REGULAGEM E CALIBRAÇÃO PULVERIZADORES AGRÍCOLAS

Noções Básicas em Pulverizadores Agrícolas

1 EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS

Pela importância econômica e ambiental deste procedimento, torna-se claro que os proprietários e empresas devem adotar rotinas e critérios sistemáticos de freqüência e metodologia para as regulagens e calibrações dos pulverizadores. Com a gama de conhecimentos já adquiridos sobre a qualidade de pulverização torna-se importante a verificação de todos os parâmetros possíveis da pulverização, ao contrário da mentalidade vigente até o presente de apenas se preocupar com a taxa de aplicação.

DEVEMOS NOS CONSCIENTIZAR QUE NA REGULAGEM DE PULVERIZADOR A TAXA DE APLICAÇÃO É APENAS UM DOS PARÂMETROS DA PULVERIZAÇÃO A SEREM ACERTADOS, E QUE OS OUTROS PARÂMETROS COMO TAMANHO DE GOTAS, DENSIDADE DE GOTAS E POTENCIAL DE DERIVA SÃO TÃO OU MAIS IMPORTANTES QUE A TAXA DE APLICAÇÃO.

Devemos assim nos preocupar em acertar numa regulagem o conjunto de parâmetros citados no quadro 01:

2 FÓRMULAS E FATORES DE CONVERSÃO ÚTEIS :

Fatores de Conversão :

Um BAR = 14,22 Libras/pol2 ( PSI )
1 m/seg = 3,6 km/h
1 Galão (USA) = 3,785 l/min
1 Ha = 10.000 m2

Fórmulas para pulverizadores terrestres de barra :

3 REGULAGEM E CALIBRAÇÃO DE PULVERIZADORES DE ARRASTO/TRES PONTOS

1º Passo: Definir a ponta de pulverização

A definição da ponta será em função do tamanho de gotas que necessitamos, e esta definição das gotas será em função : √ Do modo de ação do produto:

- Herbicidas sistêmicos e de solo podem ser aplicados com gotas muito grossas ou grossas, a partir de 20 gotas/cm2;

- Produtos de contato (herbicidas, fungicidas e inseticidas), vão exigir gotas médias ou finas, com mais de 40 gotas/cm 2;

- Os fungicidas de inverno , do grupo dos Triazóis, que embora sistêmicos somente se deslocam pela planta de baixo para cima, exigem que o produto atinja as partes inferiores da planta, exigindo assim gotas médias ou finas, mais de 40 gotas/cm2.

Das condições climáticas:

- Em condições mais favoráveis à evaporação e deriva (mais ventos, maiores temperaturas e menores umidades relativas) – evitar produzir gotas finas ou médias

Da situação do nosso alvo

- Quando a cultura ou o mato estiver mais alto e fechado, e necessitarmos de penetração na folhagem (herbicidas, inseticidas e fungicidas de contato) devemos produzir gotas finas ou médias .

- Às vezes na própria dessecação com glifosato, se existir o “Efeito Guarda Chuva” (mato maior ou a própria palha dificultando a pulverização de chegar no mato pequeno que fica por baixo) , necessitaremos de gotas médias ou finas para atingir o alvo.

Para a definição da ponta, será necessário o uso das informações do fabricante, como as contidas no quadro 03 abaixo :

2º Passo : Definição da Taxa de Aplicação – L/Ha

Seguir a instrução do fabricante do defensivo .

3º Passo : Checar a velocidade de deslocamento do pulverizador

A velocidade é determinada cronometrando se uma passada em 50 m, na rotação e velocidade normal de trabalho. Para se obter a velocidade em km/h, basta dividir 180 pelo tempo gasto em 50 m , isto é :

4º Passo : Checar o espaçamento entre bicos na barra ( em cm )

4º Passo : Checar o espaçamento entre bicos na barra ( em cm ) 

5º Passo: Calcular qual a vazão necessária na ponta

Esta vazão em l/min será calculada pela seguinte fórmula :

Onde :

l/min = vazão necessária no bico
l/ha = taxa de aplicação desejada
km/h = velocidade deslocamento do pulverizador

E = Espaçamento entre pontas em cm na barra para aplicação em área total
ou
= Faixa de aplicação em cm para bicos únicos , aplicação em faixas ou pulverização sem barra
ou
= Espaçamento entre as linhas em cm dividido pelo número de bicos por rua para aplicação dirigida/Turbo atomizadores

6º Passo : Escolha da vazão e pressão de trabalho da ponta

Uma vez determinada vazão necessária ponta , escolher então , dentro do tipo de ponta já definido, no primeiro passo, a vazão da ponta e pressão de trabalho que produzam o tamanho de gota desejado. Para isto, torna-se necessário o uso de informações do fabricante, como o quadro 03 (ver tabelas originais no catalogo de Pontas Hypro) , onde nas células temos Uma vez determinada vazão necessária ponta , escolher então , dentro do tipo de ponta já definido, no primeiro passo, a vazão da ponta e pressão de trabalho que produzam o tamanho de gota desejado. Para isto, torna-se necessário o uso de informações do fabricante, como o quadro 03 (ver tabelas originais no catalogo de Pontas Hypro) , onde nas células temos a informação da vazão na ponta em l/min em função da pressão, e pela cor da célula temos (pela legenda) a classe de tamanho de gota que está sendo obtida. Lembre-se que 1 BAR = 14,22 PSI (Libras) :

Procure evitar pressões excessivas (acima de 60 PSI ou 4 BAR), para garantir menos deriva e mais durabilidade na ponta.

7º Passo : Calibração

A - Estando a barra com as pontas escolhidas, ajustar a pressão de trabalho com o auxílio de um manômetro de bico;

B – Coletar o volume de saída de água em um minuto em no mínimo 6 pontas pontas, e anotar;

C – Determinar a vazão média obtida, e :

Verificar se não há pontas variando mais de 5% desta média (se isto ocorrer, é sinal que o desgaste já está excessivo, e todas as pontas devem ser trocadas por novas)

Verificar se a vazão média obtida não esta variando mais ou menos que 5 % da calculada na regulagem . (se isto ocorrer, faça ajuste na pressão e cheque as vazões novamente)

8º Passo : Determinação da quantidade de produto por carga do tanque

Por regra de 3 , calcular a dose de produto no tanque, a partir da capacidade do tanque e da taxa de aplicação desejada.

4 EXEMPLOS DE REGULAGEM

Exemplo Regulagem de Barra em Área Total

Para um produtor que deseja fazer uma aplicação de 3 l/ha de herbicida pós-emergente sistêmico (permitindo portanto gotas grossas ou muito grossas ) , com pulverizador de 600 litros, em soja nova , onde não está ocorrendo efeito “guarda chuva” , com 100 l/ha de calda , e o trator fazendo 50 metros em 28 segundos, qual seria uma boa opção de ponta e pressão de trabalho , e a carga no tanque ? Vamos agora seguir o roteiro citado anteriormente :

1º Passo : Pensando no tamanho de gotas : considerando que não tenha o efeito guarda chuva na lavoura, pode-se programar aplicar gotas grossas para termos menos deriva. Escolha do tipo de ponta : observe no quadro 04 que a ponta ULD pode produzir gotas grossas - Temos a ponta ULD portanto como boa opção.

2º Passo : Taxa de aplicação : já recomendada no exemplo, de 100 l/ha

3º Passo: Velocidade de deslocamento do Pulverizador pela fórmula : Velocidade (km/h) = 180/28s = 6,43 km/h

4º Passo: Checar espaçamento entre bicos na barra : 50 cm, por exemplo.

5º Passo: 

6º Passo: Escolher a melhor opção de ponta e pressão dentro do quadro de informações da ponta ULD no quadro 04 abaixo (ver original no catálogo):

Observe no quadro 04 que teremos duas opções de escolha para obtermos 0,536 l/min:

- Com a ponta ULD015-F120 em torno de 2,3 BAR de pressão (33 PSI) , produzindo gotas grossas.

- Com a ponta ULD02-F120 em torno de 1,2 BAR (17 PSI) , produzindo gotas muito grossas

As duas opções nos atende bem produzindo gotas de baixo potencial de deriva:

A dose por tanque do herbicida do exemplo será :
(Em 1 ha ): 100 litros - 3 litros
Em 600 litros - x x = 3 x 600/100 = 18 litros por tanque de 600 l

Exemplo de Regulagem de “Conceição”

Para uma aplicação com conceição com largura de 2 metros e 4 bicos, tanque de 400 litros , para se aplicar de 3 l/ha de glifosato (herbicida pós-emergente de sistêmico , portanto podendo se trabalhar com gotas grossas ou muito grossas) , eucalipto novo, com 150 l/ha de calda , e o trator fazendo 50 metros em 40 segundos, qual seria a ponta, a regulagem e a carga no tanque ? Vamos agora seguir o roteiro:

1º Passo : Pensando no tamanho de gotas : considerando que o eucalipto novo é altamente sensível ao Glifosato aplicando gotas muito grossas teremos menos deriva. Escolha do tipo de ponta : A ponta AI será a mais indicada para este caso

2º Passo : Taxa de aplicação : já recomendada no exemplo, de 150 l/ha

3º Passo: Velocidade de deslocamento do Pulverizador : pela fórmula : Velocidade (km/h) =180/40= 4,5 km/h

4º Passo: Checar espaçamento entre bicos na barra :

Lembre-se que estamos agora fazendo uma aplicação em faixa, e nesta faixa aplicada de 2 metros como o pulverizador do exemplo está com 4 bicos, a faixa de aplicação de cada bico é de 4m/4 bicos = 0,5 m = 50 cm por bico

5º Passo:

6º Passo:

Escolher a melhor opção de ponta e pressão dentro do quadro pressão x vazão da ponta:
Observe no quadro 03 que para obtermos 0,563 l/min teremos como opção :
Ponta AI10015 um pouco abaixo de 3 bares de pressão
A dose por tanque do herbicida do exemplo será :

(Em 1 ha ): 150 litros - 3 litros
Em 400 litros - x
x = 3 x 400/100 = 12 litros por tanque de 400 l

5 REGULAGEM E CALIBRAÇÃO DE TURBO ATOMIZADORES

Na regulagem de turbo atomizadores deve-se ter em mente evitar a deriva desnecessária, e conseqüentemente garantir o máximo de ingrediente ativo atingindo o alvo, tomando–se sempre o cuidado de fechar pontas que não forem necessárias e regular adequadamente a angulação das pontas e da canaleta que dirige o jato de ar, para evitar apontar as gotas para fora do alvo. A velocidade de rotação ventilador e/ou angulação das pás quando forem reguláveis, também deve ser ajustadas para não se ter perdas excessivas por deriva.

Na calibração dos turbo atomizadores, o uso do papel sensível, assim como o processo de tentativa e erro na calibração e ajustes citados são fundamentais.

1º Passo : Calcular a vazão total dos bicos

A vazão necessária total Q (l/min) poderá ser obtida a partir da velocidade do pulverizador Vp(km/h) , taxa de aplicação necessária em l/ha ou da taxa em litros por plantas – l/planta, e da largura da rua Lr (m) ou do espaçamento entre plantas na linha E(m) conforme nossa opção em l/ha ou l/plantas respectivamente, a saber :

 

Exemplo : Para Turbo pulverizador andando a 4 km/h, largura de rua de 3 m, 2 metros entre plantas, pergunta-se qual a vazão total para uma uma taxa de 600 l/ha

2º Passo : determinar a vazão por bico:

Será a vazão total Q dividida pelo numero de bicos :

L/min(bico) = Q/n

Onde

Q = Vazão total necessária

n = número de bicos

3° Passo : Definir as pontas a utilizar

Normalmente são utilizados bicos de jato cone tipo ponta difusor nestes pulverizadores, e a escolha entre cone cheio e cone vazio vai depender da largura de rua, e porte da copa ou altura e enfolhamento no caso de parreiral, que definirão ( após testes com papel sensível ) o tamanho de gotas mais adequado. Para a escolha da combinação correta de ponta difusor , deve-se verificar nas tabelas de pressão e vazão do manual técnico qual combinação dará a vazão necessária, numa pressão razoável (evitar pressões superiores a 10 BAR ou 150 PSI. No quadro 05 e são mostradas diferentes características de pulverizações (DMV e percentagem do volume pulverizado com gotas menores que 100 micrômetros) de diferentes bicos e combinações de ponta/difusor, em três velocidades de deslocamento, mesma pressão de trabalho e mesma taxa de aplicação (l/ha).

Quanto a vazão individual das pontas, embora a regra básica seja dividir o a vazão total necessária Q pelo número de pontas que estarão funcionando no pulverizador no caso de culturas perenes de copa cônica ou trapezoidais como café, maçã, etc recomenda-se ajustar o volume do líquido na cortina de ar proporcionalmente ao volume da copa da planta , isto é, se a metade inferior da copa ocupa por exemplo um volume de 2/3 do total e a metade superior ocupa um volume de 1/3 do volume total, os bicos de baixo que cobrirão 50 % da altura da copa devem ter 2/3 da vazão total , e os bicos que atingirão a metade superior da altura da copa deverão totalizar 1/3 da vazão total. Veja o esquema no quadro 06 abaixo.

3º Passo: Calibração

O método mais preciso é o do volume conhecido:

A - Ajustar a pressão para atingirmos a vazão prevista nos bicos, pela tabela dos bicos.
B - Iniciar a pulverização, percorrendo um numero de plantas ou área conhecida. Este ponto da calibração também deve ser utilizado para a verificação da deposição com o papel sensível, que pode ser grampeado nas folhas da cultura alvo
C - Completar o tanque medindo o volume de abastecimento , comparando com o volume que estava previsto para o número de pés ou para a área conhecidos
D – Fazer reajustes na pressão se necessário e fazer novamente o teste.

6 REGULAGEM E CALIBRAÇÃO DE PULVERIZADORES COSTAIS

1º Passo: Definir a Vazão e o tamanho de gotas desejado

Esta definição vai depender do produto a ser aplicado

2° Passo – Escolha o tipo ponta de pulverização

A definição da ponta será em função do tamanho de gotas que necessitamos, e deve-se seguir o mesmo raciocínio já mostrado no item 5 – Regulagem e calibração de pulverizadores de arrasto ou três pontos. Alguns aspectos cabem ser comentados :

Nos costais manuais, a pressão máxima de trabalho gira em torno de 60 PSI ,

Na ausência de válvula reguladora de pressão fica difícil prever um trabalho realmente preciso do operador quanto a pressão, e como as pontas antideriva de indução de ar exigem pressão mínima de 30 PSI para funcionarem, recomenda-se a utilização das válvulas reguladoras de pressão para garantir o funcionamento adequado das pontas.

3° Passo - Determine a largura da faixa de aplicação

4° Passo – Determine a velocidade de trabalho

Determine o tempo gasto para se fazer 50 metros. E use a fórmula

5° Passo - Determine a vazão da Ponta

l/min = vazão necessária na ponta
l/ha = taxa de aplicação desejada
km/h = velocidade de operação
E = largura da faixa de aplicação em cm

Determinada a vazão necessária, escolha a vazão e pressão de trabalho da ponta, dentro da tabela de pressão/vazão do tipo de ponta escolhido, que vá atender ao tamanho de gota desejado.

6° Passo – Calibração

É mais prático adotar o método do volume conhecido:

A – Abasteça e prepare o pulverizador com a ponta e a válvula reguladora adequados
B – Percorra uma distância conhecida fazendo a aplicação na velocidade normal de trabalho
C – Complete o pulverizador com uma proveta ou jarra graduada , anotando o volume gasto.
D – Por regra de três, determine a taxa de aplicação real .
E – Se for possível ajustar a pressão , fazer o ajuste para acertar a taxa de aplicação real com a programada, e repetir os passos A a D.

Caso não se disponha de como regular a pressão, o cálculo da carga de defensivo por tanque deverá ser feito com a taxa real, e não com a taxa programada.

7° Passo: Cálculo da carga de defensivo no tanque do pulverizador

Determinar por regra de três

7 EXEMPLO DE REGULAGEM E CALIBRAÇÃO DE PULVERIZADOR COSTAL

Para uma aplicação de 150 l/ha, de glifosato, dose de 3 l/ha, com gotas grossas, percorrendo-se 50 m em 60 seg, largura de aplicação = 0,80 m

 

1° Passo : Taxa de aplicação e tamanho de gota

Já exemplificado : 150 l/ha, gotas grossas

2° Passo: Definição do tipo de ponta

Vamos considerar o uso da ponta AI, que produzirá as gotas grossas desejadas.

3° Passo: Largura da faixa de aplicação

Conforme exemplificado : 1,00 m = 100 cm ( lembre-se que na fórmula iremos precisar desta medida em cm

4° Passo – Determinação da velocidade de trabalho

Como foi citado , 50 metros em 60 segundos. Usando a a fórmula

5° Passo - Determinação da vazão da Ponta

Observando-se a tabela de pressão x vazão da ponta AI, temos como alternativa a Ponta AI 110015 a cerca de 3 Bares de pressão.

6° Passo : Calibração

7° Passo : Calculo da carga

Adotando se como exemplo que na calibração tenha se obtido a taxa real como a taxa programada de 150 l/ha, caso o tanque do pulverizador seja de 20 litros, teremos a seguinte carga: