Jornalismo Esportivo - Os Craques da Emoção - Parte 3

Inicialização em Jornalismo Esportivo

1 Seleção de Dados e Elaboração do Texto

Após a coleta dos dados, com a pesquisa e as entrevistas, o jornalista seleciona as principais informações para a elaboração do texto. A primeira informação é aquela que vai direcionar o texto e nela o jornalista esportivo opta pelo último acontecimento ou aquele que interferiu diretamente no desenvolvimento do fato. A contusão de um atleta, uma suspensão pela federação ou a convocação para uma seleção (seja do país ou para algum evento esportivo) são acontecimentos que podem influenciar na performance de um competidor. O jornalista coloca o fato em destaque no início da matéria por ser o ponto de referência

Outros fatores que podem interferir na performance do atleta são as últimas campanhas, o mando de jogo modificado, chuvas de última hora, o favoritismo para uma conquista, a rivalidade dos adversários, entre outros. São muitas as intervenções no desenrolar de uma competição e seria difícil listar todas, mas o jornalista que cobre o cotidiano do esporte tem de estar atento aos últimos acontecimentos que envolveram uma disputa. Inicia-se o texto com o fato que está mais próximo do público, porque é essa informação que modificou por último a rotina dos fatos e tem uma probabilidade maior de influenciar no andamento de uma competição

Ao detectar qual será a abordagem principal, o jornalista parte para a informação direta sobre a competição, com dados ligados diretamente a ela. São talvez os dados mais fáceis de coletar e os que merecem maior atenção. Um erro no horário, no local da competição, no preço dos ingressos, na escalação de uma equipe (incluindo comissão técnica e dirigentes), no nome dos atletas, da comissão técnica, dirigentes, árbitros, na classificação do campeonato, .entre outras falhas, acarretam uma falta gravíssima porque o público compra aquela informação como prestação de serviços e vai se orientar por ela.

As informações checadas com as fontes oficiais, como organizadores e competidores, são as mais confiáveis, e as que devem ser selecionadas. O repórter deve tomar cuidado em se pautar pelos dados recolhidos de outros meios de comunicação, por não serem fontes oficiais nem da competição, nem dos atletas nem dos clubes. A errata é injustificável neste caso porque a fonte consultada não foi a ideal e não tinha credibilidade para a mensagem.

O enfoque inicial vai direcionar o texto e seu desenvolvimento é o componente principal nesse momento de elaboração. Trabalha-se aqui um esclarecimento sobre o último fato que interferiu na disputa. É um momento da atualidade, com as notícias mais recentes sobre aquele acontecimento. O jornalista esportivo pode ter diversos dados, desde fontes documentais a entrevistas indiretas (tipo fone ou e-mail), mas sua função é de interagir essas informações com o trabalho de campo. O repórter deve selecionar os dados que recolheu no local de treino ou no local da competição ou ainda com entrevistas realizadas diretamente com os envolvidos e complementar com os dados que já tem. Assim, ele pode perceber alguns fatores que interferiram diretamente no acontecimento. A informação principal ou a última notícia é captada e transmitida por aquele repórter que esteve realmente envolvido com o fato.

O erro em captar a informação apenas pela pesquisa e pela entrevista indireta é que o julgamento por parte do jornalista fica condicionado ao fato secundário ou à interpretação de terceiros. Sua participação como integrante do fato foi nula por estar ausente no processo de cobertura do acontecimento. A matéria fica condicionada ao depoimento das fontes que podem conduzir ou manipular a informação como queiram. A participação do repórter no local do fato é, no jornalismo esportivo, um elo de ligação entre o público e o evento, além de ser a demonstração de que os fatos estão sendo narrados de acordo com o ocorrido.

As entrevistas feitas no local facilitam a fase de coleta de dados. O diálogo direto do repórter com os envolvidos amplia e ilustra o trabalho de reportagem por causa da proximidade com os personagens. Além disso, o repórter torna-se testemunha do fato, por estar presente no local. A entrevista de campo traz consigo a complexidade das relações na cobertura esportiva e na construção da notícia. Nada como sentir o ambiente, de estar cara a cara com o entrevistado, de observar o seu comportamento diante das questões que são colocadas na hora pelo entrevistador, que, ao perceber o momento crítico, coloca uma questão fora da pauta. A ruptura da comunicação interpessoal é um perigo para a própria profissão, pois elimina a complexidade da entrevista. O comunicador passa de sujeito para objeto.

Relacionar o entrevistado a determinado assunto não é função do público, mas sim do jornalista que tem a responsabilidade pela divulgação da matéria. O público acredita no jornalista, em suas fontes e naquilo que está sendo divulgado A participação direta do comunicador em uma entrevista torna-se essencial, pois ele é o representante do público diante do tema abordado. Uma pergunta bem colocada do jornalista instiga o público como se fosse ele o entrevistador. O jornalista esportivo, pela relação com o tema, está sempre em contato direto com o entrevistado, o que facilita a coleta de dados no local de treino ou da competição.

A fase de preparação, no caso de noticiários anteriores ao fato, e de performance, no caso da cobertura da competição, é o momento crucial dessa fase da reportagem no jornalismo esportivo. O repórter expõe ao público o que realmente aconteceu com os participantes e contextualiza, por meio de informações adicionais, o trabalho dos atletas, seja individual ou coletivamente. Tudo o que ocorreu durante a fase de preparação foi observado durante a competição. Uma preparação física inadequada ou uma contusão, por exemplo, com certeza influenciaram a performance do atleta durante o torneio. O jornalista esteve atento a todas as fases e condicionou a performance do atleta ou da equipe à fase de preparação. Uma notícia transmitida pelo repórter esportivo começa, na verdade, muito antes da competição, ou seja, no primeiro dia de treinos.

2 Durante o noticiário

O jornalista esportivo transmite de forma direta como foi a preparação dos atletas para uma competição e os fatos que influenciaram essa fase do trabalho. O público é informado sobre a preparação física e sobre o desenvolvimento em campo nos treinamento antes da disputa. As entrevistas realizadas com os atletas e a comissão técnica posicionam o público sobre o trabalho realizado no local de treinamento. Se algum fato anormal interferir no cotidiano dos treinamentos, o jornalista deve buscar esclarecê-lo com as pessoas responsáveis pelo ocorrido, sejam elas dirigentes, torcedores ou a imprensa, além da comissão técnica e dos atletas. Caso necessário, como dissemos, busca o complemento com o depoimento de especialistas. O mesmo acontece para complementar, caso seja necessário, a informação diária.

Já durante a disputa, o jornalista relata os acontecimentos conforme a seqüência de lances ocorridos durante a competição. A sensibilidade e o conhecimento do repórter são fundamentais porque depende dele a seleção dos fatos principais. O trabalho vai desde a chegada do atleta ao local, passa pela disputa e termina quando todos vão embora. O jornalista tem de estar atento a todos os fatos que ocorreram na disputa, destacando os principais em sua narração. O fato de um atleta ter o aquecimento prejudicado momentos antes da partida ou a desistência de um competidor, mesmo que não seja favorito, pode interferir no resultado final da competição. O mesmo acontece durante a disputa, quando um atleta desperdiça a chance de uma vitória por um erro de conclusão ou quando é penalizado pelos juízes. No final, destacam-se os vencedores e os derrotados, mas cabe ao jornalista condicionar o resultado à fase de preparação e também ao talento dos competidores, destacando o motivo que ocasionou a vitória ou derrota.

As entrevistas realizadas durante o evento devem ser colocadas conforme as fases do acontecimento, ou seja, antes, durante e depois da competição, respectivamente, pois a mistura das declarações pode ocasionar confusão diante da seqüência temporal do fato. A opinião principal sempre é a dos atletas, em seguida as da comissão técnica, dirigentes, torcedores e especialistas, a não ser que um deles venha a interferir diretamente no resultado, como no caso da interrupção de um torneio por causa de um dirigente que adentrou ao local da disputa. As entrevistas esclarecem sobre os atributos e as falhas dos trabalhos das equipes e dos atletas diante do resultado final.

O jornalista então mescla os fatos com os depoimentos, trabalhando-os em seqüência, sem deixar nenhuma dúvida sobre o que realmente aconteceu naquela competição. A reportagem deve ter uma ligação com os fatos passados que foram transmitidos em matérias anteriores a respeito da fase de preparação. O resultado final é mostrado pelo repórter como decorrente de uma série de fatores.

No final da matéria, o jornalista esportivo começa a trabalhar a próxima notícia, ou seja, o jogo posterior. Destaca o novo evento e alerta sobre as dificuldades e os atributos para a disputa. A contusão de um atleta é um problema a resolver e que pode atrapalhar a performance futura. A cobertura jornalística começa, novamente, com pesquisas e entrevistas, porque, muitas vezes, o próximo compromisso vai incluir diferentes competidores, torneios e fatos.