O jogo e a brincadeira como ferramenta pedagógica nas escolas
Educação Física Escolar - Jogos e Brincadeiras
1 O jogo e a brincadeira como ferramenta pedagógica nas escolas
Muito se tem discutido que o brincar está acabando, ou seja, as crianças de hoje não consegue brincar como antigamente. Não sé vê mais o menino brincado de futebol na rua com gol de tijolo, nem a menina brincando de boneca na calçada. Falta de segurança, o tempo que está por conta das tarefas de dia a dia, ausência dos pais dentro de casa, podem ser motivos para que esse fato esteja acontecendo. Com isso a escola tende a assumir algumas funções que deveria ser da vida social do aluno.
Jogando e Brincando a criança constrói a sua realidade, transforma seu mundo e, pode até, transformar seu futuro. Mas nem sempre foi assim. Relatos como de Kishimoto, 1994 traz mudança na forma de visão do jogo na educação, onde já foi até proibido para crianças da burguesia, famílias de maior renda da época, por acharem que brincar era sinônimo de vadiagem.
Nosso objetivo é buscar os benefícios que o jogo, a brincadeira e o lúdico podem trazer para os estudantes e para as escolas com a utilização desses recursos como ferramenta pedagógica.
Revisão de literatura:
Antes de pesquisar sobre o jogo e a brincadeira buscamos conceituar uma palavra que está intimamente ligada a essas ações: lúdico.
Uma das palavras mais difíceis de conceituar é o lúdico. Ela se confunde com muitas palavras e na maioria das vezes ela está vinculada a várias outras palavras. No dicionário a palavra está diretamente ligada ao jogo, ao brinquedo e a brincadeira. Para Piaget lúdico envolve não apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar energia das crianças, mas um meio que contribui e enriquece o desenvolvimento intelectual.
O sociólogo francês Roger Caillois trouxe grandes contribuições sobre o lúdico. Entre elas classifica uma atividade lúdica em quatro categorias e que podem ser entendidas como motivação para a busca do lúdico, que são: aventura, vertigem, fantasia e competição.
Trabalhar com o lúdico pode dar muito trabalho, pois o lúdico é pessoal e nem sempre conseguirá atingir a todos, em todos os momentos. Mas é certo que podemos por suas características, diversão, prazer, alegria, o lúdico pode se tornar um grande aliado para educadores em todas as fases da vida, ou seja, desde o educador das crianças da educação infantil até os educadores que trabalham com Ensino Médio.
A classificação é um grande meio de conseguir atingir nossos objetivos em relação à aplicação de jogos e brincadeiras nas escolas. Se pensarmos nelas ao planejar as atividades podemos conquistar os alunos com atividades mais dinâmicas e que traga mais prazer, assim teremos mais participação.
Muito se fala de jogo e brincadeira e grandes são as discussões da real existência da diferença entre essas duas palavras ou duas ações. Buscamos diversos conceitos a fim de sintetizar tais ações e entender como elas podem auxiliar os profissionais que atuam nas escolas.
Kishimoto, diz que definir jogo não é uma tarefa fácil e quando falamos em jogo cada um pode entendê-la de modo diferente. Seu significado está atribuído a culturas diferentes, regras e objetivos que o caracterizam. Para Friedman, 2006 o jogo designa tanto uma atitude quanto uma atividade estruturada que envolva regras e brincadeira refere-se, basicamente, a ação de brincar, ao acompanhamento espontâneo que resulta de uma atividade não estruturada.
Para Brougère, “a brincadeira é, entre outras coisas, um meio de a criança viver a cultura que a cerca, tal como ele é verdadeiramente, e não como ela deveria ser”. Já para Rosa, “os jogos, brincadeiras proporcionam a imaginação às crianças, o brincar preenche necessárias que mudam de acordo com a idade, e proporcionam situações em que a criança cria regras”. Para uma ação prática, ou seja, uma forma mais direta de diferenciar o jogo da brincadeira no momento de aplicação de uma atividade.
Assim encontramos o seguinte conceito: “Atividade que possui regra, com ganhador e perdedor, que o individuo pode escolher participar, exige habilidades de seus participantes e podem trazer benefícios aos participantes, isso é JOGO. Atividade que não possui regras específicas, onde o ato de se divertir é o que mais vale. Podem trazer diversos benefícios, principalmente, para a criança e trás em sua essência a magia e a alegria de estar em harmonia com você e com que brinca com você, isso é BRINCADEIRA.”
Brincadeira é uma ação mais espontânea e que se bem direciona pode ensinar bons valores para quem brinca. A brincadeira não tem um fim estabelecido, ela dura o tempo da motivação de quem está brincado e não possui regras que interfira na dinâmica da atividade. Nela não existe ganhador e perdedor. Já o jogo é uma ação mais complexas que tem regras especificas, momento certo de acabar e necessita de uma preparação maior, de quem joga, para saber lidar com as situações que ele pode proporcionar.
Por exemplo, uma criança de três ou quatro anos não está preparada psicologicamente para receber um estimulo de vitória ou derrota. Para Barros, há muito tempo a escola foi vista pelos alunos como algo fadonho, obrigatório, sem sentido e entediante e quando o educador oferecia um brinquedo ou realizavam brincadeiras recebiam duras criticas de pais e, até mesmo, de colegas de trabalho. É claro que quando oferecido os jogos, brincadeiras e brinquedos as crianças ficavam mais alegres e se divertiam mais, assim achavam a escola mais atraente.
Mas um questionamento da autora nos faz refletir: Será que apenas ao oferecer brinquedos e brincadeiras se está cumprindo a função da escola? E outro questionamento que fazemos: será que só oferecendo brincadeiras e brinquedos estão contribuindo para o desenvolvimento da criança? Para Rosa, a infância se define mesmo por determinado tipo de relacionamento com o mundo externo que não se pauta pelas leis da realidade, mas muito mais pelas leis do próprio desejo.
Não podemos deixar de pensar em conquistar e atingir os gostos dos alunos, que são as pessoas que consomem a educação e essa educação deve ser de qualidade, criativa e dinâmica para acompanhar a evolução que estamos enfrentando com o crescimento da tecnologia a todo vapor. O mundo de hoje é extremamente dinâmico vemos as crianças e jovens fazendo diversas tarefas ao mesmo tempo, como exemplo:
Uma criança de 10 anos escuta musica, assiste televisão, conversa com os amigos na internet, fala no telefone e conversa com você, tudo isso ao mesmo tempo. O jogo/brincadeira/lúdico pode ser uma ferramenta para os educadores conseguirem atingir uma evolução e melhorar sua metodologia, sua didática e, principalmente, conquistando a aluno. Mudar é sempre difícil, principalmente falando em metodologia de ensino, onde professores passam anos com a mesma e depois muda-las ou adapta-las é bem complicado.
E sabemos que qualquer mudança causa um transtorno e pode dar mais trabalho, mas quando os benefícios começarem a surgir, os educadores entenderam que o esforço vale pode valer a pena. Sabemos não ser concreto que essa metodologia será a grande solução para a melhora da educação. Será, sim, uma boa opção para utilizar no processo aprendizagem e o tempo dirá se ela será positiva ou não.