Introdução á Língua de sinais

Libras: Língua Brasileira de Sinais

1 O que é surdez?

Surdez é o nome dado à impossibilidade e dificuldade de ouvir, podendo ter como causa vários fatores que podem ocorrer antes, durante ou após o nascimento. A deficiência auditiva pode variar de um grau leve a profunda, ou seja, a criança pode não ouvir apenas os sons mais fracos ou até mesmo não ouvir som algum.

Surdo

Surdo é a pessoa que não escuta. Embora associado ao termo “mudo”, muitas vezes é usado no senso-comum para designar os surdos que têm a habilidade da fala oral. Não é utilizado para designar pessoas que são surdas somente de um ouvido.

Surdo-mudo

Há muitos séculos aplicados aos surdos, é um termo controverso, pois está relacionado ao estigma social que o surdo suscita ao não usar a comunicação oral.No entanto, deveria ser utilizado para se referir ás pessoas que têm algum impedimento orgânico no aparelho fonoarticulatório.

Mudo

Segundo Aurélio mudo implica ser privado do uso da palavra por defeito orgânico,ou causa psíquica.

Mudinho

Pessoa que não fala. No entanto, o conceito do senso comum não envolve neste termo a ideia de uma deficiência na fala, e sim é atributo de quem não se comunica. Não é atributo de quem não se expressa através da oralidade. Mudo então, não é quem não possui oralidade, quem não consegue emitir sons que formam palavras, é quem não se comunica, de alguma forma.

Os surdos querem ser chamados apenas de surdos, e não surdos-mudos, como na maioria das vezes são chamados.

O termo Surdo-Mudo é repudiado na comunidade surda porque os surdos entendem que a expressão da LIBRAS é uma forma legítima da “Fala”, ainda que não seja oral, é a forma de comunicação utilizada pelos surdos, é sua língua ,materna.

Antes de começarmos nossa caminhada para o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais é importantíssimo que você compreenda que esta língua não é a língua de um país, mas, é a língua de um povo que se autodenomina de Povo Surdo. Os surdos deste povo são pessoas que se reconhecem pela ótica cultural e não medicalizada possuem uma organização política de vida em função de suas habilidades, neste caso a principal é a habilidade visual, o que gera hábitos também visuais e uma língua também visual.

Os ouvidos, podendo dispor em grau de perda, desde a surdez leve até a profunda. Termo comum no vocabulário médico e científico. Usado por alguns fonoaudiólogos e documentos oficiais. Enquadra o surdo na categoria “Deficiência”.

Deficiente Auditivo

Pessoa que possui a deficiência em um ou ambos ouvidos, podendo dispor em grau de perda, desde a surdez leve até a profunda. Termo comum no vocabulário médico e científico. Usado por alguns fonoaudiólogos e documentos oficiais. Enquadra o surdo na categoria “Deficiência”.

As pessoas surdas, que estão politicamente atuando para terem seus direitos de cidadania e linguísticos respeitados, fazem uma distinção entre “ser Surdo” e ser “deficiente auditivo”.A palavra "deficiente",que não foi escolhida por elas para se denominarem, estigmatiza a pessoa porque a mostra sempre pelo que ela não tem, em relação ás outras e, não, o que ela pode ter de diferente e, por isso acrescentar às outras pessoas.

Ser surdo é saber que pode falar com mãos e aprender uma língua oral-auditiva através dessa, é conviver com pessoas que, em um universo de barulhos, depara-se com pessoas que estão percebendo o mundo,principalmente pela visão, e isso faz com que eles sejam diferentes e não necessariamente deficientes.

A diferença está no modo de apreender o mundo, que gera valores, comportamento comum compartilhado e tradições sócio-interativas, a este modus vivendi está sendo denominado de “Cultura Surda”

Em outra visão, a surdez, sendo de origem congênita, é quando se nasce surdo, isto é, não se tem a capacidade de ouvir nenhum som.Por consequência, surge uma série de dificuldades na aquisição da linguagem, bem como no desenvolvimento da comunicação.

Por sua vez, a deficiência auditiva é um déficit adquirido, ou seja, é quando se nasce com uma audição perfeita e que, devido a lesões ou doenças, há perda.

Nestas situações, na maior parte dos casos, a pessoa já aprendeu a se comunicar oralmente. Porém, ao adquirir esta deficiência, vai ter de aprender a comunicar de outra forma.

Em certos casos, pode-se recorrer ao uso de aparelhos auditivos ou a intervenções cirúrgicas (dependendo do grau da deficiência auditiva) a fim de minimizar ou corrigir o problema.

2 Caracterizando a surdez

O conhecimento sobre as características da surdez permite àqueles que se relacionam ou que pretendem desenvolver algum tipo de trabalho pedagógico com pessoas surdas, a compreensão desse fenômeno, aumentando sua possibilidade de atender às necessidades especiais constatadas.

Quanto ao períodos de aquisição, a surdez pode ser dividida em dois grandes grupos:

Congênita:Quando o indivíduo já nasceu surdo. “Nesse caso a surdez é pré-lingual”, ou seja, ocorreu antes da aquisição da linguagem.

Adquirida:Quando o indivíduo perde a audição no decorrer da sua vida. Nesse caso a surdez poderá ser “pré ou pós-lingual”, dependendo da sua ocorrência ter se dado antes e depois da aquisição da linguagem.

Quanto a etiologia ( causas da surdez), ela se divide em:

Pré - natais: Surdez provocada por fatores genéticos e hereditários, doenças adquiridas pela mãe na época da gestação(rubéola, toxoplasmose, citomegalivírus) e exposição da mãe a drogas ototóxicas ( medicamentos que podem afetar a audição)

Peri – natais: Surdez provocada mais frequentemente por parto prematuro, anóxia cerebral (falta de oxigenação o cérebro logo após o nascimento) e trauma e parto (uso inadequado de fórceps, parto excessivamente rápido, parto demorado).

Pós – natais: Surdez provocada por doenças adquiridas pelo indivíduo ao longo da vida, como: meningite, caxumba, sarampo. Além do uso de medicamento ototóxico, outros fatores também tem relação com a surdez, como o avanço da idade e acidentes.

O audiômetro é um instrumento utilizado para medir a sensibilidade auditiva de um indivíduo. O nível de intensidade é medido em decibel (dB).

Por meio desse instrumento faz-se necessário a realização de alguns testes, obtendo-se uma classificação da surdez quando ao grau de comprometimento (grau e/intensidade da perda auditiva), a qual será classificada em níveis, de acordo com a sensibilidade auditiva do individuo:

Pode-se dividir a perda auditiva em 5 categorias + Anacusia.

(conforme Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999)

Anacusia:Este termo significa falta de audição, sendo diferente de surdez, onde existem resíduos auditivos. Audição Considerada Normal - perda entre 0 a 24 db nível de audição.

Surdez Leve:Nesse caso a pessoa pode apresentar dificuldade para ouvir o som do tic-tac do relógio, ou mesmo uma conversação silenciosa (cochicho).

Surdez Moderada:Com esse grau de perda auditiva a pessoa pode apresentar alguma dificuldade para ouvir uma voz fraca ou um canto de um passarinho.

Surdez acentuada:Com esse grau de perda auditiva a pessoa poderá ter alguma dificuldade para ouvir uma conversação normal.

Surdez severa:Nesse caso a pessoa poderá ter dificuldades para ouvir o telefone tocando ou ruído das máquinas de escrever num escritório.

Surdez profunda:Nesse o ruído de caminhão, de discoteca, de uma maquina de serrar madeira ou, ainda, o ruído de um avião decolando.

A surdez pode ser ainda, classificada como unilateral, quando se apresenta em apenas um ouvido e bilateral, quando acomete ambos ouvidos.

3 Língua de Sinais

LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais - LSB

As Línguas de Sinais (LS) são as línguas naturais das comunidades surdas.Libras é a sigla da Língua Brasileira de Sinais. As Línguas de Sinais Brasileira (LSB) é a língua natural da comunidade surda brasileira.

As línguas de sinais são denominadas línguas de modalidade gestual-visual (ou espaço-visual), pois a informação linguística é recebida pelos olhos e produzida pelas mãos.

A Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos – FENEIS define a Língua Brasileira de Sinais – Libras como a língua materna dos surdos brasileiros e, como tal, poderá ser aprendida por qualquer pessoa interessada pela comunicação com esta comunidade.

Como língua, está composta de todos os componentes pertinentes às línguas orais, como gramática, semântica, pragmática, sintaxe e outros elementos preenchendo, assim, os requisitos científicos para ser considerado instrumento linguístico de poder e força.

Possui todos elementos classificatórios identificáveis numa língua e demanda prática para seu aprendizado, como qualquer outra língua.É uma língua viva e autônoma, reconhecida pela linguística.

 

Segundo Sánchez a comunicação humana “é essencialmente diferente e superior a toda outra forma de comunicação conhecida. Todos os seres humanos nascem com os mecanismos da linguagem específicos da espécie, e todos os desenvolvem normalmente, independentes de qualquer fator racial, social ou cultural”. Uma demonstração desta afirmação se evidencia nas línguas oral-auditivas (usadas pelos ouvintes) e nas línguas visoespacial (usadas pelos surdos).

As duas modalidades de línguas são sistemas abstratos com regras gramaticais.

Porém, da mesma forma que as línguas oral-auditivas não são iguais, variando de lugar para lugar, de comunidade para comunidade a língua de sinais também varia. Dito de outra forma: existe a língua de sinais americana, inglesa, francesa e varias outras línguas de sinais em vários países, bem como a brasileira.

É uma língua viva e autônoma, reconhecida pela linguística. Pesquisas com filhos surdos de pais surdos estabelecem que a aquisição precoce da Língua de Sinais dentro do lar é um benefício e que esta aquisição contribui para o aprendizado da língua oral como Segunda língua para os surdos.

Os estudos em indivíduos surdos demonstram que a Língua de Sinais apresenta uma organização neural semelhante à língua oral, ou seja, que esta se organiza no cérebro da mesma maneira que as línguas faladas.

A Língua de Sinais apresenta, por ser uma língua, um período crítico precoce para sua aquisição, considerando-se que a forma de comunicação natural é aquela para o qual o sujeito está mais bem preparado, levando-se em conta a noção de conforto estabelecido diante de qualquer tipo de aquisição na tenra idade.

4 Língua ou Linguagem?

Linguagem é tudo que envolve significação, que pode ser humano (pintura, música, cinema), animal (abelhas, golfinhos, baleias) ou artificial (linguagem de computador, código Morse, código internacional de bandeiras).

Língua

É um conjunto de palavras, sinais e expressões organizados a partir de regras, sendo utilizado por um povo para sua interação. Sendo assim a língua seria uma forma de linguagem: a linguagem verbal.As línguas estariam em uma posição de destaque entre todas as linguagens, ou seja, podemos falar de todas as outras linguagens utilizando as palavras ou os sinais. Assim como as línguas orais, as línguas de sinais se organizam em diferentes níveis: semântico, sintático, morfológico e fonológico.

O temo utilizado corretamente é "língua" de sinais e não "linguagem" de sinais.E isso porque, concordando com Oviedo (1996), "língua" designa um específico sistema de signos que é utilizado por uma comunidade para se comunicarem.

Já "linguagem" está relacionada à capacidade da espécie humana para se comunicar através de um sistema de signos; é a capacidade humana de criar e usar as línguas e que, conforme Vygotsky tem papel essencial na organização das funções psicológicas superiores. Daí que resulta ser inapropriado utilizar o termo "linguagem" para designar a língua de uma comunidade; no caso a da comunidade surda, a Língua de Sinais.

Propriedades das línguas humanas nas línguas de sinais

Flexibilidade e versatilidade: As línguas apresentam várias possibilidades de uso em diferentes contextos.

As línguas de sinais são usadas para pensar, são usadas para desempenhar diferentes funções. Você pode argumentar em sinais, pode fazer poesia em sinais, pode simplesmente informar, pode persuadir, pode dar ordens, fazer perguntas em sinais.

Arbitrariedade:A palavra (signo linguístico) é arbitrária porque é sempre uma convenção reconhecida pelos falantes de uma língua.As línguas de sinais apresentam palavras em que não há relação direta entre a forma e o significado.

Descontinuidade:Diferenças mínimas entre as palavras e os seus significados são descontínuos por meio da distribuição que apresentamnos diferentes níveis linguísticos.

Na língua de sinais verificamos o caráter descontínuo da diferença formal entre a forma e o significado. Há vários exemplos que ilustram isso, por exemplo, o sinal de MORENO e de SURDO são realizados na mesma locação, com a mesma configuração de mão, mas com uma pequena mudança no movimento, mesmo assim nunca são confundidos ao serem produzidos em um enunciado. Tais sinais apresentam uma distribuição semântica que não permite a confusão entre os significados apresentados dentro de um determinado contexto.

Criatividade/produtividade:Você pode dizer o que quiser e de muitas formas uma determinada informação seguindo um conjunto finito de regras.A partir desse conjunto, você pode produzir uma sentença infinita nas línguas humanas.

As línguas de sinais são produtivas assim como quaisquer outras línguas.

Dupla articulação:As línguas humanas apresentam duas articulações: a primeira é das unidades menores sem significado e a segunda, das unidades que combinadas formam unidades com significado.

As línguas de sinais também apresentam o nível da forma e o nível do significado. Por exemplo, as configurações por si só não apresentam significado, mas ao serem combinadas formam sinais que significam alguma coisa.

Padrão:As línguas têm um conjunto de regras compartilhadas por um grupo de pessoas.As línguas de sinais são altamente restringidas por regras. Você não pode produzir os sinais de qualquer jeito ao usar a língua de sinais brasileira, por exemplo. Você deve observar suas regras.

Dependência estrutural:Há uma relação estrutural entre os elementos da língua, ou seja, eles não podem ser combinados de forma aleatória.Também é observada uma dependência estrutural entre os termos produzidos nas línguas de sinais.

Mitos e desmitificação da libras

Mitos : A língua de sinais seria uma mistura de pantomima e gesticulação concreta, incapaz de expressar conceitos abstratos.

Desmitificação: Tal concepção está atrelada à idéia filosófica de que o mundo das idéias é abstrato e que o mundo dos gestos é concreto. O equívoco desta concepção é entender sinais como gestos. Na verdade, os sinais são palavras, apesar de não serem orais-auditivas. Os sinais são tão arbitrários quanto às palavras. A produção gestual na língua de sinais também acontece como observado nas línguas faladas. A diferença é que no caso dos sinais, os gestos também são visuais-espaciais tornando as fronteiras mais difíceis de serem estabelecidas. Os sinais das línguas de sinais podem expressar quaisquer idéias abstratas. Podemos falar sobre as emoções, os sentimentos, os conceitos em língua de sinais, assim como nas línguas faladas.

Mitos:Haveria uma única e universal língua de sinais usada por todas as pessoas surdas.

Desmitificação:Esta ideia está relacionada com o mito anterior. Se as línguas de sinais são consideradas gestuais, então elas são universais. Isto é uma falácia, pois as várias línguas de sinais que já foram estudadas são diferentes umas das outras. Assim como as línguas faladas, temos línguas de sinais que pertencem a troncos diferentes. Temos pelo menos dois troncos identificados, as línguas de origem francesa e as línguas de origem inglesa. Provavelmente, nossa língua de sinais pertence ao tronco das línguas de sinais que se originaram na língua de sinais francesa.

Mitos:Haveria uma falha na organização gramatical da língua de sinais que seria derivada das línguas de sinais, sendo um pidgin sem estrutura própria, subordinado e inferior às línguas orais.

Desmitificação:Como as línguas de sinais são consideradas gestuais, elas não poderiam apresentar a mesma complexidade das línguas faladas. Isso também não é verdadeiro, pois em primeiro lugar as línguas de sinais são línguas de fato. Em segundo lugar, as línguas de sinais independem das línguas faladas.

Um exemplo que evidencia isso claramente é que a língua de sinais portuguesa é de origem inglesa e a língua de sinais brasileira é de origem francesa, mesmo sendo o português a língua falada nos respectivos países, ou seja, Portugal e Brasil. Como estas línguas de sinais pertencem a troncos diferentes, elas são muito diferentes uma da outra. É claro que não podemos negar o fato de ambas as línguas estarem em contato, principalmente entre os surdos letrados. O que se observa diante deste contato é que, assim como observado entre línguas faladas em contato, existem alguns empréstimos linguísticos. Para, além disso, as línguas de sinais não têm relação com as línguas faladas do seu país. Elas são autônomas e apresentam o mesmo estatuto linguístico identificado nas línguas faladas, ou seja, dispõem dos mesmos níveis lingüísticos de análise e são tão complexas quanto às línguas faladas.

Mitos:A língua de sinais seria um sistema de comunicação superficial, com conteúdo restrito, sendo estética, expressiva e linguisticamente inferior ao sistema de comunicação oral.

Desmitificação: Como as línguas de sinais são tão complexas quanto às línguas de sinais faladas, esta afirmação não procede. Nós já vimos que as línguas de sinais podem ser utilizadas para as inúmeras funções identificadas na produção das línguas humanas.Você pode usar a língua de sinais para produzir um poema, uma estória, um conto, uma informação, um argumento. Você pode persuadir, criticar, aconselhar, entre tantas outras possibilidades que se apresentam ao se dispor de uma língua. Assim, a língua de sinais não é inferior a nenhuma outra língua, mas sim, tão linguisticamente reconhecida quanto qualquer outra língua.

Mitos:As línguas de sinais derivam da comunicação gestual espontânea dos ouvintes.

Desmitificação:A ideia de que a língua de sinais seja gestual também reaparece neste mito. As pessoas pensam que as línguas de sinais são de fácil aquisição por estarem diretamente relacionadas com o sistema gestual utilizado por todas as pessoas que falam uma língua. Com isso não é verdade, as línguas de sinais são tão difíceis de serem adquiridas quanto quaisquer outras línguas. Precisamos de anos de dedicação para aprendermos uma língua de sinais, mas com base neste mito, as pessoas penam que sabem língua de sinais por usarem alguns gestos e alguns sinais que aprendem nas aulas de língua de sinais.

A comunicação gestual usada exclusivamente é extremamente limitada, pois torna inviável a comunicação relacionada com questões mais abstratas. Para transcorrer de um determinado assunto qualquer vai precisar de uma língua. No caso da comunicação com os surdos, você vai precisar da língua de sinais.

Mitos: As línguas de sinais, por serem organizadas espacialmente, estariam representadas no hemisfério direito do cérebro, uma vez que esse hemisfério é responsável pelo processamento de informação espacial, enquanto que o esquerdo, pela linguagem.

Desmitificação: As pesquisas com surdos apresentando lesões em um dos hemisférios apresentam evidências de que as línguas de sinais são processadas linguisticamente no hemisfério esquerdo da mesma forma que as línguas faladas. Existe sim uma diferença que está relacionada com informações espaciais, pois estas, além de serem processadas no hemisfério esquerdo com suas informações linguísticas, são também processadas no hemisfério direito quanto às suas informações de ordem puramente espacial.

Assim, parece haver um processamento até mais complexo do que o observado em pessoas que usam línguas faladas. As investigações concluem que a língua de sinais é um sistema, que faz parte da linguagem humana, processado no hemisfério esquerdo e no hemisfério direito.

Assim, como Quadros e Karnopp concluem esta análise dos mitos, „tais concepções equivocadas em relação às línguas de sinais compartilham traços comuns, assinalando um estatuto linguístico inferior em relação ao plano da superfície.

Todavia, as investigações mostram que as línguas de sinais, sob o ponto de vista linguístico, são completas, complexas e possuem uma abstrata estruturação em todos os níveis de análise’.