Jornalismo Esportivo - Os Craques da Emoção - Parte 1

Inicialização em Jornalismo Esportivo

1 Entre torcer e distorcer

A recente cobertura dos Jogos Olímpicos revelou todas as virtudes e algumas das mazelas da imprensa esportiva brasileira. Em regra, o comportamento da imprensa escrita ganha de goleada, muito mais crítica e aprofundada. Já a postura das TVs deixa a desejar, com as exceções de praxe.

O jornalista esportivo brasileiro dos meios eletrônicos vive a permanente ambiguidade entre torcer e informar. É natural, digase desde logo, que haja a priorização das competições que tenham atletas brasileiros e que as narrações assumam um tom nacionalista. Mas há limites e nem sempre estes são obedecidos. É a velha contradição entre torcer e distorcer

Quando se cobre uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo, é preciso ter bem claro que ambas são festas esportivas, não guerras. Se nas guerras a primeira derrotada é sempre a verdade, no esporte nada justifica a repetição do mesmo fenômeno. Jornalistas que saem do seu país para um evento esportivo internacional têm apenas um compromisso: com o leitor, com o telespectador, com o ouvinte.

É claro que é compreensível o tom emocional das transmissões, embora os exageros sejam demasiados, o que exacerba vitórias que, por um lado, não falam muito ao coração do torcedor e, por outro, aumentam a frustração por derrotas absolutamente normais. Até mesmo quando a conquista é valiosa por si mesma, a tendência é no sentido de torná-la ainda maior, como no caso da medalha de ouro do vôlei masculino.

Houve quem dissesse que a final contra a Itália era a decisão mais esperada dos Jogos, uma bobagem sem tamanho diante da incomparável popularidade do futebol e do basquete. No afã de dourar uma façanha que já estava suficientemente banhada em ouro, até dizer que o jogo encerrava as competições coletivas em Atenas houve quem dissesse. Outra bobagem, porque tanto o handebol quanto o pólo aquático foram decididos depois da magnífica vitória brasileira sobre os italianos.

O exagero leva às contradições. Por exemplo: exalta-se um quinto lugar de uma nadadora brasileira com a mesma sem-cerimônia com que, ao se comentar uma medalha de prata de uma atleta estrangeira que era favorita ao ouro, alguém diz que “fulana ficou só (o grifo é meu) com a prata”.

Jornalistas não podem assumir o papel de vendedores de ilusão e é necessário que fique bem clara a fronteira entre o esporte tratado como entretenimento (a hora do jogo, do evento) e a cobertura jornalística do mesmo momento. Já bastam aqueles que assumiram o figurino de garotos-propaganda e transformaram a programação dominical em verdadeiros bazares que vendem de cerveja a palha de aço, num atropelo sem fim à ética e aos bons costumes, algo impensável em países mais avançados, nos quais o jornalista que fizer propaganda é, imediatamente, alijado do sindicato da categoria.

Voltando ao ufanismo de plantão, entre a constatação, irrefutável, de que o esporte brasileiro bateu seu recorde de medalhas de ouro (quatro em Atenas, contra três de Atlanta oito anos atrás), o jornalismo sério não pode permitir que se confunda o significado de tal marca, absolutamente insuficiente diante do tamanho da população brasileira, do tamanho da delegação brasileira na Grécia e do investimento de dinheiro público e das estatais no esporte. Mostrar a fragilidade do resultado e cobrar por mais eficácia é o papel que, em regra, o jornalismo impresso tem desempenhado, contra a exaltação eletrônica pura e simples de uma verdade que encobre uma porção de mentiras.

Sim, o show precisa continuar, mas o jornalista não é nem artista nem ilusionista, precisa se preocupar em jogar luz sobre os fatos, por mais que a cobertura esportiva seja contaminada, necessariamente, pela emoção que desperta. Entre a euforia e a depressão há um espaço enorme, exatamente o que permite o exercício do bom jornalismo.

2 História de Paixão

O garoto tinha 14 anos. Recebera a promessa do pai de que poderia assistir ao seu time do coração, no domingo. Mas só se o dia não amanhecesse com chuva. O pai, velho de guerra, já havia passado frio muitas vezes num estádio de futebol. Não queria repetir o sofrimento.

Sofrimento, ora, que sofrimento? A pergunta do garoto fazia todo o sentido na cabecinha de 14 anos. O que podiam representar duas horas de frio perto da alegria de assistir ao time do coração? O domingo, 27 de agosto de 1983, amanheceu nublado, com céu ameaçador. O pai desconsiderou a promessa. Olhou para o céu, para o rosto do menino. Pegou o carro e foi ao estádio

O garoto em questão já sabia que não praticava nenhum esporte com qualidade. Queria ser jornalista. Carregava a paixão, percebia precisar mais do que isso. Precisava ser Jornalista, assim com J maiúsculo. Significava não restringir seu conhecimento à área esportiva, entender um pouco de política, ler jornais, formar-se como cidadão. A paixão se encarregaria de formar sua especialização.

O menino Paulo Vinícius virou jornalista e, acredite, tem gente que coloca o adjetivo bom ao lado do nome da sua profissão. Contei parte dessa história no texto com o qual me apresentei à editora Abril, em 1990, ano da seleção para o Curso Abril, do qual tomei parte, escolhido pelo texto ali escrito.

Ali, fui lembrado outras tantas vezes: um bom jornalista de esportes é, antes de tudo, um bom jornalista. A tarefa não é simples. Exige rigor na informação, cuidado na apuração, checagem exaustiva. Implica passar horas ao telefone. Engana-se quem pensa ver o telefone substituído pelo computador. Um completa o outro, mas não há jornalista sem conversa diária com a fonte.

Assim como não existe profissional que se torne escravo dela. Jornalista não é amigo, nem confidente. Informação apurada vira informação publicada, depois de checada. A cara feia de quem pensava ser amigo pode ser fome, que você só não vai passar se trabalhar direito e publicar tudo o que deve ser publicado.

Não é diferente o trabalho numa editoria de Política, Cidades, Variedades, Economia. Diferente, às vezes, é o tratamento dedicado a quem vive numa redação esportiva por quem trabalha com informação distante do caderno de esportes. A editoria esportiva é vista como porta de entrada por quem pretende chegar mais longe. Verdade apenas do ponto de vista das feras formadas nessa editoria. Gente como Armando Nogueira, Milton Coelho da Graça, Alberico de Souza Cruz. Por que o esporte forma tanta gente para outras editorias? Porque escrever sobre esporte implica falar sobre a crise política ou econômica de um clube, contar o drama pessoal de um atleta, explicar a trajetória de um herói. No esporte, se faz matéria de Política, Economia, Variedades, todos os dias.

Mas ser visto como porta de entrada faz gente que não se preparou ser encaixado no fundo da redação. Para onde vamos mandar o menino? Ah, manda para o Esporte.

Problema mais sério do que esse vive quem queria – e não quer mais – trabalhar com futebol, basquete, vôlei, atletismo. Gente apaixonada que envelheceu, passou a se preocupar mais com filhos, contas, carros, casas. A vida muda, a paixão se vai. Se isso acontecer com você, pense. Vá fazer outra coisa. Porque se a paixão de menino levou você à frente do computador, para escrever sobre esportes, só ela fará você escrever bem pelo resto da vida.

Gente séria, como Graciliano Ramos, duvidava que o futebol fosse pegar. Foi, talvez, o primeiro palpiteiro que se meteu a escrever sobre futebol sem entender nada do assunto. Gente séria continuou duvidando que jornais e revistas especializadas tivessem sucesso. No final dos anos 60, João Saldanha dizia não acreditar que Placar, recém-fundada revista especializada em esportes, tivesse vida longa. Placar é publicada há 34 anos.

A importância dos veículos que se dedicavam ao esporte começou mais cedo, no entanto. Em São Paulo, na década de 1910, havia páginas de divulgação esportiva no jornal Fanfulla. Não se tratava de periódico voltado para as elites, não formava opinião, mas atingia um público cada vez mais numeroso na São Paulo da época: os italianos. Um aviso não muito pretensioso de uma das edições chamava-os a fundar um clube de futebol. Foi assim que nasceu o Palestra Itália, que se tornaria Palmeiras décadas mais tarde, no meio da Segunda Guerra Mundial. Nesse tempo, as poucas páginas dedicadas a esporte nos diários paulistanos falavam sobre outra guerra. A travada entre os são-paulinos, que sonhavam tomar à força o Estádio Parque Antártica dos palestinos

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Durante todo o século passado, dirigir redação esportiva queria dizer tourear a realidade. Lutar contra o preconceito de que só os de menor poder aquisitivo poderiam tornar-se leitores desse tipo de diário. O preconceito não era infundado, o que tornava a luta ainda mais inglória. De fato, menor poder aquisitivo significava também menor poder cultural e, conseqüentemente, ler não constava de nenhuma lista de prioridades. E se o futebol – como os demais esportes – dela fizesse parte, seria necessário ao apaixonado ir ao estádio, isto é, ter menos dinheiro para comprar boas publicações sobre o assunto.

Assim, revistas e jornais de esportes foram surgindo e desaparecendo com o passar dos anos. Em 1918, o jornalista Cásper Líbero havia adquirido o jornal paulista A Gazeta, que logo se tornou um sucesso de público, desempenhando importante papel na defesa das instituições democráticas e que, em 1932, tornou-se o porta-voz da Revolução Constitucionalista. Os esportes passaram a ter destaque especial nesse jornal e o sucesso foi tamanho que Cásper criou um suplemento destinado exclusivamente a divulgar eventos ligados a essa área, com o nome de A Gazeta Esportiva, cujo primeiro número circulou em 24 de dezembro de 1928. Em 1947, o suplemento tornou-se um jornal diário e ganhou um grande número de páginas. Suas matérias, com coberturas amplas de todas as modalidades esportivas, o tornaram-no um dos mais completos jornais esportivos do país, com prestígio até no exterior. Em 2001, A Gazeta Esportiva deixou as bancas e passou a ter sua versão na internet pelo site www.gazetaesportiva.net.

No Rio de Janeiro, a Revista do Esporte viveu bons anos entre o final da década de 1950 e o início dos anos 60. Viu nascer Pelé, o Brasil ganhar títulos mundiais, viu o futebol, seu carro-chefe, viver momentos de estado de graça. E nem assim sobreviveu às adversidades.

No final dessa década, o jornalista paulistano Roberto Petri lançou seu próprio diário esportivo: O Jornal. Não durou. Petri voltou a trabalhar em emissoras de rádio como Gazeta, Difusora e Bandeirantes, até concentrar-se nos comentários sobre o futebol argentino na ESPN Brasil, no final dos anos 90. 

Só no fim da década de 1960, os grandes cadernos de esportes tomaram conta dos jornais. Ou melhor: em São Paulo, surgiu o Caderno de Esportes, que originou o Jornal da Tarde, uma das mais importantes experiências de grandes reportagens do jornalismo brasileiro. Dessa época para cá, os principais jornais de São Paulo e do Rio lançaram cadernos esportivos e deles se desfizeram como se tratasse de objeto supérfluo. Gastar papel com gols, cestas, cortadas e bandeiradas nunca foi prioridade.

3 Um olhar feminino no jornal dos Sports

Posso dizer que meu amor pelo esporte vem do berço. Meu pai, que foi um esportista militante (chegou a ser campeão paulista de remo – no dois-sem), educou seus cinco filhos inculcando em nossas cabeças o lema greco-romano de mens sana in corpore sano. Ensinou a todos nós a nadar. Filhos e alguns netos. Para mim, uma das lembranças mais agradáveis da minha infância era a hora em que interrompíamos os estudos, pela manhã, para ir com ele ao clube nadar.

Pratiquei natação durante muitos anos. E até hoje, quando não está muito frio e quando o mar não está muito mexido, dou minhas braçadas ali no Leblon. Mas minha vida profissional esteve até agora dedicada a uma outra paixão: a política. Somente este ano, graças ao convite do Christian Burgos e do Welligton Rocha, volto ao amor mais antigo, no Jornal dos Sports.

Este jornal, vocês já conhecem: teve sua origem no início dos anos 30, a partir da idéia dos jornalistas Álvaro Nascimento e Argemiro Bulcão, do então Rio Sportivo, que decidiram sair para uma nova empreitada. Reuniram nomes de peso e deram vida a um novo jornal dedicado aos esportes.

No dia 23 de março de 1936, inspirado na cor do jornal francês L’auto, o rosa entrou para a história do Jornal dos Sports. Foi uma jogada de marketing: desde aquele dia o jornal ganhou maior destaque nas bancas e passou a ser carinhosamente reconhecido no Brasil como o Cor-de-Rosa.

Mais tarde, Mario Filho, que trabalhava em O Globo, passou a colaborar também com o JS. Foi quando percebeu o incrível potencial do jornal e decidiu que iria se tornar seu dono. Comprou-o, em outubro de 1936, em sociedade com Roberto Marinho, Arnaldo Guinle e o presidente do Club de Regatas do Flamengo, José Bastos Padilha. Era o início da arrancada que transformou o jornal no maior e mais importante veículo esportivo do país.

Há 73 anos, o Jornal do Sports vem solidificando o seu prestígio no país. Incorporou ao linguajar dos torcedores e esportistas expressões que entraram definitivamente para o folclore mundial. O termo “Fla-Flu” é uma criação de Mario Filho; o “Dinamite” de Roberto, um dos maiores artilheiros da história do Vasco, surgiu na manchete do jornalista Aparício Pires. Isso sem falar no “urubu”, até hoje um dos símbolos do Flamengo, criado pelo saudoso Henfil em suas inesquecíveis charges nas páginas do JS.

De suas páginas nasceu, em l949, a campanha pela construção do maior estádio do mundo, o Maracanã. A importância do jornal na empreitada foi tão grande que o estádio leva até hoje o nome do jornalista Mario Filho. Com pulso forte, Mario Filho deu início a seus muitos empreendimentos. Criou os Jogos Estudantis e os Jogos da Primavera, imprimindo a sua marca à cobertura jornalística esportiva. Nas décadas de 50 e 60, os dois eventos chegaram a reunir mais de 200 mil atletas e estudantes e o JS rapidamente ocupou um lugar de destaque no país.

Por suas páginas, nesses 73 anos de vida, desfilaram os maiores jogadores de futebol da nossa história e desportistas como Adhemar Ferreira da Silva, no atletismo; Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, no automobilismo; Maria Esther Bueno e Guga, no tênis; entre muitos outros.

Seu conteúdo editorial também é referência na área de Educação, desde os tempos de Mario Filho. O JS mantém um noticiário diário sobre o assunto, pois entende que Educação e Esporte caminham juntos em qualquer sociedade. Somente quem tem 73 anos pode se dar ao luxo de contar e ser parte da história ao mesmo tempo.

Nesses 73 anos, o JS passou, como todos os jornais, por altos e baixos. Hoje, com sua circulação em curva crescente, quer continuar a ser o maior e melhor jornal esportivo do Brasil. E esta é a minha grande tarefa: produzir o melhor conteúdo para que tal se realize. Para isso tenho uma jovem e talentosa equipe, que já me recebeu com furo de reportagem sobre o polêmico prêmio** a ser entregue para a equipe olímpica brasileira de vôlei, no caso de ganharem a medalha de ouro, em Atenas.

Durante a minha vida profissional, só trabalhei em editoria de Esporte alguns meses. Foi em O Globo, com o Renato Maurício Prado. Mas a minha função na época era zelar pelo melhor desempenho da equipe, com o novíssimo sistema de edição, recém-implantado na redação. Eu era uma das instrutoras no uso do sistema. Claro que todos na editoria tiveram uma atuação excelente e eu, para meu desgosto, tive que abandoná-los bem cedo para assistir a outras editorias, com mais dificuldades. Mas o amor é fonte de conhecimento. E, talvez por isso, nunca pude deixar de me interessar e acompanhar bem de perto todo noticiário esportivo

Em um jornal, o noticiário esportivo é tão importante quanto o noticiário político. Envolve a mesma paixão, uma emoção tão forte que muitas vezes nos impede de pensar com alguma racionalidade. Por isso, jornalistas das duas editorias têm a obrigação de se esforçar em dobro para ser objetivos. E como isso é difícil quando se trata de matéria sobre o nosso time de coração! Não acredito que haja uma receita para ser um bom jornalista esportivo. Trata-se da mesma fórmula usada para ser um bom jornalista: inteligência, conhecimento, honestidade (muita), equilíbrio, objetividade (a maior quantidade que você conseguir) e amor à profissão. Uma pitada de jogo de cintura pode ajudar bastante.

Nunca senti, nos jornais em que trabalhei, discriminação por ser mulher. Ou, então, meus chefes foram muito eficientes em disfarçála... Sempre os encarei como sendo inteligentes demais para tal mediocridade. Sinto-me muito feliz com os chefes que tive. São considerados hoje os melhores jornalistas do Brasil! São nomes como Evandro Carlos de Andrade, Ricardo Boechat, Augusto Nunes, João Rath, Paulo Henrique Amorim, Edyl Valle Jr., Luiz Mario Gazzaneo, Lutero Motta Soares e muitos outros. Trabalhei também ao lado de grandes jornalistas e aprendi muito com eles.

Mas sei de muita discriminação sofrida por colegas, pelo fato de serem mulheres. E não só na editoria de esporte. Em todas. A discriminação por sexo, infelizmente, é uma realidade no Brasil. E pode ser sentida em todo lugar. Imagino que as editorias de Esporte também sofram desse mal. Porém, hoje em dia, a maioria dos homens se sente na obrigação de, pelo menos, disfarçar muito bem os preconceitos que possam ter. Mas que ainda los hay, los hay. Infelizmente.

4 Aurora de Possessos

Amigos, o brasileiro que após a vitória estava sóbrio é um pobre diabo nato e hereditário. Diante do bi, o nosso avassalante dever cívico era o pileque também cívico. Graças a Deus, todo o mundo estava bêbedo. Fomos, sim, setenta e cinco milhões de bêbedos. Muitos não tinham provado nem água da bica. Mas a vitória subiu nos à cabeça mais que a cachaça ordinária. Não encontrei, anteontem, uma única pessoa que não estivesse com o bafo, com o hálito, não de álcool, mas de vitória.

Mas seria uma injustiça não dar o nosso apoio aos que de fato beberam, aos que se encharcam de bebida alcoólica. E o impressionante é que, de sábado para domingo, a cidade já se povoava de bêbados. Eram sujeitos que comemoravam na véspera a glória do dia seguinte. Esses borrachos, como dizem os argentinos – borrachos proféticos –, estão a merecer o nosso reconhecimento. Amigos, eu nunca vi, na minha vida, o Brasil tão brasileiro, nunca vi o Brasil tão Brasil.

O primeiro papel do scratch tem sido o de promover e de reabilitar o Brasil aos olhos dos próprios brasileiros. Digo “reabilitar” porque tínhamos seriíssimas dúvidas sobre a nossa terra. O brasileiro não acreditava no Brasil, eis tudo. O sujeito, aqui, estava sempre de olho em Paris, Londres, Roma. Caminhando pela nossa inefável Praça Saenz Peña, a gente sonhava com a de S. Marcos. E vem o scratch, desde 58, demonstrar que o Brasil está potencializado, que o Brasil deixou de ser um vira-lata entre as nações, assim como o brasileiro deixou de ser um vira-lata entre os homens.

Vejam vocês como a vida é engraçadíssima. O scratch ensinou o brasileiro a conhecer a si mesmo, a sentir o próprio gênio, a sentir o próprio élan criador. Amigos, e como foi colossal a vitória sobre a Tcheco-Eslováquia. Tudo valorizou o feito brasileiro, tudo o dramatizou. O próprio desenvolvimento da partida, as alternativas do narrador, foram de um alto patético. O inimigo abre o escore. Ora, na decisão de uma “Jules Rimet”, a abertura de escore significa uma vantagem considerável.

De Pedro Álvares Cabral até 58, o brasileiro era um sujeito que catava pretextos para se deprimir, para desanimar. De 58 para cá, nunca. E pelo contrário. As dificuldades virilizam o brasileiro, dão-lhe mais ímpeto, mais gana, mais garra. A Tcheco-Eslováquia marcou primeiro e aconteceu então o seguinte: – Amarildo voltou a ser aquele possesso incontrolável.

Amigos, esse rapaz, que faz a barba em um salão do Boulevard 28 de Setembro, foi uma das figuras decisivas da Seleção. Foi lançado, como se sabe, em condições trágicas. Mandaram-no substituir Pelé. Ora, “substituir Pelé” é uma responsabilidade que exige um Napoleão. Como reagiu Amarildo? A Espanha estava vencendo por 1x0. Segundo tempo. E o possesso fez os dois goals que nos deram a vitória e a classificação.

Contra a Tcheco-Eslováquia, estávamos também inferiorizados no marcador. Então, Amarildo montou no demônio ou foi por ele montado. De uma forma ou de outra, partiu para a bomba. Correu pela esquerda, cortou uns dois, invadiu. Não havia ângulo. Mas para um possesso não há ângulos impossíveis. E Amarildo despejou o tiro. A bola, como uma louca, passou entre o goleiro e a trave e foi-se enfiar no barbante.

Amigos, não era apenas o empate. Era mais, muito mais. Era o caminho para a vitória. O caminho para o bi. Foi ainda Amarildo que, na sua disparada de possesso, varreu mais dois adversários e, fugindo pela esquerda, deu na medida, deu na bandeja para Zito, na pequena área. Então, o grande médio com uma deslumbrante categoria, colocou lá para dentro das redes tchecas. Dizem de Santiago, que, em ambas as ocasiões, Amarildo tinha a baba elástica e bovina dos rútilos epiléticos de Dostoievski. Depois, Djalma Santos atira sobre o goal e Vavá, na sua atropelada de centauro doido, aumenta para três.

Os tchecos jogaram a sua melhor partida e foram triturados por nós. Amigos, os bicampeões do mundo já chegaram. O povo os carregou no colo. Apoteose furiosa para todos, apoteose para Garrincha, o maior jogador da Terra. Amigos, o scratch nos enfia pela cara a grande verdade: – não há homem mais genial que o brasileiro.

5 A leitura é o grande Lance!

O jornalismo esportivo tem um público cativo no cenário nacional. Praticamente todos os grandes e médios jornais do país destinam uma editoria e um espaço nobre, quando não um caderno, para dar a cobertura diária dos principais acontecimentos das modalidades esportivas no Brasil e no mundo. O interesse do leitor aumenta ou diminui em razão de alguns fatores. O principal é sobre o seu time de coração. Em períodos de vacas magras, por exemplo, tende a se afastar. Grandes competições, como Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, Pan-Americanos ou eventos em que brasileiros ou ídolos estejam em evidência, ampliam as tiragens dos jornais.

Talvez pela ampla concorrência dos veículos não segmentados, existam poucas publicações no Brasil neste setor. Um dos mairos é o diário Lance!, que, segundo o IVC (Instituto Verificador de Circulação), figura há algum tempo entre os dez jornais mais vendidos do país (incluídos todos os grandes jornais). Fundado em outubro de 1997, estabeleceu-se como uma referência esportiva e atinge os principais centros do país, abordando praticamente todos os esportes, cada qual com o espaço proporcional à sua relevância.

Nos últimos anos, o interesse do leitor cresceu além das fronteiras do futebol. Outros esportes, especialmente aqueles em que atletas brasileiros ou equipes se desenvolveram, ganharam mais espaço, por vezes passaram até a rivalizar com o futebol. Mas a pátria de chuteiras continua sendo o carro-chefe das publicações esportivas, até porque nos últimos dez anos foram levantadas duas Copas do Mundo, e o Brasil segue pródigo na revelação de jovens talentos, apesar da situação econômica forçá-los a se tornarem “tipo exportação”. E a paixão clubística é o maior combustível desta relação com a informação. Ela se reflete nas vendas dos jornais. Uma grande vitória de um clube de massa é retorno certo.

Em razão deste interesse crescente, vejo o jornalismo esportivo cada vez mais consolidado. É um mercado bastante procurado pelos estudantes de Comunicação Social. Muitos, assim como ocorreu comigo, cursam a universidade com a meta traçada de integrar uma editoria de Esporte, seja qual for o veículo.

No meu modo de ver, para o aspirante se tornar um jornalista esportivo integrado no mercado é preciso, antes de mais nada, um conhecimento específico. Uma cultura esportiva é obtida por interesse e leitura. Ela facilita a busca por novas informações, amplia a capacidade de elaborar pautas, e a leitura contribui muito para o desenvolvimento do texto. Tendo, portanto, o domínio do assunto, está dado o primeiro passo para se fazer uma grande matéria, sugerir uma pauta interessante. A partir daí, a evolução do jornalista se dá, geralmente, com um conhecimento cada vez mais diversificado. O grau de percepção é, naturalmente, cada vez maior quando se tem boa noção sobre os mais variados assuntos. Num jornal não segmentado, é importante para o estagiário, ou até mesmo profissional, passar por outras editorias. No mundo do esporte há sempre correlação geopolítica.

Tenho 36 anos de idade e uma experiência profissional de 13 anos. Hoje em dia, é bem mais fácil conseguir um estágio ou o pontapé inicial na profissão. Eu me formei em 1990 e quase desisti, até ganhar uma oportunidade na Agência de Notícias Sport Press, em 1991. Com o boom da internet e um momento favorável para o surgimento de jornais e a ampliação de suas equipes em 97, as vagas nas redações, desde então, são mais palpáveis do que na época em que peguei o diploma. Sempre militei no esporte. Cobri os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 96, trabalhei no Jornal do Brasil e em O Dia, tive uma experiência interessante editando o site oficial do Galvão Bueno e, depois me mudei para Londrina (PR), onde também fui assessor de imprensa dos filhos dele, pilotos da Stock Car. Já até “invadi” o mercado editorial, com o lançamento de um livro sobre o Zico. Em 2003, tive rápida passagem pelo Sportv, durante os Jogos Pan-Americanos. Lá, aprendi que a linguagem de TV é muito diferente do “dialeto” das redações impressas. E tive uma certeza: quem passa por jornal leva vantagem sobre quem constrói carreira apenas na TV. O jornal é a maior escola para o jornalista. Uma experiência fundamental. No mesmo período, em setembro do ano passado, recebi proposta para ser o editor executivo-adjunto do Lance!, cargo que exerço até os dias de hoje.

Lance! nas Olimpíadas

Uma cobertura de grande porte, como a dos Jogos Olímpicos, mobilizou as duas redações do Lance!, no Rio de Janeiro e em São Paulo, e seus correspondentes espalhados pelo Brasil, para a repercussão dos resultados na Grécia.

O diário enviou para a cobertura em Atenas cinco repórteres e um fotógrafo, sendo que a coordenação ficou a cargo do editor-sênior Marcelo Damato. Esta é a sua maior equipe na maior festa esportiva do mundo. Além dos enviados especiais, há um robusto suporte em suas redações, no site Lancenet!, (www.lancenet.com.br) complementados ainda por material fornecido por agências de notícias.

A cobertura olímpica do Lance! teve entre 12 e 16 páginas diárias. Exclusivamente para ela, foram feitos investimentos na área tecnológica, principalmente nos servidores do site Lancenet! que propiciaram maior velocidade no envio das informações direto de Atenas aos internautas.

O compromisso da cobertura olímpica foi o de oferecer um jornalismo multimídia e diferenciado, com matérias especiais e de bastidores, além do noticiário completo dos esportes. Uma novidade foi a capa dupla e “invertida”. Uma sobre o futebol e outra olímpica, num conceito de duas edições numa só. Ao leitor, bastava girar o jornal para encontrar o material sobre os Jogos de Atenas e todos os ícones das modalidades.

No Lancenet!, o internauta tem à disposição blogs temáticos dos enviados especiais, além do tempo real das competições, quadro de medalhas, agendas dos eventos, links sobre a história dos países e dos esportes envolvidos. Enfim, uma cobertura à altura da posição ocupada hoje pelo Lance! no segmento esportivo.

6 Placar - A revista para quem gosta de Esporte

Contar a trajetória da Placar é mergulhar um pouco na história do próprio futebol brasileiro. Nascida em março de 1970, ela se tornou um referencial para quem gosta e pesquisa o esporte. A revista começou em março de 1970, aproveitando o oba-oba da Copa do Mundo. Não havia nada na época que cobrisse o futebol do Brasil inteiro. Os jornais ainda não tinham cadernos de esportes e os poucos que tinham se limitavam a cobrir os clubes do próprio estado.

Placar iniciou com uma revista que tinha 31cm x 23cm de largura, capa e miolo no mesmo papel. Só a capa tinha cor. A número 1, com Pelé se preparando para a Copa de 70, vendeu 182 mil exemplares. Mas a venda cresceria conforme o desempenho da Seleção brasileira. Em junho, chegou a 228 mil com a conquista da Copa. Acabou a Copa, acabou a festa. A média caiu para 39 mil exemplares por semana. Mas aí a cor começou a entrar nas aberturas de matérias e a equipe teve uma grande ideia: palpites semanais sobre loteria esportiva, a grande coqueluche da época. A tiragem subiu para 100 mil e Placar começava a se firmar como o grande veículo do futebol brasileiro.

Algumas características eram inéditas na imprensa esportiva brasileira. Fotos espetaculares, coloridas, arrojadas. Placar não se limitava a contar o jogo como fazia a imprensa escrita. Os redatores (e aí a revista contava com grandes penas como Carlos Maranhão, Michel Laurence, Divino Fonseca) misturavam bastidores, histórias humanas e o resultado era prazeroso.

Grandes entrevistas sempre foram também a marca da Placar. Os jogadores, técnicos e personagens da bola sabiam que ali a repercussão era nacional, por isso “soltavam a matraca”. E, com ilustrações de primeira, Henfil colocava suas tiras na revista. O conjunto da obra fazia a diferença. Os leitores percebiam e davam a resposta. Nos seus 32 anos, Placar sempre rivalizou, na Editora Abril, com as revistas Veja e Capricho no ranking de cartas enviadas.

Em 1980, a primeira grande mexida. O formato caiu para 21cm x 28cm para se adequar às exigências gráficas da Abril. Dois anos mais tarde, a série de matérias que formaria definitivamente o nome Placar: “A Máfia da Loteria Esportiva”. Foram denúncias tão contundentes, mostrando subornados e subornadores, que a loteria nunca mais seria a mesma.

Em 1983, uma nova aposta. Começa a Placar Todos os Esportes, cobrindo tudo. Não que Placar nunca tivesse falado de outros esportes (Emerson Fittipaldi teve uma boa cobertura), mas agora a coisa era mais assumida. E o futebol ficou bem menor. Não deu certo. As vendas despencaram, mesmo quando o futebol voltou a dominar a cena a partir do segundo semestre de 1985.

Em 1989, a mudança mais drástica: Placar Mais. Textos grandes deram lugar a notinhas, muitas fotos e, mesmo com preço baixo, a venda seguiu caindo. Em 1990, com o fiasco brasileiro na Itália, a Placar deu lugar à Ação, uma revista para cobrir esportes da classe A (automobilismo, esportes radicais etc). Ação durou apenas um ano. Placar semanal tinha fechado as portas definitivamente. Mas um especial era lançado por mês com o nome Placar. A média de venda desses especiais ficava em 70 mil/mês.

Em 1995, animada com a conquista da Copa e a explosão do marketing esportivo, a Abril relançou a Placar em formato gigante (27,5cm x 35,8cm). A revista teve uma forte campanha publicitária e adotou o slogan “Futebol, sexo e rock & roll”. Começou em abril de 1995 com a capa “Edmundo Precisa de Carinho”, passou a ter assinaturas e a falar uma linguagem jovem, quase adolescente. A circulação ficou em torno de 200 mil exemplares/mês.

Em 1996, diminui o formato para 22,6cm x 29,9cm. Os jovens leitores agradeceram (não conseguiam guardá-la na pasta da escola). Ainda em 1996, a revista começou uma adaptação da linguagem a fim de atingir também um público mais velho. Em 2001, mais uma experiência semanal e, em 2002, Placar apostou todas as fichas em especiais, muitos especiais (foram quase 50). De guias a DVDs, Placar falou de Copa do Mundo, futebol brasileiro, grandes ídolos. Falou, é claro, de Olimpíadas, um evento que sempre permitiu que o tema futebol desse lugar aos outros esportes. Desde 1972, aliás, Placar sempre cobriu os Jogos Olímpicos com seus guias e enviando os melhores repórteres e fotógrafos para o campo de batalha.

A lição dos 35 anos de vida é de que eles não foram em vão. Mais do que uma revista, Placar forjou uma marca construída em cima de credibilidade e isenção. Destacou-se no jornalismo esportivo porque, mesmo nos períodos de maior crise do setor, não abriu mão da qualidade editorial e da independência.

7 O desafio diário de um colunista

Comecei, em 68, quando o Jornal do Brasil era uma grande escola de jornalismo. Fiz um curso interno no próprio jornal e acabei abandonando a faculdade de jornalismo no segundo ano, porque eu achava que aprendia mais na redação. Depois de seis meses de estágio consegui o meu registro profissional e continuei no JB.

Em 70, o editor de Esportes do Correio da Manhã, João Máximo, me levou para trabalhar com ele, e tive a oportunidade de cobrir a Copa do Mundo. Dois anos mais tarde, estava em O Globo, primeiro como repórter e depois redator, sempre no jornalismo esportivo. Em 1976, fui convidado para voltar a trabalhar no Jornal do Brasil, onde permaneci por dez anos, até que voltei para O Globo e não saí mais.

Desde 90, na Copa da Itália, passei a assinar uma coluna esportiva, que hoje é publicada cinco vezes por semana. O que, apesar de muito recompensador, representa um grande desafio, uma vez que não é fácil ter uma ideia por dia. Não se trata de falta de assunto, coisa rara de acontecer, e sim de que, no caso do cronista esportivo, mais vale uma boa ideia do que uma grande notícia. Principalmente no caso da minha coluna, que é bem mais opinativa do que informativa.

Procuro me adaptar aos avanços tecnológicos, mas confesso que não gosto da internet e só considero o computador imprescindível como máquina de escrever e correio eletrônico. Sou viciado em redação, gosto desse clima, do ambiente. Procuro me esforçar no sentido de inovar a linguagem, hoje produzo um texto bem mais enxuto. Gosto de estar presente para conversar com os repórteres, que, aliás, são minha melhor fonte. Sei que poderia estar fazendo o que faço em casa, mas se vou trabalhar de qualquer forma, prefiro o pique da redação.

Já tivemos vários exemplos de que, no Brasil, as denúncias são apuradas, mas não chegam a ser consideradas pela Justiça conforme deveriam. No esporte, a história se repete, e dificilmente os escândalos e falcatruas são tratados como deveriam. São várias as provas levantadas contra dirigentes, tivemos a CPI do futebol bem conduzida pelo Senado e que resultou em uma tonelada de papéis que repousa no Ministério Público, sem definição.

A mídia, por sua vez, faz o seu papel, mas não pode mudar o curso desses acontecimentos. Jornal Nacional, Globo Repórter, provas e mais provas são exibidas e nada. Nada acontece. Já tive um ou dois processos contra mim, mas não deram em nada: um não foi aceito e o outro acabou sendo retirado pela própria pessoa que moveu a ação.

Estamos vivendo um período delicado em relação ao desempenho dos times cariocas. Podemos considerar que se trata de uma das piores crises já vividas até aqui. Por conta disso, preciso me cuidar para não produzir um texto mal-humorado e ranzinza. Obviamente que nem todos entendem o lado construtivo da crítica e a intenção em colaborar ao apontar as falhas e maus procedimentos. Sempre lembrando que o primeiro passo para mudar algo é o reconhecimento de que está errado.

Faz aproximadamente uma década que o perfil do colunista mudou, hoje sabemos que não é necessário, muito menos possível, acompanhar várias modalidades. No meu caso, por exemplo, me esforço para estar por dentro de tudo sobre futebol e confesso que não dou conta. Tenho que decidir quais são as partidas prioritárias, uma vez que só comento aquelas que acompanho, ou assistir a dois (ou mais) jogos em um único dia. Sem contar que aprecio, e não abro mão, de uma final de vôlei, basquete ou tênis. Além disso, na época das Olimpíadas, o futebol costuma ceder muitas linhas de minha coluna para visitantes inéditos e ilustres.

O futebol está muito mudado. Noto, com tristeza, que o torcedor de hoje já não é impulsionado pelas mesmas convicções e paixões de antes. Fala-se de jogadores como Pelé e Garrincha, com a certeza de que desempenhos semelhantes ao deles não existem e não existirão jamais. Ao mesmo tempo, percebo nos de hoje um ar de superioridade, como se tivesse sido fácil jogar décadas atrás, época em que havia, sim, marcação de verdade, e muitas das dificuldades que vemos hoje.

Atualmente, o menino que começa jogando bola de meia na rua é transferido de forma prematura para a categoria infantil. Logo eles têm de competir e perdem o direito de brincar de bola. Precisam jogar, jogar para ganhar. Criam jogadores com caráter mercantilista, sem a pureza da paixão pelo futebol. São jogadores que passam de clube em clube sem fidelidade à camisa, como naquela época em que eles não eram exportados para Ucrânia, Turquia, Arábia, Bulgária...

Na categoria de base, cada vez mais, os técnicos e professores dão prioridade à agressividade em campo, a matar jogada, a pegar, marcar, não deixar jogar, fazer falta, parar o jogo, um futebol violento que me desgosta muito. O futebol brasileiro está perdendo o esplendor e a técnica. Isso se reflete no campeonato brasileiro, que está nivelado por baixo. Nossa Seleção ainda é a melhor porque os outros decaíram, mas é evidente que não temos um futebol tão bonito como antes.

E a imprensa? Para acompanhar o futebol como ele é, para seguir a tendência, a imprensa em geral trocou a figura humana, o ser humano, e o espaço para as matérias individuais pelo noticiário de negócios, de interesses financeiros. É o chamado futebol de negócios. Os patrocinadores entraram em campo e mudaram o jogo. Tenho total aversão a esse tipo de futebol, procuro privilegiar o lado humano em minha forma de sentir, analisar e escrever sobre jornalismo esportivo.