Teorias da Administração e Economia

Agente Administrativo

1 Introdução a TGA

O conceito de Teoria Geral da Administração (TGA) engloba as teorias administrativas, que, no seu conjunto, são constituídas de normas e boas práticas, baseadas em conceitos científicos com o intuito de aproximar a ciência administrativa e as organizações para obter a maximização da eficiência, eficácia, produtividade e do lucro.
As Teorias Administrativas tiveram sua importância reconhecida logo no início do século XX, quando, após o advento da revolução industrial, quando foi necessário começar a produzir em larga escala, gerando assim uma urgência de organizar e controlar a produção industrial para suprir a crescente demanda.
Anteriormente a isto, as organizações confeccionavam seus produtos de maneira artesanal, com formas de produção rudimentares, adotando assim suas regras e padrões inerentes as peculiaridades de cada uma.

A ciência da administração é relativamente recente, porque os estudos mais aprofundados tem início no final do século XIX e começo do século XX, quando foi verificada a relação entre o desenvolvimento social e econômico com o desenvolvimento e expansão industrial, ou seja, que as localidades que possuíssem as empresas mais bem administradas tendiam a se desenvolver com maior intensidade do que as demais.
Sem os critérios atualmente adotados pela administração, é praticamente impossível que uma organização sobreviva no atual contexto social e econômico. É preciso que os gestores exerçam com maestria a arte do planejamento, organização, liderança, execução e controle.

Administração científica ou taylorismo

O modelo da administração científica foi criado pelo americano Frederick Winslow Taylor no final do século XIX e início do século XX, sendo baseado na aplicação do método científico na gestão com a finalidade de se maximizar a relação custo/benefício nas atividades produtivas.
Taylor propôs a racionalização do trabalho através do estudo dos tempos e movimentos. Os trabalhadores deveriam ser escolhidos com base na divisão do trabalho e na sua capacidade de realizar determinadas tarefas. Logo em seguida, deveriam ser treinados para desempenhar esta tarefa da melhor maneira possível no menor tempo.
 Taylor também argumentava que o trabalhador deve ser remunerado de acordo com sua produção, pois, isso serviria como um incentivo para ele produzir cada vez mais.

Os princípios da administração cientifica, são:

  • Planejamento: substituição de métodos empíricos por procedimentos científicos. As atividades devem ser estudadas e seus movimentos decompostos para reduzir e racionalizar sua execução;
  • Preparo dos trabalhadores: deve-se selecionar os trabalhadores de acordo com suas habilidades e, em seguida, treiná-los para produzir mais e melhor, de acordo com a metodologia planejada para que atinjam a meta estabelecida;
  • Controle: fiscalizar a realização dos trabalhos para garantir que os mesmos serão executados de acordo com a metodologia estabelecida e dentro do objetivo proposto;
  • Execução: delegar tarefas e responsabilidades de acordo com as habilidades de cada um com o objetivo eliminar movimentos inúteis, estabelecendo assim um tempo médio, para que as atividades pudessem ser realizadas em menor tempo e com qualidade, aumentando a produção de forma eficiente. 

Em suma, a vantagem da administração científica de Taylor é o foco na produtividade enquanto sua principal desvantagem é a mecanização do trabalho.

Teoria burocrática

A teoria burocrática de Max Weber é baseada inteiramente no pensamento racional em prol da excelência administrativa. Atualmente, o conceito de burocracia está associado a processos lentos e documentos desnecessários, todavia, a teoria estudada se trata da maneira mais detalhada de se resolver um procedimento com o intuito de evitar insucessos.

Os princípios da teoria burocrática são:

  • Caráter legal de normas e regulamentos: elaboração de normas e regulamentos documentados por escrito;
  • Caráter formal das comunicações: toda comunicação deve ser realizada pela escrita a fim de evitar múltiplas interpretações em ações e procedimentos;
  • Caráter racional e divisão do trabalho: deve-se haver a divisão do trabalho a fim de obter uma maior eficiência dentro das organizações;
  • Impessoalidade nas relações: não se deve distinguir pessoas, apenas funções e cargos exercidos na organização;
  • Hierarquia de autoridade: definição da cadeia de comando organizacional;
  • Rotinas e procedimentos: padronização de regras e procedimentos para regular a conduta do funcionário dentro da empresa;
  • Meritocracia: a competência é o fator determinante para admissão, demissão e promoção de colaboradores na empresa;
  • Administração especializada: o gestor da empresa não necessariamente é o dono, e sim uma pessoa apta para estar no cargo.

Teoria clássica

Elaborada por Henri Fayol, a teoria clássica da administração se caracteriza por sua ênfase na estrutura organizacional e busca pela eficiência, entretanto, sofreu duras críticas a respeito da manipulação dos trabalhadores. 
Fayol listou 14 princípios básicos que podem ser estudados de forma complementar aos de Taylor:

  • Divisão do trabalho: especialização dos colaboradores desde os mais altos escalões até os operários das fábricas, o que favorece a eficiência da produção e aumenta a produtividade;
  • Autoridade e responsabilidade: autoridade é o direito dos superiores de dar ordens que teoricamente serão obedecidas. A responsabilidade é a contrapartida da autoridade;
  • Unidade de comando: um funcionário deve receber ordens de um único chefe, evitando ordens opostas;
  • Unidade de direção: o controle único é possível aplicando um plano a um grupo de atividades com os mesmos objetivos;
  • Disciplina: necessidade de estabelecer regras de conduta e trabalho válidas para todos os colaboradores. A ausência de disciplina cria caos na organização;
  • Prevalência dos interesses gerais: os interesses gerais da organização devem prevalecer sobre os interesses individuais;
  • Remuneração: deve ser suficiente para garantir a satisfação dos colaboradores e da própria organização;
  • Centralização: as atividades vitais da organização e sua autoridade devem ser centralizadas;
  • Hierarquia: defesa incondicional da estrutura hierárquica, respeitando estritamente uma linha fixa de autoridade;
  • Ordem: deve ser mantido em cada organização, preservando um lugar para tudo e tudo em seu lugar;
  • Equidade: a justiça deve prevalecer em todas as organizações, justificando a lealdade e dedicação de cada funcionário à empresa;
  • Estabilidade: a alta rotatividade tem consequências negativas para o desempenho da empresa e o moral dos funcionários;
  • Iniciativa: deve ser entendido como a capacidade de estabelecer um plano e cumpri-lo;
  • Espirito de equipe: o trabalho deve ser conjunto, facilitado pela comunicação dentro da equipe. Os membros do mesmo grupo devem ter consciência de classe para defender seus propósitos.

Teoria das relações humanas

A teoria das relações humanas tem sua ênfase nas pessoas e teve seu início a partir da experiência Hawthorne. Esta defendia o foco na organização informal, comunicação, liderança, motivação e dinâmica de grupo.
O objetivo inicial desta pesquisa era estudar o cansaço, os acidentes de trabalho, a rotatividade do trabalho nas indústrias e o efeito das condições de trabalho na produtividade dos trabalhadores. 
O experimento de Hawthorne teve quatro estágios;

  • Estudos de iluminação;
  • Sala de montagem do relé;
  • O programa de entrevistas;
  • Sala de montagem do terminal.

Na primeira etapa, buscou-se verificar como as condições externas afetavam a produtividade dos funcionários, para isso os funcionários foram divididos em dois grupos, um para observação e outro para controle.
O grupo de observação trabalhou com iluminação de intensidade variável, enquanto o grupo controle trabalhou com iluminação constante. Descobriu-se então, no final da primeira fase, que não existe relação entre Produtividade X Iluminação, mas sim uma variável, até então inexistente, a do fator psicológico já que a produtividade dos funcionários aumentou, pois, apesar de não haver alteração na iluminação eles acreditavam que sim.
Após a descoberta dos fatores psicológicos, na segunda etapa o objetivo principal era verificar a existência de fatores fisiológicos. Então, ele separou do resto da fábrica, cinco operários para montar os relés, um para trazer as peças e um supervisor, esse era o grupo de observação.

Essa segunda etapa foi dividida em 12 períodos, nos quais ocorreram variações de desempenho em relação ao restante da fábrica.
Durante esses 12 períodos, as jovens participantes do experimento foram informadas sobre as inovações a que seriam submetidas, aumento da remuneração, inclusão de pausas, aumento de intervalo, redução da jornada de trabalho, etc.
Ao concluir a segunda etapa, chegaram à conclusão de que o aumento da produtividade não havia sido relevante como se esperava, porém, também concluíram que os trabalhadores gostavam de trabalhar no grupo de observação, pois, ali a supervisão era mais branda e amigável.
A partir das conclusões da segunda etapa, os pesquisadores começaram a estudar Relações Humanas.

Durante a terceira etapa, iniciou-se o processo de entrevista com os operários por cerca de três anos. Dessa forma concluíram que havia um grupo informal dentro da fábrica, que os protegia das decisões administrativas, que acreditavam colocar em risco o bem-estar dos trabalhadores.
A última etapa do experimento teve como objetivo observar as organizações informais dentro da fábrica. Observou-se que os trabalhadores reduziram o ritmo de trabalho após adquirirem uma remuneração que consideraram satisfatória.
O experimento possibilitou a conclusão de que o fator social é de extrema importância para o sucesso da empresa, que a produtividade dependia do grau de integração dos trabalhadores, e que os funcionários são incapazes de entender as decisões da administração. Dessa maneira os gestores precisam entender essa limitação, e portanto, ser mais compreensivos e comunicativos.

Teoria estruturalista

Surgida na década 50, a teoria estruturalista representa uma evolução da teoria da burocrática com uma certa semelhança com a teoria das relações humanas, expandindo assim o estudo das interações entre grupos sociais.
De acordo com os estruturalistas, existe uma forte relação entre os objetivos organizacionais e o ambiente de trabalho, criando assim a necessidade de uma reavaliação dos objetivos cada vez que ocorrem mudanças significativas no ambiente.
A teoria estruturalista envolve os seguintes elementos:

  • Organização formal e informal;
  • Recompensas salariais, materiais e sociais;
  • Os níveis hierárquicos da organização;
  • Os tipos de organização;
  • Análise de dentro e fora da organização.

Outros elementos importantes do estruturalismo:

  • A organização é concebida como um sistema social aberto e deliberadamente construído;
  • Os conflitos são considerados inevitáveis ​​e até mesmo desejáveis ​​na relação da empresa para com o funcionário;
  • Incentivos mistos são recomendados, não apenas materiais ou sociais;
  • Assim como a escola clássica tem seu foco no resultado máximo.

Teoria neoclássica

A teoria neoclássica tem como princípio determinante a afirmação de que as decisões administrativas devem ser planejadas, organizadas, dirigidas e controladas. Algumas características da teoria neoclássica são:

  • Reafirmação das afirmações clássicas: tentaram reformular os conceitos da teoria clássica sobre a ótica da teoria comportamental;
  • Foco nos princípios gerais da administração: afirmaram que os problemas administrativos eram semelhantes em todas as organizações, e por isso as soluções deveriam ser mais práticas e abrangentes;
  • Foco na prática administrativa: os autores desenvolveram conceitos administrativos práticos;
  • Foco nos objetivos e resultados: afirmaram que todos os setores organizacionais devem trabalhar na busca de resultados para serem considerados eficazes e eficientes;

De acordo com os autores neoclássicos, gerenciar significa coordenar os esforços de um grupo de pessoas para atingir objetivos comuns com o menor custo possível e também estabeleceram que as funções do administrador devem ser regidas pelo ciclo PDCO:

  • Planejar;
  • Dirigir;
  • Controlar;
  • Organizar.

Teoria comportamental

Muito utilizada em RHs a teoria comportamental tem como ênfase as pessoas, apresentando assim uma abordagem comportamental. Embora surja da Teoria das Relações Humanas, oferece uma visão do comportamento inserido no contexto organizacional.
A teoria comportamental se baseia nos seguintes estudos:

Hierarquia das necessidades de Maslow

Abraham Maslow apresentou uma teoria da motivação segundo a qual as necessidades humanas são organizadas e ordenadas em níveis, em uma hierarquia de importância e influência. Essa hierarquia de necessidades pode ser vista como uma pirâmide. Na base da pirâmide estão as necessidades mais básicas e no topo as mais altas.

As necessidades são classificadas da seguinte forma: 

  • Necessidades fisiológicas: eles são o nível mais baixo de todas as necessidades humanas, mas de vital importância. Neste nível estão as necessidades de comida, sono e descanso, abrigo, etc; 
  • Necessidades de segurança: são necessidades de segurança, estabilidade, busca de proteção contra ameaças ou privações e fuga do perigo;
  • Necessidades sociais: entre as necessidades sociais estão a necessidade de associação, participação, aceitação por grupos, troca de amizade, carinho e amor; 
  • Necessidades de estima: são as necessidades relacionadas à maneira como o indivíduo se vê e se avalia. Envolvem auto estima, autoconfiança, necessidade de aprovação social e respeito;
  • Realização: são as necessidades humanas mais elevadas e estão no topo da hierarquia e estão diretamente associadas à realização de seu próprio potencial e autodesenvolvimento contínuo.

Dois fatores de Herzberg

  • Fatores higiênicos: a pesquisa de Herzberg revelou que, quando os fatores de higiene são ideais, eles simplesmente evitam a insatisfação do funcionário e se a satisfação aumenta, eles não podem mantê-la por muito tempo. Quando os fatores de higiene são precários, eles causam descontentamento aos funcionários. Os principais fatores de higiene são: salário, benefícios sociais, formas de gestão ou condições físicas e ambientais de trabalho.
  • Fatores motivacionais: os fatores motivacionais estão sob o controle do indivíduo, pois, estão relacionados ao que ele faz. Envolvem sentimentos de crescimento individual, reconhecimento profissional e auto realização, e dependem das tarefas que o indivíduo realiza em seu trabalho. Quando os fatores motivacionais são ótimos, eles trazem satisfação às pessoas.

Teoria X e Teoria Y

A teoria X é baseada no conceito tradicional de gestão, ou seja, em crenças muitas vezes errôneas e incorretas sobre o comportamento humano tais como:

  • As pessoas são indolentes e preguiçosas por natureza;
  • Possuem falta de ambição;
  • A natureza das pessoas as leva a resistir às mudanças;
  • A dependência das pessoas as tornam incapazes de possuir autocontrole e autodisciplina;

Por outro lado, a teoria y é a concepção moderna de gestão e se baseia em concepções e premissas atuais, sem preconceitos sobre a natureza humana tais como:

  • As pessoas não sentem uma aversão inerente ao trabalho; 
  • As pessoas não são, pela sua natureza intrínseca, preguiçosas e resistentes às necessidades da empresa;
  • As pessoas têm motivação, potencial de desenvolvimento, padrões adequados de comportamento e capacidade de assumir responsabilidades;
  • A capacidade de um alto grau de imaginação e criatividade na solução de problemas de negócios é amplamente distribuída entre as pessoas.

2 Elementos básicos de economia

Conceito de economia

O termo economia é originado do grego oikos (casa) e nomos (costume ou lei), que juntos podem ser traduzidos como ‘regras da casa’ e é definido como sendo a ciência social que estuda a produção, a distribuição e o consumo de bens e serviços.
Além disso, a ciência da economia também estuda efeitos como o da valorização ou desvalorização de uma moeda, além de políticas monetárias e fiscais.

Para fins acadêmicos o estudo da economia é dividido em dois grandes blocos:

  • Microeconomia:  esta é considerada uma ciência mais exata, pois leva em conta, questões como o desempenho e o comportamento de cada setor individualmente. Ou seja, famílias, empresas, consumidores, comércio, entre outros. Dessa forma a microeconomia ajuda no processo de análise e tomada de decisão de cada uma dessas unidades em relação à utilização de recursos, preços, bens e serviços;
  • Macroeconomia: por sua vez a macroeconomia estuda o comportamento da economia como um todo, ou seja, de uma região, de um país inteiro ou de vários em conjunto, tendo a possibilidade de ampliar o estudo para uma ótica global;

Elementos básicos de economia

  • Ação: nada mais é do que o documento que indica a posse do capital social de uma empresa, seja esta pública ou privada. Cada ação determina o valor da participação de seu proprietário nos lucros totais e na propriedade do negócio;
  • Balança comercial: é a diferença entre o total de exportações e importações de um país. Quando as exportações são maiores, diz-se que a balança comercial foi superavitária e caso as importações sejam superiores, ocorre uma situação deficitária;
  • Banco central: também conhecido como BACEN, este é responsável pela gestão do sistema financeiro e das instituições bancárias;
  • Câmbio: é a taxa que existe na conversão de uma moeda de um país para a moeda de outro;
  • Inflação: nada mais é do que a expansão monetária ocorrida em determinada localidade. É comum as pessoas confundirem o conceito e dizerem que a inflação se consiste no aumento de preços desenfreado dos bens de consumo, todavia o aumento de preços não é a inflação em si e sim uma consequência da mesma. Ao se dizer que a inflação é o aumento de preços pode se deduzir erroneamente que o responsável por isso são os empresários que aumentaram os preços de seus produtos deliberadamente, quando, na verdade, eles também são uma ‘vítima’ do processo de expansão monetária, gerado pelas políticas governamentais;
  • Deflação:  definido como o processo oposto a inflação, ou seja, o processo de retração monetária que dentre outras causas, geram a queda desenfreada do preço dos bens de consumo;
  • IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo): medido mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), este índice avalia a evolução dos preços em diferentes regiões do Brasil;
  • Juros: é o lucro que o dono de uma quantia recebe ao emprestar o dinheiro. O valor dos juros, medido em porcentagem, é definido de acordo com algumas variáveis como o valor total do dinheiro emprestado, prazo de pagamento e o risco de inadimplência;
  • PIB (Produto Interno Bruto): consiste no valor total dos bens e serviços produzidos por todas as pessoas, instituições e empresas do país no período de um ano. É usado para medir comparativamente o crescimento econômico do país em relação aos anos anteriores.