Catálogo de Madeiras Brasileiras para a Construção Civil

Carpintaria

1 Usos da madeira:

As características da madeira variam muito entre as espécies. Em um exemplo, usando-se a densidade de massa aparente ao teor de 15% de umidade como indicador dessas propriedades, verifica-se que a madeira de balsa, com 200 kg/m3 e a de aroeira, com 1100 kg/m3, são materiais com propriedades físicas e mecânicas totalmente distintas.

Portanto, na escolha da madeira correta para um determinado uso, devem-se considerar quais as propriedades e os seus respectivos níveis são requeridos para que a madeira possa apresentar um desempenho satisfatório. Esse procedimento é primordial, especialmente em países tropicais onde a variedade e o número de espécies de madeiras disponíveis na floresta são expressões de sua biodiversidade.

Especialmente no que se refere à construção civil, com a exaustão das florestas nativas das regiões Sul e Sudeste, a fonte de suprimento de madeiras tropicais transferiu-se para a região amazônica. Tal mudança provocou a substituição das madeiras de pinho-do-paraná e da peroba-rosa, que eram tradicionalmente utilizadas no setor, por outras madeiras, frequentemente desconhecidas pelos usuários e, geralmente, inadequadas ao uso pretendido.

Neste trabalho, a alocação das madeiras nos grupos de uso final na construção civil foi realizada por meio de um critério em que foram identificadas as propriedades e/ou características consideradas necessárias para o bom desempenho da madeira no uso especificado. Para cada propriedade identificada foram fixados valores mínimos e máximos, tendo como base os valores de madeiras tradicionalmente empregadas nos usos considerados.

A adequação das madeiras selecionadas foi feita primeiramente pela identificação dos principais grupos de usos, com seus componentes e seus requisitos técnicos. Em seguida, foi feita a compatibilização das propriedades das madeiras, nos seus níveis apropriados de desempenho, com os requisitos técnicos dos componentes de construção, levando-se em consideração também suas dimensões, formas, defeitos proibidos ou aceitáveis, para então indicar as espécies de madeiras para uso como matéria-prima nos componentes selecionados.

Os principais grupos de usos na construção civil, com seus componentes, foram organizados em uma Classificação Geral de Usos na Construção Civil, como segue:

• Externa:

Estruturas pesadas, cruzetas, estacas, escoras, pontaletes, portas, pranchas, ripas, vigas.

• Interna:

Carpintaria resistente em geral, tesouras, terças, vigas, treliças, estruturas, colunas, cruzetas, tábuas, caibros, ripas

• Externa e Uso Temporário:

Moirões, pontaletes, andaimes, vigas, tábuas, caibros, caixilhos, guarnições, ripas, sarrafos, formas para concreto

Decorativa:

Tábuas, lambris, painéis, molduras, perfilados, guarnições, rodapés, sarrafos.

Estrutural:

Vigas, caibros, ripas, sarrafos, alçapões.

Esquadrias:

Portas, folha de porta, venezianas, caixilhos, batentes, janelas, sarrafos.

Utilidade geral:

Tábuas, sarrafos, ripas, cordões, forros, guarnições, arremate meia cana, rodapés, corrimãos.

Assoalho:

Tacos, tábuas, parquetes, blocos, estrados

As espécies ou grupos de espécies selecionadas foram:

A indicação das espécies de madeiras selecionadas para emprego em cada grupo de usos na construção civil é mostrada a seguir:

Construção civil pesada externa:

Engloba as peças de madeira serrada usadas para estacas marítimas, trapiches, pontes, obras imersas, postes, cruzetas, estacas, escoras e dormentes ferroviários, estruturas pesadas, torres de observação.

Construção civil pesada interna:

Engloba as peças de madeira serrada na forma de vigas, caibros, pranchas e tábuas utilizadas em estruturas de cobertura.

Construção civil leve externa e uso temporário:

Reúne as peças de madeira serrada na forma de tábuas e pontaletes empregados em usos temporários (andaimes, escoramento e fôrmas para concreto) e as ripas e caibros utilizadas em partes secundárias de estruturas de cobertura.

Construção civil leve interna, decorativa:

Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como forros, painéis, lambris e guarnições, onde a madeira apresenta cor e desenhos considerados decorativos.

Construção civil leve interna, de utilidade geral:

Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como forros, painéis, lambris e guarnições, onde o aspecto decorativo da madeira não é fator limitante.

Construção civil leve esquadrias:

Abrange as peças de madeira serrada e beneficiada, como portas, venezianas, caixilhos.

Construção civil - assoalhos domésticos:

Compreende os diversos tipos de peças de madeira serrada e beneficiada usado em pisos (tábuas corridas, tacos, tacões e parquetes).

Esta indicação das madeiras selecionadas para cada grupo de usos na construção civil pode ser resumida no seguinte quadro:

2 Fichas tecnológicas de madeiras:

As madeiras apresentadas neste catálogo, foram selecionadas de acordo com os critérios enumerados anteriormente.

Para cada madeira são fornecidas as seguintes informações:

•Nome popular principal (preferível como nome comercial), nome científico e outros nomes populares;

•Estados ou regiões de ocorrência no Brasil;

•Imagens da madeira, nas faces tangencial e radial;

•Características gerais, incluindo características sensoriais e descrição anatômica macroscópica;

•Durabilidade natural e tratabilidade com produtos preservantes;

•Características de processamento, incluindo trabalhabilidade e secagem;

•Propriedades físicas: densidade de massa e contrações;

•Propriedades mecânicas, incluindo flexão estática, compressão paralela às fibras (axial);

•Outras propriedades que podem incluir choque, cisalhamento, dureza Janka, tração normal às fibras e fendilhamento;

•Usos na construção civil, de acordo com a Classificação Geral de Usos e outros usos; e

•Sugestões sobre quais madeiras tradicionais podem ser substituídas pela espécie ou grupo de espécies em questão.

Todas as informações constantes deste trabalho foram pesquisadas no banco de dados do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais do IPT e em bibliografia especializada, de fontes confiáveis.

As vinte espécies estudadas podem substituir, por similaridade de propriedades e usos outras já difundidas no mercado, como por exemplo, as que estão elencadas no quadro a seguir:

Este catálogo busca ampliar o conhecimento de profissionais da construção e de consumidores que buscam informações sobre a madeira, oferecendo ao setor da construção civil outras madeiras com propriedades semelhantes àquelas madeiras tradicionais. Com isto, amplia-se a oferta de madeiras no mercado, obtidas de maneira sustentável, que possam garantir ao consumidor a aquisição de uma matéria-prima de origem legal, extraída de maneira responsável e não predatória.

3 Angelim-amargoso:

(PARTE I):

Grupo: pode incluir os gêneros Vatairea (V.guianensis, V. paraenses, V. sericea) e Vataireopsis spp. inclusive V. speciosa, comercializados indistintamente como angelim-amargoso.

Observação: no Brasil, as madeiras de angelim-amargoso pertencem aos gêneros Vatairea e Vataireopsis, que produzem madeiras pesadas, duras, de coloração castanha-amarelada a castanha-avermelhada, com forte gosto amargo. Essas madeiras são comercializadas indistintamente como angelim-amargoso. Como essas madeiras são semelhantes nas suas características e no comércio têm o mesmo valor, nesta ficha são tratadas em conjunto.

Outros nomes: amargoso, angelim, fava, fava-amarela, fava-amargosa, faveira, faveira-amarela, faveira-bolacha, faveira-de-impigem, faveira-grande-do-igapó.

Ocorrência: Brasil - Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima.

Características gerais:

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne castanho-amarelado ou castanho-avermelhado; com aspecto fibroso; cheiro imperceptível; gosto amargo, densidade alta; grã direita a irregular; textura grosseira;

Descrição anatômica macroscópica:

•Parênquima axial: visível a olho nu paratraqueal aliforme, com extensões laterais longas e largas, formando confluências curtas oblíquas e eventualmente tendendo a formar faixas;

• Raios: visíveis somente sob lente, no topo e na face tangencial, podendo ocorrer estratificação irregular;

•Vasos: visíveis somente sob lente, no topo e na face tangencial; porosidade difusa, poucos, médios, eventualmente grandes, solitários e múltiplos, estes ocasionalmente em cadeias radiais;

• Camadas de crescimento: pouco distintas, demarcadas por finas faixas de parênquima marginal;

Durabilidade/tratamento:

Durabilidade natural: O cerne apresenta alta resistência ao apodrecimento e à ação de cupins de madeira seca (IPT, 1989a). Madeira susceptível ao ataque de brocas e organismos marinhos;

Tratabilidade: Em ensaios de laboratório, em tratamentos sob pressão, demonstrou ser moderadamente permeável às soluções preservativas;

Características do processamento:

Trabalhabilidade: A madeira de angelim-amargoso apresenta comportamento moderadamente bom no processamento mecânico, porém apresenta tendência a levantamento de fibras ao ser aplainada (IBAMA, 1997a). As operações de torneamento, furação e pregação são fáceis ;

Secagem: A secagem ao ar com velocidade moderada resulta em pouco ou nenhum defeito. Rápida secagem em estufa, com moderada tendência ao encanoamento e torcimento médios;

Densidade de massa:

Aparente a 15% de umidade: 936 kg/m3;

Contração:

Radial: 4,8% / Tangencial: 9,8% / Volumétrica: 14,0%;

Para comparar esses valores de contração (CCOPANT) com aqueles obtidos pela Norma ABNT (CABNT) é necessário transformá-los usando a equação: CABNT = CCOPANT / (1 - CCOPANT / 100);

Flexão:

• Resistência;

- Madeira verde: 119,5 MPa (1219 kgf/cm2);

- Madeira a 15% de umidade: 148,5 MPa (1514 kgf/cm2);

- Módulo de elasticidade - Madeira verde: 13435 MPa (137000 kgf/cm2);

Compressão paralela às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 54,8 MPa (559 kgf/cm2);

- Madeira a 15% de umidade: 77,8 MPa (793 kgf/cm2);

Outras propriedades:

• Cisalhamento - Madeira verde: 14,2 MPa (145 kgf/cm2);

• Dureza Janka transversal - Madeira verde: 6816 N (695 kgf);

• Tração normal às fibras - Madeira verde: 3,9 MPa(40 kgf/cm2);

4 Construção civil:

Observação: os resultados dos ensaios das propriedades físicas e mecânicas foram obtidos de acordo com a norma COPANT;

Nota: As unidades de grandeza MPa e N do Sistema Internacional (SI) são também apresentadas nas unidades técnicas kgf/cm2 e kgf, respectivamente;

• Pesada externa: dormentes ferroviários, cruzetas, estacas;

• Pesada interna: caibros, vigas;

• Leve interna, estrutural: ripas;

• Uso temporário: andaimes, escoramento, fôrmas para concreto;

Mobiliário:

• Alta qualidade: partes decorativas de móveis;

Outros usos:

• Decoração e adorno;

•Lâminas decorativas;

•Embarcações (quilhas, convés, costados e cavernas);

•Embalagens;

•Cabos de ferramentas;

Pode substituir: outras madeiras de uso na construção civil pesada externa e interna, leve externa e interna estrutural, decorativa e de utilidade geral, tais como angelim-pedra, angelim-vermelho, angico, cedrinho ou quarubarana, cupiúba, garapa, itaúba, jacareúba, louro-vermelho, muiracatiara, pau-roxo e tauari.

5 Angelim-pedra:

Grupo: pode incluir outras espécies Hymenolobium spp, como H. complicatum; H. elatum; H. excelsum; H. heterocarpum e H. modestum, todas comercializadas como angelim-pedra. Nesta ficha são apresentadas informações para a espécie H. petraeum Ducke.

Outros nomes: Angelim, Angelim-amarelo, Angelim-da-mata, Angelim-do-pará, Angelim-macho, mirarema;

Ocorrência: Brasil - Amazônia, Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia;

Características gerais:

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne castanho-avermelhado claro ou escuro, com manchas castanhas mais escuras devido à exudação de óleo-resina, alburno castanho-pálido; brilho ausente; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; dura ao corte; grã direita a revessa; textura grossa, aspecto fibroso.

Descrição anatômica macroscópica:

• Parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme, confluente em trechos longos tendendo a formar faixas largas;

• Raios: visíveis a olho nu no topo e na face tangencial na qual sua estratificação (2 a 3 por mm) é regular finos;

• Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; poucos; porosidade difusa; solitários, múltiplos, às vezes em cadeias radiais; vazios ou com substância esbranquiçada;

• Camadas de crescimento: distintas, individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras;

Durabilidade/tratamento:

Durabilidade natural: madeira durável a muito durável em relação a fungos apodrecedores; moderadamente resistente a brocas marinhas e resistente a cupins-de-madeira-seca;

Tratabilidade: o cerne é difícil de preservar e o alburno é muito fácil de preservar, em processo sob pressão, tanto com creosoto (oleossolúvel) como CCA (hidrossolúvel) (IBAMA, 1997a);

Característica de processamento:

Trabalhabilidade: a madeira de angelim-pedra é fácil de ser trabalhada. Acabamento de regular a bom na plaina, torno e broca. É moderadamente fácil de serrar e aplainar; é fácil de pregar, parafusar e permite acabamento satisfatório;

Secagem: a secagem é muito rápida em estufa, apresentando pequena tendência a torcimento e arqueamento (IBAMA, 1997a). A secagem ao ar livre é moderadamente difícil;

Densidade de massa:

Aparente a 12% de umidade: 710 kg/m3 / Básica: 590 kg/m3;

Contração:

Radial: 4,1% / Tangencial: 6,3% / Volumétrica: 10,1%;

Para comparar esses valores de contração (CCOPANT) com aqueles obtidos pela Norma ABNT (CABNT) é necessário transformá-los usando a equação: CABNT = CCOPANT / (1 - CCOPANT / 100);

Flexão:

• Resistência;

- Madeira verde: 70,6 MPa ;

- Madeira a 12% de umidade: 109,3 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 9414 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira a 12%: 11572 MPa;

Compressão paralela às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 38,0 MPa;

- Madeira a 12% de umidade: 52,3 MPa;

Compressão perpendicular às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 6,4 MPa;

- Madeira a 12% de umidade: 11,3 MPa;

6 Propriedades:

• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) - Trabalho absorvido: 22,6 J;

• Cisalhamento - Madeira verde: 10,0 MPa;

• Cisalhamento - Madeira a 12%: 12,3 MPa;

• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 5325 N;

• Dureza Janka paralela - Madeira a 12%: 7659 N;

• Dureza Janka transversal - Madeira verde: 5050 N;

• Dureza Janka transversal - Madeira a 12%: 5786 N;

• Tração normal às fibras - Madeira verde: 4,2 MPa;

• Tração normal às fibras - Madeira a 12%: 3,8 MPa ;

• Fendilhamento - Madeira verde: 1,1 MPa;

Observação: os resultados dos ensaios das propriedades físicas e mecânicas foram obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85). Fonte: (IPT, 1989b). As informações são para a espécie Hymenolobium petraeum Ducke.

Nota: As unidades de grandeza MPa, N e J do Sistema Internacional (SI) são também apresentadas nas unidades técnicas kgf/cm2, kgf e kgf.m, respectivamente.

Construção civi:

• Pesada interna: vigas, caibros;

• Leve externa: pontaletes, andaimes;

• Leve interna, esquadrias: portas, venezianas , caixilhos;

• Leve interna, decorativa: forros, lambris;

• Leve interna, estrutural: partes secundárias de estruturas, ripas;

• Uso temporário: fôrmas para concreto;

Mobiliário:

• Utilidade geral: móveis estândar.

Outros usos:

• cabos para cutelaria;

• lâminas decorativas;

Pode substituir: outras madeiras de uso na construção civil pesada externa, pesada interna, leve externa e interna estrutural, decorativa e de utilidade geral, tais como angico, cedrinho ou quarubarana, cupiúba, garapa, itaúba, jacareúba, louro vermelho, maçaranduba, muiracatiara e tauari.

7 Angelim-vermelho:

Outros nomes: angelim, angelim-falso, angelim-ferro, angelim-pedra, angelim-pedra-verdadeiro, faveira-carvão, faveira-dura, faveira-ferro, faveira-grande;

Ocorrência: Brasil - Amazônia, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia.

Características gerais:

Características sensoriais: cerne e alburno pouco distintos pela cor, cerne castanho-avermelhado; brilho moderado; cheiro desagradável e gosto imperceptível; densidade alta; dura ao corte; grã direita a irregular; textura média a grossa; superfície pouco lustrosa.

Descrição anatômica macroscópica:

• Parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme de extensão losangular, ocasionalmente confluente

• Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; poucos;

• Vasos: visíveis a olho nu, pequenos a médios; poucos; porosidade difusa; solitários, múltiplos e às vezes em cadeias radiais; obstruídos por óleo-resina ou substância esbranquiçada;

• Camadas de crescimento: distintas, ligeiramente individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras e por linhas de parênquima marginal;

Durabilidade/tratamento:

Durabilidade natural: o cerne apresenta alta resistência ao ataque de organismos xilófagos (fungos e insetos). Em ensaios de campo com estacas, esta madeira foi considerada altamente durável com vida média maior que oito anos;

Tratabilidade: impermeável às soluções preservativas. O cerne não é tratável com creosoto (óleo solúvel) e nem com CCA (hidro solúvel), mesmo em processo sob pressão.

Características de processamento:

Trabalhabilidade: a madeira de angelim-vermelho é difícil de ser trabalhada, mas recebe bom acabamento. A madeira é fácil de tornear com bom acabamento e na furação apresenta desempenho regular;

Secagem: rápida em programas mais severos. Apresenta tendência moderada ao torcimento e leve ao colapso; seca relativamente bem ao ar ;

Densidade de massa:

Aparente a 15% de umidade: 1090 kg/m3 (IPT, 1989a) / Básica: 830 kg/m3;

Contração:

Radial: 4,2% / Tangencial: 6,6% / Volumétrica: 14,6%.

Flexão:

• Resistência:

- Madeira verde: 99,7 MPa;

- Madeira a 15% de umidade: 138,1 MPa;

• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 59,1 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 14073 MPa;

Compressão paralela às fibras:

• Resistência;

- Madeira verde: 65,2 MPa ;

- Madeira a 15% de umidade: 80,9 MPa;

• Coeficiente de influência de umidade: 4,0%;

Outras propriedades:

• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) - Trabalho absorvido: 48,7 J;

• Cisalhamento - Madeira verde: 13,1 MPa;

• Cisalhamento - Madeira a 12%: 17,7 MPa;

• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 9993 N;

8 Angelim-vermelho (parte II):

• Dureza Janka paralela - Madeira a 12%: 14318 N;

• Dureza Janka transversal - Madeira verde: 10866 N;

• Dureza Janka transversal - Madeira a 12%: 13543 N;

• Tração normal às fibras - Madeira verde: 8,5 MPa;

• Fendilhamento - Madeira verde: 1,1 MPa;

Observação: os resultados dos ensaios de propriedades físicas e mecânicas foram obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 (NBR 6230/85). (Fonte: IPT, 1989a). Os resultados dos ensaios de cisalhamento e dureza Janka são de acordo com a Norma COPANT;

Nota: As unidades de grandeza MPa, N e J do Sistema Internacional (SI) são também apresentadas nas unidades técnicas kgf/cm2, kgf e kgf.m, respectivamente.

Construção civil:

• Pesada externa: pontes, postes, estacas, esteios, cruzetas, dormentes ferroviários, obras portuárias, piers;

• Pesada interna: vigas, caibros;

Outros usos:

• Cabos de ferramentas;

•Transporte;

Pode substituir: madeiras usadas para a construção civil pesada externa ou interna, tais como angelim-amargoso, angelim-pedra, angico, garapa, itaúba, jatobá, maçaranduba, pau-roxo e sucupira.

9 Cedrorana:

Outros nomes: cedrarana, cedro-branco, cedroarana, cedromara, cedrorama, taperibá-açu;

Ocorrência: Brasil - Amazônia, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia;

Características gerais:

Características sensoriais: cerne e alburno indistintos pela cor, bege-rosado; cheiro perceptível, desagradável quando a madeira está úmida e imperceptível depois da madeira seca; gosto indistinto; densidade baixa; grã ondulada; textura grossa;

Descrição anatômica macroscópica:

• Parênquima axial: visível apenas sob lente, paratraqueal vasicêntrico e aliforme losangular de expansões curtas;

• Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial, onde se observa a olho nu um ondulado, lembrando estratificação, finos;

• Vasos: visíveis a olho nu, grandes; poucos, com disposição difusa; solitários e múltiplos; vazios;

• Camadas de crescimento: indistintas;

Durabilidade/tratamento:

Durabilidade natural: a madeira de cedrorana apresenta durabilidade moderada ao ataque de fungos apodrecedores e cupins. Estudo realizado verificou que a durabilidade desta madeira é inferior a 12 anos de serviço em contato com o solo;

Tratabilidade: cerne e alburno difíceis de tratar com produtos preservativos hidrossolúveis, mesmo em tratamento sob pressão;

Características de processamento:

Trabalhabilidade: A madeira de cedrorana é fácil de aplainar, serrar, pregar e parafusar. Recebe bom acabamento;

Secagem: Com empilhamento bem feito e realizado em local coberto, a secagem é boa e ocasiona poucos defeitos de rachaduras ou empenamentos. A secagem artificial precisa de atenção e deve ser bem controlada;

Densidade de massa:

Aparente a 12% de umidade: 520 kg/m3 / Básica: 440 kg/m.

Contração:

Radial: 4,8% / Tangencial: 7,9% / Volumétrica: 11,8%;

Para comparar esses valores de contração (CCOPANT) com aqueles obtidos pela Norma ABNT (CABNT) é necessário transformá-los usando a equação: CABNT = CCOPANT ;

Flexão:

• Resistência;

- Madeira verde: 70,8 MPa;

- Madeira a 12% de umidade: 77,8 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 12258 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira a 12%: 12847 MPa.

Compressão paralela às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 40,6 MPa;

- Madeira a 12% de umidade: 46,6 MPa.

Compressão perpendicular às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 3,2 MPa;

- Madeira a 12% de umidade: 3,6 MPa;

Outras propriedades:

• Cisalhamento - Madeira verde: 6,7 MPa.

10 Cedrorana (parte II):

• Cisalhamento - Madeira a 12%: 7,2 MPa;

• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 3932 N;

• Dureza Janka paralela - Madeira a 12%: 3962 N;

• Dureza Janka transversal - Madeira verde: 3570 N;

• Dureza Janka transversal - Madeira a 12%: 3785 N;

• Tração normal às fibras - Madeira verde: 4,4 MPa;

• Tração normal às fibras - Madeira a 12%: 4,5 MPa;

Observação: os resultados dos ensaios das propriedades físicas e mecânicas foram obtidos de acordo com a Norma COPANT;

Nota: As unidades de grandeza MPa e N do Sistema Internacional (SI) são também apresentadas nas unidades técnicas kgf/cm2 e kgf, respectivamente.

Construção civil:

• Leve interna, esquadrias: portas, venezianas;

• Leve interna, estrutural: ripas;

• Leve interna, utilidade geral: cordões, guarnições, rodapés;

• Uso temporário: andaimes, escoramento, fôrmas para concreto;

Mobiliário:

• Utilidade geral: móveis estândar, partes internas de móveis inclusive daqueles decorativos Outros usos:

• lâminas decorativas, chapas compensadas, embalagens;

Pode substituir: madeiras para construção civil leve externa e interna, estrutural, decorativa e de utilidade geral, tais como cedro, freijó, jacareúba, louro-vermelho, marupá, quaruba, tauari.

11 Muiracatiara:

Grupo: eventualmente pode incluir outras espécies (A. fraxinifolium Schott ex Spreng, A. balansae Engl. e A. graveolens Jacq.). Nesta ficha são apresentadas informações para a espécie A. lecointei Ducke.

Outros nomes: aderno-preto, aroeira, aroeirão, baracatiara, gonçaleiro, gonçalo-alves, maracatiara, maracatiara-branca, maracatiara-vermelha, muiracatiara-rajada, muiraquatiara, sanguessugueira.

Ocorrência: Brasil - Amazônia, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia.

Características gerais:

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne variável do bege-rosado ao castanho-escuro-avermelhado, com estrias mais escuras; brilho moderado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade alta; dura ao corte; grã irregular; textura média.

Descrição anatômica macroscópica:

• Parênquima axial: invisível mesmo sob lente;

• Raios: visíveis a olho nu no topo e na face tangencial; poucos;

• Vasos: visíveis a olho nu, pequenos a médios; poucos; porosidade difusa; solitários e múltiplo; obstruídos por tilos;

• Camadas de crescimento: indistintas;

Durabilidade/tratamento:

Durabilidade natural: a madeira de muiracatiara é muito durável, não sendo atacada por insetos ou cupins de madeira seca. Em ensaios de campo, demonstrou durabilidade natural inferior a sete anos Em ambiente marinho, foi intensamente atacada por organismos perfuradores .

Tratabilidade: o cerne não é tratável com CCA-A, mesmo em processo sob pressão . Impermeável ou de muito baixa permeabilidade às soluções preservantes.

Características de processamento:

Trabalhabilidade: a madeira de muiracatiara é fácil de ser trabalhada e permite excelente acabamento. Recebe bem pintura e verniz;

Secagem: na secagem ao ar a madeira de muiracatiara apresenta problemas de empenamentos e rachaduras. Se a secagem artificial for muito drástica, poderão ocorrer rachaduras profundas e endurecimento superficial.

Densidade de massa:

Aparente a 15% de umidade: 970 kg/m3 / Básica: 810 kg/m3.

Contração:

Radial: 3,3% / Tangencial: 6,3% / Volumétrica: 11,2%;

Flexão:

• Resistência:

- Madeira verde: 101,6 MPa;

• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 52,0 MPa;

Compressão paralela às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 51,3 MPa;

- Madeira a 12% de umidade: 82,4 MPa.

Compressão perpendicular às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 9,7 MPa ;

- Madeira a 12% de umidade: 13,8 MPa;

Outras propriedades:

• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) – trabalho absorvido: 23,9 J;

• Cisalhamento - Madeira verde: 23,9 MPa.

12 Muiracatiara (parte II):

• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 7737 N;

• Tração normal às fibras - Madeira verde: 10,3 MPa;

• Fendilhamento - Madeira verde: 1,2 MPa;

Observação: os resultados dos ensaios das propriedades físicas e das propriedades mecânicas de Flexão e Outras propriedades foram obtidos de acordo com a Norma ABNT MB26/53 . Os resultados das propriedades mecânicas de Compressão paralela e Compressão perpendicular às fibras foram obtidos de acordo com a Norma COPANT.

Nota: as unidades de grandeza MPa, N e J do Sistema Internacional (SI) são também apresentadas nas unidades técnicas kgf/cm2, kgf e kgf.m, respectivamente.

Construção civil:

• Pesada interna: tesouras, vigas, caibros;

• Leve externa: caibros, caixilhos, guarnições, ripas, sarrafos;

• Leve interna, esquadrias: venezianas, portas, caixilhos, batentes, janelas;

• Leve interna, decorativa: cordões, guarnições, rodapés, forros, lambris.

Assoalhos:

• tábuas • tacos • parquetes.

Mobiliário:

• Alta qualidade: móveis decorativos;

Outros usos:

•Lâminas decorativas;

•Peças torneadas;

•Decoração e adorno;

•Cabos para cutelaria;

•Peças encurvadas ou curvadas;

•Cabos de ferramentas;

•Implementos agrícolas;

•Transporte;

•Tanoaria;

Pode substituir: outras madeiras de uso na construção civil pesada externa e interna, leve externa e interna estrutural, decorativa e de utilidade geral, tais como angico, cedrinho ou quarubarana, cupiúba, garapa, itaúba, jacareúba, louro-vermelho, pau-roxo, rosadinho e tauari.

13 Oiticica-amarela:

Outros nomes: catruz, gameleiro, guariúba, guariúba-amarela, janitá, oiti, oiticica, oiticica-da-mata, quariúba, tatajuba-amarela, ticica;

Ocorrência: Brasil - Amazônia, Mata Atlântica, Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rondônia.

Características gerais:

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne amarelo quando recém cortado escurecendo para castanho-amarelado, alburno branco-amarelado; brilho moderado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; moderadamente dura ao corte; grã direita ou entrecruzada; textura média.

Descrição anatômica macroscópica:

• Parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme confluente em faixas regulares contínuas, em trechos curtos, intercalado por parênquima vasicêntrico escasso;

• Raios: visíveis a olho nu no topo, na face tangencial é visível apenas sob lente, poucos;

• Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; muito poucos a poucos; porosidade difusa; solitários e múltiplos; obstruídos por tilos;

• Camadas de crescimento: distintas, demarcadas pelo parênquima marginal e zonas fibrosas mais escuras;

Durabilidade/tratamento:

Durabilidade natural: em ensaio de laboratório apresentou baixa durabilidade a organismos xilófagos (fungos, cupins e organismos marinhos) . Baixa resistência ao ataque de fungos e cupins de madeira seca;

Tratabilidade: o cerne é difícil de ser tratado e o alburno é moderadamente difícil de tratar . Cerne impermeável às soluções preservantes tanto de creosoto como de CCA-A, mesmo em tratamento sob pressão.

Características de processamento:

Trabalhabilidade: moderadamente difícil de serrar. É fácil de aplainar, furar e pregar. Recebe bom acabamento. A presença da grã entrecruzada requer ferramentas bem afiadas para se obter uma superfície bem acabada;

Secagem: a secagem ao ar é moderadamente rápida com leve tendência ao empenamento e rachaduras. A secagem em estufa deve ser cuidadosamente controlada para evitar o agravamento desses efeitos.

Densidade de massa:

Aparente a 15% de umidade: 560 kg/m3 / Básica: 467 kg/m3.

Contração:

Radial: 2,2% / Tangencial: 4,4% / Volumétrica: 7,3%.

Flexão:

• Resistência:

- Madeira verde: 72,0 MPa;

- Madeira a 15% de umidade: 80,3 MPa;

• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 37,5 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 7963 MPa.

Compressão paralela às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 36,9 MPa;

- Madeira a 15% de umidade: 45,1 MPa;

• Coeficiente de influência de umidade: 2,1%;

• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 30,1 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 11513 MPa.

Outras propriedades:

• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) – trabalho absorvido: 9,8 J;

• Cisalhamento - Madeira verde: 9,8 MPa.

14 Pau-roxo:

Grupo: pode incluir as espécies Peltogyne paniculata, P. maranhensis, P. subsessilis, P. paradoxa, P. catingae, P. confertiflora, P. lecointei e P. recifenses. Como essas madeiras são semelhantes nas suas características e com mesmo valor comercial, nesta ficha são tratadas em conjunto.

Outros nomes: amarante, coataquiçaua, pau-roxo-da-terra-firme, pau-roxo-da-várzea, roxinho, roxinho-pororoca, violeta;

Ocorrência: Brasil - Amazônia, Mata Atlântica, Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rondônia;

Características gerais:

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne roxo podendo escurecer com o tempo, alburno bege claro; brilho moderado a acentuado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade alta; dura ao corte; grã direita a irregular; textura fina a média.

Descrição anatômica macroscópica:

• Parênquima axial: visível a olho nu, eventualmente visível apenas sob lente, paratraqueal aliforme de extensão linear, confluente, unindo alguns vasos e podendo formar faixas tangenciais curtas, parênquima marginal associado;

• Raios: visíveis apenas sob lente no topo e na face tangencial; finos; muito poucos a poucos ;

• Vasos: visíveis a olho nu e eventualmente visíveis apenas sob lente, pequenos a médios; poucos a numerosos; porosidade difusa; solitários, geminados e raros múltiplos de três; vazios ou obstruídos por óleo-resina e em algumas espécies com substância branca;

• Camadas de crescimento: distintas individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras e por parênquima marginal;

Durabilidade/tratamento:

Durabilidade natural: a madeira de pau-roxo é considerada de alta resistência ao ataque de organismos xilófagos (fungos apodrecedores e cupins-de-madeira-seca). Apresenta baixa resistência a organismos xilófagos marinhos.

Tratabilidade: apresenta baixa permeabilidade a soluções preservantes. O cerne é impermeável ao tratamento com creosoto e CCA-A mesmo em processo sob pressão.

Características de processamento:

Trabalhabilidade: a madeira de pau-roxo é moderadamente difícil de ser trabalhada manualmente ou com máquinas, devido à dureza e à exsudação de resina quando aquecida pelas ferramentas. É fácil de colar e apresenta bom acabamento. A trabalhabilidade é regular na plaina e excelente na lixa, torno e broca; apresenta um polimento lustroso. Recomenda-se a perfuração prévia à colocação de pregos.

Secagem: a secagem ao ar livre é fácil à moderada, com pequena incidência de rachaduras e empenamentos. A secagem em estufa é rápida e com poucos defeitos. Para a espécie P. paniculata a secagem em estufa é rápida, com pequena tendência a rachaduras de topo, torcimento e arqueamento fortes.

Densidade de massa:

Aparente a 15% de umidade: 890 kg/m3 / Básica: 740 kg/m3;

Contração:

Radial: 3,5% / Tangencial: 6,5% / Volumétrica: 10,7%.

Flexão:

• Resistência:

- Madeira verde: 144,8 MPa;

- Madeira a 15% de umidade: 184,5 MPa;

• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 63,5 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 17721 MPa.

Compressão paralela às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 64,0 MPa;

- Madeira a 15% de umidade: 84,1 MPa;

• Coeficiente de influência de umidade: 4,0%;

• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 49,0 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 20565 MPa.

Outras propriedades:

• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) – trabalho absorvido: 68,2 J;

15 Piquiarana:

Grupo: eventualmente pode incluir a madeira de piquiá (Caryocar villosum), visto que na prática, as duas espécies são comercializadas indistintamente.

Outros nomes:
Pequiarana-da-terra;
Pequiarana-vermelha;

Ocorrência: Brasil - Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia.

CARACTERÍSTICAS GERAIS:

Características sensoriais: cerne esbranquiçado-avermelhado, quando recém cortado, passando a esbranquiçado levemente amarelado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade alta; grã revessa; textura grossa.

Descrição anatômica macroscópica:

• Parênquima axial: visível só sob lente; apotraqueal difuso e difuso em agregados formando uma trama com os raios, às vezes em finas faixas marginais;

• Raios: visíveis só sob lente no topo; finos e muito numerosos; na face tangencial pouco visíveis mesmo sob lente;

• Vasos: visíveis a olho nu; porosidade difusa; médios a grandes, solitários e múltiplos; obstruídos por tilos;

• Camadas de crescimento: marcadas por zonas fibrosas bem regulares e, eventualmente, pelo parênquima marginal.

DURABILIDADE / TRATAMENTO:

Durabilidade natural: a madeira em ensaios de laboratório demonstrou ter alta resistência ao ataque de organismos xilófagos.

Tratabilidade: apresenta baixa permeabilidade às soluções preservativas quando submetida à impregnação sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO:

Trabalhabilidade: a madeira de piquiarana é difícil de ser trabalhada, tanto com ferramentas manuais como mecânicas. Produz superfície áspera, depois do aplainada, devido à grã revessa. Bom acabamento em pintura, verniz e polimento.

Densidade de massa:

Aparente a 15% de umidade: 850 kg/m3.

Contração:

Radial: 5,7% / Tangencial: 13,0% / Volumétrica: 21,1%.

Flexão:

• Resistência:

- Madeira verde: 65,7 MPa;

- Madeira a 15% de umidade: 103,6 MPa;

• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 34,5 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 13258 MPa.

Compressão paralela às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 32,9 MPa;

- Madeira a 15% de umidade: 49,3 MPa;

• Coeficiente de influência de umidade: 4,7%;

• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 24,8 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 12650 MPa.

Outras propriedades:

• Resistência ao impacto na flexão - Madeira a 15% (choque) – trabalho absorvido;

• Cisalhamento - Madeira verde: 10,1 MPa;

• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 4874 N.

16 Quaruba:

Grupo: pode incluir outras espécies Vochysia spp., como V. guianensis, V. eximia, V. ferruginea, V. floribunda, V. maxima, V. obidensis, V. surinamensis e V. vismaefolia, com características semelhantes e mesmo valor comercial.

Outros nomes: guaruba, guaruba-cedro, quaruba-cedro, quaruba-goiaba, quaruba-verdadeira, quaruba-vermelha.

Ocorrência: Brasil - Amazônia, Mata Atlântica, Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo.

CARACTERÍSTICAS GERAIS:

Características sensoriais: cerne e alburno pouco distintos pela cor, cerne rosado e alburno cinza-claro a cinza-rosado; brilho moderado ou ausente; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade baixa; macia ao corte; grã revessa; textura média a grossa.

Descrição anatômica macroscópica:

• Parênquima axial: visível a olho nu, paratraqueal aliforme com extensões longas e estreitas unindo vários vasos;

• Raios: os mais largos são visíveis a olho nu no topo, na face tangencial visíveis apenas sob lente;

• Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; poucos; porosidade difusa; solitários em maioria; alguns obstruídos por tilos;

• Camadas de crescimento: indistintas;

• Canais axiais traumáticos: presentes em alguns espécimes.

DURABILIDADE / TRATAMENTO:

Durabilidade natural: a resistência da madeira ao apodrecimento varia conforme a espécie. Com relação ao ataque de cupins e fungos, geralmente as madeiras desse gênero são susceptíveis a moderadamente resistentes ao ataque de cupins-de-madeira-seca. A espécie V. guianensis é considerada moderadamente resistente ao ataque de cupins, entretanto, pode apresentar uma baixa resistência ao ataque de perfuradores marinhos. O alburno pode ser susceptível ao ataque de brocas do gênero Lyctus. Em ensaio de campo, com a madeira em contato com o solo, a espécie V. guianensis foi considerada moderadamente durável, com vida útil entre dois e cinco anos, e a espécie V. máxima foi considerada não durável, com vida útil inferior a dois anos.

Tratabilidade: o alburno é muito fácil de preservar com creosoto (oleossolúvel) e CCA-A (hidrossolúvel) aplicados sob pressão. O cerne de V. guianensis é resistente ao tratamento preservante. Em ensaio laboratorial realizado pelo IPT, em tratamento sob pressão, o alburno apresentou alta permeabilidade.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO:

Trabalhabilidade: a madeira de quaruba é fácil de ser trabalhada tanto com ferramentas manuais quanto por máquinas. Alguns defeitos comuns são a superfície felpuda e fibras arrancadas. A colagem e a aplicação de tintas e vernizes não apresentam problemas. O polimento é bom (Jankowsky, 1990). É fácil de aplainar, lixar, tornear e furar, podendo apresentar, entretanto, acabamento ruim.

Secagem: a secagem ao ar é moderada, com tendência a empenamento e rachaduras. A secagem em estufa é rápida, mas pode agravar os defeitos se não for bem controlada. Peças espessas estão sujeitas a colapso (Jankowsky, 1990).

Densidade de massa:

Aparente a 12% de umidade: 600 kg/m3 / Madeira verde: 1140 kg/m3 / Básica: 490 kg/m3.

Contração:

Radial: 4,0% / Tangencial: 8,8% / Volumétrica: 12,1%;

Para comparar esses valores de contração (CCOPANT) com aqueles obtidos pela Norma ABNT (CABNT) é necessário transformá-los usando a equação;

Flexão:

• Resistência;

- Madeira verde: 60,5 MPa;

- Madeira a 12% de umidade: 91,2 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 9316 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira a 12%: 11180 MPa.

Compressão paralela às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 29,4 MPa;

- Madeira a 12% de umidade: 47,6 MPa (485 kgf/cm2)

Compressão perpendicular às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 4,8 MPa.

17 Tachi:

Grupo: pode incluir ainda Tachigali alba, Sclerolobium paraense, S. melanocarpum, S. micropetalum;

Outros nomes: tachizeiro, taxi-preto;

Ocorrência: Brasil - Amapá, Mato Grosso, Pará;

CARACTERÍSTICAS GERAIS:

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor, cerne amarelado a castanho-amarelado-claro; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; grã revessa; textura média.

Descrição anatômica macroscópica:

• Parênquima axial: visível só sob lente; paratraqueal vasicêntrico escasso ;

• Raios: visíveis só sob lente no topo e na face tangencial;

• Vasos: visíveis a olho nu no topo e na face tangencial; porosidade difusa, ocasionalmente em pequenas cadeias radiais; pequenos a médios, solitários e múltiplos;

• Camadas de crescimento: demarcadas por zonas fibrosas mais escuras, sinuosas, irregularmente espaçadas.

DURABILIDADE / TRATAMENTO:

Durabilidade natural: A madeira de taxi é considerada moderadamente resistente ao ataque de fungos;

Tratabilidade: apresenta baixa permeabilidade às soluções preservativas quando submetida à impregnação sob pressão.

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO:

Trabalhabilidade: A madeira de táxi é considerada moderadamente difícil de serrar e difícil de aplainar. O trabalho com brocas é fácil e de bom acabamento .

Secagem: A secagem é moderadamente difícil em estufa, com tendência a rachaduras moderadas a fortes.

Densidade de massa:

Aparente a 12% de umidade: 670 kg/m3 / Básica: 570 kg/m3.

Contração:

Radial: 5,2% / Tangencial: 7,5% / Volumétrica: 11,9%;

Para comparar esses valores de contração (CCOPANT) com aqueles obtidos pela Norma ABNT (CABNT) é necessário transformá-los usando a equação.

Flexão:

• Resistência:

- Madeira verde: 80,6 MPa;

- Madeira a 12% de umidade: 130,6 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 12945 MPa;

Compressão paralela às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 39,4 MPa;

- Madeira a 12% de umidade: 57,5 MPa;

Outras propriedades:

• Cisalhamento - Madeira verde: 11,2 MPa;

• Cisalhamento - Madeira a 12%: 14,1 MPa;

• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 5864 N;

• Dureza Janka paralela - Madeira a 12%: 8600 N.

18 Tatajuba:

Outros nomes: amaparirana, amarelão, amarelo, bagaceira, cachaceiro, garrote;

Ocorrência: Brasil - Amazônia, Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia.

CARACTERÍSTICAS GERAIS:

Características sensoriais: cerne e alburno distintos pela cor; cerne amarelo-dourado, escurecendo para castanho-amarelado; brilho moderado; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade média; moderadamente dura ao corte; grã revessa; textura média.

Descrição anatômica macroscópica:

• Parênquima axial: invisível mesmo sob lente;

• Raios: visíveis a olho nu no topo, na face tangencial é visível apenas sob lente;

• Vasos: visíveis a olho nu, médios a grandes; muito poucos a poucos; porosidade difusa; solitários em predominância e múltiplos de 2 a 4; obstruídos por tilos;

• Camadas de crescimento: ligeiramente distintas, individualizadas por zonas fibrosas tangenciais mais escuras.

DURABILIDADE / TRATAMENTO:

Durabilidade natural: O cerne é resistente ao ataque de fungos de podridão-branca e parda . A madeira de tatajuba, em ensaios de campo realizados pela EMBRAPA, na Amazônia, demonstrou ter durabilidade natural superior a sete anos . Considerada moderadamente resistente ao ataque de perfuradores marinhos e, em contato com o solo, pode apresentar vida útil superior a 25 anos.

Tratabilidade: a madeira de tatajuba é difícil de ser tratada com soluções preservantes, mesmo em processo sob pressão. Apresenta baixa permeabilidade às soluções preservantes de creosoto (oleossolúvel), mesmo em processo sob pressão .

CARACTERÍSTICAS DE PROCESSAMENTO:

Trabalhabilidade: a madeira de tatajuba é fácil de ser trabalhada, com ferramentas manuais ou mecânicas, produzindo ótimo acabamento. Não aceita pregos com facilidade. Recomenda-se a furação prévia à colocação de pregos.

Secagem: a secagem ao ar é lenta sem a ocorrência de defeitos. Na secagem em estufa apresenta leve tendência ao empenamento, torcimento e encanoamento. Recomenda-se controle cuidadoso do processo para evitar defeitos.

Densidade de massa:

Aparente a 15% de umidade: 820 kg/m3 / Básica: 683 kg/m3.

Contração:

Radial: 5,5% / Tangencial: 7,1% / Volumétrica: 11,4%.

Flexão:

• Resistência:

- Madeira verde: 100,0 MPa ;

- Madeira a 15% de umidade: 138,2 MPa;

• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 71,3 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 15857 MPa.

Compressão paralela às fibras:

• Resistência:

- Madeira verde: 54,4 MPa;

- Madeira a 15% de umidade: 79,7 MPa;

• Limite de proporcionalidade - Madeira verde: 41,8 MPa;

• Módulo de elasticidade - Madeira verde: 17304 MPa.

Outras propriedades:

• Cisalhamento - Madeira verde: 11,5 MPa;

• Dureza Janka paralela - Madeira verde: 7208 N;

Tração normal às fibras - Madeira verde: 4,5 MPa.