Como funciona a manutenção de equipamentos hospitalares
Manutenção de Equipamentos Hospitalares
1 Introdução
Investir na manutenção de equipamentos hospitalares é benéfico para pacientes, funcionários e gestores na área da saúde.Afinal, aparelhos que funcionam corretamente oferecem segurança em seu manuseio e melhores resultados nos procedimentos.Isso sem falar que contribuem com as finanças do negócio, pois não precisam ser consertados ou substituídos com frequência.
Porém, muitos dos dispositivos utilizados para exames e tratamentos possuem alta tecnologia agregada, exigindo uma atenção mais próxima, cuidados periódicos e específicos.
Importância da manutenção de equipamentos hospitalares
Importância da manutenção de equipamentos hospitalares
As últimas décadas foram marcadas por avanços na área da saúde, que ganhou uma série de novos aparelhos e possibilidades.
É verdade que grande parte deles surgiu do aprimoramento de tecnologias já inventadas, como os dispositivos digitais utilizados em exames de diagnóstico por imagem.
Um exemplo bem conhecido é o mamógrafo digital, que confere maior acurácia às mamografias, detectando pequenos nódulos e microcalcificações sinais precoces de câncer de mama.
Graças a essas e outras vantagens, serviços de saúde adquirem cada vez mais equipamentos médicos.
Hoje em dia, não dá para imaginar uma unidade de saúde sem incubadoras, ventiladores pulmonares, equipamentos para a realização de raio-X, entre outros aparelhos.
No entanto, mesmo os dispositivos modernos perdem em qualidade quando não recebem a manutenção necessária.Mais do que isso, alguns deles podem agravar problemas de saúde, implicando em graves riscos à integridade e até à vida do paciente.
Daí a importância de realizar vistorias e observar o desempenho dos equipamentos,ajustando os quando preciso.
A manutenção de equipamentos hospitalares é parte de um correto gerenciamento das unidades de saúde que atuam em diagnose e terapias.
Inclusive, a manutenção é exigida em legislações do Ministério da Saúde e da Anvisa, como a RDC n.º 2/2010.
A norma afirma que as unidades de saúde devem elaborar e implantar um plano de gerenciamento para equipamentos hospitalares e outros itens, como saneantes, produtos de higiene e cosméticos.
O planejamento deverá ser coordenado por um profissional capacitado tecnicamente e com nível superior, que pode ou não ser funcionário do hospital ou clínica.
Ele estará à frente das etapas de aquisição, implantação, gestão, manutenção corretiva e preventiva dos dispositivos médicos, gerando fichas de acompanhamentos para cada fase.
Assim, será possível rastrear os equipamentos, verificar seu funcionamento e corrigir falhas de forma organizada.
A manutenção preventiva pode ser definida como aquela realizada periodicamente, a fim de garantir o melhor desempenho do aparelho.
O ideal é que a unidade de saúde conte com um Programa de Manutenção Preventiva, com ações contínuas nesse sentido.
Quando bem executado, esse programa evita falhas, riscos aos usuários, trocas ou manutenção corretiva constante, proporcionando segurança e economia para o hospital ou clínica.
Determinar os dispositivos que farão parte das ações preventivas é o primeiro passo para montar um programa eficaz.
Conforme o manual Equipamentos Médico-Hospitalares e o Gerenciamento da Manutenção, editado pelo Ministério da Saúde, os aparelhos devem ser selecionados se estiverem enquadrados em qualquer dos casos a seguir:
- Possui partes móveis que necessitam ajuste ou lubrificação
- Tem filtros que requerem limpeza ou substituição
- Possui bateria que exige troca ou manutenção periódica
- Seu uso pode causar dano ao usuário ou operador
- Precisa ser calibrado constantemente
- Sua paralisação irá comprometer serviços realizados pelo estabelecimento
- Manutenção foi pedida pela administração do estabelecimento.
Como o nome sugere, a manutenção corretiva serve para reparar danos nos aparelhos, a fim de corrigir seu funcionamento.
Assim como tecnologias de outros setores, é comum que os equipamentos hospitalares apresentem algumas falhas esporadicamente, exigindo a manutenção corretiva.
Entretanto, é preciso avaliar a necessidade de troca quando as falhas se tornam constantes.
Dependendo do equipamento, sua paralisação e conserto podem gerar grandes impactos no negócio, interrompendo serviços e sacrificando o orçamento.
Qual a frequência necessária para realizar a manutenção dos equipamentos hospitalares?
Calcular a frequência das ações de manutenção é uma tarefa tão complexa quanto essencial para os estabelecimentos de saúde.
Em geral, é a equipe de engenharia nos hospitais ou uma equipe técnica terceirizada quem determina essa periodicidade.Uma dica é observar as informações disponibilizadas pelo fabricante do equipamento para ter uma ideia dos cuidados necessários.
Também é importante considerar fatores como a frequência de uso, condições de operação e se o aparelho apresenta falhas recorrentes.De acordo com diretrizes da Anvisa, a manutenção preventiva com frequência adequada tem como resultado:
- Equipamento ligeiramente fora de calibração, mas sem ter a operação afetada ou oferecer qualquer risco ao usuário e operador
- Precisando de alguma limpeza
- Leves desajustes, como folgas em uma peça ou outra
- Necessidade de pouca manutenção corretiva
- Não há reclamações do operador da máquina
- Lubrificação e alguns ajustes fazem o aparelho funcionar bem.
2 Guia de manutenção de equipamentos médicos hospitalares
Etapa fundamental do plano de gerenciamento de tecnologias nos estabelecimentos de saúde, a manutenção deve ser pensada de acordo com as características, orçamento disponível e frequência de uso dos equipamentos médicos.
Confira, a seguir, um guia para ajudar na investigação de falhas, ajuste e manutenção dos equipamentos hospitalares, resultando em um melhor desempenho e qualidade do serviço prestado com o auxílio deles.
1. Inspeção geral do equipamento
Comece cada manutenção fazendo uma vistoria para verificar se o aparelho está em ordem e conservado.
Mesmo que a tecnologia seja um tanto obsoleta, o equipamento precisa estar em boas condições de uso.Nesta etapa, preste atenção em cada peça e confirme se há fissuras, partes faltando ou mal encaixadas.
Aproveite para fazer uma inspeção no quesito limpeza, prevenindo a exposição de funcionários e pacientes à contaminação após o contato com o dispositivo.
2. Lubrificação de peças necessárias
Alguns equipamentos e itens hospitalares pedem o uso de óleos lubrificantes para que funcionem adequadamente.
Motores e partes delicadas, como dobradiças e articulações, podem precisar de lubrificantes com mais frequência.Ao elaborar a rotina de manutenção, a equipe ou técnico responsável devem considerar essa especificidade, adquirindo o produto correto para evitar problemas como corrosão e desgaste precoce de peças.
Essas informações costumam estar no manual do fabricante.
3. Teste para verificar o desempenho
Serve para checar se o equipamento está funcionando segundo os padrões mínimos de desempenho e segurança.
Cada tipo de aparelho tem o seu teste específico, que deve ser realizado apenas por profissionais capacitados tecnicamente, seja na unidade de saúde, fabricante ou empresa terceirizada.Caso o desempenho não seja satisfatório, vale verificar se o dispositivo recebeu a lubrificação, limpeza e calibração necessárias.
Calibrar implica em avaliar o desempenho, comparando dados do equipamento com valores gerados por uma unidade de medição padrão.
4. Teste para verificar a parte elétrica
Boa parte das tecnologias utilizadas em hospitais funciona com o suporte de uma corrente elétrica.Portanto, é útil testar se o processo está ocorrendo corretamente, sem riscos para quem manuseia o equipamento.
Assim como o teste de desempenho, a verificação da parte elétrica deve ser conduzida por profissionais habilitados, em um ambiente controlado.Mais uma vez, os procedimentos dependem das características do aparelho em questão.
Descarga interna de energia e tempo de carga máxima são alguns itens testados em desfibriladores, por exemplo.
5. Troca de peças que estejam com a vida útil vencida
Baterias, filtros e outros acessórios costumam pedir trocas periódicas que, quando não realizadas, prejudicam o funcionamento dos aparelhos hospitalares.Verifique, então, se o equipamento tem alguma peça que já ultrapassou a vida útil garantida pelo fabricante, ou seja, que já deveria ter sido descartada.
Embora, algumas vezes, esse descarte pareça um desperdício, a substituição de acessórios danificados ou obsoletos aumenta a eficiência do dispositivo, potencializando a entrega de resultados melhores.
No médio e longo prazo, a troca de peças vai diminuir despesas com manutenções corretivas e facilitar o trabalho dos profissionais do estabelecimento de saúde.
6. Registre as atividades e ações feitas no equipamento médico hospitalar
A legislação brasileira é rígida quanto ao rastreamento dos equipamentos hospitalares, exigindo a documentação de cada procedimento realizado, desde a fabricação até o descarte, incluindo medidas de manutenção preventiva e corretiva.
Isso faz sentido, pois diversas dessas tecnologias apresentam riscos para a sociedade quando não seguem os padrões de segurança.
Um exemplo são os aparelhos utilizados para exames radiológicos, como tomografia e radiografia.
Por emitirem radiação ionizante, precisam seguir medidas de controle durante toda a sua fase de utilização e descarte.
Cuidados gerais com os equipamentos hospitalares
Além da manutenção, alguns cuidados estendem a vida útil e melhoram o desempenho dos equipamentos médicos.
A primeira dica é observar as recomendações do fabricante quanto à calibração, manuseio e limpeza.Citei, acima, que a calibração é uma análise do rendimento dos aparelhos. A partir dela, é possível fazer ajustes para melhores resultados.
Uma correta higienização também contribui para o bom funcionamento dos dispositivos médicos.Em geral, eles requerem processos de descontaminação, que eliminam os microrganismos presentes nas superfícies de maneira parcial ou total.
Já o manuseio envolve cuidados não apenas o uso do aparelho, mas também no seu transporte e movimentação, visando evitar danos às peças.
Comodato de equipamentos hospitalares
Comodato de equipamentos hospitalares como opção para clínicas, hospitais e consultóriosPor melhor que sejam a manutenção e cuidados gerais, há casos em que os equipamentos precisam ser substituídos por novos.
Apesar dos custos envolvidos, há soluções para respeitar o orçamento.Clínicas e hospitais ganham em qualidade e integração com novas tecnologias, como a telemedicina.Essa especialidade utiliza tecnologias da informação e comunicação para viabilizar a emissão de laudos médicos a distância e segunda opinião qualificada.
Para ampliar o acesso a esses serviços, as empresas de telemedicina criaram uma forma de economizar na aquisição de equipamentos hospitalares digitais: o aluguel em comodato.
Basta que o cliente contrate um pacote de laudos médicos por mês para ganhar o direito de usar dispositivos enquanto durar a parceria, sem pagar nada mais por eles.Assim, não é preciso arcar com os custos para compra ou aluguel comum, que podem impactar o orçamento de negócios pequenos ou médios.