Gestão ambiental e sustentabilidade
Auditoria e Perícia Ambiental
1 Gestão Ambiental E A Perspectiva Pública
Gestão Ambiental Doméstica
Chegamos a mais um importante tema do nosso estudo: a gestão ambiental doméstica. Aqui não temos desculpas, não podemos dizer que a chefia não apoia, que os colegas não colaboram, que isto ou aquilo. A gestão da nossa casa depende de nós, certo? Neste tópico apresentamos dados de um trabalho realizado, no primeiro semestre de 2008, pelos alunos do Curso de Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na disciplina de Gestão Socioambiental em Empresas. Estes dados e mais informações estão disponíveis no site .
Veja como existem alternativas simples para tornar a nossa casa mais sustentável. Você já imaginou se os nossos amigos, os nossos vizinhos e a nossa comunidade fizerem o mesmo? Pode parecer pouco, mas quando muitas pessoas fazem pequenas coisas, o resultado é muito grande.
Além disso, ações eficientes realizadas em casa podem ser levadas ao ambiente de trabalho. Afinal, cabe, principalmente aos líderes de empresas públicas e privadas, disseminar práticas que gerem bons resultados, além de cumprirem seu papel de formadores de opinião.
Consumo de Água
Em 2003, a Organização das Nações Unidas oficializou o dia 22 de março como o Dia Mundial da Água, com o objetivo de chamar a atenção da população mundial sobre os problemas relacionados ao consumo de água potável. As campanhas realizadas salientam que 97,5% da água do planeta é salgada, compondo os oceanos e mares. A água doce corresponde a 2,5%, sendo que 2,493% estão em geleiras ou aquíferos, de difícil acesso, e apenas 0,007% estão disponíveis em rios, lagos e na atmosfera, água de fácil acesso para o consumo humano. Fácil acesso? Nem sempre, pois existe abundância de água doce na Amazônia, mas de difícil acesso para a região sudeste, onde há uma grande concentração habitacional. Portanto, os 0,007% de água doce disponíveis nem sempre estão próximos dos locais de consumo.
Nosso planeta possui muita água, mas pouquíssima está disponível para o nosso consumo.
Vamos continuar usando o termo “consumo” de água, consagrado para expressar o uso da água em qualquer atividade. É importante perceber que, quando nós tomamos banho, damos descarga no vaso sanitário ou lavamos o carro, não estamos consumindo água, mas apenas “utilizando” água potável. Esta água será devolvida para o subsolo ou para os rios, geralmente contaminada, suja, não potável. Em outras palavras, nós não consumimos água, apenas a usamos, devolvendo-a mais suja para o meio ambiente. Lembra do ciclo da água que você estudou na escola? Pois é disto que estamos falando: retiramos a água de uma fonte para uma finalidade e depois a devolvemos para a natureza. A água que evapora vai para as nuvens e volta na forma de chuva.
Segundo a ONU, uma pessoa precisa de 100 litros de água doce por dia. A média no Brasil é de 200 litros/dia, por pessoa e nos Estados Unidos é de 300 litros. Estima-se que, atualmente, 1 bilhão de habitantes não possuem a quantidade mínima e que em 2050 a escassez atingirá 45% da população mundial.
O consumo de água aumentou não apenas nas residências, mas os setores agrícola e industrial são intensivos no uso da água. Para produzir um litro de cerveja consome-se entre 4 e 10 litros de água potável, e para 1 litro de leite o consumo pode chegar a 20 litros. Para produzir carros, computadores, móveis ou qualquer outro produto, utiliza-se uma grande quantidade de água.
Apesar da pouca água disponível para consumo e das previsões, em algumas regiões do Brasil existe um desperdício de cerca de 40% da água captada pelos órgãos responsáveis pela distribuição, ou seja, de cada 100 litros captados, 60 litros são comercializados e os demais são perdidos no processo de tratamento e distribuição. Além disso, outro fator agravante são os períodos de seca enfrentados pela população em algumas regiões brasileiras.
Diante disto, é necessário analisarmos o consumo doméstico e as medidas que podem ser adotadas visando à otimização do uso deste nobre produto. Foram identificados os pontos de consumo em uma residência, estimado o consumo e apresentadas sugestões de economia. Devido à pressão da água ser geralmente maior em edifícios do que em casas, o consumo costuma ser maior em apartamentos.
Chuveiro
A vazão do chuveiro varia de 6 a 25 litros por minuto.
• Consumo: Para chuveiros com aquecedores de água a gás, um banho de 15 minutos, com registro meio aberto, gastará 135 litros (casa) ou 243 litros (apartamento), devido à pressão da rede de água, que é maior em prédios. Se o chuveiro for elétrico, o consumo será de 45 litros numa casa e 144 litros no apartamento.
• Como economizar: basta fechar o registro durante o banho, enquanto se ensaboa, ou diminuir o tempo de banho para cinco minutos. Isto reduziria o consumo de chuveiros a gás para 45 litros (casa) ou 81 litros (apartamento); para chuveiros elétricos, o consumo seria de 15 litros (casa) e 48 litros (apartamento).
Banheira
• Consumo: os modelos residenciais têm, em média, de 150 a 200 litros. Se a banheira estiver cheia e não houver troca de água durante um banho, o consumo será equivalente a um banho de 15 a 20 minutos sob um chuveiro de vazão média.
• Como economizar: usar a banheira com água até a metade, pois isto já permite a completa imersão do corpo, além de não efetuar a troca de água durante um banho.
Pia do Banheiro
• Consumo: os modelos sem controle de vazão consomem 9 litros por minuto. Considerando que esta torneira será aberta quatro vezes por dia, cada vez por um tempo de 20 segundos, o consumo diário será de 12 litros/dia. Neste caso, estamos considerando que, ao escovar os dentes a torneira será fechada. Se o usuário costuma escovar os dentes com a torneira aberta, considerando que faça isto duas vezes ao dia, totalizando 4 minutos, estará consumindo 36 litros, apenas na escovação.
• Como economizar: utilizar um copo com água quando escovar os dentes. Tampar a pia quando for fazer a barba e utilizar a água da pia. Instalar na torneira um regulador de vazão pode reduzi-la para 6 litros por minuto e o consumo para 8 litros/dia.
Vaso Sanitário
• Consumo: vasos sanitários antigos consomem 9 litros por acionamento, mas podem estar com a válvula desregulada e consumir bem mais de 10 litros.
• Como economizar: a higienização do vaso pode ser feita com apenas 6 litros. Os novos modelos dispõem de duas teclas para descarga: uma completa de 6 a 7 litros e outra para meia descarga. Mesmo sem fazer a troca do vaso sanitário, o usuário poderá reduzir o consumo inserindo na caixa de descarga um objeto que reduza o volume de água, por exemplo, uma garrafa PET cheia de água, ou ainda, cuidar ao dar descarga para que não seja utilizada toda a água da caixa de descarga.
Pia de Cozinha
• Consumo: lavar a louça com a torneira da pia meio aberta durante 15 minutos gasta 117 litros (casa) ou 243 litros (apartamento).
• Como economizar: esse valor pode ser reduzido para 20 litros se a louça for ensaboada na cuba com água até a metade, e depois enxaguada.
Lava-louças
• Consumo: uma lavadora com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta 40 litros.
• Como economizar: utilize-a apenas quando estiver cheia.
Tanque
• Consumo: uma lavagem de roupas, com a torneira meio aberta, durante 15 minutos, irá consumir 279 litros.
• Como economizar: deixe as roupas de molho e use a mesma água para esfregar e ensaboar. Quando for jogar fora esta água, utilize-a para lavar o quintal ou outra finalidade onde possa utilizar água com sabão.
Lavadora de Roupas
• Consumo: uma lavadora com capacidade para 5 kg gasta 135 litros (casa e apartamento).
• Como economizar: utilizar a máquina com a carga máxima.
Mangueira
• Consumo: são necessários 216 litros para lavar um carro e 279 litros para molhar a calçada por 15 minutos.
• Como economizar: lavando o carro com balde o consumo cai para 40 litros; e para a calçada, utilizar a vassoura ao invés da mangueira. Para regar as plantas de um jardim ou as verduras de uma horta, a dica é molhá-las no início da manhã e no final da tarde para evitar evaporação intensa.
2 Gestão Ambiental E A Perspectiva Pública
Piscina
• Consumo: perde até 3.785 litros de água por mês por evaporação.
• Como economizar: cobrir a piscina reduz a perda em 90%. E o tratamento da água, mesmo em períodos em que não está sendo utilizada, reduz a evaporação.
Consumo, Desperdícios e Oportunidades de Redução do Consumo de Água em uma Residência
Os dados sobre o consumo de água residencial variam em função dos equipamentos utilizados e da pressão da água no encanamento, mas principalmente, em função dos hábitos dos usuários. Além dos maus hábitos de consumo, a tolerância ao desperdício é outro fator que eleva o consumo e o valor da conta de água no final do mês. Por exemplo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) demonstra, na Figura 12, o desperdício de água por dia numa torneira gotejando ou com vazamento. Pelo jato de água se pode estimar o volume de água que será desperdiçado por dia.
Outra forma de reduzir o consumo de água em uma residência, ou mesmo em edifícios, é o uso de sistemas de captação de água da chuva, armazenando-a em cisternas. Veja na Figura 13 uma forma simples de captação e aproveitamento. Esta água deverá ser utilizada para fins como regar plantas, lavar roupas e o piso, dar descarga nos vasos sanitários, mas não deve ser utilizada para o consumo e em chuveiros.
Como vimos, toda a água consumida numa residência, que provém da rede pública, é potável. Isto significa dizer que a água foi retirada de um rio, um reservatório ou do subsolo, tratada e distribuída em condições para consumo humano. Mas, nós utilizamos muito pouco desta água para beber; a maior parte destinamos para outros fins que não exigiriam água potável, como, por exemplo, a descarga do vaso sanitário.
Consumo de Energia
O consumo de energia numa residência pode ser reduzido mudando-se os hábitos de utilização dos equipamentos eletroeletrônicos. Uma das formas mais simples de reduzir o consumo é substituir as lâmpadas incandescentes por fluorescentes, o que exige um pequeno investimento, uma vez que estas lâmpadas são mais caras, mas se pagam em poucos meses. Se desejar ampliar a economia de energia, evite deixar lâmpadas ligadas em ambientes que não estão sendo utilizados. Desligar computadores, rádio, TV quando estiverem sem uso, são algumas das medidas mais simples que podem ser adotadas visando reduzir o consumo. Destacamos aqui a otimização do consumo durante o uso dos equipamentos e o projeto e implantação de equipamentos que melhorem o isolamento térmico nos prédios.
A energia solar é uma alternativa economicamente interessante que pode ser utilizada para reduzir o consumo de energia elétrica e gás. Os painéis solares para o aquecimento de água estão cada vez mais eficientes e baratos. Existe ainda a possibilidade de utilizar a energia solar para a geração de energia por meio de painéis fotovoltaicos*. Ao contrário dos painéis solares, os painéis fotovoltaicos ainda não são economicamente interessantes em curto prazo, pois para gerar 85 Watts será necessário um investimento de R$ 1.400,00.
Uma parte significativa do consumo de energia nas residências é em função do aquecimento ou refrigeração dos ambientes. Se na fase de projeto for inserida a preocupação com o isolamento térmico, o investimento feito na construção dará retorno no curto e médio prazo. Mesmo em casas e edifícios já existentes, é recomendável uma análise de viabilidade técnico-econômica para implantar melhorias no isolamento.
A seguir, são apresentados alguns exemplos que ilustram este tema. Algumas alternativas exigem maiores investimentos e outras são tecnologias simples que podem ser aplicadas tanto em habitações populares como em residências classe A.
Brise-Soleil
Trata-se de um dispositivo arquitetônico utilizado para impedir a incidência direta de radiação solar no interior de um edifício, de forma a evitar a manifestação de um calor excessivo. Normalmente, caracteriza-se como uma série de lâminas, móveis ou não, localizadas em frente às aberturas dos edifícios.
Esquadrias com Isolante Térmico
As esquadrias que utilizam vidro duplo, composto por duas lâminas de vidro e uma câmara de ar interna, são eficientes no isolamento térmico e acústico. O custo de implantação varia em função da tecnologia utilizada, mas o retorno econômico é garantido. Estas esquadrias são recomendadas para serem utilizadas nas aberturas com grande incidência de sol. Também no inverno, o vidro duplo serve para evitar a fuga de calor para o exterior.
Isolamento Térmico Utilizando Embalagens de Leite
O isolamento térmico pode ser obtido com a implantação de sistemas mais sofisticados como o Brise Soleil e vidros duplos termoacústicos, ou com tecnologias simples como a instalação de uma manta isolante abaixo do telhado, a qual pode ser feita de isopor, alumínio ou mesmo de caixas de leite Tetra Pak, abertas e coladas. Para tanto, basta desmontar as caixas para que elas fiquem de forma plana, lavá-las com água e sabão, secá-las e colá-las com cola de sapateiro, formando uma manta. Instalar esta manta abaixo do telhado, deixando um espaço mínimo de 2 cm.
Esta manta irá proporcionar a redução de cerca de 9 graus centígrados na temperatura interna do ambiente. Ao final desta Unidade, na seção Complementando você poderá ampliar seus conhecimentos sobre mais esta alternativa.
Estima-se que, com medidas como estas, uma residência pode economizar cerca de 30% da energia consumida. Reduzir o consumo de energia é bom para o meio ambiente e muito bom para o bolso de quem paga a conta no final do mês. Faça uma experiência na sua casa, comparando o consumo antes e depois de adotar as medidas de redução do consumo. Comente os resultados com os seus colegas.
Lixo
Lixo é o termo utilizado para denominar tudo aquilo que não nos interessa. Neste caso, vamos chamar de “lixo” os resíduos sólidos gerados numa residência ou nos escritórios de uma empresa. Portanto, não iremos abordar os resíduos industriais. Se estamos preocupados com o lixo, a primeira coisa a fazer é procurar não gerar lixo, não levar lixo para casa. Mas, uma vez existindo, temos que dar-lhe um destino mais adequado.
Dicas para Reduzir a Geração de Lixo
Como já dito, a primeira preocupação deve ser com a não geração de lixo, pois frequentemente compramos alguma coisa e levamos para casa embalagens e material que não precisamos ou que não desejamos. Tudo vai virar lixo! Ainda não temos muitas opções e, muitas vezes, somos “forçados” a isso.
Quando houver alguma opção, siga as dicas:
• Alimentos – compre produtos naturais e com pouca embalagem; evite as formas de isopor. Frutas e verduras de origem orgânica são ótimas opções!
• Refil e embalagens retornáveis – dê preferência para produtos que ofereçam refil ou embalagens retornáveis.
• Embalagens alternativas – lembre que a embalagem não será consumida, tem apenas a finalidade de manter e proteger o produto. Prefira as embalagens simples e fáceis de serem degradadas ou recicladas, como por exemplo, as de papel pardo. Ao comprar material de limpeza, observe se a embalagem foi produzida com material reciclado e valorize o bioplástico, que em contato com a terra se decompõe em 18 semanas. Algumas empresas utilizam pipoca em vez de isopor para proteger produtos como computadores e TVs.
• Revistas e Jornais – algumas revistas e jornais estão disponibilizando versões eletrônicas. Tente adaptar-se à leitura na tela do computador, evitando assim a aquisição da cópia física. Quando isto não for possível, faça assinaturas conjuntas, de forma que mais de uma pessoa leia o mesmo periódico.
• Mínimo de impressão – evite imprimir documentos. Verifique se não é possível ler e resolver a questão sem utilizar as folhas de papel. Quando for extremamente necessário, utilize papel reciclado e imprima frente e verso. Muitas impressoras, inclusive, permitem a impressão automática em frente e verso.
• Aplique os princípios do Ecodesign – ao comprar um produto, avalie-o utilizando os princípios do ecodesign. Analise a composição do produto, consumo de energia durante o uso, facilidades de reparo, como será o descarte, facilidades oferecidas pelo vendedor etc.
• Reduzir o volume das embalagens – após o uso, antes de descartar as embalagens, é aconselhável uma rápida limpeza com água já utilizada para outros fins, como a utilizada para lavar os copos. Não utilize água potável para limpar embalagens. Apenas retire os resíduos da embalagem e reduza seu volume. Quanto menor o volume, mais fácil será o seu transporte no caminho para a reciclagem. Por exemplo, uma garrafa PET poderá ser amassada retirando o ar de dentro, enrolando-a como uma folha de papel, e depois colocando a tampa. Assim, você irá reduzir significativamente o volume de lixo descartado.
• Não jogue azeite e gorduras no ralo ou no vaso sanitário – um litro de azeite, por exemplo, jogado no vaso sanitário ou na caixa de gordura irá contaminar um milhão de litros de água potável. Armazene o azeite e gorduras em garrafas PET e entregue nos postos de recolhimento. Se não tiver na sua cidade, coloque a garrafa PET com as gorduras no lixo que irá para o aterro sanitário.
• Não queime o lixo – você não sabe que tipo de emissão estará jogando na atmosfera. A queima de alguns resíduos, aparentemente “limpos”, poderá emitir dioxinas, produto cancerígeno.
• Muito cuidado com o lixo tóxico da sua casa – evite comprar produtos tóxicos. Quando não tiver alternativa, tome cuidado no descarte. Venenos para insetos, remédios vencidos, embalagens com restos de tinta, etc. são resíduos tóxicos que precisam ser descartados em locais apropriados.
Dar o Desti no Adequado ao Lixo
O processo de dar um destino adequado será facilitado se o usuário não misturar o lixo. Basta que as pessoas não juntem coisas que não devem estar juntas! O primeiro passo é dispor num recipiente os resíduos orgânicos (cascas de fruta, restos de comida, papel higiênico etc.), e em outro recipiente os resíduos recicláveis (papel, vidro, metais, plásticos). Se não houver coleta seletiva do lixo na sua cidade, certamente haverá alguém que se interessará em buscá-lo na sua casa ou no seu prédio.
Se você quiser seguir o padrão de cores dos recipientes do lixo seco, observe o Quadro 3:
3 Unidade 3 Gestão Ambiental E A Perspectiva Pública
O destino dos resíduos orgânicos e tudo mais que for depositado no lixo orgânico, será encaminhado para um lixão ou para aterro sanitário, que você verá com mais detalhes na próxima Unidade. Já os resíduos inorgânicos (lixo seco) serão encaminhados para reciclagem (nas cidades onde há coleta seletiva). Assim, contribui-se para o reaproveitamento de materiais que levariam décadas ou séculos para se decomporem e, ainda, amenizam-se problemas sociais, gerando emprego e renda.
Resumindo
A Gestão Ambiental Doméstica foi inserida aqui para demonstrar a você que podemos aplicar a gestão ambiental em: grandes empresas, microempresas, organizações do setor de serviços, propriedades rurais ou mesmo em nossa casa.
A economia de água e energia, bem como a redução dos resíduos e da toxicidade que temos em casa é plenamente viável e recomendável, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. Siga estas dicas e os conhecimentos adquiridos, mensurando quanto gastava antes e quanto gastou após a adoção das medidas. E lembre-se: não basta só medir, é preciso reduzir!
Chegamos ao fim de mais uma Unidade de estudo e esperamos que os assuntos tratados tenham despertado ainda mais seu interesse para esta área da Administração que traz à tona questões delicadas e de extrema importância para a continuidade e qualidade da vida na Terra.
Nesta perspectiva, você, como futuro profissional da área, poderá introduzir junto às funções do Administrador (planejar, organizar, dirigir e controlar) a variável ambiental fazendo uso das ferramentas que está estudando nesta disciplina.
4 Sistema de Gestão Ambiental, P+L e Ecodesign
Unidade 4: Objetivos Específicos de Aprendizagem
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de:
• Ter noções básicas da implementação de um Sistema de Gestão Ambiental em uma organização, seja ela pública ou privada;
• Identificar em diferentes realidades (organizações) vantagens da certificação ISO 14000;
• Compreender os benefícios e as possibilidades de aplicação da Produção Mais Limpa; e identificar possíveis barreiras internas e externas à empresa para a adoção da P+L;
• Desenvolver uma visão crítica acerca do aproveitamento de matéria-prima, principalmente na indústria; e
• Ter conhecimento sobre o conceito e as novas abordagens do Ecodesign, além das fases presentes em um projeto de Ecodesign; e avaliar a relação da P+L a processos e do Ecodesign a produtos e serviços.
Sistema de Gestão Ambiental, P+L e Ecodesign
Estamos dando início a mais uma Unidade de nosso estudo. neste momento você terá a oportunidade de ampliar seus conhecimentos sobre o Sistema de Gestão ambiental e as normas iSO 14000, e sobre algumas das mais importantes ferramentas de Gestão Ambiental: a Produção Mais Limpa e o Ecodesign.
A Produção Mais Limpa (P+L) e o Ecodesign são dois conceitos extremamente importantes e que norteiam muitas estratégias relacionadas à gestão ambiental. O intuito é fornecer informações que resultem em um posicionamento crítico a você, futuro líder, que poderá exercer um papel decisivo, em cargos públicos ou privados, para a condução de ações sustentáveis nas empresas e no país.
Sistema de Gestão Ambiental e a ISO 14000
Você já observou que no Brasil existem diferentes tipos de formatos de tomadas elétricas? Se você viajar por outros países encontrará diversos modelos. Mas, por que há tantos modelos, exigindo do turista o uso de adaptadores para poder secar o cabelo, fazer a barba ou ligar o computador?
A explicação é a falta de padronização, a falta de um consenso entre os fabricantes de tomadas sobre um modelo único a ser adotado por todos. Com a padronização todos ganham, pois ocorre uma redução de custos para os fabricantes e facilita a vida do usuário.
Citamos o caso das tomadas elétricas, mas antigamente a falta de padronização atingia quase todos os produtos, pois cada fabricante adotava seus próprios critérios. Cada fabricante de parafuso considerava que o comprimento e o diâmetro do seu produto era o mais adequado. Com a intensificação dos mercados regional e internacional os problemas da falta de padronização se agravaram. Foi então que as normas internacionais de padronização se fortaleceram.
Os fabricantes entenderam que padronizar produtos era vantajoso para todos e que isto permitiria uma redução de custos em função do aumento da escala de produção. Portanto, as Normas ISO são normas internacionais que padronizam produtos e processos. A série de normas ISO 14000 é um exemplo: padroniza a certificação dos sistemas de gestão ambiental de uma organização. Em seguida vamos detalhar os sistemas de gestão ambiental e esta série de normas.
No texto a seguir, você perceberá que a sustentabilidade deixou de ser uma função de mera proteção para tornar-se também uma função da administração. Diante disso, novas exigências surgem e uma nova função na estrutura administrativa começa a se fazer necessária. O Sistema de Gestão Ambiental requer um sistema gerencial especializado e, consequentemente, um novo estilo de administrar.
Um Breve Histórico da Organização Internacional de Padronização (ISO)
A International Organization for Standardization – ISO*, com sede em Genebra, na Suíça, possui mais de 130 países membros que participam, com direito a voto, das decisões ou, apenas, como observadores das discussões. Alguns países são representados por entidades governamentais ou não diretamente vinculadas ao governo, como, por exemplo, o American National Standards Institute (ANSI), que representa os Estados Unidos, e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que representa o Brasil.
A ISO está estruturada em aproximadamente 180 Comitês Técnicos (TCs), cada um especializado em elaborar normas na sua área de atuação. Depois de elaborada a versão preliminar de alguma norma, esta será votada por todos os países-membros, e então publicada na forma draft (rascunho ou versão preliminar). As normas são formuladas com o objetivo principal de facilitar o comércio internacional, aumentando a confiabilidade e a eficácia das mercadorias e serviços.
Objetivos das Normas ISO 14000
A série de normas ISO 14000, lançada em 1996, tem como objetivo a padronização dos sistemas de gestão ambiental. Em função do certificado ISO, as organizações certificadas, e seus produtos e serviços, passam a ser reconhecidos internacionalmente, distinguindo-se daquelas organizações que somente atendem à legislação ambiental.
As normas da série ISO 14000 também estabelecem as diretrizes para as auditorias ambientais, avaliação de desempenho ambiental, rotulagem ambiental e análise do ciclo de vida dos produtos, já citados anteriormente, possibilitando a transparência da organização e de seus produtos em relação aos aspectos ambientais, viabilizando harmonizar os procedimentos e diretrizes aceitos internacionalmente com a política ambiental por ela adotada.
As normas da série ISO 14000 mantêm a mesma numeração no Brasil, precedida do designativo NBR da ABNT, sendo elas:
Sistema de Gestão Ambiental
Um Sistema de Gestão Ambiental – SGA (Environmental Management System – EMS) é definido como o conjunto de procedimentos que irão ajudar a organização a planejar, organizar, controlar e diminuir os impactos ambientais de suas atividades, produtos e/ou serviços. Para isso, uma etapa anterior precisa ser cumprida: diagnosticar. Com base nestas informações, será possível o planejamento de ações e seu posterior monitoramento. Perceba que a implementação de um SGA envolve as funções mais estratégicas desempenhadas pelo profissional da área de Administração!
Um SGA serve para que a organização - empresa privada, numa empresa pública, ONG ou prefeitura - identifique suas vulnerabilidades e adote medidas preventivas e corretivas.
O SGA está baseado no cumprimento da legislação ambiental vigente e na melhoria contínua do desempenho ambiental da organização, isto é, não basta estar dentro da lei, mas deve haver, também, uma clara decisão de melhorar cada vez mais o seu desempenho com relação ao ambiente natural (SENAI, 2000, p. 8).
Segundo Tibor e Feldman (1996, p. 20), [...] seus elementos incluem a criação de uma política ambiental, o estabelecimento de objetivos e alvos, a implementação de um programa para alcançar esses objetivos, a monitoração e medição de sua eficácia, a correção de problemas e a análise e revisão do sistema para aperfeiçoá-lo e melhorar o desempenho ambiental geral.
Um SGA eficaz possibilita às organizações uma melhor condição de gerenciamento de seus aspectos e impactos ambientais, além de interagir na mudança de atitudes e de cultura da empresa. Pode, também, alavancar os seus resultados financeiros, uma vez que atua na melhoria contínua de processos e serviços. De acordo com Corazza (2003), na esfera estratégica, a gestão ambiental fornece avaliações sobre os potenciais de desenvolvimento e sobre as restrições ambientais emergentes (resultantes tanto da regulamentação quanto da concorrência).
Para ser implementado com sucesso, um SGA pede o comprometimento de todos os empregados. Assim, “as responsabilidades ambientais e sociais não se restringem à função ambiental e social, incluindo também outras áreas da organização. Esse comprometimento começa nos níveis gerenciais mais elevados onde a alta administração estabelece a política ambiental e assegura que o sistema seja implementado” (TACHIZAWA; ANDRADE, 2008, p. 100).
Segundo estes mesmos autores, desde meados dos anos 70 ocorre a introdução progressiva de um novo cargo ou de uma nova função na estrutura das organizações: o “responsável pelo meio ambiente” ou “serviço ambiental”. Hoje, grande parte das empresas conta ou necessita de profissionais capacitados para esta área. Percebe-se uma grande oportunidade tanto para estudantes quanto para as instituições de ensino.
Groenewegen e Vergragt (apud CORAZZA, 2003) relembram as modificações da atividade e do papel deste profissional desde então:
• Antes de 1980, o tamanho dos departamentos era reduzido e suas atividades focalizavam essencialmente a evolução da regulamentação ambiental e a produção de diversos documentos. As atribuições do responsável pelo departamento ambiental envolviam a busca da conformidade com as normas ou com quaisquer outros dispositivos de regulamentação;
• Durante os anos 80, as atividades dos departamentos se orientaram progressivamente para a elaboração de programas de prevenção. A responsabilidade dos membros da equipe ambiental se estendia à aplicação de medidas internas e de proteção; e
5 Unidade 4 Sistema de Gestão Ambiental, P+L e Ecodesign 2
Certificação ISO 14000
Aspectos Finais sobre Sistema de Gestão Ambiental e ISO 14000
Produção Mais Limpa
Conceituando e Diferenciando a P+L
6 Unidade 4 Sistema De Gestão Ambiental, P+L E Ecodesign 3
Benefícios de Investi r em P+L
Barreiras à Implementação da P+L
Exemplo de Aplicação da P+L
7 Unidade 4 Sistema De Gestão Ambiental, P+L E Ecodesign 4
Aspectos Finais sobre a Produção Mais Limpa
Ecodesign
Evolução do Ecodesign
As Defi nições e Aplicações do Ecodesign
As Fases do Ecodesign
Fase de Pré-produção
8 Unidade 4 Sistema De Gestão Ambiental, P+L E Ecodesign 5
Fase de Produção
Distribuição
Uso do Produto ou Serviço
Descarte ou Reuti lização
Aplicação das Estratégias do Ecodesign
O Check-list de Ott man
Resumindo