A Psicologia Clínica I

Noções Básicas em Psicologia Social

1 Procura de uma Identidade:

A psicanálise, no âmbito da intervenção clínica, possui especificidades e se orienta pela ética do desejo. Nessa direção, três eixos serão constitutivos a esse percurso de trabalho. Em primeiro lugar, a concepção da constituição psíquica que se realiza em estruturas apoiadas num lastro: o inconsciente. Dessa forma, prioriza as diferentes experiências do sujeito, em torno de um momento específico, a infância, e não sem considerar que a relação ao Outro é o lugar de seu nascimento.

Em segundo lugar, distinto da convencional nosografia psiquiátrica, que se pauta na descrição e enquadramento de sintomas, a psicanálise compreende o processo diagnóstico na referência ao sujeito e ao campo da linguagem; compreende o sintoma no interior de uma economia do gozo e como produto do recalque (dinâmica inconsciente); toma cada sintoma em sua significação inteiramente diferenciada; faz uma discriminação rigorosa entre identidade do sintoma e a identidade dos traços estruturais. A inclusão do sujeito no processo de deciframento do sintoma resgata a dimensão da subjetividade do anonimato em vigência no discurso da ciência.

Em terceiro lugar, atribui grande importância às entrevistas preliminares na constituição das condições mínimas para que ocorra a experiência analítica; o sofrimento, a implicação e a fala endereçada a um outro, na transferência com o psicanalista. O diagnóstico em psicanálise se realiza no marco da transferência.

Por último, encontra um sentido no contrato terapêutico (tempo, dinheiro) e argumenta a posição de objeto do analista (o desejo do analista), que obedece a uma ética. Problematiza a noção de cura e final de análise.

Pensar a clínica psicanalítica significa, também, voltar a análise ao sofrimento contemporâneo, no sentido de pensar os efeitos do discurso social na formação dos sintomas que chegam à clínica e de oferecer uma contribuição à compreensão dos fenômenos na cultura e na atualidade.

 partir do conjunto teórico formulado por Freud, por Lacan e seus contemporâneos, além dos psicanalistas da atualidade:

  • Aprofundar os conhecimentos acerca dos diferentes estruturas e operadores da constituição do sujeito;
  • Compreender o processo diagnóstico como a busca pelo sentido do sintoma (trabalho analítico);
  • Refletir sobre a correspondência da clínica psicanalítica e problemáticas contemporâneas, contribuindo para a atualidade da intervenção psicanalítica;
  •  Ampliar a produção de conhecimentos no campo da teoria e clínica psicanalíticas, viabilizando os fundamentos para o exercício da clínica.

2 Como ocorre a abordagem psicanalítica:

A psicanálise preocupa-se em entender como funciona a mente humana, partindo do princípio de que muitos dos processos psíquicos são inconscientes. Na abordagem psicanalítica, nossas emoções e atitudes são o resultado de fatores dos quais não temos consciência.

O paciente é levado a refletir e se enxergar de outra maneira durante a abordagem psicanalítica. Com o auxílio do psicólogo, durante as sessões de análise, o paciente passa a conhecer melhor a própria mente e a identificar a razão de seus sentimentos, conflitos e emoções.

A pessoa é vista como um todo na abordagem psicanalítica. Não são considerados somente os sintomas e circunstâncias atuais, mas é feito um acompanhamento muitas vezes durante anos, observando o cotidiano do paciente e suas reações diante de várias situações e, também, suas relações interpessoais.

Entendendo o problema e identificando sua origem:

Quando ouvimos falar em psicanálise, logo nos vem em mente o retorno ao passado para entender o presente. Porém, nem sempre acontecimentos vividos na infância ou a influência dos pais têm reflexos diretos em nossas atitudes. É necessário entender o problema e identificar a origem, se remete ao passado ou pertence ao presente e tratá-lo da forma correta, sempre respeitando as condições do paciente em falar sobre determinado assunto.

O tratamento psicanalítico não se propõe somente a tratar de distúrbios psíquicos, mas também é válido para aquelas pessoas que procuram se conhecer melhor e buscam novas perspectivas.

O papel do psicólogo:

Outra associação que fazemos ao pensar em psicanálise é a imagem do paciente no divã em conversa com o psicólogo. Nem sempre é exatamente assim. O paciente senta numa poltrona ou cadeira confortável e fala frente a frente com o psicólogo. Tudo baseado em uma relação de respeito e confiança entre os dois. O diálogo é a principal ferramenta para a abordagem psicanalítica.

O psicólogo leva o paciente a se voltar para dentro e descobrir no inconsciente a razão para seus sofrimentos psíquicos, suas atitudes e sensações. Desta forma, ele colabora para que o objetivo da abordagem psicanalítica seja alcançado. Psicólogo e paciente não precisam necessariamente se tornar amigos. Porém, para o tratamento ser eficaz, é importante que a relação seja próxima, principalmente no que se refere à confiança.

Ajustando comportamentos:

É fundamental que haja sinceridade e disponibilidade por parte do paciente para falar livremente sobre situações de sua vida, seus sentimentos, suas fantasias, sua história. Cabe ao profissional ouvir atentamente e desvendar o que leva o paciente a apresentar certos desequilíbrios.

A partir da identificação da origem de uma determinada emoção ou atitude, inicia-se o tratamento para ajustar o comportamento e, assim, aliviar o sofrimento psíquico do paciente. A terapia leva o paciente, na maioria das vezes, a resultados duradouros e melhora significativamente a qualidade de vida dele.

3 Diferença entre terapia com psicólogo e psicanalista

Como é uma sessão de psicanálise:

1) Terapia psicanalítica

Em primeiro lugar, é preciso fazer uma distinção. Não existe, no Brasil, um curso de graduação em psicanálise. Portanto, você nunca vai encontrar alguém graduado em psicanálise. A formação ligada aos Institutos Internacionais de Psicanálise (IPA) ou os Institutos de linhas como a lacaniana irão formar psicanalistas, tendo em vista alguns critérios.

Para ser psicanalista, em geral, o profissional tem que ser formado em medicina ou psicologia. (Algumas formações aceitam formandos de outras áreas). Porém, apesar de não ser uma graduação, normalmente, uma formação decente durará uns bons anos.

A formação se assenta sob o tripé: estudo aprofundado das teorias, análise didática – o analista faz análise – e supervisão, os seja, o analista é auxiliado por um profissional mais capacitado nos primeiros atendimentos.

Com isso dito, podemos desfazer um primeiro mal entendido. Um psicólogo pode ser psicanalista ou atender dentro do que chamamos abordagens psicoterapêuticas psicodinâmicas. Assim como um psiquiatra (médico especializado em psiquiatria) também pode estudar psicanálise e atender como psicanalista.

O site da Associação Psicológica Americana nos informa sobre este tipo de terapia:

“Terapias psicoanalíticas e psicodinâmicas: “Esta abordagem foca na mudança de comportamentos problemáticos, sentimentos e pensamentos através da descoberta dos seus significados e motivações inconscientes. As terapias de orientação psicanalítica são caracterizadas por um trabalho entre o terapeuta e o paciente (transferência). Os pacientes aprendem sobre si mesmo explorando as interações da relação terapêutica.

Enquanto a psicanálise é fortemente identificada com Sigmund Freud, ela tem sido ampliada e modificada desde as suas primeiras formulações. As terapias psicanalíticas possuem ampla base de pesquisa confirmando a sua eficácia”.

Portanto, a psicanálise – segundo a Associação Psicológica Americana e de acordo com centenas de pesquisas – funciona. Mas como será uma consulta com um psicanalista ou com um terapeuta de linha psicanalítica?

Bem, o padrão é que a análise faça uso do divã. Após algumas sessões iniciais, conhecidas como entrevistas preliminares, o paciente deita-se no divã e o psicanalista senta-se um pouco atrás, de modo que o paciente não vê diretamente o analista.

O tempo da sessão (50 minutos) é utilizado para que o paciente possa dizer o que quiser. O termo técnico é associação livre. Porém, como se sabe, as associações não são livres. O paciente vai falar do que lhe aflite, incomoda, instiga. E, a partir do que disser, o analista irá conduzindo as sessões com interpretações e perguntas.

Importante notar que uma psicanálise não é necessariamente silenciosa, ou seja, o analista não vai ficar calado o tempo todo. Ele ou ela pode ficar mais quieto do que em outros tipos de terapia, mas se o silêncio for total, provavelmente se trata de alguém que não conhece os princípios de interpretação.

Como é uma sessão com psicólogo(a):

Bem, responder essa pergunta faz com que tenhamos que explicar que existem diversas linhas dentro da psicologia. Acima, vimos uma delas: a psicanálise ou psicoterapia psicodinâmica. Podemos explicar a existência de tantas linhas pelo fato de terem sido desenvolvidas em países e culturas diferentes e, também, por terem pressupostos diferentes sobre o melhor modo de estudar o ser humano.

Dada a nossa complexidade, podemos estudar o nosso funcionamento através de uma série de perspectivas: através das doenças mentais, através da saúde, através do corpo, através da fala, através da memória, através da motivação… etc

Abaixo, vou mencionar os tipos de terapia que são descritos pelo site da APA, Associação Psicológica Americana. As sessões duram de 30 minutos a 1 hora e não fazem uso do divã.

2) Terapia Comportamental:

Esta abordagem foca no papel da aprendizagem no desenvolvimento tanto de comportamentos normais como anormais.

Ivan Pavlov fez importantes contribuições para a terapia comportamental ao descobrir o condicionamento clássico ou a aprendizagem por associação. O famoso experimento com os cães, por exemplo, comprovou o condicionamento: após um certo número de emparelhamento, o estímulo do som de um sino foi associado fisiologicamente com o estímulo da comida.

Dessensibilização é uma outra forma clássica de condicionamento. Um terapeuta pode ajudar um cliente com fobia a se expor ao evento que causa-lhe medo para que, aos poucos, o estímulo que antes despertava a ansiedade não mais o faça.

Dois outros importantes pensadores foram E. L. Thorndike e B. F. Skinner que estabeleceram o conceito de comportamento operante: o comportamento é emitido de acordo com eventos anteriores e posteriores. Descobrindo a lógica do funcionamento do que reforça (aumenta) e do que pune (diminui) o comportamento, torna-se possível alterá-lo.

Dentro da terapia comportamental, notamos uma série de variações desde o seu surgimento na década de 1950. Uma variação importante é a terapia cognitiva-comportamental, que foca na mudança de comportamentos como de pensamentos (cognição).

3) Terapia Cognitiva

Segundo a APA, a terapia cognitiva enfatiza o que as pessoas pensam mais do que as pessoas fazem. Os terapeutas cognitivos defendem a tese de que o pensamento disfuncional leva a emoções disfuncionais ou a comportamentos disfuncionais. Portanto, ao mudar os pensamentos que deram origem a emoções e comportamentos negativos, as pessoas podem finalmente mudar.

 

4) Terapia humanista

De acordo com a APA, a terapia humanista enfatiza a capacidade de cada um de decidir racionalmente e desenvolver o seu máximo potencial. O respeito e a consideração pelos outros é também um tema importante.

Filósofos humanistas como Soren Kirkegaard, Jean-Paul Sartre e Martin Buber influenciaram o desenvolvimento da psicologia humanista. Dentro da terapia humanista, temos, por sua vez, 3 tipos de terapia:

Terapia centrada no cliente: rejeita a ideia de que o terapeuta é uma autoridade nas experiênciais internas do cliente (usa-se o termo cliente e não paciente). Assim, os terapeutas conseguem ajudar os seus clientes ao mudar a ênfase de suas preocupações, cuidados e interesses. Criada por Carl Rogers.

Gestalt-Terapia: enfatiza o que chama de organismo total (holístico), através da importância de se estar consciente do aqui e do agora e aceitar a responsabilidade por si mesmo. Elaborada por Fritz Pearls.

Terapia existencial ou existencial-humanista: foca-se na liberdade, na autodeterminação e na busca por sentido. Autores importantes são Abraham Maslow e Viktor Frankl.

5) Terapia holística ou integrativa

Na faculdade de psicologia, aprendemos que é importante definir uma linha de atuação para ser um psicólogo clínico. A vantagem é óbvia: com a especialização aprendemos em profundidade a teoria e a prática de uma abordagem terapêutica.

Entretanto, segundo ainda a Associação Psicológica Americana – que é semelhante ao Conselho Federal de Psicologia, em certo sentido, nos informa que diversos psicólogos clínicos atuam no que é chamado nos EUA de terapia holística ou interativa:

“Muitos terapeutas não se limitam a uma única abordagem. Ao invés, eles ligam elementos de diferentes abordagem e constroem o tratamento de acordo com as necessidades dos clientes”.

Depois de termos visto que existem diversas linhas dentro da psicologia e até que muitos psicólogos podem a vir utilizar mais de uma abordagem para realizar os seus atendimentos clínicos, a questão da diferença entre psicanálise a psicoterapia continua em aberto.

E por dois motivos: primeiro, porque um psicólogo pode também ser um psicanalista. E, segundo, porque teríamos que comparar a psicanálise com cada linha da psicologia – o que tornaria nossa exposição demasiadamente longa.

Uma outra questão igualmente importante para quem estiver escolhendo ou para escolher uma terapia é a lembrança de que a personalidade do terapeuta influi sim no tratamento. Basta lembramos que podemos ir em um oftalmologista para fazer um óculos. Mas mesmo em uma consulta com um oftalm., teoricamente objetiva, pode dar certo ou dar errado de acordo com a interação com a personalidade do profissional.

Portanto, se você não se adaptou a uma terapia, pode ser a linha de terapia que não lhe agradou. Mas, igualmente, pode ser pelo fato de você não ter se adaptado à personalidade do terapeuta, ou seja, não houve empatia.

4 O papel do psicanalista que atua na área clínica

A psicanálise é uma ciência que foi criada por um médico neurologista chamado Sigmund Freud, que a partir das observações constituídas de seus pacientes diagnosticados com neuroses desenvolveu as teorias psicanalíticas de investigação da mente humana seus traumas, fobias, complexos, pulsões, conflitos, transtornos, etc. 

As teorias de Freud, são utilizadas em clínica para a compreensão do que ele denomina de inconsciente, e trazer para o consciente as causas que trazem o conflito gerado no indivíduo para buscar o equilíbrio do ser. Nas clínicas são comumente encontrados casos de neurose graves que são tratadas a partir de métodos com base em antidepressivos, drogas tranquilizantes e outras que minimizam e controlam os sintomas, contudo não os trata.
 

ompreender o diagnóstico e explicar ao paciente de hospitais e centros psiquiátricos o que se passa, para que assim possa tratá-lo ou até mesmo curá-lo com a colaboração dele. Porém, esta tarefa não é fácil, pois os pacientes que estão hospitalizados têm dificuldade em colaborar, por serem tratamentos que podem trazer progressos em um longo prazo, com algumas frustrações que são acontecimentos próprios dos tratamentos psicanalíticos.

Para um bom trabalho do psicanalista clínico é necessária a utilização de vários recursos terapêuticos para que esse processo possa beneficiar mais o paciente. Mas para que estes recursos sejam executados é necessário que a clínica também ofereça as estruturas necessárias para a utilização do psicanalista. A atuação do psicanalista não é tarefa fácil, intervir nos conflitos da mente humana é um trabalho que exige a cooperação de muitos aspectos como o hospital, enfermeiros, métodos utilizados e o ambiente de vivencia do paciente para que o psicanalista conduza o caso de forma correta sempre objetivando a melhora do paciente.