Espuma para combate a incêndio
Princípios Básicos de Prevenção e Combate de Incêndio e Pânico
1 Espuma para combate a incêndio
Atualmente os bombeiros e brigadistas têm enfrentado um número cada vez maior de incêndios e acidentes causados por líquidos inflamáveis e vapores de alto risco em várias situações, tais como: acidentes de trânsito, desastres de trem, incêndios em plataformas, tanques de armazenagem, acidentes industriais, entre outros.
A seguir você irá ver as características básicas e os tipos de líquidos geradores de espuma existente, assim como uma série de técnicas que são apropriadas para aplicação.
Espuma de combate a incêndio
A espuma de combate a incêndio é uma massa de bolhas pequenas de densidade menor que a de muitos líquidos inflamáveis e menor que a densidade da água. Se trata de um agente que cobre e resfria, que é criado através da mistura do ar com uma solução que contém água e espuma mecânica.
Tetraedro da Espuma
Funcionamento
A espuma combate incêndios de líquidos inflamáveis ou combustíveis de quatro formas:
1. Exclui o ar dos vapores inflamáveis;
2. Elimina os vapores da superfície do combustível;
3. Separa a chama das superfícies combustíveis;
4. Resfria a superfície combustível e as superfícies em volta.
Taxa de expansão
A taxa de expansão é a proporção final de espuma produzida a partir de um volume de solução de espuma depois de expandida por um gerador de espuma.
A NFPA classifica os concentrados de espuma em três tipos de taxa de expansão:
Baixa Expansão:Taxa de expansão até 20:1. Espuma para líquidos inflamáveis. Esse tipo de espuma provou ser uma solução eficiente para controle e extinção de incêndios causados por líquidos inflamáveis de classe B. Também se utiliza com sucesso nos incêndios classe A, onde o resfriamento e o efeito penetrante da solução da espuma são importantes.
Média Expansão:Taxa de expansão de 20:1 a 200:1. Espumas de média expansão podem ser usadas para abafar a vaporização de químicos perigosos. A espuma com expansão entre 30:1 e 55:1 produz uma cobertura perfeita para o vapor mitigante ou químicos altamente reativos quando em contato com água e orgânicos de baixa fervura.
Alta expansão: Taxa de expansão acima de 200:1. Espumas de alta expansão são utilizadas para incêndios em espaços confinados. É um tipo de espuma sintética, detergente, utilizada em espaços fechados como porões, minas e navios. A aplicação deve ser feita utilizando-se de um gerador de espuma adequado.
Formação da espuma
A espuma é a combinação de LGE , água e ar. Quando estes componentes se juntam em proporções certas e se misturam, a espuma é formada. O esquema a seguir mostra como ela é formada através de um proporcionador tipo PL:
Características das espumas
Para ser eficiente, uma boa espuma deve atender a estes requisitos:
Velocidade de extinção e fluxo:É o tempo necessário para a espuma se espalhar e formar uma cobertura sobre o combustível, passando por obstáculos, até conseguir a extinção total do fogo.
Resistência ao calor:A espuma tem que ser capaz de resistir aos efeitos destrutivos do calor irradiado pelo fogo remanescente do vapor de líquidos inflamáveis ou de qualquer tipo de material metálico.
Resistência ao combustível:Uma espuma eficiente diminui o efeito destrutivo do combustível de forma que não fique nem saturada nem queimada.
Contenção de gases:A cobertura que é produzida deve ser capaz de conter os gases inflamáveis e minimizar os riscos de reignição.
Resistência ao álcool:Devido à miscibilidade do álcool com a água, e pelo fato que a espuma é formada por mais de 90% de água, ela tem que ser resistente ao álcool, ou será destruída.
A - Espuma atuando em hidrocarboneto
Guia para Espuma
Armazenamento:Se as recomendações do fabricante forem seguidas, o LGE estará apto para uso mesmo depois de anos armazenados.
Temperatura da água,contaminantes:Geralmente, as espumas são mais estáveis quando geradas com água á baixas temperaturas.Embora todos os concentrados funcionem com água com temperaturas acima de 37ºC, é preferível que essa temperatura esteja entre 1ºC a 27ºC.Tanto água doce quanto salgada pode ser usada. Água contendo contaminantes como detergente, resíduos de óleo ou certos inibidores de corrosão podem afetar a qualidade da espuma.
Pressão da água
A pressão do esguicho precisa ser suficiente para que o alcance do jato possa combater o incêndio e o operador fique de certa forma protegido. Se um proporcionador for usado, sua pressão não deve exceder 14 kgf/cm A qualidade da espuma cai se submetida a altas pressões. O alcance da espuma diminui à baixas pressões.
Incêndios causados por eletricidade
A espuma precisa ser considerada como se fosse água quando usada em incêndios causados pela eletricidade, e geralmente seu uso não é recomendado. Caso tenha que ser usada, aplicar um spray com a espuma é mais seguro que um jato direto, entretanto, a condutividade elétrica do spray de espuma é maior que a de uma névoa de água.
Nota:Sistemas elétricos devem ser desativados manual ou automaticamente antes de se aplicar água ou espuma
Derramamento de líquidos inflamáveis
Onde ocorrer derramamento de líquidos inflamáveis, o incêndio pode ser prevenido aplicando-se uma camada de espuma sobre a área afetada. Com o tempo, pode ser necessário aplicar mais espuma para manter a cobertura expandida, até que a área com o líquido inflamável esteja limpa.
Líquidos voláteis
Se recomenda não usar espuma em materiais que sejam armazenados como líquidos, que em condições ambiente são gasosos,como o propano,butadieno,etc.
Também não se recomenda que seja utilizada em materiais que reagem com água,como o magnésio,potássio,lítio,cálcio,zircônio,sódio e zinco.
2 Técnicas de aplicação da espuma
Anteparo
Quando esguichos de espuma são usados, precisa tomar cuidado de se aplicar a espuma de forma suave. Para um jato sólido, a espuma deve ser direcionada a um anteparo (como um muro, por exemplo) antes de chegar às chamas, a fim de se reduzir sua velocidade.
Rolagem
A espuma também pode rolar para a superfície do combustível fazendo com que o jato atinja o chão antes de chegar ao derramamento. Isso faz com que a espuma se acumule e em seguida role para o incêndio.
Dilúvio
O esguicho de espuma é lançado para cima até que atinja sua altura máxima e se desfaça em várias gotas. O operador do esguicho deve ajustar a altura do jato, para que a espuma caia em cima da área do derramamento. Essa técnica pode extinguir o incêndio mais rapidamente em comparação com as outras. Entretanto, se o combustível estiver queimando há um certo tempo, com a formação de uma coluna térmica, ou se as condições climáticas não são favoráveis (como ventos fortes), esse método não deve ser utilizado.
Nunca direcionar o jato diretamente para a chama
Direcionar o jato de espuma diretamente contra o fogo pode fazer com que o combustível se espalhe. Se existir uma cobertura de espuma, o jato direto pode quebrá-la, permitindo que gases inflamáveis escapem. Isso geralmente resulta na propagação do incêndio, ou numa reignição do combustível, ou ainda, que as chamas aumentem. Geralmente, o fogo irá diminuir ou se apagar assim que o jato direto ao foco do incêndio for interrompido.
Se o esguicho é do tipo jato regulável, o jato neblina deve ser usado para produzir uma aplicação mais suave e reduzir a mistura da espuma com o combustível.
Somente como último recurso, um jato sólido e direto deve ser aplicado no centro do derramamento. Nessas condições, a eficiência da espuma será de 1/3 ou menos, em relação aos demais métodos recomendados. Não use jatos de água de forma que possam quebrar uma cobertura de espuma. O jato de água pode ser usado na refrigeração das áreas próximas, ou no jato neblina para diminuição do calor irradiado pelas chamas. Entretanto, não direcione o jato de água para onde uma cobertura de espuma foi feita ou está sendo aplicada
3 Tipos de LGE
LGE Proteínico
O LGE proteínico comum é utilizado somente em combustíveis de hidrocarboneto.
Produz uma cobertura de espuma estável e homogênea que tem uma grande resistência ao calor e características de drenagem. Tem baixo poder de extinção, mas oferece boa resistência à reignição. Pode ser usado com água doce ou salgada. Deve ser aspirado adequadamente e não deve ser utilizado em esguichos que não contenham estrutura para aspiração. Esse foi o primeiro tipo de espuma mecânica a entrar no mercado e tem sido utilizada desde a Segunda Guerra. É produzida através da hidrólise de queratina granulada como tutano de boi, pena de aves, etc. Em seguida, estabilizadores e inibidores são incluídos para prevenir corrosão, resistir à decomposição de bactérias e controlar a viscosidade.
LGE Fluorproteínico
Possui surfactantes fluorquímicos com grande ganho de performance para a rápida extinção e compatibilidade com pó químico seco. Utilizado em combustíveis de hidrocarboneto e aditivos selecionados de combustíveis oxigenados. Tem uma excelente resistência ao calor e resistência à reignição. Pode ser usado com água doce ou salgada.
Precisa ser aspirado adequadamente e não deve ser utilizado com esguichos que não contenham estrutura para aspiração.
É produzido através da mistura de surfactantes fluorquímicos com concentrado proteínico, resultando em uma melhor fluidez e enriquecendo as propriedades do concentrado proteínico comum, tendo como resultado uma excelente tolerância aos combustíveis e maior poder de extinção.
LGE Fluorproteínico com Formação de Filme (FFFP)
É produzido através da mistura de surfactantes fluorquímicos com concentrado proteínico. Foi criado com o intuito de combinar a tolerância ao combustível do concentrado fluorproteínico com um grande poder de extinção. Essa espuma libera uma película aquosa sobre a superfície do combustível de hidrocarboneto.
Espuma Sintética de Detergente (Média e Alta Expansão)
Eficiente no combate a incêndios de classe A, muito usada em espaços confinados e como agente umidificante. Pode ser usada em menor escala para combate a incêndio classe B.
É uma mistura de agentes espumantes sintéticos e estabilizadores. A espuma de média expansão é utilizada para impedir a liberação de gases perigosos. Alguns tipos especiais de espuma devem ser usadas dependendo do tipo de combustível. A espuma de alta expansão pode ser usada em instalações fixas como armazéns, para proporcionar uma inundação completa de locais que tenham estoque de papel, plástico, borracha ou madeira. Cuidado com a eletricidade na área. O combate ao incêndio, nestes casos, é bem diferente do combate usando espuma de baixa expansão.
LGE Formador de Filme Aquoso AFFF
Foi desenvolvido com o intuito de criar a maior e mais rápida extinção possível em incêndios causados por hidrocarbonetos. Sua fluidez permite excelente fluxo através de obstáculos. Diferentes porcentagens devem ser selecionadas de acordo com a necessidade. Pode ser pré - misturado, é compatível com pó químico seco, pode ser usado com água doce ou salgada e pode ser usado através de dispositivos não aspirados.
Se trata de uma combinação de surfactantes fluorquímicos com agentes de espuma sintética. Extingue o fogo através da formação de uma película aquosa. Essa película é uma cobertura fina de solução de espuma que se espalha facilmente através das superfícies de um combustível de hidrocarboneto causando rápida extinção. É produzido pela ação de um surfactante fluorquímico reduzindo a tensão superficial da solução de espuma a ponto da solução ser mantida na superfície do hidrocarboneto.
LGE Formador de Filme Aquoso Resistente a Álcool (AFFF/ARC)
Inicialmente foi desenvolvido para ser usado em hidrocarbonetos na concentração de 3% e para solventes polares na concentração de 6%. É compatível com pó químico seco e pode ser utilizado com água doce ou salgada.
Atualmente também está disponível na concentração de 3% tanto para hidrocarbonetos como para solventes polares e também na concentração de 1% para hidrocarbonetos e 3% para solventes polares, trazendo ainda mais vantagens na utilização, pois estes novos LGE’s possibilitam minimizar o estoque enquanto a capacidade de extinção é maximizada.
Os LGE’s do tipo AFFF são compatívelis com pó químico seco e podem ser usados com água doce ou salgada.
Se trata da combinação de composto de tensoativos fluorados e hidrocarbonos, polímero de alto peso molecular e solventes. Solventes polares como o álcool podem destruir espumas que não são resistentes ao álcool. O LGE Formador de Filme Aquoso Resistente a Álcool (AFFF/ARC) age formando um filme aquoso sobre o combustível de hidrocarboneto. Quando usado com solventes polares, forma uma membrana polimérica resistente que separa a espuma dos combustíveis, e previne a destruição do colchão de espuma.