Técnicas em Construção Civil
Desenho Arquitetônico e Construção Civil
1 COBERTURA
O telhado compõe-se da estrutura, cobertura e dos condutores de águas pluviais.
- A estrutura: é o elemento de apoio da cobertura, que pode ser: de madeira, metálica, etc...
- A cobertura: é o elemento de proteção, que pode ser: cerâmico, de fibrocimento, alumínio, de chapa galvanizada, etc...
- Os condutores: são para o escoamento conveniente das águas de chuva e constituem-se de: calhas, coletores, rufos e rincões, são de chapas galvanizadas e de p.v.c.
ESTRUTURAS DE MADEIRA
Para facilitar, podemos dividir a estrutura em armação e trama. A armação é a parte estrutural, constituída pelas tesouras, cantoneiras, escoras, etc... e a trama é o quadriculado constituído de terças, caibros e ripas, que se apoiam sobre a armação e por sua vez servem de apoio às telhas.
Materiais utilizados nas estruturas
a) - madeira:
Podemos utilizar todas as madeiras de lei para a estrutura de telhado (Tabela 6.1), no entanto a peroba tem sido a madeira mais utilizada.
- Resistência à compressão (fc), a 15% de umidade, igual ou superior a 55,5 MPa.
- Módulo de ruptura à tração igual ou superior a 13,5 MPa.
As madeiras estão divididas em grupos segundo as suas características mecânicas. A cabreúva vermelha, coração de negro, faveiro, anjico preto, guaratã e taiuva têm alta dureza, portanto devemos ter cuidado ao manuseá-las. As madeiras serradas das toras já são padronizadas em bitolas comerciais. No entanto, existem casos onde o dimensionamento das peças exigem peças maiores ou diferentes, assim sendo deve-se partir para seções compostas (nestes casos estudadas na disciplina Estruturas de Madeira).
- Vigas: 6 x 12cm ou 6 x 16cm, comprimento 2,5; 3,0; 3,5; 4,0; 4,5; 5,0m
- Caibros: 5 x 6 cm ou 5 x 7 (6 x 8)cm, comprimento 2,5; 3,0; 3,5; 4,0; 4,5; 5,0m
- Ripas: 1,0 x 5,0 cm; geralmente com 4,50m de comprimento e são vendidas por dúzia.
Obs. Para bitolas diferentes ou comprimentos maiores, o preço da peça aumenta.
b) - peças metálicas: As peças metálicas utilizadas em estruturas de telhado são os pregos, os parafusos, chapas de aço para os estribos e presilhas.
Os pregos mais utilizados são:
- 22 x 42 ou 22 x 48 - para pregar as vigas
- 22 x 42 ou 19 x 39 - para pregar os caibros
- 15 x 15 - para pregar as ripas.
Os pregos obedecem as normas EB-73 e PB-58/ ABNT. A designação dos pregos com cabeça será por dois nº s. a x b .
a = refere ao diâmetro, é o nº do prego na Fiera Paris ex: 15 = 2,4 mm 18 = 3,4 mm
b = representa o comprimento medido em linhas - 2,3 mm, unidade correspondente a 1/12 da polegada antiga.
2 Peças utilizadas nas estruturas de telhado
a) Tesoura dos telhados
As tesouras são muito eficientes para vencer vãos sem apoio intermediários. São estruturas planas verticais que recebem cargas paralelamente ao seu plano, transmitindo-as aos seus apoios. Geralmente são compostas por:
- Frechal: Peça colocada sobre a parede e sob a tesoura, para distribuir a carga do telhado.
- Perna: Peças de sustentação da terça, indo do ponto de apoio da tesoura do telhado ao cume, geralmente trabalham à compressão.
- Linha: Peça que corre ao longo da parte inferior de tesoura e vai de apoio a apoio, geralmente trabalham à tração.
- Estribo: São ferragens que garantem a união entre as peças das tesouras. Podem trabalhar à tração ou cisalhamento.
- Pendural e tirante: Peças que ligam a linha à perna e se encontram em posição perpendicular ao plano da linha. Denomina-se pendural quando a sua posição é no cume, e nos demais tirante. Geralmente trabalham à tração.
- Asna e escoras: São peças de ligação entre a linha e a perna, encontram-se, geralmente, em posição oblíqua ao plano da linha, denomina-se asna a que sai do pé do pendural, as demais de escoras. Geralmente trabalham à compressão.
Em tesouras simples no mínimo devemos saber:
- Vãos até 3,00m não precisam de escoras.
- Vãos acima de 8,00m deve-se colocar tirantes.
- O espaçamento ideal para as tesouras deve ficar na ordem de 3,0 m.
- O ângulo entre a perna e a linha é chamado de inclinação;
- O ponto é a relação entre a altura da cumeeira e o vão da tesoura.
- A distância máxima entre o local de intersecção dos eixos da perna e da linha é a face de apoio da tesoura deverá ser ≤ 5,0 cm.
- As tesouras devem ser contraventadas, com mãos francesas e diagonais na linha da cumeeira.
c) Terças As terças apoiam-se sobre as tesouras consecutivas ou pontaletes, e suas bitolas dependem do espaço entre elas (vão livre entre tesouras), do tipo de madeira e da telha empregada.
- Bitolas de 6 x 12 se o vão entre tesouras não exceder a 2,50 m.
- Bitolas de 6 x 16 para vãos entre 2,50 a 3,50 m.
Estes vãos são para as madeiras secas. Caso não se tenha certeza, devemos diminuir ou efetuar os cálculos mais precisa e que leva em consideração o tipo de madeira e de telha: Para vãos maiores que 3,50 m devemos utilizar bitolas especiais o que não é aconselhável pelo seu custo. As terças são peças horizontais colocadas em direção perpendicular às tesouras e recebem o nome de cumeeiras quando são colocadas na parte mais alta do telhado (cume), e contra frechal na parte baixa.
As terças devem ser apoiadas nos nós das tesouras.
d) Caibros Os caibros são colocados em direção perpendicular às terças, portanto paralela às tesouras. São inclinados, sendo que seu declive determina o caimento do telhado. A bitola do caibro varia com o espaçamento das terças, com o tipo de madeira e da telha.
- Terças espaçadas até 2,00 m usamos caibros de 5 x 6.
- Quando as terças excederem a 2,00 m e não ultrapassarem a 2,50m, usamos caibros de 5x7 (6x8).
Os caibros são colocados com uma distância máxima de 0,50m (eixo a eixo) para que se possa usar ripas comuns de peroba 1x5.
e) Ripas As ripas são a última parte da trama e são pregadas perpendicularmente aos caibros. São encontradas com seções de 1,0x5,0cm (1,2x5,0cm). O espaçamento entre ripas depende da telha utilizada. Para a colocação das ripas é necessário que se tenha na obra algumas telhas para medir a sua galga. Elas são colocadas do beiral para a cumeeira, iniciando-se com duas ripas ou sobre testeira. Portanto, para garantir esse espaçamento constante, o carpinteiro prepara uma guia (galga).
As ripas suportam o peso da telhas, devemos portanto, verificar o espaçamento entre os caibros. Se este espaçamento for de 0,50 em 0,50m, podemos utilizar as ripas 1,0x5,0m. Se for maior, utilizamos sarrafos de 2,5x5,0m (peroba).
3 Ligações e emendas
Na construção das estruturas de telhado faz-se necessário executar ligações e emendas, com encaixes precisos para isso devemos saber:
Recorte: - h = altura da peça
- r = recorte, r ≥ 2cm
- 1/8 h ≤ r ≤ 1/4 h
As emendas das terças devem estar sobre os apoios, ou aproximadamente 1/4 do vão, no sentido do diagrama dos momentos fletores, com chanfros à 45° para o uso de pregos ou parafusos.
4 Telhado pontaletado
Podemos construir o telhado sem o uso de tesouras. Para isso, devemos apoiar as terças em estruturas de concreto ou em pontaletes. Em construções residenciais, as paredes internas e as lajes oferecem apoios intermediários. Nesses casos, portanto, o custo da estrutura é menor. O pontalete trabalha à compressão e é fixado em um berço de madeira apoiado na laje. Sendo assim, a laje recebe uma carga distribuída. Nas lajes maciças, onde tudo é calculado, podemos apoiar em qualquer ponto. Entretanto na lajes pré não devemos apoiar sobre as mesmas e sim na direção das paredes.
Havendo necessidade de se colocar um pontalete fora das paredes, é necessário que se faça uma viga de concreto invertida para vão grandes ou vigas de madeira nos vãos pequenos. Devemos ainda, ter algumas precauções como:
- A distância dos pontaletes deve ser igual a das tesouras.
- A distância entre as terças deve ser igual à distância das mesmas quando apoiadas nas tesoura
- Deverá ser acrescido aos pontaletes, berço (de no mínimo 40cm) para distribuir melhor os esforços, mãos francesas (nas duas direções do pontalete) ou tirantes chumbados nas lajes para dar estabilidade ao conjunto.
5 Recomendações.
- Reconhece-se um bom trabalho de carpinteiro, quando os alinhamentos das peças são perfeitos, formando cada painel do telhado um plano uniforme. Um madeiramento defeituoso nos dará um telhado ondulado e de péssimo aspecto.
- Não devemos esquecer a colocação da caixa dágua, antes do término, pelo carpinteiro, do madeiramento.
- Quando o prego for menor do que a peça que ele tem que penetrar, deve ser colocado em ângulo. Coloque-o numa posição próxima e inclinada suficiente para que penetre metade de sua dimensão em uma peça e metade em outra. O ideal seria o prego penetrar 2/3.
- Quando tiver que pregar a ponta de uma peça em outra, incline os pregos para que estes não penetrem paralelamente às fibras e sim o mais perpendicular possível a elas.