Métodos de controle por comportamento
Monitoramento e Controle de Pragas na Agricultura
1 Controle por comportamento:
Os insetos utilizam odores para localização de presas, defesa e agressividade, seleção de plantas, escolha de locais de oviposição, acasalamento, organização das atividades sociais e diversos outros tipos de comportamento. As substâncias químicas usadas na comunicação, em geral, são denomindas semioquímicos (sinais químicos). Os semioquímicos podem ser divididos em: aleloquímicos e feromônios. Os aleloquímicos são substâncias químicas envolvidas na comunicação entre organismos de espécies diferentes. Já os feromônios são substâncias químicas ou misturas destas, envolvidas na comunicação entre indivíduos da mesma espécie.
Formas de utilização de feromônios e aleloquímicos no manejo integrado de pragas:
- Detecção de pragas: o semioquímico é usado para verificação da presença da praga em áreas, onde esta ainda não existe.
Exemplo:
Em 1995, trabalhos de monitoramento, bem como o controle, da mosca da carambola nos Estados do Amapá e Pará utilizando armadilhas com composto ou feromônio sexual, o metil-eugenol.
- Monitoramento de pragas: o semioquímico é usado para verificar se a população da praga atingiu o nível de controle.
Exemplo:
Uso de armadilhas com do feromônio sexual para verificação se há necessidade de controle da mariposa oriental na cultura do pêssego.
Controle de pragas:
- Planta isaca: uso de feromônio em faixas de cultura atrativa á praga instaladas na perideria para atração da praga.
- Coleta massal: coleta de indivíduos através de armadilhas. Utilizado para coleta de bicudo do algodoeiro com feromônio de agregação "blockaide" ou nomate PBW.
- Confundimento: saturação da área com o feromônio sexual, dificultando o acasalamento. Utilizando feromônios sintéticos, reduz-se a probabilidade de encontros e/ou agregação dos sexos e acasalamentos. Em algodão, utiliza-se o "gossyplure" no confundimento da lagarta rosada do algodâo com redução de até 64% na aplicação de inseticidas. Para o bicudo também são utilizados várias iscas embebidas com feromônio "grandllure" para o confundimento de machos.
Uso de aleloquímicos no manejo integrado de pragas :
- Uso de atraentes:
a) Uso como iscas: utiliza-se partes da própria planta hospedeira da praga como atraente para o monitoramento da mesma.
- Moleque da bananeira (Cosmopolites sordidus); Seções de pseudocaule de bananeira em formato de telha ou queijo.
- Broca do olho do coqueiro (Rhynchophorus palmarum). As iscas consistem de pedaços de estirpe de 0,50 m com a parte aparada para baixo. Após alguns dias, colhem-se os besouros alojados, destruindo-os. Para maior eficiência, pode-se tratar a isca com inseticida na base de 4 g/isca.
b) Uso com plantas iscas: utiliza-se plantas que sejam hospedeiras da praga, mas que sejam mais atrativas as pragas que a cultura que está no campo.
Exemplo:
- Planta maria preta versus coleobrocas em citros;
- Abobrinha italiana versus vaquinhas;
- Algodão plantado na entresafra versus bicudo e broca da raiz do algodoeiro.
- Uso como estimulantes alimentares da praga: são substâncias e / ou produtos químicos que estimulam as pragas a alimentarem.
Exemplo:
- Sal de cozinha x percevejos da soja;
- Iscas açúcaradas x moscas das frutas;
- Iscas com farináceos x grilos, mariposas, lesmas e formigas.
- Uso de repelentes às pragas: são substâncias que tornam as plantas menos preferidas ao ataque de pragas.
Exemplo:
- Coloral x pragas que atacam os frutos e sementes de anonáceas.
Interações inseto-planta e resistência de plantas hospedeiras a insetos:
O montante de injúria causado por um inseto a uma planta depende do hábito alimentar do primeiro, o tamanho de sua população e a capacidade da planta de suportar o tipo e a quantidade de injúria infligida pelo inseto. Resistência de planta hospedeira a insetos refere-se a propriedades herdadas e associadas a capacidade da planta hospedeira de debelar ou suportar e recuperar de injúrias causadas por insetos-praga. Assim, resistência de plantas a insetos é uma característica hereditária que possibilita a planta reprimir o crescimento de populações de insetos ou se recuperar de injúrias causadas por populações destes.
Na interface inseto-planta, a inibição do crescimento de populações de insetos fitófagos é geralmente derivada de características bioquímicas e morfológicas da planta hospedeira que afetam o comportamento ou metabolismo dos insetos, atenuando o nível de injúria por eles causado à planta.
Resistência de plantas hospedeiras a insetos:
- Mecanismos de resistência:
a) Não-preferência ou Antixenose:
Não-preferência foi o termo cunhado para descrever o mecanismo, através do qual o inseto evita determinada planta hospedeira. Tal termo foi posteriormente modificado para antixenose. Antixenose significa que a planta é refratária a “visitantes”, ou seja, aos insetos que tentam colonizá-la (seja para alimentação, oviposição, ou abrigo). A antixenose pode ser de natureza química ou morfológica dependendo dos fatores causadores da mesma.
b) Antibiose:
Mecanismo que engloba todos os efeitos fisiológicos adversos, de natureza temporária ou permanente, resultante da ingestão de uma planta por um inseto. Esses efeitos podem ser letais ou subletais.
Os principais sintomas comumente observados são:
1) morte de larvas jovens;
2) crescimento anormal;
3) conversão alimentar anormal;
4) fracasso para empupar;
5) falha na transformação de pupa a adulto;
6) adultos pequenos e/ou mal formados;
7) falha no armazenamento de reservas para dormência;
8) decréscimo de fecundidade;
9) redução de fertilidae e outros comportamentos animais.
São possíveis explicações para esses sintomas:
b.1) presença de substâncias tóxicas;
b.2) ausência ou insuficiência de nutrientes essenciais as pragas;
b.3) desbalançeamento nutricional;
b.4) presença de fatores anti-nutricionais;
b.5) presença de enzimas ou compostos que inibem processos digestivos normais e, consequentemente, a utilização de nutrientes pelas pragas;
c) Tolerância:
Refere-se a capacidade de certas plantas de reparar a injúria sofrida ou produzir adequadamente suportando uma população de insetos a níveis capazes de danificar uma planta mais susceptível.
Tolerância usualmente resulta de um ou mais dos seguintes fatores:
c.1) vigor geral das plantas;
c.2) regeneração do tecido danificado;
c.3) força da haste e resistência ao acamamento;
c.4) produção adicional de ramos;
c.5) utilização, pelo inseto, de partes não vitais da planta;
c.6) compensação lateral por plantas vizinhas.
Observação: Plantas individuais podem ser susceptíveis, enquanto a comunidade de plantas como um todo é tolerante ao ataque de insetos. A soja é um bom exemplo de planta onde há compensação pela comunidade.
Fatores que influenciam a resistência:
Apesar da resistência ser primariamente governada pelo genótipo da planta, elementos físicos e biológicos do ambiente influem sua expressão podendo apresentar profundos efeitos na resistência.
a) fatores físicos: clima, solo, arquitetura da planta e práticas culturais são alguns dos fatores que podem influenciar o ambiente físico da planta. Esses fatores podem influenciar os seguintes elementos alterando processos fisiológicos que determinam a resistência a insetos: temperatura, intensidade de luz, fertilidade e umidade do solo.
b) fatores biológicos: a exemplo de fatores físicos, fatores biológicos também influenciam a expressão da resistência. Os mais relevantes são: biótipos da praga e idade da planta.
- Resistência de plantas e manejo integrado de pragas:
A resistência de plantas como fator único no manejo de pragas tem possibilitado consideráveis sucessos em algumas instâncias. Algumas das principais vantagens deste método são: facilidade de adoção, especificidade, relativa harmonia com o ambiente, persistência, efeito cumulativo, baixo custo e compatibilidade com outros métodos de controle.
Contudo à semelhança dos outros métodos de controle, esta tática apresenta suas limitações, representadas principalmente pelas seguintes: longo tempo para desenvolvimento, limitações genéticas da planta (ausência de genes para resistência), ocorrência de biótipos e características conflitantes (algumas plantas podem apresentar fatores de resistência a alguns insetos que conferem maior susceptibilidade a outros ou mesmo reduzem a produção).
Plantas transgênicas:
A aplicação da biotecnologia na resistência de plantas está ainda em seu início e em plena expansão. O emprego dessa tecnologia em resistência de plantas se baseia na produção de plantas transgênicas (i.e., organismo com gene(s) oriundo(s) de outro organismo), contendo fatores provenientes de outra espécie e que confiram resistência a insetos. Sem dúvida, os resultados mais práticos obtidos até o momento e que se encontram em fase de implantação no país se referem a incorporação de genes de diferentes subespécies e variedades da bactéria Bacillus thuringiensis, que produzem uma toxina muito tóxica a insetos. Essa toxina é produzida por um único gene da bactéria e sua incorporação foi conseguida em fumo, tomate, algodão, milho e batata. As três últimas espécies cultivadas já se encontram em utilização nos Estados Unidos e o milho é a que se encontra em fase mais próxima de utilização no Brasil, o que ainda não aconteceu.
Contudo, a toda tecnologia recente estão associados riscos adicionais, o que não é exceção no caso de plantas transgências e que tem levado a grande controvérsia mundo afora e também no Brasil. Alguns dos principais riscos advindos da utilização de agentes de controle geneticamente manipulados são:
- possibilidade de modificação da planta hospedeira transgênica;
- elevação excessiva da persistência de planta hospedeira transgênica, possibilitando a dispersão delas no ambiente;
- instabilidade genética da planta hospedeira transgênica, aumentando seu potencial de intercâmbio genético, particularmente do gene estranho, com outras plantas produzindo organismos transgênicos não caracterizados;
- aumento da capacidade mutagênica da planta transgênica, podendo trazer consequências imprevisíveis;
- aumento da pressão de seleção sobre pragas-alvo, favorecendo o rápido desenvolvimento de populações resistentes as plantas transgênicas.
Frente a esse novo panorama, velhos dilemas permanecem, sobressaindo-se dentre eles a velha dicotomia das relações CUSTO x BENEFÍCIO advindos do emprego dos diferentes métodos de controle de insetos.
Métodos de controle mecânicos, físicos, genéticos e legislativos:
Na busca por métodos alternativos ao uso de inseticidas, houve uma crescente investigação sobre controle biológico, resistência de plantas, algumas modificações do ambiente de cultivo e outros métodos alternativos menos conhecidos ou de emprego mais limitado, apesar de importantes são os métodos mecânicos, físicos, genéticos e legislativos.
- Métodos mecânicos:
Incluem práticas que envolvem a utilização de barreiras e/ou destruição direta dos insetos. Um vasto número de armadilhas, barreiras e outros dispositivos tem sido usados por séculos no controle de insetos. Se considerarmos a catação, ainda praticada por primatas arborícolas para controle de pulgas e carrapatos, os métodos mecânicos de controle antecedem todas as demais táticas de manejo de insetos.
Alguns métodos de controle mecânicos são apresentados a seguir:
Apanha manual ou catação: refere-se a coleta manual de ovos, larvas ou ninfas e/ou insetos adultos facilmente visíveis. Muito usado em agricultura de subsistência, no controle de pulgas, piolhos e carrapatos, em animais e no controle de cochonilhas em plantas ornamentais de interiores.
Técnica da batida: é usado como forma de controle de insetos em fruteiras, onde são feitas sucessivas batidas no tronco, após colocação de panos ou plásticos sob a copa das árvores para coleta dos insetos caídos com as batidas. É uma técnica utilizada também para amostragem de insetos em culturas anuais como a da soja.
Barreiras: são dispositivos ou práticas que visam impedir ou dificultar o acesso do inseto à planta. Existem diversos exemplos de barreiras usadas na proteção contra insetos que nem sempre são percebidas. Um exemplo são os mosquiteiros normalmente colocados em janelas e portas de residência ou recobrindo berços. Sulcos ou valetas sob solo nu são por sua vez usados contra ataque de gafanhotos e curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes), interrompendo a migração rotineira destes insetos entre campos próximos. Cones invertidos (tipo “chapéu-de-chinês”) ou plástico de saco de adubo são frequentemente presos ao coleto de frutíferas, café e outras plantas para evitar a ação de formigas cortadeiras. O uso de sacaria mais resistente à penetração por insetos é um outro exemplo de uso de barreiras, comumente usado na proteção de produtos armazenados contra insetos.
Impacto: é prática usada em moinhos de farinha para controle de insetos de produtos armazenados. Consiste em máquinas ou dispositivos que lançam os grãos contra um anteparo de maneira a matar os insetos no exterior ou interior dos grãos. Os grãos infestados são abertos e os insetos são expostos e removidos por aspiração ou peneiramento depois de mortos.
Pós abrasivos: a utilização de pós abrasivos baseia-se na remoção da camada de cera da cutícula dos insetos, ocasionando a morte deles por dessecação. Várias substâncias têm sido usadas com esse fim, a exemplo da sílica gel, magnésia calcinada e argilas.
- Métodos físicos:
Método que se baseiam no uso de fenômenos físicos, visando o controle de insetos. Frequentemente os métodos mecânicos de controle são incluídos junto aos métodos físicos, mas ambos estão sendo aqui tratados independentemente. Utilização de temperatura, umidade e radiações eletromagnéticas são os principais agentes físicos de controle com exemplos de utilização prática.
Controle através de manipulação da temperatura: a maioria dos insetos não é capaz de se reproduzir a temperaturas inferiores a 20°C ou superiores a 35°C. Portanto, esses extremos de temperatura podem levar a interrupção da multiplicação de insetos ou mesmo causar a mortalidade destes. A ventilação por exemplo, utilizada com o intento de reduzir a temperatura dos grãos durante a fase de armazenamento. O aquecimento de moinhos e unidades de armazenamento a altas temperaturas (> 50°C) também vem sendo testado nos Estados Unidos como medida de controle de insetos de produtos armazenados.
Controle através de manipulação de umidade: insetos possuem também limites de umidade onde é possível sua sobrevivência e reprodução. O processo de secagem de grãos normalmente feito antes do armazenamento deles é uma medida importante no controle de fungos e algumas pragas de produtos armazenados.
Radiações eletromagnéticas: as faixas do espectro de ondas têm sido usadas para fins de controle de insetos, sendo a faixas do ultravioleta, visível, infravermelho e ultrassom as mais utilizadas para este fim, como será exemplificado a seguir.
a) Insetos diurnos: a manifestação da radiação solar durante o dia se faz através da cor do substrato. As reações dos insetos às diferentes cores são de atratividade ou repelência, o que perrmite que estas seja usadas como meio de controle. O pulgão Myzus persicae, por exemplo, é repelido por radiação ultravioleta ao pousar sobre uma dada superfície como palha de arroz sobre cobertura morta. Já os adultos de mosca branca e mosca minadora são atraídos pela cor amarela, sendo estas cores usadas em armadilhas destinadas a capturar estes insetos.
b) Insetos noturnos: a radiação emitida durante a noite é principalmente na faixa do infravermelho distante, insetos noturnos tem capacidade de detectar comprimentos de onda nesta faixa e assim se orientarem no escuro. Tal orientação, foi constatada na lagarta-da-espiga-do-milho (Helicoverpa zea) tendo inclusive sido desenvolvidas variedades de milho que emitem comprimentos de onda dentro da faixa do infravemelho menos atrativas à esta praga. A cobertura morta do solo, frequentemente usada em cultivos de hortaliças, emite comprimentos de onda na faixa do infravermelho que são atrativos à lagarta-rosca (Agrotis spp.). Infravermelho é também utilizado na detecção de plantas atacadas por insetos através de sensoriamento remoto.
A luz na faixa do visível também afeta insetos de hábito noturno ou vespertino-crepuscular. O fotoperíodo afeta o desenvolvimento de insetos, além de ser um fator desencadeador de diapausa e a própria radiação na faixa do visível poder ser atrativa ou repelente a insetos noturnos. Insetos captam luz principalmente na faixa do ultravioleta e do visível, reagindo principalmente à radiação ultravioleta e à verde, reagindo menos à radiação na faixa do amarelo e vermelho. Armadilhas luminosas por exemplo, utilizadas para amostragem ou mesmo captura de insetos, se baseiam nesta característica. Essas armadilhas possuem lâmpadas que emitem a maior parte de sua energia na faixa do ultravioleta, o que as tornam atraentes a insetos fototrópicos positivos de vôo noturno.
- Métodos genéticos:
Métodos genéticos de controle de insetos, referem-se a uma variedade de métodos através do qual a população de praga pode ser controlada mediante a manipulação de seu genoma ou seus mecanismos de herança. Os mecanismos de controle genético contudo ainda não se mostraram de ampla aplicação. Essas táticas são seletivas e objetivam a redução da população de pragas através da redução do potencial reprodutivo delas, incluindo alguns dos mais inovativos procedimentos do manejo integrado de pragas. Os insetos-praga são utilizados contra membros de sua própria espécie com o intento de reduzir os níveis populacionais, daí estes métodos de controle serem chamados autocidas. Radiações ionizantes além de raios-X e substâncias químicas esterilizantes são os principais agentes esterilizantes usados.
Esse método foi inicialmente apregoado e desenvolvido por E. F. Knipling, entomologista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, ao final da década de 30. Ela foi desenvolvida como uma técnica paulatina de substituição de acasalamentos normais em uma população por acasalamentos inférteis, induzindo a esterilidade dela. Fundamentalmente, o princípio de esterilidade, baseia-se na inundação da população com machos estéreis (em proporções minimas de 10 a 100 machos estéreis para um fértil) os quais buscam fêmeas normais e com elas se acasalam. Esses acasalamentos resultam em ovos inviáveis e a contínua liberação de machos estéreis leva a população ao declínio. Faça a essa proposição, o principal método genético de controle de insetos ficou conhecido inicialmente como a técnica do macho estéril e posteriormente como técnica do inseto estéril.
O principal caso de sucesso de emprego desta técnica foi com o controle da mosca-dabicheira (Cochliomyia hominivorax), que após o sucesso de sua eliminação preliminar da ilha de Curaçao e do sul da Flórida, foi estabelecido um grande programa que culminou com a eliminação da praga do sudoeste americano e posteriormente do México. O sucesso de emprego desta técnica contra essa praga é facilmente traduzido em números, pois mediante um investimento anual de 10 milhões de dólares, uma economia anual de 140 milhões de dólares foi conseguida. Sucessos ao menos parciais também têm sido obtidos em outras circunstâncias como:
- Eliminação de moscas-do-estábulo de St. Croix, Ilhas Virgens (fim da década de 70);
- Moscas das frutas em ilhas do Pacífico e Califórnia (início da década de 80);
- Erradicações locais de mosca tsé-tsé (Glossina palpalis) na África;
- Programas atuais para moscas-das-frutas (Ceratitis capitata) no México e no Hawaí.
- Métodos Legislativos:
Por definição restrita, legislação por si só não se constitui em método de controle de insetos, mas estabelece autoridade estatutária para o engajamento de agências governamentais na limitação da dispersão de insetos ou no tratamento de infestações localizadas e que se configuram em ameaça ao bem estar público. Esses métodos legislativos baseiam-se no conjunto das leis, portarias e decretos, quer federais, estaduais ou mesmo municipais, que obrigam ao cumprimento de determinadas medidas de controle. Alguns importantes exemplos de métodos legislativos de controle são apresentados a seguir.
Quarentena: destina-se à prevenção de entrada de pragas exóticas e de sua disseminação.
Medidas obrigatórias de controle: têm execução determinada por legislação e são de grande importância para algumas culturas como o algodão, onde o estabelecimento de datas-limite para destruição de restos culturais por parte dos produtores tem possibilitado o controle da broca-da-raizdo-algodoeiro, lagarta rosada e do bicudo-do-algodoeiro.
Legislação disciplinadora do uso de agentes ou métodos de controle: a chamada lei dos agrotóxicos, lei nº 7802 de 11 de julho de 1989, veio em substituição a legislação anterior datada de 1934. Dentre as principais características dessa legislação citam-se o disciplinamento do uso de inseticidas e o estabelecimento do receituário agronômico. A atual legislação regulamentadora do desenvolvimento, produção e utilização de organismos transgênicos no Brasil é outro exemplo de legislação disciplinadora de agentes de controle no Brasil. Nessa cas,o com a instituição e assossoramento do Comitê Nacional de Biossegurança (CNTbio).
Controle químico de pragas:
Para o inseticida ou acaricida ser utilizado em determinada praga em uma cultura, ele deve ser registrado nos órgãos competentes para este fim e seguirem critérios técnicos e econômicos. A seguir, estudaremos critérios técnicos a serem adotados na escolha dos inseticidades para controle de determinada praga em uma cultura.
Fatores a serem considerados:
Órgão da planta atacado pelo inseto ou ácaro:
A seguir, é mostrada de forma esquemática uma planta de feijão com os seus órgãos os quais podem ser atacados por insetos e ácaros-praga. Como também a concentração e ação de controle dos inseticidas nos órgãos da planta em função do local de aplicação.
Aparelho bucal da praga:
Basicamente os ácaros e insetos possuem aparelho bucal mastigador e sugador. As pragas sugadoras succionam seiva, já as pragas mastigadoras se alimentam dos tecidos que atacam. Assim, o tipo de aparelho bucal da praga influenciará grandemente a concentraão do inseticida ou acaricida que a praga entrará em contato.
Local de aplicação do acaricida ou inseticida: verifica-se que o local de aplicação, influenciará grandemente a concentração do inseticida ou acaricida que a praga entrará em contato.
Movimentação do inseticida na planta:
Os inseticidas de contato agirão controlando as pragas no local de sua aplicação. Já os produtos de ação translaminar, controlarão insetos e ácaros presentes na face inferior da folha mesmo quando pulverizados na face superior das folhas. Já os produtos de ação sistêmica se translocarão no sistema vascular da planta podendo controlar pragas sugadoras, minadoras em partes da planta em que o produto não foi aplicado. Entretanto, verifica-se que o local de aplicação influenciará grandemente a movimentação do inseticida e acaricida na planta.
Controle químico:
Para emprego do controle químico devem ser realizadas amostragens da intensidade de ataque das pragas à cultura e, este só deve ser empregado quando a densidade das pragas for igual ou superior aos níveis de controle. No emprego de controle químico de pragas de fruteiras, alguns aspectos são importantes como: seletividade de inseticidas, rotação de produtos, uso de espalhante adesivo na calda, emprego de equipamento de proteção individual pelos aplicadores, descarte correto de embalagens, armazenamento adequado dos produtos, prevenção e cuidados para se evitar intoxicações e treinamento dos aplicadores.
Escolha de produtos para controle de pragas:
A escolha de produtos para o controle de pragas em fruteiras deve ser realizada de forma criteriosa. O produto selecionado deve possuir registro no Ministério da Agricultura e liberação pelo órgão estadual pertinente (no caso de Minas Gerais o IMA) para controle da praga na cultura em questão. O número de produtos registrados para controle de pragas de fruteiras cultivadas no Brasil é muito variável. Deve-se também observar se o produto não é fitotóxico à planta, uma vez que sintomas de fitoxicidade podem até mesmo depreciar o valor do produto comercial. Para minimização deste problema, recomenda-se que as aplicações sejam realizadas em períodos do dia de temperatura mais amena. Preferir produtos de menor toxicidade ao homem, com o objetivo de oferecer menores riscos de intoxicação aos aplicadores. Deve ser respeitado o período de carência do produto e tomado todo o cuidado para que não ocorra contaminação de corpos d’água. Também deve se atentar para que as pessoas que manipulem as plantas não sejam intoxicadas, sobretudo durante as operações de podas e colheitas.
Tecnologia de aplicação:
O uso de espalhante adesivo deve ser recomendado nas aplicações por possibilitar maior adesão da calda inseticida ou acaricida a órgãos, cuja superfície é mais cerosa como os frutos. Este uso ainda é mais importante ainda em culturas cujas folhas possuem grande cerosidade como citros e maracujá. A adição de óleo mineral à calda inseticida também pode aumentar a adesividade do inseticida, além de possibilitar bom controle de insetos minadores devido a maior translocação do produto para o interior do mesófilo foliar aumentando a eficiência do controle químico. Deve-se atentar ainda para o volume de calda usado nas pulverizações já que geralmente as fruteiras possuem grande porte e área foliar. O volume de calda varia com a fenologia da cultura, sendo que para a maioria das fruteiras, alto volume de calda é requerido principalmente quando o pomar está em fase de produção devido ao grande porte das plantas.
Uso de inseticidas botânicos:
Uma nova possibilidade de uso do controle químico em programas de manejo de pragas é a utilização de inseticidas botânicos provenientes de extratos de plantas que possuam substâncias com ação inseticida e/ou acaricida. Embora existam relatos, principalmente através do conhecimento popular, que diversas plantas da flora brasileira possuem tais efeitos, é necessário a realização de intensos estudos para viabilização do emprego destas em programas de manejo integrado de pragas.