Hematologia, Hemoterapia e Auto-hemoterapia

NOÇÕES BÁSICAS EM AUXILIAR DE LABORATÓRIO DE BIOQUÍMICA CLÍNICA

1 Hematologia:

A hematologia é um segmento da medicina especializado no estudo de doenças relacionadas ao sangue, avaliando suas causas, métodos de prevenção e tratamentos. Deste modo, a hematologia envolve tanto a produção do sangue pelo corpo quanto a avaliação de todos os componentes que formam e estão envolvidos com este fluido, incluindo células sanguíneas, medula óssea, veias e substâncias livre circulantes.

O exame de sangue é um dos mais simples procedimentos médicos e que provê uma grande quantidade de informações para os médicos acerca da saúde de seus pacientes. O hemograma, em especial, descreve detalhadamente a condição da porção celular do sangue.

 

 

Um hematologista, médico especializado nesta área, está envolvido em todas as atividades relacionadas à sangue. Eles atuam em hemocentros (banco de sangue), na coleta de doações sanguíneas; em hospitais, dando suporte para equipes médicas que tratem de pacientes com enfermidades relacionadas ao sangue; e em centros de pesquisa buscando novos tratamentos para estes pacientes através de transplantes de medula óssea, administração de plasma ou uso de drogas altamente específicas.

As principais doenças relacionadas ao sangue são a anemia, a formação de coágulos, a hemofilia e a leucemia, que é o câncer de sangue. No Brasil, a anemia ocorre em 30% da parcela feminina da população adulta e mais de 20% das crianças abaixo de 5 anos (segundo dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde, PNDS).

A anemia relacionada a deficiência de ferro tem grande relação com as condições nutricionais da população e por isso é mais predominante em regiões pobres do mundo. No entanto, a anemia também pode ser causada por disfunções na produção de hemácias e hemoglobina, o que reduz a quantidade de oxigênio transportada pelo sangue causando grande parte dos sintomas característicos de um quadro anêmico: fraqueza, falta de ar e desmaios.

Seus tratamentos principais envolvem o controle do nível de ferro no sangue (para a anemia nutricional), o uso de transfusões de sangue e a administração de agentes estimuladores de eritropoese, que leva a produção de mais hemácias (para casos de anemia severa).

Os coágulos sanguíneos, formados por aglomerados de plaquetas e fatores de coagulação, ocorrem naturalmente para estancar sangramentos. Contudo, em certos casos, eles podem se formar no interior de vasos não danificados, obstruindo a passagem de sangue. Caso estes se formem em órgãos vitais, como pulmão e cérebro, as consequências podem ser gravíssimas. O tabagismo, obesidade e o uso prolongado de contraceptivos estão relacionados com a formação de coágulos.

A leucemia é o câncer do sangue, que se origina na medula óssea e causa a produção de células sanguíneas anormais e não-funcionais. Esta forma de câncer pode ser genética ou adquirida ao longo da vida, sendo o tabagismo e a exposição à radiação fatores de risco que podem aumentar as chances de ocorrência. Os principais sintomas são sangramentos sem motivo aparente, cansaço constante, febre e contusões frequentes. Seu diagnóstico é feito através de exames de sangue e biopsia da medula óssea por times multidisciplinares de hematologistas e oncologistas. O tratamento comum envolve o uso de radioterapia e/ou quimioterapia. Mais recentemente, transplantes de medula óssea têm alcançado resultados promissores.

 

 

 

2 Hemoterapia e Auto-hemoterapia:

A hemoterapia é um tipo de tratamento em que uma quantidade pré-determinada de sangue é coletada de uma pessoa e, após processamento e análise, é transfundido para outra pessoa, auxiliando no tratamento e melhora do paciente.

O processo de hemoterapia pode ser feito em diversas situações, sendo mais frequentemente realizado no tratamento de pessoas que sofreram acidentes e perderam grande quantidade de sangue, durante e após grandes cirurgias e nas pessoas que sofrem de doenças relacionadas com o sangue, como leucemia, anemia, linfoma e púrpura, por exemplo.

O processo de hemoterapia é feito seguindo o mesmo processo da coleta de sangue, ou seja, é colocado um garrote no braço pra permitir a melhor visualização do vaso sanguíneo e, em seguida, é retirada 50 a 300 ml de sangue, que são colocadas em um recipiente próprio contendo heparina, que é uma substância anticoagulante, ou seja, evita que o sangue coagule.

Depois, o sangue coletado é enviado para o laboratório para que sejam feitas análises do sangue e de compatibilidade com a pessoa que irá receber o sangue, afim de evitar qualquer reação transfusional.

A hemoterapia normalmente não representa riscos para o doador e o receptor, no entanto, é importante que sejam compatíveis para que não haja reações relacionadas ao processo transfusional.

Na auto-hemoterapia, por outro lado, a amostra de sangue é retirada e depois é retornada para o organismo da própria pessoa por meio de injeção diretamente na veia ou no músculo, por exemplo.

Esse tipo de tratamento normalmente é feito para estimular o sistema imune e, por isso pode ser usado para aliviar os sintomas de vários problemas de saúde, como artrite, gota ou alergias. Apesar de possuir benefícios, a auto-hemoterapia não é autorizada pela ANVISA e nem pelo Conselho Federal de Farmácia e Conselho Federal de Medicina devido à falta de evidências científicas.

No caso da auto-hemoterapia, como o objetivo é estimular o sistema imune, esse tipo de tratamento alternativo pode ser eficaz nos casos de:

  • Artrite reumatoide;
  • Gota;
  • Bronquite;
  • Alergias;
  • Doença de Crohn;
  • Herpes;
  • Acne;
  • Problemas de circulação;
  • Eczema;
  • Úlceras nas pernas;
  • Infecções por fungos.

Em alguns casos, no sangue injetado da própria pessoa, pode ainda ser adicionado ozono ou preparados de plantas medicinais, para obter maior alívio dos sintomas. Por exemplo, o ozono parece melhorar a oxigenação do sangue e, por isso, pode ajudar nos casos de má circulação. Já o uso de plantas medicinais, como a equinácea, pode estimular o corpo para combater infecções por vírus.

Apesar de teoricamente poder ser utilizada como terapia alternativa para diversas doenças, a auto-hemoterapia ainda não possui comprovação científica de seus benefícios, não sendo a sua prática autorizada no Brasil.

No caso da auto-hemoterapia, esse sangue coletado é reintroduzido no próprio organismo, podendo ser feito diretamente no músculo ou na veia por meio de uma injeção. Antes de ser reintroduzido, o médico pode colocar substâncias no sangue que facilitem o processo de recuperação, como ozono ou preparado de plantas medicinais, por exemplo.

 

Por que a auto-hemoterapia pode funcionar?

O efeito benéfico da auto-hemoterapia parece estar relacionado à presença de antígenos no sangue injetado, que estimulam o corpo a produzir anticorpos, o que torna o sistema imune mais forte para lutar contra a doença que está se desenvolvendo.

Isto é, quando o sangue é injetado novamente no corpo, o organismo começa a atacar esse sangue porque contém vestígios da doença que está se desenvolvendo. Quando isso acontece, o corpo vai ganhando maior resistência contra a doença e, por isso, consegue eliminá-la mais rapidamente. No entanto, essa teoria não possui comprovação científica.

 

Quais os riscos para a saúde

Embora pareça ter vários benefícios para o tratamento de diversas doenças, a auto-hemoterapia não é aprovada pela ANVISA e, por isso, não deve ser utilizada. Isso acontece porque ainda são necessários vários testes para entender os efeitos deste tratamento, assim como identificar possíveis riscos para a saúde.