Métodos de preparo para Bolos e Cookies

Confeitaria

1 Custards, Crepes e Soufflés

Creme Brulee

Essa preparação é um dos custards mais populares e pode ser servida como uma sobremesa única.

É um creme rico preparado com gemas, açúcar e creme de leite, frequentemente aromatizado, que é levado ao forno em ramequins até adquirir consistência cremosa. Após esse processo, o creme é resfriado e no momento do serviço é coberto com açúcar e caramelizado com a ajuda de um maçarico.

Soufflé

A palavra soufflé em francês relaciona-se a inflar -o que explica o que ocorre com essa sobremesa enquanto é assada. O ar expande com o calor e permanece preso pela rede formada pelas claras batidas, fazendo com que o soufflé cresça.

Um soufflé clássico consiste de três elementos:

1) Base: muitos tipos de preparação podem ser usadas como base para soufflés doces. A maioria dessas bases é densa e espessada com amido, como por exemplo, o creme patissiere.

2) Aromatizantes: esses ingredientes s„o adicionados à base. … a adição de tais ingredientes que determinar· o sabor do soufflé. Pode-se adicionar chocolate derretido, cacau em pó, limão, licores, purê de frutas, frutas em pedaços, nozes, etc.

3) Claras batidas: é o ingrediente que dá leveza e faz com que os soufflés cresçam. De preferência, as claras devem ser batidas com um pouco de açúcar e cremor de tártaro, o que torna o soufflé mais estável.

Crepes

Um tipo de panqueca bem fina, uma especialidade francesa, que pode ser servida simplesmente polvilhada com açúcar ou recheada com geleia, cremes, frutas, mel, chocolate ou creme de marrons (castanha portuguesa). Podem ser servidas quentes, flambadas ou empilhadas, alternando-as com creme, formando uma espécie de bolo.

CrÍpes Suzette: essa é a crepe mais famosa do mundo, e de acordo com a tradição deve ser preparada pelo garçom em uma mesa de apoio ao lado cliente. De acordo com a receita do renomado Chef Escoffier, tanto a massa como o molho dessa crepe devem der aromatizados com suco de tangerina e Curação. Porém, já há alguns anos a Crepe Suzette é preparada com suco de laranja e licor de laranja.

2 Métodos de preparo para Bolos e Cookies

Princípios básicos na preparação de massas doces

Existe uma série de regras que devem ser observadas assim que preparamos qualquer tipo de bolo ou outros tipos de massas, independentemente do método de preparo utilizado:

1. Peneirar os ingredientes secos - remove partículas maiores e facilita a incorporação e distribuição dos demais ingredientes.

2. Misturar a farinha rapidamente - evita o desenvolvimento do glúten, o que deixaria a massa com textura emborrachada.

3. Utilizar ingredientes à temperatura ambiente, principalmente manteiga e ovos (21ºC), evitando que a massa separe em fases.

Na maioria dos itens de confeitaria semelhantes a bolos, o desenvolvimento e/ou a incorporação de ar é um dos itens mais importantes no processo. Seguir corretamente o método de preparo (ver abaixo) levar· a obtenção correta da estrutura e textura desejadas para aquele item.

Métodos

Esse método é o mais simples e consiste em fazer duas misturas - uma com os ingredientes secos e outras com os líquidos, e então se procede incorporando-os. Qualquer ingrediente adicional (gotas de chocolate, uvas passas, etc.) È adicionado ao final. O segredo para uma massa perfeita é n„o trabalhar a mistura excessivamente, ou seja, assim que a farinha foi incorporada deve-se parar de misturar. Misturar demasiadamente essa massa levar· ao desenvolvimento de uma grande quantidade de glúten, resultando em uma textura grosseira e emborrachada.

Alguns tipos de muffins, bolos rápidos (quick breads) e scones (um híbrido entre bolo e biscoito) s„o alguns dos exemplos de massas preparadas de acordo com o método direto.

As massas preparadas de acordo com o método direto não apresentam uma textura delicada e leve como atributos principais. Caso haja a necessidade de itens mais delicados e refinados deve-se procurar outros métodos de preparo

O método descrito a seguir é utilizado na preparação de massas que apresentam alta porcentagem de gordura.

Método cremoso

O método cremoso é utilizado para massas que contém uma alta porcentagem de gordura. Nesse método, a gordura (em temperatura ambiente) e o açúcar são misturados com a raquete até obter-se uma mistura pálida, uniforme e aerada. Em seguida, adicionam-se os ovos, e logo após os ingredientes secos e líquidos (se houver) alternadamente. Por último, se for o caso, adicione outros ingredientes, tais como nozes, gotas de chocolate, uvas passas, etc

Madeleines (mini bolos amanteigados em formato de concha), pound cakes (um ancestral dos bolos), cookies e alguns muffins s„o preparados de acordo com esse método.

Os métodos descritos a seguir s„o usados para massas que não levam gordura ou que apresentam uma menor porcentagem de gordura

Método Sponge (Genoise)

Existem dois métodos para preparar-se a clássica Genoise: o método frio e o quente. No método quente, os ovos e o açúcar s„o colocados em um recipiente que é levado ao banho-maria até atingir 43º C (até a completa dissolução do açúcar). Isso aumenta as propriedades emulsificantes dos ovos. Após isso, essa mistura é levada à batedeira e é aerada até o seu volume máximo. Em seguida, adiciona-se a farinha de trigo e a manteiga derretida. Em algumas receitas podemos encontrar a adição de amido de milho e fermento em pó químico, porém esses dois ingredientes não fazem parte da receita clássica de Genoise.

Na Genoise preparada de acordo com o método frio, os ovos são levados à batedeira sem o aquecimento inicial em banho-maria.

Método Angel Food Cake (Bolo dos Anjos)

Esse método de preparo n„o leva nem gordura nem fermento químico. …baseado somente na aeração das claras de ovos batidas com açúcar, que levam em seguida a adição de farinha de trigo. … interessante notar que a textura aerada dos bolos preparados de acordo com esse método é dependente somente da incorporação de ar pelas claras. Os bolos preparados de acordo com esse método apresentam uma textura extremamente aerada.

Método Chiffon

Método de preparo também baseado na aeração fornecida pelas claras montadas. Porém, nesse método temos a adição de gordura (gemas e óleo), água e fermento químico (item que participa na aeração do bolo).

Método espumoso por separação

Esse método é uma variação do método frio de preparo da Genoise. Os ovos s„o separados e batidos em duas misturas aeradas (gemas + açúcar e claras + açúcar). Em seguida, essas duas misturas s„o incorporadas uma a outra, para então receber a adição dos outros ingredientes (farinha de trigo e manteiga).

Combinação dos métodos cremoso e espumoso

Nesse método, primeiramente prepara-se uma mistura de acordo com o método cremoso (manteiga + açúcar). Em seguida adiciona-se as claras montadas e os ingredientes secos. Bolos preparados de acordo com esse método apresentam uma textura rica e uma certa leveza fornecida pela incorporação de ar pelas claras.

Muffins

Muffin é derivado da palavra alem„ muffe, que é um nome empregado para um tipo de bolo. Os muffins ,o sempre assados em forminhas e na maioria das vezes levam a adição de algum ingrediente, como nozes, frutas ou gotas de chocolate.

Cookies

A palavra cookie vem do holandÍs koekje, que pode ser traduzido como pequeno bolo, do nome sueco - smakakor e do alem„o Klein geback. Na Inglaterra os cookies são conhecidos como biscuits.

Existe uma grande variedade de cookies. Podemos encontrar variações de tamanho, forma, sabor e textura. Além disso, o método de preparo dos cookies varia enormemente produzindo desde mini bolos amanteigados até biscoitos crocantes, passando por itens fabricados com merengue e amêndoas (macarrons) e petit fours.

Madeleines

Esses mini bolos amanteigados s„o célebres e foram imortalizados na obra de Marcel Proust - Em Busca do Tempo Perdido.

Há uma história que conta que esses mini bolos foram batizados pelo seu inventor, um confeiteiro de uma pequena cidade em Lorraine.

Brownie

Muitas histórias s„o contadas para explicar a invenção desse bolo de chocolate extremamente denso e rico.

Uma das mais engraçadas fala de uma dona de casa que ao ficar tão admirada pela sua última criação, esqueceu de colocar as luvas térmicas, e ao pegar a assadeira de brownie no forno, deixou-a cair, fazendo com que o bolo perdesse sua aeração e ficasse denso. Em outra explicação levanta-se a hipótese de que o brownie foi desenvolvido no século XIX para que a manteiga e os ovos fossem utilizados antes que estragassem.

Porém, sabe-se que os brownies s„o uma variação dos blondies. Em 1896, uma pioneira da culinária americana, Fannie Farmer, em seu livro Boston Cooking School Cook Book, propôs um bolo rico em melaço que n„o levava a adição de chocolate - os blondies. Somente anos após, esse bolo foi adicionado de chocolate, levando o nome de brownie.

3 Pão de ló - história e receitas típicas

Todos as receitas de pães-de-ló são preparadas de acordo com o método espumoso, muito semelhante à Genoise dos franceses. Sua invenção, apesar de não ser muito precisa, nos remete as Ordens Religiosas portuguesas de séculos atrás e a receitas familiares que eram desenvolvidas com esmero e cuidados extremos a fim de deleitar a Casa Real e as mesas dos mais abastados.
Por ser um bolo muito leve, as receitas de pão-de-ló portuguesas são presença obrigatória em todo o país, sendo consumidos principalmente na Páscoa e durante as festas natalinas.
A disputa pela sua autoria é acirrada, pois existe uma variedade de receitas, todas consideradas famosas e distribuídas por todo o território português.
Entre o Douro e o Minho podemos encontrar o pão-de-ló de Margaride e o de Freitas; em Estremadura, encontramos o famoso pão-de-ló de Alfeizer„o, o pão- de-ló da Avó e o pão-de-ló Saloio (ou dos casamentos). No Ribatejo, temos o pão- de-ló de Alpiarça e na regi„o do litoral de Beira encontramos o pão-de-ló de Soure, o de Vizela e o popular pão-de-ló de Ovar.

Um pouco de história

Quando as ordens religiosas foram extintas, no século XIX, as freiras do convento de Cós (Alcobaça) ensinaram as técnicas de fabrico do bolo às senhoras de Alfeizerão, que em dias de festa confeccionavam a receita original. Um dia, o rei D. Carlos fez uma visita a essa localidade e logo chamaram uma dessas senhoras para preparar um pão-de-ló para o monarca. Tamanho era o desenho de bem servi-lo que a cozedura ficou incompleta.
A atrapalhação acabou resultando em enorme sucesso, que mereceu a preferência do rei. Foi assim que há mais de cem anos Amália Grilo começou a fabricá-lo, por encomenda, para mesas afidalgadas da regi„o. Num livro de 1906, M. Vieira Natividade já o inclui nas indústrias tradicionais e caseiras da região.
Muitas crônicas indicam que o pão-de-ló de Margaride foi criado no século XVIII por Leonor Rosa da Silva, que fornecia esse bolo para a Casa Real, o qual ainda hoje é fabricado pelos seus sucessores. O autêntico pão-de-ló de Margaride é cozido em forno de lenha em formas de barro n„o vidrado. Essas formas constam de três tigelas, duas iguais e uma menor, sendo esta colocada invertida no centro de uma das outras duas tigelas formando um cano. Depois de forrada com papel grosso, em quadrados sobrepostos, a massa e ali deitada, os bicos do papel virados para dentro e depois tapada com a outra tigela.
Acredita-se que o pão-de-ló de Ovar exista desde 1700, e era uma iguaria ofertada a personalidades que visitavam a Vila de Ovar. Comercialmente, desde 1900 esse bolo passou a ser vendido por algumas famílias. A massa era preparada em enormes vasilhas de barro, batida à mão com pás enormes, por mais de duas horas. Eram assados em formas (caçoilas) de barro, forradas com papel branco, em forno comum. V·rias pessoas e confeitarias tornaram-se famosas pelo fabrico do pão-de-ló. Desta forma, d. Maria Rodrigues da Silva e sua filha Rosinha da Catrina dedicaram-se ao fabrico e à venda dessa doçaria, sob o nome de pão-de-ló ideal.
Receitas mais recentes levam o acréscimo de fermento químico, que garante a leveza da massa e outros ingredientes como suco de frutas ou leite. O método de preparo também difere um pouco dos clássicos pães-de-ló citados acima, porém o resultado ainda é um bolo bem macio e aerado.

4 Métodos de preparo para Bolos e Cookies

5 Métodos de preparo para Bolos e Cookies

6 Mousses, Biscuit Joconde e Genoise

Mousses

A palavra mousse significa espuma em francês, e de uma forma geral, pode ser definida como uma sobremesa aerada e cremosa servida gelada. Existe uma variedade tão grande de mousses que seria impossível fornecer uma regra para todas, porém, uma mousse clássica deve ser preparada com creme de leite batido, claras e/ou gemas batidas, açúcar e algum item adicional que apresenta o sabor mais marcante - chocolate, purê de frutas, licores, especiarias, etc.
Mousses podem ser servidas simplesmente em um ramequin ou uma taça de vidro, ou ainda podem ser elaboradas de uma maneira mais elaborada compondo uma torta mousse preparada em camadas.

Gelatina

A maioria das mousses, com exceção da mousse de chocolate, requer um agente espessante - a gelatina, que deve ser usada com cautela para atingirmos a consistência de desejada. Além disso, se a gelatina estiver muito quente irá fazer com que o creme de leite batido perca a sua aeração.

Creme de leite

Um dos principais itens que compõem uma mousse - dá leveza e cremosidade. Deve sempre ser batido até a consistência correta, pois ao acrescentar-se outros ingredientes ao creme batido, o movimento realizado pode levar a uma textura e sabor amanteigados.

Ordem de incorporação dos ingredientes

Em algumas receitas, as claras montadas s„o incorporadas antes do creme de leite para prevenir que o mesmo seja batido em excesso. Essa técnica, porém, pode levar a uma perda de volume (por parte das claras). Alguns chefs já preferem bater o creme de leite em picos leves e adicionar antes da incorporação das claras montadas. Nesse caso, as claras n„o perder„o seu volume e o creme de leite atingir· o ponto correto de aeração.

7 Massa folhada

8 Chocolate, temperagem

Um dos alimentos mais marcantes para a humanidade - o chocolate.
Preparado a partir das sementes adstringentes e amargas provenientes de uma árvore tropical - a Theobroma cacao - alimento dos deuses em grego.
Após as sementes do cacau passarem por um processo de fermentação e torrefação podemos observar o aparecimento de aromas e sabores ricos e complexos, estando o chocolate entre os alimentos que apresentam um dos sabores mais complexos entre todos os alimentos conhecidos. Cientistas já identificaram mais de 600 diferentes moléculas voláteis no chocolate.
Essa diversidade de sabor e aroma é proveniente de dois fatores principais.
Um dos fatores provém do sabor potencial j· encontrado na semente do cacau - sua combinação de açúcares e proteínas, e das enzimas que quebram essas moléculas em outras distintas. Outro fator que leva a grande riqueza de sabor do chocolate é o complexo método de preparação, que combina a ação de microorganismos (fermentação) e altas temperaturas (torrefação).
Entre os sabores que podemos detectar no chocolate pode-se identificar as seguintes características:
* provenientes da semente - sabor adstringente e amargor;
* provenientes da fermentação - nuances de frutas, sherry, vinho e vinagre;
* provenientes da ação das próprias enzimas do cacau - notas florais, amêndoas e laticínios;
* provenientes da torrefação - nuances apimentadas, doces, florais, de nozes, terrosas e um sabor amargo mais aparente, juntamente com o sabor característicos de produtos torrados;
* provenientes de adições secundárias - açúcar, baunilha, especiarias, caramelo, etc.
A consistência do chocolate é incomum a qualquer outro alimento: rígido e seco a temperatura ambiente e cremoso e aveludado em contato com a boca.
Sua versatilidade permite que seja moldado em qualquer formato, e sua superfície pode ser tão brilhante quanto a do vidro.
Para que se atinja uma finalização adequada, ao trabalharmos com chocolate devemos estar atentos ao processo conhecido como temperagem, que deve ser aplicado ao chocolate já derretido.

9 Tipos de Chocolate

* Cacau em pó: comercializado na forma de pó, é o produto resultante da massa de cacau após a extração da manteiga de cacau. Não leva açúcar em sua composição.
* Chocolate em pó: Semelhante ao cacau em pó, porém parte de seu conteúdo é açúcar.
* Chocolate meio amargo e amargo: contém uma quantidade maior de massa de cacau quando comparado ao chocolate ao leite, e leva a adição de manteiga de cacau, açúcar e aromatizantes.
* Chocolate ao leite: contém uma quantidade menor de massa de cacau e leva adição de sólidos do leite, açúcar, manteiga de cacau e aromatizantes.
* Chocolate branco: o nome chocolate branco não é correto, uma vez que esse tipo de chocolate não apresenta os sólidos do cacau, somente manteiga de cacau, açúcar, sólidos do leite e aromatizantes.
* Cobertura hidrogenada: é uma cobertura que se assemelha ao chocolate, mas a manteiga de cacau é substituída por gordura vegetal hidrogenada, o que o torna mais resistente e não há a necessidade de temperagem.

10 Derretendo e temperando o chocolate

Derretendo

O chocolate a ser derretido deve ser cortado em pequenos pedaços ou picado finamente. Quanto maior é a área exposta, mais rapidamente o chocolate irá derreter, evitando que o chocolate queime. O chocolate pode ser facilmente derretido em banho-maria ou em microondas:
* Banho-maria: ao derretermos o chocolate em banho-maria, é extremamente importante evitar o contato do chocolate com a água, o que torna o chocolate granuloso e espesso, tornando-o inútil para a maioria dos usos. Por esse motivo, o recipiente e os utensílios devem estar totalmente secos. Ao usar o banho-maria, devemos mexer o chocolate até estar completamente derretido, e retira-lo do banho-maria em seguida.
* Microondas: devemos usar o microondas na potência média e aquecer o chocolate em intervalos de 30 segundos, ou seja, a cada 30 segundos, devemos misturar o chocolate com a ajuda de uma espátula.
O chocolate deve ser derretido a uma temperatura correta, de acordo com as especificações abaixo:
Chocolate meio amargo: entre 45º e 50º C
Chocolate ao leite: entre 40º C e 45º C
Chocolate branco: aos 40º C

Temperando

Temperar é um processo que consiste na uni„o de dois outros processos - o resfriamento e a agitação do chocolate previamente derretido. Existem diferentes métodos de temperagem, porém todos se baseiam nos mesmos princípios.
O chocolate contém manteiga de cacau solidificada que se encontra na forma de diferentes tipos de cristais de gordura - os estáveis e os instáveis, e o objetivo de se temperar o chocolate é obter a formação do tipo correto de cristais - os cristais estáveis, que se formam a uma determinada temperatura.
Assim que derretemos o chocolate, todos os cristais de gordura encontram- se derretidos, porém quando resfriamos o chocolate de uma maneira controlada (temperagem) por um tempo correto e até atingir a temperatura adequada, somente os cristais de gordura estáveis se formarão levando à uma rede estável e organizada que dá brilho e rigidez ao chocolate.
Um chocolate temperado de uma forma inadequada fornecerá um produto final mole e manchado, que não resiste à temperatura do ambiente.
A temperatura ideal para a temperagem do chocolate varia entre os diversos tipos de chocolate e depende da formulação de cada fabricante, e as informações adequadas para o chocolate em questão devem ser oferecidas pelo próprio fabricante.
Porém, a tabela abaixo descreve as temperaturas usualmente utilizadas no processo de temperagem:
Chocolate meio amargo: entre 31º e 32º C
Chocolate ao leite: entre 29º C e 31º C
Chocolate branco: entre 27º C e 28º C

Método 1 (tablage)

Após o derretimento completo do chocolate, deve-se despejar 2/3 do chocolate derretido no mármore completamente seco. Com a ajuda de uma espátula longa de metal mistura-se o chocolate com movimentos de vai-e-vem até começar a engrossar (consistência pastosa). Usar também um raspador de metal para puxar o chocolate para o centro e espalha-lo novamente no movimento de vai-e-vem. Após atingir a consistência pastosa, adicionar esse chocolate ao chocolate que permaneceu no recipiente e homogenegiza-los. Testar a temperatura, que deve estar de acordo com as especificações do fabricante. Caso a temperatura esteja abaixo da temperatura de temperagem, levar o recipiente ao banho-maria por alguns segundos.

Método 2 (método das sementes)

Nesse método devemos adicionar chocolate picado (25% do peso do chocolate derretido) ao chocolate previamente derretido que desejamos temperar. Ao adicionarmos o chocolate picado ao chocolate derretido deve-se, com a ajuda de uma espátula de silicone, misturar vigorosamente os pedaços de chocolate com o chocolate derretido até que se alcance a temperatura adequada.

Método 3 (método do bloco)

Esse método é muito semelhante ao método anterior, porém adiciona-se ao chocolate derretido um único bloco de chocolate e procede-se da mesma forma descrita acima. Após o chocolate derretido atingir a temperatura adequada, retira- se o bloco de chocolate.

Método 4 (método do banho-maria de gelo)

Nesse método resfriamos o chocolate derretido sobre um banho-maria de água gelada. … um método extremamente rápido, porém não recomendado, pois a qualidade da temperagem não é tão boa quanto à dos outros métodos. Além disso, existe o perigo da água acidentalmente atingir o chocolate, o que o inutilizaria.
Caso o chef opte por esse método, o chocolate derretido deve ser colocado sobre um recipiente com água gelada e misturado continuamente até atingir a temperatura adequada.

11 Bombons

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