Educação especial e educação inclusiva
Educação Especial e Educação Inclusiva
1 Educação especial
Introdução
A Educação Especial é o ramo da educação voltado para o atendimento e educação de pessoas com alguma deficiência. Preferencialmente em instituições de ensino regulares ou ambientes especializados (como por exemplo, escolas para surdos, escolas para cegos ou escolas que atendem a pessoas com deficiência intelectual).
São também considerados público-alvo dessas escolas crianças com transtornos globais de desenvolvimento ou com altas habilidades/superdotação de acordo com o art. 58 da Lei de diretrizes e bases da educação nacional, nº 9394 de 20 de dezembro de 1996, que diz:
Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
Assim, os objetivos da educação especial são os mesmos da educação em geral. O que difere, entretanto, é o atendimento, que passa a ser de acordo com as diferenças individuais do aluno.
Ela se desenvolve em torno da igualdade de oportunidades, atendendo às diferenças individuais de cada criança através de uma adaptação do sistema educativo. Dessa forma, todos os educandos podem ter acesso a uma educação capaz de responder às suas necessidades.
O Ensino Especial tem ganhado visibilidade nas últimas duas décadas devido ao movimento de educação inclusiva, mas tem sido também alvo de críticas por sua exclusividade e por não promover o convívio entre as crianças especiais e as demais crianças.
Por outro lado, as escolas com educação especializada contam com materiais, tecnologia, equipamentos e professores especializados. enquanto o sistema regular de ensino ainda precisa ser adaptado e pedagogicamente transformado para atender de forma inclusiva.
Implantar educação especial na sua escola: é possível?
Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas – ONU, pessoas com deficiências representam 10% da população mundial, percentual que pode ser mais elevado quando falamos de países, como o Brasil, onde as condições socioeconômicas da população são precárias.
Neste sentido, a Lei de Diretrizes e Bases Nacionais da Educação (9.394/96), de 1996, assegura o direito constitucional de educação pública e gratuita aos deficientes. Ainda assim, a grande maioria das crianças com necessidades especiais ainda está fora do sistema tradicional de ensino. Muitas estão em escolas específicas para crianças deficientes.
Vale lembrar que no Brasil, diferentemente de outros países, existe uma Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva . O movimento inclui outros tipos de alunos, além dos que apresentam deficiências. E acompanha os avanços do conhecimento e das lutas sociais para constituir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os estudantes.
Para uma prática pedagógica coletiva, multifacetada, dinâmica e flexível, porém, são requeridas mudanças significativas na estrutura e no funcionamento das escolas atuais, na formação humana dos professores e nas relações família-escola.
A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais em classes comuns exige que a escola regular se organize para oferecer:
- Possibilidades objetivas de aprendizagem a todos os alunos,especialmente a aqueles com deficiências.
- Tecnologias que permitam cada vez mais a integração de crianças com necessidades especiais nas escolas,facilitando todo o seu processo educacional e visando a sua formação integral.
- Um grupo de profissionais que trabalha em educação especial,como educador físico,professor,psicólogo,fisioterapeuta,fonoaudiólogo,terapeuta ocupacional e psicopedagogo
2 Educação inclusiva
Cada vez mais, vemos uma grande preocupação da sociedade em entender e aceitar todas as pessoas de acordo com suas individualidades, particularidades e necessidades. Por isso, têm sido estudadas maneiras para incluí-las nos mais diversos segmentos de suas vidas.
Isso não poderia ser diferente na esfera da educação infantil. Atualmente, as escolas estão começando a utilizar o recurso da Educação Inclusiva, que se preocupa justamente em levar o conhecimento a todas as crianças de uma maneira coletiva, baseada na premissa de que quando a criança é incluída no ensino que é extensivo a todos , tem maiores e melhores condições de se desenvolver.
Creches e pré-escolas que adotam o uso da Educação Inclusiva têm ajudado a várias crianças com necessidades especiais a terem mais qualidade de ensino. E, consequentemente, trazido melhorias na autoestima, segurança, autonomia das crianças.
O que é, afinal, a Educação Inclusiva?
A Educação Inclusiva é aquela que se preocupa que o conhecimento possa alcançar a todas as pessoas, independente de sua classe social, cor, raça, comunidade ou capacidade intelectual e emocional.
Esta forma de ensino busca difundir um ensino coletivo, englobando também aqueles que têm necessidades especiais como crianças autistas ou superdotadas, ou crianças com necessidades especiais por falta de saúde ou formações congênitas incomuns (portadoras da Síndrome de Down, por exemplo).
Ou seja: a Educação Inclusiva busca atender e perceber as necessidades de todo e qualquer aluno em salas de aula comuns, promovendo a aprendizagem e o desenvolvimento individual de todos eles.
Promovendo a Educação Inclusiva em sua escola
Antes de qualquer iniciativa, é preciso que todas as escolas tenham em mente que todo ser humano deve ter acesso à Educação. No Ensino Inclusivo, o principal benefício é que todas as crianças criam harmonia entre si.
Por exemplo: as crianças que não fazem parte do time de crianças especiais entendem, ao longo do tempo, que estes colegas são apenas diferentes, e não deve ser temidos, excluídos ou evitados. Já as crianças especiais não se sentem um estranho no ninho ou um “bicho do outro mundo”, que todos temem, acham feios, incapazes e esquisitos.
Convivendo em escolas regulares com crianças regulares, a criança especial se sente contextualizada na sociedade. Ela alcançará autonomia e melhorará sua autoestima para se tornar uma pessoa independente, e um cidadão que, em um futuro próximo poderá ter uma carreira profissional.
Para se implementar a prática da Educação Inclusiva, professores e educadores precisam se adaptar à metodologia, assim como as próprias famílias dos alunos especiais deve modificar a relação com a escola. Além disso, as escolas precisam lançar mão de alguns recursos para receber uma criança especial, como:
- Suporte tecnológico (chamado de Tecnologia Assistida),
- Uso de jogos e aplicativos para ajudar crianças com necessidades diversas
- Uso de notebooks e tablets para acesso a jogos educativos e interativos
- Espaços com acessibilidade, planejados para receber alunos paraplégicos, tetraplégicos, cadeirantes
- Tablets com traduções simultâneas para surdos e mudos
- Aparelhos especiais para cegos
- Sistemas e programas para que tetraplégicos usem ferramentas com o comando de voz
Apesar da grande proposta e do benefício que proporciona, a Educação Inclusiva ainda é um tema de muitas pesquisas e requer muitos ajustes para ser difundida em larga escala.
Mesmo assim, há muitos colégios que já praticam a Educação Inclusiva no Brasil, ainda que com certa escassez de recursos, tecnologia, e formações e informações para receberem em seu corpo discente os alunos especiais. O Brasil ainda está “engatinhando” no Ensino Inclusivo, mas já existem muitos bons projetos que vêm dando ótimos resultados para alunos com necessidades especiais.
A Educação Inclusiva hoje é considerada como fundamental no ensino para crianças especiais. Uma criança especial contextualizada em uma escola regular ganha respeito e dignidade, e seu lado sócio emocional e psicológico será muito melhor desenvolvido.
Isso só trará mais alegria à criança especial: sua família também não sofrerá mais por sentir discriminação de outras pessoas, e terá ainda mais tranquilidade e confiança na escola.
Uma escola que pensa nas diferenças humanas e em criar cada vez mais mecanismos novos para a inclusão social é justa e está de braços abertos para a construção de uma sociedade melhor.
3 Educação especial x Educação Inclusiva
O ensino inclusivo não pode ser confundido com educação especial: diferentemente do ensino inclusivo, a educação especial se mostra em uma grande variedade de formas que incluem escolas especiais, unidades pequenas e a integração das crianças com apoio especializado.
Desde a sua origem, a Educação Especial é um sistema separado de educação das crianças com deficiência, fora do ensino regular. Tal sistema baseia-se na noção de que as necessidades dessas crianças não podem ser supridas nas escolas regulares. Existem três categorias de necessidades especiais:
- Dependentes: são aqueles atendidos somente em clínicas, já que dependem totalmente de serviços necessários para sua total sobrevivência. Esses alunos não conseguem ter hábitos higiênicos ou se vestir, necessitando de um acompanhamento de 24 horas.
- Treináveis: são alunos que frequentam escolas especiais, já conseguem se defender dos perigos, repartir e respeitar os outros. Estes já adquiriram hábitos rotineiros de higiene, necessitando somente de ajuda e supervisão, e na maioria dos casos, o retardo é identificado nos primeiros anos de vida.
- Educáveis: são os alunos que frequentam classes especiais. Eles já possuem vocabulário suficiente para a vida diária e habilidade de adaptação pessoal e social. Geralmente, essas crianças atingem na fase adulta uma idade de desenvolvimento mental entre sete e doze anos.