Docência em administração

Administração de Empresas

1 A história do ensino em administração no Brasil

O ensino superior em administração teve seu início em território nacional em meados do século XX e desde o seu pontapé inicial teve como característica a transferência de conhecimento e tecnologia norte americana para o Brasil.

Devido à necessidade de mão de obra qualificada, a busca pela profissionalização deu-se início de maneira gradativa, na década de 1930 o contexto necessário para a formação do profissional de administração no Brasil, mas foi só a partir da década de 1940 que a formação do administrador passou a ganhar especificidade no território nacional, sendo que neste período há uma melhor inserção do ensino administrativo.

Dessa forma, surge a necessidade de um sistema escolar, que foi se desenvolvendo durante toda a década de 1930, se adaptando de acordo com as necessidades do mercado de trabalho da época.

Então em 1952 surge a primeira escola de gestão no brasil, e para fins de comparação, nessa mesma época os Estados Unidos já formavam cerca de cinquenta mil administradores por ano.

Desde então, a realidade social dentro das organizações e suas relações com os diferentes stakeholders têm se tornado cada vez mais importantes e complexas, gerando assim maiores desafios à gestão dos sistemas organizacionais.

Os cursos de administração tiveram uma imensa expansão no Brasil a ponto de quase qualquer cidade do Brasil ter este curso a disposição de novos alunos. Deve-se enfatizar que esse movimento de expansão do ensino superior não é fruto apenas de um mero oportunismo por parte das instituições, mas um reflexo de membros de diversas entidades ligadas à educação no país e no mundo.

Pode-se citar como um exemplo prático a promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) em 20 de dezembro de 1996, que iniciou um novo processo de discussão sobre a democratização do ensino superior.
Contudo, apesar desse processo o que se percebe em grande parte dos cursos é a falta de preparo dos professores para a prática docente. Mais especificamente no campo das escolas de negócios, a preparação dos alunos para enfrentar a maior complexidade social e competitividade no mercado de trabalho, bem como a busca pelo desenvolvimento do ensino superior brasileiro, tem aparecido como os principais motivos de preocupação constante para a formação de professores.

O curso de administração no Brasil

A base teórica da ciência em Administração enfatiza inicialmente os princípios de Taylor criados para a administração dentro do conteúdo programático dos cursos.

  • Seleção científica do trabalhador de acordo com as tarefas mais compatíveis com sua aptidão.
  • Tempo-padrão (meta de produção padrão, exigida pela empresa);
  • Plano de incentivo salarial pago por peça produzida;
  • Trabalho em conjunto;
  • Planejamento de responsabilidade da gerência;
  • Divisão do trabalho;
  • Supervisão funcional, especializada por áreas;
  • Ênfase na eficiência.

Apesar de muito antiga, a teoria de Taylor representou um importante avanço para a época, e algumas de suas contribuições como a divisão do trabalho estão presentes até hoje.
Vale a pena destacar que cada teoria da administração foi feita com base nas necessidades da população de seu tempo e com o objetivo de melhorar a produção. As teorias de gestão podem ser divididas em várias correntes ou abordagens. Cada um é especificamente representado e demonstra a tarefa e as características do trabalho de gestão.

As teorias da administração por abordagens

Abordagem clássica da administração 

  • Administração científica 
  • Teoria clássica da administração 

Abordagem humanística da administração 

  • Teoria das relações humanas 

Abordagem neoclássica da administração 

  • Teoria neoclássica da administração 
  • Administração por objetivos (APO) 

Abordagem estruturalista da administração 

  • Teoria da burocracia da administração 
  • Modelo burocrático de organização
  • Teoria estruturalista da administração 

Abordagem comportamental da administração 

  • Teoria comportamental da administração 
  • Teoria do desenvolvimento organizacional (D.0.) 

Abordagem sistêmica da administração 

  • Princípios sistêmicos e principais conceitos aplicados a abordagem sistêmica 
  • Teoria de sistemas 
  • Homem funcional 
  • Cibernética e administração 
  • Teoria matemática da administração 
  • As principais técnicas de pesquisa operacional 
  • Abordagem contingencial da administração 
  • Teoria da contingência 
  • Mapeamento ambiental 
  • Desenho organizacional 
  • Adhocracia 
  • O homem complexo

Novas abordagens da administração: 

  • Gestão do conhecimento e capital intelectual 
  • Administração participativa 
  • Administração japonesa 
  • Administração holística 
  • Benchmarking 
  • Downsizing 
  • Gerenciamento com foco na qualidade 
  • Learning organization 
  • Modelo de excelência em gestão 
  • Reengenharia 
  • ReAdministração 
  • Terceirização 
  • Técnicas modernas de gestão

De acordo com o parecer 307/66 do conselho federal de administração, o conteúdo mínimo para um curso técnico em administração deveria ser:

  • Matemática;
  • Estatística;
  • Contabilidade;
  • Teoria Econômica;
  • Economia Brasileira;
  • Psicologia Aplicada à Administração;
  • Sociologia Aplicada à Administração;
  • Instituições de Direito Público e Privado (incluindo Noções de Ética Administrativa);
  • Legislação Social;
  • Legislação Tributária;
  • Teoria Geral da Administração;
  • Administração Financeira e Orçamento;
  • Administração de Pessoal;
  • Administração de Material.

Juntamente a essas disciplinas passou a ser obrigatório o Direito Administrativo, ou Administração da Produção e Administração Comercial, consoante de acordo com a vontade do aluno. Os alunos também passaram a ter como obrigação a realização de um estágio supervisionado de no mínimo seis meses para obter o diploma.
Posteriormente foram criados os Conselhos Regionais de Administração (CRAs)que tinham como principal função a de fiscalizar e controlar o exercício da profissão. Estes órgãos teriam forte controle sobre as condições de acesso à profissão, pois, apenas os cadastrados nas CRAs poderiam exercer a profissão e isso contribuiu fortemente para a expansão desses cursos.

O curso de administração passa a ser entendido como um curso com princípios técnicos básicos, que se desenvolve de acordo com a época e com as necessidades empresariais vigentes.
O curso de administração, no Brasil, foi criado com o objetivo de suprir a carência de mão de obra especializada e formar administradores para atender às demandas do mercado empresarial e às necessidades do contexto econômico e social vigente.

2 Docência em administração

No bacharelado, especificamente em administração, não se pode negar o elo indissociável entre teoria e prática, pois, existem diversas ramificações de atuação para este profissional, porém, sua formação tem estado diretamente ligada à atuação dentro da especificidade da gestão empresarial. A área acadêmica, ou seja, uma área de atividade educacional do administrador, é uma opção dentre as várias que o profissional pode atuar de acordo com suas preferências.
A consciência da necessidade de um ensino superior de qualidade, que realmente prepara o acadêmico para o mercado de trabalho, cresce rapidamente.
Com base nessa afirmação é possível afirmar que o papel do professor administrador vai muito além de ministrar aulas, tendo um importante papel de transmitir o conhecimento científico teórico aliado as experiências suas profissionais e os desafios encontrados no dia-dia empresarial.

Requisitos legais

Os requisitos legais mínimos para o exercício da docência são definidos pelo conselho federal de educação, que define os parâmetros necessários à qualificação básica e indispensável do professor. O profissional acadêmico necessita de um diploma de graduação correspondente ao curso em que irá lecionar ou de alguma área semelhante. Isso é necessário para que o professor universitário tenha obtido conhecimentos suficientes em sua carreira para ministrar determinada disciplina.
Segundo o artigo quinto da CEF nº 20/77 para a aceitação de docentes, além da qualificação básica, serão considerados, entre outros, os seguintes fatores relacionados com a matéria ou disciplina para a qual é feita a indicação:

  • Título de doutor ou de mestre obtido em curso credenciado no País, ou em instituição idônea no País, ou exterior, a critério do conselho, ou, ainda título de livre docente obtido conforme a legislação específica;
  • Aproveitamento em disciplinas preponderantemente em áreas de concentração de curso de pós-graduação sensu strictu, no País, ou em instituição idônea no País ou, no exterior, a critério do conselho, com carga horária comprovada, de pelo menos trezentas e sessenta (360) horas;
  • Aproveitamento, baseado em frequência e provas, em cursos de especialização ou aperfeiçoamento, na forma definida em resolução específica deste conselho;
  • Exercício efetivo de atividades técnico-profissional, ou de atividade docente de nível superior comprovada, durante no mínimo dois (2) anos.
  • Trabalhos publicados de real valor.

Requisitos desejáveis

Existem algumas características pessoais e técnicas que vão além do requisito legal e que são desejáveis a professores universitários segundo um consenso da maioria dos especialistas. Essas características devem ser analisadas criticamente, uma vez que não podem ser tratadas como requisitos indispensáveis. 
Vale ressaltar que pessoas com vocação docente, que demonstram entusiasmo pela docência e gostam de ensinar, muitas vezes conseguem exercer sua profissão com eficiência, embora não possuam todas essas características.

Conhecimentos gerais

Apesar de ser especializado em uma área específica, é importante que o professor também tenha um conhecimento mesmo que superficial sobre determinadas áreas, gerais e correlatas a atividade docente ou a administração. Essa importância se dá ao fato de diversas matérias estarem relacionadas entre si e a acontecimentos sociais, econômicos e políticos do cenário nacional e mundial.

Habilidades pedagógicas

O professor precisa ser capacitado para estabelecer paralelos entre o que ocorre em sala de aula com processos e estruturas amplamente encontrados no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. 
Não apenas nos cursos de administração, o professor de ensino superior deve ser visto como um articulador do processo ensino-aprendizagem, tendo como principal responsabilidade ajudar os alunos a refletir constantemente sobre a realidade, bem como auxiliá-los a desenvolver novos conhecimentos e estimular o pensamento crítico. 
Para que esse objetivo seja alcançado, o professor deve planejar, coordenar, acompanhar e avaliar continuamente o processo relacionado ao desenvolvimento de sua disciplina, principalmente no que cabe a metodologia utilizada e nas suas formas de avaliação.
Ao analisar os objetivos propostos pelo ensino superior nacional, bem como as barreiras que interferem em sua concretização, podem ser traçadas algumas habilidades desejáveis ao profissional docente.

  • Planejamento: o planejamento é a chave definitiva para uma maior eficácia no ensino superior. Para o exercício da atividade docente, exige-se um plano de disciplina cuidadosamente elaborado de acordo com o escopo e cronograma da disciplina;
  • Psicologia aliada ao ensino: conhecimentos em psicologia poderão ser muito eficazes, ao esclarecerem quais são os fatores facilitadores da aprendizagem, bem como os diversos métodos de ensino para que o professor faça uso de acordo com a demanda da situação;
  • Técnicas de avaliação: o processo de avaliação de desempenho do aluno é necessário não apenas como um fator determinante ao final do curso, mas também para informar o professor ao longo do ano letivo sobre a eficácia de seus métodos no processo de aprendizagem do aluno;
  • Didática: a didática do ensino superior envolve não apenas a transmissão de conhecimento baseado em evidências científicas, mas também a utilização dos conhecimentos e habilidades pedagógicas, dando ênfase na forma lúdica e precisa com que o professor se expressa perante seus alunos em sala de aula.