O contributo da arte contemporânea no ensino do desenho artístico, através de métodos experimentais
Desenho Artístico
1 Arte contemporânea no ensino desenho artístico
Partindo da necessidade de que o impacto da arte contemporânea no ensino secundário deve ser analisado, experienciado e, nesse sentido, promovido pretendemos, com a presente investigação, aprofundar as questões que são suscitadas entre o ensino artístico e a natureza das obras de arte contemporânea, onde se inclui a prática do desenho.
Em particular, elaboramos um projeto de investigação-ação no ensino secundário, com um grupo de jovens maioritariamente surdos profundos, em que as estratégias de mediação foram determinadas por visitas a exposições e pela análise de obras de arte contemporânea, tendo havido lugar para sessões de agilização da criatividade e de operacionalização instrumental do desenho, que culminaram na apresentação de uma instalação com recurso à imagem tratada em suporte multimédia e projetada.
Deste modo, as áreas de investigação circunscreveram-se aos campos de estudo que passamos a designar: a dimensão pós-moderna do ensino artístico, a relação entre educação artística e cognição e a consequente discussão gerada em torno da criatividade e das didáticas do desenho.
2 Introdução
3 Enquadramento teórico
A arte contemporânea enquanto assunto para debater na comunidade educativa
Na atualidade, qualquer comparação que se estabeleça entre práticas artísticas contemporâneas e o ensino da arte em si é matéria de grande apreensão. As propostas educativas emergem de um campo de estudo empolgante, onde estão presentes múltiplos projetos de investigação provenientes das mais distintas áreas do conhecimento. De par, a psicologia, a neurociência, a filosofia, a antropologia e a sociologia, por exemplo, procuram teorizar fundamentos e modelos de aprendizagem que fomentem respostas adequadas às constantes mudanças operadas na sociedade pós-industrial, inserida numa cultura de massmedia e, também, no mundo restrito da arte.
Como sabemos, antes de mais, todos os modelos artísticos operam em consonância com outros modelos sociais, políticos e econômicos. A revisão das teorias pedagógicas praticadas em torno da arte teve como fito validar as experiências que foram ensaiadas com diferentes propósitos, em culturas e em condições sociais distintas. Neste sentido, Arthur Efland (1990: 38) adverte perante os juízos estéticos irrefletidos que, quando são realizados sem o conhecimento das condições culturais onde se inserem os sistemas artísticos, assumem um carácter negativo: «The role of critics and teachers is to analyse art within cultural contexts».
Por outro lado, a tese de Dennis Atkinson (2002) representa uma outra reflexão sobre a educação artística. Neste caso, demonstra como os sistemas correntes de avaliação, bem como os que dizem respeito à preparação dos professores, nem sempre se compatibilizam com as necessidades dos alunos. E prossegue, fazendo referência a Pierre Bourdieu , ao designar o modo como, na opinião do autor, a acção pedagógica tem vindo a acentuar as desvantagens sociais dos alunos. Nicholas Addison e Lesley Burgess (2007), por outro lado, alertam para o desadequado sistema de avaliação vigente, na medida em que conduz ao constrangimento da criatividade e do pensamento crítico em aula.
Para a doutrina de Lev Vygotsky é importante que a aprendizagem se desenvolva, não como uma prática isolada, mas antes através da interação com os outros (os seus pares). Neste mesmo sentido, os projetos de arte contemporânea, aplicados no contexto da sala de aula, conduzem a formas de pensar inovadoras, nomeadamente quando exercitados em situações de aprendizagem diferenciadas. A natureza eclética, multidisciplinar e inclusiva do mundo artístico colocamos perante desafios prometedores para o ensino.
Addison e Burgess (2007: 186), ao defenderem as experiências com a arte contemporânea, procuram enfatizar os processos profundamente transformadores para a consolidação da consciência crítica dos alunos e o compromisso com as novas tecnologias.
Por sua vez, Dick Downing (2005), ao reconhecer a literacia visual como uma ferramenta de comunicação, assegura que a arte contemporânea favorece as condições para uma reflexão sobre matérias sociais, morais e políticas. Contudo, é muito importante ter em conta as consequências de um tipo de ensino artístico totalmente subordinado ao rigor dos critérios cognitivos, pois que, de outro modo, estaríamos a negligenciar os aspectos afetivos da experiência artística.
Arte, ensino e teoria. Paradigmas do ensino das artes visuais
“Only art is capable of dismantling the repressive effects of a senile social system .” (Joseph Beuys, 1973)
Enquanto processo de transformação pessoal, a arte permite-nos, seguramente, viver de forma mais criativa, ao mesmo tempo que melhora a qualidade de vida dos seus intervenientes. No seu conjunto, os discursos artísticos dominantes têm sido conduzidos por instâncias do pensamento filosófico, social e cultural. Assim, não será despropositado apurar que o desenvolvimento de associações culturais, instituições, museus, massmedia, do volume de publicações e a emergência de programas educativos constituem parte substancial do que hoje podemos denominar por educação artística. Ao pretender esboçar uma visão abrangente sobre as profundas mudanças que ocorreram na pedagogia artística, tomamos como referência alguns testemunhos que nos permitem compreender como, na viragem do século XIX, se geraram movimentos contraditórios.
Por entre conceitos pedagógicos e ideologias subjacentes, em retrospectiva podemos afirmar que a educação artística foi sendo objecto de sucessivas mudanças, em grande medida marcadas pelo agitado desenvolvimento político e social que decorreu na maioria das sociedades ocidentais. Genericamente, o ensino das artes visuais repercutiu as ideologias dos principais movimentos estéticos e artísticos da cultura ocidental (Cf. Quadro 1). O Romantismo, o talento inato e a inspiração são vistos como uma antítese do artista contemporâneo, mas esta mesma imagem que os artistas procuram desmistificar é a que muitas vezes prevalece tanto na comunidade escolar, como na própria sociedade.
Efland (1996) apresenta uma visão histórica das correntes educativas, começando por comparar o ensino artístico a uma estrutura social. Segundo o autor, a estrutura traduz-se por uma rede de atuação que compreende artistas, públicos, consumidores, críticos, colecionadores e filantropos.
Outro é o ponto de vista defendido por Peter Abbs (2003), ao insurgir-se contra o estado de conservadorismo e de esvaziamento da condição artística contemporânea. Fala de uma sensibilidade moderna, em que por um lado, a arte se mantém enquanto força libertadora de energias, e por outro, se procura o envolvimento de todas as componentes formais das artes visuais, em detrimento do debate ideológico. E prossegue, escrevendo que as artes visuais exprimem o espírito modernista na sua vertente mais acentuada. Assim, durante grande parte do século XX, emergindo nos anos 20 e prosseguindo até aos anos 80, foram dois os padrões que, segundo o autor, dominaram o que hoje podemos intitular como ensino artístico, nomeadamente os movimentos progressista e modernista. No seu conjunto, constituíram um paradigma estético/ideológico assente no retorno da espontaneidade e da afirmação dos afetos, visíveis particularmente nos estudos da psicologia da criança.
Na viragem do século XIX, a instrução artística consistia, em grande parte, na prática do desenho livre de objetos. Com a eclosão das indústrias culturais, administradas por coordenadas econômicas, o exercício da prática do desenho transitou para dentro do currículo escolar, devido, sobretudo, à prioridade de preparar a classe trabalhadora para a manufactura de bens de consumo. Nestes termos, impunha-se o desejo em cultivar a sensibilidade artística que, aparentemente, deixava de ser tomada por um luxo das classes sociais favorecidas.
Outro paradigma importante diz respeito à representação naturalista que prevaleceu não só ao nível das academias, precursoras do Modernismo, como durante grande parte do século XX, em que se assistiu, um pouco por toda a parte, à profusão de métodos decorrentes do desenho naturalista . Uma fase de profunda mudança resultou com a superação das convenções acadêmicas do desenho. O emergente apelo da terapia psicanalítica motivou, em grande parte, o interesse pelo discurso da criatividade, abrindo caminho para modelos pedagógicos expressivos. A arte libertava-se, assim, dos contornos das academias, mas a seu tempo, o entendimento de que o ensino da arte estaria aparentemente pouco estruturado e, nesse sentido, conduzido por princípios irracionais e compulsivos, parece ter tornado muito problemática a imagem que ainda hoje a educação artística emana.
Na educação artística, as propostas modernistas e a terapia psicanalítica foram muito influentes para a projeção das disciplinas artísticas na escola. Deste modo, a arte passou a ser entendida como uma necessidade fundamental para a expressão individual, uma tentativa de empreender a invenção e a descoberta pessoal, bem como uma oportunidade para o indivíduo se distinguir perante um mundo repleto de objetos e de comportamentos estereotipados . Por oposição ao Naturalismo, o movimento Expressionista permitiu renovar métodos e desenvolver mais aspectos da criatividade. Todavia, o sentimento de que as artes estariam a ser instrumentalizadas em favor de aspectos recorrentes da psicologia contribuiu para uma imagem pouco rigorosa do ensino artístico nas escolas públicas.
Durante o Modernismo, a busca incessante pela mudança é visível, por exemplo, nas utopias empreendidas pelos artistas afectos aos movimentos Dada e Surrealista que, no âmago do seu exercício, pela forma de crítica, contestavam a chamada sociedade burguesa. Assim, foram os próprios artistas que providenciaram condições intelectuais que foram muito favoráveis para o desenvolvimento de um ensino liberal e culturalmente exigente. Com a Bauhaus, o fascínio pela natureza intelectual da expressão artística pôs em práticas o seu modelo pedagógico que conjugava a filosofia do movimento Arts and Crafts com os processos de produção e a teoria da percepção visual.
A novidade consistia na possibilidade renovada em fasear o ensino por partes: uma parte consistia no projeto e no desenvolvimento da expressão individual, outra estava reservada ao pensamento crítico. Durante as décadas de 1930 e 1940, o termo “Cultura de Massas” foi amplamente debatido por diversos filósofos como foi o caso de Walter Benjamin ou de Theodor Adorno (2003). A Revolução Industrial e a Cultura de Massas passariam a ser um objectivo premente da sociedade moderna. A cultura foi sendo fragmentada de muitas maneiras, em particular através da produção cultural distribuída por vários media dos sistemas artísticos (pintura, fotografia, filme, design) que, por sua vez, interferiram com o modo de apreciação das obras de arte por parte do público. As décadas de 1950 e 1960 foram decisivas para o debate gerado em torno do sistema artístico, quando a Europa Ocidental servia de palco para inúmeras atividades de teor político que se manifestaram sobre todos os temas sensíveis desse tempo.
A Guerra, a Sexualidade, a Ecologia, os Direitos Humanos, o Feminismo, entre outros assuntos, foram matéria desenvolvida pelos artistas plásticos que, deste modo, procuravam alertar a sociedade para inúmeros problemas e ameaças. Foi, precisamente, o ambiente da Segunda Guerra Mundial e a consequente falência do mundo modernista, preenchidos por um revigorado panorama artístico, que serviram de cenário para a constituição de novos movimentos para o ressurgimento de novas categorias artísticas. Desde logo, romperam-se as convenções, e na Europa, onde se vivia um clima de esperança e de renovação, emergia um novo discurso de grande riqueza cultural em torno da Arte, da Ciência, da Tecnologia, do Ambiente e da Política, entre outros.
Por outro lado, também, o redobrado interesse pelas questões do foro psicossomático, o reconhecimento da arte como instrumento de desenvolvimento cognitivo, a apetência pelos processos criativos levou a que, progressivamente, a arte contemporânea fosse introduzida no âmago do discurso educativo, na medida em que, devido ao seu carácter simbólico, e não só, se prestava, agora mais do que nunca, ao exercício do pensamento artístico. Para além do mais, foi possível imergir novos conceitos dentro do território educativo. A arte como processo, disciplina, bem como as suas qualidades expressiva, filosófica e tecnológica passariam a ser operacionalizadas no ensino artístico.
Na década de 60, Jerome Bruner publicava The Process of Education. Parte do contributo de Bruner reside na transposição que fez dos conhecimentos emergentes da Psicologia Cognitiva e do desenvolvimento intelectual das crianças para o contexto do currículo artístico.
Comparando as primeiras seis décadas do século XX com a década de 70, somos levados a resumir que, em primeiro lugar, as propostas ideológicas centravam a instrução no trabalho colectivo e na criatividade (Dewey, 1980; Read ). Em segundo lugar, a década de 70 assistiu ao desenvolvimento vertiginoso de projetos alternativos, quando emergiu um grande descontentamento social, cultural e político, levando a questionar a instituição artística, com manifesto inconformismo perante os valores e as estruturas vigentes. Certas categorias artísticas, como a arte conceitual , representavam um território alternativo, liberto do sistema comercial, tratando-se de uma prática em que a matéria consistia no conceito, em detrimento da dimensão supérflua do objecto. Os artistas, por sua vez, apelavam ao sentido crítico do espectador, aparentemente “subestimado” e “manipulado” pelos agentes da indústria cultural. No âmago do problema, pretendia-se encontrar respostas para novas orientações e quebrar com as convenções das categorias artísticas, com escasso poder de inovação.
Os anos 70 ter-se-ão constituído como um princípio transformador face à aceitação de novos discursos pedagógicos, onde a prática da reflexão passava a constar dos modelos artísticos. Constituindo-se apenas por uma parte minoritária da cultura moderna, a cultura artística, para além de traduzir as necessidades supérfluas de uma sociedade dita burguesa, através de ferramentas de carácter político, seria mais um produto do mercado capitalista. Por acréscimo, o território artístico expandiu-se vertiginosamente, com a arte conceptual (a Performance e o movimento Fluxus ), entre outras, que foram responsáveis pela introdução do ativismo das artes plásticas no contexto da crítica social. Este foi, pois, outro momento que permitiu ao ensino deslocar-se para o contexto dos massmedia (a fotografia, o filme, a televisão e a publicidade), fazendo exaltar aspectos sociais muito relevantes para a consciência artística junto dos jovens, muito vulneráveis aos excessos da sociedade de consumo.
Em Portugal, não parece ter havido progressos equivalentes aos dos outros países, não obstante terem aparecido propostas inovadoras. No ponto de vista de João Pedro Fróis (2005), o caso português dever-se-á à escassa investigação que se fez sentir no campo da psicologia, da arte e das ciências da educação. A partir da década de 50, e sob a influência de Herbert Read, os aspectos psicológicos inerentes ao ensino do desenho passariam a figurar nos programas escolares. Numa primeira abordagem, Betâmio de Almeida (1976) ensaia uma distinção entre Educação Estética e Educação Artística. Em 1974, observa que a educação visual vem suplantar o paradigma da representação retiniana, postulando, deste modo, a ideia de que perante os princípios da educação estética, educar a visão passaria a ser fundamental.
Acreditando na programação curricular, vê a própria disciplina de Desenho como uma entidade educativa. Betâmio foi protagonista de um pensamento pedagógico que influenciou um tipo de ensino artístico escolar formalista. Nos liceus, até à reforma do Ensino secundário, o ensino da arte dividia-se em desenho geométrico, desenho decorativo e desenho à vista. A partir de 1975, o desenho vai dar lugar à educação visual, centrada em modelos de expressão individual, na análise dos elementos estruturais da obra de arte e, mais recentemente, numa abordagem designada por metodologia do design.
Por seu turno, Efland (1996: 57) sistematiza quatro paradigmas que, ao longo do século XX, definiram a educação artística. O formalista, em que a arte era ensinada através dos elementos da forma e do Design; a expressão individual, em que se exaltava a imaginação; a resolução de problemas, aplicada em casos práticos; a inquirição, em que a arte passa a objecto de problematização crítica. Podemos ainda partilhar do ponto de vista de Rainer Wick (2009) ao concluir que, na sociedade ocidental, o ensino da arte oscilou por entre as demonstrações de poder, a separação de classes e a sociedade do espetáculo, fazendo parte do universo assegurado pelas entidades corporativas, designers e arquitetos.
Helene Illeris (2002), ao afirmar que o ensino artístico relaciona um conjunto de imagens, disciplinas e modelos de representação que são muito influentes para a nossa percepção, designa três estratégias visuais modernas que, na sua opinião, padronizaram a educação artística: a câmara escura, a estratégia subjectiva e a estratégia crítica (Cf. Quadro 1). Neste sentido, à medida que a arte e o ensino se debatem com o desenvolvimento da cognição, da criatividade e da reflexão crítica, os princípios do talento inato e do exercício mimético começam a desvanecer. Em parte, pretende-se demonstrar que a educação estética restitui aos jovens as ferramentas necessárias para analisarem o ambiente cultural e as imagens latentes na publicidade, na arquitetura e na cultura visual. Ao nível da produção cultural, não se deve omitir que as manifestações da cultura e a arte foram aparecendo cada vez mais como agentes do processo de reprodução alargada, numa situação de dependência objectiva face ao mercado.
A verdade é que, em momentos de exacerbada consciência social, o mimetismo nas artes plásticas, não terá sido bem visto. Abriu-se caminho para que uma ideia de estética pós-moderna, inclusiva e pluralista ganhasse terreno nas escolas. Aqueles que defendem o conceito do pós-modernismo reveem nesta espécie de ideologia o fruto de uma síntese de correntes históricas. Com efeito, o pós-modernismo parece ter mobilizado o ensino artístico ao ponto de interligar inúmeros aspectos do desenvolvimento pessoal, ao nível da percepção, dos valores estéticos e da prática instrumental, pondo em confronto referências artísticas mais ou menos ortodoxas, mais ou menos didáticas. Nestes termos, o desenho tem subsistido com muita dignidade, na medida em que apresenta métodos específicos para a comunicação visual. Através das suas dimensões estética e instrumental, o desenho mantém-se vigorosamente implicado em muitos dos aspectos da expressão artística e ocupa novamente uma posição central no ensino da arte contemporânea.
Conceitos emergentes do ensino artístico
Perante a evidência de um mundo repleto de estímulos visuais, mediatizados e reproduzidos mecanicamente, novas prescrições têm vindo a ser introduzidas na educação artística, por parte da filosofia, da psicologia e da terapia psicanalítica. Por exemplo, o modelo pedagógico de Loewenfeld, por oposição à representação objectiva e racional, reclamava a necessidade de um ensino que garantisse a integridade psicológica das crianças, expostas a condições de permanente mudança. Nestes moldes, porém, a educação artística encontrava-se deslocada do campo de estudo da cognição. Só nos anos 70, um renovado fulgor motivado pela crítica social dos massmedia fez ponderar a consciência crítica dos novos meios de comunicação e das imagens visuais. Em causa estava uma nova atitude perante a denúncia das imagens comerciais produzidas pelas sociedades capitalistas.
Podemos argumentar que a investigação realizada em torno da literacia simbólica se apresenta por duas maneiras, nomeadamente, a percepção e a produção. A percepção pressupõe a competência de distinguir o tema, o estilo ou os aspectos técnicos de uma obra. Por percepção entendemos também a crítica da obra de arte ou da imagem visual. A produção concerne a feitura da obra (na qual são necessários processos cognitivos que revelam a aprendizagem e a aplicação das regras dos sistemas simbólicos). São estas duas dimensões que simultaneamente providenciam a literacia visual e produzem conhecimento estético.
Muito recentemente, surgiu por parte da comunidade científica a proposta de um recorrente modelo designado por Arts-in-Education, com base na ideia de que as artes são instrumentalizadas nos sistemas educativos para estimularem o desenvolvimento cognitivo, encorajar o pensamento inovador e, de novo, regular padrões de comportamentos socialmente adequados.
4 Enquadramento Teórico Parte 2
Quadro 1 Paradigmas do ensino artístico
Quadro 2 Conceitos emergentes do ensino artístico
Educação artística e cognição
A Dimensão cognitiva da arte
5 Enquadramento Teórico Parte 3
O compromisso entre a educação artística e a condição pós-moderna
Da arte contemporânea aos novos media
Princípios que regulam o ensino na óptica do progresso: coexistência de abordagens modernistas e pós-modernistas em sala de aula
A obra de arte contemporânea promotora do pensamento
A resistência perante o ensino da arte contemporânea
6 Enquadramento Teórico Parte 4
Desenho, aprendizagem e criatividade. Proposta de métodos e de estratégias face aos conteúdos programáticos e artísticos
A celebração do desenho
A aceitação do desenho por parte da arte contemporânea
O desenho ensina
Criatividade, desenho e indução de operações cognitivas
7 Enquadramento Teórico Parte 5
8 Metodologia Parte 1
Problemática enunciada
As novas experiências requerem novas condições de aprendizagem
Modelo de investigação
Quadro 3 Desenho da investigação
Quadro 4 Metodologia: Investigação-Ação (projeto de intervenção)
Projeto de intervenção
Objetivos da investigação-ação
9 Metodologia Parte 2
Quadro 5 - Objectivos específicos e Conteúdos
Quadro 6 - Organização das atividades da investigação-ação
Caracterização da amostra
Quadro 7 Caracterização dos Sujeitos
Fases da investigação-ação
Fase I Preparação do projeto
Fase II Desenvolvimento/realização
10 Metodologia Parte 3
Fase III Divulgação
Quadro 8 A reciprocidade entre abordagens didática e heurística (Addison; Burgess, 2007)
Quadro 9 As etapas do desenvolvimento intelectual e artístico do adolescente, de acordo com Piaget e Löwenfeld (Dorn, 2010)
Quadro 10 Proposta de atividades adequadas ao desenvolvimento do adolescente, durante a etapa das operações formais (Dorn, 2010)
Quadro 11 - Análise dos resultados com manifesta influência da arte contemporânea
11 Metodologia Parte 4