Catálogo de Madeiras Brasileiras para a Construção Civil
Carpintaria
1 Usos da madeira:
As características da madeira variam muito entre as espécies. Em um exemplo, usando-se a densidade de massa aparente ao teor de 15% de umidade como indicador dessas propriedades, verifica-se que a madeira de balsa, com 200 kg/m3 e a de aroeira, com 1100 kg/m3, são materiais com propriedades físicas e mecânicas totalmente distintas.
Portanto, na escolha da madeira correta para um determinado uso, devem-se considerar quais as propriedades e os seus respectivos níveis são requeridos para que a madeira possa apresentar um desempenho satisfatório. Esse procedimento é primordial, especialmente em países tropicais onde a variedade e o número de espécies de madeiras disponíveis na floresta são expressões de sua biodiversidade.
Especialmente no que se refere à construção civil, com a exaustão das florestas nativas das regiões Sul e Sudeste, a fonte de suprimento de madeiras tropicais transferiu-se para a região amazônica. Tal mudança provocou a substituição das madeiras de pinho-do-paraná e da peroba-rosa, que eram tradicionalmente utilizadas no setor, por outras madeiras, frequentemente desconhecidas pelos usuários e, geralmente, inadequadas ao uso pretendido.
Neste trabalho, a alocação das madeiras nos grupos de uso final na construção civil foi realizada por meio de um critério em que foram identificadas as propriedades e/ou características consideradas necessárias para o bom desempenho da madeira no uso especificado. Para cada propriedade identificada foram fixados valores mínimos e máximos, tendo como base os valores de madeiras tradicionalmente empregadas nos usos considerados.
A adequação das madeiras selecionadas foi feita primeiramente pela identificação dos principais grupos de usos, com seus componentes e seus requisitos técnicos. Em seguida, foi feita a compatibilização das propriedades das madeiras, nos seus níveis apropriados de desempenho, com os requisitos técnicos dos componentes de construção, levando-se em consideração também suas dimensões, formas, defeitos proibidos ou aceitáveis, para então indicar as espécies de madeiras para uso como matéria-prima nos componentes selecionados.
Os principais grupos de usos na construção civil, com seus componentes, foram organizados em uma Classificação Geral de Usos na Construção Civil, como segue:
• Externa:
Estruturas pesadas, cruzetas, estacas, escoras, pontaletes, portas, pranchas, ripas, vigas.
• Interna:
Carpintaria resistente em geral, tesouras, terças, vigas, treliças, estruturas, colunas, cruzetas, tábuas, caibros, ripas
• Externa e Uso Temporário:
Moirões, pontaletes, andaimes, vigas, tábuas, caibros, caixilhos, guarnições, ripas, sarrafos, formas para concreto
Decorativa:
Tábuas, lambris, painéis, molduras, perfilados, guarnições, rodapés, sarrafos.
Estrutural:
Vigas, caibros, ripas, sarrafos, alçapões.
Esquadrias:
Portas, folha de porta, venezianas, caixilhos, batentes, janelas, sarrafos.
Utilidade geral:
Tábuas, sarrafos, ripas, cordões, forros, guarnições, arremate meia cana, rodapés, corrimãos.
Assoalho:
Tacos, tábuas, parquetes, blocos, estrados
As espécies ou grupos de espécies selecionadas foram:
A indicação das espécies de madeiras selecionadas para emprego em cada grupo de usos na construção civil é mostrada a seguir:
Construção civil pesada externa:
Engloba as peças de madeira serrada usadas para estacas marítimas, trapiches, pontes, obras imersas, postes, cruzetas, estacas, escoras e dormentes ferroviários, estruturas pesadas, torres de observação.
Construção civil pesada interna:
Engloba as peças de madeira serrada na forma de vigas, caibros, pranchas e tábuas utilizadas em estruturas de cobertura.
Construção civil leve externa e uso temporário:
Reúne as peças de madeira serrada na forma de tábuas e pontaletes empregados em usos temporários (andaimes, escoramento e fôrmas para concreto) e as ripas e caibros utilizadas em partes secundárias de estruturas de cobertura.
Construção civil leve interna, decorativa:
Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como forros, painéis, lambris e guarnições, onde a madeira apresenta cor e desenhos considerados decorativos.
Construção civil leve interna, de utilidade geral:
Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como forros, painéis, lambris e guarnições, onde o aspecto decorativo da madeira não é fator limitante.
Construção civil leve esquadrias:
Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como portas, venezianas, caixilhos.
Construção civil - assoalhos domésticos:
Compreende os diversos tipos de peças de madeira serrada e beneficiada usado em pisos (tábuas corridas, tacos, tacões e parquetes).
Esta indicação das madeiras selecionadas para cada grupo de usos na construção civil pode ser resumida no seguinte quadro:
2 Fichas tecnológicas de madeiras:
3 Angelim-amargoso:
(PARTE I):
Grupo: pode incluir os gêneros Vatairea (V.guianensis, V. paraenses, V. sericea) e Vataireopsis spp. inclusive V. speciosa, comercializados indistintamente como angelim-amargoso.
Observação: no Brasil, as madeiras de angelim-amargoso pertencem aos gêneros Vatairea e Vataireopsis, que produzem madeiras pesadas, duras, de coloração castanha-amarelada a castanha-avermelhada, com forte gosto amargo. Essas madeiras são comercializadas indistintamente como angelim-amargoso. Como essas madeiras são semelhantes nas suas características e no comércio têm o mesmo valor, nesta ficha são tratadas em conjunto.
Outros nomes: amargoso, angelim, fava, fava-amarela, fava-amargosa, faveira, faveira-amarela, faveira-bolacha, faveira-de-impigem, faveira-grande-do-igapó.
Ocorrência: Brasil - Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima.
Características gerais:
Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne castanho-amarelado ou castanho-avermelhado; com aspecto fibroso; cheiro imperceptível; gosto amargo, densidade alta; grã direita a irregular; textura grosseira;
Descrição anatômica macroscópica:
•Parênquima axial: visível a olho nu paratraqueal aliforme, com extensões laterais longas e largas, formando confluências curtas oblíquas e eventualmente tendendo a formar faixas;
• Raios: visíveis somente sob lente, no topo e na face tangencial, podendo ocorrer estratificação irregular;
•Vasos: visíveis somente sob lente, no topo e na face tangencial; porosidade difusa, poucos, médios, eventualmente grandes, solitários e múltiplos, estes ocasionalmente em cadeias radiais;
• Camadas de crescimento: pouco distintas, demarcadas por finas faixas de parênquima marginal;
Durabilidade/tratamento:
Durabilidade natural: O cerne apresenta alta resistência ao apodrecimento e à ação de cupins de madeira seca (IPT, 1989a). Madeira susceptível ao ataque de brocas e organismos marinhos;
Tratabilidade: Em ensaios de laboratório, em tratamentos sob pressão, demonstrou ser moderadamente permeável às soluções preservativas;
Características do processamento:
Trabalhabilidade: A madeira de angelim-amargoso apresenta comportamento moderadamente bom no processamento mecânico, porém apresenta tendência a levantamento de fibras ao ser aplainada (IBAMA, 1997a). As operações de torneamento, furação e pregação são fáceis ;
Secagem: A secagem ao ar com velocidade moderada resulta em pouco ou nenhum defeito. Rápida secagem em estufa, com moderada tendência ao encanoamento e torcimento médios;
Densidade de massa:
Aparente a 15% de umidade: 936 kg/m3;
Contração:
Radial: 4,8% / Tangencial: 9,8% / Volumétrica: 14,0%;
Para comparar esses valores de contração (CCOPANT) com aqueles obtidos pela Norma ABNT (CABNT) é necessário transformá-los usando a equação: CABNT = CCOPANT / (1 - CCOPANT / 100);
Flexão:
• Resistência;
- Madeira verde: 119,5 MPa (1219 kgf/cm2);
- Madeira a 15% de umidade: 148,5 MPa (1514 kgf/cm2);
- Módulo de elasticidade - Madeira verde: 13435 MPa (137000 kgf/cm2);
Compressão paralela às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 54,8 MPa (559 kgf/cm2);
- Madeira a 15% de umidade: 77,8 MPa (793 kgf/cm2);
Outras propriedades:
• Cisalhamento - Madeira verde: 14,2 MPa (145 kgf/cm2);
• Dureza Janka transversal - Madeira verde: 6816 N (695 kgf);
• Tração normal às fibras - Madeira verde: 3,9 MPa(40 kgf/cm2);
4 Construção civil:
Observação: os resultados dos ensaios das propriedades físicas e mecânicas foram obtidos de acordo com a norma COPANT;
Nota: As unidades de grandeza MPa e N do Sistema Internacional (SI) são também apresentadas nas unidades técnicas kgf/cm2 e kgf, respectivamente;
• Pesada externa: dormentes ferroviários, cruzetas, estacas;
• Pesada interna: caibros, vigas;
• Leve interna, estrutural: ripas;
• Uso temporário: andaimes, escoramento, fôrmas para concreto;
Mobiliário:
• Alta qualidade: partes decorativas de móveis;
Outros usos:
• Decoração e adorno;
•Lâminas decorativas;
•Embarcações (quilhas, convés, costados e cavernas);
•Embalagens;
•Cabos de ferramentas;
Pode substituir: outras madeiras de uso na construção civil pesada externa e interna, leve externa e interna estrutural, decorativa e de utilidade geral, tais como angelim-pedra, angelim-vermelho, angico, cedrinho ou quarubarana, cupiúba, garapa, itaúba, jacareúba, louro-vermelho, muiracatiara, pau-roxo e tauari.
5 Angelim-pedra:
Grupo: pode incluir outras espécies Hymenolobium spp, como H. complicatum; H. elatum; H. excelsum; H. heterocarpum e H. modestum, todas comercializadas como angelim-pedra. Nesta ficha são apresentadas informações para a espécie H. petraeum Ducke.
Outros nomes: Angelim, Angelim-amarelo, Angelim-da-mata, Angelim-do-pará, Angelim-macho, mirarema;
Ocorrência: Brasil - Amazônia, Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia;
Características gerais:
Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne castanho-avermelhado claro ou escuro, com manchas castanhas mais escuras devido à exudação de óleo-resina, alburno castanho-pálido; brilho ausente; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; dura ao corte; grã direita a revessa; textura grossa, aspecto fibroso.
Descrição anatômica macroscópica:
• Parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme, confluente em trechos longos tendendo a formar faixas largas;
• Raios: visíveis a olho nu no topo e na face tangencial na qual sua estratificação (2 a 3 por mm) é regular finos;
• Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; poucos; porosidade difusa; solitários, múltiplos, às vezes em cadeias radiais; vazios ou com substância esbranquiçada;
• Camadas de crescimento: distintas, individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras;
Durabilidade/tratamento:
Durabilidade natural: madeira durável a muito durável em relação a fungos apodrecedores; moderadamente resistente a brocas marinhas e resistente a cupins-de-madeira-seca;
Tratabilidade: o cerne é difícil de preservar e o alburno é muito fácil de preservar, em processo sob pressão, tanto com creosoto (oleossolúvel) como CCA (hidrossolúvel) (IBAMA, 1997a);
Característica de processamento:
Trabalhabilidade: a madeira de angelim-pedra é fácil de ser trabalhada. Acabamento de regular a bom na plaina, torno e broca. É moderadamente fácil de serrar e aplainar; é fácil de pregar, parafusar e permite acabamento satisfatório;
Secagem: a secagem é muito rápida em estufa, apresentando pequena tendência a torcimento e arqueamento (IBAMA, 1997a). A secagem ao ar livre é moderadamente difícil;
Densidade de massa:
Aparente a 12% de umidade: 710 kg/m3 / Básica: 590 kg/m3;
Contração:
Radial: 4,1% / Tangencial: 6,3% / Volumétrica: 10,1%;
Para comparar esses valores de contração (CCOPANT) com aqueles obtidos pela Norma ABNT (CABNT) é necessário transformá-los usando a equação: CABNT = CCOPANT / (1 - CCOPANT / 100);
Flexão:
• Resistência;
- Madeira verde: 70,6 MPa ;
- Madeira a 12% de umidade: 109,3 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 9414 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira a 12%: 11572 MPa;
Compressão paralela às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 38,0 MPa;
- Madeira a 12% de umidade: 52,3 MPa;
Compressão perpendicular às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 6,4 MPa;
- Madeira a 12% de umidade: 11,3 MPa;
6 Propriedades:
• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) - Trabalho absorvido: 22,6 J;
• Cisalhamento - Madeira verde: 10,0 MPa;
• Cisalhamento - Madeira a 12%: 12,3 MPa;
• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 5325 N;
• Dureza Janka paralela - Madeira a 12%: 7659 N;
• Dureza Janka transversal - Madeira verde: 5050 N;
• Dureza Janka transversal - Madeira a 12%: 5786 N;
• Tração normal às fibras - Madeira verde: 4,2 MPa;
• Tração normal às fibras - Madeira a 12%: 3,8 MPa ;
• Fendilhamento - Madeira verde: 1,1 MPa;
Observação: os resultados dos ensaios das propriedades físicas e mecânicas foram obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85). Fonte: (IPT, 1989b). As informações são para a espécie Hymenolobium petraeum Ducke.
Nota: As unidades de grandeza MPa, N e J do Sistema Internacional (SI) são também apresentadas nas unidades técnicas kgf/cm2, kgf e kgf.m, respectivamente.
Construção civi:
• Pesada interna: vigas, caibros;
• Leve externa: pontaletes, andaimes;
• Leve interna, esquadrias: portas, venezianas , caixilhos;
• Leve interna, decorativa: forros, lambris;
• Leve interna, estrutural: partes secundárias de estruturas, ripas;
• Uso temporário: fôrmas para concreto;
Mobiliário:
• Utilidade geral: móveis estândar.
Outros usos:
• cabos para cutelaria;
• lâminas decorativas;
Pode substituir: outras madeiras de uso na construção civil pesada externa, pesada interna, leve externa e interna estrutural, decorativa e de utilidade geral, tais como angico, cedrinho ou quarubarana, cupiúba, garapa, itaúba, jacareúba, louro vermelho, maçaranduba, muiracatiara e tauari.
7 Angelim-vermelho:
Outros nomes: angelim, angelim-falso, angelim-ferro, angelim-pedra, angelim-pedra-verdadeiro, faveira-carvão, faveira-dura, faveira-ferro, faveira-grande;
Ocorrência: Brasil - Amazônia, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia.
Características gerais:
Características sensoriais: cerne e alburno pouco distintos pela cor, cerne castanho-avermelhado; brilho moderado; cheiro desagradável e gosto imperceptível; densidade alta; dura ao corte; grã direita a irregular; textura média a grossa; superfície pouco lustrosa.
Descrição anatômica macroscópica:
• Parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme de extensão losangular, ocasionalmente confluente
• Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; poucos;
• Vasos: visíveis a olho nu, pequenos a médios; poucos; porosidade difusa; solitários, múltiplos e às vezes em cadeias radiais; obstruídos por óleo-resina ou substância esbranquiçada;
• Camadas de crescimento: distintas, ligeiramente individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras e por linhas de parênquima marginal;
Durabilidade/tratamento:
Durabilidade natural: o cerne apresenta alta resistência ao ataque de organismos xilófagos (fungos e insetos). Em ensaios de campo com estacas, esta madeira foi considerada altamente durável com vida média maior que oito anos;
Tratabilidade: impermeável às soluções preservativas. O cerne não é tratável com creosoto (óleo solúvel) e nem com CCA (hidro solúvel), mesmo em processo sob pressão.
Características de processamento:
Trabalhabilidade: a madeira de angelim-vermelho é difícil de ser trabalhada, mas recebe bom acabamento. A madeira é fácil de tornear com bom acabamento e na furação apresenta desempenho regular;
Secagem: rápida em programas mais severos. Apresenta tendência moderada ao torcimento e leve ao colapso; seca relativamente bem ao ar ;
Densidade de massa:
Aparente a 15% de umidade: 1090 kg/m3 (IPT, 1989a) / Básica: 830 kg/m3;
Contração:
Radial: 4,2% / Tangencial: 6,6% / Volumétrica: 14,6%.
Flexão:
• Resistência:
- Madeira verde: 99,7 MPa;
- Madeira a 15% de umidade: 138,1 MPa;
• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 59,1 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 14073 MPa;
Compressão paralela às fibras:
• Resistência;
- Madeira verde: 65,2 MPa ;
- Madeira a 15% de umidade: 80,9 MPa;
• Coeficiente de influência de umidade: 4,0%;
Outras propriedades:
• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) - Trabalho absorvido: 48,7 J;
• Cisalhamento - Madeira verde: 13,1 MPa;
• Cisalhamento - Madeira a 12%: 17,7 MPa;
• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 9993 N;
8 Angelim-vermelho (parte II):
• Dureza Janka paralela - Madeira a 12%: 14318 N;
• Dureza Janka transversal - Madeira verde: 10866 N;
• Dureza Janka transversal - Madeira a 12%: 13543 N;
• Tração normal às fibras - Madeira verde: 8,5 MPa;
• Fendilhamento - Madeira verde: 1,1 MPa;
Observação: os resultados dos ensaios de propriedades físicas e mecânicas foram obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85). (Fonte: IPT, 1989a). Os resultados dos ensaios de cisalhamento e dureza Janka são de acordo com a Norma COPANT;
Nota: As unidades de grandeza MPa, N e J do Sistema Internacional (SI) são também apresentadas nas unidades técnicas kgf/cm2, kgf e kgf.m, respectivamente.
Construção civil:
• Pesada externa: pontes, postes, estacas, esteios, cruzetas, dormentes ferroviários, obras portuárias, piers;
• Pesada interna: vigas, caibros;
Outros usos:
• Cabos de ferramentas;
•Transporte;
Pode substituir: madeiras usadas para a construção civil pesada externa ou interna, tais como angelim-amargoso, angelim-pedra, angico, garapa, itaúba, jatobá, maçaranduba, pau-roxo e sucupira.
9 Cedrorana:
Outros nomes: cedrarana, cedro-branco, cedroarana, cedromara, cedrorama, taperibá-açu;
Ocorrência: Brasil - Amazônia, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia;
Características gerais:
Características sensoriais: cerne e alburno indistintos pela cor, bege-rosado; cheiro perceptível, desagradável quando a madeira está úmida e imperceptível depois da madeira seca; gosto indistinto; densidade baixa; grã ondulada; textura grossa;
Descrição anatômica macroscópica:
• Parênquima axial: visível apenas sob lente, paratraqueal vasicêntrico e aliforme losangular de expansões curtas;
• Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial, onde se observa a olho nu um ondulado, lembrando estratificação, finos;
• Vasos: visíveis a olho nu, grandes; poucos, com disposição difusa; solitários e múltiplos; vazios;
• Camadas de crescimento: indistintas;
Durabilidade/tratamento:
Durabilidade natural: a madeira de cedrorana apresenta durabilidade moderada ao ataque de fungos apodrecedores e cupins. Estudo realizado verificou que a durabilidade desta madeira é inferior a 12 anos de serviço em contato com o solo;
Tratabilidade: cerne e alburno difíceis de tratar com produtos preservativos hidrossolúveis, mesmo em tratamento sob pressão;
Características de processamento:
Trabalhabilidade: A madeira de cedrorana é fácil de aplainar, serrar, pregar e parafusar. Recebe bom acabamento;
Secagem: Com empilhamento bem feito e realizado em local coberto, a secagem é boa e ocasiona poucos defeitos de rachaduras ou empenamentos. A secagem artificial precisa de atenção e deve ser bem controlada;
Densidade de massa:
Aparente a 12% de umidade: 520 kg/m3 / Básica: 440 kg/m.
Contração:
Radial: 4,8% / Tangencial: 7,9% / Volumétrica: 11,8%;
Para comparar esses valores de contração (CCOPANT) com aqueles obtidos pela Norma ABNT (CABNT) é necessário transformá-los usando a equação: CABNT = CCOPANT ;
Flexão:
• Resistência;
- Madeira verde: 70,8 MPa;
- Madeira a 12% de umidade: 77,8 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 12258 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira a 12%: 12847 MPa.
Compressão paralela às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 40,6 MPa;
- Madeira a 12% de umidade: 46,6 MPa.
Compressão perpendicular às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 3,2 MPa;
- Madeira a 12% de umidade: 3,6 MPa;
Outras propriedades:
• Cisalhamento - Madeira verde: 6,7 MPa.
10 Cedrorana (parte II):
• Cisalhamento - Madeira a 12%: 7,2 MPa;
• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 3932 N;
• Dureza Janka paralela - Madeira a 12%: 3962 N;
• Dureza Janka transversal - Madeira verde: 3570 N;
• Dureza Janka transversal - Madeira a 12%: 3785 N;
• Tração normal às fibras - Madeira verde: 4,4 MPa;
• Tração normal às fibras - Madeira a 12%: 4,5 MPa;
Observação: os resultados dos ensaios das propriedades físicas e mecânicas foram obtidos de acordo com a Norma COPANT;
Nota: As unidades de grandeza MPa e N do Sistema Internacional (SI) são também apresentadas nas unidades técnicas kgf/cm2 e kgf, respectivamente.
Construção civil:
• Leve interna, esquadrias: portas, venezianas;
• Leve interna, estrutural: ripas;
• Leve interna, utilidade geral: cordões, guarnições, rodapés;
• Uso temporário: andaimes, escoramento, fôrmas para concreto;
Mobiliário:
• Utilidade geral: móveis estândar, partes internas de móveis inclusive daqueles decorativos Outros usos:
• lâminas decorativas, chapas compensadas, embalagens;
Pode substituir: madeiras para construção civil leve externa e interna, estrutural, decorativa e de utilidade geral, tais como cedro, freijó, jacareúba, louro-vermelho, marupá, quaruba, tauari.
11 Muiracatiara:
Grupo: eventualmente pode incluir outras espécies (A. fraxinifolium Schott ex Spreng, A. balansae Engl. e A. graveolens Jacq.). Nesta ficha são apresentadas informações para a espécie A. lecointei Ducke.
Outros nomes: aderno-preto, aroeira, aroeirão, baracatiara, gonçaleiro, gonçalo-alves, maracatiara, maracatiara-branca, maracatiara-vermelha, muiracatiara-rajada, muiraquatiara, sanguessugueira.
Ocorrência: Brasil - Amazônia, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia.
Características gerais:
Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne variável do bege-rosado ao castanho-escuro-avermelhado, com estrias mais escuras; brilho moderado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade alta; dura ao corte; grã irregular; textura média.
Descrição anatômica macroscópica:
• Parênquima axial: invisível mesmo sob lente;
• Raios: visíveis a olho nu no topo e na face tangencial; poucos;
• Vasos: visíveis a olho nu, pequenos a médios; poucos; porosidade difusa; solitários e múltiplo; obstruídos por tilos;
• Camadas de crescimento: indistintas;
Durabilidade/tratamento:
Durabilidade natural: a madeira de muiracatiara é muito durável, não sendo atacada por insetos ou cupins de madeira seca. Em ensaios de campo, demonstrou durabilidade natural inferior a sete anos Em ambiente marinho, foi intensamente atacada por organismos perfuradores .
Tratabilidade: o cerne não é tratável com CCA-A, mesmo em processo sob pressão . Impermeável ou de muito baixa permeabilidade às soluções preservantes.
Características de processamento:
Trabalhabilidade: a madeira de muiracatiara é fácil de ser trabalhada e permite excelente acabamento. Recebe bem pintura e verniz;
Secagem: na secagem ao ar a madeira de muiracatiara apresenta problemas de empenamentos e rachaduras. Se a secagem artificial for muito drástica, poderão ocorrer rachaduras profundas e endurecimento superficial.
Densidade de massa:
Aparente a 15% de umidade: 970 kg/m3 / Básica: 810 kg/m3.
Contração:
Radial: 3,3% / Tangencial: 6,3% / Volumétrica: 11,2%;
Flexão:
• Resistência:
- Madeira verde: 101,6 MPa;
• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 52,0 MPa;
Compressão paralela às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 51,3 MPa;
- Madeira a 12% de umidade: 82,4 MPa.
Compressão perpendicular às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 9,7 MPa ;
- Madeira a 12% de umidade: 13,8 MPa;
Outras propriedades:
• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) – trabalho absorvido: 23,9 J;
• Cisalhamento - Madeira verde: 23,9 MPa.
12 Muiracatiara (parte II):
• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 7737 N;
• Tração normal às fibras - Madeira verde: 10,3 MPa;
• Fendilhamento - Madeira verde: 1,2 MPa;
Observação: os resultados dos ensaios das propriedades físicas e das propriedades mecânicas de Flexão e Outras propriedades foram obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 . Os resultados das propriedades mecânicas de Compressão paralela e Compressão perpendicular às fibras foram obtidos de acordo com a Norma COPANT.
Nota: as unidades de grandeza MPa, N e J do Sistema Internacional (SI) são também apresentadas nas unidades técnicas kgf/cm2, kgf e kgf.m, respectivamente.
Construção civil:
• Pesada interna: tesouras, vigas, caibros;
• Leve externa: caibros, caixilhos, guarnições, ripas, sarrafos;
• Leve interna, esquadrias: venezianas, portas, caixilhos, batentes, janelas;
• Leve interna, decorativa: cordões, guarnições, rodapés, forros, lambris.
Assoalhos:
• tábuas • tacos • parquetes.
Mobiliário:
• Alta qualidade: móveis decorativos;
Outros usos:
•Lâminas decorativas;
•Peças torneadas;
•Decoração e adorno;
•Cabos para cutelaria;
•Peças encurvadas ou curvadas;
•Cabos de ferramentas;
•Implementos agrícolas;
•Transporte;
•Tanoaria;
Pode substituir: outras madeiras de uso na construção civil pesada externa e interna, leve externa e interna estrutural, decorativa e de utilidade geral, tais como angico, cedrinho ou quarubarana, cupiúba, garapa, itaúba, jacareúba, louro-vermelho, pau-roxo, rosadinho e tauari.
13 Oiticica-amarela:
Outros nomes: catruz, gameleiro, guariúba, guariúba-amarela, janitá, oiti, oiticica, oiticica-da-mata, quariúba, tatajuba-amarela, ticica;
Ocorrência: Brasil - Amazônia, Mata Atlântica, Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rondônia.
Características gerais:
Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne amarelo quando recém cortado escurecendo para castanho-amarelado, alburno branco-amarelado; brilho moderado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; moderadamente dura ao corte; grã direita ou entrecruzada; textura média.
Descrição anatômica macroscópica:
• Parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme confluente em faixas regulares contínuas, em trechos curtos, intercalado por parênquima vasicêntrico escasso;
• Raios: visíveis a olho nu no topo, na face tangencial é visível apenas sob lente, poucos;
• Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; muito poucos a poucos; porosidade difusa; solitários e múltiplos; obstruídos por tilos;
• Camadas de crescimento: distintas, demarcadas pelo parênquima marginal e zonas fibrosas mais escuras;
Durabilidade/tratamento:
Durabilidade natural: em ensaio de laboratório apresentou baixa durabilidade a organismos xilófagos (fungos, cupins e organismos marinhos) . Baixa resistência ao ataque de fungos e cupins de madeira seca;
Tratabilidade: o cerne é difícil de ser tratado e o alburno é moderadamente difícil de tratar . Cerne impermeável às soluções preservantes tanto de creosoto como de CCA-A, mesmo em tratamento sob pressão.
Características de processamento:
Trabalhabilidade: moderadamente difícil de serrar. É fácil de aplainar, furar e pregar. Recebe bom acabamento. A presença da grã entrecruzada requer ferramentas bem afiadas para se obter uma superfície bem acabada;
Secagem: a secagem ao ar é moderadamente rápida com leve tendência ao empenamento e rachaduras. A secagem em estufa deve ser cuidadosamente controlada para evitar o agravamento desses efeitos.
Densidade de massa:
Aparente a 15% de umidade: 560 kg/m3 / Básica: 467 kg/m3.
Contração:
Radial: 2,2% / Tangencial: 4,4% / Volumétrica: 7,3%.
Flexão:
• Resistência:
- Madeira verde: 72,0 MPa;
- Madeira a 15% de umidade: 80,3 MPa;
• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 37,5 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 7963 MPa.
Compressão paralela às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 36,9 MPa;
- Madeira a 15% de umidade: 45,1 MPa;
• Coeficiente de influência de umidade: 2,1%;
• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 30,1 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 11513 MPa.
Outras propriedades:
• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) – trabalho absorvido: 9,8 J;
• Cisalhamento - Madeira verde: 9,8 MPa.
14 Pau-roxo:
Grupo: pode incluir as espécies Peltogyne paniculata, P. maranhensis, P. subsessilis, P. paradoxa, P. catingae, P. confertiflora, P. lecointei e P. recifenses. Como essas madeiras são semelhantes nas suas características e com mesmo valor comercial, nesta ficha são tratadas em conjunto.
Outros nomes: amarante, coataquiçaua, pau-roxo-da-terra-firme, pau-roxo-da-várzea, roxinho, roxinho-pororoca, violeta;
Ocorrência: Brasil - Amazônia, Mata Atlântica, Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rondônia;
Características gerais:
Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne roxo podendo escurecer com o tempo, alburno bege claro; brilho moderado a acentuado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade alta; dura ao corte; grã direita a irregular; textura fina a média.
Descrição anatômica macroscópica:
• Parênquima axial: visível a olho nu, eventualmente visível apenas sob lente, paratraqueal aliforme de extensão linear, confluente, unindo alguns vasos e podendo formar faixas tangenciais curtas, parênquima marginal associado;
• Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; finos; muito poucos a poucos ;
• Vasos: visíveis a olho nu e eventualmente visíveis apenas sob lente, pequenos a médios; poucos a numerosos; porosidade difusa; solitários, geminados e raros múltiplos de três; vazios ou obstruídos por óleo-resina e em algumas espécies com substância branca;
• Camadas de crescimento: distintas individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras e por parênquima marginal;
Durabilidade/tratamento:
Durabilidade natural: a madeira de pau-roxo é considerada de alta resistência ao ataque de organismos xilófagos (fungos apodrecedores e cupins-de-madeira-seca). Apresenta baixa resistência a organismos xilófagos marinhos.
Tratabilidade: apresenta baixa permeabilidade a soluções preservantes. O cerne é impermeável ao tratamento com creosoto e CCA-A mesmo em processo sob pressão.
Características de processamento:
Trabalhabilidade: a madeira de pau-roxo é moderadamente difícil de ser trabalhada manualmente ou com máquinas, devido à dureza e à exsudação de resina quando aquecida pelas ferramentas. É fácil de colar e apresenta bom acabamento. A trabalhabilidade é regular na plaina e excelente na lixa, torno e broca; apresenta um polimento lustroso. Recomenda-se a perfuração prévia à colocação de pregos.
Secagem: a secagem ao ar livre é fácil à moderada, com pequena incidência de rachaduras e empenamentos. A secagem em estufa é rápida e com poucos defeitos. Para a espécie P. paniculata a secagem em estufa é rápida, com pequena tendência a rachaduras de topo, torcimento e arqueamento fortes.
Densidade de massa:
Aparente a 15% de umidade: 890 kg/m3 / Básica: 740 kg/m3;
Contração:
Radial: 3,5% / Tangencial: 6,5% / Volumétrica: 10,7%.
Flexão:
• Resistência:
- Madeira verde: 144,8 MPa;
- Madeira a 15% de umidade: 184,5 MPa;
• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 63,5 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 17721 MPa.
Compressão paralela às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 64,0 MPa;
- Madeira a 15% de umidade: 84,1 MPa;
• Coeficiente de influência de umidade: 4,0%;
• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 49,0 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 20565 MPa.
Outras propriedades:
• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) – trabalho absorvido: 68,2 J;
15 Piquiarana:
Grupo: eventualmente pode incluir a madeira de piquiá (Caryocar villosum), visto que na prática, as duas espécies são comercializadas indistintamente.
Outros nomes:
Pequiarana-da-terra;
Pequiarana-vermelha;
Ocorrência: Brasil - Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia.
CARACTERÍSTICAS GERAIS:
Características sensoriais: cerne esbranquiçado-avermelhado, quando recém cortado, passando a esbranquiçado levemente amarelado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade alta; grã revessa; textura grossa.
Descrição anatômica macroscópica:
• Parênquima axial: visível só sob lente; apotraqueal difuso e difuso em agregados formando uma trama com os raios, às vezes em finas faixas marginais;
• Raios: visíveis só sob lente no topo; finos e muito numerosos; na face tangencial pouco visíveis mesmo sob lente;
• Vasos: visíveis a olho nu; porosidade difusa; médios a grandes, solitários e múltiplos; obstruídos por tilos;
• Camadas de crescimento: marcadas por zonas fibrosas bem regulares e, eventualmente, pelo parênquima marginal.
DURABILIDADE / TRATAMENTO:
Durabilidade natural: a madeira em ensaios de laboratório demonstrou ter alta resistência ao ataque de organismos xilófagos.
Tratabilidade: apresenta baixa permeabilidade às soluções preservativas quando submetida à impregnação sob pressão.
CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO:
Trabalhabilidade: a madeira de piquiarana é difícil de ser trabalhada, tanto com ferramentas manuais como mecânicas. Produz superfície áspera, depois do aplainada, devido à grã revessa. Bom acabamento em pintura, verniz e polimento.
Densidade de massa:
Aparente a 15% de umidade: 850 kg/m3.
Contração:
Radial: 5,7% / Tangencial: 13,0% / Volumétrica: 21,1%.
Flexão:
• Resistência:
- Madeira verde: 65,7 MPa;
- Madeira a 15% de umidade: 103,6 MPa;
• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 34,5 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 13258 MPa.
Compressão paralela às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 32,9 MPa;
- Madeira a 15% de umidade: 49,3 MPa;
• Coeficiente de influência de umidade: 4,7%;
• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 24,8 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 12650 MPa.
Outras propriedades:
• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) – trabalho absorvido;
• Cisalhamento - Madeira verde: 10,1 MPa;
• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 4874 N.
16 Quaruba:
Grupo: pode incluir outras espécies Vochysia spp., como V. guianensis, V. eximia, V. ferruginea, V. floribunda, V. maxima, V. obidensis, V. surinamensis e V. vismaefolia, com características semelhantes e mesmo valor comercial.
Outros nomes: guaruba, guaruba-cedro, quaruba-cedro, quaruba-goiaba, quaruba-verdadeira, quaruba-vermelha.
Ocorrência: Brasil - Amazônia, Mata Atlântica, Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo.
CARACTERÍSTICAS GERAIS:
Características sensoriais: cerne e alburno pouco distintos pela cor, cerne rosado e alburno cinza-claro a cinza-rosado; brilho moderado ou ausente; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade baixa; macia ao corte; grã revessa; textura média a grossa.
Descrição anatômica macroscópica:
• Parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme com extensões longas e estreitas unindo vários vasos;
• Raios: os mais largos são visíveis a olho nu no topo, na face tangencial visíveis apenas sob lente;
• Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; poucos; porosidade difusa; solitários em maioria; alguns obstruídos por tilos;
• Camadas de crescimento: indistintas;
• Canais axiais traumáticos: presentes em alguns espécimes.
DURABILIDADE / TRATAMENTO:
Durabilidade natural: a resistência da madeira ao apodrecimento varia conforme a espécie. Com relação ao ataque de cupins e fungos, geralmente as madeiras desse gênero são susceptíveis a moderadamente resistentes ao ataque de cupins-de-madeira-seca. A espécie V. guianensis é considerada moderadamente resistente ao ataque de cupins, entretanto, pode apresentar uma baixa resistência ao ataque de perfuradores marinhos. O alburno pode ser susceptível ao ataque de brocas do gênero Lyctus. Em ensaio de campo, com a madeira em contato com o solo, a espécie V. guianensis foi considerada moderadamente durável, com vida útil entre dois e cinco anos, e a espécie V. máxima foi considerada não durável, com vida útil inferior a dois anos.
Tratabilidade: o alburno é muito fácil de preservar com creosoto (oleossolúvel) e CCA-A (hidrossolúvel) aplicados sob pressão. O cerne de V. guianensis é resistente ao tratamento preservante. Em ensaio laboratorial realizado pelo IPT, em tratamento sob pressão, o alburno apresentou alta permeabilidade.
CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO:
Trabalhabilidade: a madeira de quaruba é fácil de ser trabalhada tanto com ferramentas manuais quanto por máquinas. Alguns defeitos comuns são a superfície felpuda e fibras arrancadas. A colagem e a aplicação de tintas e vernizes não apresentam problemas. O polimento é bom (Jankowsky, 1990). É fácil de aplainar, lixar, tornear e furar, podendo apresentar, entretanto, acabamento ruim.
Secagem: a secagem ao ar é moderada, com tendência a empenamento e rachaduras. A secagem em estufa é rápida, mas pode agravar os defeitos se não for bem controlada. Peças espessas estão sujeitas a colapso (Jankowsky, 1990).
Densidade de massa:
Aparente a 12% de umidade: 600 kg/m3 / Madeira verde: 1140 kg/m3 / Básica: 490 kg/m3.
Contração:
Radial: 4,0% / Tangencial: 8,8% / Volumétrica: 12,1%;
Para comparar esses valores de contração (CCOPANT) com aqueles obtidos pela Norma ABNT (CABNT) é necessário transformá-los usando a equação;
Flexão:
• Resistência;
- Madeira verde: 60,5 MPa;
- Madeira a 12% de umidade: 91,2 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 9316 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira a 12%: 11180 MPa.
Compressão paralela às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 29,4 MPa;
- Madeira a 12% de umidade: 47,6 MPa (485 kgf/cm2)
Compressão perpendicular às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 4,8 MPa.
17 Tachi:
Grupo: pode incluir ainda Tachigali alba, Sclerolobium paraense, S. melanocarpum, S. micropetalum;
Outros nomes: tachizeiro, taxi-preto;
Ocorrência: Brasil - Amapá, Mato Grosso, Pará;
CARACTERÍSTICAS GERAIS:
Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne amarelado a castanho-amarelado-claro; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; grã revessa; textura média.
Descrição anatômica macroscópica:
• Parênquima axial: visível só sob lente; paratraqueal vasicêntrico escasso ;
• Raios: visíveis só sob lente no topo e na face tangencial;
• Vasos: visíveis a olho nu no topo e na face tangencial; porosidade difusa, ocasionalmente em pequenas cadeias radiais; pequenos a médios, solitários e múltiplos;
• Camadas de crescimento: demarcadas por zonas fibrosas mais escuras, sinuosas, irregularmente espaçadas.
DURABILIDADE / TRATAMENTO:
Durabilidade natural: A madeira de taxi é considerada moderadamente resistente ao ataque de fungos;
Tratabilidade: apresenta baixa permeabilidade às soluções preservativas quando submetida à impregnação sob pressão.
CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO:
Trabalhabilidade: A madeira de táxi é considerada moderadamente difícil de serrar e difícil de aplainar. O trabalho com brocas é fácil e de bom acabamento .
Secagem: A secagem é moderadamente difícil em estufa, com tendência a rachaduras moderadas a fortes.
Densidade de massa:
Aparente a 12% de umidade: 670 kg/m3 / Básica: 570 kg/m3.
Contração:
Radial: 5,2% / Tangencial: 7,5% / Volumétrica: 11,9%;
Para comparar esses valores de contração (CCOPANT) com aqueles obtidos pela Norma ABNT (CABNT) é necessário transformá-los usando a equação.
Flexão:
• Resistência:
- Madeira verde: 80,6 MPa;
- Madeira a 12% de umidade: 130,6 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 12945 MPa;
Compressão paralela às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 39,4 MPa;
- Madeira a 12% de umidade: 57,5 MPa;
Outras propriedades:
• Cisalhamento - Madeira verde: 11,2 MPa;
• Cisalhamento - Madeira a 12%: 14,1 MPa;
• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 5864 N;
• Dureza Janka paralela - Madeira a 12%: 8600 N.
18 Tatajuba:
Outros nomes: amaparirana, amarelão, amarelo, bagaceira, cachaceiro, garrote;
Ocorrência: Brasil - Amazônia, Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia.
CARACTERÍSTICAS GERAIS:
Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor; cerne amarelo-dourado, escurecendo para castanho-amarelado; brilho moderado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; moderadamente dura ao corte; grã revessa; textura média.
Descrição anatômica macroscópica:
• Parênquima axial: invisível mesmo sob lente;
• Raios: visíveis a olho nu no topo, na face tangencial é visível apenas sob lente;
• Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; muito poucos a poucos; porosidade difusa; solitários em predominância e múltiplos de 2 a 4; obstruídos por tilos;
• Camadas de crescimento: ligeiramente distintas, individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.
DURABILIDADE / TRATAMENTO:
Durabilidade natural: O cerne é resistente ao ataque de fungos de podridão-branca e parda . A madeira de tatajuba, em ensaios de campo realizados pela EMBRAPA, na Amazônia, demonstrou ter durabilidade natural superior a sete anos . Considerada moderadamente resistente ao ataque de perfuradores marinhos e, em contato com o solo, pode apresentar vida útil superior a 25 anos.
Tratabilidade: a madeira de tatajuba é difícil de ser tratada com soluções preservantes, mesmo em processo sob pressão. Apresenta baixa permeabilidade às soluções preservantes de creosoto (oleossolúvel), mesmo em processo sob pressão .
CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO:
Trabalhabilidade: a madeira de tatajuba é fácil de ser trabalhada, com ferramentas manuais ou mecânicas, produzindo ótimo acabamento. Não aceita pregos com facilidade. Recomenda-se a furação prévia à colocação de pregos.
Secagem: a secagem ao ar é lenta sem a ocorrência de defeitos. Na secagem em estufa apresenta leve tendência ao empenamento, torcimento e encanoamento. Recomenda-se controle cuidadoso do processo para evitar defeitos.
Densidade de massa:
Aparente a 15% de umidade: 820 kg/m3 / Básica: 683 kg/m3.
Contração:
Radial: 5,5% / Tangencial: 7,1% / Volumétrica: 11,4%.
Flexão:
• Resistência:
- Madeira verde: 100,0 MPa ;
- Madeira a 15% de umidade: 138,2 MPa;
• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 71,3 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 15857 MPa.
Compressão paralela às fibras:
• Resistência:
- Madeira verde: 54,4 MPa;
- Madeira a 15% de umidade: 79,7 MPa;
• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 41,8 MPa;
• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 17304 MPa.
Outras propriedades:
• Cisalhamento - Madeira verde: 11,5 MPa;
• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 7208 N;
Tração normal às fibras - Madeira verde: 4,5 MPa.