Fundamentos metodológicos de Artes

História da Arte

1 O que ensinar em Artes

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O ensino de artes durante muito tempo sua prática era pouco criativas e repetitivas. O ensino de artes era desvalorizado na grade curricular isso fazia com que dificilmente as aulas continuassem no decorrer do ano letivo.

Segundo Rosa Iavelberg, diretora do Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo, e co-autora dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) sobre Artes, as atividades iam desde ligar pontos até copiar formas geométricas. A criança não era considerada uma produtora e, por isso, cabia ao professor dirigir seu trabalho e demonstrar o que deveria ser feito.

Essa situação vem mudando nas últimas duas décadas nas escolas brasileiras. Atualmente estão utilizando da metodologia chamada sociointeracionista, que trabalha a produção, reflexão e apreciação das obras artísticas.

De acordo com os PCNs é função da escola, ensinar a produção histórica e social da arte e, ao mesmo tempo, garantir ao aluno a liberdade de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com base em intenções próprias.

Mesmo com algumas mudanças há ainda professores que se utiliza da metodologia tradicional que onde os exercícios são mecânicos e os alunos fazem cópias pois acredita que a repetição faz com que eles "fixem modelos". Para esse método o importante é o produto final que é mais bem avaliado se for mais próximo do original. Temos como exemplos nessa metodologia os desenhos pré-preparados, memorização de textos teatrais, partituras musicais para apresentação em datas comemorativas e atividades de bordado e tecelagem.

Foi somente nos anos de 1960, quando surgiu o movimento da Escola Nova, que ideias modernizadoras começou a influenciar nas aulas de Artes, que na época o objetivo era acabar com essa forma anterior de trabalhar. De acordo com esse novo modelo, chamado de escola espontaneísta ou livre expressão, os professores propiciavam materiais, espaço e estrutura para que as classes criassem sem suas interferências. Isso era pra que a arte surgisse de modo natural nos educandos, de dentro para fora sem orientação dos professores que pudessem atrapalhar esse processo.

Rosa Iavelberg lembra, achava-se que a criança tinha uma arte própria e o adulto não deveria interferir.

 

A mudança

 

Novas concepções foram sendo construídas alguns anos mais tarde, permitindo que consolide a metodologia sociointeracionista. Atualmente é a mais indicada por especialistas pois permite que tanto crianças quanto jovens não somente conheçam as manifestações culturais da humanidade e da sociedade na qual estão inseridas, como também usem sua imaginação e desenvolvam a criatividade utilizando de todas as ferramentas que estiverem à sua disposição.

Em 1990 tivemos duas importantes inovações que colaboraram para o atual modelo: na Espanha, Fernando Hernández defendeu o estudo da chamada cultura visual que vai além das artes visuais clássicas, segundo ele, era preciso, trabalhar com videoclipes, internet, histórias em quadrinhos, objetos populares e da cultura de massa, rótulos e outdoors nas salas de aula.

No Brasil, Ana Mae Barbosa inspirada em ideias norte-americanas e inglesas, elaborou a metodologia da proposta triangular, recuperando objetivos e conteúdos que tinham sido deixados pela escola espontaneísta. Ela apresentou que o professor deveria utilizar do tripé em sala de aula:

. Contextualização histórica (conhecer a sua contextualização histórica);
. Fazer artístico (fazer arte);
. Apreciação artística (saber ler uma obra de arte).

Atualmente esse tripé original é considerado uma "matriz" dos eixos de aprendizagem que dominam o ensino: a produção, a apreciação artística e a reflexão. O "novo" tripé ajuda a acabar com alguns mitos como a necessidade de ter muito material e estrutura para ter uma resposta "de qualidade" dos alunos nas aulas de Artes.

 

PCN-Artes

 

Nos PCNs são propostos três eixos norteadores para o ensino de arte: a produção, a fruição e a reflexão.

 

A produção refere-se ao fazer artístico e ao conjunto de questões a ele relacionadas, no âmbito do fazer do aluno e dos produtores sociais de arte.

A fruição refere-se à apreciação significativa de arte e do universo a ela relacionado. Tal ação contempla a fruição da produção dos alunos e da produção histórico-social em sua diversidade.

A reflexão refere-se à construção de conhecimento sobre o trabalho artístico pessoal, dos colegas e sobre a arte como produto da história e da multiplicidade das culturas humanas, com ênfase na formação cultivada do cidadão.

 

2 Objetivos Gerais de Arte para o Ensino Fundamental

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Expressar e saber comunicar-se em artes mantendo uma atitude de busca pessoal e/ou coletiva, articulando a percepção, a imaginação, a emoção, a sensibilidade e a reflexão ao realizar e fruir produções artísticas;

Interagir com materiais, instrumentos e procedimentos variados em artes (Artes Visuais, Dança, Música, Teatro), experimentando-os e conhecendo-os de modo a utilizá-los nos trabalhos pessoais;

Edificar uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e conhecimento estético, respeitando a própria produção e a dos colegas, no percurso de criação que abriga uma multiplicidade de procedimentos e soluções;

Compreender e saber identificar a arte como fato histórico contextualizado nas diversas culturas, conhecendo respeitando e podendo observar as produções presentes no entorno, assim como as demais do patrimônio cultural e do universo natural, identificando a existência de diferenças nos padrões artísticos e estéticos;

Observar as relações entre o homem e a realidade com interesse e curiosidade, exercitando a discussão, indagando, argumentando e apreciando arte de modo sensível;

Compreender e saber identificar aspectos da função e dos resultados do trabalho do artista, reconhecendo, em sua própria experiência de aprendiz, aspectos do processo percorrido pelo artista;

Buscar e saber organizar informações sobre a arte em contato com artistas, documentos, acervos nos espaços da escola e fora dela (livros, revistas, jornais, ilustrações, diapositivos, vídeos, discos, cartazes) e acervos públicos (museus, galerias, centros de cultura, bibliotecas, fonotecas, videotecas, cinematecas), reconhecendo e compreendendo a variedade dos produtos artísticos e concepções estéticas presentes na história das diferentes culturas e etnias.

 

Conteúdos relativos a valores, normas e atitudes

 

Prazer e empenho na apreciação e na construção de formas artísticas.

Interesse e respeito pela produção dos colegas e de outras pessoas.

Disposição e valorização para realizar produções artísticas, expressando e comunicando ideias, sentimentos e percepções.

Desenvolvimento de atitudes de autoconfiança nas tomadas de decisões em relação às produções pessoais.

Posicionamentos pessoais em relação a artistas, obras e meios de divulgação das artes.

Cooperação com os encaminhamentos propostos nas aulas de Arte.

Valorização das diferentes formas de manifestações artísticas como meio de acesso e compreensão das diversas culturas.

Identificação e valorização da arte local e nacional.

Atenção, valorização e respeito em relação a obras e monumentos do patrimônio cultural.

Reconhecimento da importância de frequentar instituições culturais onde obras artísticas estejam presentes.

Interesse pela História da Arte.

Valorização da atitude de fazer perguntas relativas à arte e às questões a ela relacionadas.

Valorização da capacidade lúdica, da flexibilidade, do espírito de investigação como aspectos importantes da experiência artística.

Autonomia na manifestação pessoal para fazer e apreciar a arte.

Formação de critérios para selecionar produções artísticas mediante o desenvolvimento de padrões de gosto pessoal.

Gosto por compartilhar experiências artísticas e estéticas e manifestação de opiniões, ideias e preferências sobre a arte.

Sensibilidade para reconhecer e criticar ações de manipulação contrárias à autonomia e ética humanas, veiculadas por manifestações artísticas.

Reconhecimento dos obstáculos e desacertos como aspectos integrantes do processo criador pessoal.

Atenção ao direito de liberdade de expressão e preservação da própria cultura.

 

3 Linha do tempo do ensino de Arte no Brasil

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1816 Durante o governo de dom João VI, chega ao Rio de Janeiro a Missão Artística Francesa e é criada a Academia Imperial de Belas Artes. Seguindo modelos europeus, é instalado oficialmente o ensino de Arte nas escolas.

1900 Até o início do século 20, o ensino do desenho é visto como uma preparação para o trabalho em fábricas e serviços artesanais. São valorizados o traço, a repetição de modelos e o desenho geométrico.

1922 Apesar da efervescência das manifestações da Semana de Arte Moderna, o ensino segue as tendências da escola tradicional, que defende a necessidade de copiar modelos para treinar habilidades manuais.

1930 O compositor Heitor Villa-Lobos, no governo de Getúlio Vargas, institui o projeto de canto orfeônico nas escolas. São formados corais, que se desenvolvem pela memorização de letras de músicas de caráter folclórico e cívico.

1935 O escritor Mario de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura do município de São Paulo, promove um concurso de desenho para crianças com tema livre. O ganhador recebe uma quantia em dinheiro.

1948 É criada no Rio de Janeiro a primeira "Escolinha de Arte", com a intenção de propor atividades para o aluno desenvolver a autoexpressão e a prática. Em 1971, chega a 32 o número de instituições particulares desse tipo no país.

1960 As experimentações que marcam a sociedade, como o movimento da bossa nova, influenciam o ensino de Arte nas escolas de todo o país. É a época da tendência da livre expressão se expandir pelas redes de ensino.

1971 Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a Educação Artística (que inclui artes plásticas, educação musical e artes cênicas) passa a fazer parte do currículo escolar do Ensino Fundamental e Médio.

1973 Criação dos primeiros cursos de licenciatura em Arte, com dois anos de duração e voltados à formação de professores capazes de lecionar música, teatro, artes visuais, desenho, dança e desenho geométrico.

1989 Desde 1982 desenvolvendo pesquisas sobre três ideias (fazer, ler imagens e estudar a história da arte), Ana Mae Barbosa cria a proposta triangular, que inova ao colocar obras como referência para os alunos.

1996 A LDB passa a considerar a Arte como disciplina obrigatória da Educação Básica. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem que ela é composta de quatro linguagens: artes visuais, dança, música e teatro.