Mobilidade Reduzida

Mobilidade Reduzida

1 Conceito de Acessibilidade

Definição

Acessibilidade significa desenhar e organizar meios edificados e espaços públicos seguros, saudáveis, adequados e agradáveis para que sejam utilizados por todas as pessoas. Acessibilidade quer dizer que os edifícios podem ser utilizados desde a sua entrada, no seu percurso interno em todos os espaços e oferecem uma saída de forma autônoma a todas as pessoas.

Significa disponibilizar a informação e os serviços em diversos formatos para que todos possam compreender a aceder aos mesmos. A informação disponibilizada nos quiosques informativos, nas máquinas de multibanco, na ementa do restaurante, nos programas de televisão deve ser compreendida e utilizada por todas as pessoas de forma autônoma, isto é, sem ter de recorrer a terceiros.

Dimensões

Acessibilidade arquitetônica
Inexistência de barreiras ambientais físicas nas casas, nos edifícios, nos espaços ou equipamentos urbanos e nos meios de transporte individuais ou coletivos

Acessibilidade atitudinal
Inexistência de preconceitos, estigmas, estereótipos e discriminações. (Enquanto resultado de programas e práticas de sensibilização e de consciencialização das pessoas em geral e da convivência na diversidade humana.)

Acessibilidade metodológica
Inexistência de barreiras nos métodos e técnicas de estudo, de trabalho, de ação comunitária e familiar.

  • Exemplos de métodos e técnicas de:
    • estudo – adaptações curriculares, aulas baseadas nas inteligências múltiplas, uso de todos os estilos de aprendizagem, participação do todo de cada aluno, novo conceito de avaliação de aprendizagem, novo conceito de educação, novo conceito de logística didática, etc.
    • trabalho - métodos e técnicas de formação e desenvolvimento de recursos humanos, ergonomia, novo conceito de fluxograma, empoderamento, etc.
    • ação comunitária - metodologia social, cultural, artística, etc. baseada em participação ativa
    • educação dos filhos - novos métodos e técnicas nas relações familiares, etc.

Acessibilidade instrumental
Inexistência de barreiras nos instrumentos, utensílios e ferramentas de estudo de trabalho e de lazer ou recreação.

  • Exemplos de instrumentos e utensílios de:
    • estudo - lápis, caneta, transferidor, régua, teclado de computador, materiais pedagógicos,
    • trabalho - ferramentas, máquinas, equipamentos,
    • atividades da vida diária - tecnologia para comunicar, fazer a higiene pessoal, vestir, comer, andar, tomar banho etc.,
    • lazer, desporto e recreação - dispositivos que atendam às limitações sensoriais, físicas e mentais etc.

Acessibilidade comunicacional
Inexistência de barreiras na comunicação interpessoal, escrita e virtual (acessibilidade digital).,

  • Exemplos:
    • comunicação interpessoal - face-a-face, língua gestual, linguagem corporal, linguagem gestual etc.,
    • comunicação escrita - jornal, revista, livro, carta, etc., incluindo textos em Braille, textos com letras ampliadas para quem tem baixa visão, computador e outras tecnologias para comunicar,
    • comunicação virtual - acessibilidade digital.

Acessibilidade programática
Inexistência de barreiras invisíveis integradas em políticas públicas (leis, decretos, portarias) e normas ou regulamentos (institucionais, empresariais etc.).

2 Deficiência x Doença

“Doença não é deficiência, assim como deficiência não é doença, mas algumas deficiências são causadas por doenças, assim como poderiam ser causadas por acidentes de qualquer tipo, violência urbana, maus-tratos em casa, tiros e explosões em tempos de guerra etc. Outras deficiências são congênitas”, explica o professor Romeu Kazumi Sassaki

As chamadas Deficiências Físicas Congênitas definem-se como qualquer perda ou anormalidade de estrutura ou função fisiológica ou anatômica, desde o nascimento, decorrente de causas variadas, como por exemplo: prematuridade, anóxia perinatal, desnutrição materna, rubéola, toxoplasmose, trauma de parto, exposição à radiação, uso de drogas, causas metabólicas e outras desconhecidas.

Esta deficiência pode ser uma alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, podendo apresentar-se sob as formas de: paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral e membros com malformação.

Abaixo segue uma breve definição de cada uma destas várias formas de deficiência:

  • Paraplegia: paralisia total ou parcial da metade inferior do corpo, comprometendo as funções das pernas.
  • Paraparesia: perda parcial das funções motoras dos membros inferiores.
  • Monoplegia: perda total das funções motoras de um só membro (podendo ser membro superior ou membro inferior).
  • Monoparesia: perda parcial das funções motoras de um só membro (podendo ser membro superior ou membro inferior).
  • Tetraplegia: paralisia total ou parcial do corpo, comprometendo as funções dos braços e pernas.
  • Tetraparesia: perda parcial das funções motoras dos membros inferiores e superiores.
  • Triplegia: perda total das funções motoras em três membros.
  • Triparesia: perda parcial das funções motoras em três membros.
  • Hemiplegia: perda total das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo).
  • Hemiparesia: perda parcial das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo).
  • Paralisia Cerebral: termo amplo que designa um grupo de limitações psicomotoras resultantes de uma lesão do sistema nervoso central. Geralmente os portadores de paralisia cerebral possuem movimentos involuntários, espasmos musculares repentinos, fenômeno chamado de espasticidade. A paralisia cerebral apresenta diferentes níveis de comprometimento, dependendo da área lesionada no cérebro.  Embora haja casos de pessoas com paralisia cerebral e deficiência mental, essas duas condições não acontecem necessariamente ao mesmo tempo.
  • Malformação Congênita: anomalia física desde o nascimento.

Pode ocorrer a associação de duas ou mais deficiências primárias (mental/visual/auditiva/física), com comprometimentos que acarretam atrasos no desenvolvimento global e na capacidade adaptativa, e são chamadas de deficiências múltiplas.

Qualquer que seja a forma pela qual o indivíduo tenha a deficiência (congênita ou adquirida), ela repercute com profundas implicações psicológicas, desde a rejeição pura e simples até a dificuldade de elaborar a própria diferença em relação aos outros.  O aspecto social, juntamente com o psicológico e o biológico formam um tripé sobre o qual se apóia a experiência vivida de cada pessoa portadora de deficiência.

3 Deficiência e Cultura

Em nossa cultura, a palavra "deficiente" tem um significado muito estigmatizante, onde a aparência de normalidade ou a invisibilidade do desvio em relação à norma são os principais elementos que podem determinar a inclusão ou a exclusão social.

O que se observa é que a questão da identidade do deficiente, apesar de ser constantemente justificada pela dimensão biológica, é, na verdade, fortemente influenciada pela dimensão cultural.

É preciso esclarecer que as sociedades são realidades vivas e, portanto, dinâmicas, sempre sujeitas a tensões e ajustes que tentam lidar com os problemas concretos e históricos que lhes são pertinentes, inclusive com as questões relativas ao poder e a desigualdade.  Mas nos importa repensar a grande carga simbólica atribuída às pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, e que só pode ser dada pelo aspecto cultural.

MERLEAU-PONTY (1971) apresenta uma conceituação interessante a respeito da influência do corpo na existência de todo ser humano: "O corpo é a unidade máxima de representação do ser humano e por isso adquire importância para toda vida e cultura. Para viver é necessária a mediação do corpo, que é o primeiro dos objetos culturais, o portador dos comportamentos. Vive-se com o corpo e nos relacionamos através dele. Toda percepção exterior é imediatamente sinônima de certa percepção do corpo, como toda percepção do corpo se explicita na linguagem da percepção exterior".

Assumir este olhar significa compreender o comportamento humano, observado na manifestação das experiências motoras, como expressão da dinâmica intrínseca do organismo humano, além de refletir sobre sua contribuição na organização da auto-imagem (Coelho et al., 2000), da imagem corporal (Van Kolck, 1987) e do auto-conceito (Tamayo et al., 2001), elementos fundamentais para a vida psíquica.

Segundo Goffman (1982), três modelos de "carreiras morais" ou tipos básicos de história de vida podem ser identificadas entre as pessoas deficientes. A primeira delas diz respeito àqueles indivíduos que nascem com algum tipo de deficiência, e que tem a oportunidade de incluir a socialização dentro da deficiência, são aqueles em que as funções da família e da educação são essenciais para que a criança possa se inserir no meio social com um impacto minimizado das tensões geradas pelas suas diferenças, com chances maiores de desenvolver suas habilidades motoras e adaptar-se, porém, de qualquer maneira, a socialização ocorre em meio às desvantagens.

No segundo modelo, que é da socialização dentro de uma situação de proteção, é onde se observa que a atuação da família e da instituição educativa são prejudiciais, pois levam a uma "cristalização" da deficiência  (a limitação do deficiente dentro de um mundo irreal) com a possibilidade do surgimento de níveis maiores de tensões, quando ocorrer o  contato  com o mundo exterior, uma vez que seus potenciais adaptativos não foram suficientemente evocados e desenvolvidos.

Para aqueles que adquirem a deficiência depois de socializados, que pertencem ao terceiro modelo, pressupõe-se que já houve tempo e condições suficientes para a aquisição de certos preconceitos com relação aos indivíduos portadores de algum tipo de deficiência. Nestes casos, será preciso um esforço emocional e o uso de mecanismos de enfrentamento para superá-los, pois o indivíduo verá a si próprio como costumava ver o outro. A maior dificuldade, contudo, será a adaptação à nova condição, processo que requer grande responsabilidade, ainda, por parte da família e da instituição de reabilitação, além é claro, do próprio portador da deficiência, sujeito implicado e protagonista de sua própria história.

4 Auto-Imagem, Imagem Corporal, Identidade Pessoal e Auto-Estima

Por ser visivelmente manifesta, a diferença apresentada pelos deficientes é um elemento absolutamente essencial para a construção do que Goffman (1982) chama de "Identidade Pessoal".

A identidade pessoal, construída pelos outros, é a imagem que as pessoas têm sobre o indivíduo deficiente. Essa imagem é criada e pode não corresponder (e em geral não corresponde) à realidade, mas acaba influenciando fortemente o relacionamento do estigmatizado com as pessoas com as quais ele se relaciona ou encontra cotidianamente, e que acabam se remetendo aos estereótipos da deficiência, pré-julgando as suas capacidades na forma de abordagem.

O próprio indivíduo também tem uma auto-imagem, nomeada por Goffman (1982) de "Identidade do Eu", que em geral é construída com os elementos que o senso comum usa para montar o quadro da identidade pessoal. Mas estes elementos podem ser combinados de modo a resultar numa elaboração final mais coerente com a real dimensão da deficiência. Se essa auto-imagem, ao formar-se, for muito influenciada pelo senso comum, o indivíduo correrá o risco de introjetar os mesmos preconceitos que a sociedade tem em relação a ele (passando a ter preconceito contra si próprio) resultando, não raro, em sentimentos de insegurança e forte angústia, dificultando ainda mais o uso apropriado de mecanismos de enfrentamento.

Coelho et. al. (2000) entendem a auto-imagem como uma constelação de pensamentos, sentimentos e ações relativas aos relacionamentos entre pessoas e do self como diferente dos outros. Ela é constituída pelo self independente (enfatizando qualidades internas, pensamentos e sentimentos para expressar a si mesmo aos demais) e o self interdependente (enfatizando os feitos públicos e externos para se relacionar com o meio social).

Van kolck (1987) entende essa percepção individual como imagem corporal. Para a autora, a imagem corporal é como cada pessoa elabora a imagem de seu próprio corpo acentuando ou modificando as diferentes partes em função dos mecanismos de sua personalidade e de todas as suas vivências, passadas e presentes. A imagem corporal não é apenas consciente, ela é construída tomando em grande parte a referência do corpo de outras pessoas predominando, em geral, os elementos visuais. Porém, a imagem dos outros não está ligada somente à sua aparência física, mas principalmente à qualidade de nosso relacionamento com eles, além de aspectos do outro que desejamos ser. "O modo como uma pessoa sente e vive o mundo à sua volta dependerá em grande parte, de como ela se considere 'forte', 'bonita', 'flexível', 'alta' e estas avaliações são aprendidas através do contato com outros corpos" (Penna, 1990).

Tamayo et. al. (2001) indicam que o processo do indivíduo organizar suas experiências, reais ou imaginárias, controlar o processo informativo relacionado consigo mesmo e desempenhar a função de auto-regulação deve ser denominado de auto-conceito, o qual é constituído pelos componentes avaliativo (auto-estima), cognitivo (percepção dos traços, características e habilidades) e comportamental (estratégias de auto-apresentação), todos fortemente influenciados pela cultura.

Portanto, compreende-se que os conceitos de auto-imagem, imagem corporal e auto-conceito são indicadores de um auto-conhecimento maior, o qual é construído com base no relacionamento consigo mesmo e com os outros. Por esse motivo, o termo imagem corporal passou a representar o conhecimento que o ser humano possui acerca da relação de seu corpo com o mundo. A imagem corporal é a configuração do nosso corpo formada em nossa mente, ou seja, o modo pelo qual o corpo se apresenta para nós mesmos. Os indivíduos portadores de deficiência desde o nascimento, apresentam vantagens neste aspecto, em relação àqueles que adquirem a deficiência posteriormente,  pois seus registros de imagem corporal tem seu correspondente emocional desde os primórdios. Não ocorre a ruptura, o indivíduo se reconhece naquele corpo e se identifica com ele. Suas relações com o mundo externo partem desta imagem corporal, e contribuem para o desenvolvimento e estruturação da personalidade.

Isto vem demonstrar que a imagem corporal consiste em um processo dinâmico que se modifica de acordo com os valores socioculturais, sofrendo alterações a todo o momento, fato que comprova não existir a percepção de objetos exteriores sem uma referência corporal e não haver percepção do corpo como objeto, sem uma referência ambiental.

Verifica-se, portanto, que o ser humano constrói sua imagem corporal na relação com o mundo vivido e essa percepção não ocorre sempre da mesma maneira, isto é, se alterar a percepção, negativa ou positivamente, alterará sua auto-imagem (Almeida et al, 2002; Cometti et. al, 2000; Fernandez e Loureiro, 1990; Penna, 1990).

Especificamente, no caso do portador de deficiência física, pela sua diferença corporal ser, em geral, significativa, essa percepção, caso não gere sensação de auto-aceitação, poderá provocar desequilíbrios emocionais, gerando sentimentos negativos, contribuindo para um prejuízo da auto-estima e definindo aspectos de sua psicodinâmica.

Duarte (2001) entende que para a pessoa portadora de deficiência conseguir manter um equilíbrio emocional positivo é necessário um constante processo de adaptação da capacidade de resolver problemas, atendendo as demandas exigidas pela vida cotidiana, fato que pode colaborar para a construção de sua auto-imagem positiva.

Este processo é fundamental para a pessoa portadora de deficiência não gerar ansiedade, medo ou outros sentimentos em demasia e, com isso, não desestruturar seu auto-conceito. Além desses fatores, há forte influência para o processo de integração social dos portadores de deficiência, que são os fatores que dependem diretamente das melhorias nas condições estruturais como a acessibilidade, o aumento de meios de transportes adaptados, o atendimento integral as necessidades individuais, etc.

Amaral (2001) apresenta algumas atitudes que, em geral, são observadas em pessoas portadoras de deficiência no processo de adequação ao contexto vivido, são elas: "compensação desmesurada", ou seja, querer compensar a deficiência se dedicando excessivamente a atividades que não foram afetadas pela deficiência, por exemplo, tornar-se campeão em natação, artista plástico; ou a "sub-valorização" de si mesmo, na qual a pessoa se nega a vivenciar novas experiências com medo de fracassar ou se frustrar, se "escondendo" atrás da deficiência. Em muitos casos observa-se também a presença de "agressividade", comportamento que se mostra presente como um mecanismo de defesa do deficiente perante o tratamento estigmatizante de desvalorização que recebe do meio social, ou quando adianta-se à rejeição que imagina que irá sofrer, e projeta agredindo antes.

Desta maneira, verifica-se que uma maior integração poderia ser favorecida por meio de atividades que objetivassem resgatar, nas pessoas portadoras de deficiências, sentimentos positivos de dignidade e auto-estima. Assim, um exemplo disto é a prática de atividade física, que pode se constituir num momento privilegiado de estimulação e percepção das potencialidades do ser humano portador de deficiência, servindo como estímulo para integrar os aspectos constitucionais da auto-imagem.  Nesse entendimento, a prática não necessita valorizar demasiadamente os aspectos técnicos, mas servir como um estimulador da auto-imagem da pessoa, proporcionando reconhecimento social por meio das mudanças de comportamento, gerados pela experiência de conseguir superar dificuldades e, desse modo, poder estimular atitudes de inclusão da pessoa portadora de deficiência.  Entende-se que o portador de deficiência física parece obter benefícios em suas capacidades funcionais, fato que pode otimizar sua percepção relacionada a auto-imagem, favorecer relações inter-pessoais e contribuir para uma construção ou até mesmo a modificação positiva de sua auto-imagem.

O estímulo às potencialidades e o desejo da pessoa viver o mais independentemente quanto lhe for possível, deve começar desde muito cedo para os nascidos com deficiência física, e fazer parte de uma conscientização permanente das pessoas que prestam cuidados significativos. Portanto, isto deve começar em casa e continuar a ser estimulado na escola e pela sociedade em geral. Tornarmo-nos conscientes das questões relacionadas a essa auto-determinação, que incorpora independência e auto – suficiência  como  fatores que contribuem para todo o processo de adaptação, constitui-se um primeiro passo essencial a ser dado pelas  famílias que recebem seu filho com deficiência; ao meio social no qual estarão inseridos e aos profissionais envolvidos na assistência.

Ao alcançar esta aceitação, os portadores de deficiência descobrem que a vida deles é superar obstáculos. Por isso, precisam estar sempre trabalhando a sua auto-estima, que representa uma importante ferramenta de enfrentamento e adaptação á realidade.

Àquela criança portadora de deficiência física congênita, que cresce e se desenvolve em meio a um contexto afetivo e sócio-ambiental pouco estimulador, limitando-se aos prejuízos acarretados pela deficiência, apresentará maiores dificuldades de adaptação e inserção social, o que ao longo de sua vida, resultará no estigma pessoal, que por sua vez logo encontrará no meio social outros elementos dificultadores, que contribuirão para que este indivíduo veja  seus potenciais sub-julgados ou  desconsiderados, e  sinta-se "rotulado" como incapaz ou ineficiente, o que poderá gerar sentimentos negativos e afetar sobremaneira seu bem estar psicológico.

Em termos de socialização, diversos estudos sobre os comportamentos gerados pelo enfrentamento das dificuldades cotidianas, programas de inclusão social e a prática de atividade física, vêm se constituindo como uma abordagem científica desta situação-problema (Costa e Duarte, 2001 e 2002; Oliveira e Casal, 2001). Estas pesquisas têm indicado que, mudanças de atitude provenientes dos próprios portadores de deficiência, nos seus variados tipos de manifestação (dança, esporte, mercado de trabalho, inclusão social), como meio de vivenciar sensações de bem estar geral , vêm contribuindo para a diminuição da ansiedade e depressão, com ganhos emocionais e funcionais, e melhora do auto-conceito, auto-imagem, auto-estima e auto-confiança.

5 Acessibilidade na Prática: Pessoa com Deficiência x Mobilidade Reduzida

Escutamos por aí muitos termos para se referir às pessoas que precisam da acessibilidade em sua rotina, e dúvidas surgem sobre quais deles devemos utilizar. Você já se deparou com o termo ‘mobilidade reduzida’? Sabe qual termo é o mais adequado: portador de deficiência ou pessoa com deficiência? Esclarecer essas dúvidas é o primeiro passo para entendermos o universo da Acessibilidade e da arquitetura inclusiva.

SUGESTÃO:  Pessoa com deficiência, aluno com síndrome de Down, arquiteta com surdez.

EVITAR: referir-se a pessoa com deficiência com a palavra “portador”, pois as pessoas não carregam suas deficiências, e também com as siglas como “PNE” e a palavra “deficiente”.

(Fonte: Ministério do Turismo)

Vamos ver alguns grupos de pessoas para as quais a acessibilidade é meio de inclusão e socialização. Entender as necessidades específicas de cada uma delas nos dará subsídios para melhor projetarmos os espaços.

Pessoa com mobilidade reduzida

É aquela que tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção.

Exemplos: pessoa idosa, gestante, lactante, pessoa com criança de colo, obeso.

Pessoa com Deficiência

É aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem impedir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Este é um conceito em evolução.

  • Deficiência física – Má formação congênita, amputação de membro; paraplegia; paralisia cerebral, nanismo e ostomizadas [pessoa que passou por cirurgia para fazer no corpo uma abertura (ostoma), que é um caminho alternativo de comunicação com o meio exterior, para saída de fezes ou urina ou para viabilizar a respiração ou a alimentação].
  • Deficiência visual – Trata-se da acuidade visual prejudicada. Pode ocorrer em diferentes graus, como a cegueira e a baixa visão.
  • Deficiência auditiva – Trata-se de audição prejudicada. Pode ocorrer em diferentes graus, como a surdez e a baixa audição. Há pessoas surdas que se comunicam por Língua Brasileira de Sinais (Libras), uma língua que usa gestos e expressões faciais para passar a mensagem que deseja. Libras não é a simples gestualização do português e, sim, uma língua à parte. Há também pessoas surdas que são oralizadas, que fazem leitura labial para se comunicar e, ainda, outras que são não são surdas, mas têm alguma perda auditiva e podem utilizar aparelhos auditivos.
  • Deficiência intelectual e mental – Alguns exemplos dessas deficiências são o autismo (TEA), a síndrome de Down, os transtornos mentais, síndrome de Williams, síndrome de Asperger e outras.
  • Deficiência visual e auditiva (surdo-cega) – A comunicação se dá através do Tadoma (colocar a mão sobre lábios, face e pescoço para sentir a vibração da voz); Libras tátil (Língua Brasileira de Sinais dos surdos adaptada ao surdo-cego); Alfabeto manual (fazer o alfabeto da língua de sinais na palma da mão do surdo-cego); Braille (seis pontos em relevo que, combinados, formam as letras e os números); Alfabeto Monn (caracteres em relevo, representando em desenho estilizado as letras do alfabeto e outros sinais); Escrita na palma da mão (desenhar com o dedo na palma ou nas costas da mão as letras do alfabeto, preferencialmente maiúsculas); Objetos de referencia (o objeto que significa a ação. Exemplo: copo para representar beber água. Colher para hora de comer); Pistas (objetos ou símbolos colados em cartões ou em outro material); Guia intérprete (profissional que serve de canal de comunicação e facilita o deslocamento e a mobilidade da pessoa surdo-cega).

(Fonte: Ministério do Turismo)

    6 Pessoas com deficiência e o mercado de trabalho

    De acordo com o Ministério do Trabalho, nos últimos 5 anos, houve um aumento de 20% na participação de profissionais com deficiência (PcD) no mercado de trabalho. Grandes empresas, bancos e indústrias já estão abrindo as portas para quem costumava ser excluído por suas limitações. Até mesmo as funções delegadas estão demonstrando uma mudança de cenário. Se antes os deficientes atuavam apenas nos bastidores, hoje já prestam atendimento aos clientes e trabalham em áreas estratégicas.

    A Lei de Cotas para PcDs, criada em 1991, foi o principal incentivo para aumentar a participação desses profissionais no mercado de trabalho. A medida impõe que empresas com mais de 100 empregados devem ter de 2 a 5% das suas vagas destinadas a pessoas com deficiência.

    O mercado de trabalho para pessoas com deficiência

    Esses dados demonstram uma grande mudança, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. É o que expõe a pesquisa, “Profissionais de Recursos Humanos: expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho”.

    Feita com 2.949 profissionais de RH, com diferentes níveis de escolaridade, e atuando em diversos setores, o levantamento concluiu que a qualidade das vagas inclusivas ainda é baixa e, na maioria das vezes, a escolha do candidato é feita apenas como forma de cumprir a lei.

    Muitas vezes, a segregação começa já nas instituições de ensino, que por falta de recursos ou material humano, para se adaptar às necessidades dos estudantes deficientes, acaba os separando dos demais.

    O maior empecilho da inclusão no mercado de trabalho para pessoas com deficiências ainda é a questão cultural. 90% dos entrevistados destacaram que o principal problema é a falta de informações específicas para que o RH entenda os melhores caminhos para esses profissionais.

    A qualificação dos profissionais com deficiência

    Em relação à qualificação, não há diferenças de padrões entre pessoas com deficiência e o restante da população. A oferta de cursos do Governo Federal e organizações civis está ampliando a qualificação profissional de deficientes para atuarem em diversas áreas e ocuparem cargos mais elevados.

    A participação das empresas e dos profissionais com deficiência em sites de emprego mostra que, de uma média de 45 mil pessoas, pelo menos 36% possuem nível superior e 42% têm segundo grau completo. A pesquisa realizada pela i.Social ressalta ainda que 77% dos entrevistados consideram que profissionais com deficiência possuem comportamentos semelhantes e até mais adequados do que os demais.

    As perspectivas para o futuro

    A pesquisa mostra claramente que não há desvantagens para as empresas que contratam esses profissionais. Essa inclusão é capaz, ainda, de atrair novos tipos de consumidores, além de promover uma reabilitação social e psicológica, já que o sentimento de produtividade contribui para melhorar a qualidade de vida do profissional. Há ainda uma humanização da imagem dessas empresas e aumento da troca de experiências no ambiente profissional.

    Os profissionais de RH entrevistados pela i.Social acreditam que as 3 ações fundamentais para atingir esses objetivos são capacitação (66%), campanhas de conscientização (64%) e incentivos fiscais para a contratação de pessoas com deficiência (55%).

    As principais perspectivas para o futuro são o aumento da inclusão desses profissionais no mercado de trabalho e a mudança na cultura das organizações, que ainda veem pessoas com deficiência com um certo preconceito. O primeiro passo é preparar o setor de RH e, principalmente, os gestores para serem capazes de avaliar o profissional com deficiência por sua qualificação e comportamento, e não pelas suas limitações físicas ou sensoriais.

    7 Acessibilidade Digital

    O que é acessibilidade digital?

    A acessibilidade digital é um conjunto de recursos que possibilitam que pessoas com qualquer tipo de deficiência possam navegar, entender e até mesmo interagir, como qualquer outro indivíduo, usando seus dispositivos móveis, notebooks ou computadores. Além do mais, essa acessibilidade é 100% independente, isto é, não será necessária o auxílio de terceiros para a realização de qualquer atividade.

    O que diz a lei?

    Em 2004 foi criado o Decreto nª 5.296 que determina que sites e portais do governo devem atender a todos os padrões da acessibilidade digital. Além disso, em 6 de julho de 2015 foi instituída a Lei 13.143, conhecida como a Lei Brasileira da Inclusão da Pessoa com Deficiência. Ela exige que todas as empresas com representação comercial ou sede no Brasil, ou que sejam mantidas por órgãos do governo, também devem tornar seus sites acessíveis.

    Qual a sua importância?

    Fazer uso da acessibilidade digital é uma maneira de levar a mensagem da sua empresa a todas as pessoas, sem distinção. Pense em quantos novos potenciais clientes você poderá alcançar com essa ferramenta. Muito além de números, o seu negócio também será bem-visto no mercado, pois demonstra o quanto ele é empático e se importa com aqueles que têm limitações físicas.