1
A Inserção da Música na Educação Infantil
2
A Música Uma Linguagem no Aprender Infantil
3
A arte e a música no contexto da alfabetização
4
Relação entre música,alfabetização e letramento
5
A importância da música na aprendizagem
6
Músicas Infantis
7
A música e o desenvolvimento cognitivo infantil
8
A Música e suas Metodologias
A Música e suas Metodologias
Música na Educação Infantil
1 Ensino da música:
Nas escolas:
Para o especialista inglês, é fundamental unir atividades de execução, apreciação e criação para que os alunos se desenvolvam artisticamente.
Professor emérito do Instituto de Educação da Universidade de Londres e formado pela Royal Academy of Music, o mais aclamado conservatório musical da Grã-Bretanha, ele criou teorias sobre o desenvolvimento musical de crianças e adolescentes e investigou diferentes maneiras de ensinar o conteúdo.
Criou teorias sobre o desenvolvimento musical das crianças e adolescentes investigando maneiras diferentes de ensinar o conteúdo."Os interesses musicais dos alunos são muito variados: alguns gostam de ouvir, outros querem compor ou ainda cantar e tocar. O professor precisa dominar um leque de atividades para atender a essas demandas", ou seja , deve estar bem preparado.
O essencial é respeitar o estágio em que cada aluno se encontra. Tendo isso em mente, é preciso seguir três princípios.
1. Preocupar-se com a capacidade da criança de entender o que é proposto.
2. Observar o que ela traz de sua realidade, as coisas com que também pode contribuir.
3. Tornar o ensino fluente, como se fosse uma conversa entre estudantes e professor. Isso se faz muito mais demonstrando os sons do que com o uso de notações musicais.
O desenvolvimento musical de cada indivíduo se dá numa sequência, dependendo das oportunidades de interação com os elementos da música, do ambiente musical que o cerca e de sua Educação. Com base nessas variáveis, pode se dizer que o aprendizado musical guarda relação com a faixa etária. Cada uma corresponderia a um estágio de desenvolvimento.
Estágio > + ou – 4 anos > exploração de sons;
Estágio > 5 aos 9 anos > manifestação de pensamento(primeiras composições);
Estágio > a partir dos 10 anos > especulativo ( à procura de um ritmo);
Estágio > a partir dos 15 anos > engloba os outros três, a música representa um valor importantíssimo na vida do adolescente.
O fundamental é trabalhar os conteúdos de uma forma integrada.Nos anos 70 resume esta ideia nas expressão inglesa "CLASP" um dos sentidos dessa palavra em português é "agregar". Em seu conceito diz que há três atividades principais da música:
"C" (composition) - compor
"A" (audition) - ouvir a música
"P" (performance) - tocar
Devem ser estremeadas pelo estudo da história da música estas duas:
"L" (literature studies) - estudos da literatura
"S" (skill aquisition) - aquisição de habilidades.
No Brasil esse processo é conhecido como "TECLA"
"T" - técnica
"E" - execução
"C" - composição
"L" - literatura
"A" - apreciação
Todas as atividades são importantes e devem ser desenvolvidas em equilíbrio. A ideia do CLASP é útil para o professor perceber se está gastando muito tempo no "L" por exemplo descrevendo fatos históricos, desenhando instrumentos, etc. Dar muito enfoque na história da música é uma forma simplificadora de achar que está se ensinando Música. Acontece que a história não é música, ela é sobre música. O mesmo acontece com os docentes que atuam na classe o tempo todo como intérpretes ou outros que apenas colocam CDs para a apreciação.
É apropriado trabalhar com musicas que as crianças já conheçam para considerar a sua base, mas o professor não pode se limitar ao repertório já conhecido, é necessário ampliá-lo e trazer sempre novas referências. A variação de ritmos é importante para favorecer o desenvolvimento da turma apresentando a ela alguns tipos de percussão. Um bom conselho é evitar rotular os estilos musicais como falar aos alunos que eles irão ouvir uma música de determinado tipo. É preciso contextualizar a criação de modo que o estilo seja apenas um dos dados sobre a música.
Já os adolescentes são "outro mundo" pois eles gostam de música no geral mas não são interessados na música apresentada na escola, portanto o docente precisa chegar a um acordo sobre o que trabalhar, se o professor tiver um posição rígida com pouca tolerância não irá funcionar. O ensino de música nas escolas públicas é uma boa iniciativa porém é preciso ficar atento ao conteúdo dessas aulas. Toda criança gosta de música. É natural do ser humano. Mas uma aula de música mal dada pode estragar tudo. Se ela for distante demais da realidade do aluno ou excessivamente teórica, por exemplo, o estudante pode ficar resistente ao ensino de Música e piorar a situação.O professor deve ouvir música de qualidade e ficar em contato com a área de uma forma prazerosa fora da sala de aula.
Cada professor evidentemente, não precisam ser pianistas de concerto. Mas é fundamental saber tocar um instrumento porque isso é muito útil na sala de aula. Ajuda a exemplificar e a responder as dúvidas, entre outras coisas. Além disso, é preciso entender muito bem do assunto, ter conhecimentos de História da Música, saber relacionar diferentes momentos históricos e estilos e construir uma visão crítica sobre o tema. É difícil determinar essa faixa etária, pois costuma haver uma grande variação individual. Muitas crianças não escrevem nem leem com 3 anos, mas já têm alguns conhecimentos de gramática - Num paralelo com a música, elas não são capazes de escrever notas musicais, mas podem tocar para se expressar. Costumo dizer que a idade boa para começar a aprender é quando a criança demonstra interesse. As aulas devem colaborar para que jovens e crianças compreendam a música como algo significativo na vida de pessoas e grupos, uma forma de interpretação do mundo e de expressão de valores, um espelho que reflete sistemas e redes culturais e que, ao mesmo tempo, funciona como uma janela para novas possibilidades de atuação na vida.
2 Educação musical:
Seja na função de docente, seja atuando como intelectual fundadora do Fórum Latino-Americano de Educação Musical (Fladem), Violeta Hemsy de Gainza é uma das mais importantes autoridades mundiais no ensino de música. Aos 81 anos, a pianista, educadora e psicóloga musical é autora de mais de 40 obras, que abordam Pedagogia da música, didática do piano e do violão, formação de conjuntos vocais infantis e juvenis, improvisação e musicoterapia.
Para Violeta, é essencial que os educadores sejam bem formados para trabalhar em sincronia com a realidade social e cultural dos países latinos. A escola tem de ir ao encontro das necessidades musicais dos alunos.
A Educação musical perdeu créditos, se tornou uma utopia. Em alguns países, foi suprimida em vez de ser melhorada. Não é organizada de uma maneira integrada, está ilhada e sofre com a falta de estabilidade. Gostaria que não fosse mais preciso ficar discutindo se a música é algo relevante ou não. Ela sempre é muito importante para os alunos, desde que bem ensinada.
Há muito potencial a ser explorado e a inclusão social deveria estar dentro disso, não como uma moda. Para que a inclusão seja democrática, a música deveria ser bem ensinada em todas as escolas e em todos os segmentos, até a universidade.
Em seu livro “A jugar y cantar com el piano” (Um tocar e cantar com o piano) - Uma vez que é no nível inicial, que explora a sensibilidade de criança futuro, é essencial que os professores entendam que o prazer de música implica e requer em brincadeira livre com a voz e os instrumentos.
Cada abertura em abordagens pedagógicas têm um impacto positivo em processos de desenvolvimento. Aqueles que tiveram a oportunidade de experimentar uma verdadeira infância "music" serão futuros músicos amantes ativos e inteligentes da música, será certamente mais provável a atingir a plenitude e maturidade, não só na arte, mas na vida.
Já no livro " A jugar y cantar con guitarra" (Tocar e cantar com violão) diz que o violão é uma das ferramentas que melhor se adapta ao canto, que preenche uma lacuna, fornecendo os professores e alunos, um método que inicia com a canção e violão, expressão musical favorito da criança de hoje.
3 O desenvolvimento da linguagem musical:
O desenvolvimento da linguagem musical ocorre de modo parecido ao da linguagem materna,sendo assim um de seus fundamentos. Seus objetivos são:
• Despertar o amor pela música, primeiramente como uma linguagem, mas também como uma arte, uma ciência, praticando-a na alegria;
• Estabelecer as bases da arte musical desenvolvendo o ouvido musical e o senso rítmico, este último, precedendo e preparando a prática do solfejo (formação musical), do instrumento e de todas as outras disciplinas musicais;
• Cultivar a abertura à linguagem e à arte musical de diferentes épocas e de diversas culturas.
• Solicitar todas as faculdades sensório-motoras, afetivas, mentais e intuitivas (inventivas e criativas)...
• Destinar-se a todos (crianças, adolescentes ou adultos) quaisquer que sejam os dons iniciais, as idades e as origens;
• Aproveitar da situação de pequenos grupos, para cultivar as riquezas e as exigências do encontro com o outro (audição, expressão individual, comunicação);
A sua incessante busca pela “Flexibilidade orgânica”, acerca da escuta e da sensibilidade auditiva, levam-no a desenvolver uma educação musical destinada às crianças.
Define-se então, os objetivos da iniciação musical: desenvolver na criança o amor pela música e a alegria em praticá-la; administrar todas as possibilidades para a criança aprender música.
Favorecer, mediante a prática musical, o desenvolvimento da criança, pois ao requerer a participação de todo o ser humano (afetivo, sensorial, mental, físico e espiritual) a iniciação musical contribui para o crescimento de todas essas faculdades se, ao harmonizá-las entre si, favorecendo o desenvolvimento de cada indivíduo.
Percebendo a importância da educação musical para crianças, dedicou todos os seus esforços para desenvolver um método progressivo, capaz de permitir que qualquer criança, mesmo sem habilidades especiais, pudesse descobrir o seu potencial criativo.
Não utiliza material nem instrumentos, mas sim os princípios da vida, dando grande importância ao que a natureza nos proporcionou: o movimento e voz.
A música é uma linguagem e, como a nossa própria língua materna, exige uma impregnação anterior, baseada na escuta (desenvolvimento sensorial), que envolve uma retenção (desenvolvimento emocional), para a consciencialização através da imitação (desenvolvimento mental).
Etapas Evolutivas:
Uma boa educação musical deve começar antes mesmo do nascimento da criança.
A iniciação musical:
1º grau (antes dos 3 anos): Onde a fase do "descobrir" vêm a tona. O plano geral de uma aula de iniciação musical desenvolve-se em quatro partes:
Nesta iniciação musical, é muito importante o papel da família e especialmente o da Mãe, que é a base mais importante para o desenvolvimento musical do pequenino. As pequenas cantigas passam a ter uma grande importância nesta fase.
2º grau (desde os 3 aos 5):
Continuidade mais consciente do 1º grau: certos fenômenos musicais auditivos e rítmicos conhecendo as transcrições gráficas, com maior exigência, maior memória, maior consciência relativa. Os grupos constituídos para trabalhar esta fase, não podem ter mais de cinco pessoas. Nesta fase Willems, dá grande importância ao canto e ao movimento corporal natural. O ouvido trabalhará com a ajuda dos instrumentos sonoros e com a entoação das pequenas canções afinadas, adquirindo para isso uma boa postura.
Pré-solfejo e pré-instrumental, 3º grau (desde os 5 aos 8 anos):
Período no qual são organizados todos os fenômenos vividos, realizando, de modo homogêneo, a passagem do concreto para o abstrato: diversas ordenações, lateralidade do corpo, aplicações instrumentais, entre outras com o carrilhão cromático. Nesta fase, inicia-se o marcar do compasso e o desenho de algumas figuras musicais.
O solfejo vivo e a educação instrumental, 4º grau:
O solfejo vivo é uma alfabetização considerada como um dos pontos culminantes da educação musical, onde, ao lado da leitura e da escrita rítmica, melódica e harmônica, a improvisação se faz presente. A linguagem musical continua a ser considerada na sua totalidade através de todos os estilos e épocas. As organizações modais e tonais são desenvolvidas de acordo com o papel que o homem lhe deu na evolução da linguagem expressiva. Tocar um instrumento intervém em 4 domínios diferentes e complementares:
O som tem de ser despertado na criança, ao escutar sons que aliados ao tato, ajudam a criança a ter mais ouvido. Em seu método são utilizados sons do dia-à-dia como garrafas, metais e objetos caseiros, estabelecendo frases rítmicas.
O ritmo caracteriza-se pelo movimento ordenado, dado que é a chocar com algo que se faz um som (por exemplo, bater palmas, as mãos chocam uma com a outra). Tentar fazer choques de som livremente, permite à criança entrar em contacto com diversos materiais e tentar conhecer ao mesmo tempo as potencialidades do seu próprio corpo.Com o ritmo podemos trabalhar a repetição, a alternância, a intensidade (contraste),velocidade, entre outros.
As canções representam no método de Willems uma ferramenta global de aprendizagem.Sendo assim canções populares tradicionais que são ensinadas na sua terra natal, com os avós, os pais, vizinhos. Nestas pequenas canções, as palavras são o mais importante, mais ainda que a própria entoação ou afinação.
Apesar das canções tradicionais já reportem a criança para um trabalho auditivo, as canções simples ajudam a identificar os sons mais sensíveis. Caracterizadas por terem poucas notas e facilitarem a entoação. Canções simples que têm intervalos distintos entre a tônica e a dominante e servem para acriança tocar piano já com os cinco dedos.
O Ouvido:
Para Willems, a audição interior é à base da inteligência auditiva. Trata-se de um ato sensorial e não mental. Escutar é reconhecer; é reproduzir sons; é ter o sentido da altura, timbre e intensidade.
Além disso, o professor deve ser dinâmico, receptivo à vida, possuidor da imaginação criadora entusiasta e desta forma ao mesmo tempo em que realiza o trabalho de Educação Musical ele permite a si mesmo um maior enriquecimento.
4 O descaso com que a música é tratada nas escolas brasileiras:
Villa-Lobos preocupa-se com o descaso com que a música é tratada nas escolas brasileiras e acaba por apresentar um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A aprovação do seu projeto leva-o a mudar-se definitivamente para o Brasil.
Em 1931, reunindo representações de todas as classes sociais paulistas, organiza uma concentração orfeônica chamada "Exortação Cívica", com a participação de cerca de 12 mil vozes.
Após dois anos de trabalho em São Paulo, Villa-Lobos foi convidado oficialmente por Anísio Teixeira, então Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, para organizar e dirigir a Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA), que introduz o ensino da música e do canto coral nas escolas.
Como conseqüência do seu trabalho educativo, embarca para a Europa, em 1936, como representante do Brasil no Congresso de Educação Musical em Praga.
De retorno ao Brasil, ainda em 1936, une-se à sua secretária, Arminda Neves d'Almeida.
Com o apoio do então presidente da República, Getúlio Vargas, organiza concentrações orfeônicas grandiosas que chegam a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares, e, em 1942, cria o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, cujos objetivos são: formar candidatos ao magistério orfeônico nas escolas primárias e secundárias; estudar e elaborar diretrizes para o ensino do canto orfeônico no Brasil; promover trabalhos de musicologia brasileira; realizar gravações de discos etc.
Compreensão exata da terminologia musical:
• Na música artística, há estreito conceito de que só está certo o que for copiado das regras escolares.
• Procurar distinguir entre música-papel e a música-som de modo a tornar bem claro que se a música não vive pelo som, não tem nenhum valor.
• Há cerca de 12 anos foi empreendida uma reforma completa da música em que visa evitar os falsos valores.
Finalidade do ensino da música:
Villa Lobos chama a atenção para o fato de que a criança antes de dominar as regras gramaticais já utiliza frases com entonação. A linguagem para ela é coisa viva não regras no papel.
Função do Artista:
Deve conscientizar-se de sua alta missão de servir e dar alguma coisa através do seu talento não tendo como alvo somente seu próprio sucesso.
Papel do compositor:
• Deve trabalhar por um ideal e não por qualquer objetivo prático.
• Sua música deve ser a revelação de sua alma.
Sua filosofia repousa nestes aspectos:
• Basear-se na distinção e compreensão dos termos, palavras e expressões musicais;
• Excluir completamente os falsos valores, priorizando educação do ouvido, extirpando o academicismo da música-papel;
• Conscientizar nosso intérpretes e compositores de sua missão de servidores da humanidade;
Algumas práticas do método do canto orfeônico:
Ginasial: