Fazendo Tinta com Terra

Técnicas de Pintura

1 ORIGEM E DIVERSIDADE DOS SOLOS:

Como os solos são formados na natureza?

As rochas sob ação do clima (chuva, vento e temperatura), com influência do relevo e dos macro e microorganismos (animais e vegetais) e, ainda, durante um determinado período de tempo (centenas, milhares e milhões de anos), vão sofrendo transformações e diminuindo de tamanho. A transformação, também chamada de intemperismo, continua até as partículas do solo alcançarem tamanhos que correspondem às frações areia, silte e argila. Dessa forma são originados diversos solos com muitas características diferentes. Por exemplo, os solos podem ser vermelhos, amarelos, marrons, pretos, cinzas, brancos; arenosos, argilosos, ou de textura média; rasos ou profundos; com ou sem pedras/rochas no interior ou na superfície; secos ou alagados; férteis ou pobres em nutrientes; com diferentes teores de matéria orgânica etc.

Outros solos também são formados a partir de transformações físicas, químicas, biológicas e morfológicas que atuam sobre algum material terroso, oriundo de processos anteriores de desagregação e decomposição das rochas originais. Um exemplo que pode ser citado é o NEOSSOLO FLÚVICO, também conhecido como Aluvial (denominação antiga não mais em uso). São solos formados pela deposição de sedimentos transportados pelos rios e depositados ao longo do tempo nas suas margens, por ocasião das cheias e vazantes. À medida que a rocha sofre decomposição ao longo do tempo geológico, são formadas camadas ou horizontes com características pedológicas (físicas, químicas, morfológicas, mineralógicas e biológicas) diferenciadas.

O atual Sistema Brasileiro de Classificação de Solos - SiBCS (EMBRAPA) compreende 13 Classes Gerais de Solos que, em função de suas características pedológicas, se subdividem em dezenas de outras nomenclaturas.

As 13 Classes de Solos estão descritas resumidamente a seguir:

  1. ARGISSOLOS: solos com horizonte B textural e argila de atividade baixa, conhecidos anteriormente como Podzólico Vermelho-Amarelo, parte das Terras Roxas Estruturadas e similares, Terras Brunas, Podzólico Amarelo ou Podzólico Vermelho-Escuro.
  2. CAMBISSOLOS: solos com horizonte B incipiente, assim também designados anteriormente.
  3. CHERNOSSOLOS: solos escuros, ricos em bases e carbono, anteriormente designados por Brunizem, Rendzina, Brunizem Avermelhado ou Brunizem Hidromórfico.
  4. ESPODOSSOLOS: solos conhecidos anteriormente como Podzóis.
  5. GLEISSOLOS: solos com horizonte glei, conhecidos como Glei Húmico ou Pouco Húmico, Hidromórfico Cinzento ou Glei Tiomórfico.
  6. LATOSSOLOS: solos com horizonte B latossólico que, anteriormente, também tinham a mesma designação.
  7. LUVISSOLOS: solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B textural com argila de atividade alta e alta saturação por bases, anteriormente designados por Podzólico Vermelho-Amarelo Eutrófico Ta, Podzólico Bruno-Acinzentado Eutrófico ou Podzólico Vermelho-Escuro EutróficosTa.
  8. NEOSSOLOS: solos pouco desenvolvidos, anteriormente designados por Litossolos, Aluviais, Litólicos, Areias Quartzosas ou Regossolos.
  9. NITOSSOLOS: solos com horizonte nítico, correspondendo à Terra Roxa Estruturada e Similar, Terra Bruna Estruturada e Similar ou a alguns Podzólicos Vermelho-Escuros.
  10. ORGANOSSOLOS: solos orgânicos, conhecidos anteriormente por Solos Orgânicos, Semi-Orgânicos, Turfosos ou Tiomórficos.
  11. PLANOSSOLOS: - solos com grande contraste textural, estrutura prismática, presença de sódio, anteriormente designados por Planossolos, Solonetz Solodizado ou Hidromórfico Cinzento.
  12. PLINTOSSOLOS: solos com plintita, conhecidos como Laterita Hidromórfica, Podzólicos Plínticos ou Latossolos Plínticos.
  13. VERTISSOLOS: Solos com propriedades provenientes de argilas expansíveis, que anteriormente tinham a mesma designação.

2 PINTURA COM TINTA DE SOLO:

A pintura com tinta de solo oferece aos professores e educadores ambientais a possibilidade de tratar do tema meio ambiente ou ensino do solo de forma motivadora para o aluno ou aprendiz. Isto porque dois dos materiais utilizados - solo e água - são parte integrantes da natureza e estão presentes no dia a dia do público-alvo. O terceiro material, a cola, pode ter sua utilização abordada como o elo que une estes dois importantes recursos naturais, mostrando a dependência de um em relação ao outro: o solo não existe sem a água e vice-versa; e os dois são fundamentais para os seres humanos e a biodiversidade animal e vegetal do planeta. Outro ponto que enfoca a interação do solo com a água é que ele funciona como um filtro que purifica a água da chuva que cai no terreno.

À medida que ela penetra no solo, num processo chamado de infiltração, vai percorrendo o interior das camadas e horizontes do solo. Nesse fluxo subsuperficial as impurezas são retidas nas partículas minerais e orgânicas do solo. Assim, a água limpa fica armazenada no interior do solo e no lençol freático ou, ainda, nos aquíferos profundos e, dessa forma, torna-se disponível para o abastecimento humano por meio das nascentes, dos córregos e dos rios.

Ingredientes para a tinta:

  • Uma lata vazia de tinta de 3,6 litros;
  • Terra argilosa (seis a oito quilos);
  • Água (dez litros);
  • Um quilo de cola branca;
  • Pigmentos como açafrão, urucum, areia ou as diversas tonalidades do próprio solo podem ser usadas para obter a cor desejada.

Observação: não utilizar terra de formigueiro ou cupim.

Modo de preparo:

  • Misture a terra e a água, passe a mistura numa peneira fina, acrescente a cola e misture novamente.
  • Após fazer isso, adicione a cor com a mistura de pigmentos escolhidos.
  • Se você quiser obter uma tinta mais fina, passe a mistura por uma peneira por mais de uma vez.
  • Se quiser uma tinta grossa, a peneira não é necessária.

Além de todas as vantagens ambientais, esse tipo de tinta é cerca de 70% mais barata que a tintaconvencional. Uma lata de tinta cobre de 70 a 90 metros quadrados.