A educação inclusiva e a psicomotricidade
Noções Básicas em Psicomotricidade e Educação Inclusiva
1 Resumo da educação inclusiva e a psicomotricidade:
O presente trabalho é fruto da disciplina de Psicomotricidade ofertada pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará, no curso de graduação em Pedagogia. Na busca de desenvolver de forma plena os indivíduos, é que a psicomotricidade vem tomando espaço na educação para proporcionar a interação das crianças com o meio e possibilitar suas expressões corporais e aprendizagem. Para compreender como aplicar este conceito num cotidiano escolar inclusivo foram propostas atividades de campo que se dividiram em quatro etapas:
(a) visita a uma escola da rede municipal de Fortaleza em turma de 1º ano do Ensino Fundamental I na qual houvesse alunos com deficiência, para diagnóstico;
(b) planejamento das aulas;
(c) aplicação das atividades;
(d) discussão dos resultados obtidos com o grupo.
Para a elaboração das atividades foram realizados estudos teóricos e orientações da professora, norteando práticas significativas, contextualizadas e que possibilitassem a participação de todos. Durante a prática percebeu-se que as crianças ficam mais atentas e se relacionam melhor com o conteúdo quando fazem parte de sua construção.
As diversas atividades de movimento relacionadas com o tema higiene corporal foram favoráveis para seu desenvolvimento cognitivo e motor.
Os resultados indicaram que é necessário que os professores elaborem e pratiquem atividades psicomotoras dentro dos conteúdos desenvolvidos em sala para promover a atuação do movimento sobre o intelecto, relacionando-se com a afetividade, o pensamento e o nível de inteligência. Desta forma, as crianças puderam reconhecer seu corpo, interagir com o meio e aprender conceitos e técnicas sobre higiene corporal.
2 Introdução à educação inclusiva e a psicomotricidade
A sociedade contemporânea vem mostrando-se cada vez mais individualista, gerando a diminuição do contato entre as pessoas. Além disso, o grande estímulo ao consumismo acaba por suscitar a violência, o que reflete no comportamento social, que vem tornando as pessoas mais reclusas aos seus lares, diminuindo sua interação com os meios físico e social.
Estas mudanças refletem também nas crianças e em sua educação. Diferentemente da infância de outros tempos, as crianças vem experimentando menos o mundo e acabam por prender-se aos seus quartos e jogos eletrônicos como meio de garantir sua segurança.
A criança se relaciona com o mundo através do movimento e, para tal utiliza-se de suas capacidades motoras, intelectuais e afetivas. Como então proporcionar esta relação, já que é cada vez menos comum encontrá-las brincando nas ruas, em contato com o outro e com o meio ambiente? A escola acaba por assumir este papel de estimular nas crianças o movimento e suas possibilidades de aprendizagem. Portanto, não só ter nas escolas espaços que deem condições da criança experimentar e se mover, mas também levar para a sala de aula práticas que permitam a participação de todos e que incluam a experimentação com o corpo e com o movimento no processo de aprendizagem.
Nesta perspectiva, é preciso definir motricidade, psicomotricidade e sua relação com a aprendizagem. Entende-se por motricidade a faculdade de se mover por vontade própria, ter domínio sobre seu corpo, agilidade, destreza e locomoção (BUENO, 1998). Já a psicomotricidade relaciona a motricidade com o psiquismo. De acordo com Lapierre (1989) a psicomotricidade considera o indivíduo de forma global, levando em conta o ser e suas interações com o ambiente.
Bueno (1998) afirma que a psicomotricidade estuda as implicações do corpo, suas vivências, o campo dos significados das palavras e a interação entre os objetos e o meio para realizar uma atividade. O desenvolvimento psicomotor dividi-se em duas fases: a primeira infância (0 a 3 anos) e segunda infância (3 a 7 anos), alcançando a maturidade aos 8 anos, por isso a importância dos estímulos nesse período.
Estimular o desenvolvimento psicomotor nas crianças gera a construção de uma consciência dos movimentos corporais integrados com sua emoção e expressados por esses movimentos. Didaticamente, os conceitos trabalhados na psicomotricidade são chamados de condutas psicomotoras e subdivididas em: funcionais (coordenação motora, equilíbrio, tônus, lateralidade, esquema corporal, organização espacial) e relacionais (expressão, comunicação, afetividade, limites e corporeidade) (Bueno, 1995).
A educação inclusiva, processo que vem se expandindo e fincando raízes na educação e na sociedade brasileira, visa promover uma educação de qualidade para todos. Numa escola inclusiva todos são atendidos de acordo com suas necessidades e é promovida a construção do conhecimento a partir de suas capacidades, formando cidadãos ativos e que respeitam o outro e consideram as diferenças.
O presente estudo tem o objetivo refletir sobre a elaboração de práticas pedagógicas que promovam o desenvolvimento pleno (corporal e cognitivo) de todas as crianças, com ou sem deficiência, através dos conceitos básicos da Psicomotricidade utilizando atividades que envolvam um tema gerador, relacionado aos conteúdos programáticos.
3 Metodologia da educação inclusiva
A pesquisa é de natureza descritiva e qualitativa, pois apresenta características de um determinado grupo e analisa as relações entre as variáveis do fenômeno em estudo. Foi realizada em uma escola da rede municipal de Fortaleza-Ceará, em uma sala de aula do 1º ano do ensino fundamental. A sala era composta por vinte e seis alunos matriculados, entre eles um que apresentava perda parcial de audição, dificuldades na fala e, de acordo com a professora, dificuldades de aprendizagem. Os alunos tinham entre 6 e 8 anos.
Para o levantamento de dados foi utilizado, como método, a observação e o registro de modo não participante, trocando idéias, com a professora, sempre que necessário. A observação baseou-se nos conceitos psicomotores e de educação inclusiva, procurando verificar o desenvolvimento motor dos alunos, como a professora os estimulava e as possibilidades de participação de todas as crianças. Além disso, averiguar também qual conteúdo seria apropriado desenvolver com o grupo para fundamentar as atividades.
Em seguida realizou-se o planejamento da oficina, que deveria relacionar conteúdo programático, práticas inclusivas e que estimulassem o desenvolvimento psicomotor. A aplicação aconteceu em três dias seguidos, no período da tarde. A avaliação das atividades foi realizada em conjunto com a orientação da professora da disciplina.