Introdução a Pintura automotiva

Pintura e Funilaria Automotiva

1 Segurança para trabalhar

Manuseio de Produtos

Para que se alcance com eficiência e segurança os melhores resultados durante os processos de pintura e repintura, existem algumas recomendações importantes:

  • Não fumar nas áreas reservadas à pintura, bem como em locais de estocagem de tintas;
  • Nunca pintar em locais com riscos de faíscas, altas temperaturas ou chamas;
  • O piso da área de preparação e aplicação de tintas deve ser antiderrapante e isento de óleo, graxa ou outras substâncias escorregadias;
  • A área destinada à pintura deve conter portas de emergência sinalizadas, assim como equipamentos de combate a incêndio (extintores); 
  • Estocar as latas de tintas e solventes tampadas e em local adequado, organizado e ventilado, de maneira a proteger os produtos contra faíscas;
  • Ler sempre com atenção as instruções nos rótulos das embalagens;
  • Usar equipamentos de proteção individual (EPIs): luvas, botas, óculos de segurança, aventais, máscaras e protetores faciais e auriculares;
  • A destinação adequada de resíduos deve ser feita de acordo com orientação dos órgãos competentes (consulte tópico 1.5 Meio Ambiente para informações complementares);
  • Nunca armazene alimentos junto com produtos químicos.

Equipamentos de proteção individual (EPIs)

Mais do que uma obrigação, os “Equipamentos de Proteção Individual” (EPIs) devem ser ferramentas de trabalho indispensáveis durante a realização de um serviço na reparação automotiva, a fim de prevenir acidentes de trabalho. Os EPIs são ferramentas que garantem a integridade do trabalhador.

Para reparos automotivos, os principais EPIs utilizados são:

Luvas

Oferecem segurança no preparo e no manuseio dos produtos protegendo a pele do pintor em suas atividades.

Máscara de Proteção:

Indicada para a proteção contra impurezas lançadas no ambiente durante a realização de trabalhos como lixamento, pintura e repintura.

Protetor Auricular:

Uso obrigatório em ambientes com níveis de ruído acima de 85dB (decibéis).

Existem três tipos:

  • Tipo inserção pré-moldado
  • Tipo inserção de espuma moldável (descartável)
  • Tipo concha

Botas de segurança:

Os sapatos com solado antiderrapante e biqueira resistente são utilizados para a proteção dos pés, no caso de queda de objetos ou ferramentas.

Macacão:

A utilização de aventais ou macacões tem como objetivo proteger o profissional do contato com produtos químicos, pós e outros, evitando a contaminação no processo de repintura.

Extintores de incêndio

São equipamentos indispensáveis e de presença obrigatória nas oficinas. Devem ser carregados anualmente e vistoriados mensalmente. É importante que todos os funcionários da oficina tenham um treinamento teórico e prático para manuseio dos extintores.

Os tipos de extintores variam conforme sua utilização:

Fogo Classe A:

Fogo derivado de material combustível sólido (papel, tecido, plástico etc.) que queima em profundidade e em superfície, deixando resíduos. Neste caso de incêndio, utilizar extintor tipo água pressurizada, que apagará o fogo por resfriamento.

Fogo Classe B:

Fogo derivado de líquidos combustíveis inflamáveis não deixando resíduos, queimando em superfície (tintas, solventes, tíner etc.). Utilizar extintor pó químico seco ou CO, que apagará o fogo por abafamento.

Fogo Classe C:

Fogo derivado de riscos elétricos (faíscas), proveniente de equipamentos energizados (tomadas, quadros elétricos, fiações etc.). Utilizar extintor de Pó Químico ou CO, que apagará o fogo por abafamento.

Ventilação

Armazenamento de produtos químicos

Procurar armazenar todo o material utilizado na pintura do veículo em local separado, coberto, ventilado e em armários metálicos.

Localização da seção de pintura

Devido ao uso permanente de produtos inflamáveis, a seção de pintura deverá estar situada longe de locais de soldas, faíscas, chamas e, de preferência, com paredes divisórias.

Aterramento 

Para evitar riscos de eletricidade estática, todos os equipamentos deverão ser aterrados.

Instalações elétricas

As instalações elétricas devem obedecer às normas NEC ou IEC e ou ABNT. A fiação deve estar em eletrodutos metálicos e as tomadas protegidas e blindadas contra vapores de solventes. As lâmpadas devem ser protegidas contra batidas acidentais e, na área de pintura, também blindadas, evitando os vapores de solventes.

Meio Ambiente e Descarte de tintas

Segurança e meio ambiente são assuntos que estão presentes o tempo todo no nosso dia a dia em diversas situações.

Considerando que meio ambiente é tudo ao nosso redor, em uma oficina de repintura não podemos deixar de nos preocupar com a segurança dos profissionais e do meio ambiente.

Para garantir um ambiente de trabalho saudável, não podemos esquecer que manipulamos diariamente produtos químicos que podem ser agressivos ao ser humano e ao meio ambiente. Por isso temos que estar atentos aos rótulos dos produtos e nunca deixar de usar os EPIs recomendados.

Resíduos

É tudo que sobrou de um processo de repintura e que a oficina não reutilizará, como borras, lodo, embalagens vazias, restos de tinta, papéis contaminados etc. Estes resíduos precisam ser descartados adequadamente, para não oferecer riscos ao meio ambiente.

Restos de tintas à base de solventes

Precisam ser armazenados em tambores metálicos bem fechados para evitar a evaporação e contaminação do meio ambiente.

Os restos de tintas com alumínio e catalisadores de massas poliéster (peróxido de benzoíla), devem ser armazenados em tambores separados, em função da alta reatividade, pois em contato com as demais podem provocar reações extremamente agressivas e combustão.

Restos de tintas à base d´água

Precisam ser armazenados em bombonas e/ou tambores plásticos bem fechados para evitar a evaporação e contaminação.

Descarte de borras e embalagens vazias

As borras de tintas poderão ser comercializadas com empresas especializadas em recuperação de tintas.

Estas empresas devem ser regulamentadas junto aos órgãos ambientais. Portanto, antes de vender estes restos de tintas, deve-se solicitar a autorização emitida por órgãos ambientais, evitando riscos ao meio ambiente, bem como responsabilidades civis e criminais.

Filtros , panos e papéis

Determinados resíduos, tais como filtros, restos de limpeza de piso, estopas e papéis, devem ser incinerados por empresas autorizadas por órgão ambiental. Os panos podem ser reciclados, se lavados por empresas especializadas.

Descarte de tambores

Devemos ter um cuidado especial com descarte de tambores vazios. Recomenda-se que a comercialização seja realizada por empresas que tenham autorização do órgão governamental.

Águas pluviais,esgotos e terra

Nunca jogue restos de tintas, borras ou solventes diretamente em ralos de águas pluviais, esgotos ou terra, devido ao risco de incêndio, explosão e contaminação ambiental.

Riscos de produtos químicos

Veja os riscos e cuidados dos produtos químicos que são manipulados no dia a dia.

  • Nunca retire os rótulos das embalagens, pois servem como guia de segurança;
  • É proibida a reutilização de embalagens de produto químico para quaisquer fins; 
  • Verifique o estado de conservação das embalagens, antes de manipulá-las; 
  • Tambores nunca devem ser abertos usando-se maçaricos ou talhadeiras.

 

2 Identificação de substratos

A indústria automotiva direciona estudos no desenvolvimento de materiais que possam aumentar a segurança dos seus usuários, diminuir o custo de produção, os impactos ambientais, entre outros.

Além do mais, buscam materiais mais leves, que podem diminuir o peso dos carros e aumentar a economia de combustível.

Atualmente são utilizados vários tipos de materiais, inclusive reciclados, na fabricação da carroceria e acessórios.

Diferentes tipos de substratos - superfícies

Os materiais mais comuns utilizados na fabricação de carrocerias são: aço carbono, aço galvanizado, aço ALE - Alto Limite Elástico, liga de alumínio e magnésio, fibra de vidro, fibra de carbono e plásticos.

Identificar o tipo de material é fator importante na escolha do processo de repintura que será utilizado. Para cada tipo de substrato caberá um processo e, consequentemente, teremos produtos adequados para garantir um resultado satisfatório.

Metais

Este tipo de material está sujeito a vários efeitos em decorrência da exposição a intempéries (sol, chuva, sereno etc.), principalmente à corrosão.

Por isso, é importante utilizar um sistema de revestimento eficaz. A escolha do tipo de sistema de repintura irá interferir diretamente na durabilidade destes materiais.

Plásticos

Os plásticos são compostos químicos que podem ser combinados com plastificantes, pigmentos e outras substâncias para atingir propriedades especiais.

A utilização na indústria automotiva está crescendo constantemente. Além da economia de peso, permitem flexibilidade para os novos projetos pela sua extraordinária possibilidade de formas.

Existem plásticos que podem ser reparados (termoplásticos) e outros que não podem ser reparados (termofixos). Alguns possuem textura e outros são completamente lisos.

Os produtos devem ser adaptados para o plástico a ser reparado, a fim de garantir a aderência ideal.A elasticidade dos produtos também deve ser combinada com o tipo de plástico.

Veja a tabela de identificação de cada produto:

Fibra de vidro

A fibra de vidro é um composto de resina poliéster, ou outro tipo de resina e manta de fibra de vidro.Largamente utilizada nas mais diversas aplicações automotivas, peças personalizadas, réplicas de carros antigos, teto e painéis dianteiro e traseiro em ônibus etc.

É leve se comparada com outros materiais e possui características como: alta resistência mecânica e à corrosão, durabilidade, fácil reparação e acabamento. Pode ser pintada após preparação adequada da superfície.

Fibra de carbono

Apesar do seu custo elevado, a fibra de carbono é mais leve e mais forte do que o aço. Começou a ser utilizada em veículos de competição e em carros esportivos de alta performance.

Na pintura deste tipo de substrato deve-se acompanhar as recomendações dos fabricantes, visto que trata-se de uma superfície irregular e que necessita de várias camadas de primer de nivelamento, que deve possuir boa flexibilidade, antes de proceder a repintura.

Identificação da área de reparo

Limpeza Inicial 

Os veículos só devem dar entrada na área de reparo, depois de devidamente limpos e lavados, a fim de impedir a entrada de contaminantes na oficina.

Inspeção integral dos veículos

A inspeção visual consiste numa breve análise do veículo, identificando os danos a reparar.

Inspeção da zona de reparo

Ao inspecionar a zona de reparo, realizamos a identificação do substrato e do fluxo de trabalho, do procedimento de pintura, bem como dos produtos necessários à execução do trabalho de reparação.

Peça nova

Dependendo do tipo de dano, pode ser necessária a substituição de peças. Estas partes são denominadas “Peças de Reposição”. As peças de reposição são geralmente fornecidas com uma camada fina de cor preta ou cinza, que é chamada de KTL ou E-Coat.

Peças com estes tratamentos podem dispensar a aplicação de fosfatizante e promotor de aderência, diminuindo etapas de pré-tratamento da superfície.

Porém, não podemos desprezar a aplicação de primer. Isso aumentará a resistência mecânica (batida de pedra) e aderência do acabamento, pois o KTL ou E-Coat possui baixa camada e alta dureza, dificultando a absorção de impacto e aderência das tintas de acabamento.

Observação: em peças que foram reparadas previamente na funilaria, aplicar fosfatizante nos pontos de chapa nua.

Peça nua e peça antiga

Quando existem incertezas sobre a camada de pintura preexistente, para garantir a qualidade do reparo, recomenda-se remoção destas camadas. A remoção da tinta pode ser realizada mecanicamente através do processo de lixamento ou quimicamente pelo processo utilizando removedor pastoso.

Após a remoção da camada, é importante eliminar qualquer resíduo na superfície da peça, promovendo uma limpeza adequada utilizando solução desengraxante. Em seguida aplique fosfatizantes | promotores de aderência (wash primer).