Conceito, caracterização e as tecnologias assistivas na deficiência múltipla.

Prática Pedagógica na Educação Especial

1 Conceito da Deficiência múltipla:

Deficiência Múltipla (DM) é a expressão adotada para designar pessoas que têm mais de uma deficiência, na maioria das vezes possuem atrasos no desenvolvimento e na aprendizagem. Cada pessoa apresenta característica diferenciada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o desenvolvimento educacional, social e emocional, dificultando sua autossuficiência.

Para alguns especialistas, essa condição se dá por muitas situações, sendo uma das mais comuns quando o indivíduo já possui uma deficiência única e esta acaba influenciando em outras áreas conforme seu desenvolvimento. Se um bebê possui alguma disfunção que não é tratada corretamente ao nascer ou tem gravidade severa, ela pode afetar tanto o campo psicomotor quanto o de comunicação. Ou seja: uma deficiência pode ser geradora de outras, o que leva ao estado de múltipla deficiência.

Para alguns especialistas, essa condição se dá por muitas situações, sendo uma das mais comuns quando o indivíduo já possui uma deficiência única e esta acaba influenciando em outras áreas conforme seu desenvolvimento. Se um bebê possui alguma disfunção que não é tratada corretamente ao nascer ou tem gravidade severa, ela pode afetar tanto o campo psicomotor quanto o de comunicação. Ou seja: uma deficiência pode ser geradora de outras, o que leva ao estado de múltipla deficiência.

A deficiência múltipla não é o somatório dessas características. De acordo com a Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC), o que define deficiência múltipla é o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas. Um exemplo são as pessoas que têm deficiência mental e física.
Em termos numéricos, a presença desse tipo de deficiência na população, é menor.

Obs: No Brasil, segundo dados do IBGE, cerca de 14% da população total são pessoas com deficiência.

2 Tipos e características de deficiência múltipla:

A deficiência múltipla pode definida pelas seguintes dimensões:

Física e psíquica:

  •  Associa a deficiência física à deficiência intelectual;
  • Associa a deficiência física à transtornos mentais.

Sensorial e psíquica:

  • Engloba a deficiência auditiva associada à deficiência intelectual;
  • A deficiência visual à deficiência intelectual;
  • A deficiência auditiva à transtornos mentais;
  • Perda visual à transtorno mental.

Sensorial e física:

  • Associa a deficiência auditiva à deficiência física;
  • A deficiência visual à deficiência física.

Física, psíquica e sensorial:

  • Traz a deficiência física associada à deficiência visual e à deficiência intelectual;
  • A deficiência física associada à deficiência auditiva e à deficiência intelectual;
  •  A deficiência física associada à deficiência auditiva e à deficiência visual.

Características gerais

 As características da deficiência dependem do nível de desenvolvimento e de alteração de cada ordem e a necessidade especial condizente de cada pessoa. Algumas características gerais apresentadas são: dificuldade na abstração das rotinas diárias, nos gestos ou na comunicação; dificuldades no reconhecimento de pessoas do seu cotidiano; movimentos corporais involuntários; respostas mínimas a estímulos causados por barulhos, toques, entre outros. Dependendo da alteração e desenvolvimento de cada ordem, a pessoa (criança, jovem ou adulto) acometida por esta deficiência poderá frequentar uma escola regular, desde que sua necessidade seja respeitada.

No caso das crianças, alguns fatores são perceptíveis conforme seu crescimento e podem ser observados tanto pelos pais quanto educadores. Muitas vezes, por não saberem a definição exata e abrangência de uma deficiência intelectual ou síndrome, como o autismo, por exemplo, muitos podem achar que trata-se de um comportamento que reflete apenas a condição atual, sem tanta gravidade e necessidade de um apoio especializado. Logo, a qualquer sinal diferente, se vê a necessidade de um diagnóstico preciso e do acompanhamento com um profissional, como:

  • Dificuldade na comunicação;
  • Dificuldade em seguir normas e rotina diária;
  • Movimentos corporais involuntários;
  • Baixa ou nenhuma resposta a estímulos causados por toques, barulhos, entre outros;
  • Movimentos repetitivos;
  • Choro e riso sem motivo aparente;
  • Hiperatividade e distúrbios do sono;
  • Resistência ao contato físico ou interação com outras crianças/pessoas.

As crianças com múltiplas deficiências, de maneira geral, aprendem mais lentamente e tendem a esquecer o que não praticam.
Além disso, possuem dificuldades em generalizar habilidades aprendidas separadamente. Elas precisam de instruções organizadas e sistematizadas, e também necessitam de ter alguém que possa mediar seu contato com o meio que o rodeia.

3 Causas e necessidades:

As causas que envolvem a deficiência múltipla podem ser várias. Elas podem ser de ordem sensorial, motora e linguística e originada de “ fatores pré-natais, perinatais ou natais e pós-natais, além de situações ambientais tais como: acidentes e traumatismos cranianos, intoxicação química, irradiações, tumores e outras” (SILVA, 2011).
As causas no pré-natal podem ser: eritroblastose fetal (incompatibilidade de RH), microcefalia,  toxoplasmose, drogas, álcool, rubéola congênita, e síndromes, etc.

período perinatal corresponde ao momento do nascimento ou imediatamente após.
Entre as causas perinatais: prematuridade, falta de oxigênio, medicação ototóxica (podem danificar a audição), icterícia.
As causas pós-natais podem ser: efeitos colaterais de tratamentos, acidentes, sarampo, caxumba, meningite, etc. Pode ser também acrescentadas situações ambientais causadoras de múltipla deficiência, como acidentes e traumatismos cranianos, intoxicação química, irradiações, tumores, entre outros.

Obs: Quanto antes for fechado o diagnóstico, mais eficazes serão as medidas necessárias para minimizar as limitações.

Nos dias atuais existem prevenções para ocorrência de deficiências, como:

Antes de engravidar:

  • Vacinar-se contra a rubéola (pode afetar o bebê em formação);
  • Procurar serviço de aconselhamento genético (principalmente quando houver casos de deficiência ou casamentos consanguíneos na família);
  • Fazer exames para detectar doenças, verificar tipo sanguíneo e fator RH.

Durante a gravidez:

  • Consultar um médico obstetra mensalmente; 
  • Fazer exames de controle;
  • Somente tomar medicamentos prescritos pelo médico;
  • Fazer controle de diabetes, pressão alta e infecções;
  • Evitar cigarro e bebidas alcoólicas; etc.

Depois do nascimento:

Exigir que sejam feitos testes preventivos no bebê e ter cuidados adequados ao bebê, proporcionando amparo afetivo e ambiente propício para seu desenvolvimento.
A prevenção da deficiência múltipla se divide em três grupos:

Primária:

Se associa a programas de combate às doenças (ex: vacinações), a acidentes, ao uso de drogas e álcool, como também a prevenção de uso de medicamentos inadequados durante a gestação.

Secundária:

Se refere a ações que revertem os efeitos e a duração das deficiências, como dietas a crianças que nascem com fenilcetonúria e outras enfermidades, além de tratamentos de saúde e uso de medicamentos apenas quando prescritos por um médico.

Terciária:

Ocorre por meio de ações que limitam as consequências das deficiências já adquiridas e melhoram o nível de funcionamento da pessoa.

Necessidades da pessoa com múltiplas deficiências

As necessidade podem ser agrupada em 3 grupos:

Necessidades físicas e médicas:

A causa mais frequente de deficiência múltipla é a paralisia cerebral, que compromete a postura e mobilidade, limitando os movimentos.

Necessidades emocionais:

Possuem necessidades de afeto, atenção, de desenvolver relações sociais e afetivas, e de estabelecer uma relação de confiança.

Necessidades educativas:

As necessidades educativas são devido a limitações no acesso ao ambiente; a dificuldades em dirigir atenção para estímulos relevantes, a dificuldades na interpretação da informação, e outras.

4 Deficiência múltipla e educação:

A maneira como cada deficiência afeta o aprendizado de tarefas simples e o desenvolvimento da comunicação da pessoa varia de acordo com o grau de comprometimento propiciado pelas deficiências, associado aos estímulos que a pessoa recebeu ao longo da vida. Para que haja avanço no processo de desenvolvimento em crianças com múltiplas deficiências é necessário o compartilhamento de atendimento multidisciplinar, em que estão incluídas ações integradas entre educação, saúde e família.

O professor deve estar atento às limitações do aluno e, dentro das propostas de educação inclusiva, deve preparar um conteúdo adaptado às necessidades de cada criança para garantir sua participação em todas as atividades desenvolvidas.

A empatia é o primeiro passo para que o professor e todos os educadores comecem a conviver com a criança com deficiência múltipla. É interessante entender que o profissional também cresce muito frente a desafios como esse, que se tornam totalmente satisfatórios ao ver que ela está se desenvolvendo a cada abordagem. Assim, a superação se dá quando há a integração da escola com a família e a equipe especializada no caso, como uma verdadeira parceria. Caso seu filho tenha alguma deficiência múltipla, por exemplo, ele deve contar com um fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, entre outros diversos profissionais que devem reportar a você quais são os melhores caminhos de aprendizado de acordo com o grau de sua deficiência.

De acordo com o referencial curricular nacional para a educação infantil, publicado em 2008 pelo MEC, a educação, nesse contexto, tem as funções de cuidar e educar. No caso das crianças com deficiência múltipla, que podem apresentar diferentes limitações, o desenvolvimento delas deve partir do conjunto de ações de reabilitação e inclusivas no âmbito social e educacional. As diretrizes nacionais para educação especial na educação básica se baseiam na premissa que todas as crianças são capazes de aprender, não importando o grau de severidade da deficiência.

De acordo com o referencial curricular nacional para a educação infantil, publicado em 2008 pelo MEC, a educação, nesse contexto, tem as funções de cuidar e educar. No caso das crianças com deficiência múltipla, que podem apresentar diferentes limitações, o desenvolvimento delas deve partir do conjunto de ações de reabilitação e inclusivas no âmbito social e educacional.

 As diretrizes nacionais para educação especial na educação básica se baseiam na crença que todas as crianças são capazes de aprender, não importando o grau de severidade da deficiência. Quando as crianças com deficiência são incluídas desde cedo em programas de creche e pré-escola que tenham por objetivo o desenvolvimento integral, o acesso à informação e ao conhecimento historicamente acumulado, dividindo essa tarefa com os pais e serviços da comunidade.

A inclusão requer algumas modificações, tanto de atitude quanto de estrutura dos centros de educação infantil, como: flexibilidade, tolerância, compreensão do comportamento e das necessidades emocionais, provisão de currículo adaptado às necessidades específicas, mobiliário adaptado para execução de atividades, adaptação de jogos pedagógicos, materiais específicos e recursos tecnológicos que favoreçam a interação, a comunicação e a aprendizagem.
É preciso um trabalho transdisciplinar entre o professor do ensino regular, o professor especializado de apoio, a família e a equipe de suporte (fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo, etc.) para avaliar as necessidades específicas e sugerir adaptações e recursos que facilitem o processo de comunicação e aprendizagem da criança.

Os portadores de deficiências múltiplas podem contar ainda com atividades direcionadas e específicas caso a caso dentro das aulas regulares, que consideram a grade curricular conforme as limitações da criança, ela pode receber também uma educação especial pelo AEE (Atendimento Educacional Especializado).
Portanto, o gestor escolar e professores de todos os níveis e tanto a família precisam compreender que existem muitas maneiras e aparatos que democratizam a educação especial para as pessoas com deficiência, sobretudo aquelas com deficiências múltiplas, assim como para qualquer indivíduo.

5 Tecnologias assistivas:

Para trabalhar com pessoas com múltiplas deficiências é preciso buscar atividades funcionais que favoreçam o desenvolvimento da comunicação e das interações sociais, levando em conta as potencialidades da pessoa.
As tecnologias assistivas permitem a criação de alternativas que possibilitam ao aluno com deficiência fazer parte do processo de ensino-aprendizagem.

A Tecnologia Assistiva é a área do conhecimento (de caráter interdisciplinar) que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidade ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.

A TA está presente em situações quem que há necessidade de comunicação alternativa e ampliada; adaptações de acesso ao computador; equipamentos de auxílio para visão e audição; controle do meio ambiente (por exemplo, adaptações como controles remotos para acender a apagar luzes); adaptações de jogos e brincadeiras; adaptações da postura sentada; mobilidade alternativa; entre outros, podendo ser, desde uma fita crepe para prender o papel à mesa, até um software leitor de tela para acesso ao computador.

Em resumo, a tecnologia assistiva é um conjunto de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para atenuar os problemas encontrados por pessoas com deficiências.