Vigilância

As Funções e Formações do Vigilante

1 Tipos de Vigilância

Conceito de Vigilância:A vigilância patrimonial é uma atividade autorizada, controlada e fiscalizada pelo Departamento de Polícia Federal, desenvolvida por pessoas capacitadas através de Cursos de Formação de Vigilantes, vinculadas às Empresas autorizadas, com o fim de exercer preventivamente a proteção do patrimônio e das pessoas que se encontram nos limites do imóvel vigiado, podendo ser em estabelecimentos urbanos ou rurais; públicos ou privados.

Outra definição de Vigilância:É uma sensação na qual a pessoa ou empresa emprega recursos humanos capacitados agregando a isso o uso de equipamentos específicos e estabelecendo normas e procedimentos a fim de produzir um estado de ausência de risco.

Cabe salientar que nos termos do artigo 18 da Portaria 3.233/12, do DPF (Departamento de Polícia Federal) a atividade de vigilância patrimonial somente poderá ser exercida dentro dos limites dos imóveis vigiados, portanto das barreiras perimetrais para o interior do estabelecimento.

Perfil do Vigilante:

O vigilante é a pessoa capacitada a zelar pela ordem nos limites do seu local de trabalho, visando à satisfação do usuário final do seu serviço. Dentro das normas aplicadas sobre segurança privada, temos que o vigilante deve exercer suas atividades com urbanidade (civilidade, cortesia, boas relações públicas), probidade (honestidade) e denodo (coragem, bravura, mostrando seu valor).

As próprias exigências estabelecidas pelo órgão controlador da segurança privada nos revelam que o vigilante deve ser pessoa de conduta reta, sendo, portanto, pessoa de confiança. Além do aspecto moral, no que tange à conduta de retidão, o vigilante é uma pessoa que deve estar o tempo todo alerta a tudo e a todos, tendo total controle da situação local, através da própria inspeção visual em todo perímetro de segurança, como forma primordial de prevenção e demonstração de controle.

A atuação do vigilante é de caráter preventivo, de modo a inibir, dificultar e impedir qualquer ação delituosa, mostrando-se dinâmico nas suas atitudes. Outro aspecto importante do perfil do vigilante é o conhecimento técnico de sua área de atuação, que se observa pelo vasto conteúdo programático do seu curso de formação, que envolve assuntos gerais como a própria segurança, como também temas específicos, como primeiros socorros, prevenção e combate a incêndios, legislação aplicada, relações humanas no trabalho, entre outras.

 

Conceito de Área de Guarda:

A área de guarda sob a responsabilidade do vigilante envolve todo o imóvel vigiado, tendo pontos fixos, como, por exemplo, controles de acessos e demais áreas cobertas através de serviço móvel de fiscalização e vigilância, com total controle das instalações físicas.

Integridade Patrimonial e das Pessoas:

A Constituição Federal de 1988 estabelece em seu artigo 144 que: A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Seguindo o mandamento constitucional e, considerando que a segurança privada é complemento da segurança pública, conclui-se facilmente que as atividades do vigilante patrimonial voltam-se para a proteção da integridade do patrimônio e das pessoas, nos locais em que os órgãos de segurança pública não se fazem permanentemente presentes, pois tais órgãos não visam ao interesse pessoal e particular e sim ao interesse público.

Nesse sentido, a atuação preventiva do vigilante patrimonial, nos limites do imóvel vigiado tem por finalidade a garantia da segurança das instalações físicas e de dignitários (pessoas que se encontram no interior do imóvel no qual o vigilante exerce a atividade preventiva de segurança, controle e proteção).

Vigilância em Geral:

O vigilante patrimonial é profissional capacitado, registrado no Departamento de Polícia Federal e autorizado a exercer a vigilância patrimonial, desde que vinculado a uma empresa autorizada, em qualquer estabelecimento, seja da iniciativa privada (instituições financeiras, empresas, shopping-centers, hospitais, escolas etc.), seja da Administração Pública Direta (órgãos federais, estaduais, municipais ou distritais) ou Indireta (autarquias, empresa públicas, empresas de economia mista e fundações).

Nestas últimas, empregam-se vigilantes contratados por empresas especializadas em segurança, que forem vencedoras em procedimento licitatório e celebrarem o contrato de prestação de serviços de segurança.Em todos esses locais em que o vigilante atua, seu objetivo deve estar voltado à garantia da ordem interna, à preservação da integridade patrimonial, à proteção da integridade pessoal, à constatação de irregularidades com as correspondentes providências e a satisfação do usuário final.

Vigilância em Bancos:

Por força da Lei 7.102/83, as instituições financeiras são obrigadas a possuir sistema de segurança com pessoas adequadamente preparadas, denominadas vigilantes. Logo, não se trata de uma faculdade e sim de uma obrigação a que todos os estabelecimentos financeiros devem se submeter, mantendo vigilância ininterrupta durante seu horário de funcionamento.

Por se referir a local em que há guarda de valores e movimentação de numerários, é inegável que se trata de um ponto visado pelos criminosos e que exige do vigilante atuação atenta para garantir a prevenção e, por conseguinte, a proteção das pessoas e do patrimônio.

Na vigilância dos estabelecimentos financeiros o vigilante deve sempre procurar posicionar-se em pontos estratégicos, o que lhe permitirá maior ângulo de visão, de modo que sua retaguarda esteja sempre protegida, impedindo dessa forma que seja alvo de criminosos que sempre se valem do fator surpresa.

Os deslocamentos para fazer a rendição do ponto estratégico (cabines ou similares) devem ser feitos em momento oportuno, sem seguir rotinas, procurando a ocasião de menor movimento na agência, deslocando-se com as costas protegidas, o coldre aberto e mão na arma, a arma no coldre e o dedo fora do gatilho.

No ato da rendição, primeiro entra o vigilante que está substituindo para depois sair o vigilante que foi rendido.Ao entrar na cabine, fazer de modo que o coldre fique à frente do corpo e o vigilante entre olhando para o público e com as costas protegidas.

A vigilância constante e a observação em todo perímetro de segurança, com atenta inspeção visual, principalmente na entrada da agência são fatores inibidores e que fatalmente irá desencorajar o criminoso.

O vigilante não deve fornecer, qualquer que seja a necessidade, o telefone dos Funcionários e/ou Gerente da agência bancária, sem prévia autorização. Informar a gerência local caso ocorra tal situação.

Antes de assumir o serviço, o vigilante deve fazer testes para verificar o funcionamento dos equipamentos de segurança: sistema de alarmes, portas giratórias, rádio transmissor e/ou outros meios de comunicação, bem como verificar cestos de lixo, sanitários, janelas, portas, portões e estacionamentos.

O vigilante deverá manter a atenção redobrada no momento de entrega e retirada de numerários pelo carro forte, procurando observar as áreas interna e externa do banco, para checagem da segurança. Caso haja qualquer situação suspeita, deve sinalizar para os seguranças do carro forte.

Porta giratória de segurança

Trata-se de equipamento que deve ser implantado em dependências consideradas de alto risco, muito usada em estabelecimentos financeiros. Possui efeito técnico e psicológico que inibe e previne ações criminosas contra a área a ser guarnecida e diminui o grau de vulnerabilidade dessa área.

Descrição

O equipamento é constituído de:

  • Porta giratória;
  • Detetor eletrônico de metais;
  • Sistema de travamento automático;
  • Comando manual de controle remoto;
  •  Interfone (vigilante x cliente) opcional;
  •  Passa-malote opcional.

2 Histórico

A porta de segurança é um equipamento que permite a entrada de uma pessoa por vez no recinto de uma agência bancária, direcionando o fluxo de pessoas para o processo de atendimento (bateria de caixas e serviços bancários). De forma simplificada, ela conta com dispositivos eletrônicos semelhantes a um radar, que detecta metais a partir de um determinado volume.

A porta de segurança normalmente utilizada é constituída de uma armação, com 3 ou 4 folhas de porta (tipo carrossel), e de dois pórticos detectores de metais, ajustados para detectar a massa metálica correspondente a das menores armas de fogo industrializadas (revolver calibre 22 e pistola 6.35mm).

Aporta deve ficar instalada nas vias de acesso à agência. Se uma pessoa portar uma quantidade X de metal, automaticamente os pinos de proteção se travarão, impedindo a entrada da pessoa no recinto bancário. Torne-se importante alertar que a pessoa não fica detida entre as portas, podendo retornar e sair, conforme sua vontade. Isto quer dizer que a porta “não prende a pessoa quando trava”.

Hoje em dia, com a tecnologia em constante desenvolvimento, pode-se encontrar muitos tipos de portas de segurança, com os mais sofisticados recursos técnicos, a fim de inibir ações criminosas. Nos grandes centros, é difícil encontrar uma agência bancária ou estabelecimentos creditícios que não possuam algum tipo de porta de segurança instalado e protegendo seu patrimônio.

Recursos Humanos e Normas de Conduta para Utilização de Equipamentos

Aqui estão as normas mais comuns que devem ser seguidas pelo vigilante que esteja atuando junto a porta giratória de segurança, também conhecida como “porta panda”:

1. O vigilante deverá permanecer posicionado em local que será demarcado pelo Departamento de Segurança, onde existirão acionadores de alarmes;

2. Quando houver o travamento da porta, o vigilante deverá deslocar-se para perto da mesma e perguntar à pessoa se esta está portando algum objeto metálico; em caso afirmativo, deverá pedir para ver o objeto (celular, molhos de chaves, guarda-chuvas, etc.);

3. Após a verificação do objeto metálico, deve solicitar à pessoa que entregue tal objeto e novamente passe pelo detector de metais;

4. Se o detector não acusar nenhum outro objeto metálico, devolver à pessoa o objeto que lhe foi entregue anteriormente;

5. Se o detector acusar a presença de outro objeto metálico, indagar se a pessoa ainda possui algo de metal. Proceder, então, conforme itens 1 e 2 acima;

6. Quando a pessoa que causou o travamento tratar-se de mulher ou senhoras idosas, o vigilante deverá proceder conforme o item 2 e solicitar a abertura de bolsa ou sacola a fim de fazer uma rápida (porém eficiente) revista visual.

Todo trabalho deve ser feito com educação exemplar, ponderação e palavras amenas;

7. Quando o travamento ocorrer com pessoas que possuam arma de fogo, avisando o vigilante a respeito dessa condição e apresentando o porte de arma, o vigilante deverá perguntar se é cliente daquela agência e somente liberar a porta após autorização da gerência. Caso a pessoa não receba autorização, impedir a entrada e solicitar que retorne sem a arma;

8. Quando o travamento ocorrer e a pessoa tratar-se de policial civil ou militar, solicitar a identidade funcional, observando bem a fotografia e a data de validade. Vale acrescentar que existem no mercado “carteiras portafuncional”, que não são documentos e podem ser adquiridas por pessoas alheias à função. Em caso de confirmar a presença de policial, após a identificação, liberar a porta;

9. Quando tratar-se de policial militar fardado, proceder conforme item 8. Vale lembrar que vários estabelecimentos bancários já sofreram assaltos em que o meliante trajava uniforme completo da Policia Militar ou coletes de uso costumeiro pela Policia Civil.

Regras básicas para o vigilante

a) Os funcionários e vigilantes não tem autorização para guardar ou manter-se de posse de armas de clientes, visitantes, policiais, etc.
b) jamais, em hipótese alguma, deverá o vigilante acionar a abertura da porta (após travada), sem a devida identificação descrita anteriormente.
c) o revezamento no horário de almoço deverá ser criterioso, de modo que as cautelas sejam redobradas. Grande índice de assaltos ocorre nesse período.
d) esclarecer, de forma educada e objetiva, a clientes e visitantes, sobre o porquê do eventual bloqueio da porta.
e) conscientizar-se de que a porta giratória, com detector de metais, é um sistema preventivo de extrema importância.
f) vigie, discreta e atentamente, todas as pessoas com atitudes suspeitas no recinto e nas proximidades.
g) esteja sempre pronto para garantir o acionamento do sistema de alarmes.
h) proteger sempre o armamento individual, principalmente ao abordar pessoas retidas na porta.

Vigilância em Shopping-Centers:

Os shoppings são as principais opções de passeio, compras, diversões infantis, alimentação, e uso de caixas eletrônicos dos grandes centros urbanos, justamente por ser considerado um lugar de maior circulação de pessoas e que possui segurança.

A atuação do vigilante patrimonial nos shoppings, como em todo e qualquer estabelecimento, tem caráter preventivo de modo a coibir ações criminosas pela sua própria presença reconhecida pelo uso de uniforme.Por se tratar de local aberto ao público e com grande circulação de pessoas, o vigilante deve ficar atento ao comportamento e atitude das pessoas, agindo com muita discrição, de modo a fazer segurança sem constranger aqueles que buscam nos shoppings um passeio em um ambiente seguro e protegido.

O vigilante não deve considerar seu trabalho como um lazer, simplesmente por estar em um shopping. Seu comportamento deve ser o mais responsável possível, estabelecendo um meio de comunicação com os lojistas em situações de anormalidades e/ou pessoas com comportamento suspeito.Todos que ali se encontram contam com a proteção que se inicia com a entrada no estacionamento e se prolonga pelos corredores, lojas, praça de alimentação, playland e caixas eletrônicos, que por ser considerado um ambiente seguro e movimentado, são constantemente visitados da abertura ao fechamento dos shoppings.

Locais críticos para a segurança:

Flancos dos estacionamentos;
Galerias técnicas;
Escadas de emergência;
Docas de cargas e descargas;
Joalherias;
Bancos e caixas eletrônicos;
Lojas de Armas;
Casas de câmbio;
Caixas d' águas;
Casas de bombas/Máquinas.

Vigilância em Hospitais:

Outra instituição que utiliza o serviço de vigilância patrimonial para proteger o patrimônio e pessoas são os Hospitais. Nestes locais, os principais delitos são furtos de medicamentos, sequestro e troca de recém-nascidos, assassinatos e sequestro de criminosos internados.

O vigilante empregado neste local de trabalho deve estar atento a todos os movimentos internos, em especial nas dependências em que o acesso seja restrito a determinadas pessoas e horários pré- estabelecidos pela Direção.

O equilíbrio emocional é de fundamental importância, pois se trata de local onde as pessoas constantemente entram em desespero e, por vezes, demonstrando real insatisfação em relação ao atendimento dos médicos e seus auxiliares, sendo, portanto, propício ao conflito e desgaste psíquico

A portaria é o local de acesso ao público em geral, devendo o vigilante ficar atento às vias de acesso para a parte interna das instalações que são restritas a funcionários e pessoas autorizadas.

Outro momento crítico é o horário das visitas, em que a atenção deve ser redobrada, pois os grupos criminosos que praticam delitos em hospitais são estrategistas e na maioria das vezes se passam por enfermeiros, médicos, funcionários de empresas prestadoras de serviços etc. Como em todos os locais de vigilância, a instalação de medidas de segurança é de fundamental importância para prevenir as ações criminosas, como por exemplo: Circuito Fechado de TV, em todos os pontos possíveis, inclusive nos berçários; pulseiras com código de barras pelos pacientes; controle de visitantes através de identificação e biometria (íris, impressões digitais), com o devido registro de dados; câmeras nas farmácias, com monitoramento e acesso controlado eletronicamente através de senhas pessoais,etc.

Locais críticos para a segurança:

  • Quadro de disjuntores;
  • Sistema de refrigeração;
  • Casa de máquina de elevadores;
  • Reservatório de água;
  • Gasometria;
  • Central de processamento de dados;
  • Central telefônica;
  • Armazenamento e tratamento de Resíduos;
  • Heliponto;
  • Central de Segurança;
  • Sala de Geradores;
  • Berçário
  • Farmácia
  • Pediatria
  • Pronto Socorro
  • Psiquiatria
  • Centro Cirúrgico e/ou Obstétrico

3 Vigilância em escolas:

A vigilância em estabelecimentos de ensino é a que requer o melhor preparo, pois nestes locais o profissional de segurança é mais que um vigilante. É um auxiliar direto dos educadores.Sua postura, seu comportamento maduro, suas atitudes coerentes e discretas permitirão o sucesso no relacionamento com os alunos, pois qualquer tipo de liberdade ou brincadeira pode comprometer a boa imagem de toda a equipe de segurança.

O controle de acesso e as rondas permanentes é que garantirão a segurança e irão impedir a prática de atos ilegais. O acesso deve ser restrito aos alunos matriculados, funcionários, membros do corpo docente e pessoas devidamente autorizadas.

A utilização de medidas de segurança, como por exemplo, catracas eletrônicas, circuito fechado de TV, uso de uniforme pelos alunos e vigilantes controlando acesso e realizando rondas permanentes, são as melhores maneiras de evitar qualquer ocorrência no estabelecimento de ensino.

Os problemas nos estabelecimentos de ensino não são apenas internos, portanto, o vigilante deve ficar atento quanto à presença de pessoas estranhas nas imediações da escola, pois ocorrências de tráfico de entorpecentes são bastante comuns nestes locais, onde traficantes se aproveitam da pouca experiência e imaturidade dos jovens, para “vender” drogas. Caso perceba tal ação, o vigilante deve relatar o fato ao Diretor da escola a fim de que sejam adotadas providências junto à Secretaria de Segurança Pública.

Vigilância na Indústria:

A atuação do vigilante patrimonial nas indústrias é importantíssima para impedir,desde pequenos furtos praticados até mesmo por funcionários, a espionagens industriais, sabotagens e invasões por quadrilhas ou bandos.

O controle do acesso de pessoas, veículos e materiais, juntamente com um efetivo e permanente serviço móvel de fiscalização e vigilância (rondas), são as principais medidas para inibir a ação criminosa.

As principais medidas de segurança para uma indústria são:

  • Na entrada de veículos instalar clausuras (espaços entre dois portões);
  • Revistar todos os veículos que forem adentrar ao pátio interno, após ser analisada a real necessidade de acesso;
  • Controle de acesso com base na biometria (impressões digitais, íris etc.);
  • Revista moderada de funcionários de acordo com a legislação vigente;
  • Banco de dados de funcionários;
  • Investigação social de candidatos às vagas da indústria;
  • Barreiras perimetrais que impeçam a invasão, podendo inclusive utilizar cercas eletrificadas;
  • Instalação de circuito fechado de TV, com sala de monitoramento - 24 horas por dia;
  • Palestras aos funcionários buscando a conscientização de todos, como colaboradores da funcionalidade do sistema de segurança.

Vigilância em prédios:

Outros locais de atuação da segurança privada são os limites dos prédios residenciais e comerciais.

Um dos grandes focos dos criminosos têm sido os condomínios residenciais em razão da real carência de medidas de segurança aliado ao fato da displicência dos moradores.Para melhor abordarmos este assunto dividiremos este tópico em vigilância em prédios residenciais e comerciais.

Vigilância em Prédios Residenciais:

A atuação do vigilante em um prédio residencial visa em primeiro plano a segurança e tranquilidade dos moradores.

A casa é o asilo inviolável protegido pela Constituição Federal e faz parte da vida privada de cada pessoa, de modo que o ingresso ou a permanência sem consentimento de quem de direito configura crime de invasão de domicílio.Contra a vontade de quem de direito o acesso somente poderá ocorrer em caso de flagrante delito ou desastre, para prestar socorro ou, durante o dia, com ordem judicial.

A utilização de barreiras perimetrais, circuito fechado de TV, sistema de alarmes, clausuras tanto na entrada de veículos como na de pessoas instalação de portinholas (passagens de objetos), treinamento permanente do vigilante e conscientização dos moradores são os melhores recursos para garantir a segurança nos prédios residenciais.Visando complementar a atividade de segurança, é indispensável à realização de rondas para constatar quaisquer irregularidades e adotar as correspondentes providências.

Vigilância em Prédios Comerciais:

Nos prédios comerciais a atuação do vigilante visa a proteção e segurança dos funcionários, visitantes, clientes e das instalações físicas.

Neste caso, o sistema de segurança deve ser planejado de acordo com as peculiaridades locais, de modo que os principais pontos de segurança sejam os controles de acessos de pessoas e veículos.

O uso de tecnologias modernas (circuito fechado de TV, botão de pânico; catracas eletrônicas, controles de acesso pela biometria, clausuras etc.) tem sido os principais recursos utilizados para garantir a segurança destes locais. O acesso restrito e controlado com emprego de tecnologias modernas, utilização de manobristas para evitar a entrada de visitantes por pontos em que não seja o de acesso de pessoas, normas internas e rondas constantes garantirão a prevenção nos prédios comerciais.

4 Funções do vigilante

Identificar e Compreender as Funções do Vigilante:

O vigilante patrimonial é a peça mestra do sistema de segurança. Sua função é primordial para que a política da segurança privada seja efetivada.A conscientização e a disciplina consciente do profissional de segurança quanto a sua função é indispensável para que se possa fazer o controle e a fiscalização do imóvel vigiado com a real sensação de segurança por todos.

Cabe ao vigilante o efetivo controle de tudo que diz respeito à ordem interna; a regularidade das instalações; o controle das entradas proibidas; das entradas permitidas; o controle da circulação interna; o fiel cumprimento das normas emanadas por quem de direito; o controle do material sob sua responsabilidade; o registro das ocorrências internas; a imediata comunicação ao seu superior de qualquer incidente, principalmente irregularidade com armamento, munição e colete a prova de balas; o devido zelo com a apresentação pessoal; a postura e o comportamento de acordo com os padrões sociais, dentre outras atribuições peculiares à sua função

As técnicas e táticas de atuação para a funcionalidade do sistema de segurança são de fundamental importância. O vigilante deve ser organizado e disciplinado nas suas funções de modo a nunca se omitir de fiscalizar, controlar e vigiar, estando sempre comprometido com a segurança, com a dignidade da pessoa humana e a satisfação do usuário final.

Funções do Vigilante em Postos Fixos:

Posto fixo é aquele do qual o profissional de segurança não pode se afastar, sob pena de perder o controle do acesso ou até mesmo facilitar uma invasão. Como exemplo de posto fixo, podemos citar: guaritas ou cabines instaladas em pontos estratégicos, de onde o vigilante tem maior campo de visão; sala de monitoramento de imagens, central de comunicação operacional etc.A atuação do vigilante no posto fixo exige atenção redobrada, posicionando-se em pontos estratégicos, de modo a nunca estar exposto à ação do inimigo (desatento, de costas para a rua etc.).

Sua postura e demonstração de observação crítica são fatores fundamentais para inibir a ação criminosa, pois o delinquente não busca o confronto e sim a rendição de forma covarde, valendo-se do fator surpresa.

Visando não perder a atenção da área vigiada, o vigilante não deve permitir aglomeração de pessoas em seu posto; caso necessite dar informações, deve ser o mais breve possível e cuidando, num primeiro momento, de sua própria segurança; não utilizar aparelhos sonoros estranhos ao equipamento de comunicação fornecido pelo empregador e manter a adequada postura, conscientizando-se que, por trabalhar uniformizado, é um verdadeiro alvo de observação. Caso o posto fixo não seja somente de vigilância deve ainda fazer o devido controle de acordo com as peculiaridades locais.

Funções do Vigilante nas Rondas:

As rondas são serviços móveis de fiscalização e vigilância que tem por finalidade cobrir os espaços vazios existentes entre pontos fixos de segurança. São diligências que o vigilante realiza para verificar irregularidades.

Ao lado do controle de acesso, a ronda é um dos serviços mais importantes realizados pelo profissional de segurança na vigilância patrimonial, pois é a atividade que permitirá ao vigilante o efetivo controle das instalações em geral, bem como da observância da circulação interna de pessoas, veículos e materiais.

Visando não receber o posto sem saber a normalidade local, o vigilante deverá realizar sua primeira ronda antes da assunção do serviço e, se possível, em companhia daquele que estiver passando o posto. Considerando que nos termos do artigo 18 da Portaria 3.233/12 do DPF a vigilância patrimonial é exercida nos limites do imóvel vigiado, as rondas podem ser divididas em Internas e Periféricas, não podendo, por determinação do órgão controlador, ser externa.

Rondas Internas:São aquelas realizadas no interior das instalações, nos setores desativados por ocasião do encerramento expediente.

Rondas Periféricas:São aquelas realizadas no espaço compreendido entre a área construída e as barreiras perimetrais.

Por ser a ronda uma diligência para se verificar irregularidades, o vigilante deve ser crítico e observador ao realizá-la, procurando envidar esforços para solucionar as irregularidades constatadas. Não sendo possível, deve anotar no livro de ocorrências de serviço e comunicar a quem de direito, para que sejam adotadas as providências pertinentes.

Portanto, tudo deve ser alvo de observação, como por exemplo, pessoas circulando internamente aparentando estarem perdidas e desorientadas, pessoas circulando após o término do expediente, reconhecimento das pessoas que circulam internamente pelo crachá, abordagem de pessoas com comportamento suspeito, fiscalização das instalações físicas em geral, verificação dos veículos estacionados, observação de pontos vulneráveis no perímetro de segurança, observação de presença de veículos e pessoas em atitude suspeita pelas imediações etc.

Uma das formas mais eficientes para se fazer uma ronda sem esquecer qualquer detalhe é o chamado check-list (uma lista com todos os itens que o vigilante deverá observar ao fazer a ronda). Isso evita que se esqueça de fiscalizar algum ponto.

Normalmente as empresas utilizam equipamentos de controle das rondas dos vigilantes, como por exemplo: relógio-vigia, bastão eletrônico, sensores de presença, terminais eletrônicos etc., tudo com o objetivo de mostrar à supervisão como transcorreu o serviço de rondas realizado pelo vigilante.

Dentre os equipamentos que o vigilante utiliza nas rondas podemos citar: revólver cal. 32 ou 38, cassetete de madeira ou borracha, algemas, lanterna, rádio transceptor portátil, equipamento de controle de rondas e colete a prova de balas.

Sede do Guarda:Considera-se sede do guarda o local onde os vigilantes fazem a assunção do serviço, bem como permanecem os materiais e livros de registro de recebimento e passagem do serviço e de ocorrências.

Todo vigilante deve fazer a conferência dos materiais que se encontram sob sua guarda, sejam de propriedade do empregador, sejam de propriedade do tomador do serviço (cliente). Tais materiais devem ser controlados e registrados em livro próprio, como forma de controle, de modo que o vigilante que está passando o posto transfira sua responsabilidade àquele que está assumindo.

Nesse sentido, observa-se que o artigo 13, parágrafo único da Lei Federal 10.826/03 prevê a responsabilidade criminal do dono ou diretor da empresa de segurança que deixar de fazer a ocorrência policial e comunicar à Polícia Federal em 24 horas o furto, roubo ou qualquer forma de extravio de armamento, munições e acessórios, de propriedade da Empresa de Segurança.

Desempenho do Vigilante

A fim de que o vigilante desempenhe suas funções de acordo com os ditames estabelecidos pela política da segurança privada adotada pela Policia Federal, é necessário que se invista de maneira sólida em seu treinamento e capacitação profissional.

Somente um profissional capacitado profissionalmente terá condições de agir de acordo com as expectativas do usuário final do serviço. Portanto, é de suma importância o treinamento permanente e a conscientização do próprio profissional, no que tange a seu dever de controle, fiscalização e promoção da ordem interna do estabelecimento vigiado.