EDUCAÇÃO E MOBILIDADE:

Mobilidade Reduzida

1 Inserção das tecnologias móveis no contexto educacional.

Essa apostila tem por finalidade apresentar uma reflexão sobre a inserção das tecnologias móveis no contexto educacional. A análise, apresentada neste conteúdo, foi pautada em uma Investigação Qualitativa em Educação, em uma Escola Municipal de Ensino Fundamental, localizada na Zona Norte da capital sergipana, tentamos compreender o que foi alterado no que se refere a maneira de aprender dos alunos com a inserção das tecnologias móveis e como esses mesmos estudantes aprendem de maneira informal. Foram realizadas entrevistas com os alunos e observação na escola, para que dessa forma fosse possível fazermos uma relação com as teorias/estudos realizados sobre a relação entre a Educação e as Tecnologias de Comunicação e Informação (TIC).

A sociedade contemporânea sofreu significativas alterações no contexto social, político, econômico e cultural com o uso das TIC. Ao observamos o cenário da comunicação e da educação possível verificar que as mídias e suas linguagens atuam como instrumentos mediadores no que se refere a disseminação do conhecimento. E na escola onde realizamos esta pesquisa também observamos como os alunos interagem entre eles e como se familiarizam com as tecnologias contemporâneas e nesta realidade a obtendo informações e consequentemente aprendendo de maneira informal. Dessa forma, torna-se necessário entender e analisar que o processo de comunicação ultrapassa os limites da codificação e decodificação das mensagens, sendo assim, ele encontra-se presente na evolução social, política, econômica e nas mudanças de paradigmas de diversos grupos sociais.

Nesta perspectiva, a análise das Ciências da Comunicação e a sua direta correspondência com a Educação, por meio de uma ótica deontológica, nos leva a detectar que ela adquire um compromisso prioritário no que se refere a compreensão da relação ensino e aprendizagem. Partindo deste pressuposto, é possível perceber o valor da informação na sociedade contemporânea e, além disso, a sua associação com o advento das tecnologias. Marshall McLuhan (1974), ao afirmar que o “o meio é a mensagem” nos permite compreender que com o advento tecnológico surge mais uma esfera comunicacional nova, o ambiente da Aldeia Global.

De acordo com Lévy (1998), em seu livro, “As Tecnologias da Inteligência. O futuro do pensamento na era da informática”, com o desenvolvimento das tecnologias surgem novas maneiras de conviver e pensar, Sendo assim, as TIC favorecem a transmissão das mensagens de maneira eletrônica – é oferecido ao homem o acesso ao espaço virtual, conhecido como ciberespaço - com o surgimento das interfaces cria-se uma interligação entre a realidade e a virtualidade. Como salienta Peraya (2002, p.26) 

Sendo assim, as TIC favorecem a transmissão das mensagens de maneira eletrônica – é oferecido ao homem o acesso ao espaço virtual, conhecido como ciberespaço - com o surgimento das interfaces cria-se uma interligação entre a realidade e a virtualidade. Como salienta Peraya (2002, p.26)

Todo ato de ensino/aprendizagem constitui principalmente um ato de comunicação e, por esse motivo, é passível de uma análise comunicacional. Por outro lado, toda forma de comunicação tem como base um sistema de representação: não há comunicação que não seja midiatizada.

E o nosso propósito nesse artigo é realizar reflexões acerca das novas práticas educacionais que utilizam as TIC como meio de divulgação da informação – o que podemos verificar é a existência significativas alterações nos processos de aprender e ensinar. E neste cenário existe uma forte relação entre o agir comunicativo – conceito utilizado por Jürgen Habermas – e a educação, dessa forma, é por meio das estruturas simbólicas do mundo da vida 1 que acontecem os processos de aprendizagem, estes por sua vez, são pertinentes a práxis educativa. Nesta linha de raciocínio, a educação compreende uma ação social. Estudar as transformações sociais com o advento das TIC leva a compreensão não só do contexto social, como também econômico, político e também cultural do País. Para atender as necessidades e acompanhar as transformações o Governo apresenta ações e programas com o objetivo de inserir as tecnologias na educação.

Primeiramente, iremos refletir sobre as transformações na sociedade com os avanços técnico-cientificos, em seguida comentaremos como a mobilidade promoveu alterações na forma comunicação e, por último, as reflexões serão pautadas nas mudanças existentes no cenário educacional com o uso das TIC nas práticas educativas.

2 Procedimentos metodológicos:

 

Para o desenvolvimento dessa pesquisa realiza-se um estudo de caso, foram feitas entrevistas abertas com 50 alunos, dos 5 ° e 6 ° anos, no período 07 a 18 de maio de 2012, em uma escola de Ensino Fundamental de Aracaju- SE. Fizemos também uma observação participante – visitamos e assistimos também algumas aulas - e, durante os intervalos das aulas conversamos também com os alunos para perceber como eles utilizavam o computador não só durante as aulas e atividades passadas pelo professor.

Tentamos também observar quem é aluno que utiliza as tecnologias móveis, considerando o perfil sócio-economico o que eles acham do desenho didático das atividades que são realizadas nos computadores. Verificamos também o modelo de semiologia que surge a partir da adoção dos novos sistemas comunicacionais interativos e do ciberespaço. A pesquisa ainda encontra-se em desenvolvimento, mas já foi possível verificar, por meio da observação e entrevistas com um grupo focal, que os estudantes além de conhecerem as tecnologias contemporâneas, interagem entre si trocando informações. E este estudo parte do pressuposto que existe uma direta relação entre a informação e o processo de construção do conhecimento desta forma, todos os envolvidos no processo de comunicação atuam de uma maneira muito mais participativa.

Para a realização da pesquisa até agora foram lidos os estudos e textos de autores como Marshall McLuhan, Lúcia Santaella, André Lemos, Eduardo Neiva, Nelson Pretto , Jürgen Habermas entre outros autores.

 

O ciberespaço e a sociedade do conhecimento:

 

Os avanços tecnológicos, cada vez mais, favorecem a utilização dos programas das redes digitais que reúnem todos os setores da indústria da comunicação, permitindo assim que o surgimento de novas linguagens e no contexto das TIC existe uma convergência entre as mídias no espaço cibernético. Este ciberespaço, por sua vez, segundo Lévy (1998), é o ambiente onde os acontecimentos estão em constantes transformações. 

Nessa medida o ciberespaço deve ser concebido como um mundo virtual global coerente, independente de como se acede a ele e como se navega nele. Tal qual uma língua , cuja consistência interna não depende de que os seus falantes estejam, de fato, pronunciando-a, pois, eles podem estar todos dormindo, em um dado momento imaginário, o ciberespaço, como uma virtualidade disponível, independe das configurações específicas que um usuário particular consegue extrair dele. Além disso, há várias maneiras de se entrar no ciberespaço. Pelas animações sensíveis de imagens no monitor do vídeo controlado pelo mouse, passando pela tecnologia da realidade virtual, que visa recriar o sensório humano tão plenamente quanto possível, até os eletrodos neurais diretos. (SANTAELLA, 2004, p. 41)

Partindo desse pressuposto, ao considerar a existência de uma sociedade do conhecimento, é válido salientar que vivemos agora em um movimento, ou seja, voltamos a ser nômades.

O espaço do novo nomadismo não é o território geográfico, nem das instituições dos Estados, mas um espaço invisível de conhecimentos, saberes, potências de pensamento em que brotam e se transformam qualidades do ser, maneiras de construir sociedade. Não os organogramas do poder, nem as fronteiras das disciplinas, tampouco as estatísticas dos comerciantes, mas o espaço qualitativo, dinâmico, vivo da humanidade em vias de se auto inventar, produzindo seu mundo. (LÉVY, 1998, p.15)

A disseminação do conhecimento torna-se mais eficaz ao se utilizar de forma adequada o ciberespaço, surgindo assim uma rede hipertextual que é formada por várias interconexões. Há uma gama de informações na Internet que oferecem aos sujeitos muito mais que uma alternativa comunicacional, possibilita que as pessoas conheçam um mundo onde a virtualidade não é conceituada apenas fora do âmbito do real. Lévy (1995) afirma que, com a rede mundial de computadores, as pessoas se encontram diante de uma nova relação com o mundo e com a cultura, o que favorece o processo de construção do conhecimento. Dessa forma, observando o uso das TIC na Educação, vale ressaltar que é possível adotar outro conceito no que se refere a aula, ou seja, ocorrem alterações também na conceitualização de espaço e tempo, o que nos permite pensar que existe novas pontes entre estar juntos virtualmente e fisicamente.

Neste contexto, surge um novo modelo da relação entre homem e máquina “o que passa a predominar não é mais a criação dos objetos, mas a sua substituição por mensagens que circulam, poderosamente, pelas redes sociais” (NEIVA, 1996, p. 94). No ciberespaço qualquer informação podem se tornar habitáveis por conta da sua velocidade de circulação. Existe um afluxo avassalador dos signos, estes por sua vez, proporcionam uma significativa dilatação que tende ao infinito das bordas difusas do ciberespaço e para as novas órbitas de circulação das linguagens. Santaella (2007) ressalta que, o espaço virtual não surgiu com o propósito de substituir o físico, mas de adicionar funcionalidade no processo de codependência.

Em nossas análises detectarmos que, inexoravelmente essas linguagens encontram-se atreladas aos corpos em movimento e as tecnologias da inteligência estão relacionadas as transformações e convergências das mídias cada vez mais avançadas que mesclam a escrita, visão e audição. Para Lévy (1999, p. 17)

"Vivemos hoje em dia uma destas épocas limítrofes na qual toda a antiga ordem das representações e dos saberes oscila para dar lugar a imaginários, modos de conhecimento e estilos de regulação social, ainda pouco estabilizados. Vivemos um destes raros momentos em que, a partir de uma nova configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo estilo de humanidade inventado".

Ao perceber as práticas de interações no ciberespaço, Santaella (2004, p.11) defende que “o receptor de uma hipermídia ou usuário, como costuma ser chamado, coloca em ação mecanismos, ou melhor, habilidades de leitura muito distintas daquelas que são empregadas pelo leitor de um texto impresso como o livro”. Navegando nos hipertextos virtuais decodificamos as mensagens e temos a possibilidade de transitar por diferentes lugares, sendo assim as experiências vividas na internet e por outras mídias têm produzido transmutações nos nossos conceitos de tempo, espaço. Além disso, também promovendo alterações no modo de viver, aprender, agir, a nossa afetividade, sensualidade, nas crenças que temos e nas emoções que nos assomam. (SANTAELLA, 2007).

Sem dúvida, com o desenvolvimento acelerado dos aparatos tecnológicos cada vez menos a comunicação se encontra associada aos lugares fixos. Ainda segundo Santaella (2007, p.25) “nesta era de comunicação móvel, todos testemunhamos o desaparecimento progressivo dos obstáculos materiais que até agora bloqueavam os fluxos dos signos e das trocas de informação”.

Sendo assim, estar na rede é permitir passar outras experiências, transitando por diferentes espaços e lugares, possibilitando distintas formas de relações sociais. E o que chamamos a atenção neste artigo é que as tecnologias, em especial as móveis, nos permitem vivenciar uma mobilidade tanto física quanto virtual.

 

Mobilidade e Comunicação:

 

O significativo desenvolvimento das tecnologias móveis cada vez mais tem permito a população o acesso ao ciberespaço – o que promove uma participação na rede como produtor e autor dos conteúdos - verificamos transformações nos aspectos socioculturais. “A era da pós-informação vai remover as barreiras da geografia. A vida digital exigirá cada vez menos que você esteja num determinado lugar e em determinada hora” (NEGROPONTE, 1999, p.159).

Assim, com o surgimento de aparelhos celulares com diversas funcionalidades, tabletes, smartphones, notebooks entre outros equipamentos torna-se possível detectar além de um processo de inclusão digital, alterações no âmbito cultural, sociocomunicacional e educativo das tecnologias da mobilidade. Os vídeos, mensagens e imagens passam a ser enviados em uma velocidade de tempo ainda maior. Entretanto, de acordo com Lemos (2009, p. 08) “falar de tecnologias móveis, mídias móveis, espaço urbano e mobilidade no Brasil exige uma visão aguçada e atenta aos diversos paradoxos desse país”.

Na atualidade as tecnologias móveis aceleraram ainda mais as trocas de informações, o que nos leva a perceber o surgimento de novos fenômenos comunicacionais. Como demonstra Silva (2009, p.70) ocorre o aparecimento de “novos processos de produção, consumo e circulação da informação no campo do jornalismo em interação com o próprio espaço urbano. Estas mobilidades são interligadas e potencializadas com as tecnologias da comunicação móvel”. Vale destacar que, de acordo com Santaella (2004), existe uma interatividade por conta da união das atividades mentais com as perceptivo-corporais.

"Não há separação entre mente e corpo, quando se navega no ciberespaço. Ao contrário, embora o corpo pareça imóvel, enquanto a mente viaja, os sentidos internos do corpo estão em tal nível de atividade, que o corpo que dá suporte às interferências mentais de quem navega é um corpo sensorialmente febril, internamente agitado". (SANTAELLA, 2004, p.14).

Dessa forma, existem inter-relações do verbal, visual e sonoro na hipermídia, justamente por conta da convergência existente nas tecnologias móveis. Ao detectarmos esta convergência devemos nos atentar a existência de uma multiplicidade de linguagens.

Segundo Jekins (2009), ocorre uma transformação midiática que é pautada na correlação entre mídias distintas que foram criadas em momentos diferentes. Dentro deste contexto, que verificarmos que elas proporcionam alterações comportamentais no tocante do seu uso e estas transformações, por sua vez, reflete na postura do público que foi destinada.

A comunicação e a aprendizagem ocorre de maneira colaborativa, os atores sociais que utilizam as tecnologias móveis há uma viabilização ao acesso ubíquo no ciberespaço, dessa forma as transformações não ocorrem somente no que se refere a transmissão da informação, mas também nas relações sociais.

As revoluções tecnológicas dos últimos dois séculos, voltadas prioritariamente para a produção exacerbada de bens de consumo, tanto materiais quanto simbólicos, tornaram a urdidura dos espaços de existência, nas sociedades industriais e pós-industriais, extremamente intricada e complexa. (SANTAELLA, 2007, p. 173).

Na contemporaneidade, as mudanças nos processos de comunicação ocasionados pela mobilidade nos leva a repensar qual o papel e os impactos na Educação com a inserção das tecnologias móveis. Além disso, devemos observar como a presença e o uso das TIC no espaço escolar promove alterações nos modos ensinar, aprender e trocar informações.

Pensar a mobilidade é também aprender a repensar o tempo. A ideologia ocidental, com o tema fim das grandes narrativas e do fim da história, estava em atraso em relação ao evento: ela falava de uma época sem se dar conta de que nós estávamos já grandemente engajados numa nova época. Abordava os novos tempos com palavras antigas e instrumentos ultrapassados. As políticas falam hoje de um mundo multipolar, mas seria preciso reconhecer que os “novos polos” surgem de experiências históricas originais que não convém abrigar hoje sob rótulo de “fim da história” (AUGÉ, 2010, p. 100- 101)