não só pelos fatores ético e moral, mas também devido à realidade social em que vivemos atualmente, quando as pessoas estão a todo tempo expostas a acidentes.
Uma pessoa devidamente capacitada adquire, dentre as técnicas de primeiros socorros, a característica de encarar lucidamente e com tranquilidade as situações adversas de um acidente, onde pessoas não treinadas, normalmente, perdem o controle emocional, colaborando, assim, para um aumento de risco, tanto para a(s) vítima(s) quanto para ela própria.
2 As fases do socorro:
Avaliação da cena:
Clínica: Causada por condições fisiológicas da vítima, como um mal-estar, um ataque cardíaco, desmaios, intoxicações, etc.
Trauma: Gerada por mecanismos de troca de energia, como colisões automobilísticas, quedas, queimaduras choques em geral, etc.
A primeira atitude a ser tomada no local do acidente é avaliar os riscos que possam colocar em perigo a pessoa prestadora dos primeiros socorros. Se acontecer algum perigo em potencial, deve-se aguardar a chegada do socorro especializado. Nesta fase, se verifica também a provável causa do acidente, o número de vítimas e a gravidade das mesmas e todas as outras informações que possam ser úteis para a notificação do acidente. Proceder da seguinte forma:
- a) Manter a vítima deitada, em posição confortável, até certificar-se de que a lesão não tem gravidade;
- b) Investigar particularmente a existência de hemorragia, envenenamento, parada respiratória, ferimentos, queimaduras e fraturas;
- c) Dar prioridade ao atendimento dos casos de hemorragia abundante, inconsciência, parada cardiorrespiratória, estado de choque e envenenamento, pois exigem socorro imediato.
- d) Verificar existe lesão na cabeça, quando o acidentado estiver inconsciente ou semiconsciente. Havendo hemorragia por um ou ambos os ouvidos, ou pelo nariz, pensar em fratura de crânio;
- e) Não dar líquidos a pessoas inconscientes;
- f) Recolher, em caso de amputação, a parte seccionada, envolva-a em um pano limpo para entrega IMEDIATA ao médico;
- g) Certificar que qualquer providência a ser tomada não venha a agravar o estado da vítima;
- h) Chamar o médico ou transportar a vítima, se necessário.
- i) Fornecer as seguintes informações: local, horário e condições em que a vítima foi encontrada; quais os primeiros socorros a ela prestados.
- j) Inspirar confiança - Evitar pânico;
- k) Comunicar a ocorrência a autoridade policial local.
A avaliação prévia da cena do ocorrido é de grande importância uma vez que através dessa medida é possível dimensionar os riscos existentes na cena, evitando-se até que a própria pessoa que presta o socorro acabe por se tornar mais uma vítima.
Deve seguir 4 etapas na fase de avaliação da cena, a fim de se isolar os riscos e poder promover um socorro efetivo até a chegada de profissionais:
Segurança: É preciso verificar se a cena é segura para poder ser abordada, e assim procurar tornar o ambiente adequado para o atendimento prévio. Por exemplo, no caso de acidentes de trânsito, deve-se procurar improvisar um espaço de maneira a desviar o fluxo de veículos, sinalizando aos carros que vêm no sentido do problema ocorrido.
Cinemática: Verificar como se deu o acidente ou mal sofrido pela vítima, perguntando a ela, se estiver plenamente consciente, ou a pessoas próximas que testemunharam o ocorrido.
Bioproteção: Precisa procurar maneiras de evitar possíveis infecções através do contato direto com o sangue das vítimas, usando luvas cirúrgicas se possível, em situações adversas não deve-se abortar os procedimentos por falta de instrumentos.
Apoio: Deve-se procurar auxílio de pessoas próximas da cena, no sentido de ajudar a dar o espaço necessário para o atendimento prévio, chamar imediatamente o socorro especializado, desviar o trânsito de veículos, procurar manter a ordem e a calma entre as outras pessoas, etc.
No caso de não haver pessoas por perto isso deve ser feito com o máximo de agilidade e tranquilidade, pela própria pessoa que presta o socorro inicial.
Solicitação de auxílio:
Solicitar se possível a outra pessoa que peça auxílio chamando o socorro especializado comunicando a provável causa do acidente, o número de vítimas, a gravidade das mesmas e todas as outras informações que ele precisar. Estas informações você terá obtido anteriormente, durante a fase de avaliação do ambiente.
Sinalização:
Efetuar, sempre que possível, a sinalização do local para evitar a ocorrência de novos acidentes. Pode ser feita com cones, fita zebrada, ou qualquer objeto que chame a atenção de outras pessoas para o cuidado com o local, na falta destes recursos, pode-se pedir para que uma pessoa fique sinalizando a uma certa distância.
Atendimento:
Ao iniciar o atendimento, o socorrista precisa ter em mente o que fazer e o que não fazer. Manter o autocontrole é imprescindível nesta fase. Não minta para a vítima. Procure expressar segurança e confiança no que faz.
Nas próximas apostilas você verá como é feito os diversos tipos de atendimento de primeiros socorros.
3 A história do atendimento pré-hospitalar:
Ainda no século XVIII, os primórdios do atendimento a urgência e emergência foram durante as grandes guerras do período napoleônico, quando em 1792 o cirurgião da Grande Armada de Napoleão Bonaparte idealizou uma “ambulância” (uma carroça puxada por cavalos), Baron Dominique Jean Larrey, deu início aos cuidados dos soldados feridos, os quais eram transportados em carroças de tração animal para lugares longe dos campos de batalha onde recebiam os primeiros atendimentos pelos militares médicos.
Só durante as guerras do Vietnã e da Coréia é que aparece a figura do enfermeiro no APH prestando atendimento aos feridos.
Naquela época Dr. Dominique desenvolveu alguns princípios de atendimento de urgência usados até hoje como: rápido acesso ao paciente por profissional treinado, tratamento e estabilização no campo de batalha, rápido transporte aos hospitais de campanhas com apropriados cuidados médicos durante o transporte. Essa experiência desenvolvida pelo cirurgião alastrou-se para as outras guerras que serviram de alavanca para o desenvolvimento do atendimento ao traumatizado.
A iniciativa de atendimento aos soldados no campo de batalha continuou no século XIX e levou à formação da Cruz Vermelha Internacional, em 1863, organização que, ao longo do tempo, demonstrou a necessidade de atendimento rápido aos feridos, tendo sua atuação destacada nas Guerras Mundiais do século XX, tempos depois, no mesmo século, os combatentes receberam treinamento de primeiros socorros a fim de prestar atendimento a seus colegas logo após a ocorrência de uma lesão no campo de batalha.
As vítimas também recebiam os cuidados durante o transporte até o hospital de guerra.
Florence Nightigale foi a introdutora e a criadora da enfermagem moderna, em 1854 ela foi colocada na direção das Female Nursing Establishment for the English General Hospital, na Turquia durante a guerra da Criméia, e em seis meses sob a liderança, o número de mortes nos hospitais militares caiu de 47% para 2.2%. No século XX, as enfermeiras também foram participantes ativas no atendimento aos feridos na I e II Guerras Mundiais, nas Guerras do Vietnã e da Coréia.
A experiência de guerra neste século demonstrou que a estabilização da vítima no local da ocorrência da lesão e o seu transporte rápido diminuíram tanto a mortalidade como morbidade.
Em 1955 na França, surgiram as primeiras equipes móveis de APH, somente em 1968 nasceu o SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), já nos moldes do funcionamento que ocorre hoje.
Em 1989, São Paulo foi a primeira cidade em implantar o serviço no Brasil com o Projeto Resgate, no Rio de Janeiro, na mesma época nasceu o Grupo de Emergência do Corpo de Bombeiros, em Porto Alegre, a implantação do SAMU se deu em 1995, através de um termo de cooperação técnica com a França.
Estados Unidos da América (EUA) e França até hoje são as referências mundiais em APH, uma vez que possuem um sistema mais desenvolvido nos quais os enfermeiros tem sua função consolidada e reconhecida em seus sistemas de atendimento.
Ainda em 1955 na França, foram criadas as primeiras equipes móveis de reanimação, tendo como missão inicial a assistência médica aos pacientes vítimas de acidentes de trânsito e a manutenção da vida dos pacientes submetidos a transferências inter hospitalares.
A história do SAMU da França inicia-se, quando os médicos começaram a detectar a desproporção existente entre os meios disponíveis para tratar doentes e feridos nos hospitais e os meios arcaicos do atendimento pré-hospitalar até então existentes.
Assim, foi constatada a necessidade de um treinamento adequado das equipes de socorro e a importância da participação médica no local, com o objetivo de aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes, iniciando pelos cuidados básicos e avançados essenciais, cuidados estes centrados na reestruturação da ventilação, respiração e circulação adequadas.
Em 1965, criaram oficialmente os Serviços Móveis de Urgência e Reanimação (SMUR), dispondo agora das Unidades Móveis Hospitalares (UMH). Em 1968, nasceu o SAMU, com a finalidade de coordenar as atividades dos SMUR, comportando, para tanto, um centro de regulação médica dos pedidos, tendo as suas regras regulamentadas em decreto de 16/12/1987.
Na prática civil, os médicos demoraram a se mobilizar, mesmo diante do aumento progressivo das perdas de vidas humanas por traumas advindos de causas externas, principalmente acidentes de trânsito. Esta demora fez com que as autoridades sanitárias, inicialmente, delegassem as responsabilidades deste serviço aos responsáveis pelos resgates os militares do Corpo de Bombeiros, retirando a característica sanitária deste atendimento.
Definição:
O que é APH:
Atendimento pré-hospitalar (APH), também conhecido como socorro pré-hospitalar, é o atendimento emergencial em ambiente extra-hospitalar (fora do hospital). De acordo com a legislação brasileira, há dois tipos de Atendimento Pré-Hospitalar: o Fixo e o Móvel.
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR FIXO:
O Fixo está dividido em dois tipos:
1°. Unidade de Urgências e Emergências e a Atenção Primária à Saúde e o Programa de Saúde Da Família:
As atribuições e prerrogativas das unidades básicas de saúde e das unidades de saúde da família, em relação ao acolhimento/atendimento das urgências de baixa gravidade/complexidade, devem ser desempenhadas por todos os municípios brasileiros, independentemente de estarem qualificados para atenção básica (PAB) ou básica ampliada (PABA).
2°. Unidades Não-Hospitalares De Atendimento Às Urgências e Emergências:
Estas unidades, com funcionamento de 24 horas do dia, devem estar habilitadas a prestar assistência correspondente ao primeiro nível de assistência da média complexidade (M1). Pelas suas características e importância assistencial, os gestores devem desenvolver esforços no sentido de que cada município sede de módulo assistencial disponha de, pelo menos, uma destas Unidades, garantindo, assim, assistência às urgências com observação até 24 horas para sua própria população ou para um agrupamento de municípios para os quais seja referência.
As atribuições e formatações devem ser conferidas na PORTARIA Nº 2048, DE 5 DE NOVEMBRO DE 2002 emitida pelo Ministério da Saúde site do Ministério da Saúde.
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR MÓVEL:
O Móvel também está dividido em dois tipos:
1°. Atendimento pré-hospitalar móvel primário: Quando o pedido de socorro for oriundo de um cidadão.
2°. Atendimento pré-hospitalar móvel secundário: Quando a solicitação partir de um serviço de saúde, no qual o paciente já tenha recebido o primeiro atendimento necessário à estabilização do quadro de urgência apresentado, mas necessite ser conduzido a outro serviço de maior complexidade para a continuidade do tratamento.
Considera-se como nível pré-hospitalar móvel na área de urgência e emergência, o atendimento que procura chegar precocemente à vítima, após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, inclusive as psiquiátricas), que possa levar a sofrimento, sequelas ou mesmo à morte, sendo necessário, portanto, prestar-lhe atendimento e/ou transporte adequado a um serviço de saúde devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de Saúde.
O Serviço de atendimento pré-hospitalar móvel deve ser entendido como uma atribuição da área da saúde, sendo vinculado a uma Central de Regulação, com equipe e frota de veículos compatíveis com as necessidades de saúde da população de um município ou uma região, podendo, portanto, extrapolar os limites municipais. Esta região de cobertura deve ser previamente definida, considerando-se aspectos demográficos, populacionais, territoriais, indicadores de saúde, oferta de serviços e fluxos habitualmente utilizados pela clientela. O serviço deve contar com a retaguarda da rede de serviços de saúde, devidamente regulada, disponibilizada conforme critérios de hierarquização e regionalização formalmente pactuados entre os gestores do sistema loco-regional.
Para um adequado atendimento pré-hospitalar móvel o mesmo deve estar vinculado a uma Central de Regulação de Urgências e Emergências. A central deve ser de fácil acesso ao público, por via telefônica, em sistema gratuito (192 como número nacional de urgências médicas ou outro número exclusivo da saúde, se o 192 não for tecnicamente possível), onde o médico regulador, após julgar cada caso, define a resposta mais adequada, seja um conselho médico, o envio de uma equipe de atendimento ao local da ocorrência ou ainda o acionamento de múltiplos meios. O número de acesso da saúde para socorros de urgência deve ser amplamente divulgado junto à comunidade. Todos os pedidos de socorro médico que derem entrada por meio de outras centrais, como a da polícia militar (190), do corpo de bombeiros (193) e quaisquer outras existentes, devem ser imediatamente retransmitidos à Central de Regulação por intermédio do sistema de comunicação, para que possam ser adequadamente regulados e atendidos.
APH no Brasil:
Em linhas gerais, o Atendimento Pré-hospitalar (APH), como já definido acima, configura toda a assistência prestada fora do âmbito hospitalar, com a finalidade de atender a vítima nos primeiros minutos após algum evento, para estabilizar as condições vitais e reduzir a morbimortalidade. O APH móvel procura chegar à vítima no menor tempo possível, a fim de prestar atendimento e transporte adequado a um serviço de saúde (Brasil, 2006). Entre a década de 1980 e 1990, em Santa Catarina, teve início o atendimento pré-hospitalar, sendo prestado pelo Corpo de Bombeiros (CB), Polícia Militar e Rodoviária Federal, o qual seguia o modelo Norte-americano; ao passo que, em São Paulo, foi adotado o modelo Francês. O modelo Norte-americano adota o atendimento feito por paramédicos (técnicos) e o modelo francês visa o atendimento por médicos, sendo este último o modelo oficialmente adotado pelo Brasil, adequando-o às características nacionais (Minayo & Deslandes, 2008).
Em meados da década de 90, fora implantado um sistema misto proposto pelo Ministério da Saúde, denominado Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (SIATE) na cidade de Curitiba, onde o atendimento era realizado por socorristas do CB e equipe de profissionais de saúde (Martins, 2004).
Nesse contexto, os atendimentos às urgências no norte de Mato Grosso são realizados exclusivamente pelo CB, através do SIATE o qual oferta o Suporte Básico de Vida (SBV) aos que solicitem o serviço através do telefone 193. O serviço é amparado pela Lei Complementar nº.32 de 10 de outubro de 1994, que dispõe ao CB a realização dos “socorros de urgência” (Dubeux et al., 2010). Sabe-se que o serviço de resgate, no Estado, realizado por bombeiros em ambulâncias específicas, começou no ano de 1998, mas a regulamentação do SIATE, só aconteceu em 2000 (Bueno & Andréa, 2010).
Seguindo a linha, em sequência, surgiu, no Brasil, outro modelo de atenção pré-hospitalar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e da Regulação Médica (RM) influenciado a partir dos modelos: francês e norte-americano. Contudo, regulamentado e incluso como eixo norteador das Políticas de Atenção às Urgências no país (Santos et al., 2003). A emergente mudança do delineamento desta modalidade de atendimento se deu, com o aumento de pessoas acometidas pelas doenças crônicas e degenerativas, altos índices de violência urbana nos municípios e grande número de acidentes nas rodovias estaduais e federais. Assim, iniciativas públicas federais foram principiadas para implantação de programas, que priorizassem o atendimento imediato por pessoas treinadas e qualificadas, no local onde teve a ocorrência, denominado então APH e depois encaminhadas para referência sendo prestada a assistência em âmbito terciário (Silva et al., 2010).
Com a instituição da portaria nº 2048/GM de 2002, foram inseridos os princípios e as diretrizes dos Sistemas Estaduais de Urgência, as normas de funcionamento, a classificação e critérios para a habilitação de serviços que devem participar dos Planos Estaduais de Atendimento às Urgências, sendo: Regulação Médica de Urgência e Emergência, Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Atendimento Hospitalar, Transporte InterHospitalar e criação de Núcleos de Educação em Urgência, com propósito de capacitação dos recursos humanos (Brasil, 2002). No Brasil o SAMU foi implantado em 2003 através da portaria nº 1863/GM que instituiu a Política Nacional de Atenção às Urgências e propõe uma assistência padronizada que opera com uma central de regulação, com discagem telefônica gratuita (192), e regulação médica regionalizada, hierarquizada e descentralizada (Brasil, 2003).
No território nacional, a instalação dos SAMUs é uma estratégia recente, sendo assim, inexiste instrumentos oficiais que armazene informações dos atendimentos e estabeleça uma linha de base descritiva dos serviços em todo o território (Marques et al., 2011). Entretanto, frente às dificuldades que os municípios enfrentam para a implementação de políticas públicas, esse estudo visa identificar os fatores que impedem a implementação das Políticas de atenção às urgências voltadas ao atendimento pré-hospitalar, nos municípios da região norte de Mato Grosso.