Diretrizes da OMS sobre a formação básica e a segurança em Quiropraxia
NOÇÕES BÁSICAS EM QUIROPRAXIA
1 Diretrizes da OMS sobre a formação básica e a segurança em Quiropraxia:
Introdução:
A Quiropraxia é uma das modalidades mais popularmente utilizadas de terapia manual. Atualmente é exercida mundialmente e regulamentada por lei em cerca de 40 jurisdições nacionais.
Como um serviço de assistência à saúde, a Quiropraxia oferece uma abordagem conservadora e, embora requeira profissionais habilidosos, ela nem sempre necessita de equipe auxiliar, desta forma gerando custos adicionais mínimos. Consequentemente, um dos benefícios da Quiropraxia reside principalmente no fato de que ela oferece potencial para uma abordagem custo-eficaz de desordens músculo-esqueléticas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) incentiva e apoia os países na utilização adequada de medicamentos, produtos e práticas nos serviços de saúde nacionais que sejam seguros e eficazes. À luz do que foi exposto acima, há a necessidade de se desenvolver diretrizes para a Quiropraxia referentes à formação educacional e segurança no exercício, incluindo informações a respeito das contraindicações para tal serviço.
A regulamentação do exercício da Quiropraxia varia consideravelmente de um país para o outro. Em alguns países, como por exemplo, nos Estados Unidos da América, Canadá e alguns países europeus, a quiropraxia goza de reconhecimento legal e possui o estabelecimento de grau acadêmico no ensino superior. Nestes países, a profissão é regulamentada e as qualificações educacionais estipuladas são geralmente consistentes, satisfazendo às exigências dos respectivos órgãos de credenciamento.
Entretanto, muitos países ainda não desenvolveram a formação educacional da Quiropraxia nem estabeleceram leis que regulamentem o exercício profissional qualificado da Quiropraxia. Adicionalmente, em alguns países, outros profissionais da saúde qualificados e praticantes leigos podem se utilizar de técnicas de manipulação da coluna vertebral e reivindicar que fornecem serviços de quiropraxia, embora não tenham recebido formação quiroprática em um programa reconhecido oficialmente.
Com o rápido crescimento da demanda por serviços quiropráticos, é possível que outros profissionais de saúde desejem obter qualificações adicionais nesta área. Os Programas de Conversão foram desenvolvidos para permitir que indivíduos com formação básica adequada nas ciências médicas pudessem adquirir o conhecimento e as habilidades necessárias adicionais para se tornarem quiropraxistas e, para que estes programas, pudessem ser expandidos. Tais programas devem ser flexíveis com a finalidade de levar em consideração as distintas formações educacionais e treinamento prévio nas ciências médicas.
Nos países onde atualmente inexiste legislação alguma regulamentando o exercício profissional, pode não haver uma estrutura educacional, profissional ou legal que controle o exercício da Quiropraxia. Os requisitos educionais mínimos para o encorajamento dos praticantes para serem registrados e para a proteção dos pacientes encontra-se delineados neste documento. O reconhecimento e a implementação destes requisitos mínimos dependerá das situações individuais do país.
Em alguns países com limitações educacionais, falta de recursos financeiros ou integração insatisfatória de comunidades indígenas na sociedade dominante, os agentes de atenção primária à saúde, especificamente treinados em mioterapia podem contribuir para melhorar os serviços de saúde. Tal cenário pode também servir de base para a introdução de alguns princípios quiropráticos no cuidado à saúde e de intervenções terapêuticas dentro dos sistemas nacionais da saúde que, de outra maneira, seriam indisponíveis no gerenciamento de condições músculoesqueléticas comuns e para a optimização da saúde. Tais programas estão identificados na parte 1, seção 9 abaixo.
2 Objetivo da segurança em Quiropraxia:
Com a finalidade de facilitar o exercício seguro e qualificado da Quiropraxia, bem como a proteção de pacientes e do público, os objetivos destas Diretrizes são:
- fornecer as exigências mínimas para a educação quiroprática
- servir como referência para as autoridades nacionais no estabelecimento de um sistema de regulamentação e avaliação para o exercício qualificado da Quiropraxia
- revisar as contra-indicações com a finalidade de minimizar o risco de acidentes, fazer recomendações no gerenciamento de complicações advindas do tratamento e para promover o exercício seguro da Quiropraxia.
3 Como utilizar o documento:
A primeira parte das Diretrizes abrange as exigências básicas para os diferentes programas de formação, cada um projetado para capacitar os candidatos com antecedentes acadêmicos diversos, incluindo indivíduos sem formação nas ciências médicas, profissionais médicos que desejam utilizar técnicas quiropráticas e profissionais de atenção primária à saúde. Esta parte fornece uma referência para o estabelecimento de vários programas educacionais, particularmente em situações onde nenhum grau educacional formal foi estabelecido. Se as autoridades dos serviços nacionais de saúde necessitarem avaliar o programa educacional, podem consultar o Conselho Internacional de Educação em Quiropraxia. Esta organização não funciona como uma agência que oficialmente reconhece os programas, mas promove o entendimento da variabilidade entre órgãos oficiais de reconhecimento através do diálogo e comunicação.
Um sistema de avaliação e regulamentação pode ser estabelecido ou adaptado baseado neste programa educacional para assegurar a competência dos candidatos e para evitar o exercício da quiropraxia por indivíduos sem qualificação. Espera-se que isto deterá a exploração comercial da educação e do exercício profissional da Quiropraxia, que é um problema relevante e que vem crescendo em alguns países.
A segunda parte das Diretrizes abrange a segurança da terapia manipulativa da coluna vertebral e das contra-indicações para o uso da mesma.
4 Os termos utilizados nestas Diretrizes:
Glossário:
Ajustamento/ajuste
Qualquer procedimento terapêutico quiroprático que se utiliza de força controlada, alavanca, direção, amplitude e velocidade, o qual é aplicado em articulações específicas e nos tecidos adjacentes. Os quiropraxistas usualmente se utilizam tais procedimentos para causar influência nas funções articulares e neurofisiológicas.
Biomecânica
O estudo dos aspectos estruturais, funcionais e mecânicos do movimento humano. Refere-se, principalmente, às forças externas de natureza estática ou dinâmica que lidam com tal movimento.
Quiropraxia/Quiroprática ¹
Uma profissão da saúde que lida com o diagnóstico, o tratamento e a prevenção das desordens do sistema neuro-musculo-esquelético e dos efeitos destas desordens na saúde em geral. Há uma ênfase em técnicas manuais, incluindo o ajuste e/ou a manipulação articular, com um enfoque particular nas subluxações.
Fixação
O estado no qual uma articulação torna-se inteiramente ou parcialmente imobilizada em uma determinada posição, restringindo o movimento fisiológico.
Manipulação articular
Um procedimento manual que aplica um impulso dirigido para mover uma articulação além da sua amplitude fisiológica de movimento, sem ultrapassar o limite anatômico.
Mobilização articular
Um procedimento manual sem impulso, no qual uma articulação normalmente permanece dentro de sua amplitude fisiológica do movimento.
Neuro-musculo-esquelético
Referente aos sistemas nervoso e músculo-esquelético em relação às desordens que se manifestam em ambos os sistemas, incluindo desordens de natureza biomecânica ou funcional.
Palpação
(1) o ato de sentir com as mãos.
(2) Aplicação de pressão manual variável sobre a superfície do corpo com a finalidade de determinar a forma, o tamanho, a consistência, a posição, o mobilidade intrínseca e a condição dos tecidos abaixo.
Postura
(1) o posicionamento do corpo.
(2) a disposição relativa das partes do corpo. A boa postura é o estado de equilíbrio esquelético e muscular que protege as estruturas de suporte do corpo contra lesões ou deformidade progressiva desconsiderando o posicionamento (ortostático, decúbito, cócoras, inclinado) no qual as estruturas estão em atividade ou repouso.
Terapia manipulativa da coluna vertebral
Inclui todos os procedimentos nos quais as mãos ou instrumentos mecânicos são utilizados para mobilizar, ajustar, manipular, aplicar tração, massagem, estimular ou influenciar de outra forma os tecidos paraespinhais e a coluna vertebral com o propósito de influenciar a saúde do paciente.
Subluxação ²
Uma lesão ou disfunção em uma articulação ou unidade motora no qual o alinhamento, movimento, integridade e/ou função fisiológica estão alterados, embora o contato entre as superfícies articulares permaneça intacto. Constitue-se numa entidade essencialmente funcional, a qual pode influenciar a integridade neural e biomecânica.
Complexo de Subluxação (vertebral)
Modelo teórico e descritivo de uma disfunção motora segmentar, o qual incorpora a interação de alterações patológicas em tecidos nervosos, musculares, ligamentosos, vasculares e conectivos.
“Thrust” ³
A aplicação manual súbita de uma força direcional controlada sobre uma parte apropriada do corpo, cuja aplicação gera o ajuste/ajustamento.
5 Filosofia e Fundamentos da Quiropraxia:
A Quiropraxia é uma profissão da saúde que lida com o diagnóstico, o tratamento e a prevenção das desordens do sistema neuro-musculo-esquelético e dos efeitos destas desordens na saúde em geral. Há uma ênfase em técnicas manuais, incluindo o ajuste e/ou a manipulação articular, com um enfoque particular nas subluxações.
Os conceitos e os princípios que distinguem e diferenciam a filosofia da Quiropraxia de outras profissões de saúde são de grande importância para a maioria dos quiropraxistas e influenciam profundamente a atitude e a abordagem destes em relação à atenção à saúde.
As maiorias dos que exercem a profissão sustentam que a filosofia da Quiropraxia inclui conceitos tais como holismo, vitalismo, naturalismo, conservadorismo, racionalismo crítico, humanismo e ética, não se limitando a apenas estes.
A relação entre a estrutura, particularmente a coluna vertebral e o sistema músculo-esquelético, e a função, especialmente coordenadas pelo sistema nervoso, constitue a essência da Quiropraxia e o seu enfoque para a restauração e preservação da saúde.
Hipoteticamente, consequências neurofisiológicas significativas podem ocorrer como resultado de distúrbios funcionais mecânicos da coluna vertebral, descritos pelos quiropraxistas através do termo subluxação ou complexo de subluxação vertebral.
O exercício da Quiropraxia enfatiza o tratamento conservador do sistema neuro-músculoesquelético, sem o uso de medicamentos e procedimentos cirúrgicos. Causas e consequências biopsicossociais também são fatores significativos na abordagem do paciente.
Considerações administrativas e acadêmicas:
A formação dos quiropraxistas envolve certas considerações administrativas e acadêmicas tais como:
- Quem poderia receber a formação?
- Qual seriam o papel e as responsabilidades do profissional?
- Que nível educacional se faria necessário?
- Onde seria fornecida tal formação e por quem ela seria adminstrada?
- Os programas apropriados teriam que começar do zero, ou cursos já existentes e abaixo do padrão poderiam ser fortalecidos ou apropriadamente modificados?
- Haveria educadores qualificados no ensino da Quiropraxia disponíveis ou estes teriam que ser capacitados?
- Quais seriam os mecanismos para o reconhecimento oficial dos profissionais, programas, educadores e instituições de ensino?
Acompanhamento e avaliação:
Para que haja o exercício profissional qualificado e a utilização adequada da Quiropraxia, sistemas se fazem necessários para monitorizar a profissão, o exercício, e a educação e capacitação dos profissionais.
A maioria dos países que regulamentam a profissão, o fazem através da utilização de exames de proficiência de âmbito nacional, regional, estadual ou provincial. Como alternativa, autoridades da saúde podem delegar às associações profissionais o direito de se auto-regulamentarem e de assegurarem a competência dos indivíduos.
Como foi o caso em alguns países ou regiões no passado, antes de efetivar o reconhecimento legal da Quiropraxia, um governo pode preferir avaliar os impactos positivos e negativos da inclusão da Quiropraxia no sistema de saúde vigente.
Formação adicional e possibilidades profissionais:
Reconhece-se que, como uma medida provisória antes do estabelecimento de um programa educacional pleno de quiropraxia, talvez haja a necessidade do estabelecimento de programas "limitados" para suplementar a educação nas ciências da saúde já existente, com a finalidade de dar início ao licenciamento de quiropraxistas nestes países e, assim, garantir o exercício profissional qualificado da Quiropraxia. A forma como os países irão reconhecer os quiropraxistas de formação “limitada” irá variar de acordo com a situação individual de cada país.
Os indivíduos que atuam como “quiropraxistas", e que possuam formação limitada ou nenhuma educação formal em quiropraxia, deverão complementar suas formações para cumprirem com as exigências estabelecidas pelo seu governo quando da efetivação da regulamentação profissional. Desta maneira, este grupo pode ser incorporado efetivamente na força de trabalho profissional do país.
6 Níveis aceitáveis de educação e capacitação:
Fazendo um apanhado de vários programas de formação em diferentes países, estas Diretrizes fazem referência a dois níveis e quatro modalidades diferentes de educação quiroprática, cada qual preparando profissionais da saúde a atuarem como quiropraxistas no sistema de saúde. Estas opções foram disponibilizadas aos países para satisfazer as necessidades individuais de cada país.
Categoria I - educação plena em quiropraxia:
- Para estudantes sem nenhuma formação, nem experiência prévia nas ciências da saúde.
- Como formação suplementar exigida para médicos e determinados profissionais da saúde no intuito de adquirirem qualificação reconhecida como quiropraxista.
Categoria II - educação limitada em quiropraxia:
- Um programa de capacitação limitada, destinada a médicos e outros profissionais da saúde adequados, para os países ou regiões onde não existe legislação alguma que regulamente o exercício da profissão e onde deseja-se introduzir a Quiropraxia; este programa não qualifica plenamente o indivíduo.
Tal formação deve ser conduzida como uma medida temporária para o estabelecimento da Quiropraxia e/ou como primeiro estágio para o desenvolvimento de um programa educacional quiroprático pleno. Esta formação é estabelecida como exigência mínima para licenciamento; cursos dentro desta modalidade deverão ser substituídos por programas educacionais plenos tão logo seja possível fazê-los.
- Formação exigida para se obter um nível mínimo aceitável de competência para candidatos que representam prestadores de atendimento quiroprático em países ou regiões sem regulamentação, mas com a intenção de se introduzir uma legislação para controle do exercício da Quiropraxia.
Esta modalidade não conduz a qualificação plena, mas sim a um padrão para licenciamento mínimo. Cursos dentro desta modalidade constituem-se numa medida temporária e deverão ser substituídos por programas educacionais plenos apropriados tão logo seja possível fazê-los.
7 Modelos de educação em Quiropraxia:
Categoria I (A):
Os seguintes modelos apresentam pequenas variações; entretanto, no geral, há três vias educacionais principais que envolvem a educação em tempo integral:
- Um programa de quatro anos, tempo integral dentro de faculdades ou universidades especificamente designadas, após 1-4 anos de conclusão de formação pré-quiroprática adequada em Ciências Básicas em nível superior.
- Um programa de graduação em quiropraxia, de cinco anos de bacharelado integrado, oferecido por universidade pública ou privada, com o ingresso do candidato baseado no seu estado de matrícula, requisitos para admissão na universidade e restrição de cotas.
- Um programa de Mestrado Profissionalizante de 2-3 anos após a conclusão satisfatória de um programa de bacharelado designado específico em quiropraxia ou uma graduação adequadamente adaptada das ciências da saúde.
Categoria I(B):
Programas para indivíduos com formação educacional prévia em medicina ou outros profissionais da área de saúde. Tais cursos podem variar em duração e disciplinas exigidas, dependendo da formação educacional prévia do candidato.
Categoria II(A):
Os Programas de Conversão, para pessoas com formação prévia em medicina ou outros profissionais da saúde com o intuito de obter qualificação educacional "limitada" em quiropraxia, devem ser convenientemente estruturados, em modalidade de tempo não-integral, satisfazendo todos as exigências mínimas, embora não conduzindo à qualificação plena.
Categoria II(B):
Nestes programas, a duração e conteúdo do curso podem também variar amplamente dependendo da formação e da experiência prévia do candidato. Na conclusão destes programas, os estudantes terão completado as exigências de um primeiro programa ao nível de bacharelado em quiropraxia, através de um curso de regime de tempo não-integral, e adquirido o conhecimento e as habilidades necessárias para prestar atendimento quiroprático de forma segura, mesmo que o atendimento seja básico. Tais cursos não conduzem a uma qualificação plena em quiropraxia.
8 Educação Plena em Quiropraxia - Categoria I(A) E I(B):
Dentro desta categoria estão os programas de formação para indivíduos sem educação prévia em medicina ou em outras áreas da saúde.
O objetivo desta categoria é proporcionar uma formação que seja consistente com as exigências estabelecidas naqueles países onde há regulamentação oficial presente. Uma vez obtida esta formação, os quiropraxistas atuam como profissionais de atenção primária à saúde, querem seja de maneira independente ou como parte das equipes de saúde, a nível comunitário dentro de centros de saúde ou hospitais.
Requisitos para ingresso:
O candidato, para ser aceito, deverá ter concluído o ensino médio, passado o exame de entrada na universidade ou seu equivalente com formação apropriada em Ciências Básicas, como exigidos pelo programa em questão.
Formação básica:
Independente do modelo de educação utilizado, para aqueles indivíduos sem formação ou experiência prévia relacionada à área de saúde, são exigidos um mínimo de 4.200 horas de contato entre estudante e professor ou o equivalente, distribuídos em quatro anos de formação de tempo integral. Isto inclui um mínimo de 1.000 horas de estágio clínico supervisionado.
Currículo Nuclear:
Objetivos educacionais
A competência no exercício da quiropraxia requer a obtenção de habilidades psicomotoras, hábitos, atitudes, compreensão e conhecimento relevantes. O currículo e o processo de avaliação do acadêmico devem ser criados para assegurar que o egresso da graduação em quiropraxia demonstre as seguintes competências:
Ele/ela deve possuir entendimento pormenorizado e amplo domínio de suas habilidades e dos saberes que constituem a base da quiropraxia em seu papel como profissão da saúde, que compreendem:
- Obter conhecimento básico das ciências da saúde, com uma ênfase especial nas áreas relacionadas à subluxação vertebral e aos sistemas neuromúsculoesqueléticos;
- Obter conhecimento teórico detalhado da biomecânica do sistema locomotor humano tanto da função normal como patológica e, em especial, possuir a habilidade clínica necessária para uma avaliação específica da biomecânica da coluna vertebral;
- Reconhecer a história da quiropraxia e seu paradigma sui generis na atenção à saúde;
- Obter um nível da destreza e de perícia nos procedimentos manipulativos enfatizando a manipulação/ ajuste da coluna vertebral, imprecindível dentro do campo da quiropraxia;
- Ter a capacidade de decidir se o paciente possui as condições necessárias para ser tratado através da quiropraxia, com segurança e apropriadamente, ou deveria ser encaminhado a um outro profissional ou estabelecimento de saúde para ser atendido de forma independente ou interdisciplinarmente com sua colaboração.
Ele/ela deve atuar num nível clínico esperado de um profissiologia da saúde de primeiro contato, que inclui:
- Realizar competentemente os diagnósticos diferenciais das queixas apresentadas pelos pacientes;
- Adquirir habilidade particulamente em diagnóstico por imagens, ortopedia, tratamento da dor e na reabilitação do sistema neuromúsculoesquelético e/ou no diagnóstico e tratamento da subluxação vertebral;
- Obter competência na interpretação clínica dos exames laboratoriais;
- Adquirir a habilidade de avaliar de forma crítica o conhecimento clínico e científico;
- Compreender e aplicar na prática as informações médico-científicos fundamentais; ser capaz de consultar com e/ou encaminhar para outros profissionais da saúde;
- Comumente possuir o conhecimento e a habilidade necessária para servir e comunicar-se com o público de maneira eficiente e segura.
Ele/ela deve ser capaz de:
- aplicar o conhecimento científico fundamental do corpo humano;
- compreender a natureza normal e patológica da biomecânica e da postura, assim como a fisiopatologia do sistema neuromúsculoesquelético e de sua relação com outras estruturas anatômicas;
- estabelecer uma relação satisfatória com os pacientes;
- obter, registrar e poder comunicar as informações clínicas;
- interpretar com precisão os resultados de exames laboratorias e do diagnóstico por
- imagens do sistema neuromúsculoesquelético;
- estabelecer um diagnóstico clínico correto;
- assumir a responsabilidade do bem-estar do paciente;
- aplicar julgamento clínico correto na escolha da terapêutica adequada;
- proporcionar tratamento adequado;
- prestar uma assistência à saúde continuada de forma competente ;
- compreender a aplicabilidade de métodos e técnicas atualizadas no cuidado à saúde;
- aceitar as responsabilidades próprias do quiropraxista;
- prezar a habilidade e o escopo de prática da quiropraxia e das demais profissões da saúde para a facilitação da cooperação e respeito intra e interdisciplinas;
- selecionar temas para a pesquisa, criar projetos simples de pesquisa, apreciar de formar crítica os estudos clínicos e participar de programas de pesquisa multidisciplinares;
- comprometer-se à necessidade de aprendizado vitalício e desenvolvimento profissional contínuo.
Os componentes das Ciências Básicas:
Os programas reconhecidos oficialmente tanto requerem disciplinas das Ciências Básicas como pré-requisitos ou incluem créditos necessários de química, física e biologia no primeiro ano do currículo.
Os componentes das Ciências Pré-clínicas (Aplicadas):
As disciplinas pré-clínicas inclusas nos cursos de quiropraxia geralmente são:
Anatomia, Fisiologia, Bioquímica, Patologia, Microbiologia, Farmacologia e Toxicologia, Psicologia, Dietética e Nutrição e Saúde Pública.
Os componentes de Ciências Clínicas:
Os componentes de ciências clínica incluiriam ou cobririam:
Exame clínico (anamnese e exame físico), exames laboratoriais, diagnóstico diferencial, radiologia, neurologia, reumatologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, ortopedia, pediatria básica, geriatria básica, ginecologia e obstetricia básica e dermatologia básica.
Ciências Quiropráticas e disciplinas adicionais:
Em geral incluem:
- Neurologia aplicada e Ortopedia aplicada;
- Biomecânica clínica, incluindo avaliação específica biomecânica/quiroprática do paciente incluindo métodos tais como:
o Análise da marcha e da postura;
o Palpação estática e dinâmica das articulações e estruturas ósseas;
o Avaliação do tonus e da função dos tecidos moles;
o Diagnóstico por imagens e análise;
- História, princípios e filosofia da saúde, pertinentes à quiropraxia;
- Ética e jurisprudência relacionada à prática da quiropraxia;
- Estudo dos antecedentes históricos da medicina tradicional e complementar/alternativa na assistência à saúde.
Intervenções terapêuticas com relação ao paciente:
Incluem:
- Procedimentos manuais, especialmente do ajustamento e manipulação da coluna vertebral, outros tipos de manipulação e mobilização articular e técnicas reflexas e de partes moles;
- Exercícios, programas de reabilitação e outras formas de cuidado ativo;
- Aspectos psicossociais do cuidado ao paciente;
- Educação do paciente sobre os cuidados com a sua coluna vertebral, postura, nutrição e outras mudanças no estilo de vida;
- Tratamentos emergenciais e procedimentos de manuseio na dor aguda, conforme indicação clínica;
- Outras medidas de apoio às quais podem incluir o uso de coletes e órteses;
- Reconhecimento das contra-indicações e procedimentos de gerenciamento de risco, das limitações do tratamento quiroprático e da necessidade de protocolos referentes ao encaminhamento de pacientes a outros profissionais da saúde.
Documentação e arquivamento de informações clínicas:
Incluem:
- Registro das queixas principais, antecedentes de saúde, achados do exame físico, avaliação, diagnóstico e planejamento terapêutico;
- Documentação minuciosa de cada encontro com o paciente;
- Achados da reavaliação e documentação de qualquer modificação na conduta;
- Prezar pelas questões ligadas ao sigilo profissional e privacidade;
- Obrigações relacionadas ao consentimento informado;
- Informação para fins legais e de seguros de saúde.
Pesquisa:
Compreende:
- Metodologia básica de pesquisa e bioestatística;
- Interpretação dos protocolos e dos procedimentos baseados em evidência e princípios da melhor prática;
- Uma abordagem epidemiológica à documentação clínica, incentivo à documentação de estudos de casos e participação em projetos de pesquisa de campo;
- Desenvolvimento de uma abordagem crítica racional na tomada de decisão clínica e consideração de artigos publicados e diretrizes clínicas relevantes;
- Desenvolvimento de habilidades necessárias para manter-se atualizado dentro da literatura e pesquisas recentes.
Educação Plena Em Quiropraxia - Categoria I (B):
A educação quiroprática plena, incluindo requesitos de ingresso, geralmente requer de quatro a sete anos de estudo em ensino superior em período integral. O currículo inclui disciplinas das ciências básicas e clínicas de duração e conteúdo similar ao encontrado na formação médica.
Médicos e outros profissionais da saúde podem completar as exigências para obtenção de uma formação acadêmica plena em quiropraxia num período de tempo menor devido ao aproveitamento de créditos obtidos na formação prévia.
O objetivo de um programa educacional deste tipo é possibilitar que determinados profissionais da saúde possam se qualificar como quiropraxistas.
Cursos Especiais:
Tais programas podem ser de tempo integral ou parcial, dependendo da experiência educacional e das circunstâncias do grupo de candidatos. Os programas são estabelecidos de modo que possam cobrir disciplinas não cursadas na formação em saúde prévia. Isto incluiria as disciplinas específicas da quiropraxia e as disciplinas das ciências médicas cujo conteúdo é inadequado para as exigências da formação quiroprática.
Formação Básica:
A duração da formação depende dos créditos recebidos na formação educacional e experiências prévias, contudo não deverá ser inferior a 2.200 horas distribuídas em 2 ou três anos em programas de período integral ou parcial, incluindo não menos que 1.000 horas de experiência clínica supervisionada.
9 Educação limitada em Quiropraxia - Categoria II(B):
Esta modalidade aplica-se aos indivíduos com formação limitada, os quais se identificam como “quiropraxistas”, no intuito de cumprir as exigências mínimas para o exercício profissional seguro. Em muitos países, não há exigências para o mínimo de educação quiroprática necessária. Isto leva ao exercício não-habilitado da quiropraxia, que é indesejável do ponto de vista de segurança para o paciente. Tais programas preparam os candidatos a cumprirem as exigências mínimas para o exercício profissional seguro da Quiropraxia.
Ampliar o conhecimento e as habilidades dos profissionais existentes que utilizam alguma forma de quiropraxia, com a finalidade de garantir a segurança pública e a cessão de serviços quiropráticos adequados. Esta abordagem deveria ser empregada somente como uma medida temporária.
Cursos especiais:
Como a formação pré-existente dos profissionais varia amplamente, assim também variam os modelos educacionais adotados para abordar situações como esta. A experiência adquirida sugere que o desenvolvimento dos cursos pode requerer estudos específicos para avaliar as necessidades.
O exemplo demonstrado no anexo 5 é de um programa básico de três anos de duração em tempo parcial, projetado para cumprir ou até exceder as exigências mínimas. Os candidatos inscritos recebem os créditos ou as considerações baseados em sua formação prévia ou qualificações existentes. As exigências para ingresso a tais programas têm sido a conclusão de um programa qualificado local e um período adequado de experiência clínica, em geral 2-3 anos.
Programas deste tipo deveriam considerar muito o valor de ter um programa reconhecido oficialmente como parceiro colaborador com a finalidade de fornecer orientação educacional.
Formação básica:
A duração da formação não deve ser inferior a 2.500 horas em um programa de tempo integral ou parcial, incluindo um mínimo de 1.000 horas da experiência clínica supervisionada.
Avaliação e examinação dos estudantes de quiropraxia:
Com a finalidade de garantir a segurança do paciente e o exercício profissional qualificado da quiropraxia, um sistema de avaliação independente e de licenciamento é necessário. Por ocasião da conclusão final da formação acadêmica, o conhecimento teórico e a competência clínica do egresso deve ser avaliada de maneira independente através de exames oficiais.
O desenvolvimento profissional continuado deve ser encorajado para fins de manutenção da licença.
A Quiropraxia e os agentes de atenção primária à saúde:
Agentes de atenção primária à saúde - mioterapeutas
Alguns quiropraxistas, individualmente, desenvolveram cursos de capacitação em situações multidisciplinares, com programas que satisfazem as exigências nacionais. Estes cursos apresentam técnicas músculoesqueléticas básicas de tecidos moles, massagens e outras práticas terapêuticas para enfermeiras nativas, agentes comunitários de saúde, os quais aplicam princípios de atendimento quiroprático e tratamentos básicos sem o emprego de técnicas de manipulação da coluna vertebral. Tal formação deve ser sensível para com a cultura local existente e as questões étnicas, devendo explorar e acolher, onde possível, as práticas tradicionais locais.
Determinadas técnicas para alívio a dor e que lidam com a disfunção músculoesquelética, assim como o tratamento pertinente dos fatores músculoesqueléticos susceptíveis de modificação, podem ser ensinadas aos agentes de atenção primária à saúde, principalmente aos agentes de saúde comunitários, com a finalidade de melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem nas áreas rurais ou remotas.
Os cursos contêm uma combinação de unidades flexíveis optativas e obrigatórias que abordam diversas competências para suprir os requisitos existentes in loco. Estes podem incluir:
- massagem terapêutica;
- técnicas mioterápicas específicas;
- aconselhamento sobre estilo de vida e saúde culturalmente apropriado;
- abordagem dos fatores de risco músculoesqueléticos modificáveis, tal como a manutenção do peso ideal e a prática de atividade física, a eliminação do consumo de tabaco e a prevenção de lesões;
- avaliação músculoesquelética;
- técnicas de tratamento de “pontos-gatilho”;
- técnicas de liberação miofascial;
- técnicas de estimulação de tecido profundo;
- técnicas de alongamento;
- primeiros socorros para as lesões desportivas (incluindo as técnicas de bandagem e de imobilização).
Está excluído deste programa de formação tanto o ajustamento quanto à manipulação articular.
As indicações que justificam este tipo de procedimento exigiriam a atenção de um quiropraxista ou outro profissional devidamente qualificado.
Métodos e duração da formação:
A formação envolve “oficinas”, demonstrações interativas, aplicações clínicas e tarefas.
Os programas de treinamento teriam uma duração (supervisionada) de, no mínimo, 300 horas