O processo Histórico da atividade turística Mundial e Nacional
Auxiliar de Hotelaria
1 Introdução
A formação espacial deriva de um duplo conjunto de interações, que existem de forma necessariamente articulada:
O conjunto das interações homem-meio; e o conjunto das interações homem-homem". Portanto, o espaço deve ser pensado como a forma de organização da produção e da sociedade, ou seja, ele é a manifestação concreta das relações sociais entre o homem e a natureza. Assim, quando a natureza é transformada pelo trabalho humano, tem-se a formação do espaço. Dessa forma, entender a organização do espaço é entender as relações de trabalho na sociedade.
A partir da análise da formação do espaço, bem como das relações sociais que se desenvolveram em seu âmbito ao longo do processo histórico, pode-se compreender melhor a natureza das diferenças regionais que existem entre as diversas escalas espaciais, isto é, entre o local e o regional, entre o regional e o global e entre o local e o global. Nesse sentido, Moreira não só afirma que o espaço é história, como diz que a história desenrola-se no espaço geográfico.
Então, o ato de viajar sempre esteve presente na vida das pessoas ao longo da história, seja para conquistar novos territórios, subjugar povos menos desenvolvidos, realizar transações comerciais, cuidar da saúde, ampliar o conhecimento científico, ou mesmo, conhecer paisagens, culturas e idiomas diferentes. No entanto, com o desenvolvimento socioeconômico da população mundial e a melhoria do padrão de renda e de consumo dos trabalhadores, as viagens se popularizaram e ganharam novos conceitos, ou seja, lazer e férias.
Nesse sentido, Rodrigues (2000) assegura que a indústria do turismo tem apresentado resultados excepcionais em países em desenvolvimento, visto que não só colabora para a criação de empregos, o aumento da renda e a geração de divisas, como contribui para diminuir as diferenças regionais e melhorar a qualidade de vida das regiões mais atrasadas, devido à execução de obras de infraestrutura, tais como transporte, saneamento, energia e etc.
Nesse sentido, Rodrigues assegura que a indústria do turismo tem apresentado resultados excepcionais em países em desenvolvimento, visto que não só colabora para a criação de empregos, o aumento da renda e a geração de divisas, como contribui para diminuir as diferenças regionais e melhorar a qualidade de vida das regiões mais atrasadas, devido à execução de obras de infraestrutura, tais como transporte, saneamento, energia e etc origem mundial do turismo, enquanto, no segundo tópico, será apresentado um breve histórico da atividade turística no Brasil.A
2 1.1 Definição e Origem Mundial do Turismo
A palavra turismo deriva do termo inglês tourism que, por sua vez, tem origem na palavra francesa tourisme. O termo provém do substantivo latino tornus (volta) ou do verbo tornare (voltar). Inicialmente, significava “movimento circular” e, com o tempo, passou a ser entendido como “viagem de recreio, excursão”. Nesse contexto, o suíço Arthur Haulot, ao buscar a raiz francesa (tour) do atual conceito de turismo (tourisme), encontrou sua procedência no hebreu antigo. Para o estudioso, tour, em hebraico antigo, significava “viagem de descoberta, de exploração, de reconhecimento”
Atualmente, o turismo abrange a interrelação de diferentes setores de atividade econômica, a fim de se promover uma viagem cultural, religiosa, de lazer ou de negócios. Para tanto, é necessária a provisão de transporte, alojamento, recreação, alimentação e outros serviços relacionados para o atendimento das necessidades dos viajantes domésticos e internacionais, desde a chegada até a saída de uma cidade, estado ou país.
Em resumo, o turismo compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras.
O turismo é um complexo processo que não só envolve o propósito da viagem, bem como a infraestrutura e os custos necessários para viabilizá-lo e a satisfação final do viajante que o demanda. Ele envolve uma infinidade de setores e, quando bem executado, incita o consumo de mais pessoas por diversas motivações, o que estimula a interação social e a qualidade de vida dos turistas.
Desse modo, a atividade turística pode atingir as perspectivas de quatro agentes econômicos de formas diferentes, ou seja: o turista busca satisfazer as suas necessidades e desejos por meio de novas experiências com o turismo, enquanto os prestadores de serviços almejam a obtenção do lucro financeiro com esse ramo de atividade. Por sua vez, a comunidade onde se localiza o destino turístico visa à geração de empregos e à promoção do intercâmbio cultural, ao passo que os agentes do governo consideram o turismo como um setor que gera riqueza e desenvolvimento para a região que o compreende.
É difícil precisar o momento histórico em que se iniciou a atividade turística, visto que o ato de viajar sempre foi comum às diferentes sociedades, desde as pré-históricas até as contemporâneas, na procura por novos territórios, na exploração de paisagens naturais diversas e na busca de distintas formas de divertimento.
Contudo, enquanto há registros na Caverna de Madasin, nos Pirineus, que os habitantes locais viajavam até o mar e retornavam há mais de 13.000 anos; a viagem que a rainha de Sabá fez, ao deixar o seu palácio na Arábia, para fazer uma visita ao Rei Salomão em Jerusalém, no século X a.C., é considerada o marco inicial do turismo na Antiguidade.
Mas foi na Antiguidade Clássica, notadamente na Grécia e em Roma, que o turismo começou a desenvolver-se como atividade econômica. À medida que os Jogos Olímpicos atraiam atletas e espectadores, a cada quatro anos, para a cidade-estado de Olímpia, o que levou os cidadãos gregos a criarem estruturas de alojamento, alimentação e transporte para esses primeiros turistas motivados a lazer; a expansão do Império Romano não só estimulou um intenso intercâmbio comercial, como favoreceu as viagens de entretenimento, dada a quantidade de espetáculos circenses, teatros, lugares termais e locais de lutas com os gladiadores que se oferecia em Roma. É importante ressaltar que o desenvolvimento das obras viárias (estradas, pontes, viadutos e outras) pelos romanos permitiu deslocamentos cada vez mais longos pelos viajantes europeus.
Há outros movimentos que também estimularam o advento do turismo ao longo da história. Entre eles, conforme Machado e Queiroz, têm-se:
a)As peregrinações religiosas realizadas pelos romeiros à Roma a partir do século VI; pelos mulçumanos com destino à Jerusalém e à cidade de Meca no século VII e pelos cristãos em direção à tumba de Santiago de Compostela, descoberta no século IX, na Espanha; todas elas levaram às primeiras formas de excursões registradas;
b)as Cruzadas, ocorridas entre os séculos XI e XIV, que, pelo lado religioso, visavam à expulsão dos mulçumanos de Jerusalém e, pelo lado econômico, objetivavam não só a expansão de terras e riquezas pelos cavaleiros e senhores feudais, bem como a ampliação dos mercados pelos comerciantes.
Assim, as Cruzadas contribuíram para o surgimento de rudimentares hospedarias e agências de viagem;
c)oO renascentismo que floresceu na Europa entre os séculos XIV e XVI, a fim de promover uma intensa produção artística e científica, o que estimulou a nobreza masculina e o clero a realizarem viagens educativas e culturais para acumularem conhecimentos, aprenderem idiomas e curtirem aventuras;
d)A expansão comercial européia e a disseminação do uso da bussola, entre os séculos XVI e XIX, que promoveram, por um lado, as viagens de negócios e, por outro lado, o Grand Tour, ou seja, uma modalidade de viagem que combinava lazer e instrução, difundindo-se entre a elite britânica e, posteriormente, entre a elite européia.
Dessa forma, à medida que o turismo já era reconhecido, no século XVIII, como uma atividade motriz, por seu potencial econômico; após a consolidação da Revolução Industrial, os avanços científicos e tecnológicos, o desenvolvimento socioeconômico da população mundial e a melhoria da legislação trabalhista e do padrão de renda e de consumo dos trabalhadores, a atividade turística se intensificou, o que aumentou a procura por viagens de recreação.
Em várias regiões do mundo, tais como em Roma, na Grécia, no Reino Unido, na Bélgica, na França, na Suíça e na Alemanha, o desenvolvimento da atividade turística passou a se relacionar ao aparecimento das estâncias termais e dos jogos de azar. Enquanto as viagens aos balneários eram recomendadas pelos médicos para a melhoria da saúde e do conhecimento, prática que só era viável à aristocracia; os jogos de azar, em muitos países, eram atividades de entretenimento permitidas somente dentro das termas. Com o sucesso das estâncias na Europa, muitos investidores aliaram as termas, os cassinos e as belas paisagens em um único lugar, o que estimulou a atividade turística. Assim, na segunda metade do século XIX, a burguesia europeia já promovia viagens organizadas.
Thomas Cook foi considerado o pai do turismo moderno, visto que, em 1841, organizou a primeira viagem coletiva da história do turismo internacional, ao andar 15 milhas e transportar 578 pessoas, de Loughborough a Leicester, na Inglaterra, a fim de participar de um congresso contra o alcoolismo. Após esse feito, em 1845, ele não só fundou, em parceria com o seu filho James, a agência Thomas Cook & Son, como também escreveu um livro profissional sobre viagens, Handbook of the trip, para uso dos turistas.
Dessa forma, à medida que o turismo já era reconhecido, no século XVIII, como uma atividade motriz, por seu potencial econômico; após a consolidação da Revolução Industrial, os avanços científicos e tecnológicos, o desenvolvimento socioeconômico da população mundial e a melhoria da legislação trabalhista e do padrão de renda e de consumo dos trabalhadores, a atividade turística se intensificou, o que aumentou a procura por viagens de recreação.
Em várias regiões do mundo, tais como em Roma, na Grécia, no Reino Unido, na Bélgica, na França, na Suíça e na Alemanha, o desenvolvimento da atividade turística passou a se relacionar ao aparecimento das estâncias termais e dos jogos de azar. Enquanto as viagens aos balneários eram recomendadas pelos médicos para a melhoria da saúde e do conhecimento, prática que só era viável à aristocracia; os jogos de azar, em muitos países, eram atividades de entretenimento permitidas somente dentro das termas. Com o sucesso das estâncias na Europa, muitos investidores aliaram as termas, os cassinos e as belas paisagens em um único lugar, o que estimulou a atividade turística. Assim, na segunda metade do século XIX, a burguesia europeia já promovia viagens organizadas.
Dessa forma, à medida que o turismo já era reconhecido, no século XVIII, como uma atividade motriz, por seu potencial econômico; após a consolidação da Revolução Industrial, os avanços científicos e tecnológicos, o desenvolvimento socioeconômico da população mundial e a melhoria da legislação trabalhista e do padrão de renda e de consumo dos trabalhadores, a atividade turística se intensificou, o que aumentou a procura por viagens de recreação.
Em várias regiões do mundo, tais como em Roma, na Grécia, no Reino Unido, na Bélgica, na França, na Suíça e na Alemanha, o desenvolvimento da atividade turística passou a se relacionar ao aparecimento das estâncias termais e dos jogos de azar. Enquanto as viagens aos balneários eram recomendadas pelos médicos para a melhoria da saúde e do conhecimento, prática que só era viável à aristocracia; os jogos de azar, em muitos países, eram atividades de entretenimento permitidas somente dentro das termas. Com o sucesso das estâncias na Europa, muitos investidores aliaram as termas, os cassinos e as belas paisagens em um único lugar, o que estimulou a atividade turística. Assim, na segunda metade do século XIX, a burguesia europeia já promovia viagens organizadas.
Com sua iniciativa pioneira, Cook introduziu o conceito de viagem organizada; popularizou o turismo entre pessoas de diferentes classes sociais, ao montar o primeiro pacote turístico (package) da história, no qual, incluíam-se serviços de transporte, hospedagem, alimentação e guia; criou o cupom de hotel que, atualmente, é conhecido como voucher hoteleiro e foi precursor em dar a volta ao mundo, com um grupo de nove pessoas, em 222 dias. Em resumo, Thomas Cook disse:mais do que qualquer outro empresário, contribuiu para mudar a imagem das viagens: de uma atividade necessária e nem um pouco aprazível, de uma tarefa árdua e voltada para a educação, para um prazer, um entretenimento e um novo conceito: ‘férias.
3 1.2 Breve Histórico do Turismo no Brasil
No período colonial brasileiro, momento em que era preciso, de um lado, povoar o litoral, a fim de se evitar invasões estrangeiras e, de outro, explorar o interior do país, em busca de ouro e de metais preciosos, as expedições bandeirantes foram importantes para abrir caminho entre a costa e as regiões mineradoras. Enquanto os transportes rudimentares eram realizados em lombos de burros, as acomodações eram feitas em ranchos precários, onde viajantes e animais eram alimentados e hospedados. Surge, portanto, o embrião da hotelaria brasileira que perdurou até o século XX.
Ao contrário do que ocorreu em outras economias mundiais, no Brasil, o desenvolvimento do turismo não acompanhou o crescimento das casas de jogos. Diferentemente, ele foi motivado pela abertura dos portos às nações amigas em 1808. Naquele momento, a família real chegou ao país e se surpreendeu com a falta de hospedagem e de restaurantes em todo o território imperial. No entanto, com o crescimento da entrada de visitantes no Brasil, novas hospedarias foram construídas, restaurantes se tornaram mais apresentáveis, novas rotas de trem foram estabelecidas e novos costumes foram assimilados, entre eles, banhar-se em águas termais ou salgadas e recorrer-se aos locais de veraneio, a fim de se evitar a proliferação de doenças.
Apesar da difusão dos hábitos de higiene no país, até meados do século XIX, não havia quartos de banho em muitos hotéis brasileiros, o que levava os hóspedes a recorrerem às casas de banho públicas. Logo, para atrair a preferência da clientela, a rede hoteleira carioca passou a oferecer casas de banho próprias ou anexas às suas instalações. Ademais, banhos quentes, duchas, banheiras de mármore, banhos de mar com salva-vidas, banhos de cachoeira e piscinas também foram alternativas oferecidas para cativar os hóspedes. Desse modo, ao proporcionar uma série de comodidades para os clientes, tais como salas de banho, candelabros a gás, escada de mármore branco, mobiliário requintado, correio, telégrafos e outros serviços, o Grande Hotel, inaugurado em 1878, em São Paulo, foi considerado o melhor estabelecimento do Brasil naquele período.
À medida que as primeiras regiões brasileiras a hospedar turistas foram Petrópolis (RJ), Caxambu (MG), Poços de Caldas (MG), Campos do Jordão (SP), Caldas da Imperatriz (SC) e Santo Amaro (SC); a cidade do Rio de Janeiro foi pioneira ao receber, em 1907, uma excursão internacional organizada pela agência Thomas Cook & Son, cuja tripulação estava a bordo do navio a vapor Byron. A partir desse momento, passaram a serem ofertados incentivos fiscais para a construção de hotéis na capital nacional, o que favoreceu, inicialmente, a edificação do maior empreendimento do país, o Hotel Avenida, com 220 quartos e, posteriormente, o hotel mais luxuoso do Brasil, o Copacabana Palace, inaugurado em 1922, com 233 apartamentos. Dessa forma, com o advento de shows e espetáculos voltados para uma elite acostumada à moda europeia, surgiram cassinos, hotéis de luxo e estâncias climáticas de alta classe no país, o que instigou o turismo brasileiro no século XX.
Nos anos 1930, segundo Tadini e Melquiades, os estímulos governamentais também contribuíram para o desenvolvimento da hotelaria e do cassinismo em estâncias termais, o que propiciou a criação do Grande Hotel São Pedro (SP), do Grande Hotel Araxá (MG) e de outros estabelecimentos hoteleiros em estâncias climáticas conhecidas, entre elas, Lindóia (SP), Serra Negra (SP), Poços de Caldas (MG) e São Lourenço (MG).
Analogamente, a aviação comercial brasileira se tornou atividade importante para o desenvolvimento do turismo de saúde no início do século passado, impulsionando o turismo interno e externo. Entre 1929 e 1939, o número de companhias áreas e de viagens aumentou, no mercado interno, de quatro para nove e de 1.476 para 7.900, respectivamente. Em 1945, por sua vez, a quantidade de vôos alcançou a cifra de 22.553, ao passo que as empresas aéreas totalizavam 65 unidades no país.
É importante ressaltar que apesar do crescimento do número de cassinos no país, todos os estabelecimentos (casas, centros, cassinos e termas) que mantinham os jogos de azar foram fechados, por meio do Decreto-Lei nº 9.215 de 30 de abril de 1946, pelo General Eurico Gaspar Dutra, visto que eram considerados, na percepção do ex-presidente, nocivos à moral e aos bons costumes do povo brasileiro. Após a proibição dos jogos, empresários iniciaram movimentos a fim de promoverem a reabertura de seus cassinos, pois estavam apresentando prejuízos com ressarcimentos por quebra de contratos, demissões e indenizações de funcionários e redução do movimento.
Contudo, os empreendedores não obtiveram sucesso com as manifestações e a proibição desses locais de jogos, inclusive em estâncias climáticas, perdura até a atualidade
Há outros acontecimentos que também instigaram o surgimento do turismo no Brasil. Entre eles, Bosisio (2005), Tadini e Melquiades (2010) e Queiroz (2015) elencaram os seguintes:
a)a criação da Confederação Nacional do Comércio em 1945, pelos empresários do setor de turismo, em virtude do aumento das atividades ligadas à cadeia produtiva turística;
b)a constituição do Serviço Social do Comércio (SESC) – entidade marcada como uma das principais promotoras do turismo no país – e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) – instituto educacional referenciado na formação de profissionais na área de turismo e hotelaria – em 1946;
c)a realização da Copa do Mundo de 1950 no Rio de Janeiro, evento que não só contribuiu para a divulgação do Brasil no exterior, como ampliou a entrada de turistas estrangeiros no país;
d)a formação da Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV) em 1953, bem como do Conselho do Turismo em 1955, a fim de discutirem soluções para o setor;
e)a criação da Comissão Brasileira de Turismo (COMBRATUR) em 1958, com vistas a coordenar as atividades de desenvolvimento do turismo interno e externo;
f)a concepção do Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR) em 1966, a fim de formular, coordenar e executar a Política Nacional do Turismo;
g) a instalação das primeiras faculdades de turismo no Brasil, ou seja, a Anhembi-Morumbi em 1971; a UNIBERO-SP em 1972 e a USP em 1973;
h)o desenvolvimento da Lei nº 6.505 em 1977, para regular as atividades e serviços do setor turístico, de um lado, e proteger o patrimônio natural e cultural do país, de outro;
i) a instituição do Decreto-Lei nº 2.294 em 1986, que pôs fim ao registro exigido e tornou a atividade turística livre no Brasil;
j) o reconhecimento e a regularização do profissional ‘guia de turismo’, pela Lei nº 8.623 em 1993;
k) a execução do Plano Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT) em 1994, como tentativa de levar as discussões da administração da atividade para o interior dos municípios identificados como turísticos;
l) a concepção da Política Nacional de Turismo em 1996, em que se pretendia identificar os municípios brasileiros com potencial turístico, bem como descentralizar o desenvolvimento da atividade;
m) e a regulamentação da Lei Geral do Turismo em 2008.
O que se observa é que ao longo das décadas, o ramo turístico passou a ser pensado de forma estratégica pelos profissionais do setor, visto que somente as belas paisagens naturais brasileiras, sem um aporte estrutural e um marco regulatório eficiente, não foram capazes de satisfazer às exigências dos viajantes nacionais e estrangeiros. Assim, com a elevação do turismo à categoria do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, em 1994, essa atividade econômica consolidou-se a partir de quatro macroestratégias, ou seja:
1. Melhorar a infra-estrutura básica das regiões turísticas;
2. Capacitar profissionais para ampliar a qualidade dos serviços prestados para tornar-se competitivos;
3. Modernizar a legislação para adequá-la à realidade do mercado mundial de viagens e turismo;
4. Fortalecer a imagem do Brasil no exterior através de companhias de marketing e promoções nos principais mercados emissores.
Nesse sentido, planejamento estratégico, desenvolvimento de legislação própria, criação de produtos diversificados, especialização dos profissionais do setor e divulgação das atrações nacionais foram ações necessárias não só para aumentar o potencial de atração turística do país, como também para alinhar os preços internos com os praticados no mercado mundial.
4 Considerações Finais
A atividade turística sempre esteve presente nas vidas das pessoas em todo o mundo, desde a pré-história até a contemporaneidade, seja para conquistar territórios, subjugar povoações, conhecer novas paisagens, ter contato com novas populações e aprender novos costumes e idiomas. Assim, a interação entre o homem e a natureza, observada ao longo de um processo histórico, contribuiu para a formação dos espaços turísticos conhecidos atualmente.
Contudo, foi na antiguidade grega, por meio dos Jogos Olímpicos, e na antiguidade romana, através da oferta de espetáculos circenses, teatros, lugares termais e locais de lutas com os gladiadores, que o turismo se desenvolveu como uma atividade econômica, o que estimulou a criação de estruturas de alojamento, alimentação e transporte para esses primeiros turistas motivados a lazer. Ademais, as peregrinações religiosas, as Cruzadas, o Renascimento, a expansão comercial européia, a disseminação do uso da bussola e o Grand Tour foram outros movimentos importantes que estimularam o advento do turismo em todo o mundo.
No Brasil, com a vinda da família real e a entrada de visitantes estrangeiros no país, novas hospedarias foram construídas, restaurantes se tornaram mais apresentáveis, novas rotas de trem foram estabelecidas e novos costumes foram assimilados, entre eles, banharse em águas termais ou salgadas e recorrer-se aos locais de veraneio, a fim de se evitar a proliferação de doenças.
Os incentivos fiscais para a construção de hotéis e de cassinos em estâncias termais, o desenvolvimento da aviação comercial brasileira, a criação de diversas instituições ligadas ao turismo (SESC, SENAC, ABAV, COMBRATUR, EMBRATUR e outras) e a regulamentação da Lei Geral do Turismo foram importantes tanto para estimular, como para profissionalizar a atividade turística no Brasil.
Assim, ao elevar o turismo à categoria do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, bem como buscar a melhoria da infra-estrutura básica das regiões turísticas, a capacitação de profissionais, a modernização da legislação e o fortalecimento da imagem do Brasil no exterior, tem-se procurado não só aumentar o potencial de atração turística do país, como também alinhar os preços internos com os praticados no mercado mundial.