Sistemas de Embreagem

Mecânica de Caminhões

1 Sistemas de Embreagem

Introdução

Este módulo trata do sistema de acionamento hidropneumático. O sistema em pauta é constituido por um servo mecanismo de atuação hidráulica e pneumática, destinado a diminuir o esforço do condutor para acionar o pedal da embreagem.

Além disso, possibilita uma operação suave e precisa do sistema de embreagem. Geralmente é aplicada em veículos cujas embreagens exigem uma força de debreagem bastante elevada.

Funcionamento do servo

Debreagem

Ao se aplicar o pedal da embreagem, este aciona o cilindro mestre, gerando uma pressão hidráulica que atua diretamente atrás do êmbolo hidráulico, que por sua vez comunica-se com a câmara hidráulica. Esta pressão atua sobre o diafragma que empurra o êmbolo de comando contra a válvula pneumática e esta, ao ser deslocada, permite a entrada do ar comprimido, ligado através da conexão para dentro do corpo pneumático, auxiliando o acionamento da embreagem e produzindo a debreagem.

Obviamente, para que não haja vazamento, na região frontal da válvula pneumática há uma vedação que impede a descarga e/ou vazamento do ar.

Posição de pressão constante

Quando se aplica parcialmente o pedal ou se pretende um acoplamento parcial da embreagem, há um momento em que as pressões hidráulica e pneumática são igualadas e a válvula de pneumática faz seu retentor tocar em sua sede, vedando a entrada do ar e ao mesmo tempo, forçada pela pressão hidráulica, a válvula de comando hidráulico mantém vedada a descarga do ar – o sistema entra em equilíbrio.

Este fenômeno é o que permite aplicação e/ou desaplicação parcial da embreagem, bem como possibilita ao condutor do veículo regular o acoplamento da embreagem segundo sua vontade.

Desaplicação do pedal

Quando o pedal da embreagem é desaplicado há um alívio da pressão hidráulica e a mola do êmbolo de comando hidráulico o empurra para traz, contra o diafragma, abrindo a passagem de ar entre este e a válvula pneumática, permitindo que o ar escape para a atmosfera através da válvula de descarga.

Neste caso a embreagem passa a ficar completamente acoplada.

 

Ajuste do servo

Este servo não requer qualquer regulagem a não ser que seja do tipo que possua o dispositivo indicador de desgaste do disco da embreagem. A regulagem é feita somente no próprio indicador de desgaste conforme instrução abaixo e com o sistema montado no veículo.

Nota: A construção da pedaleira dos veículos que possuem sistema de acionamento com servo hidropneumático difere dos que dispõe de sistema hidráulico puro no que tange a ângulos, regulagem das molas de dupla ação e necessitam de molas de retorno do pedal

 

Certifique-se de que o sistema esteja corretamente sangrado, que o conjunto pedal da embreagem corretamente regulado – ver “Regulagem dos pedais” – e que o disco de embreagem seja novo.

  • Acione a embreagem pelo menos 3 vezes para acomodar o sistema.
  • Remova a capa protetora (4) com cuidado para não quebrar o corpo plástico do indicador (5).
  • Solte a porca (2) e ajuste o parafuso oco (7) de modo que o topo da haste (3) faceie/tangencie o topo do parafuso oco (7), conforme indicado na figura – “Posição disco novo”. Durante o ajuste, o pedal da embreagem deve estar em repouso.
  • Aperte a porca (2) e reinstale a capa protetora

Nota: Caso o servo em uso tenha que ser substituído, sem que o disco seja trocado, a profundidade da haste deverá ser medida e o indicador do novo servo, regulado com a mesma medida do que foi substituído.

O cilindro hidropneumático com indicador de desgaste pode substituir o anterior, porém o contrário não é recomendável.

Nota 1: Como para o ajuste do indicador de desgaste do disco de embreagem o parâmetro é a condição de “disco de embreagem novo”, recomendamos que a instalação deste novo cilindro do servo seja feita quando da substituição do disco da embreagem.

Nota 2: No momento da reparação do servo, é possível modificar o servo sem indicador de desgaste e instalar o indicador, sendo necessário, para tanto, que se utilize várias peças do novo modelo.

Ao acionar o pedal da embreagem a pressão hidráulica aumenta movimentando com isso o êmbolo de reação (3) na direção da seta. Com este movimento é fechado primeiramente a sede superior da válvula de controle (4a) e em seguida o orifício de descarga de ar (6).

Aumentando o deslocamento do êmbolo de reação, a válvula de controle afasta-se de sua sede inferior (4b) permitindo a entrada de ar comprimido para a câmara pneumática (5). O êmbolo (7) desloca-se na direção da seta branca. À medida que a haste do êmbolo (2) se desloca, o fluído hidráulico ocupa o espaço extra (10) e a pressão hidráulica é reduzida progressivamente até corresponder à posição em que se encontra o pedal da embreagem.

A redução da pressão hidráulica permite que a pressão de ar retorne a válvula de controle à sua sede fechando a entrada de ar. As pressões estão agora estabilizadas e o êmbolo do cilindro e o êmbolo de reação permanecerão nestas posições até haver alteração na pressão hidráulica.

Ao reduzir-se a pressão hidráulica, a mola de pressão (11) retorna o êmbolo de reação abrindo a sede superior da válvula de controle (4a), bem como o orifício de descarga (6).

Assim, o ar pode sair de câmara pneumática.

Válvula indicadora

À medida que o(s) disco(s) de fricção se desgasta(m), a alavanca do garfo da embreagem gradualmente posiciona-se mais para trás levando consigo o êmbolo (7) mais para o fundo do cilindro (1). Eventualmente, o êmbolo recua o bastante para acionar o êmbolo da válvula indicadora (8). A arruela de latão (9) é então forçada contra seu batente, entortando-se e travando a válvula na posição aberta. Assim sendo, o ar da câmara pneumática (5) pode sair para atmosfera não havendo então mais a ação do servo

A haste do êmbolo (2) e a câmara hidráulica (10) funcionam então como um cilindro hidráulico comum para movimentar a alavanca do garfo da embreagem. Sem a ação servo é exigido muito mais esforço para acionar o pedal, indicando assim ao motorista, que é necessário substituir o(s) disco(s) de fricção.

2 Indicador de desgaste do disco de embreagem (Chassi e Ônibus)

O indicador de desgaste (1) é um dispositivo que deve ser verificado periódicamente e mostra o nível de desgaste do disco sem que seja necessário desmontar o conjunto para verificar.

Quando na posição de repouso, o dente (b) estiver alinhado com a face (2) da haste do cilindro hidráulico ou com a ranhura (2) da alavanca de acionamento do garfo da embreagem, significa que o disco da embreagem atingiu o limite máximo de desgaste devendo, portanto ser substituído. Após a instalação do disco novo, ajustar o indicador de desgaste de forma que o dente (a) fique coincidindo com o ponto (2) da haste do servo ou cilindro receptor.

Nota: Modelos mais modernos saem de fábrica com o indicador de desgaste instalado diretamente no servo da embreagem.

 

3 Manutenção periódica do sistema de embreagem

Conforme recomendação da Mercedes-Benz, segundo os diversos planos de manutenção sugerimos executar periódicamente os seguintes serviços:

Lubrificação do mancal

Graxas Recomendadas: UNIMOLY GLP2 ou MOLIKOTE LONGTERM 2

Nota: Nos veículos mais novos, são utilizados rolamentos que dispensam o uso de graxa – ver “substituição dos rolamentos de embreagem”.

Verificação do desgaste do disco

Nota: Verificar detalhes em “Regulagens dos Sistemas de Acionamento”

Nível de fluído

Verificar o nível de fluído. Caso o fluído esteja abaixo da marca Min., verificar a estanqueidade do sistema antes de completar o nível. Usar somente fluídos recomendados.

Nota: Ver fluídos recomendados no capítulo de “Produtos Recomendados para o Sistema de Embreagem”.

Drenar o sistema pneumático

Deslocar lateralmente ou comprimir a haste da válvula de drenagem de cada um dos reservatórios de ar, até que saia por completo toda a água condensada.

Nota 1: Nos veículos equipados com válvula de drenagem automática ou com secador, não tem porque haver água condensada nos depósitos, mas é admissível que apareça um pouco de umidade ao abrir a válvula de drenagem.

Nota 2: A presença de óleo indica problemas com o compressor e a água em excesso indica problemas na válvula de drenagem automática ou no secador.

Substituição do fluído (a cada ano)

A substituição periódica é necessária porque o fluído de freio é uma substância orgânica que se altera com o tempo, pelo efeito de temperatura e também porque é higroscópico, ou seja, absorve umidade do ar.

Tais fatores levam à degeneração do mesmo.

1) Conectar a tampa do dispositivo de sangria;


2) Regular a pressão de serviço do aparelho de sangria para 1 bar;


3) Retirar o guarda-pó do parafuso de sangria e conectar uma mangueira
transparente para coletar o fluído.


4) Soltar o parafuso de sangria e manter aberto até que o novo fluído de freio
comece a sair, sem borbulhas de ar.


5) Fechar o parafuso de sangria, retirar a mangueira e colocar o guarda-pó.


6) Acionar o sistema várias vezes para se certificar de que não há mais ar no sistema

Nota: Antes dos procedimentos acima, desconectar a tubulação de fluído do servo ou do cilindro secundário e passar ar no sistema afim de eliminar todo o fluído velho e impurezas do sistema.