OFICINA DE COMUNICAÇÃO

Edição de Vídeo

1 COMO FAZER UM VÍDEO

Produção é a realização de qualquer produto de comunicação em seus aspectos financeiros, técnicos, administrativos e logísticos. O papel do produtor no desenvolvimento desse produtor é fundamental para a realização de um bom projeto, um trabalho de responsabilidade e exigências, não somente com a equipe mas também com relação ao público. O profissional de produção tem um visão ampla do trabalho da equipe, tem um pouco de conhecimento de cada área e é capaz de realizar diversas tarefas, pois ele deve ser capaz de dar auxílio em qualquer adversidade que possa surgir durante a produção, seja a falta de um assistente de áudio ou de iluminação.

Há um ideia geral que o produtor de cinema, teatro e TV tem atribuições diferentes. No entanto, é consenso que a função é essencial para o projeto, ou mesmo que sem ele o projeto não existe. O produtor pode ser executivo – aquele que busca o financiamento– ou mesmo que lide com funções mais operacionais e burocráticas – como conseguir autorizações para locações e de uso de imagem. No desenvolvimento de um projeto, o produtor é o primeiro a dar início à produção e o último a sair. “Na produção para TV e vídeo, na maioria das vezes, é o produtor que supervisionará o projeto do início ao fim, incluindo todo o processo de pós-produção” (KELLISON, 2007, p.215).

Dessa forma, ele está presente em todas as fases da produção. Kellison (2007) divide esse processo em cinco etapas: Ideia (desenvolvimento do projeto), Planejamento (pré-produção), Filmagem ou gravação (produção), Produto final (pós-produção) e Próximas etapas (finalização e distribuição). Já outros autores, como Zettl, dividem esse processo em três: pré-produção, produção e produção, como adotaremos em nosso trabalho.

2 Pré-produção

A fase de pré-produção é composta por um conjunto de providências de produção anteriores ao registro de imagens e/ou sons que serão utilizados na obra. Envolve, conforme o caso, escolha e preparação de equipe, planejamento, arranjos, ensaios, aquisição de material, contração de estúdio e equipamento, levantamento de necessidades, entre outras atividades.

Alguns tópicos que entram nessa fase:

a) Roteiro, pauta, pesquisa
b) Contato com possíveis personagens
c) Orçamento (pessoas, equipamentos, cenário, edição, finalização)
d) Equipamentos
e) Data, local e horário das gravações
f) Disponibilidade de pessoal

 

g) Previsão do tempo
h) Reuniões com equipe para determinar necessidades e indicar o trabalho
i) Autorização de gravação em locais
j) Organizar material que deve ser levado para a gravação
k) Fazer um check lis

Nesta fase, o produtor dá início a organização do projeto. Para facilitar esse processo, usa um Caderno de Produção, um material essencial para o produtor tem sempre em mãos tudo relativo ao trabalho que está desenvolvendo, com todos os detalhes da produção registrados.

Para gravações externas (fora do estúdio), a atenção deve ser redobrada. Para isso, se faz o Reco, um reconhecimento da locação, indo até o local, examinando as características da região. A seguir, algumas sugestões:

a. Examinar a locação
b. Conversar com o pessoal local (moradores, comerciantes)
c. Verificar a posição do sol
d. Trabalhar as possíveis sequências (simulação)
e. Testar a eletricidade (120v/240v)

f. Checar problemas de ruído, possibilidade de alimentação, banheiro, vestiários
g. Tirar fotografias que possam auxiliar o reconhecimento da equipe e para divulgação
h. Fazer um mapa para a equipe (como chegar ao local)
i. Manter contato com os entrevistados (personagens)

Produção

O(s) dia(s) da gravação. Dependendo do produto, a produção pode estar acontecendo ao mesmo tempo da pré-produção e da pós-produção, como é o caso de novelas, em que o tempo é longo entre o início das gravações e o último capítulo. “Com exceção de ensaios, a produção requer normalmente equipamentos e uma equipe – pessoas para operar os equipamentos. Inclui todas as atividades necessárias à gravação em vídeo ou transmissão de um evento” (Zettl, 2011, p.3).

Segundo Kellison, a fase de produção é a filmagem propriamente dita e é papel do produtor fazer com que o planejamentos saia da forma como foi pensado. “Independente do escopo do projeto, os componentes devem estar prontos, e roteirista, diretor, equipe técnica e elenco devem estar preparados para dar vida ao projeto” (2007, p. 185).

Durante essa fase, algumas ações são válidas para facilitar o trabalho de pós-produção:

a) Conferir e levar o check list.
b) Acompanhar a decoupagem do roteiro com a direção.
c) Não esquecer das assinaturas de autorização de uso de imagem.
d) Deixar água e alimentação por perto (caso tenha sido necessário a disponibilização desses).
e) Desenvolver um relatório de gravação.

f) Utilizar claquete (pode adaptar).
g) Já fazer uma pré-decoupagem do material, com anotação do time code.
h) Anotar o número das fitas e identificá-las.
i) Anotar o nome das pessoas que participam, equipe e entrevistados. Cuidado com a grafia do nome das pessoas!

 

3 Pós-produção

Compõe as atividades técnicas de finalização de um trabalho. No caso de filmes, vídeos, comerciais e programas de TV, por exemplo, envolve as providências de finalização, como execução de efeitos de computação gráfica. Em produtos que envolvem comercialização, envolve a produção de cópias, confecção de capas, fotografia, divulgação, lançamento e distribuição. Também é o momento de pagamentos e fechamento de contas. Segundo Zettl, se a produção for realizada somente com uma câmera, o processo de pós-produção ser o que levará mais tempo. Isso com relação a finalização do vídeo, pois, como já especificado anteriormente, ainda há a distribuição e, em alguns casos, o feedback.

Há alguns pontos de facilitarão o trabalho, um deles está relacionado à organização do material gravado (ou filmado). Identificá-lo (como proposto em 3.2) é essencial para que isso aconteça, mas também é preciso saber exatamente o que tem em cada mídia. Para isso, realiza-se o processo de decoupagem. O método consiste em registrar cada cena gravada indicando o time code. Ao fazer isso, será possível localizar rapidamente a cena que se deseja e pedida no roteiro de edição.

 

Comparativo entre as divisões propostas nas fases de produção:

4 Equipe e créditos

Quando se vê um filme no cinema, raramente se fica até o final; momento em que passam os créditos da produção. É nessa enorme lista de nomes e funções que consta as pessoas que participaram e colaboraram de alguma forma para a realização do filme: a ficha técnica. Vejamos algumas das funções que podem constar em uma produção(1) :

I. Elenco: atores e atrizes que trabalharam na produção. Organizado por ordem de importância, aparecimento ou alfabética.

II. Produtor executivo: responsável em fazer cumprir o cronograma traçado previamente, dentro do orçamento e tempo previstos; controlar gastos e coordenar os detalhes técnicos, administrativos e logísticos (Diretor de produção).

III. Diretor: responsável pela criação artística (concepção e execução). Supervisiona o roteirista, comanda e orienta os atores e conduz o trabalho.

IV. Produtor: coordenação dos meios necessários para a realização de um programa. Em cinema, o produtor também é quem financia ou consegue financiamento para a produção.

V. Roteirista: planeja e escreve o roteiro (história).

VI. Diretor de fotografia: responsável pela imagem, nitidez, iluminação e efeitos fotográficos.

VII. Diretor de som: responsável pelo controle e supervisão do som, inclusive desempenho dos equipamento utilizados (Diretor de áudio).

VIII. Cinegrafista/Câmera: operador de câmera (equipamento).

IX. Editor: encarregado de editar, montar, o filme (vídeo), aliando áudio, vídeo, legendas e o que mais a produção exigir.

Nos créditos finais de um filme, muitas outras funções podem entrar nesta lista, como camareiras, motoristas, assistentes e distribuidores, ou seja, todas as pessoas que participaram da produção devem estar nos créditos. Além deles também se pode citar os colaboradores, prestar agradecimentos e finalizar com imagens (logomarcas) relativas a produção e a realização do projeto.

(1) Os nomes das funções variam de acordo com o veículo a que se propõe a produção. Por exemplo, no cinema, o responsável pelo cenário é o Diretor de Fotografia; já na TV, existe o papel do cenógrafo e do iluminador.

5 GRAVAÇÃO

Após conhecer um pouco mais sobre as técnicas de vídeo e como realizar uma produção, é chegada a hora de começar a “pôr a mão na massa”. E como em todos os lugares, deve existir um planejamento prévio, inclusive para a gravação. O roteiro é o guia neste momento. Nele, a equipe saberá quais são as cenas e as sequências pensadas para o produto final. E a partir deles que são traçados os planos a serem utilizados.

Um dos métodos utilizados para que não se perca tempo na hora de gravar é o uso do story-board, que mostra um sequência de desenhos para orientar as gravações. Esses desenhos mostram visualmente como as cenas deverão ser gravadas, determinadas pelas tomadas descritas no roteiro. Com ele, já se pode traçar as planos e movimentos que a câmera fará durante as gravações.

No entanto, para entender a linguagem utilizado no Story-board é necessário saber as nomenclaturas utilizadas. O enquadramento, por exemplo, é quando se delimita a imagem que deverá ser gravada (como se fosse um quadro). Ele é feito de acordo com a percepção visual que se deseja, o que se quer mostrar para o público. Pessoas muito afastadas, pés cortados e placas que não dão para ler, podem ser problemas de enquadramento dependendo da intenção da imagem. Além do propósito, é preciso observar a ‘plasticidade’ das cenas a se obter. Os planos e os movimentos a serem utilizados influenciam nesse enquadramento. Em telejornal, por exemplo, localiza-se o repórter/entrevistado a direta ou a esquerda do vídeo para mostrar o lugar ou pessoas (em um segundo plano). O enquadramento central é mais utilizado em estúdio ou planos mais abertos. Tudo, sempre vai depender dos objetivos do vídeo e da harmonização da cena.

É preciso ainda ficar atento aos objetos que você deseja mostrar, ou seja, se estão na frente ou atrás na imagem enquadrada. É preciso focar nele, destacando ele no cenário. As imagens a seguir foram retiradas de um comercial da Azaléia (2011).

São duas imagens que têm como objetivo mostrar os sapatos utilizados pelas mulheres. Na primeira, até percebe-se que há no cenário outros objetos – como o vaso de flores e a boneca – mas eles estão ao fundo e o foco, na mulher olhando o sapato, o que acaba chamando mais atenção. Já a segunda imagem tem um plano mais aberto o que poderia dispersar mais a atenção do espectador. Como visto, o enquadramento escolhido e o foco da imagem podem interferir na forma como se percebe a cena. Watts (1990, p.230) lista algumas sugestões para um melhor enquadramento:

6 Planos

Os planos são muitos e variados, e o cinema costuma usar e abusar deles. A seguir, alguns planos definidos tradicionalmente, mas não se pode ficar restrito a eles. Para exemplificar os tipos de planos foram utilizadas cenas do filme ‘A Identidade Bourne’. Os conceitos são do Dicionário de Comunicação.

PLANO SEQUÊNCIA: sequência de planos sem corte, ou seja, os planos são alterados conforme a gravação é realizada e não há cortes na edição.

PLANO E CONTRA-PLANO: as imagens são alternadas entre personagens que interagem em cena, como em uma conversa. O enquadramento está em um personagem enquanto ele fala, há um corte e aparece o outro personagem com que ele conversa, em um plano que está oposto ao primeiro.

 

Além de a câmera estar sempre gravando o personagem, também há a possibilidade de se gravar pelo olhar dele, reproduzindo o seu ponto-de-vista. A esse posicionamento, dá-se o nome de SUBJETIVA. Outros enquadramentos são possíveis e capazes de trazer até sensações, como planos feitos de cima para baixo, que podem demonstrar inferioridade, ou de baixo para cima, com a proposta de superioridade.

7 Movimentos de câmera

Os movimentos de câmera são importantes para tirar a monotonia dos quadros parados. Há alguns padrões para os movimentos; mas, assim como para os planos, não há regras para uma gravação e tudo dependerá do que se pretende mostrar no produto final.

 

a) PANORÂMICA (PAN): movimento horizontal contínuo, com a câmera parada no mesmo eixo e se movimento de modo angular, da esquerda para a direita ou vice versa.

b) TILT: uma panorâmica vertical.

c) TRAVELLING: passeio da câmera. A câmera se desloca sem mudar o ângulo

d) DOLLY: o deslocamento da câmera na vertical, no mesmo ângulo, muito comum em cinema, mas praticamente sem uso em telejornalismo.

e) ZOOM IN OU OUT: movimento que é o movimento de aproximação e afastamento, com a câmera parada, diante do objeto filmado.

Equipamentos

Além da câmera, outros equipamentos são utilizados para auxiliar as gravações. Veja alguns deles:

GRUA

ipo de guindaste que traz em sua extremidade uma plataforma na qual são suspensos o câmera e os equipamentos para determinadas tomadas.

DOLLY

além de um movimento, é um equipamento com rodas para facilitar a movimentação da câmera.

TRIPÉ

suporte para câmeras e equipamentos de iluminação. Portátil. Serve para dar estabilidade a imagem. Há diversos outros tipos de equipamentos. Uns até são usados com outros para facilitar mais o trabalho da equipe. Todo equipamento para gravação pode ser comprado ou alugado em lojas especializadas.

8 ILUMINAÇÃO

O mais importante sobre iluminação a se saber é: SEM LUZ NÃO HÁ IMAGEM. Então, essa deverá ser a sua maior preocupação. Ver se o local está iluminado o suficiente para a captação da imagem é o começo para uma boa gravação. A qualidade da imagem também se relaciona com a quantidade de luz disponível – e não só para menos. Muita luz também pode atrapalhar a imagem, o que se chama de imagem ‘estourada’. Nesse caso, o branco fica tão claro que traz a sensação de iluminação excessiva e faz o espectador ‘apertar os olhos’, tentando diminuir a quantidade de luz do vídeo. No entanto, a função da iluminação vai além do ‘iluminar’ o local. Segundo Kellison, ela é uma “O uso da luz cria a atmosfera, o tom, a dimensão e a textura do programa. Ela pode transmitir uma trama, enfatizar elementos‐chave, como cor do cenário ou tom da pele e sinalizar as diferenças entre comédia e drama e realidade e fantasia” (2007, p.198).

Dessa forma, tanto em externas (gravação fora do estúdio) quanto em estúdios e ambientes fechados, deve-se utilizar equipamentos de iluminação, pois ela é capaz de realçar algo, atraindo a atenção do espectador para a parte iluminada; cria ambiente, “luzes brilhantes deixam as pessoas mais alegres, luzes indiretas fazem‐nas sentirem‐se melancólicas” (Watts, 1990, p.196); e transmite a ilusão de profundidade, criando uma imagem mais real.

Equipamentos

Os refletores são os principais equipamentos de iluminação. Eles produzem uma luz direcional e bem definida, que pode ser ajustada de acordo com o efeitos que se deseja, uma lanterna ou mesmo um farol de carro. O controle dessa intensidade é feito por um equipamento regulador, dimmer. Com ele, pode-se manipular cada lâmpada ou mesmo um grupo delas conectadas a ele. Segundo Zettl, não importa se o dimmer é manual ou eletrônico, o princípio básico é o mesmo: permitir que mais ou menos tensão elétrica flua para a lâmpada, aumentando ou diminuindo a intensidade da luz.

A quantidade de equipamentos disponíveis para trabalhar a iluminação do ambiente de gravação é enorme, no entanto, listaremos os mais comuns:

SUNGUN: utilizado na mão ou acoplado à câmera

SPOT: pode ter modelos de diversas potências, é possível focalizar diretamente algo no cenário, portanto, mais direcional.

SOFT LIGHT: produz uma iluminação uniforme. Possui lâmpadas de tubo.

O uso desses equipamentos pode ser em conjunto, utilizando-se vários deles para chegar ao resultado esperado. Muitos Spots são localizados, por exemplo, em cantos estratégicos do estúdio para chamar atenção para algo ou para ambientar o local, trazendo cores (com o auxílio das gelatinas) e compondo o cenário.

GELATINA = Termo genérico para filtros colocados na fonte de luz para criar matizes em determinadas áreas. 

9 Natural e artificial

A iluminação pode ser natural, a do ambiente, ou artificial, aquela produzida com a utilização de refletores. Essas luzes interferem, principalmente, na cor do vídeo, provocadas por conta da temperatura do luz. Segundo Kellison, a luz do dia é mais quente e dá um tom azulado ao vídeo. Ao contrário da luz artificial, considerada fria, que cria um tom amarelo-avermelhado. Assim, a iluminação externa está relacionada ao uso da luz ambiente da rua. Neste caso, é preciso ter atenção durante a gravação, pois o sol muda de posição e, consequentemente, a intensidade é alterada assim como as sombras também mudam de lugar. É possível uso de luz artificial junto a filtros para simular a intensidade da luz externa. A iluminação artificial pode ter a intensidade dura ou suave, criando sobras duras e bem definidas ou sombras amenas. Veja um quadro comparativo:

Iluminação básica de estúdio

Apesar de a iluminação ser mais relacionada ao olhar e percepção do que se deseja, podemos indicar uma iluminação padrão para gravação em estúdio com uma pessoa. Para essa iluminação parecer natural, utilizamos três pontos de luz: luz principal, luz secundária e contraluz. Veja as características de cada uma:

a) Luz principal ou chave: ela é forte (hard ou dura) e traz a imagem (‘revela’ o que se vai mostrar). É localizada próxima a câmera que fará a captação das imagens e traz a luz de cima para baixo.

b) Luz secundária, complementar ou de preenchimento: ela é mais suave que a luz principal (soft) e fica ao lado oposto dela. As sombras criadas pela luz principal são amenizadas com esse foco.

c) Contra-luz: é uma luz dura e forte, fica localizada de um dos lados atrás da pessoa, trazendo a luz de cima para baixo (mas não exatamente em cima do entrevistado, um pouco mais para trás). A contra-luz dá profundidade à cena, já que em TV a imagem é bidimensional, destacando o fundo. Também traz brilho aos cabelos e ilumina dos ombros.

A Iluminação de Três Pontos ou Triangulação Básica de Iluminação é um procedimento usual para entrevistas em que há somente uma pessoa e, segundo Watts, alguns gostam de usar somente luz dura, outras iluminar o fundo mas “todos estes procedimentos são derivados, embora alguns sejam variações que guardam apenas uma pequena semelhança com o esquema básico” (1990, p. 196).

Esquema ilustrado da Iluminação de Três Pontos

Dicas para não atrapalhar sua iluminação

Figurino: evite listras e estampas, elas podem se misturar com o cenário ou chamar mais atenção que a informação.

Luz de cenário: O ideal é que a luz seja suave, a não ser que o contraste seja o resultado esperado

Chromakey

Uma das possibilidades que a iluminação traz é o recurso do Chromakey – para isso, inclui-se também a edição. O efeito consiste em gravar a imagem sob um fundo, tradicionalmente, azul ou verde. Essa imagem deve ser livre de sombras muito difusas, que possam se confundir com a cor de fundo. Durante o processo de edição, essa cor é substituída por uma imagem. Observe a imagem:

No caso, a apresentadora faz o programa no estúdio com um fundo azul. No entanto, quando o espectador vê a imagem na televisão, há um cenário no fundo, inserido no momento da transmissão (caso de programa ao vivo) ou na edição.

10 CAPTAÇÃO DE ÁUDIO

O vídeo sem áudio pode não apresentar aquele tom esperado. Com ele, é possível trazer sentimento a uma cena, a provocar emoções no telespectador. Kellison acredita que a operação de áudio é um processo altamente criativo e que a gravação cuidadosa do áudio durante toda produção pode amplificar o impacto do projeto. Para ela, o que “telespectador ouve influencia o que ele vê” (2007, p.200). Assim, não nenhuma produção é totalmente sem som, até mesmo o silêncio é composto de algum ruído. E para que isso seja feito, há diversas formas de fazer a captação do áudio. No entanto, escolher como será feita essa captação não é tão simples, como plugar o microfone e começar a gravar. “Microfones [...] parecem mais rede de pesca. Eles captam todo o som que estiver ao seu alcance [...] Os microfones, portanto, precisam ser cuidadosamente escolhidos para o seu programa” (WATTS, 1990, p. 201).

Então, dependendo do que se deseja, é necessário conhecer os equipamentos e utilizá-los de forma adequada a cada situação específica, lembrando ainda que somente alguns tipos de microfones são ‘aceitáveis’ em cena – como o de mão, o lapela e os microfones em pedestal.

Equipamentos

A seguir, você encontrará alguns tipos de microfones, uso e sensibilidade de cada um. O modelo (a forma como ele se apresenta) pode mudar.

 

Tipos de microfone pela captação

DIRECIONAIS: Bons para excluir ruídos indesejáveis. No entanto, precisa estar próximo a fonte do som para captá-lo. Podem ser:

 

ULTRADIRECIONAIS: Ótimo para sons frontais em que o microfone não pode aparecer. Excelente para captação de som frontal à distância.

 

Modelos de microfone

Além de escolher o microfone pelo tipo de captação que se deseja, é preciso também atenção ao modelo a ser usado. Alguns modelos são mais adequados para gravações em que o som sai de uma fonte parada; já outros são recomendados para sons com fonte em movimento.

 

MICROFONE EXTERNO DE MÃO

muito utilizado em programas de auditório e matérias de telejornais. Pode ser com ou sem fio e o usuário não pode necessitar ficar com as duas mãos livres. Se for o caso, é preciso o uso de um pedestal (como em shows).

BOOM OU MICROFONE DE VARA

o microfone precisa ficar fora do alcance da câmera, não pode aparecer. É mais comum no tipo ultradirecional.

Sugestões dadas por Harris Watts (On Câmera):

a) Os microfones direcionais (canhão) têm de ser apontados com precisão.
b) Os microfones lavalier (lapela) produzirão ruídos se a pessoa movimentar-se demais.
c) Os microfones de mão requerem prática para serem utilizados.
d) Os microfones sem fio permitem maior mobilidade de movimentos
e) Cuidado com os microfones e suas sombras na cena – mantê-los fora.
f) Grave um minuto do som ambiente
g) Confira os possíveis ruídos do local de gravação e as dificuldades que encontrará para a captação.

11 MONTAGEM DO VÍDEO: EDIÇÃO

A Edição está na fase de Pós-produção de uma produto audiovisual. É nesse momente que o vídeo toma forma, ou seja, que ele é montado da forma como será transmitido para as pessoas. Segundo Barbosa e Rabaça (2001) a edição é 

O mesmo que montagem. Reunião de textos ou cenas já gravados na elaboração de programas jornalísticos, de documentários etc [...]” Montagem -> “Processo de escolha das imagens captadas pelas câmeras, incluindo cortes e efeitos diversos [...] Elaboração final de um programa gravado em videotape (verbete)

Assim, durante a edição, as sequências de imagens são arrumadas de modo a dar sentido; há a inclusão e tratamento do áudio (música, trilha sonora, off); a inserção de efeitos e transições de vídeo e computação gráfica, de créditos e de legendas e o fechamento do material para saída (exibição e cópia).

Estilos de edição

Para trazer sentido, entra o editor durante a fase de pós-produção, que junto com diretores, para tomar decisões sobre como cortar e unir as cenas. “A edição pode manipular o tempo, criar situações de drama, tensão, ação ou comédia. Sem a edição, você só teria peças desconexas de uma ideia flutuando isoladamente em busca de uma conexão” (KELLISON, 2007, p. 233). Assim, a montagem não é algo impensado e depende do roteiro e do que foi gravado. Segundo Kellison (2007, p. 233), as edições podem ser: 

Edição paralela:

dois eventos separados, mas relacionados entre si, parecem estar acontecendo ao mesmo tempo quando o editor entrecorta as sequencias nas quais a câmera muda de uma cena para outra.

Edição de montagem:

oferece muitas informações usando um tempo mínimo. Abusa de planos (tomadas curtas) para representar um ideia ou uma ação.

Edição continuada:

Os personagens são o foco e os cortes são motivados pela narrativa da história (novelas, sitcoms). Tenta trazer realismo, com o uso de cortes correspondentes.

Edição dinâmica:

Cortes rápidos, abruptos e efeitos. Videoclipes, comerciais, programas infantis.

 

Um estilo de edição não exclui o outro, podendo a mesma produção utilizar todos eles.

O ritmo do vídeo: técnicas de edição

Diversos fatores e recursos compõem uma edição e são responsáveis pelo produto final que o espectador irá consumir. Dependendo do que se deseja, utiliza-se uma edição mais ritmada, de acordo com que o que vai mostrando, seguindo o som e produzindo emoções. Essa composição final é que monta a história com princípio, meio e fim – é quando, no final, tudo fará sentido. O off (texto falado por narrador) e a música são incluídos nessa fase e dão a forma do vídeo, no entanto, ainda se pode utilizar outros recursos técnicos na edição. Esse ritmo é levado principalmente pelo áudio, mas os cortes entre os planos devem fazer sentido. Essa mudança pode ser direta e rápida para imagens que não tem relação ou mesmo ser uma continuidade do plano anterior. Assim, pode-se utilizada para sair de uma tomada e entrar em outra:

a) Corte seco: mudança rápida de tomadas.
b) Corte correspondente: corte entre dois ângulos do mesmo movimento ou ação na qual a mudança parece fazer parte da ação.
c) Corte abrupto: dois ângulos semelhantes da mesma imagem unidos, como duas tomadas close-up do mesmo ator.
d) Cutaway: corte como ‘ponte’ entre duas tomadas da mesma ação. Evite saltos de tempo, mudança de locais ou pontos de vista e reduzir a passagem de tempo.
e) Corte em reação: tomada em que o ator apresenta uma reação a algo que acabou de acontecer.
f) Insert: fornece detalhes importantes da cena (close-up, detalhe)

Transições e Efeitos

Mesmo sabendo que hoje a quantidade de possibilidades do uso de efeitos em vídeo é infinita, é preciso utilizar esses recursos com precaução. Muitas transições de vídeo podem tornar as passagens de imagens cansativas a monótonas e o excesso de efeitos pode dar a impressão de que se deseja esconder algo ou tapar buracos nos vídeos, criando os ‘defeitos visuais’.

Há alguns efeitos conhecidos do público que são vastamente utilizados

a) Fusão: imagem desaparece gradualmente e outra aparece e se sobrepõe a anterior.
b) Fade in / Fade out: a imagem vai aparecendo ou desaparecendo gradualmente para uma tela preta ou branca.
c) Wipe: marca a transição de uma cena para outra varrendo da tela a imagem anterior. Pode ser utilizado na vertical ou na horizontal. Deve ser utilizado com cuidado.
d) Tela dividida: a tela fica dividia em partes com cada uma mostrando uma ação que conecta a história.

Edição linear X Edição não-linear

Apesar de muitos já adorarem a edição por computador, ainda há aqueles que utilizam uma edição direta – de VT para VT – utilizando uma mesa de corte. O fato de não utilizar o computador no processo não exclui a possibilidade de uso de efeitos. Uma das características da edição linear que ainda faz ela ser escolhida em algumas produções é o fato de, ao finalizar um projeto, ele estar pronto para ser exibido. Ao contrário da edição não-linear que além de necessitar de uma renderização, precisa ser fechado e dar saída em alguma mídia (ou arquivo, como já fazem algumas emissoras).

Para a edição não-linear, o mercado dispõe de diversos softwares voltados para diversas plataformas. Os programas mais conhecidos para edição e finalização: Windows Movie Maker, Avid, Final Cut, Adobe Premiere, Maya, Pinnacle, DVD Studio Pro, Vegas, entre outros.