Entomologia econômica
Monitoramento e Controle de Pragas na Agricultura
1 Pragas:
- Organismos-praga: São organismos que reduzem a produção das culturas ao atacá-las, serem transmissores de doenças (principalmente viroses) e reduzirem a qualidade dos produtos agrícolas.
Conceitos de praga:
- Convencional: um organismo é considerado praga, quando é constatada sua presença na cultura.
- No manejo integrado de pragas (MIP): um organismo só é considerado praga quando causa danos econômicos.
Sistemas de controle de pragas:
- Sistema convencional:
Neste sistema devem ser adotadas medidas de controle (geralmente se utiliza o método químico) quando o organismo está presente, independentemente de outros fatores. O uso deste sistema se deve a falta de informações técnicas sobre manejo de praga para a maioria das culturas, a desinformação dos técnicos e agricultores, a interesses econômicos e a falta de política agrícola centrada em critérios técnicos.
Entretanto o seu uso não promove o controle adequado das pragas, eleva o custo de produção, polui o ambiente e traz problemas a saúde do agricultor e do consumidor.
- Manejo integrado de pragas (MIP):
É um sistema de controle de pragas que procura preservar e aumenar os fatores de mortalidade natural das pragas pelo uso integrado dos métodos de controle selecionados com base em parâmetros técnicos, econômicos, ecológicos e sociológicos. Este sistema também é conhecido como manejo ecológico de pragas (MEP) e manejo agroecológico de pragas (MAP).
- Componentes do MIP:
Estes são: diagnose (ou avaliação do agroecossistema), tomada de decisão e seleção dos métodos de controle (estratégias e táticas do MIP).
- Diagnose:
Neste componente identificamos de forma simples e correta as pragas e seus inimigos naturais.
- Tomada de decisão:
Neste componente tomamos a decisão ou não de usar métodos artificais de controle (químico, biológico aplicado ou comportamental). Esta decisão é baseada em planos de amostragem e em índices de tomada de decisão.
- Seleção dos métodos de controle de pragas:
Os métodos devem ser selecionados com base em parâmetros técnicos (eficácia), econômicos (maior lucro), ecotoxicológicos (preservação do ambiente e da saúde humana) e sociológicos (adaptáveis ao usuário).
2 Tipos de pragas:
De acordo com a parte da planta que é atacada:
- Praga direta: ataca diretamente a parte comercializada.
Exemplo: Broca pequena do tomateiro (Neoleucinodes elegantalis) que ataca os frutos do tomateiro.
- Praga indireta: ataca uma parte da planta que afeta indiretamente a parte comercializada.
Exemplo: Lagarta da soja (Anticarsia gemmatali) que causa desfolha em soja.
- De acordo com sua importância
- Organismos não-praga: são aqueles que sua densidade populacional nunca atinge o nível de controle. Correspondem a maioria das espécies fitófagas encontradas nos agroecossistemas.
Nível de dano (ND)
Ponto de equiíbrio (PE): densidade populacional média do organismo ao longo do tempo.
- Pragas ocasionais ou secundárias: são aqueles que raramente atingem o nível de controle.
Exemplo: Ácaros na cultura do café.
- Pragas chaves: são aqueles organismos que frequentemente ou sempre atigem o nível de controle. Esta praga constitui o ponto chave no estabelecimento de sistema de manejo das pragas, as quais são geralmente controladas quando se combate a praga chave. São poucas as espécies nesta categoria nos agroecossistemas, em muitas culturas só ocorre uma praga chave.
- Pragas frequentes: são organismos que frequentemente atigem o nível de controle.
Exemplo: Cigarrinha verde (Empoasca kraemeri) em feijoeiro.
- Pragas severas: são organismos, cuja parte de equilíbrio é maior que o nível de controle.
Exemplo: Formigas saúvas (Atta spp.) em pastagens.
Consequências do ataque de pragas às plantas:
- Injúrias: lesões ou alterações deletérias causadas nos órgãos ou tecidos das plantas.
As pragas de aparelho bucal mastigador provocam as seguintes injúrias:
- Lesões em órgãos subterrâneos;
- Roletamento de plantas;
- Broqueamento (confecção de galerias no interior de órgãos subterrâneos, caule, frutos e grãos);
- Surgimento de galhas;
- Vetores de doenças;
- Desfolha;
- Confecção de minas (galerias surgidas nas folhas devido a destruição do mesófilo foliar).
As pragas fitossucívoras provocam as seguintes injúrias:
- Sucção de seiva;
- Introdução de toxinas;
- Vetores de doenças (principalmente viroses).
Sendo que ataque de pragas fitossucívoras pode ocasionar:
- Retorcimento ("engruvinhamento");
- Amarelecimento;
- Anormalidade no crescimento e desenvolvimento;
- Secamento;
- Mortalidade;
- Queda na produção das plantas.
- Prejuízos das pragas: queda na produção agrícola causada por pragas.
- Dano das pragas agrícolas: prejuízos causado por organismos fitófagos com densidade populacional acima de nível de dano econômico.
Seleção dos métodos de controle de pragas:
Os métodos devem ser selecionados com base em parâmetros técnicos (eficácia), econômicos, ecotoxicol[ogiscos (preservem o ambiente e saúde humana) e sociológicos (adaptáveis ao usuário).
Os principais métodos usados no controle de pragas são:
- Métodos culturais: emprego de práticas agrícolas normalmente utilizadas no cultivo das plantas objetivando o controle de pragas.
- Controle biológico: ação de inimigos naturais na manutenção da densidade das pragas em nível inferior àquele que ocorreria na ausência desses inimigos naturais.
- Controle químico: aplicação de substâncias químicas que causam mortalidade no controle de pragas
- Controle por comportamento: consiste no uso de processos (hormônios, feromônios, atraentes, repelentes e macho estéril) que modifiquem o comportamento da praga de tal forma a reduzir sua população e danos.
- Resistência de plantas: uso de plantas que devido suas características genéticas sofrem menor dano por pragas.
- Métodos legislativos: conjunto de leis e portarias relacionados a adoção de medidas de controle de pragas.
- Controle mecânico: uso de técnicas que possibilitem a eliminação direta das pragas.
- Controle físico: consiste no uso de métodos como fogo, drenagem, inundação, temperatura e radiação eletromagnética no controle de pragas.
- Método genético: consiste no controle de pragas através do uso de esterilização híbrida.
- Nível de dano econômico (ND): corresponde a densidade populacional do organismo, praga na qual ele causa prejuízos de igual valor ao custo de seu controle.
O nível de dano econômico, embora tomado muitas vezes como um valor fixo, é variável em função dos seguintes fatores:
- Preço do produto agrícola (quanto maior o preço do produto, menor será o nível de dano econômico);
- Custo de controle (quanto maior o custo de controle, maior será o nível de dano econômico);
- Capacidade da praga em danificar a cultura;
- Susceptibilidade da cultura à praga.
Além dos índices como o nível de ação ou controle são usados na decisão de controle de pragas o nível de não-ação.
- Nível de não-ação (NNA): corresponde a densidade populacional do inimigo natural capaz de controlar a população da praga.
Fatores favoráveis à ocorrência de pragas:
- Descaso pelas medidas de controle;
- Plantio de variedades suscetíveis ao ataque das pragas;
- Diminuição da diversidade de plantas nos agroecossistemas (o plantio de monoculturas favorecem as populações das espécies fitófagas "especialistas" e diminui as populações dos inimigos naturais das pragas);
- Falta de rotação de culturas nos agroecossistemas;
- Plantio em regiões ou estações favoráveis ao ataque de pragas.
- Adoção de plantio direto (geralmente há um aumento de insetos que atacam o sistema radicular das plantas);
- Adubação desiquilibrada (as plantas mal nutridas são mais susceptíveis ao ataque de pragas);
- Uso inadequado de praguicidas (uso de dosagem, produto, época de aplicação e metodologia inadequados).
Filosofias ou Sistemas de controle de pragas:
- Filosofia tradicional de controle de pragas: segundo essa filosofia, devem ser adotadas medidas de controle (geralmente se utiliza o método químico) quando o organismo praga está presente, independentemente de outros fatores. Esta filosofia, e o seu uso, se deve entre outros fatos a falta de informações disponíveis para a maioria dos agroecossistemas e a simplicidade de sua adoção por técnicos e agricultores.
- Manejo integrado de pragas (MIP): é uma filosofia de controle de pragas que procura preservar e incrementar os fatores de mortalidade natural, através do uso integrado dos métodos de controle selecionados com base em parâmetros econômicos, ecológicos e sociológicos. ]
- Componentes do MIP: os componentes de um programa de MIP são: diagnose (ou avaliação do agroecossistema), tomada de decisão e seleção dos métodos de controle (estratégias e táticas do MIP).
- Diagnose ou Avaliação do agroecossistema: neste componente procuramos desenvolver atividades de identificação simples e correta das pragas chaves, pragas ocasionais e inimigos naturais-chaves.
- Tomada de decisão: a tomada de decisão é baseada um plano de amostragem e nos índices de tomada de decisão.
Planos de amostragem:
A mostragem é realizada para verificar-se o nível das populações de pragas e dos inimigos naturais nas lavouras. A amostragem deve ser representativa da realidade, barata, rápida (deve-se gastar no máximo uma hora/talhão), de fácil obtenção (o agricultor deve executá-la facilmente) e barata (não deve representar aumento significativo no custo de produção). Para geração de planos de amostragem é necessário estudos intensos em campos de cultivo (lavouras comerciais) para se obter a forma mais adequada de amostragem.
Existem dois tipos de planos de amostragem: os convencionais e os sequenciais. Os planos amostragem convencionais são mais simples e adequados para usuários iniciais. Já os planos de amostragem sequenciais são mais complexos, portanto mais adequados para usuários mais tecnificados e que já empregam a algum tempo planos convencionais de amostragem.
- Plano de amostragem convencional:
O plano convencional é executado por dois grupos de pessoas os pragueiros e os monitores. Os pragueiros normalmente formam duplas (um anotador e um avaliador) e eles são responsáveis para avaliação das intensidades de ataque das pragas e densidades de inimigos naturais nos talhões.
Já os monitores são responsáveis pelo processamento dos dados coletados pelos pragueiros, calculando a intensidade média de ataque das pragas nos talhões como também as densidades de inimigos naturais. O monitor decidirá em que talhões é necessário a realização de medidas artificiais de controle. Também o monitor é responsável pela fiscalização do trabalho dos pragueiros.
Os componentes de um plano de amostragem convencional de amostragem são:
a) Dividir a área em talhões: mesmo genótipo, idade, espaçamento, sistema de condução, tipo de solo e topografia.
b) Tipo de caminhamento: o caminhamento representa a forma de deslocamento para se fazer a amostragem.
Os retângulos correspondem a um talhão a ser amostrado. Já as linhas dentro do retângulo representam a forma de caminhamento no talhão para coleta das amostras. A forma de caminhamento mais usada é a em pontos distribuídos de forma regular ao longo do talhão.
c) Amostras: as amostras representam a unidade de avaliação da praga ou inimigo natural. Pode ser uma área de avaliação, uma planta ou parte da planta (caule, folha, fruto, flor, etc.).
d) Técnica de Amostragem: é a forma de obtenção das amostras, estas podem ser por:
- Contagem direta da população do inseto.
- Uso de aparatos como armadilhas, bandejas, pano de batida, lupa, etc.
e) Número de amostras/talhão: nos planos convencionais de amostragem é fixo o número de amostras/talhão.
f) Época e Frequência de Amostragem:
A amostragem deve ser realizada com maior frequência em períodos de maior incidências das pragas e de maior suscetibilidade da cultura. Geralmente em culturas anuais, hortaliças e ornamentais as amostragens são realizadas semanalmente. Já em culturas perenes as amostragens são realizadas quinzenalmente em períodos de maior incidências da praga e mensalmente em períodos de menor incidência.
Como exemplo mostrado a seguir, de um plano convencional para amostragem de pragas de soja no Brasil.
- Plano sequencial de amostragem:
O plano sequencial de amostragem executado por apenas um grupo de pessoas que no campo avaliam e tomam decisão de controle. Os planos sequenciais são mais representativos de cada talhão e economizam de 50 a 70% do tempo, custo e mão-de-obra. Entretanto esse plano de amostragem requer usuários mais tecnificados.
Os planos sequenciais tem os mesmos componentes do plano convencional, com exceção ao número de amostras que é diferente em cada talhão e a tomada de decisão que é por faixas de decisão (não controle, continuar a amostragem ou execução de controle).
A seguir, são reladas particularidades dos planos sequenciais de amostragem:
- O número de amostragem a ser realizado é variável de tal forma a garantir uma boa precisão da amostragem.
- Para tanto, são confeccionados tabelas que possuem três colunas: a primeira contém o número de amostras, a segunda o limite inferior e na quarta coluna o limite superior, sendo que estes dados já vem anotados nesta tabela. Na terceira são anotados de forma acumulativa os dados provenientes das amostragens (Tabela 2).
- Se a unidade amostal está atacada pela praga ela recebe nota “0” e se ela está atacada recebe nota “1”, sendo que estes dados são anotados de forma acumulativa.
- Se a população da praga for menor ao valor do limite inferior, a decisão é de não controlar a praga.
- Se for maior ou igual ao limite superior, a decisão será a de controlar a praga.
- Se o valor for intermediário entre os limites inferior e superior, deve-se fazer mais amostragens até que esta caia em uma das duas situações anteriores.
- Se na última linha da tabela o valor obtido das anotações acumulativas é ainda intermediário ao limites inferior e superior, deve-se em um período próximo reamostrar este talhão.
- Índices de tomada de decisão de controle:
Deve-se tomar decisões de controle artificial quando: a população da praga é alta (acima do nível de dado ou do nível de controle) e a população dos inimigos naturais é baixa (abaixo do nível de mão ação).
- Seleção dos métodos de controle de pragas:
Os métodos devem ser selecionados com base em parâmetros técnicos (eficácia), econômicos, ecotoxicológicos (preservem o ambiente e saúde humana) e sociológicos (adaptáveis ao usuário).
Os principais métodos usados no controle de pragas são:
- Métodos culturais: emprego de práticas agrícolas normalmente utilizadas no cultivo das plantas objetivando o controle de pragas.
- Controle biológico: ação de inimigos naturais na manutenção da densidade das pragas em nível inferior àquele que ocorreria na ausência desses inimigos naturais.
- Controle químico: aplicação de substâncias químicas que causam mortalidade no controle de pragas.
- Controle por comportamento: consiste no uso de processos (hormônios, feromônios, atraentes, repelentes e macho estéril), que modifiquem o comportamento da praga de tal forma a reduzir sua população e danos.
- Resistência de plantas: uso de plantas que devido suas características genéticas sofrem menor dano por pragas.
- Métodos legislativos: conjunto de leis e portarias relacionados a adoção de medidas de controle de pragas.
- Controle mecânico: uso de técnicas que possibilitem a eliminação direta das pragas.
- Controle físico: consiste no uso de métodos como: fogo, drenagem, inundação, temperatura e radiação eletromagnética no controle de pragas.
- Método genético: consiste no controle de pragas, através do uso de esterilização híbrida.
3 Identificação dos principais grupos de pragas:
Principais grupos de pragas agrícolas:
- Lesmas e Caracóis:
Os caracóis ou caramujos possuem concha, enquanto as lesmas não possuem. Estas pragas atacam plantas principalmente em ambientes úmidos e ricos em palhada como ocorre em cultivos de plantio direto. Eles provacam desfolha e causam mortalidade das plantas reduzindo a população de plantas principalmente em culturas em fase inicial.
- Ácaros:
Eles são de tamanho pequeno (para vizualizá-los é necessário o uso de lupa com aumento de pelo menos 10 vezes), quatro pares de pernas e sugam o conteúdo das células das plantas. As folhas atacadas por ácaros ficam retorcidas (“encarquilhadas”), com coloração alterada e com pontuações esbranquiçadas. Os principais grupos de ácaros-pragas de plantas são: os ácaros vermelhos, os ácaros brancos e os microácaros.
- Ácaros vermelhos (Figura 2A):
Eles possuem corpo ovalado, coloração avermlhada, produzem teia e geralmente possuem duas manchas escuras de cada lado da parte dorsal de seu corpo. O ácaro rajado é uma espécie de ácaro vermelho que possui as manchas escuras bem evidentes.
- Ácaros brancos (Figura 2B):
Eles possuem corpo em formato de pera, coloração clara e não produzem teia. Duas de suas pernas estão no início de seu corpo e as outras duas no meio de seu corpo.
- Microácaros (Figura 2C):
Eles possuem corpo em formato de alongado e apenas dois pares de pernas aparentes.
- Insetos:
As principais características dos insetos são: corpo dividido em três partes, pernas e antenas articuladas, exoesqueleto, simetria bilateral, circulação sanguínea (hemolinfa) livre, sistema respiratório formado por tubos que atingem a parte externa do corpo por orifícios, um par de antenas, três pares de pernas, desenvolvimento por metamorfose e asas geralmente presentes nos adultos. Na Tabela 3, estão listadas as características das ordens dos principais grupos de insetos-praga de plantas.
- Lepidoptera:
Seus adultos são chamados de mariposas (noturnos e de cores não aparentes - Figura 3A) ou borboletas (diurnos e de cores vistosas - Figura 3B), possuem asas membranosas com escamas e aparelho bucal sugador. Suas larvas são chamadas de lagartas e possuem cabeça visível, três pares de pernas no início do corpo e pernas no final do corpo (Figuras 3C,3D e 3E). Eles são pragas na fase de lagartas que possuem aparelho bucal mastigador.
As lagartas podem ser de três tipos básicos de pendendo do número de pseudopatas: lagartas (com quatro pares de pseudopatas - Figura 3C), lagartas falsa-medideiras (com dois pares de pseudopatas - Figura 3D) e lagartas medideiras (com um pare de pseudopatas - Figura 3E).
- Besouros (Coleoptera):
Seus adultos são chamados de besouros, seu primeiro par de asas é endurecido (élitro). Suas larvas possuem cabeça visível, três pares de pernas no início do corpo ou não. Eles são pragas tanto na fase de larva como na fase adulta e aparelho bucal mastigador.
Os principais grupos de besouros pragas são:
- Vaquinhas: os adultos geralmente possuem corpo colorido, antenas visíveis e causam desfolha (Figura 4A). Suas larvas são finas, esbranquiçadas e possuem três pares de pernas e geralmente atacam órgãos subterrâneos principalmente raízes (Figura 5A).
- Bicudos: os adultos possuem um prolongamento no ínicio da cabeça (“rostro) (Figura 4B). Suas larvas são esbranquiçadas e não possuem pernas visíveis (Figura 5B).
- Carunchos: possuem um prolongamento no ínicio da cabeça menor que dos bicudos e suas asas não cobrem totalmente o abdome (Figura 4C). Suas larvas são semelhantes as dos bicudos.
- Serra-pau: os adultos possuem antenas muito longas (Figura 4D). Suas larvas são esbranquiçadas, possuem o início do corpo dilatado e broqueiam caule de árvores (Figura 5C).
- Corós: os adultos são escuros, possuem antenas pequenas, o primeiro par de pernas é própria para escavação e algumas espécies a cabeça possuem projeções semelhantes a chifres (Figura 4E). Suas larvas são esbranquiçadas, possuem formato de “C”, final de seu corpo é dilatado e elas atacam órgãos subterrâneos principalmente raízes (Figura 5D).
- Larva arame: os adultos são escuros, possuem corpo fino, dois espinhos no final da cabeça e quando os seguramos ao tentarem fugir emitem som semelhante ao estálo de dedos (Figura 4F). Suas larvas são finas, amarronzadas e atacam órgãos subterrâneos principalmente raízes (Figura 5E).
- Formigas (Hymenoptera):
Vivem em colônias e são pragas na fase adulta. As formigas podem ser pragas (formigas cortadeiras) ou inimigos naturais (formigas predadoras). As formigas cortadeiras têm coloração amarronzada e no topo de sua cabeça possuem uma reentrância pronunciada (Figura 6A e B). Já as formigas predadoras têm diversas colorações e a reentrância no topo de sua cabeça não é profunda (Figura 6C).
As principais formigas cortadeiras são:
- Formigas saúvas: estas formigas pertencem ao gênero Atta, possuem ninhos com grande quantidade de terra solta e três pares de espinhos no seu dorso (Figura 6A).
- Formigas quém-quéns: estas formigas pertencem ao gênero Acromyrmex e possuem quatro pares de espinhos no seu dorso e seus ninhos são pequenos (Figura 6B).
- Moscas (Diptera): as moscas-praga de plantas na fase adulta, possuem um par de asas membranosas e aparelho bucal embebedor. Suas larvas são vermiformes (sem cabeça e patas aparentes - Figura 7E).
Os principais grupos de moscas pragas de plantas são:
- Mosca minadora: os adultos são pequenas moscas (mm) de coloração preta com manchas amarelas (Figura 7A). As larvas confeccionam minas finas e serpenteadas (parecem com serpentes) nas folhas (Figura 7B).
- Moscas das frutas: os adultos são moscas que possuem desenhos em formatos de “S” e “V” nas asas. Estas moscas pertencem a dois gêneros: Anastrepha e Ceratitis. As moscas do gênero Anastrepha são chamadas de moscas-das-frutas sul americanas, devido a sua origem e possuem coloração amarronzada (Figura 7C). Já as moscas do gênero Ceratitis (a espécie de importância é Ceratitis capitata) são chamadas de moscas-das-frutas do mediterrâneo, devido a sua origem e o tórax escuro (Figura 7D). Suas larvas são pragas de praticamente todas as frutas (Figura 7E).
- Percevejos (Hemiptera):
Os percevejos na fase adulta têm o primeiro par de asas com a parte inicial dura e a parte final mole (hemiélitro). Eles possuem aparelho bucal sugador e causam danos às plantas tanto na fase adulta como na fase jovem (ninfas).
- Homoptera: este grupo possui aparelho bucal sugador e são pragas tanto na fase adulta como na fase jovem (ninfas) sugando a seiva da planta, sobretudo nas partes mais novas.
Os principais grupos de homópteros pragas de plantas são:
- Cigarras: os adultos possuem asas membranosas transparentes e os machos cantam para atrair as fêmeas (Figura 9A). Na fase jovem (ninfas) atacam as raízes das plantas (Figura 9B).
- Cigarrinhas: os adultos são coloridos, pequenos e possuem o primeiro par de asas semelhantes às asas de baratas (tegminas) (Figura 9C).
- Psilídeos: os adultos são semelhantes às cigarrinhas com suas asas dispostas de forma semelhante ao casco dos navios (Figura 9D).
- Cochonilhas: estas pragas geralmente não possuem asas.
Os principais grupos de cochonilhas pragas de plantas são:
a) Cochonilhas de escamas: estas cochonilhas geralmente estão fixas na planta e parecem com escamas, vírgulas, cabeças de prego ou verrugas (Figura 9E).
b) Cochonilha Ortézia: esta cochonilha possui (até mm) corpo alongado branco. Elas têm duas faixas escuras na cabeça e um saco cheio de ovos (ovisaco) na parte final do corpo (Figura 9F).
c) Cochonilhas de farinhentas: esta cochonilha possui (até mm), corpo branco recoberto por camada farinhenta. Elas têm na parte lateral do corpo projeções semelhantes a cerdas. Estas cochonilhas atacam tanto a parte aérea, como as raízes das plantas (Figura 9G).
- Pulgões:
A maioria dos indivíduos não possuem asas e possuem o corpo ovalado (Figura 9H). Os poucos indivíduos com asas em uma colônia são responsáveis pela dispersão da praga e possuem dois pares de asas menbranosas e transparentes (Figura 9I).
- Moscas brancas:
Seus adultos tem asas recobertas por pulverulência branca e geralmente atacam as partes apicais das plantas (Figura 9J). Já suas formas jovens (ninfas) são esverdeadas, parecem com cochonilhas de escamas e ficam fixas na face inferior das partes baixeiras e mediana das plantas (Figura 9K).
- Tripes (Thysanoptera):
Os adultos (0,5 a 13 mm de comprimento) possuem asas franjeadas e aparelho bucal sugador (Figura 10A), enquanto as formas jovens (ninfas) não possuem asas (Figura 10B). Quando observados a campo nas amostragens realizadas pela batida de ponteiros de plantas em bandejas plásticas brancas, eles se parecem muito com um grupo de insetos recicladores da matéria orgânica os colêmbolas. Entretanto, os colêmbolas possuem maior tamanho e antena maior que os tripes (Figura 10C).
- Orthoptera:
Os ortópteros mais importantes são os grilos e os gafanhotos, ambos possuem o último par de pernas saltatória e na fase adulta seu primeiro par de asas é semelhante a asas de baratas (tegminas). Os grilos possuem coloração escura e as asas dos adultos quando em repouso assumem posição horizontal (Figura 11A), eles tanto na fase jovem (ninfas) (Figura 11B) como adulta atacam plantas pequenas cortando-as rente ao solo. Já os gafanhotos possuem diversas colorações e as asas dos adutos, quando em repouso assume uma posição inclinada (Figura 11 C). Tanto os adultos com a fase jovem (ninfas) (Figura 12 D) dos gafanhotos causam desfolha as plantas.
- Cupins (Isoptera):
Possuem aparelho bucal mastigador, dois pares de asas membranosas iguais e metamorfose gradual. Alimentam-se de celulose das raízes das plantas, madeiras e húmus. São insetos sociais e vivem em ninhos com um ou mais casais de formas sexuadas (reis e rainhas).
Anualmente, produzem formas sexuadas (alelúias) que através de revoadas, instalam novos ninhos. No interior de um ninho existem operárias e soldados que executam tarefas diferentes. Os ninhos podem ser construídos no solo, subsolo, árvores ou madeiras. Os cupinzeiros construídos na superfície dos solos diminuem a área útil das culturas e dificultam os tratos culturais. As espécies-praga de plantas causam problemas nos estádios iniciais das culturas devido à redução dos estandes, sobretudo na região de cerrado Figura 12).
Fatores que afetam o ataque de pragas às culturas:
- Inimigos Naturais:
A ocorrência de inimigos naturais tem grande efeito na redução de populações de insetos-praga às culturas. Assim, a preservação e aumento das populações de inimigos naturais causam grande redução do ataque de pragas às culturas.
- Planta Hospedeira: uma cultura conduzida dentro de padrões técnicos adequados faz com que a planta tolere maiores ataques de pragas e possibilita que a planta ative todo seu sistema de defesa contra às pragas.
Elementos Climáticos:
- Temperatura do Ar: em temperaturas mais elevadas, geralmente é maior o ataque de pragas devido a sua maior reprodução e a aceleração do seu ciclo de vida.
- Chuvas: em épocas chuvosas geralmente é menor o ataque de pragas, pois a chuva é o principal causador de mortalidade dos insetos em regiões tropicais e subtropicais devido: ao impacto mecânico de suas gotas sobre os insetos (principalmente os de pequeno tamanho), além de umidades mais elevadas favorecerem a ação dos fungos que são inimigos naturais das pragas.
- Ventos: o vento também afeta o ataque de pragas às culturas, devido ele ser um dos principais veículos de dispersão dos insetos.