Enfermagem clínico - cirúrgica

NOÇÕES BÁSICAS EM AUXILIAR DE INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA

1 Planejamento e organização do centro cirúrgico:

Cirurgia é o ramo da medicina que lida com enfermidade e condições que necessitam, de técnicas operatórias.Quanto à finalidade a cirurgia pode ser:

• Diagnostica – realizada com o objetivo de ajudar no esclarecimento da doença (laparotomia exploradora, biopsia).

• Curativa – tem por objetivo extirpar ou corrigir a causa de uma doença (apendicectomia).

• Corretiva – finalidade de reconstituir, restabelecer a capacidade funcional perdida ou diminuída (fissura palatina).

• Paliativa – tem o objetivo de atenuar, aliviar ou corrigir provisoriamente a dor causada pela doença (colostomia).

As cirurgias são divididas em três categorias quanto à necessidade de realização.

• Emergência – deve ser realizada de imediato, com a finalidade de salvar a vida do paciente. (hemorragia interna, amputação traumática).

• Urgência – sua realização é necessária, aguardar de 24 a 48 horas. (colecistectomia).

• Eletiva – sua realização pode aguardar ocasião mais propícia, mas com necessidade (cistos superficiais, herniorrrafia).

 

Centro Cirúrgico: é um conjunto de áreas e instalações agrupadas dentro de um hospital, onde permite a realização de atividades cirúrgicas nas melhores condições de segurança para o paciente e de conforto para os médicos e equipe de enfermagem.

 

Finalidades:

a. Realizar intervenções cirúrgicas e encaminhar o cliente à unidade de origem, na melhor condição possível de integridade;

b. Servir de campo de estágio para a formação e aprimoramento de recursos humanos;

c. Prover recursos humanos e materiais para que o ato seja realizado dentro de condições ideais e assépticas;

d. Desenvolver pesquisas objetivando o desenvolvimento científico e tecnológico, em prol dos clientes.

 

Localização – o centro cirúrgico deve localizar-se em área independente da circulação geral, livre de ruídos, trânsitos de pessoas e materiais estranhos ao serviço; próximo à Clínica Cirúrgica, UTI e Recuperação Pós-Anestésica.

 

Fatores – para se determinar o número de salas cirúrgicas em cada hospital, devemos considerar:

a. Tipo de cirurgia: eletiva ou urgência;

b. Duração da cirurgia;

c. Especialidade cirúrgica;

d. Horário de funcionamento;

e. Número de equipe cirúrgica;

f. Atividade de ensino.

 

Área – segundo o Ministério da Saúde, Construção e Instalações de Serviços de Saúde, o critério estabelecido é de 01 sala de operação para cada 50 leitos gerais e 02 salas para cada 50 leitos especializados.

 

Estrutura física – o Centro Cirúrgico realiza atividades através das seguintes estruturas:

a. Bloco Operatório – com salas de operação equipadas a depender da especialidade;

b. Recuperação Pós-Anestésica – com leitos equipados para atender aos clientes no pós-anestésico, até a normalização dos sinais vitais;

c. Cento de Material Esterilizados– local onde são preparados e armazenados os matérias para serem distribuídos a todas a unidades do hospital. O Centro de Material Esterilizado pode ser anexo ao C.C. ou na sua própria área.

 

Recursos Humanos:

a. Enfermeira Coordenadora;

b. Enfermeira Assistencial;

c. Técnica de Enfermagem;

d. Auxiliar de Higienização;

e. Auxiliar Administrativo.

2 Planejamento e organização do centro cirúrgico Parte 2:

Controle asséptico:

a. Área restrita – área de trânsito privativo, com limites definidos para a circulação de pessoal e equipamentos, rotinas específicas para o controle e manutenção da assepsia. Compõe-se de: lavabos, CRPA, sala de anatomia patológica, sala para acondicionamento de sangue e órgãos, raios-X, corredor interno e sala de esterilização.

b. Área Semi-Restrita–área na qual é permitida a circulação de pessoal e de equipamentos de modo a não interferis nas rotinas de controle e manutenção da assepsia da área restrita. Compõe-se de: expurgo, copa, sala de estar, secretaria, sala de preparo de material.

c. Área Não-Restrita (Irrestrita) – área de livre circulação, em que não exige trânsito privativo. Compõe-se de: vestuários e corredor de transferência de macas.

 

Elementos:

a. Vestuários masculino e feminino – devem localizar-se na entrada do C.C., contendo armários e banheiros com chuveiros. O acesso ao C.C. só é permitido depois de vestirem as roupas privativas;

b. Corredor periférico;

c. Lavabos;

d. Secretaria e posto de enfermagem;

e. Copa;

f. Sala de material de limpeza;

g. Expurgo;

h. Sala de estar e repouso;

i. Sala para guarda de aparelhos e equipamentos;

j. Rouparia;

k. Sala de reserva de medicamentos;

l. Sala de anatomia patológica;

m. Sala de cirurgia;

n. Sala de Recuperação Pós-Anestésica. A SRPA pode situar-se no bloco cirúrgico ou anexo a este.

 

Sala de Operação:

a. Área física: o tamanho da sala deve oferecer conforto e boa circulação para toda a equipe.

b. Forma: deve ser retangular (6m x 7m) ou oval, acompanhando a estrutura das mesas. A sala cirúrgica deve ter isolamento acústico e térmico.

c. Paredes: devem ser revestidas com material lavável, resistente e de cor neutra, os cantos da parede com o piso, do teto com a parede devem ser arredondados, a fim de facilitar a utilização de aparelhos; devem permitir a instalação dos dispositivos de iluminação, em número suficiente, para maior facilidade na utilização de aparelhos.

d. Piso: deve ser condutivo, não poroso, não absorvente, resistente a agentes químicos, sem fendas ou fissuras, ter aspectos estéticos, realçar a sujeira, resistente ao choque e de fácil limpeza.

e. Portas: devem ser amplas a fim de facilitar a passagem das macas e equipamentos cirúrgicos. Portas vaivém com visores, devendo manter-se fechadas, evitando ao máximo a movimentação do ar.

f. Teto: deve ser de material resistente, lavável, não conter rachaduras e as interseções das paredes arredondadas.

g. Janela: o uso de janelas está relacionado com a ventilação e iluminação, porém já estão sendo substituídas por sistema de ar condicionado. Quando presentes devem estar localizadas de modo a espalhar luminosidade em todo o ambiente, não permitindo a entrada de poeira e insetos. Além de concorrer para a economia de energia elétrica,atua como germicida pela penetração de raios ultravioleta.

h. Ventilação:o uso da ventilação artificial proporciona um ambiente confortável, permitindo a renovação do ar, elimina odores e impurezas, temperatura em torno de 22ºC e umidade relativa do ar de 55 a 60%.

i. Iluminação: o mais natural ajuda a compensar o esforço visual e não altera a coloração da pele e mucosas do paciente. A iluminação artificial deve ser protegida contra interrupções bruscas e queda de energia elétrica, adaptada a uma fonte geradora. Deve ser adequada a iluminação do campo operatório, com ausência de sobras e reflexos.

j. Lavabos: devem estar localizados próximo às salas de operação com dispositivos para controle de temperatura de água, podendo ser acionado com pé, cotovelo ou joelho.

 

3 Planejamento e organização do centro cirúrgico Parte 3:

Equipamentos – os equipamentos na sala de operação variam desde o mais simples ao mais complexo, a depender do tipo de cirurgia. Os equipamentos devem ser de preferência de aço inox, de fácil limpeza, ter durabilidade e proporcionar segurança para o paciente e equipe. Podem ser classificados em fixos e móveis.

• Fixos – são aqueles adaptados à estrutura da sala cirúrgica.

- Negatoscópio;

- Interruptores e tomadas elétricas de 110 e 220 volts;

- Oxigênio, oxido nitroso e vácuo canalizados;

- Foco central;

- Ar condicionado.

• Móveis – são aqueles que podem ser acrescidos ou deslocados. A sala de operação deve ter o mobiliário necessário e indispensável, evitando infecção.

- Mesa cirúrgica e acessórios;

- Foco auxiliar;

- Escadinha dois degraus e estrada;

- Raio X portátil;

- Bisturi elétrico e aspirador;

- Carro de anestesia complexo e reanimação;

- Aparelho de pressão e garrote;

- Extensões;

- Mesa auxiliar e de Mayo;

- Mesa do instrumentador;

- Suporte de soro e alças;

- Banco giratório;

- Balde de lixo;

- Aquecedor de soro;

- Balde para roupa ou hamper.

- A depender da especialidade cirúrgica poderão ser acrescidos outros equipamentos imprescindíveis ao ato cirúrgico.

 

Material Estéril:

- Aventais ou Lap;

- Campos simples ou duplos;

- Impermeável;

- Compressas grandes ou pequenas, gazes e ataduras;

 

4 Planejamento e organização do centro cirúrgico Parte 4:

- Material para antissepsia;

- Aventa vestido com abertura para gente;

- Cuba rim, bacias, cúpulas grandes e pequenas;

- Luvas de diferentes números;

- Material de corte (tesouras e cabos de bisturi)

- Sondas e drenos diversos;

- Cabo de bisturi elétrico;

- Cabo de borracha para aspirador;

- Caixa de instrumental;

- Fios de sutura;

- Equipos de soro e sangue, seringas, agulhas, cateteres de punção venosa;

- Material extra, específico a cada cirurgia;

- Esparadrapo.

 

Soluções:

- Álcool a 70%, PVPI degermante e tópico;

- Éter;

- Soro fisiológico, glicosado, glicofisiológico, ringer lactato; adrenoplasma;

- Pomadas;

- Xylocaina spray e geleia;

- Outras.

Medicamentos – Os medicamentos são necessários à assistência do paciente no transoperatório, devendo ser solicitado na farmácia satélite (do C.C.). O carro de anestesia deve conter as seguintes medicações:

- Analgésicos;

- Antipiréticos;

- Corticosteroides;

- Diuréticos;

- Eletrólitos (NaCl, KCl. Bicarbonato de sódio);

- Hipertensores;

- Cardiotônicos;

- Anticoagulantes;

- Anestésicos; Outros.

 

5 Planejamento e organização do centro cirúrgico Parte 5:

Impressos:

- Folha de gráfico do anestésico;

- Folha de relação de gastos;

- Folha de controle de psicotrópicos;

- Receituário;

- Relatório de enfermagem;

- Prescrição médica;

- Ficha de notificação compulsória;

- Atestado de óbito.

Equipe cirúrgica: Conjunto de profissionais e ocupacionais que, num processo dinâmico, prestam assistência sistematizada e global ao paciente durante sua permanência no centro cirúrgico. Na sala de operação o trabalho é dinâmico, numa relação de complementariedade com os demais membros. A equipe é composta por: cirurgião, anestesista, auxiliar do cirurgião, enfermeiro, instrumentador e circulante.

 

Posicionamento do paciente:

Fatores que determinam o posicionamento:

a. Abordagem cirúrgica;

b. Tipo de anestesia;

c. Idade, altura e peso do paciente.

Itens que influenciam na segurança do posicionamento:

a. Manutenção da boa função respiratória;

b. Manutenção da boa circulação;

c. Prevenção da pressão sobre músculos e nervos;

d. Boa exposição e acesso para o campo cirúrgico;

e. Bom acesso para a administração de anestésicos.

Acessórios necessários para o posicionamento:

a. Braçadeiras;

b. Travesseiros;

c. Coxins;

d. Saco de areia;

e. Perneiras;

f. Suporte para ombros;

g. Esparadrapo;

h. Extensão para mesa;

i. Suporte para cabeça;

 

6 Planejamento e organização do centro cirúrgico Parte 6:

j. Suporte para os pés;

k. Cobertores.

Observação: O paciente só é posicionado após ser anestesiado.

Posição de litotomia: Essa posição é derivada do decúbito dorsal, na qual se elevam os MMII, que ficam elevados em suportes especiais, denominados perneiras e fixados com correias. Usada para abordagem perineal.

 

 

Posição de prona: o paciente deita em decúbito ventral. Usada para cirurgia na parte posterior do corpo. Observação: necessidade de expansão pulmonar – liberação das mamas no sexo feminino – uso de coxins e travesseiros; cabeça lateralizada e braços no suporte.

 

 

Posição lateral: Nessa posição o paciente fica deitado sobre um dos lados, para obter seu equilíbrio pela flexão da perna inferiormente colocada a extensão da superior, fixando-o transversalmente pelo quadril a mesa operatória. O paciente fica deitado sobre o lado não afetado, oferecendo acesso a parte superior do tórax, na região dos rins, na seção superior do ureter. O posicionamento das extremidades e do tronco facilita a exposição desejada. Essa posição também permite visualizar a região dos rins, a ponte da mesa de operação é levantada (Pilet) e a mesa é flexionada, de modo que a áreas entre a 12º costela e a crista ilíaca seja elevada. Usada para cirurgia de rins, pulmões e quadril.

 

 

Posição de Fowler: o paciente é colocado em posição dorsal com o tórax elevado e os ombros são mantidos eretos. Usado para neurocirurgia.

Posição de Fowler Modificada: Essa é a posição sentada propriamente dita, isto é, em ângulo de 90º. Flexiona-se a parte dos MMII para prevenção de quedas. Ocorre o aumento do peso da paciente no dorso do corpo. O repouso do dorso é elevado, os joelhos são flexionados, e o suporte de pé é mantido no lugar. Indicada neurocirurgias, mamoplastias e abdominoplastias.

 

 

8- Posição supina ou dorsal: o paciente fica deitado sobre o dorso com seus brações em posição anatômica e as pernas levemente afastadas. Usada para indução de anestesia geral e acesso a cavidades maiores do corpo.

 

 

Posição de Tredelenmburg: o paciente fica em posição dorsal, com a pelve e membros inferiores elevados. Usada para cirurgia de abdome inferior e algumas cirurgias de extremidades inferiores. Essa posição pode, às vezes, interferir na respiração, porque o peso adicional dos órgãos internos comprime o diafragma do paciente.

 

 

Posição de Tredelenmburg Reversa: Nessa posição o paciente estará em decúbito dorsal com elevação da cabeça e tórax e abaixamento do MMII. Usada frequentemente para oferecer acesso a cabeça e pescoço para facilitar que a força de gravidade desloque a víscera para adiante do diafragma e na direção dos pés. Indicada para manter as alças intestinais na parte inferior do abdome e reduzir a pressão sanguínea. Quando a modificação desta posição é usada para cirurgia da tireoide, o pescoço pode ser hiperestendido pela elevação dos ombros do paciente.

 

 

Posição Canivete (Kraske): É a posição derivada da ventral, na qual os MMII, tórax e MMSS são abaixados de forma que o corpo fique fletido sobre a mesa, mantendo-se a região a ser operada em plano mais elevado. Utilizada para cirurgias da região proctológicas e coluna lombar.

 

 

O que devemos observar:

• O corpo do paciente está bem alinhado;

• Os pés não estão cruzados;

• A cinta da coxa está passada corretamente;

• Os braços estão posicionados anatomicamente;

• As braçadeiras estão segurando os braços apropriadamente pelo meio do braço até o punho;

• Os cotovelos estão protegidos da pressão excessiva;

• Os coxins foram colocados adequadamente;

• Conferir a posição da cabeça;

• Se o paciente está bem fixado na mesa.

 

7 Degermação e paramentação:

Assepsia hospitalar: A assepsia é o processo de eliminar ou matar os microrganismos patogênicos de uma determinada superfície. Com o objetivo de conduzir o ato cirúrgico dentro dos padrões de segurança, evitando infecções, lançamos mão de recursos de assepsia, anto-sepsia e de conceitos para elucidar as diversas terminologias.

• Assepsia: conjunto de meios usados para impedir a penetração de germes em local que não contenha (uso de luvas, campos operatórios e instrumentos estéreis).

• Anti-sepsia:método usado para impedir a proliferação de microrganismos em tecidos vivos com o uso de substâncias químicas (escovação das mãos com sabões antissépticos).

• Degermação: remoção ou redução das bactérias da pele, por meio de limpeza mecânica (sabões, degermantes e escavagens) ou por agentes químicos. A degermação é aplicada sobre tecidos vivos.

• Desinfecção: destruição dos germes patogênicos ou inativação dos vírus, não necessariamente matando os esporos. A desinfecção é aplicada nos pisos, paredes, superfície de equipamentos, mobiliários e utensílios sanitários.

• Esterilização: eliminação total dos microrganismos, eliminação dos esporos e inativação dos vírus. A esterilização é aplicada no instrumental e roupas, avental, campos e compressas.

• Sanificação: redução do número de germes a um nível julgado isento do perigo, aplicação realizada em objetos inanimados nas dependências hospitalares, refeitórios e lavanderias.

• Desinfestação: exterminação ou destruição de insetos, roedores ou outros que possam transmitir infecções ao homem e a outros animais ou meio ambiente.

 

Roupas:

1. Uso do uniforme privativo nas dependências do centro cirúrgico, destinados à proteção do paciente e equipe cirúrgica: calças, jaleco, gorro, máscara, propé.

2. Além do uniforme privativo, as roupas incluem lençol móvel, lençol para cobertura do paciente, triângulo, cobertura da mesa cirúrgica.

3. Quanto a necessidade de esterilização as roupas podem ser:

a. Limpas: aquelas que necessitam apenas do processo delavagem e desinfecção;

b. Assépticas: necessitam, para o seu uso, de serem submetidas a processos de esterilização. São aventais, campos cirúrgicos, cobertura para mesa de instrumental e “opas” (proteção para costas dos membros das equipes).

4. O tipo de pano pode ser de algodão resistente, malha de algodão, sintético ou algodão leve.

5. O uso de roupas descartável na atualidade destaca-se pela praticidade de individualização.

6. Para aquisição de tecidos para a confecção de roupas do C.C. devem ser observados permeabilidade a vapor, boa durabilidade, resistência, baixo custo e cor firme.

Degermação: Consiste na remoção de maior quantidade de bactérias, detritos e impurezas depositadas sobre a pele. A pele normalmente possui bactérias resistentes e transitórias, sendo que as transitórias podem ser eliminadas facilmente com a lavagem das mãos com água e sabão durante 7 a 8 minutos. As bactérias resistentes são de difícil remoção por estarem fortemente aderidas a superfície cutânea. A degermação das mãos e antebraços podem ser realizados pelos métodos:

• Mecânicos: escova estéril + água corrente + sabão

• Químicos: uso de antisséptico degermante + escova estéril + água corrente

De acordo com as soluções preconizadas pelo Ministério da Saúde à base de PVPI ou clorexidine, em média 15 fricções em um tempo de 10 minutos podem atingir 95% de grau de confiança. A degermação é importante pelas seguintes razões:

• As luvas podem apresentar-se furadas ao final da cirurgia;

• Elas podem apresentar defeito de fabricação imperceptível ao olho nu;

• As bactérias tendem a se multiplicar com o suor das mãos e calor desta sobre as luvas;

• As luvas sofrem constantes traumas por agulhas, unhas e outros.

 

Procedimentos:

• Estar paramentado com o uniforme privativo do C.C., usando gorro, máscara bucal e narinas, manter unhas curtas e sem esmalte;

• Retirar joias das mãos e antebraços, inclusive aliança;

• Proceder degermação somente de pele íntegra e sem solução de continuidade;

• Abrir a torneira, lavar as mãos, antebraços e cotovelos com degermante e água corrente para retirada de algum resíduo;

• Retirar a escova esterilizada do suporte e segurá-la pela metade inferior com a mão esquerda e embebê-la com degermante;

 

8 Degermação e paramentação Parte 2:

• Iniciar a escovação pelas unhas da mãe direita; em caso de pessoas canhotas pela esquerda, contando 15 movimentos;

• Escovar a palma da mão (região ventral), começando pela parte lateral do dedo mínimo, espaço interdigital de cada dedo, até o polegar, com movimentos de vaivém para cada área descrita, desde a extremidade dos dedos até o pulso;

• Virar a mão e escovar o dorso da mesma mão, começando pela região lateral externa do polegar e terminando no dedo mínimo com movimentos de vaivém;

• Passar para o antebraço, escovando em toda a sua extensão, desde o punho até o cotovelo, girando e mantendo a mão elevada, não podendo tocar em nada;

• Escovar também o cotovelo com movimentos circulares;

• Enxaguar a escova, passar para a outra mão, pegando-a pela extremidade oposta que segurava antes;

• Ensaboar e iniciar a escovação da mãe esquerda com os mesmos procedimentos adotados para a mão direita;

• Ao terminar a escovação depositar a escova na pia;

• Proceder o enxague no sentido das unhas, mãos, antebraço e cotovelo, em ambos os braços;

• Manter as mãos juntas e elevadas após o enxague, deixando escorrer o excesso de água na pia;

• Ir para a sala operatória, mantendo as mãos juntas e antebraços em posição vertical, acima da cintura e sem tocar em nada;

• Enxugar com compressas esterilizadas as mãos, antebraços e por último os cotovelos, primeiro o da mão direita e depois o da mão esquerda, em seguida desprezar no hamper.

Vestir avental esterilizado: A finalidade do uso do avental esterilizado é servir de barreira protetora, que contribui para a manutenção da condição de assepsia e proteção do paciente.

 

Procedimentos:

• Pegar o avental pela parte posterior superior junto às tiras, elevá-lo e trazê-lo para fora da mesa;

• Abrir o avental sem encostar em nada, realizando movimentos firma e rápido;

• Segurar o avental pela parte interna do ombro, e com um movimento rápido e cuidadoso, introduzir os dois braços nas mangas, ao mesmo tempo, conservando as mãos para o alto e os braços em extensão;

• Distanciar da cintura os amarrilhos para que o circulante possa pegá-los e amarrá-los;

• Deixar os braços acima da cintura e na frente, considerar esterilizados apenas a parte da frente e acima da cintura.

Calçar luvas esterilizadas: O uso das luvas esterilizadas tem por finalidade completar a barreira protetora, visando manter a assepsia cirúrgica

• Abrir o envelope de luvas, de modo que os punhos finquem voltados para a pessoa que vai calçar;

• Calçar a luva esquerda, segurando-a a com a mão direita, tendo o cuidado de segurá-la sobre a dobra do punho;

• Calçar a luva direita, com o auxilio da mão esquerda, com os dedos introduzidos na dobra e puxá-la até cobrir o punho da manga do avental;

• Ajeitar as luvas com ambas as mãos e sobrepô-las ao punho do avental, não deixar qualquer parte do punho do avental para fora nem pele exposta;

• Conservar as mãos enluvadas para o alto e acima do nível da cintura.

 

Descalçar as luvas:

• Dobrar os punhos das luvas, sem, contudo tocar n aparte interna;

• As luvas devem ficar pelo avesso, com a finalidade de proteger a equipe cirúrgica.

 

9 Processos de esterilização:

• Microrganismos: organismos vivos, invisíveis a olho nu;

• Microrganismos patogênicos: são microrganismos que causam doenças infecciosas;

• Esporos: são formas inativas de bactérias;

• Esterilização: é o processo de destruição de todos os organismos patogênicos, eliminação dos esporos e inativação dos vírus;

• Desinfecção: processo de destruição de todos os organismos patogênicos, exceto os esporulados;

• Desinfetante: substancia química usada para fazer desinfecção;

• Antisséptico: toda substância capaz de impedir a proliferação das bactérias, inativando-as ou destruindo-as;

• Bactericida: agente que mata as bactérias.

 

Métodos de esterilização:

 

 

 

Esterilização por calor úmido:

 

Por meio físico a vapor sob pressão -esterilização a calor úmido por meio de vapor saturado e sob pressão constitui o processo de esterilização mais variável e fácil de controlar.

 

Vantagens:

• Altamente efetiva;

• Rápido aquecimento e rápida penetração nos pacotes;

• Barata;

• Pode esterilizar.

 

desvantagens:

• O material deve ter resistência ao calor e a umidade;

• Não esteriliza pós e óleos.

 

Os materiais são divididos em:

• Material de superfície: material pouco denso, exposição de 15 min a 121°C. Exemplo: seringas, agulhas, cubas, sondas, etc.

• Material de densidade: material espesso. Exposição por 30 minutos a 121°C. Exemplo: gazes, compressas, campos, etc.

 

Cuidados com o carregamento da autoclave:

• Carregar o aparelho com material que requer o mesmo tempo de exposição;

• Utilizar apenas 80% da capacidade da autoclave;

• Dispor o material na autoclave, de modo a facilitar a penetração e circulação do vapor e eliminação do ar.

 

Esterilização pelo ar seco:

Estufa ou forno de Pasteur – caracteriza esse método a ausência de umidade, o que o torna menos eficiente e mais moroso, por aumentar a termo resistência de esporos. Deve ser utilizado apenas por material que não pode ser esterilizado pelo vapor.

 

Vantagens:

• Esteriliza pós, óleos e vidros;

• Pouco corrosivo;

• Baixo custo.

 

Desvantagens:

• A penetração do calor no material é lenta;

• Requer longo período de exposição;

• Limitações de artigos e utilização de invólucros;

• Inadequada para tecidos e borrachas.

 

10 Processos de esterilização Parte 2:

Observações:

• Para se efetuar a esterilização faz-se necessário um período de 2horas de exposição a 160°C.

• As substancias oleosas exigem 4 horas e 45 minutos para que haja aquecimento e esterilização a 160°C .

• Durante a esterilização a estufa não pode ser aberta.

 

Esterilização por produtos químicos:

A escolha deste método faz-se pela impossibilidade de determinados matérias não poderem sem expostos ao calor. Ao escolher um produto químico observar as seguintes propriedades:

• Não ser irritante a tóxico para os tecidos humanos;

• Ter poder para destruir os microrganismos patogênicos;

• Ser estável;

• Não ser corrosivo.

Quando utilizar um produto químico como esterilizante, observar:

• Emergir o artigo na solução adequada;

• Utilizar EPI e garantir ventilação na sala;

• Preencher o interior das tabulações e reentrâncias com o auxilio de seringa, se necessário, evitando a formação de bolhas de ar;

• Observar e respeitar o tempo de exposição

• Enxaguar os artigos;

• Secar com compressa estéril ou ar comprimido;

• Acondicionar em invólucro adequado.

 

11 Tipos de anestesias:

conceitos:

Anestesia: é a perda parcial ou completa da sensação de dor com ou sem perda de consciência.

Analgesia: é a perda completa da sensação de dor sem a perda da consciência.

Hipnose: é a perda da consciência sem perda da sensação de dor.

 

Fatores que interferem na escolha da anestesia:

• Estado geral do paciente

• Idade do paciente

• Medicações usadas pelo paciente

• Procedimento cirúrgico

• Exames laboratoriais

 

Tipos de anestesia:

Geral: considera-se anestesia geral a capacidade que os anestesistas tem de bloquear toda a sensibilidade do corpo. Pode ser

a. Inalatória: o anestésico é inalado e introduzido na corrente sanguínea através da membra alveolar na circulação pulmonar e em seguida na circulação geral até os tecidos. Sua concentração no cérebro determina a profundidade da anestesia.

b. Endovenosa: agente endovenoso como droga principal. Exemplo Fentanil, Diazepan.

 

Cuidados de Enfermagem:

a. Receber o paciente cordialmente;

b. Puncionar veia calibrosa;

c. Aferir SSVV

d. Permanecer ao lado do paciente a fim de dar-lhe segurança e conforto;

e. Contê-lo se necessário;

f. Auxiliar o anestesista na conecção de intermediário no aparelho de anestesia;

g. Após anestesia, colocar o paciente na posição adequada para a cirurgia;

h. Colocar placa dispersiva;

i. Os membros devem ficar apoiados em talas ou suportes;

j. Verificar continuamente PA, P, R, cor da pele, ficando atento a sinais de choque. Fases da anestesia geral:

Indução: inicia-se com a administração do anestésico até atingir um grau de depressão do sistema nervoso central (SNC), sem ocorrer à perda da consciência, sem ocorrer à perda da consciência, sem sentir dor, preservando as funções vitais.

Manutenção: é quando mantem o SNC deprimido. Ocorre com administração de doses complementares a dose inicial.

 

 

Anestesia regional: considera-se anestesia regional a capacidade que o anestésico tem de bloquear a sensação de dor na raiz ou no tronco do nervo e afeta a região do corpo sem a perda da consciência.

 

Matérias necessários:

• Agulhas específicas

• Seringa e agulhas

• Materiais para assepsia

• Gases, máscara

• Anestésico

 

12 Tipos de anestesias Parte 2:

Pode ser: raquidiano ou epidural

Bloqueio raquidiano: o agente anestésico é injetado dentro do espaço subaracnóide, dessensibilizando as raízes nervosas raquidianas.

 

vantagens:

• Paciente permanece consciente

• Reflexos da garganta são mantidos

• Administração é fácil

• Não é irritante para o sistema respiratório

• Relaxamento muscular completo

 

Desvantagens:

• Tensão psíquica, pois o paciente pode ouvir

• Cefaleia

• Hipotensão

 

Complicações:

• Sequelas neurológicas

• Cefaleia

• Síndrome da cauda equina

• AVC

 

Contraindicações:

• Lesão da medula espinhal

• Doença neurológica

• Anemia intensa

Bloquei epidural – o agente anestésico é injetado no espaço que circunda a dura-máter. Vantagens:

• Ausência de complicações neurológicas

• Menos distúrbios na pressão sanguínea.

 

Complicações:

• Parada respiratória

• Hipotensão

Bloqueio local – A anestesia local deprime os nervos superficiais e interfere com a condução dos impulsos dolorosos de determinada área ou região.

 

13 Centro de recuperação pós-anestésico (CRPA):

A sala deve conter:

• Camas com grade

• Painel de gazes – oxigênio e ar comprimido

• Aspirador a vácuo e portátil

• Monitores

• Oxímetro

• Material de urgência

 

A alta geralmente é determinada por:

• Estabilização dos sinais vitais

• Nível de consciência

• Efeito da cirurgia

 

14 Prevenção de infecção:

Fontes de infecção:

• Paciente: microbiota da pele; tratos - respiratório, digestivo e gênito-urinário

• Equipe: orofaringe, cabelo e pele.

 

Fatores de risco:

• Idade do paciente

• Estado nutricional

• Doença de base (diabetes, desnutrição, obesidade e outros)

• Infecções comunitárias;

• Indicações inadequadas de cirurgia;

• Execução da técnica incorreta;

• Tempo de duração do ato cirúrgico;

• Presença de coágulos, espaço morto, prótese e tecido desvitalizado;

• Patologias sistêmicas subjacentes (doenças oncológicas, deficiência do estado imunológico, disfunção de órgãos e sistemas, doenças metabólicas)

“Quanto menor o tempo de permanência no hospital, menor a incidência de infecções de ferida cirúrgica.”

Classificação de cirurgia por potencial de contaminação: As infecções pós operatórias devem ser analisadas conforme o potencial de contaminação da ferida cirúrgica, entendido como o número de microrganismos presentes no tecido a ser operado. A classificação das cirurgias deverá ser feita no final do ato cirúrgico, pelo cirurgião. Podem ser: limpa, potencialmente contaminadas, contaminada e infectadas.

 

Cuidados com a ferida operatória:

1. Lavagem das mãos antes, durante depois de cada manipulação;

2. Usar luva estéril ao manipular ferida aberta ou recentemente fechada (menos de 24 h).

3. Tipos de feriadas:

a. Ferida cirúrgica fechada/seca (já ocorreu cobertura epitelial da ferida) Nas primeiras 24 h, manter coberta, trocando gaze em caso de exsudação ou sangramento ;Remover penso após 24 horas; Instruir o paciente para lavar com água e sabão – nãos esfregar – secar; Aplicar antisséptico; não cobrir.

b. Ferida úmida / aberta Manter penso cirúrgico; Fazer curativo com antisséptico (PVPI degermante ao redor da ferida e PVPI tópico no leito da ferida)

c. Ferida com Exudação Serosa Trocar curativo sempre que necessário; Aplicar antisséptico.

d. Ferida com pequena secreção purulenta em pontos de sutura Remover precocemente pontos com exudação purulenta; Aplicar antisséptico; Manter gaze sobre a região recém aberta.

e. Ferida com dreno - Objetivos: Facilitar remoções de sangue, soro e fluidos; Impedir a formação de hematomas, espaço morto. Indicações: Cirurgias do trato biliar e pâncreas; Intervenções que haja: extensiva injúria dos tecidos, debridamento incompleto; impossível remoção total de corpos estranhos; inevitável contaminação bacteriana. Remover o mais cedo possível; Caso haja indicação, encaminhar para bacteriologia, caso cirurgia se torne infectada.

f. Cuidados especiais:i. Quando for trocar vários curativos, deve-se iniciar por aqueles de incisão limpa e fechada, seguindo-se de ferida aberta não infectada, depois os infectados e por último as colostomias e fistulas em geral. Quando for necessário o uso de pomadas, dispensá-las em gaze estéril (para não contaminar o tubo); Os recipientes das soluções devem permanecer tampados e a solução trocada a cada 24 horas, até 7 dias. O soro fisiológico deve ser desprezado a cada curativo; Reduzir o tempo de exposição da ferida e do material; Trocar o curativo toda vez que estiver sujo e úmido (não ultrapassar 6 horas); Usar técnica de tampão rotativo no curativo, evitando movimentos de vaivém; Limpar a ferida da área menos contaminada para a mais contaminada, lembrando que nas feridas infectadas a área mais contaminada é a do interior da lesão; e na cirurgia, a pele ao redor da incisão é a mais contaminada.

Terminologia Cirúrgica: A terminologia cirurgia é o conjunto de termos utilizados para indicar o tratamento cirúrgico a ser realizado.

Raiz: parte da estrutura da palavra, indicando q parte anatômica que sofrerá a intervenção cirúrgica.

Afixos: partes que são acrescidas antes (prefixos) ou após a raiz (sufixos). O sufixo indica o tratamento cirúrgico ou diagnóstico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

15 Tempo Cirúrgico:

Ato cirúrgico propriamente dito. São 04 tempos ou fases: diérese; hemostasia; cirurgia propriamente dita; síntese.

1- Diérese – a abertura ou incisão. Consiste em preparar os tecidos ou planos anatômicos para atingir uma região ou órgão. Pode ser classificada em mecânica ou física.

a. Tipos de diérese mecânica:

a. Punção – introdução de uma agulha ou cateter nos tecidos sem seccioná-los.

b. Secção – segmentação dos tecidos com material cortante.

c. Curetagem – raspagem de superfície de um órgão com o auxílio de cureta.

d. Dilatação – processo através do qual se procura aumentar a luz de um órgão tubular.

b. Tipos de diérese física:

a. Térmica: realizada com calor, cuja fonte é a energia elétrica (bisturi elétrico)

b. Crioterapia– consiste no resfriamento intenso e repetido da área em que vai ser realizada a intervenção cirúrgica.

c. Raio laser – consiste em um bisturi que emprega feixe de radiação infravermelho de alta intervenção cirúrgica.

2- Síntese/sutura – é a união dos tecidos. Pode ser:

a. Cruenta – união dos tecidos realizada por meio de sutura permanente ou removível.

b. Incruenta – é a aproximação dos tecidos, unindo bordas por meio de gesso, adesivo ou atadura.

c. Imediata – realizada logo após o traumatismo.

d. Mediata – algum tempo após a lesão.

e. Completa – quando é feita em toda a extensão da lesão.

f. Incompleta – a união dos tecidos não é realizada em toda a extensão da lesão, mantendo-se uma pequena abertura para colocação de um dreno.