A leitura e a atuação do professor das séries iniciais
Memorização e Leitura Dinâmica
1 O termo Letramento:
O termo agente de letramento surgiu quando Kleiman o apresentou “referindo-se aos professores em formação inicial ou continuada, que utilizam de forma continuada ou independente, flexível e consciente as práticas socialmente legitimadas do uso da escrita.” Este termo explicita não apenas a diferenciação entre alfabetização e letramento, mas também a atitude do professor para promover a formação dos seus alunos como sujeitos letrados.
Essa diferenciação surgiu em consequência do contexto em que vivemos, onde é necessário ser um leitor ativo, crítico e capaz de reconhecer as causas e consequências das transformações do mundo em que vivemos. Partindo desse ponto de vista, apenas saber ler e escrever seria pouco. É necessário formar sujeitos letrados, que façam o uso da escrita socialmente e a educação baseada apenas na alfabetização dos alunos não contemplava essa área.
Nessa condição de que se deveriam formar sujeitos letrados, a função do professor nessa formação passou a ser o papel primordial. Daí chamar o professor de agente letrador, aquele que é responsável pelo letramento, termo que como diz Kleiman “surgiu para identificar o impacto social da escrita.”. Nesses aspectos mostram-se as diferenças entre alfabetização e letramento. Para Soares alfabetização é a ação de ensinar/aprender a ler a escrever.
Letramento é o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva e exerce práticas sociais que usam a escrita. Ainda de acordo com Soares existiriam vários tipos e níveis de letramento de acordo com o contexto social de cada indivíduo. Apesar de diferenciação entre alfabetização e letramento, a alfabetização não se torna inferior ao letramento, pelo contrário, esta se torna condição para que seja feito o letramento. Pois para que haja o esse processo, é necessário que o aluno seja alfabetizado, sabendo decodificar as palavras, de fazer uma leitura, não apenas a leitura de mundo no seu cotidiano. Alfabetizar está na essência do letramento, mas não é o seu único objetivo, é apenas a primeira parte do processo.
O resultado do processo de letramento serão os sujeitos letrados, formados pelos agentes de letramento, que serão capazes de usar a escrita socialmente no seu cotidiano, realizando uma reflexão crítica. Para que isso seja possível é necessária a formação e a atuação do professor. A formação do agente de letramento é importante, pois é só por meio desse trabalho que as práticas de letramento serão legitimadas Kleiman. E é a atuação, porque nesse processo, “o professor é mediador entre o aluno e os autores dos livros”. (Kleiman)
A função da mediação:
O professor deve ser formado letrador, esse deve ter algumas habilidades. Destaco aqui algumas presentes no livro da Bortoni-Ricardo, Machado e Castanheira:
- Desenvolver recursos para facilitar a integração entre os conhecimentos de língua oral que os alunos trazem consigo para a escola e as competências de leitura, escrita e oralidade que vão adquirir ou aprender.
- Atentar para a transição dos modos de falar para os modos de escrever e ler.
- Reconhecer atividades pedagógicas com a língua materna que contribuem para o desenvolvimento linguístico, afetivo e social do aluno.
- Organizar o tempo pedagógico e o planejamento do ensino.
- Organizar o uso da biblioteca escolar e das salas de leitura.
- Identificar em fragmentos interacionais do trabalho pedagógico episódios de construção de andaime.
- Programar o trabalho pedagógico com textos didáticos e paradidáticos das diferentes disciplinas
- Desenvolver diagnósticos das capacidades e maturidades dos alunos leitores.
- Selecionar os textos literários para o trabalho de sala de aula e para a leitura individual dos alunos, considerando as especificidades dos textos e dos gêneros textuais.
- Desenvolver atividades epilinguísticas e metalinguísticas que favoreçam a reflexão sobre a língua.
- Desenvolver estratégias de mediação durante a leitura, explorando as pistas linguísticas fornecidas pelo texto.
- Identificar exercícios de alfabetização voltados para o desenvolvimento da consciência fonológica.
A formação do professor se faz necessária para que se esse não apenas reproduza a forma como foi ensinado. Esse deve saber como trabalhar, para desenvolver habilidades também em seus alunos. Deve ter estratégias para também formar o professor como agente letrador. Isso significa assumir que é necessário saber como se dá a formação do professor. Uma formação que aborde e forme professores conscientes de seu papel e com o domínio do contexto de sala de aula que é imprescindível para a formação de nossos alunos.
As escolas têm um contexto amplo, e os professores devem sair preparados para atuar nesse contexto, logo sendo função da formação ter fornecido o que é necessário para essa atuação. Durante a formação, o futuro professor deve compreender que ele será um agente letrador e assumir o papel de mediador de ensino durante suas aulas. Mediação remete a psicologia de Vygotsky, Bortoni-Ricardo “para o qual a construção do conhecimento se dá nas relações interpessoais, mediada pela linguagem”.
Os alunos trabalharam algumas habilidades que serão desenvolvidas por meio de estratégias que o agente letrador desenvolverá para o trabalho com esses. O trabalho com a leitura não pode ser realizado de forma mecânica, onde o aluno não seja sujeito ativo e ainda se desinteresse, não participando da realização das aulas. O professor, desde sua formação, deve ter consciência da importância da sua atuação para a formação dos seus alunos.
Como afirma Kleiman “é necessária uma formação teórica do professor na área de leitura”, para que este, além de considerar sua importância, não perpetue as práticas de ensino que são desmotivadoras tanto para os alunos, como para os professores. Pois como diz Kleiman “há necessidade do conhecimento do professor na área específica de leitura, além da formação linguística.” Para Bortoni-Ricardo “ é importante pensar como se dá a formação do pedagogo para que ele se reconheça como agente letrador”.
Bortoni Ricardo, Machado e Castanheira colocam como uma “Pedagogia da leitura tende a fazer bom aproveitamento de suas estratégias e a melhorar seu trabalho pedagógico.” Essa formação deve levá-lo a ser um agente de letramento, e que este saiba atuar como tal. E não se veja apenas como um professor, cuja única função é alfabetizar, pensando que o seu trabalho seja voltado apenas para que seus alunos aprendam a ler a escrever.
O professor ao desenvolver suas aulas deve se lembrar de desenvolver estratégias de ensino “adequadas para que seus alunos tenham acesso a uma cultura de letramento diversificada.” Bortoni-Ricardo. Essas estratégias de ensino não podem ficar restritas as aulas de português, nem apenas a textos dessas disciplinas. Em todos os momentos, como diz Kleiman “o professor deve ser mediador entre o aluno e o autor.”
Logo o professor deve criar estratégias de mediação para que seu aluno se torne um agente letrado e não se torne desmotivado. As conhecidas práticas desmotivadoras que Kleiman cita, provêm “de uma concepção errada sobre a natureza do texto e da leitura, e portanto da linguagem.” E resulta em uma educação desmotivadora e sem sentido para o aluno, que não forma leitores, nem sujeitos letrados.
Essas estratégias contribuirão para que os alunos que estão em processo de alfabetização, além de usarem socialmente a língua escrita, possam desenvolver consciência fonológica, corresponder letra/ som inicial/ figura, distinguir regras variáveis, reconhecer o padrão acentual e outros. “Em sua prática cotidiana, o professor deve assegurar demonstrações de leituras adequadas às crianças” Barbosa. Algumas práticas pedagógicas desmotivadoras como dizem Freitas e Costa “provêm de uma concepção da professora como mero instrumento de alfabetismo.”
O professor que é agente letrador, compreende que este não é o seu papel de apenas alfabetizar seus alunos. Alfabetizar é apenas a primeira parte necessária para o trabalho de letramento. No processo de letramento, o aluno vai construindo também um conhecimento sobre a sua língua materna e fazendo uso desta. O trabalho de mediação do agente letrador é independente da disciplina trabalhada no momento. O trabalho pode ser realizado com qualquer texto, de qualquer disciplina, independente do gênero literário e assunto, pois a mediação é um processo de orientação, que deve ocorrer a todo o momento.
“A escrita social, com caracteres e funções diferentes, propicia leituras diversificadas” Barbosa. A mediação do professor começa a acontecer, antes mesmo de o aluno aprender a decodificar os textos, ou seja, inicia-se na educação infantil. Quando este já consegue decodificá-lo a interação passa a ocorrer de uma forma mais dinâmica, onde o professor mediador passa a ajudar o novo leitor a utilizar os antigos conhecimentos junto com os novos para realizar a atividade necessária. Transformar o aluno em leitor ativo significa que este deve conseguir compreender o texto e utilizá-lo para desenvolver outras potencialidades, passando desta forma a ser um leitor ativo.
A negligência no processo de mediação e de leitura:
Quando o professor não é agente letrador, “o trabalho com a língua escrita é reduzido à cobrança e contabilidade.” Freitas e Costa. Nesse trecho Freitas e Costa sintetiza muito bem o resultado da negligência do professor quanto ao processo de mediação. Como já dito anteriormente, é necessário que o professor se veja como um agente letrador, para que esse consiga realizar corretamente o seu trabalho de mediação com os alunos.
A negligência nesse processo de mediação, ou seja, quando o professor não age como um agente letrador, trará como resultado a formação de alunos apenas alfabetizados, incapazes de serem sujeitos letrados e leitores ativos com um pequeno grau de compreensão do que estão lendo. Para Bortoni-Ricardo e Machado a negligência dos professores na mediação durante as atividades de leitura é uma atitude recorrente em nosso país.
O agente letrador sabe que o seu papel é de mediador e o processo de mediação está diretamente ligado à qualidade do ensino e para Bortoni-Ricardo e Machado reflete de forma negativa na educação brasileira. Para que isso não ocorra são necessários professores comprometidos com a prática pedagógica, que incentivem a prática da leitura e façam uso dessa em sala de aula com a finalidade de desenvolver novos leitores.
O papel de incentivar a leitura com o intuito de formar sujeitos letrados não cabe apenas ao professor, mas a missão de incentivar o uso dessa e de fazer a mediação em sala de aula é exclusiva do professor, pois este pode estimular a leitura nos alunos fazendo uso dos recursos que a escola oferece e ao mesmo tempo usá-los como ferramentas no para o seu trabalho pedagógico. A falta desse trabalho tanto com a leitura, quanto com a mediação, traz consequências na formação do aluno que muitas vezes tem a sua educação comprometida, não se tornando um sujeito letrado e sem o hábito da leitura.
Estratégias de mediação:
A ampliação do conhecimento do aluno é um processo que vai sendo guiado pelo professor através da mediação. As estratégias de mediação que o professor pode desenvolver são diversas como, por exemplo, atividades de andaime, leitura tutorial, compartilhada, reconto, previsões sobre o texto e outros. Todas essas atividades contribuem para a formação de um sujeito letrado.
Essas atividades são baseadas no contexto, onde “o mediador constrói o sujeito questionando, sugerindo, provocando reações, exigindo explicações sobre as informações ausentes do texto, refutando, polemizando, concordando e negociando mediante as pistas deixadas no texto.” Bortoni-Ricardo. Bortoni-Ricardo citam Soares quando explicam os diversos tipos de letramento que podem variar de acordo com o contexto social e com a cultura de cada indivíduo.
De acordo com a mediação do professor, também se pode variar o tipo de letramento que este alcançará com seus alunos. Ou seja, a mediação exercida pelo professor define não apenas a ampliação do conhecimento do aluno, mas qual nível de letramento este alcançará. Para que o aluno seja um sujeito letrado é necessário que ele seja capaz de compreender um texto, criticá-lo e reelaborá-lo de acordo com sua realidade. Para Bortoni-Ricardo, a mediação do professor deve caminhar para esse resultado. Nesse contexto a prática pedagógica deve estar baseada na mediação do ensino em todos os momentos.
O professor tem uma função primordial nesse processo de mediação entre aprendizagem e prática de leitura. Como já vimos, o papel do professor como agente letrador tem uma forte influência na formação do aluno crítico que será um sujeito leitor. Porém não é apenas a mediação do professor que contribui para a formação do aluno, “além do conhecimento de mundo ou conhecimento enciclopédico, o conhecimento linguístico e o conhecimento interacional são fundamentais para o processo de ler e compreender” Bortoni-Ricardo. Ou seja, habilidades como domínio do vocabulário e decodificação fluente se fazem necessárias. BortoniRicardo “Para leitores em início de alfabetização a decodificação está fortemente relacionada a compreensão da leitura.”
O trabalho de mediação exige conhecimentos linguísticos e de mundo e que seja visto como uma atividade social e dinâmica, e propicie mecanismo para que o aluno se torne um sujeito leitor ativo e que seja visto não apenas como papel do professor, mas também da escola. O trabalho com a leitura deve propiciar que o aluno tenha contato com diversos tipos de linguagens em diversos contextos e desta forma contribuir para o desenvolvimento da leitura, oralidade e escrita.
Essa leitura contribuirá para a formação de intelectual do sujeito crítico para que ele consiga chegar ao último estágio do letramento. É através das estratégias de mediação em sala de aula, que o aluno vai se tornando um sujeito letrado. Todas as práticas de sala de aula, independentemente de disciplina ou conteúdo, devem estar baseadas de forma efetiva nas estratégias de mediação.
São com essas estratégias que o aluno desenvolverá o hábito da leitura e se tornará um sujeito leitor ativo. Apesar de o professor elaborar estratégias, aplicá-las em sala de aula, realizar seu trabalho de mediação perfeitamente, este não terá sentindo se o aluno não participar ativamente. O trabalho de mediação do professor só terá um resultado efetivo, se houver o envolvimento dos seus alunos com as suas propostas pedagógicas. O aluno deve compreender a proposta, e todo o trabalho deve fazer sentido para ele.
Segundo Vygotsky, os processos psicológicos humanos superiores nascem da atividade colaborativa, mediada pela interação verbal. Bortoni-Ricardo. Daí a necessidade de se realizar estratégias de que os alunos participem como sujeitos ativos. As estratégias são as ferramentas que o professor utilizará em sua prática pedagógica. É através delas que ocorre a mediação, o professor deve pensá-las como o caminho para atingir seus objetivos.
Utilizá-las em sua prática pedagógica se torna importante para que de fato possa ocorrer o processo de letramento, pois a atuação do agente letramento se dá através dessas estratégias, que não são únicas, mas são necessárias no cotidiano da sala de aula, onde cabe ao professor utilizá-las e até mesmo criar suas próprias estratégias para atingir seus objetivos.
O papel da escola no processo mediação:
Apesar de o professor ter um papel primordial com o seu trabalho na formação do sujeito letrado, não é apenas dele o compromisso com a formação dos nossos alunos. A escola também tem papel importante a ser realizado em conjunto com o trabalho do professor. Como nos dizem Bortoni-Ricardo “O papel da escola está diretamente ligado ao do professor como mediador do processo de aquisição de uma cultura letrada pelos alunos, que vai desde sua alfabetização ao seu conhecimento de mundo.” A escola também exerce o papel de mediadora no letramento dos seus alunos, percebendo que este papel não fica restrito apenas aos professores.
A escola é responsável por assumir também o papel de mediadora do processo de letramento de seus alunos e organizar práticas que contribuam com o trabalho exercido. Para Soares “nas sociedades contemporâneas, a instância responsável por promover o letramento é o sistema escolar”. A escola é vista como principal responsável por este processo em nossa cultura. É na instituição escola que vemos como principal formadora de sujeitos letrados. “As outras instituições, como família, igreja, rua, mostram orientações de letramento muito diferentes” Kleiman.
Sendo a escola a “mais importante das agências de letramento” Kleiman é necessário que esta esteja atenta as prática utilizadas na escola, para que o processo realmente alcance a finalidade que almeja. “Cabe à escola desenvolver atividades que propiciem que os estudantes progridam em relação ao desenvolvimento de habilidades leitoras.” Bortoni-Ricardo. Nesse sentido ela deve incentivar práticas pedagógicas que visem a formação de um sujeito leitor.
As práticas escolares devem visar ao letramento, e para isso devem trabalhar conjuntamente com os professores em busca de estratégias para desenvolver o trabalho necessário para formar um sujeito letrado. O papel da escola não se restringe apenas a propiciar as práticas de letramento, ela deve também fornecer as condições necessárias para que essa prática se torne realidade. Ela deve contribuir fornecendo outros materiais didáticos para que os alunos cheguem aos resultados almejados.
Como por exemplo, acesso a materiais de leitura. Para o agente letrador a participação ativa da escola se faz necessária, para que essa propicie tudo é preciso para que alunos e professores contribuam mutuamente de forma ativa no processo de letramento. Como é o letramento realizado pela escola que a nossa sociedade valoriza, essa deve exerce o seu papel, cumprindo em formar os sujeitos letrados que se espera que ela forme.
Avaliação do letramento:
Tratando-se do papel do professor como agente de letramento, todo o trabalho ocorrerá, quase completamente, no contexto escolar, na maior parte dos casos em sala de aula. Observa-se também que a nossa sociedade coloca apenas a escola como responsável pelo letramento dos alunos e tem uma cultura de cobrar por resultados medidos por testes. Porém como avaliar o quão letrado um sujeito é? Mesmo o trabalho sendo exercido em sala de aula, é difícil avaliar com dados precisos essa informação.
Para Soares seria necessário “uma definição precisa que permita determinar os critérios a serem utilizados para distinguir pessoas letradas e iletradas, ou para estabelecer o grau de letramento.”. Ou seja, é que desejam saber que nível as pessoas são letradas. Porém no contexto escolar, não cabe ao professor, colocar um resultado final, entre letrado ou iletrado. O letramento em sala de aula é um processo.
Exatamente por ser um processo Soares coloca que “pode se fazer uso de avaliações e medições em vários pontos, avaliando de maneira progressiva”, e também coloca que por outro lado é desfavorável por ter “uma falta de definição precisa sobre o letramento e a necessidade de sua avaliação e medição”. Avaliar o letramento não é uma tarefa simples, que pode ser obtido um resultado através de um pequeno teste realizado em um determinado momento em sala de aula.
A tarefa de avaliar o processo de letramento em que o aluno se encontra é complexa, e não pode ser avaliado apenas com uma prova realizada a qualquer momento. Como viemos de uma sociedade que necessita de resultados obtidos através de testes, acabamos simplificando o conceito de letramento, como bem coloca Soares “a algumas habilidades e práticas adquiridas através de uma escolarização burocraticamente organizada e traduzida nos testes de leitura e escrita”. Reduzindo dessa forma o conceito de letramento no contexto escolar, nunca se conseguirá um resultado válido por meio dos testes aplicados em sala de aula para a avaliação do letramento realmente utilizado no dia a dia. Nem sempre o conceito de letramento aplicado em sala de aula, para que os alunos possam realizar os testes, será o mesmo que esses utilizaram em seu cotidiano fora da escola
As situações que os alunos vivenciarão no dia a dia, exigirão que ele seja letrado de modo diferente, não apenas responder a questões sobre determinadas leituras. O que será avaliado na escola, não é exatamente o que ele vive cotidianamente. Levando em conta esse modelo de letramento que se instaura nas escolas Soares cita Gumperz que o chama “de letramento escolar”, exatamente por não ser de fato, o que é considerado letramento, mas um conceito simplificado e reduzido para que se possa ser realizados testes escolares, e que não se aplica ao letramento que nos é exigido cotidianamente.
Esse letramento escolar visa apenas a critérios definidos pela escola como habilidades de leitura e escrita, habilidades estas que depois serão avaliadas e medidas por meio dos testes. Não que seja desnecessária a avaliação sobre este assunto. Pelo contrário, avaliação é sempre um modo importante de informação, mas necessita que seja feita de forma válida e que tenha uso prático. Esta avaliação também poderá se relacionar com outros índices como Soares cita “indicadores de desenvolvimento social e econômico. Identificar e compreender o status econômico, social e cultural de um país ou de uma comunidade”.
Para a área de educação pode contribuir na formulação de políticas públicas destinadas a área. Existem também outras modalidades de avaliação do letramento de acordo com Soares como, por exemplo, censos populacionais (que têm influência da avaliação no contexto escolar), autoavaliação pelo censo demográfico, por conclusão série escolar e por estudo por amostragem. Porém é como a autora enfatiza “o letramento não pode ser avaliado e medido de forma absoluta” Soares.
A escola é a única que pode trabalhar de uma forma facilitada com a avaliação do letramento variadas vezes em diversos momentos desse processo, medindo as habilidades e competências em diferentes momentos do processo educacional. Por esse motivo também é a única que pode “atribuir diferentes atribuições operacionais, um levantamento censitário nacional, através de uma única situação de avaliação” Soares, lembra que a avaliação deverá estabelecer de modo claro a definição operacional e coletar informações em função dessa.
Apesar de em grande parte dos casos a escola fazer uma avaliação simplificada do que é o letramento, esta ainda está em posição privilegiada quanto às outras formas de avaliação. Estar atento ao chamado letramento escolar é necessário para que os alunos que estamos formando sejam realmente capazes de realizar práticas sociais com leitura e escrita no cotidiano, fora do contexto escolar e do que a escola define como necessário. Estar atento é necessário para que o letramento dos alunos seja bem sucedido e para que esses não enfrentem problemas com leitura e escrita futuramente em seu dia a dia.
2 Pra que leitura?
Como bem disse Rubem Alves “educação se faz com livros.” Para realmente educarmos, como cidadãos conscientes, os nossos alunos, é preciso educá-los com livros. A leitura é a base para a formação desses como sujeitos letrados que serão, capazes de fazerem não apenas uma simples leitura, mas uma leitura crítica do que lhes é informado. A prática da leitura tem papel central, não apenas na formação intelectual do aluno.
Ela contribui em uma formação mais ampla, em uma formação social, cultural, espiritual, ou seja, a formação do ser humano. Diversas habilidades são desenvolvidas com esse hábito. Esta é uma prática interdisciplinar, que deve estar no centro das práticas pedagógicas para que tenha êxito a construção intelectual do aluno. No novo contexto em que vivemos em uma sociedade dinâmica e globalizada, a leitura, tem a função de unir todo o conhecimento e a aplicação deste no dia a dia.
Apesar de ser um modelo antigo, no meio tecnológico em que está inserida a educação atual, a prática de leitura continua como a melhor maneira educar os alunos, pois esta forma de linguagem está inserida em diversas situações no cotidiano de todos. A leitura é um processo contínuo e sintetizador que, para o leitor, ao desenvolver suas variadas habilidades, desenvolve também o que tem primordial importância, o hábito da leitura. Pois é lendo que se aprende a ler.
É na leitura que está baseado o nosso ensino atualmente. Leitura de livros, imagens, textos virtuais e outros e esta leitura tem um papel relevante no processo de ensino aprendizagem de nossos alunos. Esta tem uma função importante na formação intelectual de todos nós. A habilidade da leitura aqui é vista como um dos melhores trabalhos pedagógicos que possa ser realizado. A ideia não é trabalhar com a leitura como uma obrigação, um componente curricular maçante, algo separado das demais práticas pedagógicas, mas como algo que possa ser prazeroso, divertido que, nas palavras de Rubem Alves, seja saboroso.
É através dessa leitura que devemos educar nossos alunos, é através dessa prática que eles desenvolverão diversas habilidades, que serão de fato alfabetizado, é baseado nesse trabalho com leitura que faremos nossas propostas pedagógicas, é com essa leitura que eles se tornarão sujeitos letrados. A leitura é um importante instrumento na educação dos nossos alunos, que pode ser trabalhada em todas as fases educacionais, de forma lúdica e que ao mesmo tempo tenha sentido para os alunos.
É necessário que o aluno consiga realizar uma leitura que tenha sentido para ele, que ele possa aprender com ela, como diz Cavalcanti, “uma leitura significativa que permite olhar os textos para além do que manifestam de forma explícita em sua superfície”. Sendo assim, a leitura é um importante instrumento na educação dos nossos alunos, necessitando essa muitas vezes de uma mediação por parte do professor, que deve utilizar esse momento para realizar o processo de mediação necessário para o letramento dos alunos
Letramento e leitura:
A leitura é uma prática que pode ocorrer em diversos momentos do cotidiano dos alunos. Principalmente quando estes estão em sala de aula, a leitura se faz presente a todo o momento. A leitura dos alunos sozinhos em sala de aula não basta, é nesse momento que o professor deve fazer a mediação a fim de chegar ao objetivo desejado. Por isso é tão importante que os professores sejam agentes de letramento, para que eles possam fazer a mediação em sala de aula a fim de formar os sujeitos letrados que esperamos que os nossos alunos sejam.
Essa mediação ocorre baseada na leitura que os mesmo farão, tanto em sala de aula, como fora dessa. Muito professores não conseguem identificar quando os alunos estão sendo apenas alfabetizados. Não sabem, afinal, qual o objetivo a que desejam chegar com os seus alunos. Estes professores, não são agentes letradores e é muito difícil que estes consigam formar sujeitos letrados em suas turmas.
A prática do letramento tem como função formar sujeitos leitores que sejam capazes de realizar habilidades baseadas no que leram como, por exemplo, fazer inferências, compreender o que está implícita e explícita, conseguir relacionar a outros assuntos, ler nas entrelinhas e outros, até que ele chega ao “último estágio, em que o indivíduo consegue criticar, reelaborar conceitos e trazê-los para sua realidade social, cultural e intelectual com o objetivo de crescer como leitor e cidadão participativo e autônomo” Bortoni-Ricardo.
Essa é a finalidade do trabalho pedagógico de sala de aula baseado na prática da leitura. Todo o trabalho se estabelece, para que ao final, o aluno consiga ser sujeito crítico, leitor ativo, um sujeito letrado. O sujeito letrado é capaz de trazer para o seu dia a dia, todo o que compreendeu com a sua leitura oral ou o escrita. Aí está a importância da leitura. Ela formará o sujeito letrado, o cidadão crítico, que esperamos que a escola forme.
Para isso, é necessário que o aluno entenda a leitura, não como apenas uma prática pedagógica, a ser realizada apenas em sala de aula, mas como uma prática social, que possa realizada a qualquer momento, com qualquer texto, e que esse veja a sua aplicação na sua vida. O educando deve participar ativamente das propostas de mediação realizadas pelo agente letrador, pois apenas com a cooperação do aluno, o professor conseguirá obter os resultados desejados.
A mediação do professor deve ocorrer com estratégias pedagógicas que incentivem a participação de todos os alunos. Os níveis de letramento com os alunos vão avançando de acordo com o que o processo de mediação vai caminhado. Bortoni- Ricardo, Machado e Castanheira (2010) citam Kirsh (2004) “quanto a esses níveis de proficiência, que estão descrito em cinco níveis”. O trabalho de letramento vai além da alfabetização, como já dito anteriormente.
O letramento na língua materna é um processo que se inicia ainda na educação infantil, antes mesmo de o aluno ser alfabetizado. As propostas de mediação para o letramento devem ser realizadas por todos os professores, não apenas pelos das séries de anos iniciais. A leitura é significativa não apenas para a formação do sujeito letrado, mas essa terá uma contribuição relevante também em outros aspectos da formação em língua materna dos alunos como: “contribui para a consciência fonológica, metalinguística e fonêmica, decodificação e fluência, princípio alfabético, compreensão e familiaridades com os texto e vocabulário.
Essas são competências essenciais da leitura.” Bortoni-Ricardo. No (PCN-LP.) consta que o trabalho com leitura tem como finalidade a formação de leitores competentes e, consequentemente, a formação de escritores, pois a possibilidade de produzir textos eficazes tem sua origem na prática de leitura, espaço de construção da intertextualidade e fonte de referências modelizadoras.
Um sujeito leitor é um sujeito letrado, pois este consegue dialogar com o texto e avaliá-lo de diferentes pontos de vista. Ele é capaz de fazer uma leitura significativa, “aquela que permite olhar com os textos para além do que manifestam de forma explícita em sua superfície.” Cavalcanti. Este é o sujeito que devemos formar, aquele que consiga analisar criticamente o que lhe é informado. A mediação do agente letrador já tem como finalidade formar o sujeito letrado, independente de conteúdo, disciplina ou texto trabalhado.
Um sujeito leitor é um sujeito letrado, pois este consegue dialogar com o texto e avaliá-lo de diferentes pontos de vista. Ele é capaz de fazer uma leitura significativa, “aquela que permite olhar com os textos para além do que manifestam de forma explícita em sua superfície.” Cavalcanti. Este é o sujeito que devemos formar, aquele que consiga analisar criticamente o que lhe é informado. A mediação do agente letrador já tem como finalidade formar o sujeito letrado, independente de conteúdo, disciplina ou texto trabalhado.
Porém nada impede que esse use todos os gêneros textuais para a essa processo de mediação. A leitura é um instrumento importante nesse processo. Entre as condições para que haja o letramento, Soares coloca exatamente a disponibilidade de materiais de leitura. Ler não é apenas mostrar que sabe decodificar as palavras, ler é interagir, é expandir a alma, é prazer, é lazer, é fazer história, é descobrir, é inventar, é viajar. O real sujeito leitor é capaz de descobrir isso na leitura.
A leitura de qualquer gênero literário não pode ser excluída do processo de letramento. Não existe tipo de leitura errada, existe ‘hábito de leitura’. “O grau de letramento do aluno depende por um lado, da maior ou menor presença, em seu cotidiano, de prática de leitura e escrita”. Kleiman. Cabe também ao professor apresentar aos alunos os mais diversos gêneros textuais, “não somente aqueles avaliados como naturais ou necessário” Cavalcanti.
Está também é uma estratégia de mediação, de extrema relevância para o letramento. Para Bortoni-Ricardo e Machado o professor deve comportar-se como um promotor de leitura e incentivar o gosto dessa nos educandos e auxiliá-los nessa tarefa. Repensar a leitura como um dos fatores do letramento é importante para que o professor possa inserir essa na sua prática pedagógica, consciente do real sentido do letramento, não realizando apenas o “letramento escolar”, onde a leitura é utilizada apenas para responder questões.
Que possa realmente utilizar a leitura com o sentido de que seu aluno consiga descobrir o que realmente é ler e assim se torne um sujeito leitor ativo, capaz de fazer uso dessa prática no seu cotidiano e não apenas na escola. Outro aspecto importante para a compreensão leitora é o vocabulário. O conhecimento da criança acerca do vocabulário da sua língua materna faz com que essa compreenda melhor o que está lendo. Apesar de a criança desenvolver seu repertório com a leitura, esta não é a única maneira de desenvolvê-la. Bortoni-Ricardo.
“Ressalta-se a relevância do desenvolvimento do vocabulário pelo que se aprende pela oralidade na convivência com os pais, familiares, amigos, e na interação com professores e colegas, na escola e em outros ambientes.” Na escola, os professores desenvolvem diversas estratégias para que haja esse desenvolvimento do vocabulário, assim como afirmam Bortoni-Ricardo “os melhores resultados para desenvolver o vocabulário de leitores principiantes têm sido observados quando se empregam métodos mistos, que, além da busca pelo significado, incluem estratégias de associação de ideias, aprendizado de definições e conceitos, muito treino pela repetição e pela criação de novas sentenças e contextos para as palavras novas, ativando e ampliando o “vocabulário expressivo” da criança.”
Pois quando o trabalho desenvolvido se utiliza apenas de uma única estratégia, pode ser que não se mostre o resultado tão rápido e facilmente. “A leitura de vários gêneros textuais também é responsável pelo desenvolvimento do vocabulário” Bortoni-Ricardo. Mais uma vez mostrando que não é necessário que o trabalho com a leitura se restrinja apenas as aulas de português e a um único gênero literário. Desenvolver o vocabulário é necessário não apenas para que o aluno aprenda o significado das palavras.
Outras regras da língua materna também são aprendidas nesse momento, como acentuação, ortografia e outros. Uma ferramenta de auxílio à compreensão leitora é o dicionário, “amplia a repertório do aluno, pois fornece conceitos de forma rápida, mesmo no estudo solitário”. Não apenas para sanar duvidas de significados, o dicionário, traz diversas informações sobre a língua materna como a ortografia, acentuação, classificação morfossintática, separação silábica, pronuncia e outros.
O desenvolvimento da leitura leva a uma melhora efetiva do ensino, entende-se aqui, ensino no sentido mais amplo, não apenas do ensino da língua materna, como pensam algumas pessoas, apesar de que a contribuição da leitura mostra resultados mais rápido e facilmente no ensino dessa.
Leitura e Educação:
Para Bortoni-Ricardo “é consenso que a leitura é essencial para o indivíduo construir seu próprio conhecimento e exercer seu papel social no contexto da cidadania, pois a capacidade leitora amplia o entendimento de mundo, propicia o acesso a informação, facilita a autonomia, estimula a fantasia e a imaginação e permite a reflexão crítica, o debate de a troca de ideias.” Mas uma vez retornamos ao papel do agente letrador na mediação da leitura.
A mediação não precisa ocorrer apenas no momento da leitura do livro didático. Toda e qualquer atividade didática leitora pode ter mediação. Barbosa diz que “lançamos mão de estratégias de leitura diferentes para aprender as informações contidas nos diferentes textos”. As estratégias que o agente de letramento utilizará, dependerão do objetivo desejado e do interesse nas informações presentes no tipo de texto apresentado.
A leitura tem um papel fundamental no processo de letramento. Para Barbosa “trabalhar as várias formas de ler para apreender o sentido dos textos, é fundamental para o homem e sua adaptação ao mundo moderno”. Ou seja, saber ler é fundamental para ser um sujeito letrado, que consiga fazer uso disso no seu cotidiano. Como diz Soares ao explicar um poema sobre o que é letramento, “letramento é informar-se através da leitura”.
A leitura contribui não apenas na aquisição do vocabulário, mas também na auxilia na construção da escrita, e na aquisição da forma padrão da língua, como diz Kleiman “é o modo de participação da criança, ainda na oralidade, nestas práticas de leitura/escrita, que lhe permite construir uma relação com a escrita”. De acordo com PCN-PL o trabalho com a leitura são situações didáticas adequadas para promover o gosto de ler para desenvolver o comportamento do leitor, ou seja, atitudes e procedimentos que os leitores assíduos desenvolvem a partir da prática de leitura.