1
O Romantismo
2
História da Arte Brasileira Modernismo século XX MATERIAL DA AVALIAÇÃO
3
GRAVURA HISTÓRICA
4
História E Cultura Buscando Definições Para Um Objeto Complexo
5
História da arte
6
Ensino de arte
7
Fundamentos metodológicos de Artes
8
Capacitação dos Professores para a disciplina de Artes
9
Artes visuais
História da Arte Brasileira Modernismo século XX MATERIAL DA AVALIAÇÃO
História da Arte
1 100 anos de Segall
Para comemorar os 100 anos da primeira exposição de Lasar Segall (1891-1957) no país, o Museu Lasar Segall apresenta exposição com obras de seu acervo, que tem mais de 3 mil itens: pinturas a óleo, pinturas sobre papel, esculturas, gravuras e desenhos, incluindo anotações e projetos para cenários e figurinos
A curadora da exposição, Vera d'Horta, disse que o estranhamento na primeira mostra de Segall se deve aos traços modernistas dos trabalhos. Os traços vigorosos foram chamados de “exageros” ou até “defeitos” pelos críticos desapareceram com o amadurecimento como pintor. “O próprio vocabulário da crítica denota a expectativa quanto a estética da pintura. Uma arte mais acadêmica, clássica, enquanto a arte dele era um pouco convulsa demais para esses padrões”, disse.
Além das pinturas e gravuras, a exposição 100 Anos de Segall traz documentos do arquivo pessoal de Segall, como as cartas aos amigos alemães com relatos sobre a viagem ao Brasil. Depois de 8 meses no país, Segall retornou à Europa. O pintor só viria definitivamente para o Brasil em 1923. É possível acompanhar, na seleção, o caminho percorrido pela arte de Segall na Alemanha, desde a admiração inicial pelos impressionistas alemães até sua inserção no movimento expressionista, do qual participa ativamente como um dos “expressionistas eslavos”, ao lado de Chaim Soutine e Marc Chagall. A emigração para o Brasil, em 1923, promove significativa mudança de rumo nessa obra, inaugurando sua “fase brasileira”.
Biografia – os primeiros anos até 1919
De família judia, Lasar Segall desde cedo manifestou interesse pelo desenho. Iniciou seus estudos em 1905, quando entrou para a Academia de Desenho de Vilna, Lituânia, sua cidade natal. No ano seguinte, mudou-se para Berlim, passando a estudar na Academia Imperial de Berlim, durante cinco anos. Mudou-se, a seguir, para Dresden, Alemanha, estudando na Academia de Belas Artes. Em fins de 1912, Lasar Segall veio ao Brasil, encontrando-se com seus irmãos, que moravam aqui. Realizou suas primeiras exposições individuais em São Paulo e em Campinas, em 1913, mas regressou à Europa, casando-se, em 1918, com Margarete Quack. Fundou, com um grupo de artistas, o movimento Secessão de Dresden, em 1919, realizando, a seguir, diversas exposições na Europa.
Segall mudou-se para o Brasil em 1923, dedicando-se, além da pintura, às artes decorativas como era conhecido. Contudo, foi aqui que, segundo suas próprias palavras, sua arte conheceu o "milagre da luz e da cor". Criou a decoração do Baile Futurista, no Automóvel Clube de São Paulo, e os murais para o Pavilhão de Arte Moderna de Olívia Guedes Penteado. Já separado de sua primeira esposa, casou-se em 1925 com Jenny Klabin, com quem teve os filhos Maurício e Oscar. Nessa época, passou a viver com a família em Paris, onde se dedicou também à escultura. Suas obras nessa fase remetem à atmosfera familiar e de intimidade. Em 1932, Segall retornou ao Brasil, instalando-se em São Paulo na casa projetada pelo arquiteto Gregori Warchavchik, seu cunhado, atualmente, o Museu Lasar Segall. Sua produção na década de 1930 incluiu uma série de paisagens de Campos do Jordão e retratos da pintora Luci Citti Ferreira. Em 1938, Segall realizou os figurinos para o balé "Sonho de uma Noite de Verão", encenado no Teatro Municipal de São Paulo.
2 Segall e Tarsila
• Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti,são outros dois expoentes do modernismo brasileiro.
• Embora solucione a questão figura-fundo de forma diferente de Segall, Tarsila também estabelece uma base ornamental para a sua pintura.
• Esse diálogo do pintor estrangeiro com a cena modernista paulistana fez com que ele sublinhasse o colorido das figuras e dos fundos ornamentais. Os retratos dos negros brasileiros estão entre as mais significativas obras de sua produção, por serem verdadeiras alegorias do País.
• Ao ser recepcionado por Mário de Andrade como um aliado na construção de uma arte brasileira, ele abandonou o expressionismo e respondeu, de maneira viril, positiva, a essa demanda.
3 Realismo e Abstracionismo
• Como mostra a história da arte, os expressionistas alemães amigos de Segall foram estimulados pela visão dos quadros realistas de Millet e Courbet - e a tela Leitura (1914) de Segall é muito semelhante ao retrato que Courbet fez de Baudelaire em 1848 para essa convergência ser desprezada.
• Mário de Andrade, um dos primeiros a reconhecer seu valor, não aceitava bem as influências do artista, especialmente quando essas eram provenientes de uma fonte ligada ao abstracionismo (Segall manteve correspondência regular com o amigo Kandinski).
• As deformações e os volumes da tela Morro Vermelho (1926) foram, por exemplo, condenados por Mário: É das soluções mais falsas do artista, escreveu.
4 Realismo ou Expressionista?
• Alegoria - deslocando a figura da mãe negra e da criança para os esquemas da pintura religiosa tradicional, Segall estaria propondo uma alegoria, o que não o caracteriza como expressionista típico.
• O senso comum, no entanto, sempre identificou Segall como expressionista, por ter ajudado a fundar, junto aos alemães Otto Dix e Conrad Felixmüller, entre outros, o Grupo da Secessão de Dresden (1919).
• As obras dessa primeira fase brasileira - anos 1920 - atestam, segundo o curador, a aclimatação do pintor a uma situação mais realista, distante de suas pinturas da década anterior. Não seria possível enquadrar uma tela como Encontro (1924) - que mostra o encontro fortuito de um casal na metrópole - no passado expressionista de Segall, argumenta.
5 Superando o expressionismo Europeu
- Mário de Andrade não se deu conta de que a pintura de Segall passava, então, por uma série de mudanças e superações. Um pintor imigrante num país novo, com uma arte moderna ainda no berço, só poderia mesmo tentar superar o expressionismo europeu, trocando a paixão pela sobriedade dos ocres e marrons que caracterizariam sua obra.
Há apenas uma pequena parte da obra produzida na Alemanha na mostra. São gravuras da época de Secessão de Dresden. O Museu Segall acaba de completar 40 anos com um acervo de 3 mil obras (ele produziu praticamente o dobro, mas isso só vai se saber quando o catálogo raisonée for lançado).
• Note-se seu interesse particular pela natureza tropical, pela arquitetura das favelas e pelos tipos humanos, principalmente os negros, exóticos ao olhar europeu.
• Nos ambientes íntimos, como em seu ateliê em Campos do Jordão, ele produziu pinturas sensuais, de colorido único, qualificadas como “a cor Segall”.
• Os problemas sociais e políticos também receberam sua atenção, sobretudo durante a Segunda Guerra, quando ele criou pinturas de grandes dimensões.
• Na última década de vida, Segall retomou temas anteriores, encerrando sua trajetória com as séries “Florestas”, “Erradias” e “Favelas”.
6 Modernismo Brasileiro
Contribui para o modernismo com seu olhar libertado da perspectiva renascentista tradicional, impondo uma composição plana, ritmada como nestas severas linhas curvas e retas que preenchem todo espaço da tela com as folhas de bananeiras. Recorta a figura do menino com as lagartixas, destacando-o do fundo da composição pelas cores terra da pele e o rosa da camiseta. A cor ocre dos animais evidencia pela luminosidade intensa os dedos geometrizados do menino mulato que acaricia os animais, criando um clima de convivência surreal, quase impossível. Esta união dos reinos animal, humano e vegetal ganha um clima de musicalidade ritmada pelos recortes constantes das folhas que preenchem todo plano de fundo.
1943 – Retrospectiva MNBA
Uma retrospectiva de sua obra no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, foi realizada em 1943. Nesse mesmo ano, foi publicado um álbum com textos de Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Jorge de Lima. Em 1951, Segall realizou uma exposição no Museu de Arte de São Paulo. Três anos depois, criou os figurinos e cenários do balé "O Mandarim Maravilhoso". O Museu Nacional de Arte Moderna preparou uma grande retrospectiva de sua obra em 1957, em Paris. Lasar Segall morreu nesse mesmo ano, de problemas cardíacos, em sua casa aos 66 anos de idade.
7 Tentação Abstrata
- Em abril de 1944, em plena guerra, o sociólogo francês Roger Bastide (1898-1974) escrevendo nas páginas do Estado sobre a tela Pogrom, pintada em 1937 por Lasar Segall (1891-1957), fez uma curiosa observação:
- o artista recusara o retângulo do quadro para que o olhar do espectador fosse dirigido impiedosamente para o centro da tela, ocupado por corpos de judeus massacrados, amontoados e “ fraternalmente misturados na morte”.
Se isso não é ser realista, então Mário de Andrade sempre esteve errado sobre Segall. Em1923, ano em que o russo desembarcou no Brasil e conheceu os modernistas, o autor de Macunaíma observou que Segall resistia à tentação abstrata por entender que a obra de arte “relaciona-se com a existência e, num elevadíssimo sentido, tem de ser moral”.