Composição nutricional de dietas para emagrecimento
Composição Nutricional de Dietas para emagrecimento
1 Dieta Hiperproteica:
Nas últimas décadas, o Brasil tem enfrentado um aumento do excesso de peso entre a população adulta. De acordo com pesquisa do IBGE1 , a prevalência de excesso de peso encontrada foi de 50,1% entre homens e 48% entre mulheres, enquanto a de obesidade foi de 12,4% e 16,9%, respectivamente. O excesso de peso corporal afeta negativamente a qualidade de vida do indivíduo, sendo considerado um problema de saúde pública.
A manutenção de um peso dentro de uma faixa considerada adequada tem sido preocupação constante na população adulta, seja pela questão de saúde ou estética. A insatisfação corporal entre o sexo feminino ocorre mesmo entre mulheres eutróficas, aumentando proporcionalmente ao Índice de Massa Corporal (IMC).2,3 A literatura científica já estabeleceu claramente que a redução de calorias combinada com o aumento do gasto energético por meio da prática de exercícios físicos é a maneira mais eficiente para a perda de peso4 , porém ainda ocorre com frequência a adoção de dietas muito restritivas e práticas para perda ponderal rápida, mesmo que tais medidas não tenham ainda resultados a longo prazo bem estabelecidos, assim como seus impactos na saúde do indivíduo. Para o público feminino, tem sido crescente o surgimento de dietas populares para combater a obesidade e provocar a perda ponderal de peso a curto prazo, sendo estas publicadas principalmente em revistas não científicas.5,6 A avaliação da qualidade nutricional dessas dietas ainda é escassa na literatura científica.
A American Dietetics Asssociation (ADA)7 fundamenta suas recomendações dietoterápicas em relação à perda de peso. Em relação ao valor energético total, recomenda o consumo de 50-60% de carboidratos, 15-20% de proteínas e 25-35% de gorduras. A ingestão diária de gorduras saturadas e de colesterol deve ser menor do que 7% e do que 200mg, respectivamente. É feita também uma recomendação específica de fibras de 25g.
O objetivo deste estudo foi comparar a composição nutricional de dietas para emagrecimento publicadas em revistas não científicas com as recomendações dietéticas atuais de macronutrientes propostas pela ADA7 , preconizadas para mulheres adultas e jovens.
2 Métodos de Emagrecimento:
Seleção da Amostra:
O delineamento do estudo foi transversal. Foram selecionadas 25 edições de duas revistas não científicas de emagrecimento de duas editoras distintas de maior vinculação nacional, de acordo com o Instituto de Verificação de Circulação – IVC8 , publicadas entre janeiro e dezembro de 2010. A revista A contava com 12 edições e a B com 13 exemplares.
Os fatores de inclusão eram: a) as dietas terem sido elaboradas e assinadas por nutricionista; b) terem explicitado o objetivo de perda de peso; c) serem revistas de circulação mensal; e d) indicação na reportagem de serem voltadas ao público adulto e jovem feminino.
Como critérios de exclusão estavam: a) não possuir especificação do tipo de alimento e quantidade (porção) a ser consumida; b) preparações elaboradas que não contassem com as especificidades das respectivas receitas; c) alimentos específicos cujos dados de composição nutricional não sejam encontrados em tabelas de composição de alimentos; e d) alimentos não separados em refeições.
Composição Nutricional das Dietas:
A partir de cada reportagem, foi extraída cada opção ou dia da semana da dieta para análise individual, sendo considerado um cardápio independente no cálculo de composição nutricional.
Para as reportagens que ofereciam opções de refeições para variação do cardápio, foi adotado um sistema de combinações de opções de refeições com o mesmo número: opção 1 de café da manhã + opção 1 de lanche da manhã + opção 1 de almoço + opção 1 de lanche da tarde + opção 1 de jantar + opção 1 de ceia, e assim consecutivamente.
O cálculo individual da composição nutricional (calorias, macronutrientes, fibras) das dietas foi feito com o uso do Programa de Apoio à Nutrição – Nutwin9 com inclusão de informações nutricionais de tabela de composição nutricional10 ou informações contidas nos rótulos de alimentos específicos, quando necessário. Nos cardápios que não indicavam a porção dos alimentos em gramas ou mililitros, as medidas caseiras propostas foram convertidas.11 Sal, açúcar ou edulcorantes nas preparações somente foram considerados quando indicados. Em preparações como carnes grelhadas e vegetais refogados, foram adicionados 3% de óleo vegetal (óleo de soja). Quando explicitado café com leite, sem indicação de quantidades, foram considerados 50% de cada. Nas frutas, quando não indicado o tamanho, foi considerada a unidade média.
Comparação Nutricional com as Recomendações Dietéticas:
A proporção de macronutrientes foi comparada com a distribuição proposta pelo American Dietetics Asssociation7 , de 55% do valor calórico total (VCT) proveniente de carboidratos, 15% do VCT proveniente de proteínas e 30% do VCT proveniente dos lipídios. Os valores considerados adequados se encontravam entre 90% e 110% da recomendação, insuficiente quando 110%. O valor de fibras foi considerado adequado quando ≥25g e insuficiente quando menor que este valor.
Os cardápios foram divididos em 2 grupos conforme aporte calórico diário: Grande Restrição Calórica [(GRC ≤1200kcal] e Restrição Calórica Leve [(RCL) >1200kcal)].
Análise Estatística:
Os dados foram apresentados em média e desvio padrão (IC de 95%) ou número de casos para o total analisado (%). Para a comparação entre os grupos de cardápios, foram utilizados Teste t de Student para amostras independentes. Para análise da correlação entre os nutrientes dos cardápios, foi realizado teste Quiquadrado. O nível de significância adotado foi de 5%. As análises estatísticas foram feitas com apoio do pacote estatístico SPSS versão 16.0.
3 Resultados dos Métodos:
Foram analisadas 25 revistas, sendo 52% da editora A e 48% da editora B, totalizando 153 dietas. Foram excluídos 3 exemplares, sendo 1 da editora A (mês de janeiro) e 2 da editora B (meses de fevereiro e junho), pois não possuíam reportagens com indicação de dieta. Em relação às dietas, 4 foram excluídas por não apresentarem especificações das quantidades das porções ofertadas e 12 por não terem sido encontrados dados dos ingredientes, totalizando 16 perdas (10,45% da amostra). A amostra final contava com 137 cardápios.
A maioria dos cardápios teve uma restrição calórica leve (RCL) (62,0%) em comparação com o grupo de grande restrição calórica (GRC) (38,0%). Os cardápios tinham aporte calórico que variaram de 656,5 Kcal a 2243,08 Kcal, tendo como média 1323,23±308,82Kcal.
A composição nutricional dos cardápios, de acordo com o aporte calórico diário e percentual de macronutrientes e fibras, está descrita na Tabela 1. De maneira geral, possuíam carboidratos abaixo do percentual do VCT recomendado. As proteínas se encontravam acima do percentual do VCT recomendado, enquanto os lipídios mostraram-se de acordo com as recomendações.7 A quantidade de fibras também ficou abaixo das recomendações.12 Quando comparadas as dietas GRC e RCL, estas se apresentam sem diferenças estatísticas. Ambas as dietas apresentaram percentuais de carboidratos abaixo das recomendações. A quantidade de proteínas estava acima do recomendado enquanto os lipídios se encontravam dentro das recomendações. As fibras tiveram diferenças significativas entre os dois grupos, porém tanto nas GRC como nas RCL estavam abaixo do indicado.
A comparação da composição nutricional das dietas agrupadas conforme recomendações de macronutrientes e fibras está apresentada na Tabela 2. No geral, as dietas puderam ser classificadas como hipoglicídicas, hiperproteicas e hipolipídicas, além de terem, na sua maioria, fibras em quantidades insuficientes. Comparando os dois grupos, observaram-se diferenças em relação à distribuição de lipídios e fibras, sendo os demais macronutrientes sem diferenças significantes. As dietas GRC e RCL foram classificadas como hipoglicídicas, hiperproteicas e com quantidades insuficientes de fibras, porém as GRL, na sua maioria, apresentaram-se normolipídicas, enquanto as RCL como hipolipídicas.