Históco do Libras
Ensino de Libras
1 História do surdo:
Nesta unidade, iremos estudar os momentos que marcaram a história dos surdos: como surgiram os professores surdos e ouvintes, como ocorreu o aprendizado da datilologia e dos sinais metódicos, bem como a fundação da educação de surdos e os vários tipos de ensino baseados no Oralismo, na Comunicação Total e no Bilinguismo.
É muito importante termos conhecimento sobre a história dos surdos para assim entendermos o crescimento da educação desses indivíduos e compreendermos suas conseqüências. Mas como há pouco registro sobre escolas de surdos no Brasil, é interessante obtermos mais informações dessa história em livros de outros países como:
A Máscara da Benevolência, de Harlan Lane; Historia De La Educacion De Los Sordos En Mexico Y Lenguaje Por Senas Mexicano, da autora Margarita G. Adams; La increible y triste historia de la sordera, de autoria de G.C.M. Sánchez, entre outros.
2 Visão do Mundo I:
3 Visão do Mundo II:
4 História do surdo no Brasil:
Em 1855, veio para o Rio de Janeiro o surdo francês Eduard Huet, o qual, com o apoio de Dom Pedro II, organizou a abertura do Instituto de Surdos. Assim nasceu o Imperial Instituto de Surdos-Mudos (atual Instituto Nacional de Educação de Surdos) no dia 26 de setembro de 1857. Huet ensinou alunos surdos através da Língua de Sinais Francesa, mesclando-a com a Língua de Sinais usada pelos surdos brasileiros. Pouco tempo depois, no ano de 1861, Huet deixou a direção do Instituto.
No começo do ano de 1857, os surdos aprenderam LIBRAS. Quando se formavam no Instituto, os alunos regressavam às suas cidades e ensinavam-na. Assim, a LIBRAS foi se espalhando por todo o Brasil.
Algumas escolas de surdos foram fundadas no Brasil, como o Instituto Santa Terezinha, em São Paulo, e o Centro de Audição e Linguagem “Ludovico Pavoni” (CEAL/LP), em Brasília/DF.
No Brasil, existem poucas escolas de surdos. No caso das escolas inclusivas, fazem-se necessários ali a existência da LIBRAS em sala de aula, bem como um espaço para os surdos. O documento “A Educação que nós surdos queremos”, elaborado a partir da união da comunidade surda pela luta por uma melhor educação, no ano de 1999, mostrou vários tópicos importantes relativos à educação de surdos, dentre eles: “propor o fim da política de inclusão-integração escolar, pois ela trata o surdo como deficiente e, por outro lado, leva ao fechamento de escolas de surdos e/ou ao abandono do processo educacional pelo aluno surdo”. Também foi destacado no documento que é preciso “repensar, o destino do patrimônio dos surdos, assim como o patrimônio das escolas de surdos quando deixam de existir”.
Segundo Strobel e Fernandes, a escola de surdos é necessária e precisa oferecer uma educação escolar de surdos que promova o desenvolvimento de indivíduos cidadãos, ao mesmo tempo em que é um centro de encontro com o semelhante, o que contribui para a construção da identidade surda. Nesse sentido, o processo educacional de surdos é muito importante para a comunidade surda, pois existem poucos dados históricos sobre a educação de surdos.no Brasil.
No Rio Grande do Sul:
Embora existam poucos registros, houve, na década de 20, a abertura de várias escolas de surdos em Porto Alegre e em cidades do interior do Rio Grande do Sul.
São algumas delas:
- Instituto Frei Pacífico, inaugurado no dia 24 de setembro de 1956, em Porto Alegre. Adotou como método o oralismo; atualmente, porém, utiliza como método de ensino a LS;
- Unidade de Ensino Especial Concórdia, na Universidade Luterana do Brasil – ULBRA – em Porto Alegre, inaugurada no dia 5 de setembro de 1966, adotando como método o oralismo. Atualmente utiliza a LS;
- Escola Lilia Mazeron, em Porto Alegre/RS, utiliza a LS;
- Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores (CMET), escola com educação de jovens e adultos, em Porto Alegre/RS, que também usa a LS;
- Instituto Ipiranga, em Porto Alegre, o qual foi inaugurado em 1921, também utilizando o método do oralismo, que foi ensinado pela professora alemã Louise Schmit. Porém, esta escola fecharia em 1931. Em 1952, foi criada a Escola Especial de Surdos, situada na atual Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas Portadoras de Deficiência e de Altas Habilidades no Rio Grande do Sul (FADERS), na Rua Duque de Caxias, em Porto Alegre, escola que também fecharia;
- Escola Padre Réus, em Esteio/RS;
- Escola Municipal de Educação Especial (EMEES), em Gravataí/RS;
- Escola Vitória, em Canoas/RS;
- Em Caxias do Sul/RS, surgiu a Escola Municipal de Ensino Fundamental Helen Keller (antigo Centro Educacional para Deficientes da Audição e da Fala Helen Keller) em 1960, que utiliza a LS;
- Em Santa Maria/RS, foi fundada a Escola de Educação Especial Dr. Reinaldo Fernando Coser, em 2001, que utiliza a LS;
- Em Santa Rosa/RS, foi inaugurada, em 1986, a Escola de Ensino Médio Concórdia para Surdos (antiga Escola de 1º Grau Incompleto Concórdia para Educação Especial), escola que também utiliza a LS.
No Rio Grande do Sul, foi criado pelo Professor Dr. Carlos Skliar, em 1996, o Núcleo de Pesquisas em Políticas Educacionais para Surdos (NUPPES), grupo formado por professores surdos e ouvintes e por mestrandos e doutorandos surdos e ouvintes do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Este núcleo teve como objetivo ampliar os horizontes da Educação de Surdos, quebrando a visão clínica e tradicional da surdez, na qual predominavam os currículos próprios da cultura ouvinte, ou apenas adaptados aos surdos.
O NUPPES trouxe grande mudança na Educação de Surdos no Rio Grande do Sul, desenvolvendo, ao longo de sua existência, muitas idéias novas. Contudo, o grupo encerrou seus trabalhos em 2004. Apesar disso, este modelo foi espalhado para outras universidades que têm estudantes e professores surdos e ouvintes.