Práticas Neuropedagógicas na Educação Especial
Prática Pedagógica na Educação Especial
1 Uma abordagem prática neuro pedagógica como contribuição
A alfabetização de pessoas portadoras de necessidades especiais:
A questão da inclusão de Pessoas Portadoras de Necessidades Educativas Especiais - PPNEE na rede regular de ensino insere-se no contexto das discussões modernas, cada vez mais em evidência. É importante a integração de pessoas portadoras de deficiências enquanto cidadãos, com seus respectivos direitos e deveres de participação e contribuição social.Essas discussões, agora mais amplas sobre inclusão, têm sua origem na movimentação histórica decorrente das lutas pelos direitos humanos pelo menos desde 1948, quando da aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Essas pessoas podem apresentar deficiência mental, ou mesmo deficiências provenientes de lesões cerebrais, podem ser autistas, deficientes visuais, deficientes auditivos ou outros. No entanto, também se têm encontrado situações onde pessoas, mesmo não se encaixando nos problemas supracitados e nem portando deficiências físicas ou mentais, têm apresentado dificuldades de aprendizagem. Essas pessoas, embora não apresentem deficiência física ou mental, também são portadoras de necessidades educativas especiais.
Essa nova concepção de Pessoa Portadora de Necessidades Educativas Especiais foi definida durante a “Conferência Mundial sobre Educação Especial – Acesso e Qualidade” organizada pela UNESCO em Salamanca, Espanha, em 1994. Essa nova concepção, conhecida como a Declaração de Salamanca, afirma que durante os últimos 15 ou 20 anos, tem se tornado claro que o conceito de necessidades educativas especiais teve que ser ampliado para incluir todas as crianças que não estejam conseguindo se beneficiar com a escola, seja por que motivo for.
Assim sendo, o conceito de “necessidades educativas especiais” passará a incluir além das pessoas portadoras de deficiências, aquelas que estejam experimentando dificuldades temporárias ou permanentes na escola, e que por força disto estejam repetindo continuamente os anos escolares. Diante deste novo discurso mundial, surge também no Brasil, por iniciativa do próprio governo federal, a necessidade de instituir uma política de inclusão de pessoas portadoras de necessidades educativas especiais nas escolas do ensino regular como forma de trazê-las a participar da sociedade. Essa política foi apresentada à sociedade com o surgimento da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, número 9.394, criada em 20 de dezembro de 1996, onde a mesma regulamenta no artigo 3º que:
I- igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II- liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III- pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV- respeito à liberdade e apreço à tolerância.
Dessa forma, procurando fazer jus à educação especial, uma vez que também trata de cidadãos e de educação, a Lei regulamenta no artigo 58 que “entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais...”. A Lei também destaca, no artigo 59, que “os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específica, para atender às suas necessidades...”
Enfim, o governo adotou essa política de inclusão e tem trabalhado para que ela seja cumprida, no entanto, a Lei está diante de uma sociedade despreparada e mal aparelhada para tal tarefa. A realidade tem sido raramente aquela que a sociedade desejou, e portanto, não se encontra suficientemente aculturada para essa assimilação. Nas escolas percebe-se a grande dimensão dessa questão, onde para os professores, não existe uma orientação clara de como agir em relação à alfabetização dessas crianças,jovens e adultos jovens e adultos.
A esse exemplo, apesar de se verificar que nas últimas décadas houve um grande empenho na divulgação e discussão de diferentes tendências, métodos e concepções de alfabetização, crianças que não possuem deficiência física ou mental também têm repetido uma ou várias vezes a 1ª série do Ensino Fundamental. Esse tipo de fato pode ser causado por diversas variáveis, tais como: metodologia empregada, professores desqualificados, problemas de ordem emocional ou psicológica, desnutrição, relacionamento familiar e outros, como é o caso de PPNEE. Acredita-se que pessoas portadoras de necessidades educativas especiais constituem um desafio em matéria de diagnóstico e educação; é imperativo que a comunidade e os especialistas envolvidos enfrentem esse desafio. Somente, então, esse número substancial de pessoas receberá os benefícios aos quais têm direito. Somente, então, serão oferecidos os meios através dos quais possam desenvolver o seu potencial e desempenhar o seu justo papel na sociedade.
A partir desse momento em que se tem que educar na diversidade, sente-se a necessidade de criar atividades pedagógicas para alfabetização como meio de auxiliar educadores e outros profissionais envolvidos com o processo educativo. Essas atividades podem não somente auxiliar o professor, mas também acelerar a alfabetização de pessoas que poderão ser excluídas da escola e, portanto, da sociedade.
O cenário da educação brasileira em relação à alfabetização de crianças, jovens e adultos atravessa uma situação muito difícil. Cada estado brasileiro, aborda um modelo de progressão contínua, seguindo as normas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que decreta que a reprovação não deve mais ocorrer. No entanto, problemas de alfabetização não se resolvem por decreto ou leis, mas por trabalho prático e de grande dedicação dos educadores. Diante deste panorama, professores do país inteiro sentem-se despreparados para fazer cumprir a Lei. Assim, aprovam alunos sistematicamente sem a preocupação de se envolverem enquanto professores. Esta situação não traz benefícios para os alunos, nem para a sociedade e nem para os professores que exprimem suas angústias e sua impotência diante deste quadro, pois se sentem, com razão, formando cidadãos semi-alfabetizados, sem capacidade para exercer com toda a plenitude a sua cidadania.
Se esta situação já é complicada para alunos sem deficiência física ou mental, ela se agrava ainda mais diante de alunos portadores de necessidades educativas especiais, cujas dificuldades, ora física, ora mental, obstruem ainda mais sua capacidade de aprender. As mesmas diretrizes que ditam sobre a reprovação escolar, também ditam normas sobre a inclusão de pessoas portadoras de necessidades educativas especiais. O artigo 58 da Lei supracitada, determina que estas crianças devam ser incluídas no ensino normal, desestimulando ainda mais a ação de muitos educadores país afora, que além da tarefa de alfabetizar crianças sem deficiência física ou mental também estão incumbidos de alfabetizar crianças infradotadas. Com a real preocupação de auxiliar esses professores que atuam, não só com os portadores de necessidades educativas especiais, mas com todos os cidadãos brasileiros, pretende-se elaborar meios que os auxiliem a encontrar soluções para os seus problemas de alfabetização. É neste sentido que o presente trabalho atinge a sua importância dentro do contexto social, sobretudo dentro do sistema educacional brasileiro. O processo de alfabetização apresentado, sob a forma de atividades concebidas a partir de estudos recentes da neurociência, deverá facilitar e acelerar o aprendizado de PPNEE.
Assim, este trabalho possui importância, pois as atividades de alfabetização selecionadas foram elaboradas para auxiliar a alfabetização de crianças, jovens e adultos portadores de necessidades educativas especiais ou de crianças, jovens e adultos sem deficiência física ou mental. Essas atividades de alfabetização têm apresentado um alto índice de eficiência sendo utilizadas junto a várias escolas da rede regular de ensino em diversas cidades do país. Também têm sido testadas sistematicamente por alunas de cursos de graduação em Pedagogia e Pós-Graduação em Psicopedagogia e Alfabetização que atuam como professoras em escolas, tanto públicas quanto privadas.
Auxiliar educadores no processo de alfabetização de educandos portadores de necessidades educativas especiais, mediante a elaboração de atividades de alfabetização fundamentadas em recentes abordagens sobre os princípios de percepção e funcionamento do cérebro humano.
• Apontar a importância da inclusão de PPNEE na escola como meio de resgatar a cidadania;
• Estudar abordagens recentes da neurociência tendo como foco o cérebro humano;
• Elaborar atividades que conduzam à alfabetização de educandos com e sem necessidades educativas especiais utilizando abordagens recentes da neurociência;
• Aplicar as atividades em turmas da 1ª série do Ensino Fundamental na Rede Regular de Ensino;
• Verificar a validade das atividades de alfabetização desenvolvidas.
2 A educação e a alfabetização:
Um Panorama da Educação:
O Brasil e sua Nova Perspectiva de Educação:
Alfabetização no Brasil:
Por outro lado, segundo Cagliari:
Exclusão, Evasão e Repetência:
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional:
Fim do Analfabetismo:
Alfabetização, filosofias anteriores ao Século XX:
3 Alfabetização:
Filosofias do Presente Frente ao Avanço Científico:
Correntes Epistemológicas:
Empirismo:
• A escola deve ser uma agência controladora que conserve ou modifique padrões de comportamento desejáveis e aceitos pela sociedade;
• O ensino refere-se ao planejamento de contingências de estímulo e reforço às quais os estudantes dão respostas satisfatórias e "até" aprendem a controlar as contingências de reforço;
• O professor é o administrador das condições de transmissão da matéria, é um elo entre o aluno e a verdade científica;
• A metodologia compreende tanto a aplicação de tecnologia educacional e estratégias de ensino quanto formas de reforço;
• A avaliação refere-se à verificação do alcance dos objetivos estabelecidos em pequenos passos e sem cometer erros.
4 Apriorismo:
Construtivismo:
Conforme Azenha:
Construtivismo no processo de alfabetização:
Pré-silábico:
Silábico:
Alfabético:
5 Interacionismo:
A zona de desenvolvimento proximal é definida por Vygotsky, da seguinte maneira:
A aplicação pedagógica dos postulados básicos do interacionismo para a educação, são:
Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais:
A inclusão de PPNEE no Ensino Regular:
O PROEDEM - Programa de Educação do Deficiente Mental, então passou a ser adotado por inúmeras escolas e classes escolares de ensino regular e especial, desde 1996. Mantoan afirma que "comprovamos experimentalmente por este programa que a inteligência dos deficientes mentais evolui, na medida em que agimos concomitantemente, estimulando e apoiando-os a construírem seus instrumentos intelectuais as estruturas do conhecimento."
A adoção do PROEDEM em escolas especiais demonstrou que os alunos com deficiência mental são capazes de decidir, de ir ao encontro de suas necessidades, interesses e inclinações, mesmo tendo limitações intelectuais. E, propiciou ainda, a um grande número desses alunos se integrarem em escolas regulares.
I. novo pensar em educação especial;
II. Orientações para a ação em nível nacional:
A) política e organização;
B) fatores relativos à escola;
C) recrutamento e treinamento de educadores;
D) serviços externos de apoio;
E) áreas prioritárias;
F) perspectivas comunitárias;
G) requerimentos relativos a recursos;
III. Orientações para ações em níveis regionais e internacionais.
• Vanguarda: uma escola inclusiva é líder em relação às demais, apresentando-se como a vanguarda do processo educacional. O seu objetivo maior é fazer com que a escola atue através de todosos seus escalões para possibilitar a integração das crianças que dela fazem parte;
6 A abordagem neuro-pedagógica e as atividades de alfabetização:
A Importância do Corpo no Aprendizado:
Uma Breve Organização do Sistema Nervoso:
O cérebro humano como um todo:
O Córtex Cerebral:
Corte horizontal do cérebro humano:
Os Lobos do Cérebro:
O cérebro humano e sua divisão em lobos:
A Representação do Corpo no Cérebro Humano:
O cérebro humano e as regiões sensoriais e motoras:
Mapa Somato sensorial do Lado Esquerdo:
A Desproporção Corporal Registrada pelo Cérebro Humano:
Investigação das Funções Cognitivas por Imagem:
Estimulando os sentidos auditivos de um voluntário fazendo-o prestar atenção em uma música clássica, tem-se uma ativação da região do córtex auditivo. Phelps e Mazziota também identificaram que estímulos auditivos não verbais ativam predominantemente o hemisfério direito. Quando estimulado com uma música cantada, ou seja, linguagem e música no mesmo tempo, o voluntário exibe ativação cortical de ambos os hemisférios.
7 A Plasticidade Neura:
O que é Plasticidade?
As Células e a Plasticidade:
O Movimento da Representação Cortical:
Mudança da Representação Cortical pelo uso Diferenciado:
Os Ratos e o Aprendizado:
A Importância do Corpo no Processo de Alfabetização:
As Atividades de Alfabetização e a Abordagem Neurocientífica:
8 Hipótese Pré-Silábica:
A criança encontra-se nesta hipótese quando :
• Tem leitura global, individual e instável do que escreve : só ela sabe o que quis escrever;
Hipótese Intermediário:
Hipótese Silábica:
• Pode ter adquirido, ou não, a compreensão do valor sonoro convencional das letras;