Ambientes turbulentos apresentam, mudanças contínuas e expressivas, levando as empresas a terem que rever continuamente as tendências de evolução do ambiente, de maneira a se antecipar na identificação de ameaças e oportunidades, para tirar o maior proveito possível destas, bem como defender-se e minimizar os efeitos daquelas e buscar o estabelecimento de estratégias que lhe permitam um desempenho satisfatório em relação ao seu potencial.
Conscientes dessa abordagem e da sua importância, alguns autores e pesquisadores começaram a desenvolver novas teorias, tais como a Ecologia de Empresas, preocupada com a estrutura do ambiente empresarial, analisando a sua evolução, através da transposição de conceitos da Ecologia Biológica que poderiam ser aplicados ao mundo empresarial através de uma paráfrase, e o Planejamento Estratégico, com sua visão sistematizada do processo estratégico empresarial e com a sua preocupação de analisar a empresa de maneira mais ampla e mais voltada para os seus aspectos de longo prazo.
Conforme afirma Ansoff ", "as técnicas administrativas de planejamento a longo prazo, o controle financeiro e mesmo o popular planejamento de longo alcance parecem inadequados para o tratamento dos novos sintomas. 1/ Esse autor afirma, ainda, que as empresas voltaram suas energias para o desenvolvimento de novas maneiras de administrar estes problemas. Muitas empresas pioneiras, bem como numerosas empresas de consultoria convergiram seus esforços para a criação de um novo método. Isso aconteceu no final dos anos cinqüenta e o resultado, conseguido através de tentativas e erros de trocas de experiências, foi o desenvolvimento da administração estratégica, já citada e explicada anteriormente.
Segundo Ansoff>, porém, ainda hoje apenas um pequeno número de empresas utiliza a genuína administração estratégica para administrar seus impulsos de crescimento. A maioria emprega ainda as técnicas de planejamento a longo prazo, mais antigas e mais simples, técnicas estas baseadas no passado e que carecem de capacidade de produzir análises sistemáticas de alternativas, necessárias ao planejamento estratégico.
Ainda segundo Ansoff, os preceitos de planejamento estratégico são difíceis de ser transferidos para a prática. Não só essa transferência é difícil, como também as tentativas de instalar uma disciplina estratégica rigorosa provocaram resistência ao planejamento, rejeitando as tentativas de sua implantação.
O mesmo autor afirma que há duas maneiras da empresa relacionar-se com o seu meio ambiente, quais sejam:
1. "Mediante um comportamento competitivo, que procura obter lucro do meio ambiente, através de um processo de troca. Isso é conseguido produzindo da maneira mais eficiente possível e garantindo o maior segmento de mercado e os melhores preços.
2. Através do comportamento empreendedor (ou estratégico), procurando substituir os produtos e os mercados obsoletos por novos, que ofereçam maior potencial para os lucros futuros. Isso é obtido através da identificação de novas áreas de demanda, do desenvolvimento de produtos aceitáveis, de técnicas de produção e de marketing mais adequadas, testando o mercado e introduzindo novos produtos nesse mercado."
Como o modelo competitivo é gerador de lucro e o modelo empreendedor é absorve dor de lucro, espera-se que a empresa gravite em tomo do primeiro, enquanto for adequado o potencial de seus mercados atuais e enquanto tais mercados satisfizerem os objetivos de lucro e de crescimento.
Ansoff afirma ainda que por volta de 1.900 as empresas fixaram suas posições de tecnologia e de produto e estabeleceram laços com os mercados nacionais lucrativos e crescentes. O trabalho empreendedor estava, então, substancialmente feito e as empresas começaram a deslocar seus interesses para a competição, onde permaneceram durante os cinqüenta anos subsequentes.
Com isso, o comportamento empreendedor não desapareceu, mas mudou substancialmente de forma e importância. Na década de cinqüenta, na maioria das empresas, o comportamento competitivo dominava o comportamento empreendedor. O contexto ambiental mudou lentamente, mediante a extrapolação lógica da situação anterior. Os vínculos básicos originais eram tidos como os limites naturais, no tocante à relação da empresa com o meio.
A preocupação com a atividade competitiva tomou-se ainda maior, devido ao abandono de outros laços com o meio ambiente. À medida que a indústria moderna crescia, as atitudes da sociedade em relação ao setor privado cresceram paralelamente. A meta da afluência e da riqueza nacional parecia atraente e urgente.
O resultado disso foi a aceitação social da doutrina do laissez-faire: a hipótese de que o maior bem surgirá, em última análise, se se permitir aos empresários individuais maximizar seus lucros com restrições mínimas por parte da sociedade
Assim, hoje, as empresas não devem apenas reposicionar-se quanto aos negócios, mas devem também ser capazes de suportar o impacto cruzado e a interdependência da sociedade mais ampla. A atenção deve deslocar-se do modelo competitivo para o modelo empreendedor, mas este último deve ter objetivos muito mais amplos do que os que teve na história passada. É devido à necessidade dessa reorientação tão drástica que a era que está surgindo foi chamada por Peter Drucker como a era da descontinuidade ou por Alvin Toffler como a era pós-industrial.