Planos de aula de Matemática adaptados à BNCC

Ensino de Matemática na Educação Infantil

1 Mudanças trazidas pela BNCC para matemática

 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) vem requerendo mudanças profundas nos currículos, materiais didáticos e formação dos professores da Educação Básica de todo o País. As aulas de Matemática e da maioria das outras disciplinas precisará ser repensada em atribuição dessas alterações.

A finalidade de todas essas modificações é que, desde cedo, os alunos desenvolvam capacidades intelectual, social, físico, emocional e cultural. Isto é, as crianças e adolescentes irão passar a aprender para a vida e não, apenas, para a prova.

Assim, foram atribuídas dez competências gerais para orientar o trabalho das escolas e dos professores. Além de ser muito mais efetivo do que trabalhar com conteúdos isolados, a BNCC se trata de promover a igualdade educacional de acordo com as singularidades de cada contexto, com base em um conjunto de habilidades e competências.

 

Principais mudanças:

 

Com as alterações trazidas pela BNCC, teve, por exemplo, maior destaque no desenvolvimento de projetos, resolução de problemas e investigação, ampliando as possibilidades relacionada à disciplina.

Não se trata mais de, somente, ensinar fórmulas, mas fazer com que o aluno compreenda o que está por trás dos cálculos.

Por isso, deverá ter ajustes nos planos de aula para que sejam trabalhadas as habilidades como, raciocínio lógico, comunicação e senso crítico.

Além das mudanças já vistas acima, abaixo veja, mais algumas modificações trazidas pela BNCC para Matemática:

  • Criação de cinco unidades temáticas para nortear o desenvolvimento das habilidades requeridas. São elas:
    • Números;
    • Álgebra;
    • Geometria;
    • Grandezas e medidas;
    • Probabilidade e estatística.
  • Antecipação de conteúdos do Ensino Médio para o Ensino Fundamental;
  • Álgebra deve ser ensinada desde o primeiro ano do Fundamental, o que exige maior aprofundamento e estudos por parte dos professores;
  • A partir do sétimo ano, terá que ter maior destaque no Plano Cartesiano e na Geometria das Transformações. Da mesma maneira, os professores irão precisar se aprofundar nestes conteúdos, já que a maioria deles não teve acesso a essas matérias em sua formação inicial.

    Diante de todas essas mudanças, é importante que as secretarias e escolas estudem a fundo a BNCC, fiquem atentas às particularidades de cada etapa de ensino, mudem seus currículos e que os professores de Matemática criem planos de aula considerando as competências, habilidades, unidades temáticas e objetivos de conhecimento estabelecidos no documento.

    É importante ressaltar que a Base deve conduzir o professor em seu trabalho, mas, de maneira nenhuma engessá-lo, garantindo a eles a autonomia em suas práticas pedagógicas.

     

    Sugestões de adaptação da aula de matemática de acordo com à BNCC

    Confira algumas sugestões de como fazer planos de aula de Matemática adaptados à BNCC:

    1. Faça um levantamento das diferenças entre os parâmetros antigos e os novos trazidos pela BNCC. Essa ação vai ajudar você a entender melhor todas as mudanças;
    2. Pense de que maneira as unidades temáticas podem ser trabalhados nas aulas e procure, sempre que possível, usar ao mesmo tempo mais de uma unidade;
    3. Organize as aulas por habilidade e não mais por conteúdo;
    4. Faça os alunos refletirem sobre as fórmulas e seus conceitos e não, somente, memorizá-las;
    5. Coloque os alunos como protagonistas das aulas, tornando-os construtores de seu aprendizado;
    6. Explique por meio de situações do cotidiano, apresentando a resolução de problemas reais como, a probabilidade de ganhar na loteria;
    7. Procure valorizar tanto os erros, quanto os acertos dos alunos. É importante que possam enfrentar os desafios apresentados, desenvolvendo uma série de habilidades.

     

    Exemplos de planos de aulas:

     

    Abaixo citamos alguns exemplos de planos de aulas para que você professor possa estar introduzindo em suas aulas:

    Tangram

    O objetivo desse plano é fazer com que os alunos do terceiro ano do Ensino Fundamental construam e analisem figuras através de suas diferentes composições geométricas, utilizando o jogo Tangram.

    O plano promete trabalhar a seguinte habilidade da BNCC: 

    • (EF03MA15): Classificar e comparar figuras planas (triângulo, quadrado, retângulo, trapézio e paralelogramo ) em relação a seus lados (quantidades, posições relativas e comprimento ) e vértices.

     

     

    Erros e acertos de gráficos em mídias

    Neste plano, o objetivo é que os alunos leiam e analisem gráficos em mídias de maneira crítica, apontando erros e refletindo sobre como podem influenciar o leitor da forma equivocada.

    O plano promete trabalhar a seguinte habilidade da BNCC: 

    • (EF09MA20): Análise de gráficos de mídia (gráficos que podem induzir a conclusões erradas e interferir na tomada de decisões; análise da adequação do gráfico ao tipo de variável representada).

     

     

    O tempo e os números nas atividades esportivas

    Os alunos realizarão atividades esportivas que envolvam tempo e números. O objetivo é que aprendam a fazer conversões entre as unidades de medida de tempo (dias e semanas, horas e dias, semanas e meses).

    O plano promete trabalhar as seguintes habilidades da BNCC:

    • (EF04M10): Analisar, interpretar, formular e solucionar problemas com números naturais, compreendendo diferentes significados do campo aditivo e do multiplicativo e validar a adequação dos resultados por meio de estimativas ou tecnologias digitais;
    • (EF04M31): Explorar conversões simples entre unidades de medida de tempo (dias e semanas, horas e dias, semanas e meses).

     

     

    5 sugestões para envolver os alunos na aula de matemática

     

    Sabemos que muitos alunos tem dificuldade de aprender Matemática, pelo seu conteúdo difícil e, às vezes, maçante. O que faz a aula de Matemática ser de difícil assimilação. 

    Muitos deles, talvez pelo medo que a matéria costuma causar, não vão querer seguir profissões associadas à área de exatas. Mas isso não quer dizer que capacidades como, leitura, interpretação, concentração e raciocínio lógico, desenvolvidas por meio das aulas de Matemática, tem que ser dispensada, pois elas serão essenciais para várias situações da vida adulta. 

    É importante que o professor esteja motivado e que junto aos conteúdos integre atividades lúdicas, estimulando e prendendo a atenção dos alunos contribuindo para uma aprendizagem significativa e efetiva.

    Os fatores que contribuem para a conservação das aulas no formato tradicional nas escolas são a sobrecarga de trabalho dos professores com atividades extracurriculares, inflexibilidade das instituições de ensino para a inovação, falta de habilidade com os alunos, o medo de desafios e sabemos que nas escolas de rede pública há também falta de recursos que dificulta ainda mais na aquisição de mudanças.

    Considerando essas limitações, citamos algumas sugestões para enfrentar esses desafios:

     

    Como envolver os alunos na aula de matemática:

     

    É importante que o professor relacione os conteúdos à realidade dos alunos, facilitando sua aprendizagem. E devemos destacar que não se deve somente ao aluno ser criativo mas também ao professor, que precisa ter criatividade em suas aulas, e pra isso é fundamental o apoio de outros professores e da direção da escola. 

    E lembrando de não sobrecarregar os alunos de informação pois o excesso faz a aula se tornar maçante e de nada adianta a quantidade de conteúdo dada se o aluno não estiver compreendendo. Uma sugestão é planejar aulas que envolvam menos fórmulas e mais situações problema. É importante ressaltar que é relevante focar no desenvolvimento, de acordo com a BNCC, capacidades dos alunos, como raciocínio lógico e senso crítico. 

    A seguir citaremos sugestões que podem enriquecer suas aulas:

     

     

    1- Crie aulas onde os alunos realizem movimentos

    Para fugir da monotonia da aulas, sugira atividades que façam com que os alunos se movimentem. Aqui vai algumas sugestões:

    • Usar o chão como recurso para explicar geometria (essa atividade pode ser realizada, também, fora da sala de aula);
    • Resolver um Sudoku coletivamente;
    • Fazer figuras geométricas grandes e sólidas;
    • Lançar foguetes de garrafa pet ao ar livre.

    Por meio dessas aulas poderá trabalhar a interdisciplinaridade em parceria com outros professores.

    Essas atividades além de despertarem maior interesse dos alunos pelas aulas, elas trabalham capacidades como, raciocínio lógico, concentração, interpretação e a interação.

     

     

    2- Faça isso se estiver com falta de recursos

    A falta de recursos é um dos fatores que, muitas vezes, impossibilitam os professores de inovar. Mas, se tiver criatividade, pode ser realizada muitas atividades interessantes com pouco investimento ou até mesmo com materiais disponíveis que dê para adaptar. 

    Com exemplos do tópico anterior, você pode:

    • Usar giz e um cabo de vassoura para fazer representações geométricas no chão;
    • Baixar um Sudoku na internet de forma gratuita e transcrevê-lo no quadro;
    • Utilizar materiais recicláveis para construir as figuras geométricas grandes e sólidas e os foguetes que vão ser lançados ao ar livre.

     

     

    3- Construa contextos de aprendizagem com jogos digitais

    Utilizem jogos em contextos de aprendizagens aproveita que os alunos adoram esse tipo de atividade mas lembre-se que os jogos não podem ser inseridos sem nenhuma finalidade, eles precisam ser planejados para que os objetivos de ensino e aprendizagem sejam atingidos.

    Os jogos são ótimas opções pois são desafiadores, de forma prática e lúdica, auxiliam no desenvolvimento do raciocínio lógico e na resolução de problemas.

    Além de propiciar um ambiente de experimentação e cooperação entre os alunos, fazendo com que se unem em busca de uma meta e vivenciem seus erros e acertos na prática.

     

     

    4- Trabalhe com projeção e construção de gráficos

    Trabalhar com gráficos pode ser uma ótima alternativa para desenvolver a leitura, interpretação, concentração e o raciocínio lógico dos alunos de uma forma diferente da utilizada no cotidiano.

    Ao coletarem e manipularem vários dados em uma tabela ou em um banco de dados, deverão organizá-los em categorias e, ao projetá-los em gráficos, terão que produzir informações apresentáveis e pertinentes.

    Para isso, você poderá utilizar planilhas eletrônicas.

     

    5- Use a metodologia de resolução de problemas

    Por meio da metodologia de resolução de problemas o "andar" da aula de Matemática é invertida . Pois antes do professor ensinar o conceito, os alunos possui acesso ao problema, levantam hipóteses para resolvê-lo e experimentam diferentes soluções. Isto é, o estudante passa a ser o protagonista na construção do seu aprendizado.

    Ao contrário do que geralmente é feito, em que a avaliação é direcionada somente ao resultado, com essa metodologia, o professor avaliará os caminhos percorridos pelos alunos para solucionar o problema.

    Assim , eles serão envolvidos em um espaço de investigação, desconstruirão a ideia de que precisam sempre acertar que farão com que se sentem desafiados. É importante que o professor mostre aos seus alunos que eles também podem errar, é natural e faz parte do processo de aprendizado.

    Contudo, como em qualquer outra atividade, saiba que é necessário planejar para que a problematização sugerida esteja alinhada com o conteúdo.

    2 Os fatores e métodos na aprendizagem da matemática

     

    A aprendizagem de conceitos e o desenvolvimento de habilidades matemáticas é um processo bastante complexo e envolve diversos fatores, como os orgânicos, cognitivos, afetivos e pedagógicos (WEISS, 2012).

     

     

    Fatores orgânicos

    Os fatores orgânicos estão relacionados à estrutura do cérebro e suas prováveis alterações, como a presença de síndromes e doenças congênitas que afetarão o desenvolvimento intelectual e, em consequência, a aprendizagem matemática; e ao acontecimento de lesões em áreas que envolvem o processamento da informação numérica em ambos os hemisférios.

     

     

    Fatores cognitivos

    Os fatores cognitivos envolvem o processamento e armazenamento das informações numéricas que necessitam do recrutamento de funções cognitivas, como: a memória, a atenção e as funções executivas. A aprendizagem de forma geral e a aprendizagem da Matemática, em específico, está relacionada ao armazenamento de informações na memória; e esse armazenamento depende de diversos fatores, um importante é a prática (BADDELEY, 2011).

    Os estudos em Psicologia Cognitiva têm demonstrado que algumas estratégias de ensino e aprendizagem são mais eficazes que outras, por exemplo, a prática distribuída do material a ser aprendido é mais eficiente que a prática concentrada em um único momento, mesmo que prolongada; e o feedback imediato e explícito auxilia a potencializar a aprendizagem (BADDELEY, 2011).

    Além do mais, só será possível o armazenamento quando as informações obtidas forem foco de atenção. A Neurociência tem mostrado a relação entre a emoção e a aquisição de informação, sendo que obtemos mais material que carga emocional e que a motivação ajuda na concentração que é fundamental para a aprendizagem pois aprendemos somente as informações que foram foco de atenção.

     

     

    "Estudos verificam que o cérebro possui um sistema de recompensas que libera dopamina (neurotransmissor) quando o sujeito é afetado de forma positiva. A dopamina gera bem-estar que, por sua vez, mobiliza a atenção (PANTANO; ZORZI, 2009)."

     

    Assim, para a construção sólida dos conhecimentos matemáticos, é necessário um bom funcionamento dessas funções, sendo que prejuízos, mesmo que leves, podem acarretar dificuldades diversas na área da Matemática. A integridade das Funções Executivas (FE) também é importante para que ocorra a aprendizagem. Trata-se de um conjunto de habilidades que permitem que o indivíduo atinja metas, tome decisões, avalie seus comportamentos e resolva problemas (MALLOY-DINIZ et al., 2008).

    Entre as funções executivas, a memória de trabalho (MT) tem se destacado como uma das funções mais importantes no desenvolvimento matemático. A MT é responsável pelo armazenamento e manipulação de informações por um curto período de tempo. O modelo de MT desenvolvido por Baddeley é composto por quatro componentes: a alça fonológica, responsável por armazenar informação de natureza verbal; o esboço visuoespacial, armazenador de informação visual e espacial; o buffer episódico, responsável por integrar as informações provenientes dos componentes em episódios coerentes, sendo também o componente que possibilita a ligação entre a MT e a memória de longo prazo; e o executivo central, gerenciador do sistema de MT e responsável pelas questões atencionais (BADDELEY, 2011). 

    Vários estudos têm mostrado a relevância da Memória de Trabalho para a aprendizagem de matemática, pois se as crianças apresentarem danos nessa função poderá afetar sua aprendizagem nessa área. Além do mais tem estudos que tem evidenciado o benefício de intervenções que têm a finalidade de aprimorar a Memória de Trabalho.

     

     

    Fatores afetivos

    Os fatores afetivos estão relacionados a parte emocional e motivacional. Pois quando se há motivação para aprender, o processo é facilitado, dada a relação: motivação-atenção-aprendizagem, como já falado anteriormente. No entanto, a ausência de motivação e experiências negativas vivenciadas com a matemática pode acarretar em um bloqueio na construção de conceitos, dificultando sua aprendizagem.

     

     

    Fatores Pedagógicos

    Por fim, os fatores pedagógicos referem ao método de ensino e instrução obtida. Existe uma sequência nas aquisições matemáticas. As crianças constroem a concepção de número, cujo é necessário o domínio dos princípios de contagem, usam a contagem como uma ferramenta para a resolução de problemas aritméticos envolvendo raciocínio aditivo e, depois, raciocínio multiplicativo e, à medida que aprimoram seus procedimentos e estratégias de contagem, começam a apresentar maior precisão e melhor fluência na resolução de problemas.

    Devemos ressaltar que o professor precisa compreender o que será dado e sua importância, lembrando que a sequência deve ser considerada no planejamento do professor, e sua prática deve focar no desenvolvimento do raciocínio.

     

    Métodos para ensinar matemática

     

    Iremos apresentar métodos para você professor pode utilizar em suas práticas pedagógicas, lembrando que não existe o melhor método, sendo que deve ser visto qual melhor se adequa a determinado contexto.

     

     

    Metodologias tradicionais

    É provável que muitos de nós aprendemos matemática com este método, onde o professor é o centro, detentor do conhecimento, e o aluno é um mero receptor. É uma maneira de trabalho que se baseia na repetição, nos testes, provas e na memorização sem significado (o famoso “decoreba”). 

     

     

    Metodologias ativas

    Segundo alguns estudiosos esta metodologia veio atender as necessidades dos professores de criarem aulas mais atrativas para os seus alunos, que estavam perdendo o interesse por aulas expositivas. Começou, então, o flipped classroom, em português, “sala de aula invertida”. Nesta maneira de trabalho, o aluno é o centro, um participante ativo da aprendizagem e não apenas um telespectador, mas o protagonista de seu conhecimento.

     

    Método autodidata

    Este foi um método criado por um pai, professor de matemática, que não tinha tempo de ajudar o filho. Se baseia em “folhas soltas” com cálculos que devem ser resolvidos sozinhos pela criança.

     

     

    Método Singapura

    Esta maneira de trabalho ficou conhecida por ser usada em muitos países com bons notas em provas internacionais que avaliam o desempenho matemático, dentre eles, evidentemente, pelo nome, o país de Singapura. É uma metodologia que desconsidera a memória e tem uma abordagem chamada “CPA” (concreto, pictórico e abstrato), onde os alunos utilizam essas estratégias para consolidar os conhecimentos matemáticos.

     

     

    Método Mentalidades Matemáticas

    Este método se baseia nos conhecimentos da neurociência para afirmar que o cérebro aprende matemática a partir de habilidades visuais, já que duas, das cinco áreas cerebrais ativadas enquanto manipulamos os números, estão relacionadas com a visão. É um método que estimula a flexibilidade cognitiva e não utiliza questões curtas e fechadas, afirmando que elas não estimulam o raciocínio, gerando um baixo desempenho matemático.

     

     

    Método por Resolução de Problemas

    Como o próprio nome diz, o método de resolução de problemas sugere que os cálculos aritméticos e outras habilidades matemáticas sejam desenvolvidas a partir da resolução de situações-problemas.

     

    Como deve ser aplicado esses métodos:

     

    1 – Restringir-se: quando nós nos restringimos a utilizar somente um método para ensinar, ficamos “presas”. Devemos ter autonomia para mudar, para observar nossa turma, nossos alunos, e buscar atender às suas necessidades.

    2 – Um só não dá conta: quando falamos em desenvolver habilidades matemáticas, observamos que apenas um método vai conseguir atender todas as demandas.

    3 – As pessoas são diferentes: As turmas são heterogêneas e não homogêneas, onde todos aprendem da mesma maneira, na mesma velocidade, na mesma “qualidade”. Por isso, somente um método é impossível de atender a todas as pessoas.

     4 – O protagonista é você: e não o método! Quando direcionamos em um único método, fazemos com que o professor e o aluno sejam coadjuvantes do processo e não os protagonistas do ensino e aprendizagem.

     

    O que devo conhecer:

     

    • Conheça os conceitos: O professor deve conhecer os conceitos básicos para desenvolver com os alunos as habilidades matemáticas.
    • Conheça os procedimentos: É importante que o professor conheça os procedimentos e ensine aos seus alunos que existe diversas maneiras para a resolução de um mesmo cálculo de (adição, subtração, multiplicação e divisão) com isso os alunos irão pode escolher a melhor estratégia e se tornarem mais eficientes.
    • Conheça as estratégias didáticas: Há inúmeras estratégicas didáticas que propicia aos alunos diferentes situações de aprendizagem.
    • Seja uma professora protagonista:  depois de conhecer os conceitos, dominar os procedimentos e se apropriar de diferentes estratégias didáticas, você estará apta para se tornar uma professora protagonista, sentindo-se confiante para elaborar um planejamento que vai considerar as necessidades dos seus alunos e a sua realidade.

     

    3 Problemas matemáticos e seus 4 mitos

     

    Iremos citar 4 mitos sobre o trabalho com problemas matemáticos. Esperamos que você professor reflita como tem introduzido essa estratégia em suas prática pedagógica, revendo sua didática.

     

     

    1 – Problemas matemáticos devem ser realizados para sistematizar um conteúdo

    Geralmente apresentamos o algoritmo, "treinamos" as contas no quadro e, depois com o cálculo consolidado, iremos para o problema. Sugerimos que você faça o caminho inverso, primeiro você irá propor o problema, deixando com que os alunos criem hipóteses na tentativa de resolucionar o problema, peça a eles que mostrem como chegaram ao resultado e faça o registro. Podendo ser o registro ser com escritas, desenhos ou com os números. Posteriormente faremos uma intervenção, mostrando um "outro modo" de serem realizados, por meio de um cálculo armado. Você pode fazer isso com qualquer outro conteúdo matemático.

     

     

    2 – Problemas matemáticos não podem ser realizados com crianças pequenas

    Não é porque as crianças não sabem ler que elas são incapazes de resolver situações matemáticas. É importante que o professor trabalhe com problemas matemáticos com as crianças desde a Educação Infantil. Eles não precisam ser escritos, podem ser apresentados oralmente, principalmente usar situações do seu dia a dia como: quantos alunos somos, quantos vieram e quantos faltaram por exemplo. Istigue as crianças a refletirem e a responderem e evite dar respostas prontas, deixe que elas pensem com autonomia. Tranformando momentos corriqueiros em uma situação rica de aprendizagem.

     

     

    3 – Para resolver problemas matemáticos nós ensinamos palavras-chave

    Você com certeza já ensinou que “toda vez que lermos a palavra ‘diferença’ vamos resolver com um cálculo de subtração”? Quando damos palavras-chave para as crianças resolverem as situações matemáticas, fazemos com que a atividade seja completamente mecânica e sem sentido. Se torna um caça-palavras, onde a criança faz uma leitura dinâmica, procurando dois números e “aplicando” o cálculo da palavra que achou. Muitas vezes, fazemos isso bem intencionadas, e imprimimos até uma “colinha” destas palavras para que a criança possa consultar no caderno. Mas saiba que nem sempre uma certa palavra vai apontar um cálculo específico. E queremos estimular os nossos alunos a compreenderem os processos que realizam, e não apenas aplicarem uma técnica automatizada, que se baseia na “decoreba”. Se você está usando isso em sua prática, reveja!

     

     

    4 – Investir no ensino e na prática de cálculos é mais eficiente do que perder tempo com problemas

    Muita pessoas por aí diz que “matemática é prática”. Nós concordamos, em partes. Em partes, porque acreditamos também que a matemática envolve compreensão de processos. Pense conosco: você fica fazendo cálculos soltos, só por lazer? É provável que não. Você faz cálculos dentro de contextos: para contar um troco, para saber quando pode gastar no mercado, para fazer uma receita. Os problemas são eficientes, principalmente antes de um ensino sistemático dos algoritmos, porque eles contextualizam os números. Se torna muito mais fácil, compreensível e com sentido, eu sugerir uma história matemática para que a criança encontre uma solução, do que somente vários números soltos em uma folha. Isso significa que é importante a realização de contas armadas ligadas em uma situação problema.

     

     

    Combate a ansiedade em matemática

     

    Segundo Ashcraft (2002), "a ansiedade matemática assombra muitas crianças, adolescentes e adultos. Trata-se de um sentimento de verdadeiro pavor dos números." Este autor nos afirma que esta impressão é gerada por inúmeros motivos. Estes motivos seriam um alto número de reprovação nesta matéria, principalmente nos Anos Finais e Ensino Médio mais as falas vindas dos próprios professores de que a matemática é difícil. Além do mais estes autores destacam a baixa formação de professores na área das exatas, principalmente dos Anos Iniciais, fazendo com que o ensino dos números seja somente pautado nos algoritmos, deixando de lado outras habilidades que precisam ser desenvolvidas. Esta insegurança, muitas vezes, faz com que os professores deem destaque ao ensino da linguagem, reproduzindo nos alunos a impressão de que a matemática é algo complicado.

     

    Abaixo citarei 5 sugestões para combater a ansiedade matemática, tornando uma disciplina prazerosa para o professor e para o aluno:

    1 – Seu cérebro é preparado para lidar com números

    Por mais que você seja uma dessas pessoas que é tomada pela ansiedade matemática, saiba que o seu cérebro tem áreas predispostas para manipular os números. Existem pesquisas que evidenciam que até mesmo animais que têm um sistema nervoso bem mais primitivo do que o nosso, como as galinhas, conseguem identificar pequenas quantidades. Estudos parecidos realizados com macacos e também com bebês humanos, confirmaram que obtemos a capacidade de realizar um procedimento denominado “subtizing”, que é a habilidade de distinguir pequenas quantidades sem precisar contar uma a uma.

     

     

    2 – Invista em um ensino intencional, contextualizado e explícito

    • Ensino intencional: Não podemos primeiro pensar no recurso ou na folha impressa para daí pensar no objetivo que queremos que as crianças alcancem. Primeiro nós devemos refletir sobre os objetivos que precisam ser atingidos para depois escolhemos a metodologia que será usada para alcançar tais metas, exemplo: primeiramente eu penso “meus alunos precisam aprender adição” (objetivo) e posteriormente eu reflito sobre quais procedimentos (metodologia) e recursos didáticos (folhas, jogos, materiais concretos) vão ser utilizados para que eles aprendam.
    • Ensino contextualizado: você, adulto, fica fazendo cálculos só por fazer? Provavelmente, não! É possível que você use os números para pesar frutas no mercado, contar quantos pães comprar, verificar se o troco está correto, calcular o horário que deve sair de casa para chegar a tempo em tal lugar. E na sala de aula, por que muitas vezes insistimos em ensinar cálculos soltos? Se trata de não ensinar matemática com “números jogados ao vento”, mas de trazer situações reais, do dia a dia das crianças, para dentro da sala de aula. Desta forma, a aprendizagem faz muito mais sentido e ganha outro significado para os alunos pois o professor estará ensinando a partir do contexto vivenciado pela criança, tornando as aulas prazerosas e facilitadoras para a aprendizagem.
    • Ensino explícito: mesmo que possuímos áreas do nosso cérebro que são predispostas para lidar com os números, é necessário ensinar as crianças. Ao contrário do que muita gente pensa, contar e fazer relações entre número e quantidade, não é um processo natural. Não é porque os pais contam degraus com os filhos enquanto estão subindo escadas, por exemplo, que a criança adquiriu os princípios de contagem. O ensino da matemática deve ser explícito, sem suposições se os alunos já saibam isso ou aquilo. Não é porque algo que é claro para nós, que é também para eles, ensine explicitamente.

     

    3 – Conheça os procedimentos

    Para ensinar as operações, é necessário que o professor domine os procedimentos, conhecê-los é a chave para não reproduzir um ensino mêcanico com uma aprendizagem sem sentido mas aulas que sejam dinâmicas e significativas.

     

     

    4- Direcione ao ensino dos problemas matemáticos

    Comece pelos problemas, deixamos de lado a ideia de que os problemas matemáticos servem somente para sistematizar um conteúdo e nos prendemos ao conceito de que os problemas são boas estratégias para introduzir um novo conceito matemático. É importante que tenha os problemas pois eles contextualização a situação problema, fazendo com que faça sentido a aluno, levando a reflexão na busca de sua resolução.

     

     

    5 – Invista em formação

    Devemos ressaltar que para vencer a ansiedade matemática em você professor e nos seus alunos, é necessário investir em formação. Somente por meio de conhecimento é que seremos capazes de parar de nos sabotar, fazer com que acreditemos que sabemos e podemos ensinar matemática de maneira segura, sem ficar só na “intuição docente”.