Como dar polimentos em carros
Polimento e Cristalização de Veículos
1 O que é Polimento Automotivo:
É o processo pelo qual se remove a camada superficial da repintura, eliminando assim, pequenos riscos, contaminações (impurezas) e alguns defeitos, tais como, excesso de casca de laranja ou pequenos escorridos. É aplicado, também, para realçar o brilho de pinturas calcinadas (queimadas).
O polimento também serve como base para aplicação de ceras, vitrificadores e qualquer outro tipo de proteção
Obs.: Se a aplicação da tinta ou verniz for efetuada dentro dos padrões estabelecidos pelos fabricantes, pode-se dispensar o polimento, pois há produtos que já reproduzem o brilho desejado.
Uso de EPIS - Equipamento de Proteção Individual:
Durante o polimento, o profissional deve utilizar Equipamentos de Proteção Individual – EPI’s
Polimento da Repintura:
Polimento de Repintura tem como função corrigir defeitos gerados na repintura, tais como: ciscos, pequenos escorridos e excesso de casca de laranja.
Trata-se de um procedimento realizado com intuito de corrigir ou reativar o brilho na pintura.
Polimento Técnico de Detalhamento:
Método de polimento detalhado, trata-se de um cuidado minucioso com a lataria do veículo, respeitando as etapas corretas de lavagem, descontaminação, corte, refino, lustro, super lustro e proteção. Tal processo faz com que a pintura do carro fique renovada.
2 Equipamentos e Acessórios:
Lixadeira Roto Orbital (elétricas/ pneumátricas)
Esta ferramenta pode ser elétrica ou pneumática. É utilizada no lixamento do verniz e da tinta.
Sua característica principal é a forma de trabalho, quando o desenho formado pelo desbaste e atrito da lixa na superfície é uniforme e leve, não deixando riscos profundos no filme da tinta, facilitando o polimento.
O sistema de fixação das lixas é geralmente feito com velcro. Podem ou não possuir sistemas de captação do pó no momento do lixamento, o que é exigido no lixamento a seco.
A lixadeira deve ser utilizada com um ângulo de 10 a 15 graus, evitando causar maiores defeitos (cabelo de anjo, marca de cd etc.).
Estas ferramentas reduzem consideravelmente o tempo de trabalho, se comparadas ao sistema manual.
Politrizes (Roto Orbital / Rotativa / Forçada Roto Orbital)
Quando se busca produtividade sem perder qualidade final do produto, é necessário que se busquem métodos otimizados. Alguns equipamentos como as politrizes e seus acessórios representam bem esta alternativa produtiva, pois agilizam os processos operacionais e obtêm-se melhores resultados no que se refere à quantidade e à qualidade final.
Existe no mercado uma grande variedade de equipamentos pneumáticos e elétricos para polimento. As rotações de trabalho podem variar de 600 RPM a 4800 RPM (rotação por minuto) ou 1800 OPM a 10000 OPM (oscilações por minuto). Além disso possuem diâmetros de suporte para boinas diferentes que auxiliam a sua utilização em áreas menores.
Suporte de Boina
São equipamentos tipos prato, com diâmetro entre 3” a 7”, disponíveis com velcro. Esses equipamentos podem, ainda, ser rígidos ou flexíveis para melhor se adaptarem ao ângulo da peça que será polida.
Boinas Dupla Face ou Face Única (Lã / Espuma / Microfibra).
Boinas são acessórios indispensáveis para o polimento, pois com sua natureza abrasiva, porém macia, proporciona ótimo rendimento operacional sem causar riscos ou danos à área a ser polida. Para melhor produtividade, devem-se escolher sempre as boinas conforme sua abrasividade. As boinas podem ser confeccionadas com lã de carneiro, lã sintética, espuma de poliuretano ou microfibra. Todos os tipos de boinas podem ser encontrados com fixação através de velcro ou dupla face com adaptador de rosca, que se encaixam facilmente a todos os equipamentos disponíveis, sendo eles elétricos ou pneumáticos.
3 Etapas do Polimento:
Fluxo para Polimento Técnico de Repintura:
1. Análise da Superfície:
Verificar os Tipos de Defeitos.
- Casca de Laranja (Excesso): Textura acentuada, aspecto grosseiro que ofusca o brilho da pintura.
- Cisco (Grumos): Pequenos pontos dispersos na superfície, provenientes do excesso de pulverização ou sujeira no ambiente, também ocasionado por limpeza ineficiente antes da pintura.
- Escorrido: Defeito ocasionado por aplicação fora dos parâmetros normais, descontinuidade dos movimentos ou não aproveitamento do leque de pulverização causando falhas ou excesso de produto, bico de pistola inadequado, defeito na capa de ar da pistola e erro de aplicação.
- Perda de brilho: Camada de tinta / verniz recém aplicada não apresenta o brilho esperado.
2. Mascaramento:
Para ajudar a reduzir o risco de danificar e proteger qualquer parte do veículo durante o polimento é prudente utilizar a fita crepe automotiva e o papel /plástico de mascaramento para isolar frisos, plásticos, borrachas, vidros, retrovisores, faróis, lanternas e emblemas. Desta forma também se reduz o tempo de limpeza.
3. Lixamento:
O lixamento tem por finalidade eliminar possíveis imperfeições da superfície pintada, que requer desbaste mais controlado para que não haja remoção em excesso da película de tinta e verniz visando facilitar o polimento. Pode ser realizado de forma manual ou com o auxílio da lixadeira roto orbital. Existem no mercado opções de lixamento a seco ou úmido (manual ou disco).
Durante este procedimento, os grãos das lixas utilizadas podem variar de acordo com o defeito a ser corrigido. Exemplo: 1500, 2000, 2500, 3000, 5000.
Obs.: O lixamento deve ser suave de forma orientada (vertical/horizontal), proporcionando rapidez e facilidade no polimento.
Tipos de Lixamento:
4. Etapa de Corte - Polidores:
São produtos desenvolvidos com a finalidade de ativar e restaurar as pinturas automotivas e, de modo geral, contêm em sua fórmula elementos micros abrasivos e são normalmente fornecidos em pasta ou líquido.
Oferecem grande diversidade de desempenho, visando recuperar o brilho e eliminar diferentes problemas de pintura. São indicados para a manutenção e conservação do aspecto de brilho e cor das pinturas dos automóveis antigos ou atuais.
O objetivo é eliminar todos os riscos de lixa, aplicando uma pequena quantidade de polidor abrasivo na região a ser polida. Esse processo pode ser manual ou mecânico.
Obs.: Assegure-se de que a superfície esteja limpa e seca.
5. Etapa de refino - Pré-Lustro:
Nesta etapa a finalidade é de remover as marcas de corte deixadas pelo processo realizado anteriormente como, por exemplo: hologramas, teias de aranha, marcas de boina e todas as marcas que ficaram sobre a pintura.
O refino é efetuado somente nos casos em que o profissional busca por um melhor resultado final no polimento. Para realizar essa etapa é necessário a utilização de um polidor para refino e uma boina macia.
Etapa de Lustro - Realçador de Brilho:
Lustradores são produtos com foco no acabamento, remoção de marcas de boina, holografias e outras marcas. Possui pouca agressividade, mas com muita capacidade de acabamento. O lustro vai devolver e realçar o brilho intenso do verniz.
Observações: Não utilizar nenhum tipo de selante à base de cera ou silicone sobre a superfície repintada antes de 30 dias.
Tanto a cera quanto o silicone impermeabilizam a superfície dificultando a evaporação dos solventes da pintura causando possível queda de brilho.
4 Fluxo para Polimento Técnico de Detalhamento:
Este Processo visa melhorar a aparência e uniformizar a pintura do veículo, aplicando um selante, espelhamento ou vitrificação.
É aplicado também, para realçar o brilho do acabamento, proteger superfícies com pintura original e restaurar o brilho em pinturas opacas.
a. Lavagem Detalhada
- 1° Etapa: Em primeiro lugar, utilize a lavadora de alta pressão para fazer uma pré-lavagem removendo todo o excesso de sujeira do veículo. Não se esqueça de limpar as grades, rodas, pneus, caixas de roda e levantar as palhetas.
- 2° Etapa: A segunda etapa é limpar a caixa de roda, porque assim você evita que a sujeira caia nos pneus e na lataria limpa. Aplique o produto adequado para esta função com o pulverizador na caixa de roda, e aguarde alguns minutos para o produto fazer efeito. A esfregação deve ser feita com a escova de cabo longo, remova toda sujeira.
- 3° Etapa: Com a snow foam conectada ao compressor, jogue a espuma em toda parte externa do carro incluindo as rodas e aguarde alguns minutos para o que o produto faça efeito facilitando a remoção de sujeiras impregnadas.
- 4° Etapa: Utilizando a luva de esfregação manual, esfregue toda a superfície do carro incluindo o para-brisa, retrovisor e pneus. Com o pincel de detalhamento faça a limpeza detalhada das rodas, grades, emblemas, maçanetas e palhetas. Após terminar a esfregação, remova toda a espuma com a lavadora de alta pressão.
- 5° Etapa: Secar todo o veículo e dar o acabamento da lataria, caixa de roda e pneus.
b. Descontaminação
A descontaminação da pintura é um processo para remover quaisquer impurezas que possa danificar as camadas de pinturas e rodas.
Algumas dessas contaminações apenas atrapalham a estética do carro, outras já são mais agressivas, fixando abaixo do verniz e se não for removida podem começar a corroer e oxidar a carroceria.
E como saber se a pintura do carro está contaminada?
Passe a sua mão sobre a pintura do carro com auxílio de plástico, e se realmente estiver contaminada você vai sentir como se tivesse alguns “grãos de areia” na superfície, e é exatamente essa aspereza que indica que a pintura está contaminada.
A descontaminação da pintura deve ser feita com a massa abrasiva e/ou acessório e um lubrificante.
Exemplo de utilização:
1° - Divida a massa abrasiva em duas partes iguais e molde uma das partes em sua mão para que cubra os quatro dedos.
2° - Faça a descontaminação por partes.
3° - Faça uma leve esfregação em movimentos horizontais ou verticais sobre o local em que você aplicou o lubrificante. Finalize com um pano de microfibra seco para remover todo o produto e dar o acabamento na pintura.
4º - Importante que após este processo você faça novamente a análise da superfície com a mão para ver se ainda sobrou algum resquício de contaminação. Repita o processo de descontaminação por todo carro (apenas áreas externas), inclusive vidros e faróis.
c - Avaliação / inspeção da pintura
Essa etapa serve para identificar imperfeições como riscos, manchas e espessura do verniz. Esta avaliação serve para decidir qual será o melhor procedimento de reparo a ser adotado.
Como avaliar a pintura
Primeiro, observe bem cada detalhe do carro e faça um check-list, anote se há riscos, manchas, calcinações (queimaduras), oxidações e pequenos amassados. Nessa observação é extremamente importante que você consiga diferenciar se o dano é superficial ou profundo.
Riscos: mesmo em carros novos, não é difícil encontrar pequenos riscos superficiais causados principalmente por pedrinhas e lavagens. Já os riscos profundos que ultrapassaram o verniz removendo tinta, a única forma de resolver é fazendo uma repintura.
Hologramas: são marcas finas de polimento agressivo ou feito de forma incorreta, facilmente observada em veículos escuros quando submetidos à luz.
Swirls ou teia de aranha: são riscos em formato de círculos ocasionados principalmente com esfregações em movimentos circulares no momento da lavagem. Este defeito causa riscos superficiais na pintura.
Manchas: na maioria das vezes as manchas são ocasionadas por chuvas ácidas e produtos que ficaram na superfície.
Medição de espessura: Utilize um Medidor de Espessura para realizar a leitura da espessura de tinta que se encontra no veículo. Uma faixa segura de trabalho é entre 120 a 180 microns (μm). d.
Configuração de polimento automotivo:
É importante que você saiba que cada fabricante trabalha com um tipo diferente de verniz, por esse motivo faça um setup numa peça antes de realizar o polimento em todo veículo. Inicie sempre com produtos e equipamentos de menor abrasividade.
Este setup é para que você possa definir qual a melhor combinação de produtos, equipamentos e processos de polimento a ser aplicado. Saber o tipo de verniz vai auxiliar em determinar o tempo, a quantidade de materiais e produtos, ajudando o profissional a definir o orçamento.
Verniz macio: Os veículos com verniz macio possuem sua Dureza Escala Grafite entre F e H.Neste caso não há a necessidade de trabalhar com cortes agressivos.
Verniz médio: Os veículos com verniz macio/médio possuem sua Dureza Escala Grafite entre H e 2H. Já Os carros com verniz médio/duro possuem sua Dureza Escala Grafite entre 2H e 3H. Neste tipo de verniz o processo do corte pode ser feito sem a necessidade de colocar muita pressão.
Verniz duro: Os veículos com verniz duro possuem sua Dureza Escala Grafite entre 3H e 4H. Esse tipo de verniz é mais utilizado em carros superesportivos. Durante o polimento terá que colocar um pouco mais de pressão para conseguir remover riscos profundos.
e - Mascaramento
O mascaramento ou empapelamento visa o isolamento das partes que não passarão pelo processo de polimento. Essa ação é de fundamental importância, pois evitará que o excesso de produto e o pó produzido na hora do polimento penetrem em partes de difícil remoção. Outra função elementar será a de proteger as peças mais delicadas do veículo, portanto é fundamental a realização desse procedimento.
f. Etapas de Polimento (Corte, Refino e Lustro):
Comece fazendo um teste para ver se o setup que você escolheu realmente é o mais correto, por exemplo, divida o capô em duas partes. Recomenda-se que comece sempre com as boinas e compostos menos abrasivos.
Corte: É a etapa mais agressiva do processo de polimento, onde a combinação máquina, boinas e produtos trabalham em um nível de abrasão maior do que nas demais etapas. Um corte limpo e bem feito garante rapidez no processo de refino e lustro. Nesta etapa são utilizados os compostos e polidores com poder de corte entre moderado e agressivo.
Refino: Para realizar essa etapa é necessário a utilização de um polidor para refino. O objetivo é remover as marcas do processo de corte, hologramas, teias de aranha, marcas de boina e todas as marcas que ficaram sobre a pintura. Refino é menos agressivo que o corte, porém possui mais poder de acabamento.
Lustro: Essa etapa busca o acabamento final do polimento, corrigindo defeitos mais suaves, promovendo mais brilho para pintura. Possui pouca abrasividade e alta capacidade de acabamento. O lustro vai devolver e realçar o brilho intenso do verniz.
g. Proteção de Pintura (Ceras, Selantes e Vitrificadores)
A proteção é uma maneira muito eficaz de proteger a pintura do veículo. O uso deste produto é capaz de evitar danos causados pelos raios ultravioletas e os terríveis dejetos de pássaros que tanto danificam a lataria do carro. Além disso, facilita as lavagens futuras evitando que a sujeira fixe na superfície automotiva.
Cera
A Cera de carnaúba tem a propriedade de aumentar o brilho da pintura, tornando-a ainda mais atraente. É um produto que foi desenvolvido com carnaúba e polímeros que protegem a pintura. De fácil aplicação e remoção, proporciona um excelente acabamento com proteção e brilho
Selante
O selante é um produto que foi desenvolvido para proporcionar maior durabilidade á pintura por alguns meses. A barreira de proteção que os selantes fornecem deixam a pintura com uma proteção hidrofóbica, e assim ajudam a minimizar a contaminação da pintura. Desenvolvida com alta tecnologia de polímeros hidrofóbicos, repelem a água e aumentam a profundidade e intensidade de cor e brilho.
Obs. Os selantes podem ser utilizados em combinação com as ceras.
Vitrificador
Os vitrificadores possuem em sua fórmula moléculas de silício, proporcionando maior proteção às áreas que recebem a aplicação. A vitrificação é o processo de revestimento de superfícies veiculares, considerada uma das formas mais eficazes de proteger plásticos, pintura, vidros, faróis, couro, etc. Podem durar vários anos e oferecer elevada resistência aos raios UV, proteção térmica, efeito hidrorrepelente, entre outros benefícios.
h. Conservação de outras superfícies