Manejo integrado de pragas I

Noções Básicas em Produção e Tecnologia da Soja

1 Pragas de hortaliças:

Diagnose das pragas de hortaliças:

  São descritos os componentes dos programas de manejo integrado de pragas das hortaliças, isto é a diagnose, sistema de tomada de decisão e os métodos de controle das pragas. Contendo as características e as injúrias causadas pelas pragas chave das principais hortaliças cultivadas no Brasil.

Pragas do alho e da cebola:

  • Tripes do alho e cebola - Thrips tabaci (Thysanoptera: Thripidae):

  Os adultos possuem coloração de amarelo claro a marrom, 1 mm de comprimento com 2 mm de envergadura. Os ovos são colocados nas folhas dentro dos tecidos (endofiticamente), nas partes mais tenras. A eclosão ocorre cerca de 4 dias após. As ninfas têm 1 mm de comprimento e são mais claras que os adultos e com pernas e antenas, quase incolores.

  No início da fase ninfal e na fase adulta os tripes ficam na bainha das folhas, onde promovem a sucção de conteúdo celular raspando as folhas. A parte final da fase ninfal ocorre no solo. Sob condições de ataque intenso, causam áreas esbranquiçadas e até de coloração prateada nas folhas, tornando a planta de coloração amarelo-esverdeada. Podem ser transmissores de viroses, além de suas injúrias serem porta de entrada para doenças causada pelo fungo Alternaria porri. Portanto, como decorrência final da ação desta praga tem-se a redução do tamanho e qualidade dos bulbos.

  • Ácaros:

  Ácaro eriofiídeo: Eryophes tulipae (Acari: Eriophyidae): seu corpo é alongado, quase vermiforme, de tamanho minúsculo, que vive na dobra das folhas e sobre os "dentes de alho", no bulbo. São favorecidos por temperaturas acima de 30° C e umidade relativa baixa. O ataque se dá quando se alimenta, perfurando as células da epiderme foliar. Provoca o seu retorcimento e seca, acarretando má formação dos bulbos.

  Ácaro do bulbo: Rhizoglyphus sp (Acari: Rhizoglyphinae): seu corpo é esférico e esbranquiçados, tem cerca de 0.3-0.6mm de comprimento e apresenta patas e mandíbulas amarronzadas. Esse ácaro vive no solo e ocorrem em solos com teor elevado de matéria orgânica e com temperaturas entre 16 a 27°C. O ácaro ataca os bulbos da planta causando deformações e redução no crescimento, além de abrir porta para outros patógenos.

Pragas da batata:

  •   Larva alfinete ou vaquinha nacional - Diabrotica speciosa (Coleoptera: Chrysomelidae):

  Os adultos são besouros com 0,8 a 1,7 cm de comprimento, de coloração verde com manchas amarelas nos élitros. A fêmea faz postura no solo. As larvas possuem coloração branco leitosa, com placa castanha escura no último segmento abdominal, medem cerca de 1 cm. Os adultos são desfolhadoes. Os maiores prejuízos são devido ao ataque aos tubercúlos pelas larvas, que ocasionam: redução de peso dos tubérculos, favorece penetração de fungos e bactérias e, principalmente, redução significativa no valor comercial do produto.

  • Mosca minadora: (vide pragas do tomate).
  • Vetores de viroses: (vide pragas do tomate).

 

  • Traça da batata - Phthorimaea operculella (Lepidoptera: Gelechiidae):

  Os adultos são pequenas mariposas cinzentas de 1 cm de envergadura. As larvas são cilíndricas, apresentam placa protoráxica dorsal retangular negra. São de cor esverdeada quando alimentam de folhas e hastes, ou de cor branca a rosada quando se alimenta de tubérculos. As larvas minam as folhas e broqueiam as hastes no campo, além de formar galerias nos tubérculos no campo e principalmente armazéns onde causam danos importantes.

  • Lagarta falsa medideira: (vide pragas da cultura da soja).

Pragas de brássicas:

  • Pulgões (Hemiptera: Aphididae):

  Pulgão das brássicas - Brevicoryne brassicae:

  Os adultos são verdes recobertos por puvirulência branca, medem cerca de 2mm de comprimento, temperatura médias baixas favorecem a ocorrência da praga e apresentam grande números de indivíduos por colônia. Atacam a gema apical e folhas jovens.

  Pulgão do nabo - Lipaphis erisinii:

  Os adultos ápteros são de coloração verde escuro com pernas, antenas e sinfúnculos pretos e medem cerca de 2,5mm. Os indivíduos alados apresentam cabeça e tórax escuros e abdomem com manchas escuras na lateral. A praga ocorre em qualquer época do ano e atacam toda a planta.

  Pulgão verde - Myzus persicae:

  Os individuos são de cor verde clara , medem cerca de 2mm de comprimento, temperatura elevadas favorecem a ocorrência da praga e apresentam poucos indivíduos por colônia. O ataque ocorre nas folhas basais da planta. As três espécies de pulgões causa “engruvinhamento" das folhas provocado pela sucção de seiva, o que leva a redução no crescimento e produção das plantas, também secretam uma substância adocicada que em abundância é um meio para o crescimento de fungos, produtores de fumagina, manchando o produto.

  • Lagartas desfolhadoras (Lepidoptera)

  Traça das brássicas - Plutella xylostella (Yponomeutidae):

  Os adultos são micromariposas pardas de 10mm de comprimento, com manchas claras no dorso que adquirem formato de diamante quando as asas estão fechadas. As lagartas apresentam coloração verde clara com cabeça de cor parda, corpo coberto por espinhos escuros apresenta quatro pseudopatas, medem cerca de 6 mm de comprimento e ovipositam isoladamente. As lagartas causam desfolha na planta, perda de qualidade comercial e menor cotação do produto no mercado.

  Curuquerê da couve - Ascia monuste (Pieridae):

  Os adultos são borboletas com asas de cor amarelo claro e bordas marrom escuro com 50mm de envergadura. As lagartas medem cerca de 35 mm, são de cor cinza esverderado, com cabeça preta, listras longitudinais esverdeadas no corpo e ovipositam conjuntos de ovos. As lagartas causam desfolha na planta, perda de qualidade comercial e menor cotação do produto no mercado.

  Falsa medideira das brássicas - Trichoplusia ni (Noctuidae):

  Os adultos são mariposas que apresentam cerca de 25 mm de envergadura, asas anteriores de cor marrom com manchas escuras e posteriores mais claras. As lagartas apresentam coloração verde clara, possuem duas pseudopatas e caminham medindo palmos. Podem chegar a 30mm de comprimento. As lagartas causam desfolha na planta, perda de qualidade comercial e menor cotação do produto no mercado.

  • Mosca branca: (vide pragas do tomate).

Pragas da cenoura, salsinha e salsão:

  • Pulgão da cenoura - Cavariella aegopodii (Hemiptera: aphididae):

  São indivíduos ovalados, com 2 mm de comprimento, possuem 2 sifúnculos no final do abdomem e são encontrados em colônias. Os insetos ápteros são de coloração verde e com sifúnculos dilatados. A forma alada são de coloração verde escura com antenas curtas. Causam definhamento das folhas provocado pela sucção de seiva, reduzido o crescimento da planta.

  • Cigarrinha verde - Empoasca sp. (Hemiptera: cicadellidae): (vide pragas do feijão).

Pragas das cucurbitáceas:

  • Mosca branca - Bemisia tabaci(Hemiptera: Aleyrodidae): (vide pragas do tomate).

 

  • Broqueadores: 

  Broca das cucurbitáceas - Diaphania nitidalis (Lepidoptera: Pyralidae):

  Os adultos são mariposas com 30 mm de envergadura, de coloração marrom violáceo, asas com área central amarela e bordas escuras irregulares. As lagartas são de coloração esverdeadas com pontuações pretas até o 3º ínstar e verdes após esse estágio. Essa praga ataca flores e frutos, broqueiando os frutos destruindo a polpa e levando ao apodrecimento deste.

  Broca das cucurbitáceas - Diaphania hyalinata (Lepidoptera: Pyralidae):

  Os adultos são mariposas com 30 mm de envergadura, apresentam corpo branco, com exceção do tórax, últimos segmentos abdominais e tufo de pelos. Suas asas são brancas, semitransparentes e com uma faixa escura e retilínea nas bordas. As lagartas são esverdeadas com duas listras brancas até o 4º ínstar ou verdes após esse estágio. A praga ataca talos, folhas, hastes e futos, causando desfolha e broqueamento de frutos.

Pragas do morango:

  • Ácaro rajado – Tetranychus urticae (Koch) (Acari: Tarsonemidae):

  Os adultos são de coloração esverdeada com manchas dorsais escuras, medem cerca de 0,5 mm, apresentam colônias na face inferior das folhas com presença abuldante de teias. O ataque causa descoloração das folhas levando a secagem e posterior queda, devido à raspagem e sucção de seiva.

Pragas do pimentão, berinjela e jiló:

  • Ácaros:

  Ácaro branco - Polyphagotarsonemus latus (Acari: Tarsonemidae):

  São indivíduos de 0,17 mm de comprimento, coloração branco amarelada brilhante e são invisíveis a olho nu. É encontrado na face inferior das folhas e não produzem teia. O ataque causa escurecimento e posterior enrolamento dos bordos das folhas pra baixo.

  Ácaro vermelho - Tetranychus marianae (Acari: Tarsonemidae):

  São indivíduos com 0,5 mm de comprimento, de coloração vermelha muito intensa e com manchas escuras no corpo. Esses ácaros são recobertos por uma teia, onde normalmente são depositados os ovos. Encontrados na face inferior das folhas, provocam clorose generalizada nelas.

  ÁCARO RAJADO – Tetranychus urticae (Koch) (Acari: Tarsonemidae): (Vide pragas do morango).

  • Tripes:

  Thrips palmi (Thysanoptera: Thripidae):

  Os adultos apresentam coloração amarela-clara e dourada, medem de 1 a 1,2 mm de comprimento.

  Frankiliniella shultzei (Thysanoptera: Thripidae):

  Os adultos apresentam coloração marrom escura, medem aproximadamente 3 mm de comprimento e as ninfas possuem coloração amarelada. As duas espécies vivem abrigados no interior das flores, nos botões florais e nos brotos, ou sobre as folhas novas ou velhas. Colocam os ovos nas folhas; após alguns dias, aparecem as formas jovens. Causam danos diretos pela sucção da seiva. São transmissores de viroses, entre elas o "vira-cabeça". As plantas infectadas ainda na sementeira ou logo após o transplantio (nos primeiros 50 dias) têm sua produção totalmente comprometida. Quando a contaminação ocorre tardiamente, a produção é menos afetada em quantidade e qualidade.

Pragas do tomate:

  • Traça do tomateiro - Tuta absoluta (Meyrick) (Lepidoptera: Gelechiidae):

  Os adultos são pequenas mariposas acinzentadas, com 5 mm de comprimento. As lagartas são verdes,com placa posterior à cabeça, de coloração marrom. Podem medir até 7mm de comprimento. As traças além dos frutos broqueam hastes e o ponteiro das plantas. Nos frutos causam o broqueamento, inviabilizando sua comercialização. Já nas folhas confeccionam minas alargadas nas folhas, levando ao secamento e queda das folhas.

  • Mosca minadora - Liriomyza spp.(Diptera: Agromyzidae):

  Os adultos são pequenas moscas de coloração preta, com a parte inferior do abdomem amarela e medem 2 mm de comprimento. As larvas ápodas, de 1mm de comprimento, com coloração branco-amarelada e fazem minas serpenteadas no mesófilos levando ao secamento e queda das folhas.

  • Broca pequena do tomateiro - Neoleucinodes elegantalis (Guenée) (Lepidoptera: Crambidae):

  Os adultos são mariposas de 2,5 cm de envergadura, coloração branca e asas transparentes. As lagartas possuem até 1,3 mm de comprimento, e são esbranquiçadas nos primeiros ínstares e rosadas no último ínstar. Os ovos são colocados em massas nos frutos e nas flores. Ao eclodirem, as lagartas penetram nos frutos (esta perfuração de entrada cicatriza-se), deixando apenas o furo de saída. O broqueamento dos frutos, inviabilizando sua comercialização.

  • Mosca branca - Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae):

  Os adultos são de cor branca com 2 a 3 mm de envergadura e quatro asas membranosas recobertas por pulverulência branca. As ninfas são translúcidas, de contorno ovalado e em formato de escamas. Após o primeiro ínstar, elas se fixam à planta, onde permanecem ímoveis até o término da fase ninfal. Essa espécie promove a sucção de seiva e transmissão de viroses no início do ciclo da cultura. A mosca branca injeta toxinas nas plantas, levando ao amadurecimento irregular dos frutos além de ser vetor do virus do mosaico dourado.

  • Transmissores de viroses:

  Tripes - Frankiliniella shultzei (Thysanoptera: Thripidae):

  Os adultos apresentam coloração marrom-escura, medem aproximadamente 3 mm de comprimento e as ninfas possuem coloração amarelada. As duas espécies vivem abrigados no interior das flores, nos botões florais e nos brotos, ou sobre as folhas novas ou velhas. Colocam os ovos nas folhas; após alguns dias, aparecem as formas jovens. Causam danos diretos pela sucção da seiva. São transmissores de viroses, entre elas o "vira-cabeça". As plantas infectadas ainda na sementeira ou logo após o transplantio (nos primeiros 50 dias) têm sua produção totalmente comprometida. Quando a contaminação ocorre tardiamente, a produção é menos afetada em quantidade e qualidade.

  • Pulgões:

  Pulgão verde – Myzus persicae:

  Os individuos são de cor verde clara , medem cerca de 2mm de comprimento, temperatura elevadas favorecem a ocorrência da praga e apresentam poucos indivíduos por colônia. O ataque ocorre nas folhas basais da planta. O pulgão causa “engruvinhamento" das folhas provocado pela sucção de seiva, o que leva a redução no crescimento e produção das plantas, também secretam uma substância adocicada que em abundância é um meio para o crescimento de fungos, produtores de fumagina, manchando o produto.

  Pulgão-das-solanáceas - Macrosiphum euphorbiae (Thomas):

  Os indivíduos ápteros medem até 2 mm de comprimento e de coloração verde- clara; Os indivíduos alados medem até 2mm, abdomem verde-amarelado e com manchas escura, cabeça, antenas e tórax pretos. Essas espécies transmitem viroses como: Vírus "y", "topo amarelo", "amarelo baixeiro" e "mosaico comum".

  • Mosca branca - Bemisia tabaci(Hemiptera: Aleyrodidae):

  Os adultos são de cor branca com 2 a 3 mm de envergadura e quatro asas membranosas recobertas por pulverulência branca. As ninfas são translúcidas, de contorno ovalado e em formato de escamas. Após o primeiro ínstar, elas se fixam à planta, onde permanecem ímoveis até o término da fase ninfal. Essa espécie promove a sucção de seiva e transmissão de viroses no início do ciclo da cultura. A mosca branca injeta toxinas nas plantas, levando ao amadurecimento irregular dos frutos além de ser vetor do virus do mosaico dourado.

Amostragem e índice de tomada de decisão no mip de hortaliças:

  Amostragem das pragas:

  Para realização de amostragem deve-se dividir as lavouras em talhões. Cada talhão deve ser constituído de uma única cultura, genótipo, idade e sistema de cultivo. Deverão ser amostradas 40 plantas/talhão em 10 pontos distribuídos ao longo do talhão. As amostragens devem ser realizadas semanalmente avaliando-se os órgãos atacados. Na amostragem de pragas na folhagem, deve-se avaliar duas folhas da porção mediana do dossel para culturas de maior porte. Já para olerícolas com pequena área foliar deve-se amostrar todas as folhas. As folhas, deverão ser batidas em bandejas plásticas brancas (34 x 28 x 4,5 cm) e os insetos presentes deverão ser contados. Na amostragem de minadores deve-se anotar a presença de minas nas folhas. Na amostragem de ácaros deve-se usar lupa de mão com aumento de 10 X, avaliando-se 1 cm2 de limbo foliar na porção mediana da face inferior de cada folha.

  Na amostragem de pragas broqueadoras do caule, deverá se anotar se este está, ou não, atacado. Na amostragem de pragas de flores e de frutos (exceto para mosca-das-frutas em cucurbitáceas) deverão ser amostrados cinco destes órgãos por planta, se observando se estes estão atacados. Os frutos amostrados deverão estar em fase inicial de desenvolvimento. Para a amostragem de moscas-das-frutas em cucurbitáceas, deve-se utilizar armadilhas tipo McPhail. Os números provenientes das avaliações deverão ser anotados em planilha e comparados com os níveis de controle.

Táticas de controle das pragas de hortaliças:

  • Manipulação do ambiente de cultivo:

  Seleção de locais para instalação do cultivo:

- Evitar cultivos hortícolas próximos a espécies de plantas hospedeiras das mesmas pragas;

- Instalação de cultivos de hortaliças próximo a matas, uma vez que estas possuem ninhos de Vespidae (marimbondos) que constituem importantes predadores (sobretudo de lagartas);

- Evitar instalações próximas a estradas em períodos de seca, pois constituem fonte de poeira que se acumulará sobre as folhas, fornecendo assim, abrigo para oviposição de ácaros fitófagos.

  Destruição de restos culturais e de cultivos abandonados:

- Incorporação dos restos culturais a pelo menos 20 cm de profundidade. Em hidroponia ou em canteiros suspensos, os restos culturais devem ser transportados para outra área e incorporados ao solo, ou enleirados e incorporados;

- Destruição de plantios abandonados de hortaliças, ou de plantas que sejam hospedeiras de pragas da espécie cultivada.

  Aumento da diversidade hospedeira do agroecossistema:

- Plantio de faixas de cultivo com plantas de intensa floração como crotalária, sorgo ou milho, para aumento do controle biológico natural.

- Uso de faixas de cultivo ao redor dos talhões de hortaliças;

- A manutenção do solo onde se cultiva hortaliças com cobertura vegetal, também possibilitará menor formação de poeira e seu posterior acumulo sobre as folhas das plantas, impedindo assim, que a poeira forneça abrigo para oviposição de ácaros fitófagos.

  • Época de cultivo:

- Em cultivos de baixo retorno econômico é recomendado que o plantio seja executado em períodos de menor ocorrência de pragas. Entretanto em cultivos de alto retorno econômico, como o de hortaliças, tal procedimento não é usual. Uma vez que os produtores procuram realizar seus cultivos em épocas em que os preços dos produtos sejam máximos.

- Na maioria das vezes estas épocas também são as de máxima ocorrência de pragas, que constitui uma das razões para o preço elevado do produto. Assim, se em determinada época de cultivo o produtor tem a expectativa de ocorrência de elevada intensidade de ataque de pragas, ele deve ser extremamente cuidadoso, executando práticas adequadas de manejo. Nestes cultivos as amostragens devem ser realizadas de forma mais acurada, no sentido de detectar a ocorrência de populações de pragas em níveis que demandem a adoção de medidas de controle, sobretudo o químico.

  • Densidade de plantio:

- Em maiores densidades, geralmente ocorre elevação da umidade do ar o que provoca o aumento da mortalidade das pragas pela ação de fungos entomopatogênicos. Entretanto, o cultivo em densidades muito altas, dificulta aplicação de inseticidas e acaricidas e o atingimento de órgãos: como os frutos, que ficam recobertos pela folhagem.

  • Redução do período de cultivo:

- A redução do período de cultivo (diminui o tempo de exposição das plantas às pragas);

- Plantio de variedades mais precoces e o uso de práticas como poda apical do tomateiro.

  • Manejo da nutrição da cultura:

- Adubação adequada (plantas nutricionalmente equilibradas apresentam menor suscetibilidade a pragas). O uso de adubação desequilibrada, sobretudo o excesso de nitrogênio, pode acarretar em aumento das populações de pragas, principalmente de ácaros e insetos minadores (como mosca minadora e traças) e sugadores (como tripes, pulgões, moscas brancas e cigarrinhas). Tal fato ocorre devido ao aumento da concentração de nutrientes na seiva, principalmente de aminoácidos livres.

- O uso de adubações excessivas também pode aumentar o tamanho das plantas, tornando difícil a aplicação de inseticidas e acaricidas. Esta adubação excessiva pode também prolongar a duração do período vegetativo e reduzir as defesas morfológicas das plantas (como espessura da epiderme e cutícula), o que aumenta o ataque de pragas, principalmente de desfolhadores como vaquinhas, lagartas, lesmas e caracóis.

  • Manejo do fornecimento de água às plantas:

- Deve-se manejar o fornecimento de água às plantas de tal forma que seja adequada sua disponibilidade. Quando há deficiência hídrica ocorre aumento da suscetibilidade da planta a pragas, sobretudo a ácaros, insetos minadores de folhas e fitosuccívoros. Tal fato ocorre devido a redução das defesas químicas e morfológicas da planta e ao aumento da concentração de nutrientes na seiva, principalmente de aminoácidos livres.

- O fornecimento adequado de água pode elevar o teor de umidade do ar no microclima da cultura, o que geralmente provoca aumento da mortalidade das pragas pela ação de fungos entomopatogênicos.

- Excesso de água pode prolongar o crescimento vegetativo e reduzir as defesas morfológicas das plantas (como espessura da epiderme e cutícula), aumentando assim o ataque de pragas, principalmente de desfolhadores como vaquinhas, lagartas, lesmas e caracóis.

  • Catação de flores e frutos caídos:

- Finalidade de eliminação das larvas e pupas que se encontram no interior destas estruturas. O seu uso diminui futuras infestações de pragas que vivem dentro de flores e frutos, como moscas-dasfrutas e brocas em cucurbitáceas e traças e brocas em tomateiro.

  • Rotação de culturas:

- Plantio alternado de culturas que não sejam hospedeiras das mesmas pragas, reduzindo dessa forma as suas populações.

  • Controle mecânico:

  Catação e esmagamento de insetos:

- Coleta manual e esmagamento de ovos, larvas ou ninfas e/ou insetos adultos facilmente visíveis como pulgões, ovos de curuquerê em brássicas e lagartas.

  • Controle por comportamento:

  No Brasil os feromônios ainda são pouco utilizados no manejo de pragas de hortaliças. Entretanto alguns feromônios de pragas de hortaliças como os sexuais da traça do tomateiro, broca pequena do tomate, broca gigante do tomate e traça das brássicas já foram identificados. Existindo pesquisas que objetivam o emprego destes no manejo de pragas (mais detalhes vide parte teórica sobre controle comportamental).

  • Controle biológico:

 - Adoção de práticas que contribuam para a preservação e incremento do controle biológico natural;

- Uso de seletividade de inseticidas e acaricidas e o aumento da diversidade dos agroecossistemas;

- Aplicação de inseticidas ou acaricidas em horários de menores temperaturas do ar (quando geralmente é menor a presença de inimigos naturais) e somente quando as intensidades de ataque de pragas forem iguais ou superiores aos níveis de controle;

- Evitar uso indiscriminado de fungicidas, já que muitos destes apresentam efeito "deletério" sobre fungos entomopatogênicos;

- Uso da bactéria Bacillus thringiensis var. kurstaki para o controle de lagartas nas culturas de abobrinha, couve, melão, pepino, repolho e tomateiro;

- O uso desta bactéria apresenta uma série de vantagens como preservação do controle biológico natural e baixíssima toxidade ao homem. Entretanto sua ação é lenta, dificultando assim, o controle da praga quando o ataque é alto. Também é baixa sua eficiência no controle de lagartas em ínstares finais ou quando estas se encontram alojadas no interior de órgãos das plantas como folhas, caule e frutos.

  • Resistência de plantas:

  Existem boas fontes de resistência de genótipos de hortaliças a pragas. Entretanto no Brasil, os fatores de resistência conferidos por estas fontes não têm sido incorporados às variedades comerciais, através dos programas de melhoramento.

  • Controle químico:

 - Selecionar produtos com registro no Ministério da Agricultura e liberação pelo órgão estadual pertinente (no caso de Minas Gerais o IMA) para controle da praga nesta cultura;

- Recomenda-se que as aplicações sejam realizadas em períodos do dia de temperatura mais amena;

- Deve-se preferir produtos de menor toxicidade ao homem, os quais possuem maiores riscos de intoxicação dos aplicadores;

- Deve-se também respeitar o período de carência do produto para preservação da saúde dos consumidores;

- Realizadas amostragens da intensidade de ataque das pragas à cultura e, este só deve ser empregado quando a densidade das pragas for igual ou superior aos níveis de controle;

- Escolher inseticidas seletivos a inimigos naturais;

- Rotação de produtos;

- Uso de espalhante adesivo na calda;

- Emprego de equipamento de proteção individual pelos aplicadores, armazenamento adequado dos produtos, prevenção e cuidados para se evitar intoxicações e treinamento dos aplicadores;

- As embalagens dos produtos deve ser devolvida ao posto de recolhimento de embalagens mais próximo;

- Nos cultivos de cucurbitáceas em fase de floração as pulverizações devem ser feitas no período da tarde, devido a maior atividade dos insetos polinizadores na parte da manhã;

- Também deve-se tomar cuidado, antes das pulverizações devido a fitoxicidade dos produtos aplicados, uma vez que as cucurbitáceas são muito sensíveis a vários produtos;

- Utilização de inseticidas botânicos provenientes de extratos de plantas que possuam substâncias com ação inseticida e/ou acaricida. Embora existam relatos, principalmente através do conhecimento popular, que diversas plantas da flora brasileira possuem tais efeitos, é necessário a realização de intensos estudos para viabilização do emprego destas em programas de manejo integrado de pragas. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 Pragas das frutíferas:

  • Abacateiro: Persea americana Mill.

a) Praga-chave:

 Broca do fruto: Stenoma catenifer (Lepidoptera: Elachistidae)

  O adulto da broca é uma mariposa de coloração amarelo-palha, com pontuações escuras sobre as asas, e mede aproximadamente 15 mm de comprimento. Os ovos são branco-esverdeados, tem forma oblonga, apresentam estrias longitudinais e medem cerca de 0,5 mm de comprimento. As lagartas recém eclodidas são branco-acinzentadas, tem a cabeça escura tornando-se posteriormente roxas, Chegam a medir até 20 mm. Seu dano é broqueamento de frutos. 1.2. Abacaxi Ananas comosus (L) Merril

a) Pragas-chave:

  • Broca do fruto: Thecla basalides. (Lepidoptera: Lycaenidae)

  Os adultos são borboletas pequenas cuja envergadura medem, aproximadamente, de 28 a 35 mm; apresentam a face superior do primeiro par de asas de coloração cinza-brilhante, com uma faixa escura margeando os bordos e acompanhada de uma franja branca; o segundo par de asas apresenta manchas alaranjadas na margem externa e um par de apêndices caudais pretos e filiformes, com extremidades brancas; as antenas são aneladas de branco. Os ovos são arredondados, possuem coloração esbranquiçada e apresentam cerca de 0,8 mm de diâmetro. As lagartas de primeiro ínstar, que medem de 1,5 a 2,0 mm de comprimento e apresentam o corpo de coloração amarela e a cabeça e o tórax mais escuros. A lagarta desenvolvida atinge de 18,0 a 20,0 mm de comprimento, com o corpo amarelo-escuro com manchas avermelhadas, sendo a cabeça mais escura e localizada sob o protórax. As lagartas se alimentam da inflorescência, podendo destruir as flores, os brotos, superficialmente o pedúnculo e até penetrar no limbo foliar de plantas e mudas.

  • Cochonilha pulverulenta: Dysmicoccus brevipes. (Hemiptera: Pseudococcidae)

  A fêmea adulta é ovalada e possui uma coloração geral rósea, recoberta por uma secreção pulverulenta de cera branca, possui filamentos ao redor do corpo. Medem cerca de 3 mm de comprimento e sem secreção cerosa, um pouco mais de 1mm. O aspecto do macho, com exceção do primeiro ínstar, é diferente da fêmea, é menor, alado e possui o corpo distinto em cabeça, tórax e abdome, e um par de filamentos caudais longos e brancos. As cochonilhas sugam seiva das raízes, axilas e também de frutos. Além disso essa cochonilha está associada à uma importante doença atribuída a um vírus (murcha-do-abacaxi).

  • Bananeira Musa spp.

a) Praga-chave:

  • Broca do rizoma ou moleque da bananeira: Cosmopolites sordidus. (Coleoptera: Curculionidae)

  Os ovos são brancos, forma elíptica. São introduzidos em orifícios feitos pelas mandíbulas das fêmeas adultas no ponto de inserção da bainha das folhas e rizoma. As larvas são brancas, ápodas e vivem nos rizomas. Os adultos são de coloração preta , élitros estriados longitudinalmente, rostro semelhante a um "bico"e fingem-se de morto quando capturados. Estes se abrigam em locais úmidos e sombreados junto às touceiras, entre as bainhas foliares, e em restos culturais; são ativos apenas no período noturno e possuem hábito gregário. Fazem abertura de galerias no rizoma e partes inferiores do pseudocaule, principalmente pela larva. Causam Abertura de porta de entrada para o agente da doença fúngica "mal do Panamá".Em consequências dessas injúrias ocorre: amarelecimento das folhas; com posterior secamento das folhas e morte do broto devido a destruição da gema apical.ueda na produção (cerca de 30% no Brasil), os frutos perdem tamanho e peso; e. tombamento das plantas devido a ação dos ventos e peso dos cachos.

  • Citros Citrus sp.

a) Pragas-chave:

  • Larva minadora dos citros: Phyllocnistis citrella. (Lepidoptera:Gracillaridae)

  O adulto deste microlepidoptero trata-se de uma minúscula mariposa de coloração castanhoprateada, medindo cerca de 1 mm de comprimento, e que apresenta as asas franjadas com duas pontuações pretas na parte terminal das asas anteriores. A larva varia sua coloração, sendo branca no início do desenvolvimento e tornando-se amarela ao final, quando atinge aproximadamente 3 mm de comprimento As injúrias decorem do fato de que ao nascer as larvas constróem galerias, em forma de serpentina, para se alimentar das células das folhas. Essa galerias são características e auxiliam na identificação desta praga.

  • BICHO FURÃO: Gymnadrosona aurantianum (Lepidoptera:Grapholidae) 

  O adulto deste microlepidoptero é caracterizado por uma faixa de escamas prateadas da base ao meio da asa, com cerca de 17 mm de envergadura, de coloração acinzentada, com a cabeça alaranjada. A fêmea possui as asas mais escuras que o macho, com uma mancha característica marrom-clara ao redor da margem exterior. As injúrias decorem do fato de que as larvas fazem galerias nos frutos verdes e maduros até atingirem a polpa. Além dos danos diretos nos frutos, também favorecem infecções causadas pela penetração de fungos e bactérias através dos orifícios que as larvas efetuam nos frutos.

  • ÁCARO DA FERRUGEM: Phyllocoptruta oleivora (Acari: Eriophyidae)

  São ácaros de coloração amarelo claro, aspecto vermiforme, com 2 pares de pernas (exceção a maioria dos ácaros), de 0,15 mm de comprimento. São invisíveis a olho nu. Ciclo de 7 a 10 dias (verão) e de 14-15 dias (inverno). Atacam folhas, hastes e frutos novos. Nas folhas provocam a "mancha de graxa" (manchas escuras visíveis através da epiderme, semelhante à mancha de graxa sobre papel). Nos frutos, quando da alimentação, ocorre o rompimento de glândulas de óleo e este óleo extravasado em contato com os raios solares oxida-se, escurecendo os frutos (estes sintomas são conhecidos como: falsa ferrugem, ferrugem ou mulata).

  Os frutos de lima, tangerina, limão, etc., ficam com coloração prateada. Os prejuízos são consideráveis apenas quando a produção se destina ao mercado de frutas frescas. Pode ocorrer perda de de peso em até 4 g/fruto atacado.

  • ÁCARO DA LEPROSE: Brevipalpus phoenicis (Acari: Tenuipalpidae)

  São ácaros vermelho-alaranjados, com 4 pares de pernas, de 0,3 mm de comprimento, com manchas escuras de tamanhos e formas variáveis no dorso. Ciclo de cerca de 18 dias. Atacam folhas, ramos e frutos, acarretando um sintoma conhecido como leprose dos citros, devido à inoculação de vírus. As folhas e os frutos atacados caem da planta. Os ramos passam a apresentar rachaduras.

  • MOSCA DAS FRUTAS - Ceratitis capitata (Wied) (Diptera: Tephritidae) - Anastrepha spp. (Diptera: Tephritidae)

  A oviposição ocorre dentro do fruto (mesocarpo), em número de 1 a 10 ovos; o ovo é alongado (± 1 mm de comprimento) e semelhante a uma pequena banana, de coloração branca. As larvas são ápodas, de coloração branco amarelada, com cerca de 8 mm de comprimento.Os adultos de C. capitata (mosca do mediterrâneo) é uma mosca com 4 a 5 mm de comprimento, de coloração predominantemente amarela. Os olhos são castanhos violáceos. O tórax é preto na face superior, com desenhos simétricos brancos. O abdome é amarelo com listras transversais acinzentadas. As asas são de uma transparência rosada em listras amarelas, sombreadas. Anastrepha spp. (mosca sul-americana) é uma mosca com cerca de 6,5 mm de comprimento, de coloração geral amarelo, com uma mancha amarela em forma de "s" que vai da base à extremidade da asa. No bordo posterior da asa há outra mancha da mesma cor e em forma de "v" invertido. As duas manchas são sombreadas de pretos. Ciclo completo é de cerca de 30 dias.

  As larvas danificam a polpa dos frutos, os quais apresentam externamente um pequeno orifício no centro de uma mancha de coloração marrom. Neste orifício (feito pelo ovipositor), ocorre o apodrecimento, resultando em queda do fruto. C. capitata apresenta o ovipositor mais curto e ataca apenas as laranjas que se encontram num estágio de maturação mais avançado. As moscas do gênero Anastrepha (ovipositor mais longo), podem atacar frutos verdes ou maduros.

  • COCHONILHA: Orthezia praelonga. (Homoptera: Ortheziidae)

  O praelonga (desprovida de carapaça) são coccídeos providos de placas ou lâminas céreas, simetricamente dispostas sobre o corpo, constituindo na parte posterior um saco céreo, semelhante a uma cauda alongada, denominado "ovissaco" (contém ovos e ninfas no 1º ínstar). Tanto as fêmeas adultas como as ninfas podem mover-se sobre a planta.

  • Coqueiro Cocos nucifera

a) Pragas-chave:

  • BROCA-DO-PECÌOLO: Amerrhinus ynca. (Coleoptera: Curculionidae)

  O adulto é um besouro de hábito diurno, com 2 cm de comprimento, coloração amarelada, com matiz acinzentado e inúmeros pontos pretos brilhantes e salientes, principalmente sobre as asas e no pronoto. A fêmea realiza sua postura na face ventral da raque da folha. A pequena larva penetra na raque foliar e forma galerias longitudinais destruindo os vasos de condução da seiva. Ao penetrar na raque escorre pelo orifício uma resina escurecida que se solidifica, ficando presa à raque no ponto de entrada da pequena larva o que caracteriza a presença da praga na planta.

  • BROCA-DO-PEDÚNCULO FLORAL: Homalinotus coriaceus. (Coleoptera: Curculionidae)

  A broca-do-cacho-do-coqueiro é um besouro de coloração preta, medindo 25 a 30 mm de comprimento além de um rostro com cerca de 8 mm cujas . Os ovos são brancos, lisos e oblongos, sendo que a postura é feita no pedúnculo floral. Porém, a oviposição pode ocorrer antes da emissão da primeira inflorescência e,nesse caso, a postura é realizada na bainha foliar As larvas completamente desenvolvidas medem de 40 mm a 50 mm de comprimento, são recurvadas, de coloração branca e cabeça ferrugínea. Os danos são causados pelas larvas, que cavam galerias no pedúnculo floral interrompendo o fluxo de seiva e promovendo a queda de flores e frutos . Os adultos também são nocivos ao coqueiro porque, ao se alimentarem, dilaceram o tecido de flores e frutos novos, secando-os.

  • BROCA-DO-OLHO DO COQUEIRO: Rhynchophorus palmarum (Coleoptera: Curculionidae)

  O adulto é um besouro de cor preta; tamanho que varia de 3,5 a 6,0 cm de comprimento; bico recurvado, forte e com 1,0 cm de comprimento; asas externas curtas, deixando exposta a parte terminal do abdome e com oito estrias longitudinais; possui hábito gregário e maior atividade durante o dia.; são atraídos pelo odor de fermentação liberado por palmeiras com ferimentos, doentes ou em senescência. A larva tem cabeça castanho-escura; corpo recurvado, sendo mais volumoso no meio e afilado nas extremidades, subdividido em 13 anéis, com coloração branco creme e sem pernas; desenvolve-se no interior da planta, formando galerias nos tecidos tenros da região apical. O dano é causado pelas larvas e pelos adultos.

  As larvas se alimentam dos tecidos tenros da planta, constroem galerias destruindo o broto terminal (palmito); em decorrência as folhas mais novas mostram sinais de amarelamento, murchamento e finalmente se curvam e secam, indicando a morte da planta. Os adultos são vetores do nematóide Bursaphelenchus cocophilus (Cobb) Baujard agente causal da doença letal conhecida por anel-vermelho. O coqueiro torna-se suscetível ao ataque de R. palmarum, a partir do segundo ano de plantio.

  • Goiabeira: Psidium guajava

a) Pragas-chave:

  • MOSCA DAS FRUTAS: Anastrepha sp., Ceratitis capitata. (vide citrus)

 

  • GORGULHO DA GOIABA: Conotrachelus psidii. (Coleoptera: Curculionidae)

  Os ovos são ovipostos nos frutos. As larvas são ápodas, brancas com 1 cm de comprimento. A pupação ocorre no solo. Os adultos são besouros pardo-escuros de 6 mm de comprimento. As larvas broqueiam a polpa dos frutos e destroem as semente, provocando também a queda dos frutos.

  • PSILÍDIO: Trizoida sp. (Homoptera: Psyllidae)

  Os ovos são ovipostos endofiticamente em folhas novas provenientes de ramos em crescimento, sobretudo naqueles que crescem após a poda das plantas. As Ninfas são róseas recobertas por secreção branca. A fase ninfal dura cerca de 30 dias. Os adultos são de coloração verde e medem 2 mm de comprimento. O ataque deste inseto ocorre principalmente em folhas novas de ramos que emitem folhas após a poda das plantas. A sucção de seiva em injeção de toxina nas folhas (sobretudo pelas ninfas) faz com que as folhas atacadas ficam com os bordos retorcidos, sendo que ocorre morte das células das partes lesionadas. Essas injúrias provocam uma menor produção de frutos e também redução do tamanho dos frutos.

  • Mamoeiro: Carica papaya

a) Pragas-chave:

  • ÁCARO BRANCO: Polyphagotarsonemus latus. (Acarina: Tarsonemidae)

  As formas adultas não são visíveis a olho nu e apresentam dimorfismo sexual, sendo as fêmeas de coloração branca a amarelada brilhante e medindo, quando bem desenvolvidas, cerca de 0,15 mm de comprimento por 0,11mm de largura. Os machos são menores, com aproximadamente 0,14 mm de comprimento e 0,08 mm de largura, apresentando coloração semelhante à das fêmeas. Os ovos que são colocados isoladamente na face inferior das folhas novas, apresentam-se achatados, elípticos, com saliências superficiais e têm coloração branca ou pérola. Cada fêmea pode ovipositar mcerca de 25 a 30 ovos, por até 15 dias, e o ciclo completa-se rapidamente, entre três a cinco dias. Esta praga ocorre em folhas jovens, localizadas no ápice (ponteiro) da planta ou nas brotações laterais, geralmente em regiões meristemáticas. Alimentam-se da epiderme das folhas, provocando grandes alterações: no início, há perda de cor verde natural e, posteriormente, tornam-se cloróticas, coriáceas e encarquilhadas. Com a evolução dos danos, ocorre a paralisação da atividade vegetativa, tornando-se esses danos muito semelhantes aos provocados pelo vírus do mosaico do mamoeiro. As folhas recém-emergidas apresentam-se com o limbo mal-formado e reduzido quase que somente às nervuras, com pecíolo curto e, à medida que as folhas mais velhas vão caindo, o mamoeiro fica sem o capitel de folhas, motivo pelo qual essa praga é conhecida como “ácaro da queda do chapéu do mamoeiro”.

  • ÁCARO RAJADO: Tetranychus urticae. (Acari: Tetranichydae)

  Os ácaros tetraniquídeos vivem nas folhas mais velhas do mamoeiro, geralmente na parte inferior do limbo, entre as nervuras mais próximas do pecíolo, onde tecem teias e depositam seus ovos. As fêmeas chegam a ovipositar, em média, 50 a 60 ovos, num período aproximado de 10 dias. Os ovos, esféricos e de tonalidade amarelada, apresentam período de incubação médio de quatro dias. O ciclo, de ovo a adulto, completa-se em cerca de 13 dias. As formas adultas podem ser vistas a olho nu e apresentam acentuado dimorfismo sexual.

  As fêmeas são de maior tamanho e corpo mais volumoso, com cerca de 0,46 mm de comprimento, e apresentam uma mancha verde-escura em cada lado do dorso. Os machos medem aproximadamente 0,25 mm de comprimento, tendo a parte posterior do corpo mais afilada. As formas adultas, ao se alimentarem, dilaceram as células do tecido foliar (mesófilo), provocando, inicialmente, amarelecimento do limbo foliar, seguido de necrose e, posteriormente, de perfurações. As folhas, quando intensamente atacadas, secam e caem prematuramente, reduzindo a área foliar, afetando o desenvolvimento e a produtividade da planta, além de exporem os frutos à ação dos raios solares, prejudicando a qualidade deles.

  • ÁCARO PLANO: Brevipalpus phoenicis.

  O ácaro plano Brevipalpus phoenicis apresenta o corpo achatado dorsoventralmente, coloração vermelho-alaranjada e mede 0,25mm de comprimento. São encontrados junto ao pecíolo dos frutos em desenvolvimento. Ao alimentar-se sobre os frutos, conferem injúrias que se manifestam por manchas pardacentas, ásperas, semelhantes às causadas por escoriações na superfície da casca.

  • Mangueira Mangifera indica L.

a) Pragas-chave:

  MOSCA DAS FRUTAS: Anastrepha sp., Ceratitis capitata. (vide citrus)

  • Maracujazeiro Passiflora sp.

a) Pragas-chave:

  • LAGARTAS DESFOLHADORAS: Dione juno juno, (Lepidoptera: Nymphalidae)

  Os ovos são amarelos avermelhados e reunidos em conjuntos. As lagartas são pretas, recobertas por espinhos, possuem hábito gregário e alcançando 3 cm de comprimento. Os adultos são borboletas alaranjadas, com as margens externas das asas pretas e 6 cm de envergadura. Agraulis vanillae vanillae: (Lepidoptera: Nymphalidae).

  Os ovos são dispostos isoladamente. As lagartas são pretas, com pontuações e faixa lateral amarelos, vivem isoladamente com até 3 cm de comprimento. Os adultos são Borboletas alaranjadas, com manchas pretas na asa anterior, faixa preta na asa posterior ao longo da margem externa com áreas mais claras e 6 cm de envergadura.

  • PERCEVEJOS: Diactor bilineatus, (Heteroptera: Coreidae)

  Cor verde-escuro com manchas alaranjadas e pernas traseiras com expansão em forma de folha. Holymenia clavigera, (Heteroptera: Coreidae)

  Bastante ágil, tem cor escura com manchas alaranjadas, antenas pretas com extremidade branca. Leptoglossus gonagra. (Heteroptera: Coreidae).

  Cor marrom, último par de patas com expansões laterais. Percevejos sugam a seiva de todas as partes da planta, ocasionando queda de botões florais e frutos novos além de murchamento dos frutos desenvolvidos. Atacam flores e frutos novos provocando a queda e murchamento destes.

  • Macieira: Malus sylveltris

 

  • MOSCA DAS FRUTAS: Anastrepha fraterculus. (vide citrus)

 

  • MARIPOSA ORIENTAL: Grapholita molesta (vide pêssego)

 

  • Pessegueiro: Prunus persica

 

  • MOSCA DAS FRUTAS: Anastrepha fraterculus. (vide citrus)

 

  • MARIPOSA ORIENTAL: Grapholita molesta. (Lepidoptera: Olethreutidae)

  As larvas variam de branco-creme a levemente amareladas e, quando totalmente desenvolvidas medem cerca de 14 mm de comprimento. O adulto é um microlepidoptero de aproximadamente 12 mm de envergadura, asas anteriores retangulares, cinzento-escuras, com a margem externa franjada, sendo as asas posteriores mais claras, arredondadas e também franjadas.

  As larvas fazem galerias nos ramos tenros dos ponteiros e também no interior dos frutos. Em consequência dessas injúrias ocorre o murchamento dos ponteiros e posterior secamento, e em relação ao fruto este torna-se inviável para a comercialização quando injuriado pela larva.

  • Videira Vitis spp.

a) Pragas-chave: FILOXERA DA VIDEIRA: Daktulosphaira vitifoliae.

  Formas partenogênicas são fêmeas capazes de se reproduzir sem necessidade de fertilização são ápteras, com cores que vão do amarelado ao castanho escuro, com dimensões entre 0,3 e 1,4 mm, assumindo formas distintas consoantes a parte da planta que atacam. Formas galícolas, vivem nas folhas e formam galhas esverdeadas na sua página inferior. As formas radícolas vivem nas raízes, onde também formam galhas de forma nodular ou tuberosidades alongadas, de cor castanhas escuro. Algumas destas fêmeas desenvolvem asas, abandonam o solo e vão depositar ovos sobre as folhas. Formas sexuadas, incapazes de se alimentarem no estado adulto, desprovidas de peças bucais, com duas formas: fêmeas aladas, capazes de formar novas colónias distantes, de cor amarelo dourado a ocre, com asas transparentes e com morfologia semelhante à de minúsculas moscas, medindo de 2 a 3 mm de comprimento; machos ápteros, acastanhados, com 0,3 a 0,5 mm de comprimento.

  • Principais pragas em fruteiras:

Amostragem (Tomada de decisão de controle das pragas de fruteiras):

  • Amostragem das pragas - Dividir a área em talhões que serão formados por cultura de mesmo genótipo, idade, espaçamento, sistema de condução, tipo de solo e topografia. Deverão ser amostrados 10 pontos por talhão. Em cada ponto deverão ser amostradas 4 plantas vizinhas;

- As amostragens devem ser realizadas nas épocas de maior ocorrência das pragas de acordo com a fenologia da fruteira. A frequência de amostragem deve ser quinzenal em períodos de baixa incidência de pragas, entretanto esta deve ser semanal em épocas de maior intensidade de ataque;

- As técnicas bem como o tamanho das amostras a serem utilizadas na amostragem das pragas de fruteiras estão contidas na tabela.

- Broqueadores do caule, ramos e ponteiros: avaliações do ataque para detecção dos focos.

- Moscas-das-frutas: utilizar armadilhas tipo McPhail ou adaptações como: recipientes de vinagre, detergente, soro, refrigerante; que devem possuir três depressões laterais.

- Dentro de cada recipiente deve-se colocar suco frutas, coados, na proporção de 1:10 (1 parte de suco p/ 10 partes de água). Podem ser utilizados como atrativos sucos de pêssego, laranja, maracujá, goiaba e algumas frutas silvestres.

Técnica de amostragem e tamanho das amostra para monitoramento dos principais grupos de pragas de fruteiras:

Táticas de controle das pragas de fruteiras:

  • Controle cultural:

   Cuidados com mudas e/ou material propagativo:

 - Inspeção do material a ser plantado (evitar a introdução de pragas, doenças e ervas daninhas não existentes na área).

Ex. moleque da bananeira Cosmopiltes sordidus, controle da cochonilha do abacaxi Dysmicoccus brevipes.

  Seleção de locais para instalação do cultivo da fruteira:

- Observação das plantas existentes na sua circunvizinhança, já que as espécies a serem plantadas podem apresentar pragas que também atacam outras culturas ou mesmo plantas daninhas;

- Plantio próximo de matas;

- Plantio distantes de estradas.

  Destruição de restos culturais e de cultivos abandonados:

- Para as fruteiras anuais como o abacaxi, o melão e a melancia, no final de cada ciclo de cultivo devem-se eliminar os restos culturais;

- Existindo cultivos de fruteiras abandonados, estes devem ser destruídos.

Plantio antecipado de espécies atrativas:

- Bordaduras cultivadas com espécies ou variedades mais atrativas e plantadas precocemente, juntamente com a aplicação de pesticidas na época de floração, podem garantir o controle de infestações iniciais de algumas pragas. Pode-se citar como exemplo dessa tática, o plantio de abobrinha italiana em faixas nos arredores de cultivos de melão e melancia como atrativo para vaquinhas e broca das curcubitáceas.

  Aumento da diversidade hospedeira do agroecossistema:

- Nas bordaduras e nas entre-linhas dos pomares recomenda-se plantar faixas de cultivo de plantas que apresentem intensa floração como crotalária, sorgo ou milho;

- Plantio de espécies melíferas em faixas de cultivo ao redor dos talhões de cultivo de fruteiras e a manutenção de plantas invasoras próximo à cultura;

- A manutenção do solo com cobertura vegetal reduzirá a formação de poeira e consequentemente seu menor acúmulo sobre as folhas, impedindo que a poeira beneficie os ácaros fitófagos.

  Manejo de plantas daninhas:

 - Manter a cobertura do solo reduz o ataque dos ácaros praga e aumenta a densidade de predadores;

- Algumas dessas plantas são hospedeiras alternativas de pulgões, ácaros e tripes, e portanto, devem ser eliminadas dentro e ao redor do pomar para reduzir o ataque dessas pragas. Em cultivos de abacaxi, o controle de plantas daninhas deve ser mais rigoroso uma vez que estas contribuem para agravar os problemas com a murcha do abacaxi que está associada a cochonilha Dysmicoccus brevipes. Acredita-se que a alta infestação por plantas daninhas leva a maior competição por água e ao aumento na densidade populacional de formigas que dispersam a cochonilha pelo cultivo.

  Redução do período de cultivo ou do ciclo produtivo:

- Aplicação de ácido indol acético e beta, hidroxi-etil-hidrazina, que são utilizados na indução floral do abacaxi. Essa prática é também frequentemente utilizada para programar o cultivo, de tal forma que a fase crítica da cultura ao ataque de pragas coincida com uma época em que se verifica baixa população da praga no campo.

  Manejo das podas:

- Eliminar insetos ou doenças, entrada de radiação;

- Recomenda-se que seja feito a desinfestação e desinfecção das ferramentas utilizadas na poda, uma operação que consiste na imersão das mesmas numa solução de hipoclorito de sódio a 5%. Também nas operações de poda mecanizada, comum em citros, deve-se proceder desinfestação da máquina e do implemento antes de se dirigir a outro talhão e/ou cultivo.

  ERRADICAÇÃO DE PLANTAS DOENTES:

- Esta prática evita que haja aumento da quantidade de inóculo no ambiente, sobretudo de doenças viróticas transmitidas por insetos e ácaros e tem sido uma constante no cultivo do mamoeiro.

  Catação e destruição de flores, restos florais e frutos atacados ou presentes no solo:

 - Os frutos e flores caídos devem ser enterrados a cerca de 20 a 30 cm de profundidade ou depositados no interior de uma vala de dois metros de comprimento x um metro de larguara x um metro de profundidade recoberta com tela de malha fina (12 a 10 meshs);

- Esta tela deve permitir a saída de adultos de parasitóides (que estavam parasitando larvas e pupas destes insetos-praga nas flores e frutos colocados na vala) e não possibilitar a saída dos adultos dos insetos-praga.

  Uso de invólucros protetores em frutos:

- Uso de invólucros para evitar o ataque do gorgulho da goiaba, as brocas da semente e do fruto da graviola e as moscas das frutas em várias fruteiras.

  • Controle físico:

  Uso de cobertura do solo:

- Uso de palha de arroz para refletir e repelir pulgões em cultivos de mamão, melão e melancia.

  Solarização do solo:

 - A solarização é uma alternativa física para desinfestação do solo, que consiste em cobri-lo, após umedecido, com um lençol de plástico transparente, assim permanecendo por determinado tempo, durante meses de intensa radiação solar e altas temperaturas.

  Tratamento hidrotérmico para eliminação de larvas de moscas das frutas:

- Essa prática é exigida para a exportação de manga para países como os EUA, onde existe controle de espécies quarentenárias dessa fruta. O método consiste na imersão dos frutos em água aquecida a uma temperatura fixa, por determinado tempo a depender do peso dos frutos. Para manga, a temperatura ideal é de 46,1 °C, sendo que frutos de até 425g devem permanecer imersos por um período de 75 minutos e frutos de 426g até 650g devem permanecer imersos por 90 minutos. Esse tratamento já foi aprovado pelo governo norte-americano e pode ampliar o comércio e exportação de manga se aprovada por outros países importadores dessa fruta.

  • Controle mecânico:

  Catação e esmagamento de insetos:

- Consiste da coleta manual e esmagamento de ovos, larvas ou ninfas e/ou insetos adultos facilmente visíveis como pulgões e lagartas. É uma prática de uso limitado, estando restrita a pequenas áreas, pomares com plantas de pequeno porte e em fução da mão-de-obra disponível.

  Uso de barreiras: 

- Esta prática visa impedir ou dificultar o acesso do inseto ao interior de instalações de viveiros. Como exemplo de seu emprego em estufas está a colocação de tela de pequeno diâmetro nas áreas de ventilação, vedação de orifícios na sua estrutura, construção de compartimento de isolamento antes dos locais de entrada nas instalações e manutenção das portas fechadas.

  Localização e destruição de ninhos de irapuás e formigas:

 - Destruição de ninhos de irapuá Trigona spinipes e ninhos de formigas em fruteiras tropicais.

  • Controle por comportamento:

 - No Brasil existem estudos sobre a presença ou ação de feromônios na abelha irapuá, vespinha das anonáceas, moscas das frutas, moleque da bananeira, bicho furão dos citros e broca das palmáceas, sendo que somente para estas quatro últimas estão disponíveis o produto comercial formulado. Além de feromônios, aleloquímicos podem ser usados no controle comportamental.

  • Controle biológico:

  Controle biológico natural:

- Aumento da diversidade hospedeira através da instalação de novos cultivos próximos a matas, plantio de espécies melíferas em faixas de cultivo ao redor dos talhões de cultivo da fruteira e a manutenção de plantas invasoras junto ou próximo à cultura;

- Uso de inseticidas seletivos.

  Controle biológico aplicado:

 - Uso da bactéria Bacillus thuringiensis var. kurstaki e o vírus Baculovirus dione, que é um vírus de poliedrose nuclear (NPV), para controle das lagartas desfolhadoras e broqueadoras;

- Utilização de predadores. A joaninha Crytolaemus montrouzieri, é apropriado para liberação em pomares frutíferos com ataques da cochonilha branca Planococcus citri;

- O parasitóide Ageniaspis citricola contra a larva minadora dos citros Phyllocnistis citrella tem mantido esta praga em densidades populacionais aceitáveis.

  Resistência de plantas:

- Pesquisas demonstram existir fontes de resistência de fruteiras a pragas no Brasil, especialmente no caso do maracujá. Atualmente, variedade tolerante à broca do rizoma tem sido utilizada em cultivos comerciais de bananeiras.

3 Pragas das grandes culturas:

Pragas do algodão:

  • PULGÕES:

  Aphis gossypii (Hemiptera: Aphididae): são individuos que medem de 2-3 mm de comprimento, possuem corpo mole, e apresentam coloração amarela-esverdeada a marrom ou preta. Esses insetos sugam seiva, provocando murchamento e secamento das plantas; encarquilhamento de folhas e deformação de brotações; aparecimento de fumagina; são

vetores de viroses principalmente a doença azul do algodão, considerada o principal problema da cultura do algodão no Brasil devido o plantio de variedades muito suscetíveis a esta doença.

  Myzus persicae (Hemiptera: Aphididae)

  • MOSCA BRANCA - Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae)

 

  • BICUDO DO ALGODOEIRO - Anthonomus grandis Boh. (Coleoptera: Curculionidae): os adultos são de coloração marrom-amarelada, possuem rostro longo, dois espinhos no fêmur anterior e são ativos das 9 às 17h. As larvas são brancas e atacam botões florais, flores e a maça da planta. Os ovos são brancos brilhantes, colocados em cavidades abertas nos botões florais ou maçãs; após a postura são fechados com substância cerosa. Essa praga causa queda anormal de botões florais, flores e maçãs, podendo causar redução na produção de até 70%.

 

  • LAGARTA DAS MAÇÃS - Heliothis virescens (Fabr.) (Lepidoptera: Noctuidae): os adultos apresentam as asas anteriores verdes-amareladas com três faixas marrons, medem cerca de 25-35 mm de envergadura. As lagartas são coloração variável, podendo ser verde, amarela, parda ou rosada, com faixas escuras pelo corpo e cabeça marrom. Os ovos são brancos, cilíndricos, isolados nos ponteiros, folhas e sépalas das plantas. Essa praga ataca as maçãs e botões, favorecendo a entrada de patógenos.

 

  • LAGARTA ROSADA - Pectinophora gossypiella (Saund.) (Lepidoptera: Gelechiidae): os adultos medem 15 mm de envergadura e apresentam asas anteriores marrom-clara com manchas e asas posteriores franjadas. As lagartas são de coloração rosada, sendo esbranquiçadas nos dois primeiros estágios, apresentam aproximadamente 12 mm de comprimento. Os ovos são brancos e isolados nas brácteas das maçãs. O ataque dessa praga causa flor em "roseta" (não forma maçã), destruição de maçãs (fibras e sementes) e maçãs defeituosas ("carimã ") que leva à não abertura normal.

 

  • CURUQUERÊ DO ALGODOEIRO - Alabama argillacea (Hueb.) (Lepidoptera: Noctuidae): os adultos apresentam entre 35-40 mm de envergadura, geralmente de coloração acinzentada e avermelhada e com manchas escuras nas asas anteriores. As lagartas apresentam coloração que varia de verde (baixa infestação) a preta (alta enfestação), com listras longitudinais no dorso e pontuações na cabeça. Os ovos são verdes-azulados, achatados, isolados na face inferior das folhas e com diâmetro de 0,6 mm. Essa praga causa desfolha na planta levando perda de área fotossintética.

Amostragem (tomada de decisão):

  • Para as pragas chaves:

- Pulgões;

- Mosca branca;

- Bicudo do algodoeiro;

- Lagarta das maçãs

- Lagarta rosada;

- Curuquerê do algodoeiro.

 A amostragem deve ser realizada em área mínima de 10 ha.

a. Amostragem convencional (Quadro 1):

  Quadro 1 - Número de levantamentos: depende do estágio fenológico da cultura:

b. Amostragem Sequencial:

 - Como usar: Dar notas : 0 - para botão danificado 1- para botão não danificado;

- Somar o resultado de cada amostragem (mínimo de 10) ao valor registrado anteriormente. Se cair entre os números do quadro, continuar. Se cair no limite inferior, aplicar controle químico, se for além do limite máximo, não controlar. Continuar a amostragem até o final do quadro e repetir a amostragem em 2 a 3 dias;

- Número de amostras;

- Método convencional: 50 ou 100 amostras por ha, em caminhamento de "zig-zag" ou demarcando cinco pontos de amostragem, onde são retirados 10 ou 20 amostras;

- Método sequencial: mínimo de dez amostras.

c. Nível de Controle: (Quadro 2):

  Quadro 2- Níveis de controle níveis de não-ação para o MIP do algodoeiro.

 

Táticas de controle:

  • Controle Cultural:

a) Variedades: IAC-20 precoce, ciclo determinado, favorece controle de bicudo e lagarta rosada;

b) Espaçamento, stand e época de plantio;

c) Cultura armadilha, "cultura soca" ou "soqueira", e vara-isca;

d) Catação de botões florais e maçãs novas no solo.

  • Controle por Comportamento:

  No Brasil, feromônios são utilizados dentro do MIP, com objetivo de amostrar a população do bicudo, lagarta da maçã e lagarta rosada. 

  • Controle Legislativo:

  Arranquio e queima de restos culturais, visando a diminuição da população da broca da raiz, lagarta rosada e bicudo. Decreto estadual de SP, medida deve ser tomada até o dia 15 de julho de cada ano.

  • Controle Biológico: 

a) Natural;

b) Aplicado: parasitóide de ovos, Trichogramma sp., para controle do curuquerê e da lagarta da maçã (60 a 90 mil indivíduos/ha).

  • Controle Químico:

a) Tratamento de Sementes;

b) Granulados sistêmicos no sulco: pulgões, tripes, broca da raiz e percevejo castanho em substituição às sementes pretas;

c) Iscas para Mariposas: 1 kg de melaço + 10 l de agua + 25 g de metomil 21,5 PS e usadas na base de 0,5 l em 15 m lineares de cultura, a cada 50 m (curuquerê, lagarta da maçã e lagarta rosada).

Pragas do arroz:

  • Pragas que danificam o sistena radicular e parte inferior do colmo arroz de sequeiro:

 

  • CUPINS:

- Syntermes (Isoptera: Termitidae);

- Procornitermes (Isoptera: Termitidae);

- Cornitermes (Isoptera: Termitidae).

  Possuem hábito subterrâneo e ninhos de forma variada, vivendo em colônias com formas sexuadas (casal real e alados com 2 pares de asas membranosas) e assexuadas (operárias e soldados, ápteros, com 5 a 10 mm de comprimento e sem olhos e ocelos, ao contrário de formas sexuadas). As operárias são maior parte da população; brancas ou amarelo-pálidas e desempenham todas as funções da colônia, exceto procriação.

  Já os soldados possuem cabeça muito volumosa, de coloração marrom-amarelados com mandíbulas bem desenvolvidas, possuem a função de defesa e colaboram com as operárias. Essas pragas atacam sistema radicular, destruindo-o total ou parcialmente, as plantas ficam com aspecto seco e desprendem-se do solo facilmente quando puxadas. Em horas de sol quente, as folhas se enrolam rapidamente. Os soldados também cortam a parte aérea da planta; o ataque de cupins é mais intenso em áreas ocupadas antes por gramíneas e em solo de cerrado.

  • Bicho Bolo ou Pão de Galinha:

- Stenocrates sp. (Coleoptera: Scarabaeidae);

- Dyscinetus sp. (Coleoptera: Scarabeidae);

- Euetheola humilis Burm., 1847 (Coleoptera: Scarabaeidae).

  Todas as 3 espécies são de cor marrom-escura a preta e adultos medem 21, 20 e 16 mm nas espécies Stenocrates sp., Dyscinetus sp. e E. humilis, respectivamente. As posturas são feitas no solo e larvas de 3 mm eclodem delas. Essas possuem cabeça marrom-clara, abdome com extremidade escura e chegam a medir 50 mm, são conhecidas por bicho-bolo ou pão de galinha e o período larval pode chegar a 20 meses. A empupação ocorre no solo e os adultos surgem após as primeiras chuvas. As larvas alimentam-se de raízes, causando amarelecimento e definhamento das plantas, que podem morrer, ocasionando falhas na lavouras.

  • 1.3. Larva arame - Conoderus spp. (Coleoptera: Elateridae):

  Os adultos são besouros negros com cerca de 16 mm de comprimento e élitros pardos ferrugíneos pontuados com 4 manchas pretas. Essa praga ataca as raízes causando amarelecimento e morte da planta. As touceiras são facilmente destacadas.

  • Lagartas-elasmo - Elasmopalpus lignosellus (Zeller) (Lepidoptera: Pyralidae).

 

  • Arroz irrigado:
  • BICHEIRA DO ARROZ:

- Helodytes foveolatus Duval (Coleoptera: Curculionidae);

- Lissorhoptrus tibialis (Coleoptera: Curculionidae);

- Neobagous sp. (Coleoptera: Curculionidae);

- Hydrotimetes sp. (Coleoptera: Curculionidae);

- Oryzophagus oryzae (Lima) (Coleoptera: Curculionidae).

  Adultos possuem rostro e medem de 2,0 a 9,0 mm de comprimento. As larvas são claras com cabeça amarela e pelos ralos sobre o corpo, não possuindo pernas torácicas nem abdominais (são ápodas). Adultos alimentam-se de folhas novas, no entanto as larvas são mais prejudiciais, e podem provocar a destruição total das raízes. As plantas atacadas ficam menores, amareladas e as folhas, com as extremidades murchas. O ataque normalmente ocorre em reboleiras.

  • Pragas da parte aérea:
  • PERCEVEJOS DO GRÃO:

- Oebalus poecilus (Dallas) (Heteroptera: Pentatomidae);

- O. ypsilongriseus (Heteroptera: Pentatomidae);

- O. grisescens (Heteroptera: Pentatomidae).

  Os adultos são de cor marrom-clara e medem de 8-10 mm de comprimento O. poecilus possui no pronoto, 2 manchas amareladas curvas e 3 manchas amarelas nos hemiélitros, O. ypsilongriseus possui as 3 manchas nos hemiélitros, mas não as do pronoto e o O. grisescens já não possuem manchas amarelas. As ninfas, inicialmente são escuras e ficam com o tórax escuro e abdome amarelado, com manchas negras. As posturas são normalmente feitas nas folhas, podendo ocorrer ainda no colmo e panículas. Esses inseto são sugadores de grãos, em grãos leitosos, estes podem ser totalmente esvaziados ou ficarem atrofiados; em grãos mais desenvolvidos formam-se pontos escuros na casca e brancos no endosperma. Os grãos ficam fracos e com menor peso.

  • Lagartas desfolhadoras:

- Mocis Latipes (Guen.) (Lepidoptera: Noctuidae);

- Spodoptera frugiperda (J.E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae).

  • Percevejo do colmo - Tibraca limbativentres Stal (Heteroptera: Pentatomidae): São percevejos de 15 mm de comprimento, cor marrom clara dorsalmente e marrom escura ventralmente. As ninfas são de cores variáveis e escuras no 5º ínstar. A alta umidade do solo e soqueiras de gramíneas favorecem o desenvolvimento de altas populações do inseto. O ataque apresenta sintomas conhecidos como "coração morto" e "panícula branca". Esses insetos introduzem o estilete nos colmos tornando chochas as panículas e injetam na planta sua toxina. Definhamento da planta e chochamento das panículas pela ação tóxica da saliva.

 

  • Cigarrinhas:

- Deois flavopicta (Stal) (Homoptera: Cercopidae);

- Tagosodes orizicolus (Muir) (Homoptera: Delphacidae): ocorre em áreas próximas às pastagens, principalmente de braquiária.

 

  • Broca-da-cana: - Diatraea saccharalis (Fabr.) (Lepidoptera: Pyralidae).

Amostragem (tomada de decisão):

  • Amostragem em 5 pontos a cada 10 ha, em plantas presentes em 1 m2 em cada ponto:
  • Níveis de ação para fitófagos da cultura do arroz:
  • Táticas integradas para reduzir a infestação ou danos causados por insetos em arroz:

Pragas do café:

  • BICHO-MINEIRO - Leucoptera coffeella (Lepidoptera: Lyonetiidae):

  Os adultos são mariposa de coloração geral branco prateada, com cerca de 6,5 mm de envergadura e 2,2 mm de comprimento. As lagartinhas são de no máximo 3,5 mm de comprimento de coloração branca, anelada que ficam "escondidas" dentro das lesões (minas) construídas pelas próprias lagartas. As pupas ficam localizadas na região da "saia" do cafeeiro na face inferior das folhas sob teias em formato de "X". Já a oviposição é fita no período noturno na face superior da folha, sendo no máximo 57 ovos/fêmea, com eclosão em 5-21dias. Essa praga confecciona minas nas folhas diminuindo a área fotossintética e causando quedas das folhas. Os maiores problemas com essa praga são em espaçamentos mais largos.

  • BROCA DO CAFÉ – Hypothenemus hampei (Ferrari) (Coleoptera: Scolitidae):

  Os adultos são besouro de coloração escura e brilhante, corpo cilíndrico recurvado para a região posterior, medem cerca 1,6 mm. O macho não voa, vivendo no fruto onde se origina. As larvas são de coloração esbranquiçada causando perfurações no interior das sementes. Os ovos são pequenos, brancos, elípticos e com brilho leitoso ovipositados no interior da semente. As pupas permanecem interior das sementes, sendo de coloração esbranquiçada à castanho clara. As fêmea fecundada, perfura a região da coroa, oviposita em câmaras feitas nas sementes e as larvas passam a broquear as sementes. Esse ataque causa queda do fruto, perda de peso, apodrecimento devido a entrada de fungos, perda na classificação por tipo e bebida. São problemas maiores em plantio adensado e lavouras de Café Robusta (Conillon).

Amostragem (tomada de decisão):

  • Bicho-Mineiro:

  A época de ocorrência vai desde o início da floração (agosto – setembro) até a colheita (junho – julho), sendo que a população da praga é maior nos períodos secos do ano (junho a outubro) devido as condições climáticas favoráveis, e portanto, período de se realizar as amostragens.

a) Amostragem Convencional: 5 folhas/cova em 20 covas por talhão (± 2000 covas). As folhas devem ser retiradas do terço médio ou do terço superior da planta, no quarto par a partir da extremidade dos ramos. Conta-se o número de folhas lesionadas ou não. Uma pequena mina já coloca a folha como lesionada. O NC está em função da % de folhas lesionadas no total de folhas coletadas.

 Atenção: lesões apresentando rasgaduras indicam a atuação de predadores. Deve-se anotar este fato (nível de não-ação). - NC= 20% (quando amostrar o terço superior) e 30%(terço médio) - NNA= 60%

 

b) Amostragem Sequencial: procedimento semelhante ao convencional, sendo que neste avalia-se apenas 1 folha/cova em 20-30 covas/talhão, e as folhas devem ser retiradas somente do terço médio da planta. A folha não minada recebe nota “0’ e a folha minadarecebe nota “1”. A mina que não estiver rasgada por Vespa recebe nota “0” e a mina que estiver rasgada por vespas predadoras recebe nota “1”. Se o somaório das notas for < limite intefior ⇒ A população da praga ou do inimigo natural está baixa. Se o somaório das notas for ≥ limite superior ⇒ A população da praga ou do inimigo natural está alta. Se o somaório das notas for um valor intermediário entre os limites inferior e superior < limite intefior ⇒ A população da praga ou do inimigo natural está baixa. continua-se a amostragem. O controle da praga só deve ser realizado quando a população da praga for alta e a população do inimigo natural for baixa. Obs.: Existem tabelas de amostragem sequencial já confeccionadas.

  • Broca do café:

  As amostragens devem ser realizadas no período de trânsito (período que a fêmea fecundada oviposita no fruto) que corresponde a Fase de Chumbinho (outubro – dezembro), coletando-se os frutos nos terços médio e inferior, locais de maior infestação. Esta praga é favorecida por condições de alta umidade e temperatura.

a) Amostragem Convencional:

 - 100 frutos/planta, sendo 25 de cada face totalizando 50 plantas/talhão. Deve-se contar os frutos sadios e os broqueados, iniciando o trabalho pelas partes mais baixas e úmidas. A percentagem de frutos broqueados em função dos sadios indica o NC. NC= 5%.

b) Amostragem Sequencial:

  Amostra-se 1 ramo/planta, coletando-se 1 fruto/ramo. Grão não atacado recebe nota “0”e o atacado nota “1”. Obs.: Existem tabelas de amostragem sequencial já confeccionadas.

  • Cigarras:

  Fazem-se trincheiras de um só lado da planta abrangendo o sistema radicular e conta-se as ninfas móveis encontradas. O resultado deve ser multiplicado por dois para a obtenção do número de ninfas por cova. NC= 35 ninfas móveis/cova.

  • Mosca das raízes: Idem a Cigarras, mas avalia-se o número de larvas na trincheira.

Controle:

  • Controle cultural:

  Uso racional de fungicidas cúpricos; não usar espaçamento maior ao recomendado para cultivar; utilização de mudas sadias; adubação equilibrada; evitar a presença de cobertura morta, culturas intercalares ou mato nas ruas (bicho-mineiro). Plantio utilizando espaçamento recomendado para a variedade e de acordo com as condições climáticas da região (bicho-mineiro e broca do café). Plantio espaçado que permita a penetração da luz solar; colheita e repasse, se necessário, de todos os frutos da safra; a colheita deve se iniciar do talhão mais infestado. Eliminação de talhões velhos e improdutivos (lavouras abandonadas). Poda de lavouras muito fechadas (broca do café). Utilização de mudas sadias (ácaros vermelho e branco). Eliminação das plantas infectadas (ácaro da leprose). Produzir mudas de café em viveiros protegidos (cigarrinhas transmissoras do “Amarelinho”). Podar as partes infectadas, e se os sintomas persistirem eliminar as plantas. Quanto mais cedo e mais drásticas forem feitas as podas melhores serão os resultados ( cigarrinhas transmissoras do “Amarelinho”). Irrigação por aspersão e chuvas pesadas são fator de redução na população (ácaro da leprose).

  • Controle Biológico:

  Controle Biológico Natural (bicho mineiro):

  Predadores: vespas - Pronectarina sylveirae, Brachygastra lecheguana, Synoeca surinama, Polybia scutellaris e Eumenes sp. A preservação destes predadores é favorecida em lavouras próximas a matas e capoeiras, uso de inseticidas seletivos, preservação dos ninhos na lavoura e pela execução do MIP na cultura.

  Parasitóides: Braconídeos e outros. Sem grande eficiência.

  Controle biológico Natural (ácaros):

  Controle natural feito por ácaros predadores da família Phytoseiidae (Iphiseiodes zuluagai; Euseius spp.) e Stigmaeidae (Zetzellia sp.).

  Controle biológico Clássico (broca do café):

  Controle pela "vespa" de Uganda (Prorops nasuta): parasita larvas e pupas da broca; “vespa da Costa do Marfim” (Cephalonomia stephanoderis).

  • Controle químico (informações adicionais vide Controle químico):

- Fazer em reboleira para o controle de cigarra, mosca das raízes, ácaros e cochonilhas;

- Evitar o uso de piretróides, causam desequilíbrio às populações de ácaros (bicho mineiro). A pulverização visa atingir o adulto no período de trânsito (broca do café);

 - No controle das cigarras deve-se levar em consideração a época de revoada, porque o controle é mais efetivo sobre ninfas jovens;

- A aplicação de inseticidas granulados sistêmicos exigem umidade no solo, e estes devem ser levemente incorporados ou aplicados via sulco, a aplicação em matraca, ou seja, localizada, não é eficiente (cigarra).

Pragas da cana-de-açúcar:

  • BROCA DA CANA-DE-AÇÚCAR - Diatraea saccharalis (Fabr.) (Lepidoptera: Pyralidae):

  Os adultos mariposas que medem cerca de 25 mm de comprimento e apresentam coloração amarelo-palha. As lagartas são de coloração branco-amarelada com pintas pretas. A oviposição é imbricada nas folhas (semelhante escamas de peixe) e as pulpas ficam no colmo da planta. Essa praga pode causar danos diretos ou indiretos na cultura. Os danos diretos são abertura de galerias no colmo, provocando morte das gemas, "coração morto", tombamento e redução do peso da cana. Os danos mais graves são os indiretos que são a penetração de fungos através das galerias, resultando em: inversão da sacarose para glicose e consequentemente redução na produção de açúcar; contaminação do caldo que afeta a eficiência de leveduras e, portanto, menor produção de álcool.

  • CIGARRINHAS DA CANA

 

  • CIGARRINHAS DA FOLHA - Mahanarva posticata (Stal, 1855) (Homoptera: Cercopidae):

  Os adultos apresentam coloração avermelhada, com ou sem manchas longitudinais nas asas e medem cerca de 12 mm de comprimento. As ninfas ficam nas raízes e a postura dos ovos é feita na bainha das folhas.

  • CIGARRINHAS DA RAIZ - Mahanarva fimbriolata (Stal, 1854) (Homoptera: Cercopidae):

  Os adultos apresentam duas manchas vermelhas nas asas tégminas e medem de 12 mm a 13 mm de comprimento de comprimento. As ficam nos cartuchos ou nas bainhas protegidas por espuma. A postura dos ovos é feita no solo.

  • CIGARRINHA DO CARTUCHO - Mahanarva rubicunda (Walker, 1858) (Homoptera: Cercopidae):

  Os adultos apresentam faixas transversais amarelas a laraja e medem aproximadamente 11 mm de comprimento. As ninfas ficam nos cartuchos protegidas por espuma. A postura dos ovos é feita na parte ventral da folha na nervura central. Todas as três espécies succionam seiva causando "queima" das folhas (semelhante a déficit hídrico) e diminuição do rendimento de açúcar.

Amostragem (tomada de decisão):

  • Broca da cana-de-açúcar:

  Canaviais desenvolvidos: Coletar 30 canas/ha (antes ou após a queima do canavial para corte), em 5 pontos ao acaso; abrir a cana no sentido longitudinal e determinar a "intensidade de infestação" (% I.I.), pela seguinte fórmula:

Número de entrenós broqueados X 100 . %I.I. = —––—————————————— Número total de entrenós.

  Durante o desenvolvimento do canavial: (a partir dos primeiros entrenós visíveis). Em cada talhão verificar a presença de plantas com corações mortos no canavial. Deterterminar % de parasitismo (%P) através da coleta de estádios imaturos da broca (pelo menos 40 estádios imaturos/talhão, lagartas ou crisálidas).

Formas parasitadas x 100 . %P = —––————————— Total

OBS: Dirigir a amostragem para os últimos entrenós em formação e para plantas com "coração morto". NNA igual %P < 50 e NC igual a %I.I. = 5% 2.

  • Cigarrinhas:

  A amostragem de cigarrinhas deve ser realizada principalmente após períodos secos e frios.

  Amostragem da cigarrinha da folha: Tomar 25 canas ao acaso em cada lavoura, separando uma cana em cada touceira, destacando-se a seguir as folhas, e contando-se as ninfas e adultos sob as bainhas e olhaduras.

  Amostragem da cigarrinha da raiz: Tomar 2,5 metros lineares em quatro pontos do talhão. Limpa-se o solo na área do sulco e das entrelinhas a serem avaliadas, retirando-se toda a cobertura vegetal aí existente (ervas daninhas, palhiço, etc.). Contar adultos, ninfas (pequenas, médias e grandes) e canas.

  • Índices de Tomada de Decisão:
  • Cupins:

  Existe um sistema empírico de detecção de cupins no talhão a ser plantado. A detecção visa a adoção do controle químico com inseticidas aplicados no sulco de plantio. Procedimento: Um tolete é enterrado em cada talhão cerca de um mês antes do plantio. Avalia-se antes do plantio, se o tolete

  • Migdolus:

  Tem-se utilizado um método empírico para o levantamento da infestação de larvas na lavoura e o monitoramento de adultos com armadilhas iscadas com feromônio.

  Procedimento para amostragem de larvas: retiram-se duas touceiras de cana por hectare. Cada touceira é representada por uma cova das seguintes dimensões: 0,50m x 0,50m x 0,50m. Conta-se o número de larvas presentes nesta touceira e calcula-se o número de larvas/10 touceiras e a % touceiras atacadas. A amostragem deve ser realizada a cada 30 dias, nas áreas suspeitas, e a cada 15 dias, após a constatação da presença de larvas na área.

  Procedimento para amostragem de adultos: armadilhas iscadas com feromônio são utilizadas em carreadores. Normalmente utilizam-se até 10 armadilhas a cada 10 ha.

  Índice de Tomada de Decisão: medidas de controle comportamental, devem ser adotadas quando se constatar mais de duas larvas de Migdolus por 10 touceiras ou mais de 10 % de touceiras atacadas.

 OBS: A prática da amostragem de larvas deve ser preferencialmente realizada entre os meses de março a agosto. Já a prática do monitoramento de adultos com armadilhas, deve ser utilizada em toda a área em período diferente do ano, normalmente entre os meses de outubro a janeiro. As revoadas ocorrem em dias quentes e úmidos, após períodos chuvosos.

Táticas de controle:

  • Controle Biológico:

  Liberação dos Parasitóides da broca da cana-de-açúcar: Cotesia lavipes (parasitóide de larvas) e Trichogramma galloi (parasitóide de ovos).

- Onde liberar?

  A prioridade para liberação deve ser em talhões de cana-planta, seguida de cana soca (2ª folha) cultivada em locais onde a porcentagem de parasitismo (%P) foi inferior a 50% e a intensidade de infestação (I.I.) foi superior a 5%.

- Quando liberar?

  A liberação deve ser feita quando aparecerem os primeiros corações mortos. Em geral, quando o canavial estiver com 3 a 6 meses de plantio ou corte (soca).

- Quanto liberar?

  Cotesia lavipes: 6000 vespas/ha e Trichogramma galloi: 130000 vespas/ha.

-Como liberar?

  Cotesia lavipes: Com base na dispersão média (cerca de 35 m), deve ser liberado em 4 pontos por hectare. Os pontos devem distar de 25 m dos carreadores e 50 m entre si.

 Procedimento:

  Os copinhos com pupas devem ser abertos quando pelo menos 80% dos adultos tiverem emergido. Abre-se um copo plástico com 1.500 vespinhas e caminha - se de um ponto ao outro. No final, o copo com as "massas" pode ser colocado preso entre a bainha e o colmo da cana. Total de 6.000 vespinhas/ha. Trichogramma galloi: com base na distância mínima que pode alcançar a partir do ponto de soltura (20 m), deve ser liberado em nove pontos por hectare. Os pontos devem distar de 20 m dos carreadores e 30 m entre si.

  • Procedimento:

  Os copinhos com pupas devem ser abertos quando pelo menos 80% dos adultos tiverem emergido. Abre-se um copo plástico com vespas e caminha - se de um ponto ao outro. No final, o copo os com ovos parasitados pode ser colocado preso entre a bainha e o colmo da cana.

  • Cuidados na liberação dos parasitóides:

  A liberação deve ser feita em períodos frescos do dia, ao nascer do sol ou ao anoitecer. Dias chuvosos devem ser evitados. Neste caso, as vespas recém emergidas podem ser conservadas em ambientes refrigerados (20 a 25 oC) ou em geladeira (parte inferior) por 2 a 3 dias, para Trichogramma galloi, ou 3 a 5 dias, para Cotesia flavipes. A longevidade de Cotesia flavipes pode ser aumentada através da alimentação com mel durante o período de armazenamento.

  •   Aplicação de Metarhizium anisopliae para controle de ovos e larvas recém eclodidas da broca da cana-de-açúcar:

  Normalmente utilizam-se cerca de 500 g de conídios/ha. No nordeste, observou-se bom controle de ovos e larvas recém-eclodidas nas folhas da cana-de-açúcar no período de novembro a fevereiro. Nesse período as condições climáticas de umidade e calor favorecem o desenvolvimento do patógeno. As aplicações são realizadas com pulverizadores tratorizados.

  • Aplicação de Metarhizium anisopliae para controle de cigarrinhas:

  Utilizam-se cerca de 200 a 500 g de conídios/ha. As aplicações podem ser aéreas ou com pulverizadores tratorizados. Nas aplicações tratorizadas são utilizados de 50 a 200 litros de água/ha e nas aplicações aéreas de 20 a 30 litros de água/ha. Os resultados das aplicações variam de acordo com a localização das culturas e com a ocorrência das chuvas na região. É importante que ocorram alguns veranicos dentro do período de chuvas, para a melhor disseminação dos conídios do fungo.

  • Controle Cultural:

 

  • Moagem rápida da cana (Broca da cana-de-açúcar):

  A moagem rápida da cana tem por finalidades reduzir os efeitos danosos provocados pelos fungos do complexo das podridões. Possibilita a destruição de larvas e pupas e interrompe o avanço das podridões.

  • Cultura armadilha (Broca da cana-de-açúcar):

  O plantio de milho serve como armadilha para atrair a broca.

  • Manejo da colheita (broca da cana-de-açúcar e cigarrinhas):

  A queima dos canaviais para colheita e a queima do palhiço remanescente desfavorecem a broca e as cigarrinhas. A colheita sem desponte quando %I.I. for > que 5%, também pode contribuir para a redução da população da broca. 2

  • Drenagem do solo (Cigarrinha da raiz):

  A drenagem contribui para retardar o aparecimento de ninfas e/ou dificultar seu desenvolvimento nas raízes superficiais.

  • Preparo do solo (broca gigante, larvas de besouros e cupins):

  Um bom preparo do solo por ocasião da renovação de canaviais infestados pela broca gigante e por larvas de besouros se constitui numa eficiente forma de controle. Essa tática possibilita a desestabilização das colônias de cupins. Deve-se prestar atenção no entanto, a algumas características das pragas para que se tenha sucesso no controle da praga em questão. Para M. fryanus, a época ideal é nos períodos secos e frios do ano na região sudeste, ou seja, de março a agosto. Nesse período, o número de larvas de M. fryanus nos primeiros trinta centímetros do solo é maior.

  • Manejo do plantio (cupins):

​​​​​​​  Plantio de cana inteira com 7 a 10 meses de idade, sem desponte e concentração do plantio na época chuvosa para uma rápida germinação.

  • Incorporação de matéria orgânica e adubação verde (Migdolus):

  A incorporação de matéria orgânica, especialmente torta de filtro, vinhaça, farelo de mamona, etc., tem reduzido a população de Migdolus. O uso destes compostos favorece o desenvolvimento da cultura, tornando-a menos vulnerável ao ataque das larvas, além de enriquecer o solo de microrganismos. O uso de adubos verdes como Crotalaria spp., mucuna-preta, dentre outras em áreas de ocorrência de Migdolus tem sido muito favorável. A incorporação de nitrogênio, diminuição das camadas adensadas do solo pela ação das raízes e aumento da microbiota do solo, parecem exercer alguma ação antagônica às larvas desta praga.

  • Manejo da irrigação (Lagarta elasmo):

  A irrigação pode ser utilizada para prevenção de problemas com insetos. A lagarta-elasmo é melhor adaptada a condições de secas.

  • Variedades resistentes:

​​​​​​​  Existem variedades suscetíveis ao ataque da broca da cana-de-açúcar, muitas das quais amplamente utilizadas devido às características de alta produtividade que possuem. Há também, variações na intensidade de infestação em uma mesma variedade de acordo com a região e tendência de ocorrência de maiores infestações em cana-planta. Algumas variedades apesar de produtivas, possuem baixo vigor de gemas em períodos secos (ex.: RB 72454). Em solos arenosos, as injúrias de pragas de rizomas e raízes causam maiores problemas de estresse hídrico e variedades com baixo vigor de gemas não devem ser plantadas.

  • Controle Comportamental:

 

  • Uso de feromônio:
  • Feromônio para manejo da broca (usado em viveiros):

​​​​​​​  Fêmeas virgens da broca podem ser usadas no monitoramento ou ajudar na detecção do momento ideal para liberação de parasitóides de ovos. Empregam-se armadilhas que constam de uma pequena gaiola, protegida, onde são colocadas duas fêmeas virgens de até 48 horas de idade. Os machos atraídos são coletados numa bandeja contendo 80% de melaço ou detergente.

  • Feromônio para manejo de Migdolus:

  Existe feromônio sintético de Migdolus que pode ser utilizado no confundimento, em armadilhas na detecção, monitoramento e coleta massal. Vários modelos de armadilhas podem ser usados. A mais simples é confeccionada com galões de agrotóxicos. Possui cortes laterais na parte superior para passagem de ar. Coloca-se solução detergente a 5 % onde os machos atraídos ficarão retidos. O pelete de feromônio fica pendurado por arame no centro da armadilha. Para o monitoramento são utilizadas cerca de 1 a 10 armadilhas/ha. Para coleta massal cerca de 1 armadilha a cada 25 metros ao longo de carreadores. E para confundimento, cerca de 15 gramas/ha, que promove um efeito de repelência de machos.

  • Controle químico;

Pragas do feijão:

  • CIGARRINHA VERDE - Empoasca kraemeri (Ross & Moore) (Homoptera: Cicadellidae):

  Os adultos são de coloração esverdeada, com cerca de 3 mm; ninfas e adultos deslocam-se com rapidez, e não raros em movimentos laterais. Ciclo completo em torno de 3 semanas. As ninfas são de coloração amarelo-esverdeada e desprovida de asas. As postura dos ovos é endofítica nas folhas, pecíolo e caules. A praga succiona seiva e injeta toxinas, provocando enfezamento das plantas (semelhante a sintomas de viroses) e mais prejudicial até o florescimento e em plantio de sequeiro.

  • MOSCA MINADORA - Liriomyza spp.(Diptera: Agromyzidae);

 

  •  MOSCA BRANCA - Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae);

 

  • VAQUINHAS: Cerotoma arcuata (Oliveira) (Coleoptera: Chrysomelidae):

  Os adultos são besourinhos de coloração amarelo, com manchas pretas, medindo 5 a 6 mm de comprimento e possuindo mancha preta no final do abdomem. A postura dos ovos é feita no solo, onde eclodem larvas de coloração branco-leitosa.

  • C. unicornis (Germar) (Coleoptera: Chrysomelidae):

  Semelhante a C. arcuata, porém um pouco maior e os adultos não possuem mancha preta no final do abdomem.

  • Diabrotica speciosa (Germar) (Coleoptera: Chrysomelidae):

  Semelhante a C. arcuata, porém os adultos são de coloração esverdeada, com manchas amarelas e as larvas possuem uma placa escura na extremidade dorsal posterior do corpo. Nas três espécies os adultos alimentam-se de folhas e, em altas populações, provocam diminuição da produção. As larvas alimentam-se de raízes e nódulos e podem, também, atacar as sementes em germinação. Causam desfolha (adultos) e mortalidade de plantas (larvas).

  • LAGARTA ELASMO OU BROCA DO COLO - Elasmopalpus lignosellus (Zeller) (Lepidoptera: Pyralidae):

  Os adultos são mariposas com 15 a 25 mm de envergadura e com asas de coloração pardo-avermelhada. As lagartas medem cerca de 15 mm de comprimento, são ativas e de coloração verde-azulada. Apresentam cabeça pequena e de coloração marrom escura. Jogam-se no chão se colocadas na palma da mão. As lagartas abrem galerias na região do colo da planta, causando secamento e morte de plantas novas. Maiores prejuízos nas épocas secas e em solos de cerrado.

Amostragem (tomada de decisão):

a) Amostragem e Níveis de Ação:

Controle:

  • Controle cultural:

- Densidade de plantio: aumento da densidade de plantio, em regiões e/ou épocas de alta incidência de lagartas elasmo e demais pragas de solo;

 - Irrigação: controle de lagartas elasmo em culturas de feijão irrigado;

- Zoneamento de plantio: evitar o cultivo de feijoeiro próximo, principalmente, de culturas de soja, visando prevenir danos de mosca branca;

- Consórcio com milho: redução do ataque, principalmente, de cigarrinhas;

- Preparo do solo: uma boa aração e gradagem, expõem os insetos a predadores e raios solares;

- Rotação de culturas: plantio de plantas que não sejam hospedeiras;

- Variedade de ciclo precoce: permanecem menos tempo no campo;

 - Adubação equilibrada: adubação correta sem excessos nem carências.

  • Controle por comportamento:

- Uso de armadilhas amarelas adesivas para o controle de moscas branca, mosca minadora e pulgões;

- Uso de iscas tóxicas (suco de laranja e/ou suco de folhas de feijão + calda inseticida);

 - Uso de iscas tóxicas (1 kg de farelo de trigo + 100 ml de melaço + 15 ml de metamil), para o controle de lagarta rosca;

 - Uso de iscas para adultos de crisomelídeos: cucurbitáceas "amargas", conhecidas vulgarmente como "taiuiá" atraem adultos. A adição de um produto fosforado à isca poderá controlar a praga;

- Uso de macerado de vaquinhas no controle de vaquinhas: macerado de 1000 vaquinhas/ha.

  • Controle biológico natural (Quadro):

  Principais Inimigos Naturais das Pragas do Feijoeiro:

 

  • Controle químico:

a) Nos períodos secos e quentes do ano, realizar pulverizações preventivas, com intuito de evitar que a praga se instale na cultura;

b) Fazer a pulverização de defensivos de maneira homogênea, pulverizando de baixo para cima, procurando atingir a face inferior das folhas, onde se encontram os ovos, as larvas e geralmente o inseto adulto;

c) Fazer a rotação com produtos químicos de grupos diferentes, para diminuir a possibilidade de aparecimento de resistência da praga aos defensivos utilizados.

Pragas do milho:

  • LAGARTA-DO-CARTUCHO-DO-MILHO Spodoptera frugiperda (Smith) (Lepidoptera: Noctuidae):

  Os adultos são mariposas com cerca de 35 mm, com asas anteriores pardo escuras e as posteriores branco acinzentadas. As lagartas são de coloração que varia de pardo escura, verde até quase preta, com três linhas longitudinais branco amareladas na parte dorsal do corpo. Cinco pares de falsas pernas. A postura é feita em "massas" de ovos na face superior das folhas; coloração palha e as pulpas são de coloração marrom avermelhada e ficam no solo. As lagartas fazem raspagem das folhas, posteriormente danificam o cartucho, com presença de furos irregulares nas folhas e de "serragem" no cartucho. Também broqueiam as espigas e a base do caule em plantas jovens. Podendo causar perdas de até 35% na produção de grãos.

  • CIGARRINHA DO MILHO - Dalbulus maidis (Delong & Wolcott) (Homoptera: Cicadellidae):

  Os adutos possuem cerca de 13 mm de comprimento, coloração verde a amarelo palha. As ninfas apresentam coloração amarela, possuem até 3 mm de comprimento e passam por cinco ínstares. Os ovos são depositados de forma endofítica e o período de incubação é cerca de 9 dias. Os adultos e ninfas succionam a seiva. Este inseto também é o principal vetor de três fitopatógenos: o espiroplasma causador do enfezamento pálido, o fitopasma causador do enfezamento vermelho e o vírus causador da virose da risca.

Amostragem:

  Lagarta-do-cartucho-do-milho:

   Amostragem deve ser após o plantio, ao acaso na lavoura selecionar 5 pontos/gleba, amostrar 100 plantas/ponto e fazer a contagem do número de plantas atacadas. Nível de controle (Vide quadro abaixo).

  Pragas de subterrâneas:

  A amostragem deve ser preventiva, dias antes do plantio, em 5 pontos/gleba, semear 200 sementes/ponto; 5 dias após abrir o sulco e contar número de insetos. Nível de controle (Vide quadro abaixo)

Táticas de controle:

  • Controle cultural:

 

  •  Modo de plantio:

  Plantio mais denso, profundidade e umidade adequadas visando o controle de lagartas elasmo, lagarta rosca e pragas subterrâneas de solo, que reduzem o "stand" da cultura.

  • Rotação de culturas:

  Esta prática cultural de forma geral tem maior influência na redução de populações de insetos-praga que possuem fase de seu ciclo de vida no solo como a lagarta do cartucho, larvas de besouros, cupins e lagarta elasmo.

  • Adubação balanceada:

  O teor de nutrientes presentes na folha pode determinar a maior ocorrência de determinado inseto-praga, principalmente em relação ao nitrogênio: com o aumento da concentração de N, a população de insetos sugadores é aumentada como a cigarrinha do milho D. maidis.

  • Incorporação de restos culturais:

  Esta prática cultural tem impacto direto na redução de populações de insetos-praga que permanecem nos restos culturais, como: a lagarta do cartucho e a lagarta elasmo.

  • Sistema de cultivo:

  Normalmente em sistema de plantio direto é maior a ocorrência de insetos-praga que possuam fase no solo como as larvas de coleópteros, lagarta do cartucho e lagarta elasmo.

  • Época de cultivo:

  No cultivo de safrinha geralmente é alta a incidência da cigarrinha do milho D. maidis, que pode constituir-se numa praga-chave deste cultivo. Já em anos ou épocas muito secas é maior a incidência da lagarta do cartucho e da lagarta elasmo.

  • Controle biológico:

​​​​​​​  Principais inimigos naturais de Spodoptera frugiperda:

  • Uso de Baculovirus spodoptera:

  Este produto deve ser utilizado para controle da lagarta-docartucho. Produto produzido pela EMBRAPA/CNPMS - Sete Lagoas - MG. A dosagem utilizada é 10 lagartas infectadas em 600 ml de água ou 50 g de pó/ha. Aplicação deve ser após 40 a 45 dias do plantio (época de maior infestação), e quando as lagartas tiverem no máximo 1,5 cm de comprimento. Para pulverização deve se utilizar bico tipo leque 8004 ou 6004 e deve ser feita no período da tarde ou início da noite.

  • Controle químico:

  Os inseticidas recomendados para o controle da lagarta-do-cartucho devem ser aplicados em pulverização, utilizando-se bico tipo "leque" (o mesmo indicado para herbicidas). A pulverização deve ser direcionada para o cartucho, de forma que o inseticida escorra para o interior do cartucho, assim terá maior penetração e atingirá melhor o alvo.

4 Pragas de pastagens:

a) Diagnose: Pragas de perfilhos:

  • CIGARRINHAS DAS PASTAGENS:

  O ovo é posto no solo em restos culturais. As ninfas são bastante ativas e resistentes. Ficam sempre protegidas por uma espuma branca característica. Passam por cinco ínstares. O ciclo de vida varia com diferentes espécies, mas pode-se dizer que o mesmo está ao redor de 58 dias: incubação - 15 dias; período ninfal - 40 dias; pré-ovoposição - 3 dias. As ninfas sugam a seiva das plantas depauperando-as, causando seu desequilíbrio híbrido e levando-a a absorver um maior volume de água do solo. O adulto, além de sugar a seiva, injeta uma substância tóxica que produz a sintomatologia típica da injúria causada pelas cigarrinhas, "queima das pastagens". Independente da espécie, a injúrias ocasionadas aos pastos são semelhantes, iniciando com o aparecimento de estrias cloráticas nas folhas e evoluindo até o secamento e morte das mesmas.

  O problema da cigarrinha é, portanto, bastante grave, pois além da vasta área atacada, elas concorrem com o gado na época em que ele normalmente deveria recuperar-se do período de seca, e nessa época o capim amarelecido torna-se impalatável e desagradável, o que faz com que o animal coma menos, reduzindo assim a produção de leite e carne. Zulia entreriana (Homoptera-Cercopidae).

  Os adultos possuem 7 mm, tem o corpo preto brilhante com faixas branco amareladas. Deois flavopicta (Homoptera-Cercopidae). Os adultos possuem 10 mm, possuem o corpo preto com faixas amarelas e abdome e pernas vermelhas. Deois schach (Homoptera-Cercopidae). Os adultos possuem 10 mm, possuem o corpo preto esverdeado com faixas alaranjadas e abdome e pernas vermelhas.

b) Pragas das folhas: FORMIGAS CORTADEIRAS: Atta bisphaerica (Saúva mata-pasto), Atta capiguara (Saúva parda) e Acromyrex spp. (quenquéns) (Hymenoptera).

  As formigas cortadeiras são formigas (saúvas e quenquéns) que cortam e carregam fragmentos de diversos vegetais, flores e sementes para seus ninhos. Ocorrem atacando exclusivamente as pastagens, as espécies de saúvas A.bisphaerica e A.capiguara.

  As formigas causam danos tanto em pastagens estabelecidas, quanto durante a fase de estabelecimento. Neste último caso, os danos são mais graves, porque cortam as plântulas recém emergidas tanto de gramíneas quanto de leguminosa. (A.bisphaerica, corta exclusivamente gramíneas). Esse dano ocasiona a morte da plântula, que neste estágio não tem capacidade de rebrota. Quando as formigas atacam plantas mais desenvolvidas, elas desfolham e cortam os brotos dos talos e ramos secundários. Em áreas infetadas, estimou-se, para A.capiguara, que o sauveiros por hectare, cujas formigas cortam cerca de 21 Kg de capim por dia, são equivalentes ao que consomem 3 bois em regime de pasto por alqueire, ou seja, 1,23 bois/hectare.dia-1.

  Outros fatores têm sido considerados como efeitos da ação das formigas cortadeiras tais como:

• Dano causado às pastagens pelo revolvimento da terra e as trilhas de forragem deixadas pelas formigas;

• A aceleração do crescimento e a sucessão de ervas daninhas nas pastagens. Estas formigas atacam preferencialmente as espécies Pueraria phaseoloides, Desmodium spp., Stylosanthes spp., Centrosema spp., Leucena spp., e as gramíneas Andropogon spp., Panicum maximum e Brachiaria spp

Amostragem:

  • Cigarrinha das pastagens:

  A amostragem é feita com auxílio de rede de varredura ou succionados através de caminhamento em zig-zag. A coleta é feita a cada 3 passos. O nível de controle adotado é de 4,0 cigarrinhas/passo de captura.

  • Formigas cortadeiras:

  Nível de dano, um formigueiro adulto (> 30 m2 de terra solta) por ha.

Táticas de controle:

  • Variedades Resistentes:

  A utilização de gramíneas resistentes deve ser baseada em pesquisas regionais. Isto evidentemente evitaria a quebra da resistência devido a fatores abiótiocos, variáveis de região para região. Existem espécies de gramíneas que possuem características morfofisiológicas, as quais podem afetar, de alguma maneira, o desenvolvimento do inseto. As espécies Paspalum conjugatum (capim amargoso), Panicum laxum (capim barba-de-bode) e Brachiaria humidicola (Humidicola) são resistentes a formigas.

  • Controle Cultural:

 

  • Altura do pastejo:

  O adequado manejo das pastagens tem levado a bons resultados no controle das cigarrinhas. Recomenda-se manter uma altura do capim entre 25 e 40 cm.

  • Diversificação e consorciação:

  A diversificação das pastagens com espécies nativas e/ou resistentes, assim como a consorciação de gramíneas com leguminosas, pode levar a redução acentuada na população da praga. Recomenda-se a erradicação do capim "Tanner grass", que é altamente susceptível ao percevejo das gramíneas.

  • Calagem:

​​​​​​​  Recomenda-se a calagem do solo pois, o pH menos ácido do solo, pode propiciar aumento da densidade de entomopatógenos, principalmente de bactérias além de contribuir para a migração de cupins para outras áreas.

  • Adubação:

​​​​​​​  O uso de adubação química proporciona maior fertilidade do solo e, assim, as gramíneas forrageiras suportam melhor o ataque de pragas.

  • Formação de pastagem:

  Utilização do sistema barreirão com milho. Isto se deve ao maior revolvimento do solo no sistema barreirão, o que ocasionou a morte dos insetos, não somente pelo efeito mecânico como também à exposição aos raios solares, principalmente no caso das ninfas, por estas necessitarem de maior umidade para o desenvolvimento.

  • Controle Mecânico:

​​​​​​​  Quando se notar os primeiros sinais de invasão das lagartas. Essas medidas são: emprego de rolo-facas sobre a população das lagartas nos pastos, uso de fogo ou ainda abertura de valas para impedir a passagem das mesmas para outros pastos. A destruição dos cupinzeiros, utilizando tratores munidos de lâmina ou broca.

  • Controle Biológico: 

  De todos os tipos de controle o mais difundido é o controle biológico. Esse controle é feito naturalmente por uma série de organismos representados por predadores, parasitas e patógenos (vide controle biológico). O controle biológico é o método mais viável no momento, para o controle de cochonilhas, sendo feito através de microhimenópteros, (Neodusmetia sangwani), que são parasitas. Para as cigarrinhas das pastagens, pode-se fazer o seu controle aplicando M.anisopliae na 2ª e 3ª geração de ninfas; se a população de adultos for elevada na 3ª geração, efetuar uma aplicação de inseticida seletivo mais M. anisopliae. 3.5.

  • Controle Químico:

​​​​​​​  A utilização de inseticidas em grandes áreas é desaconselhável. Porém, os defensivos poderão ser aplicados, ocasionalmente, em áreas de produção de sementes ou em focos com elevada infestação. Em áreas com infestação severa do percevejo castanho, a utilização de culturas anuais durante um ou dois anos, utilizando medidas preventivas (uso de inseticidas no sulco de plantio), contribui para reduzir a população deste inseto bem como os custos de implantação da pastagem.

5 Pragas da soja:

Diagnose:

  • PERCEVEJO VERDE: Nezara viridula, (Heteroptera: Pentatomidae)

  São verdes uniforme; antenas com tons verdes e marrons. Longevidade de 33 dias. Postura com cerca de 100 ovos, colocados na face inferior das folhas, cujo conjunto possui formato hexagonal. As ninfas são escuras com manchas vermelhas. Coloração diversificada nos 5 ínstares. Sugam a seiva das hastes, ramos e vagens ("chochas"). Causam retenção foliar (problema na colheita mecânica) e "soja louca" (vegetação anormal da planta, sem produzir vagens), devido a injeção de toxinas. Causam mancha de levedura nos grãos.

  • PERCEVEJO VERDE PEQUENO: PIEZODORUS GUILDINII, (Heteroptera: Pentatomidae)

  Medem cerca de 10 mm, apresenta cor verde uniforme, antenas verdes com faixa transversal avermelhada no pronoto. Os ovos são pretos, cerca de 20-30 ovos dispostos em linha dupla, geralmente nas vagens. As ninfas apresenta coloração variável, de vermelha, verde e até pretas, com manchas brancas no dorso, nos 5 ínstares. As injúrias são iguais à do N. viridula.

  • PERCEVEJO MARROM: Euschistus heros (Fabr.) ( Heteroptera: Pentatomidae)

  Medem cerca de 13 mm, marrom uniforme, pronoto desenvolvido ("chifrudinho"). Mancha em forma de meia lua branca no ápice do escutelo. Os ovos são amarelos, cerca de 7 ovos dispostos em 2 ou 3 linhas paralelas nas vagens ou folhas da soja. As ninfas são verdes no início, podendo apresentar formas de cor verde, castanho ou acinzentado. Atacam vagens e grãos e provoca a retenção foliar.

  • LAGARTA DA SOJA: ANTICARSIA GEMMATALIS, (Lepidoptera: Noctuidae)

  As mariposas são pardo-acinzentadas com 40 mm de envergadura, listas escuras transversais nas asas e manchas claras, na face ventral das mesmas. Os ovos são brancos, postos isolados ou agrupados (5 a 7) na face inferior das folhas. Uma fêmea pode colocar cerca de 350 ovos. As lagartas atinge até 40 mm de comprimento. Coloração verde (baixa infestação) até preta (alta infestação). Estrias brancas no dorso. Cinco pares de pernas abdominais. Empupam no solo. Alimentam-se de folhas e hastes.

Amostragem:

a) Método de pano (1 m de comprimento) ou pelo índice de desfolha.

b) Nível de Controle:

Táticas de controle:

  • Controle Cultural:

  Para percevejos:

  Uso de variedades de ciclo curto (escapam da época de maior população de percevejos); Plantio em épocas diferentes (influencia na dinâmica de pragas); Uso de cultivares armadilhas (pequena área - 10% do total) nas margens, com variedade mais precoce do que a ser plantada para atrair os percevejos, que serão eliminados com o uso de inseticidas. O caupi (Vigna unguiculata) pode melhorar a atração.

  Para lagartas:

  Espaçamento: a época de semeadura e o uso de diferentes espaçamentos entre linhas pode influenciar nas populações de insetos desfolhadores. Menores densidades de A. gemmatalis e Plusias foram observadas em soja com espaçamento maior e plantadas mais tardiamente.

  Para larvas de coleópteros:

  Preparo do solo para expor larvas à radiação solar e ação de pássaros.

  • Controle por comportamento:

  O uso do sal de cozinha, permite o controle de percevejos via inseticidas, com redução na quantidade empregada (Quadro).   

  QUADRO - Utilização da Mistura de Inseticida com Sal de Cozinha:

 

- A ação do sal de cozinha não é de um atraente, mas sim de um estimulante alimentar, que faz com que haja maior contato entre o inseticida e o percevejo; fazer salmoura separada, diluindo o sal com um pouco de água, depois misturar à água do pulverizador, colocando por último, o inseticida; para equipamentos terrestres (0,5%) = 500 g para cada 100 l de calda preparada; para aplicação aérea: (0,75%); Lavar os equipamentos com detergente neutro ou óleo mineral, após o uso para evitar corrosão.

  • Resistência de plantas:

- Variedade IAC-100: resistência e/ou tolerância ao ataque de percevejos. Genótipo em estudo: IAC 78-2318: resistência múltipla à várias pragas da soja, incluindo lagartas desfolhadoras.

  • Controle Químico;

 

  • Controle Biológico Aplicado:

 - Utilização de Baculovirus anticarsia: Pelo menos 80% das lagartas tem que ter tamanho menor que 1,5 cm.

  Ex: Como o NC = 40 lagartas, então se tiver:

1) 30 lag. pequenas e 10 grandes = não aplicar Baculovirus;

2) 30 lag. pequenas e 11 grandes= esperar atingir 40 lag. grandes e aplica-se o controle químico. 

- Cuidados na aplicação do vírus: o vírus demora até 10 dias para matar as lagartas, mas param de comer após quatro dias da aplicação; quando ficam doentes, vão para os ponteiros;

- Receita caseira: 50 lagartas doentes (± 16 g) maceradas, coadas e diluídas em 100-200 l de água/ha;

- Existe também disponível para os produtores o vírus na formulação pó molhável comercializado por algumas unidades da EMBRAPA/CNPSo (Londrina/PR; UEPAE (Dourados/MS), cooperativas credenciadas e empresas, como NOVA ERA: Biotecnologia Agrícola (Apucarana/PR), TECNIVITA (Mal. Cândido Rondon/ PR) e GERATEC (Porto Alegre/RS), com preços médios de US$ 3-4 dose/ ha;

- Trissolcus basalis (Hymenoptera).

  Cada fêmea parasita, em média 250 ovos de Nezara viridula. Na EMBRAPA/CNPSo, há criação massal deste microhimenóptero para liberação no campo. Liberação nos períodos de menor insolação, em número de duas, no final da floração, em diferentes locais, num total de 15 mil adultos/ ha. Evitar aplicações de defensivos na época de liberação.

6 Pragas do trigo, aveia e cevada:

Diagnose:

  • Pragas do sistema radicular:

a) CORÓS: Coró do trigo (Phyllophaga sp) (Coleoptera: Scarabaeidae)

  Os adultos são besouros de coloração marron-avermelhada brilhante e medem cerca de 2 cm de comprimento por 1 cm de largura. As revoadas são noturnas e concentram-se no mês de outubro. As larvas são brancas, curvas, com a cabeça marron-amarelada (esclerotizada). Passam por três ínstares, até atingirem o tamanho de 4 cm, não constroem galerias permanentes e vivem muito próximo à superfície do solo.

  • BICHO BOLO: Diloboderus abderus.

  O inseto apresenta apenas uma geração por ano (i.e., univoltino), mais associado a sistema de plantio direto. Restos de palhadas são utilizados para a nidificação e alimentação das larvas récem-eclodidas. Os adultos são besouros de coloração preta e medem cerca de 2,5 cm de comprimento por 1,3 cm de largura. Apresentam dimorfismo sexual, os machos apresentam chifre cefálico. Apenas as fêmeas fazem revoadas. As larvas são brancas, curvas, com a cabeça marron-amarelada (esclerotizada). Passam por três ínstares, até atingirem o tamanho de 4 a 5 cm, constróem galerias permanentes e vivem a cerca de 10 a 20 cm de profundidade de solo. Atacam sistema radicular, sementes e, muitas vezes, comem toda a plântula do trigo, que vão puxando para dentro do solo. O terceiro ínstar larval da praga, normalmente coincide com a época de plantio e estágios iniciais de desenvolvimento da cultura de trigo, isto faz com que o potencial de dano da praga aumente. Os prejuízos na produtividade de grãos decorrem da diminuição do estande da lavoura e da redução da capacidade de produção das plantas. Plantas sobreviventes do ataque apresentam-se com menor números de afilhos férteis, atraso no crescimento e espigas pequenas e com menor peso.

Destroem

  • LARVA ARAME: - Conoderus spp. (Coleoptera: Elateridae):

  São besouros marrons avermelhados com cerca de 10 a 15 mm de comprimento e élitros pardos ferrugíneos pontuados com 4 manchas pretas. As larvas são marrons, com 15 a 20 mm de comprimento. Destroem as raízes causando amarelecimento e morte da planta. As touceiras são facilmente destacadas.

  • PULGÃO DAS RAÍZES (Rhopalosiphum rufiabdominale) (Homóptera:Aphididae) 

 

  • Pragas da parte aérea: Lagartas desfolhadoras.
  • LAGARTA-DO-TRIGO: (Pseudaletia sequax) (Lepidoptera: Noctuidae):

  As mariposas apresentam coloração cinza amarelada, com sombreamento de pardo até negro; asas posteriores mais claras; com cerca de 35 mm de envergadura. Ovos são esféricos, branco amarelados, sendo colocados em linhas, presos às folhas e colmos. Lagartas apresentam coloração verde com listras dorsais e longitudinais; lateralmente possuem faixas brancas e amarelas. A pupação pode ocorrer tanto no solo como na planta.

  • LAGARTA MILITAR: (Spodoptera frugiperda) (Lepidoptera: Noctuidae).

 

  • CURUQUERÊ DOS CAPINZAIS: (Mocis latipes) (Lepidoptera: Noctuidae):

   As mariposa medem cerca 42 mm de envergadura; asas de coloração pardo acinzentada. A oviposição é feita nas folhas. As lagartas são de coloração amareladas com estrias longitudinais castanho escuras, por possuírem apenas dois pares de pseudopatas abdominais e hábito típico de se movimentar, são conhecidas vulgarmente como lagartas "medem-palmo". As lagartas alimentam-se de folhas, reduzindo a área foliar e podendo destruí-las completamente as plantas em estágios iniciais de crescimento.

  • PULGÃO VERDE DOS CEREAIS: (Schizaphis graminum, Rhopalosiphum padi) (Homoptera: Aphididae):

  São pulgões de corpo oval, de coloração verde claro brilhante com uma linha longitudinal verde escuro no dorso. Antenas escuras com exceção dos três segmentos basais. Sifúnculos mais claros que o corpo com ápice preto.

  • PULGÃO VERDE-PÀLIDO DAS FOLHAS: (Metopolophium dirhodum) (Homoptera: Aphididae):

  Formas ápteras apresentam coloração verde pálido e amarelo com uma linha longitudinal verde escura na parte alada com o abdome da mesma cor com o tórax castanho escuro succionam seiva nas folhas, injetam toxinas e transmitem doenças como a chamada de “nanismo amarelo da cevada” (VNAC), sendo maiores em plantas menores e menos vigorosas e em anos de seca. Provocam o amarelecimento e necrose da superfície foliar, podendo dar origem à plantas raquíticas e mesmo levá-las à morte.

  

  • PULGÃO DA ESPIGA: (Sitobion avenae) (Homoptera):

  São de coloração em geral verde escuro, sendo as antenas e os sifúnculos quase pretos. Sua codícola tem cerca de 3/4 do comprimento dos sifúnculos. Causam o enrugamento dos grãos e perda do poder germinativo, podendo acarretar danos quantitativos e qualitativos.

  • PERCEVEJO DO TRIGO: Thyanta perditor(Heteroptera: Pentatomidae):

  Adulto com coloração verde-amarelado, apresentam dois espinhos no protórax e medem cerca de 9 a 11 mm de comprimento. Os ovos são colocados em grupos na folha, são cilíndricos, acinzentados e com uma coroa de espinhos de coloração branca. Sucção de seiva dos grãos na fase de enchimento, reduzindo a produtividade e afetando o poder germinativo das sementes.

Amostragem:

  • Pulgões:

  Amostragem semanal de plantas em vários pontos representativos da cultura.

  Nível de controle:

- Para trigo e cevada: da fase de emergência ao perfilhamento (10% de plantas com pulgões), da fase de alongamento ao emborrachamento (10 pulgões/perfilho) e da fase reprodutiva, do espigamento a grão em massa, (10 pulgões/espiga).

- Para aveia: quando destinado para pastagem (10 pulgões/perfilho, desde a fase de emergência até o ponto de pastejo).

- Quando destinado para produção de grãos: fase de emergência até o perfilhamento (10% das plantas com pulgões), fase de perfilhamento até o emborrachamento (20 pulgões/perfilho) e fase de emborrachamento até grãos em massa (20 pulgões/espiga).

  • Lagartas:

  Observar a ocorrência, inicialmente nas áreas acamadas, e preferencialmente aplicar o inseticida biológico quando as lagartas forem inferiores a 2,0 cm.

Táticas de controle:

  • Controle cultural:

- Plantio logo no início do período chuvoso (faz com que, em geral, o ataque de pragas seja menor devido a existência de menor população no início de infestação);

- Rotação de culturas (áreas plantadas anteriormente com gramíneas, geralmente possuem alta população de pragas subterrâneas destas culturas);

- Evitar plantio próximo a outras gramíneas (as quais podem servir de foco para criação de pragas);

- Incorporação dos restos culturais após a colheita;

- Plantio em solo úmido (o desenvolvimento inicial das plantas é maior e estas ficam menos susceptíveis à pragas como lagarta elasmo);

- Plantio de variedades de ciclo curto diminui o período em que a planta fica exposta ao ataque de pragas;

- Adubação equilibrada (o excesso de nitrogênio favorece o ataque de lagartas desfolhadoras);

- Preparo do solo (exposição de pragas subterrâneas à ação de pássaros e radiação solar).

- incorporação profunda de restos culturais.

  • Controle biológico.

  Aplicado: 

  Uso de Bacillus thuringiensis no controle de lagartas; Liberação de parasitóides, pelo Centro Nacional de Pequisa do Trigo (CNPT) das seguintes espécies: Aphelinus asychis, Aphidius ervi, A. rhopalosiphi, A. uzbekistanicus, Ephedrus plagiator, Praon gallium, P. volucre e Aphidius testaceipes.

  • Controle químico.