Vigilância II

As Funções e Formações do Vigilante

1 Segurança física de instalações

Medidas de Segurança:

São medidas necessárias para garantir a funcionalidade do sistema preventivo de segurança. Constituem verdadeiros obstáculos, quer seja por barreiras e equipamentos, quer seja pela ação humana, para inibir, dificultar e impedir qualquer ação criminosa.

Medidas estáticas:São barreiras e equipamentos utilizados no sistema de segurança que visam inibir e impedir ações criminosas, bem como garantir maior eficiência da atividade de vigilância patrimonial. Ex: Barreiras perimetrais, circuito fechado de TV, sistemas de alarmes, portas giratórias detectoras de metais, catracas eletrônicas, portinholas (passagem de objetos), clausuras (espaço entre dois portões, que antecedem a entrada de veículos e pessoas, aparelhos de controle de acesso com base na biometria (impressão digital, íris) etc.).

Medidas dinâmicas:É a atuação inteligente do vigilante, como pessoa capacitada para fazer a segurança física das instalações e dignitários.Ex: Identificação pessoal, abordagem à distância, sinalização entre os integrantes da equipe de segurança em casos de pessoas em atitude suspeita, contato telefônico com empresas fornecedoras e prestadoras de serviços para confirmar dados de funcionários, vigilância atenta, posicionar-se em pontos estratégicos (pontos que permitam visão ampla do perímetro de segurança), redobrar a atenção quanto aos pontos vulneráveis (pontos que permitam fácil acesso) etc.

O vigilante deve se conscientizar da responsabilidade que assume no tocante à segurança física das instalações e da integridade das pessoas que se encontram no local sob sua guarda. Sua atuação tem caráter preventivo, de modo a se antecipar a um evento futuro e possível. O comprometimento profissional e o equilíbrio emocional proporcionarão o sucesso de sua atuação, de modo a se mostrar espontâneo e imparcial, não deixando prevalecer a emoção nos momentos críticos.

Pontos Estratégicos de Segurança:São pontos, no perímetro de segurança, que permitem ao vigilante proporcionar sua própria segurança, evitando assim o fator surpresa e, ao mesmo tempo, obter maior ângulo de visão, garantindo maior eficiência na execução das atividades preventivas de vigilância. Ex: Pontos elevados, de onde o vigilante pode observar todo perímetro de segurança e suas imediações.

Pontos Vulneráveis ou de Riscos:São pontos, no perímetro de segurança, que permitem fácil acesso, sendo, por conseguinte, locais visados para o planejamento de ações criminosas. Ex: Acessos não controlados, ausência de medidas de segurança etc.

Proteção de Entradas não Permitidas:As entradas não permitidas não são os maiores alvos das invasões, pois quaisquer acessos por esses pontos chamam a atenção, ficando em evidência, que é justamente o que os grupos criminosos evitam em suas ações.

No entanto, o maior erro do profissional de segurança é não acreditar na audácia do criminoso, mesmo as pesquisas indicando que, via de regra, as invasões ocorrem pelas entradas permitidas. A fiscalização, o controle e a vigilância devem ser constantes e abranger todos os pontos do perímetro de segurança, de modo a inibir e impedir qualquer ação criminosa, ressaltando que a atividade de vigilância patrimonial tem caráter preventivo.

Várias medidas de proteção devem ser adotadas, incluindo restrição de acesso, a vigilância constante executada pelo homem ainda é a mais importante.

Barreiras:Representam uma ajuda na proteção das áreas de segurança, tendo o propósito de:

1) delimitar área geográfica pertencente à instalação;
2) servir como dissuasivo psicológico contra entradas não permitidas;
3) impedir ou retardar tentativas de invasões;
4) aumentar o poder de detectar do pessoal da segurança, canalizando as entradas e saídas de pessoas, materiais e veículos.
Sua eficácia depende da ação do vigilante ao sistema de iluminação, distribuição adequadas de guaritas, etc.;

As barreiras podem ser:

1) Naturais - rios, matas, montanhas, etc.
2) Artificiais - cercas, muros, telas, corrente, etc.

Controle de Entradas Permitidas:

As entradas permitidas são pontos fixos de segurança, denominados de PORTARIA, em que o vigilante deve controlar e fiscalizar a entrada e saída de pessoas, veículos e materiais.A portaria é um dos principais pontos de segurança de qualquer estabelecimento vigiado. Trata-se de um ponto que exige do vigilante conhecimento efetivo de suas atividades, tirocínio, raciocínio rápido, organização, dinâmica e boa capacidade de comunicação. Afalta de controle neste ponto revela a ausência total de segurança.

Controle do Acesso de Pessoas:

No controle do acesso de pessoas o vigilante deve seguir determinados procedimentos que garantam a segurança das instalações e de todos que estejam envolvidos no sistema (colaboradores, visitantes, clientes, fornecedores etc.). Para tanto seguem alguns mandamentos indispensáveis:

Fazer a inspeção visual, procurando analisar e memorizar as características das pessoas, mostrando-se atento, pois tal comportamento garante a prevenção, uma vez que qualquer pessoa mal intencionada perde o interesse de agir quando percebe que foi observada antes de se aproximar;

Fazer a abordagem, preferencialmente à distância, procurando obter e confirmar todos os dados necessários ao efetivo controle do acesso;

Nunca julgar as pessoas pela aparência, pois as quadrilhas de criminosos procuram induzir o vigilante a erro. Levar sempre em consideração se é pessoa desconhecida, e mesmo sendo conhecida, caso esteja acompanhada de desconhecido, deve-se agir com maior critério;

Fazer a identificação pessoal, exigindo a apresentação de documento emitido por órgão oficial e que possua fotografia. Ex: RG, CNH, reservista, passaporte, identidades funcionais, etc.

Obs.: A Lei Federal 5.553/68, alterada pela Lei Federal 9.453/97, estabelece que nos locais onde for indispensável a apresentação de documento para o acesso será feito o registro dos dados e o documento imediatamente devolvido ao interessado.

  • Anunciar o visitante ao visitado e, sendo autorizado seu acesso certificar-se de quem partiu a autorização;
  • Fazer o devido registro dos dados;
  • Cumprir às normas estabelecidas internamente.

Obs.: Para a efetiva segurança no controle de acesso é indispensável a instalação de medidas estáticas (Circuito Fechado de TV, Botão de Pânico, aparelhos de controle com base na biometria, etc.) e treinamento constante dos profissionais de segurança.

Controle do acesso de materiais:No tocante ao acesso de materiais, tanto na entrada como na saída do estabelecimento, deve haver um rígido controle por parte da equipe de segurança, visando garantir a proteção do patrimônio e também moralizar a atividade de segurança através da demonstração de eficiência.

Entrada de Materiais:

  • Fazer inspeção visual e identificar de forma completa o entregador;
  • Verificar a quem se destina, pela nota fiscal, confirmando a previsão de entrega e solicitando seu comparecimento para o recebimento;
  • Fazer o registro do entregador, da mercadoria que entrou, inclusive do responsável pelo recebimento, pois não há melhor forma de controle e de prova que o registro.

Saída de Materiais:

  • Fazer a inspeção visual e a identificação de quem está saindo com o material;
  • Fazer a conferência do material de acordo com o documento de autorização de saída;
  • Fazer o registro dos dados

O registro dos dados é a única forma de controle e a melhor forma de produção de provas para diversas finalidades. Portanto o vigilante deve fazê-lo com corretamente e sem qualquer exceção.

Controle de acesso de Veículos:Outro ponto crítico em um estabelecimento é o acesso de veículos. Por ausência de medidas de segurança e de profissionais treinados, muitos desses locais são alvo de invasões. Criminosos constatam as falhas do sistema de segurança e encontram extrema facilidade para agir. Por isso, trata-se de ponto que exige investimento da empresa tanto no que tange às medidas estáticas (CFTV, clausuras, etc.) como também em treinamento de pessoal.

Procedimentos:

  • Fazer inspeção visual com atenção voltada às características do veículo e ocupantes, bem como o comportamento e atitude dos últimos;
  • Fazer a abordagem, à distância, procurando obter e confirmar todos os dados e, se for necessário, ligar para a empresa dos ocupantes do auto para fazer a confirmação, antes do ingresso no estabelecimento;
  • É conveniente que, caso seja autorizado o acesso, o veículo adentre apenas com o condutor, de modo que os demais ocupantes desembarquem e acessem pela entrada de pedestres;
  • Sendo adotado o procedimento acima, identificar o condutor, conforme estudado no controle do acesso de pessoas, caso contrário todos devem ser identificados;
  • A instalação de clausuras tem sido uma das principais formas de proteger o vigilante e evitar invasões, principalmente com uso de veículos clonados;
  • Caso o estabelecimento não disponha de clausura e, em se tratando de veículo com compartimento fechado (baú), é viável que se determine seu ingresso de ré, de modo que seja aberto o baú, antes da abertura do portão, a fim de que o vigilante não se exponha ao vistoriar o veículo e, nem ocorra invasão;
  • Fazer o devido registro dos dados de acordo com normas estabelecidas;
  • Cumprir rigorosamente as normas internas

O registro dos dados é a única forma de controle e a melhor forma de produção de provas para diversas finalidades. Portanto, o vigilante deve fazê-lo com corretamente e sem qualquer exceção

Prevenção de Sabotagem:Sabotagem é a ação humana que visa abalar a ordem interna no estabelecimento com a provocação de danos e sinistros que atingem a produção e o bom andamento do serviço.A melhor maneira de prevenção à sabotagem é o rígido controle do acesso e fiscalização permanente com vistas à circulação interna de pessoas com a atenção voltada às atitudes e comportamentos individuais ou coletivos.

Basicamente, as medidas de controle de portaria são as principais para se prevenir um ato de sabotagem. Nenhum visitante deverá portar qualquer volume sem que a segurança tome conhecimento do seu conteúdo.

 

Espionagem:Está relacionada com a sabotagem, que visa destruir, desmantelar o sistema ao passo que a espionagem visa à coleta de dados e informações. Métodos de espionagem:

a) infiltração;
b) escuta;
c) roubo e furto;
d) chantagem;
e) fotografia;
f) corrupção;
g) observação (acompanhamento).

À segurança cabe impedir a saída de projetos, plantas ou quaisquer equipamentos, sem a devida autorização, bem como não permitir a entrada de filmadoras ou máquinas fotográficas por parte de visitantes, salvo com a devida permissão.

2 Sigilo Profissional

Violação do segredo profissional: art.154 do CP. “Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem”.

O profissional de segurança, pela natureza de seu serviço, tem acesso a um maior número de informações que a maioria das outros empregados da empresa. Pela sua condição de "Homem de Segurança", deve manter sigilo sobre todas as informações que lhe forem confiadas, não cabendo a ele avaliar o caráter sigiloso ou não da informação, ou fato ocorrido.

Deve desconfiar de quem muito pergunta e encaminhar os interessados na informação ao setor próprio da empresa.Mesmo fora do horário de serviço, deve estar atento para não comentar assuntos de serviço em público, nem fornecer dados da segurança a familiares ou amigos. O sigilo profissional para o homem de segurança, não é virtude, é dever. Jamais deve informar a pessoas alheias ao serviço sobre:

a) horário de chegada e saída do carro forte;
b) número de elementos que compõe a equipe;
c) numerários;
d) armamento utilizado;
e) sistema de alarmes existentes no estabelecimento, etc

“Falar pouco, ouvir com atenção, são qualidades que devem existir em um segurança”.

Plano de Segurança:

Deve-se ter bem claro que dois dos principais pilares da segurança são a prevenção e a reação, sendo esta última um conjunto de ações tomadas para conter aquilo que se tentava evitar (prevenir). Dessa forma, a reação deve ser bem estudada e descrita em forma de um procedimento, que costuma receber o nome de “planejamento”.

Atualmente, muitas empresas elaboram “Manuais de Procedimentos”, que contemplam diversas situações/problemas, indicando a melhor maneira de como se deve lidar com cada evento.

É importante que todos os envolvidos saibam da existência desses manuais, para que possam agir de acordo com suas orientações, pois trata das atitudes que a empresa/cliente espera que o Vigilante demonstre, se houver a concretização dos eventos em questão. Plano de segurança é um termo muito abrangente. Por isso, costuma-se utilizar conceitos mais específicos, já que existem diversos tipos de planejamento, tais como: estratégico, tático, técnico, operacional, de gerenciamento de crises, etc.

Para cada um desses planos de segurança, existem vários níveis de planejamento. Deve-se saber exatamente o que proteger e a que preço, que tipo de segurança se deseja. Deve-se ter em conta que em relação às pessoas, o importante é proteger a vida e em relação às empresas, proteger aquilo que elas próprias apontam como “Fatores Críticos de Sucesso”, tais como a “Imagem” ou os bens físicos.

Conclui-se, então, que se deve observar algumas regras: O quê ou quem proteger? Quem deverá fazê-lo? Como? Quando? Onde? Por Quê? Na verdade as respostas a essas perguntas nos fornecerão elementos suficientes para o desenvolvimento de um plano de contingências.

Quando se fala em eventos que acontecem, mesmo quando se tenta evitá-los, estamos diante de uma situação que deve ser administrada o mais rápido possível, na intenção de minimizar seus efeitos. Para dar atendimento a essas situações, existem os Planos de Contingências.

Porém, deve-se saber quais são nossas fraquezas e nossas forças. Isto é, deve-se realizar uma análise para que os pontos de melhoria sejam citados e, conforme o caso, tomadas as melhores medidas.

Nesta fase, denominada de análise de risco, todos os aspectos são observados; convém lembrar que existem diversas metodologias de análise de risco; porém, todas visam classificar o risco e a possibilidade da respectiva concretização, e até mesmo o impacto financeiro, caso o risco realmente se concretize.

Esta análise, que muitas vezes é utilizada como uma justificativa de investimento em segurança, também serve para integrar sistemas (SIS – Sistema Integrado de Segurança) e fatores (humano e tecnológico), que otimizam recursos e reduzem despesas.

De tal sorte, realizada a análise de risco e tomadas as decisões estratégicas de investimento, serão implementados os recursos que forem julgados necessários.Por exemplo: utilização do SIS, bunker`s, portaria digital, gravação local/remota de imagens, botão de pânico portátil/fixo, eclusas nos acessos de veículos, cancelas, C.F.T.V., veículos rastreados, manual de procedimentos, política de segurança bem definida, mapeamento de zonas e horários de risco, muros altos, concertina, cabo microfônico,campanhas de endomarketing, plano de carreira, campanhas de prevenção de perdas, segregação de áreas, controle de acesso informatizado, catracas, esteira de pontas, uso de cães, cadastro de visitantes e prestadores de serviço, confirmação de senha e contrasenha via nextel, voz sobre IP, etc.

Mesmo que todos os aspectos sejam observados, se ao fator humano não for dedicada uma especial atenção, como por exemplo, um eficiente programa de treinamento, definição de sua peridiocidade, bem como um plano de desenvolvimento pessoal, teremos um elo fraco e, com certeza, seja por ação do cenário externo, seja por motivos individuais, todos correrão o risco desnecessário de conviver com a possibilidade do evento se concretizar.

Sabe-se que não existe uma condição 100% de segurança; porém, prevenir que atos delituosos aconteçam ou mesmo reduzir essa possibilidade  é sem dúvida obrigação dos profissionais que trabalham protegendo vidas.

Para contribuir com essa finalidade deve-se, no cotidiano, elaborar e entregar monitoramento e ao superior hierárquico direto, relatórios que indiquem pontos de melhoria no posto de trabalho ou no atual plano de contingência. Esse relatório será discutido e as possibilidades de adoção das suas ideias serão avaliadas e eventualmente implementadas.

Tal atitude, além de ser pró-ativa, reduz o próprio grau de risco no posto de serviço e demonstra à direção da empresa que o Vigilante é um verdadeiro profissional, comprometido com a segurança daqueles que confiam sua vida a ele.

Portanto, o Vigilante jamais deve esquecer que os planos de segurança são de responsabilidade de todos. Deve lembrar-se que a rotina faz muitas vítimas. E deve fazer do tirocínio sua melhor arma. É importante antever situações de perigo e/ou falhas no esquema adotado, pois os marginais também planejam e, pacientemente, aguardarão uma falha da segurança para atuar.O treinamento dos planos de contingências, sejam elas quais forem, desde o abandono de área, incêndio de grandes proporções, colisão de aeronave em heliponto, ameaça de bomba, ameaça de contaminação biológica, falta de água/energia elétrica/telefone, espionagem, sabotagem, greve, suicídio, até um simples plano de abordagem de indivíduo não identificado em atitude suspeita, deve ser levado a sério, pois, a mais simples das situações pode gerar efeitos desastrosos que se perpetuam por toda a vida.

3 Emergência e evento crítico

a) roubo:

  • Manter a calma, evitar o pânico e fazer a comunicação a Polícia na primeira oportunidade;
  • Contato com o Plantão da Empresa de Segurança;
  • Reação somente se houver oportunidade total de sucesso, lembrando-se que a atuação do vigilante é preventiva, de modo a evitar o fator surpresa;
  • Observação atenta de tudo que se passa: O quê? Quando? Onde? Como? Quem? Quais foram as rotas de fuga?
  • Preservação do local para permitir à Polícia Científica a análise e levantamentos devidos.

b) tumulto e pânico:

  • Manter a calma e controlar o público;
  • Evacuar o local de forma rápida e discreta;
  • Não sendo possível manter a ordem interna pelos recursos próprios, acionar a polícia;
  • Agir de maneira imparcial, conscientizando-se que em ocorrência em que há pessoas com os ânimos exaltados, a imparcialidade, o equilíbrio emocional e o diálogo são os melhores recursos.

Evacuação do Local:

A principal medida a ser adotada em situação de emergência é a evacuação do local, com a adoção de um plano de abandono, de forma rápida e discreta, sem causar pânico. Para tanto, é necessário que o profissional de segurança controle suas emoções, atue com calma, coerência e tenha bom poder de persuasão e convencimento, transmitindo sensação de segurança a todos que ali se encontram.

O treinamento integrado entre profissionais de segurança e funcionários de outros setores de uma empresa é de fundamental importância para o sucesso da evacuação do local em situações emergenciais.As simulações realizadas nos dias de normalidade garantirão o sucesso da desocupação da área em ocasiões de anormalidade, sem que haja pânico, pois dessa forma o emocional dos ocupantes daquela área já foi previamente preparado em caso de ocorrência de um evento crítico.

Planos Emergenciais:

Os planos de emergências são formulados pelo responsável pela segurança, com a participação da equipe, a fim de que se garanta o sucesso da atuação.A filosofia de um plano emergencial é atribuir a cada integrante da equipe de segurança uma missão específica, caso ocorra uma situação emergencial previsível (invasão, incêndio, ameaça de bomba, greve de funcionários etc.).

Explosivos:

Explosivo é todo composto sólido, líquido ou gasoso, que sofrendo uma reação química violenta, transforma-se instantaneamente em gás, com produção de alta pressão e elevada temperatura.Ocorrências com explosivos são consideradas de grande vulto e de alto isco, portanto requer a atuação de profissionais capacitados, com emprego de equipamentos e táticas adequadas.Trata-se de uma ocorrência onde um erro na atuação poderá ser fatal, com consequências danosas a quem se encontre pelas imediações.

Naturalmente o bem maior que cuidamos não é o patrimônio e sim a vida e a integridade física; logo, nossa maior preocupação deve centrar-se na evacuação do local e interdição da área de forma rápida e discreta, sem causar pânico. Indubitavelmente o vigilante patrimonial não é o profissional capacitado para atuar efetivamente em ocorrências envolvendo explosivos ou com ameaças de bomba, devendo tomar apenas as primeiras medidas e acionar a polícia a fim de que a central de operações envie para o local uma equipe especializada no assunto.

Por se tratar de ações típicas de terrorismo, seus principais agentes são integrantes de facções criminosas que visam, sobretudo, abalar a estrutura do poder público constituído, de modo que os maiores alvos de ataque são os edifícios da administração pública, principalmente aqueles ligados à Polícia, Justiça, Ministério Público, Embaixadas e Instituições Financeiras. Outros pontos visados são os de grandes aglomerações de pessoas como Estações de Metrô e Trem, Aeroportos e Shoppings

Procedimentos do Vigilante em Casos de Ameaça de Bomba:

  • Acreditar que a ameaça é verdadeira;
  • Comunicar o fato ao superior imediato ou ao responsável local (Supervisor, Gerente, Diretor);
  • Não tocar qualquer objeto, seja estranho ou comum ao local, pois em se tratando de ameaça, todo objeto passa a ser suspeito;
  • Acionar as autoridades competentes (G.A.T.E , Grupo de Ações Táticas Especiais – Via 190);
  • Procurar evacuar o local de forma rápida e discreta, evitando causar pânico;
  • Isolar a área, afastando grupos de curiosos;

Detecção de Artefatos e Objetos Suspeitos:

Há casos em que não se recebe a ameaça, mas encontram-se artefatos ou objetos suspeitos. Nesta situação, o vigilante deve sempre acreditar na pior hipótese, ou seja, considerar que se trata de um explosivo e tomar todas as precauções necessárias para a preservação das vidas e da integridade física de todos os que ali se encontram.

O fato de ser um artefato de pequena dimensão não significa que não pode causar dano irreparável à integridade física e a saúde da pessoa; logo, o isolamento da área e o isolamento do local devem ser as primeiras medidas.Por se tratar de ocorrência que exige conhecimento específico, o vigilante não deve arriscar sua vida. O melhor a fazer é isolar a área, evacuar o local e acionar a polícia.

Acionamento da Polícia Especializada em cada caso de evento crítico:

As Polícias, como Órgão de Segurança Pública, dispõem de grupos especializados para atuar nas mais diversas ocorrências. O acionamento do órgão policial para cada caso de evento crítico sempre será através da Central de Operações. No caso da Polícia Militar (190) e da Polícia Civil (197).Ao acionar 190 e 197, cada central de operações saberá, de acordo com a natureza da ocorrência, qual o grupo policial que melhor se adequará para a solução do evento critico.

Relatório de Ocorrência:

Ocorrência e o acontecimento de um fato que foge da rotina normal do trabalho, exigindo a adoção de providências por parte do profissional de segurança e o correspondente registro do fato.A elaboração de um relatório de ocorrência compreende o cabeçalho e o histórico, que é a narração dos fatos de maneira clara e objetiva, de modo que o destinatário tenha plenas condições de entender o que realmente ocorreu e quais providências foram adotadas quando da ocorrência.

O histórico de um relatório de ocorrência deve seguir um roteiro de elaboração, de forma que o leitor encontre resposta para as seguintes perguntas:

  • Quando? (dia, mês, ano e hora em que o fato ocorreu).
  • Onde? (em que lugar aconteceu o fato)
  • O que? (especificar o fato ocorrido; com quem aconteceu; constar a identificação e a descrição dos envolvidos).
  • Como ocorreu? (de que maneira o fato aconteceu).
  • Porque aconteceu? (explicar os fatos que antecederam, sem suposições)
  • Quais providências foram tomadas?

Além da elaboração do relatório de ocorrência, cabe ao vigilante o registro da situação do posto de serviço em todos os turnos de trabalho.