O Lúdico e o Desenvolvimento da Criança Deficiente Intelectual

Deficiência Intelectual

1 Jogo , desenvolvimento e aprendizagem:

Partindo de uma concepção sócio-construtivista-interacionista do jogo, ou seja, pensando-o como um meio de garantir a construção de conhecimentos e a interação entre os indivíduos; a possibilidade de trazer o jogo para dentro da escola é a possibilidade de pensar a educação numa perspectiva criadora, autônoma e consciente.

Os jogos e brincadeiras são estratégias metodológicas que apresentam as duas características, dificuldades em assimilar conteúdos abstratos

Nesse sentido, as concepções construtivistas de Piaget vêm de encontro às idéias de desenvolvimento e aprendizagem, enquanto as teorias de Vygotsky são relevantes para a compreensão da importância do contexto sócio-cultural e das interações sociais.

Na concepção de Piaget, o desenvolvimento do conhecimento é um processo espontâneo, ligado ao processo geral da embriogênese, que diz respeito ao desenvolvimento do corpo, do sistema nervoso e das funções mentais.

Já a aprendizagem situa-se do lado oposto do desenvolvimento, pois geralmente é provocada por situações criadas pelo educador. Para Piaget, a aprendizagem é colocada como aquisição em função do desenvolvimento.

Segundo o autor, os indivíduos adquirem o conhecimento segundo o seu estágio de desenvolvimento, e é a partir das diversas formas de aquisição do conhecimento que se dá a aprendizagem. Piaget (LOPES, 1996) classifica os estágios de desenvolvimento da criança em quatro períodos, quais sejam:

Período sensório-motor (do nascimento aos 2 anos): a partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. A inteligência é prática. As noções de espaço e tempo são construídas pela ação. O contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento.

Exemplos: O bebê pega o que está em sua mão; “mama” o que é posto em sua boca; “vê” o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo à boca.

Período pré-operacional (2 a 7 anos): caracteriza-se , principalmente pela interiorização de esquemas de ação construídos no estágio anterior. A criança não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é a fase dos “por quês”). Já pode agir por simulação e imitação. Possui percepção global, sem discriminar detalhes. Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos.

Exemplos: Mostram-se para a criança duas bolinhas de massa iguais e dá-
se a uma delas a forma de salsicha. A criança nega que a quantidade de massa continue igual, pois as formas são diferentes. Não relaciona as situações.

Estágio das operações concretas (7 a 12 anos): a criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade, já sendo capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade, mas ainda depende do mundo concreto para chegar à abstração. Desenvolve a capacidade de representar uma ação no sentido inverso de uma anterior, anulando a transformação observada (reversibilidade).

Exemplos: despeja-se a água de dois copos em outros, de formatos diferentes, para que a criança diga se as quantidades continuam iguais. A resposta é
afirmativa, uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de “refazer” a ação.

Estágio das operações formais, que corresponde ao período da adolescência (12 anos em diante): a representação agora permite a abstração total. A criança é capaz de pensar logicamente, buscando soluções a partir de hipóteses e não apenas pela observação da realidade.

Exemplos: Se lhe pedem para analisar um provérbio como “de grão em grão a galinha enche o papo”, a criança trabalha com a lógica da ideia (metáfora) e não com a imagem de uma galinha comendo grãos.

Cada período define um momento do desenvolvimento. Um novo estágio se diferencia dos precedentes, pelas evidências no comportamento. O aparecimento de determinadas mudanças qualitativas identifica o início de um outro estágio do desenvolvimento intelectual. Cada estágio se desenvolve a partir do que foi construído nos estágios anteriores. A ordem em que as crianças atravessam essas etapas é sempre a mesma, variando apenas o ritmo com que cada uma adquire as novas habilidades, portanto as faixas etárias discriminadas em cada período não podem ser tomadas como parâmetros rígidos, em função das diferenças individuais e do meio ambiente.

PIAGET (1975), valoriza a prática lúdica para que o desenvolvimento infantil seja harmonioso, pois tal atividade propicia a expressão do imaginário, a aquisição de regras e a apropriação do conhecimento.

“Para o autor, ao manifestar a conduta lúdica, a criança demonstra o nível de seus estágios cognitivos e constrói conhecimentos” (KISHIMOTO,2008, p.32).

Piaget analisou e estabeleceu relações entre o jogo e o desenvolvimento intelectual. Segundo os estudos do autor, existem três tipos de estruturas que caracterizam o jogo infantil e fundamentam a classificação por ele proposta:

Jogos de exercício: são as atividades lúdicas da criança no período sensório-motor, que vai dos 0 anos até o aparecimento da linguagem. São exercícios simples cuja finalidade é o prazer do funcionamento. Caracterizam-se pela repetição de gestos e de movimentos simples e têm valor exploratório. Jogos sonoros, visuais, olfativos, gustativos, motores e de manipulação.

-Jogos simbólicos: compreende a idade dos 2 aos 7 anos aproximadamente. São jogos de ficção e imitação. Através do faz-de-conta, a criança realiza sonhos e fantasias, revela conflitos interiores, medos e angústias, aliviando tensões e frustrações. Destacam-se os jogos de papéis, faz-de-conta e representação.

-Jogos de regras: são praticados a partir dos 7 anos de idade. A regra é o elemento principal deste tipo de jogo, que surge da organização coletiva das atividades lúdicas e são indispensáveis para o desenvolvimento moral, cognitivo, social, político e emocional. Há dois tipos de regras nesse jogo: as regras transmitidas, mantidas em sucessivas gerações (bolinha de gude, amarelinha), e as regras espontâneas: contratual e momentânea, propostas pelas próprias crianças.

Para Piaget, o jogo oferece uma grande contribuição para o desenvolvimento cognitivo, dando acesso a mais informações e tornando mais rico o conteúdo do pensamento infantil. O jogo infantil propicia a prática do intelecto, já que utiliza a análise, a observação, a atenção, a imaginação, o vocabulário, a linguagem e outras dimensões próprias do ser humano. Piaget demonstrou que as atividades lúdicas sensibilizam, socializam e conscientizam, destacando a importância de aplicá-las nas diferentes fases da aprendizagem escolar.

Vamos agora conhecer a opinião de Vygotsky sobre o desenvolvimento e a aprendizagem da criança e evidenciar a importância do lúdico na sua formação, segundo este pesquisador.

VYGOTSKY (1998) admite que no começo da vida de uma criança, os fatores biológicos superam os sociais, só depois, aos poucos, a integração social será o fator decisivo para o desenvolvimento do seu pensamento. No entanto, ele se opõe às teorias onde o desenvolvimento se divide em estágios individuais. Para ele, inicialmente, as respostas que as crianças dão ao mundo são determinadas pelos processos biológicos. Mas, na constante mediação com adultos ou pessoas mais experientes, os processos psicológicos mais complexos, típicos do homem começam a tomar forma. Assim, é pela interação social que as funções cognitivas do mesmo são elaboradas.

Na perspectiva Vygotskyana, a constituição das funções complexas do pensamento é veiculada principalmente pelas trocas sociais, e nesta interação, o fator de maior peso é a linguagem, ou seja, a comunicação entre os homens.

A linguagem intervém no processo de desenvolvimento da criança desde o nascimento. Quando os adultos nomeiam objetos, pessoa ou fenômenos que se passam no meio ambiente, estão oferecendo elementos por meio dos quais ela organiza sua percepção.

Por acreditar que as funções psíquicas do individuo são construídas na medida em que são utilizadas, defende a idéia de que as interações de um modo geral e o ensino em particular, não devem estar atrelados ao processo de amadurecimento. Para ele a criança amadurece ao ser ensinada e educada, quer dizer, à medida que, sob a orientação dos adultos ou companheiros mais experientes, se apropria do conhecimento elaborado pelas gerações precedentes e disponível em sua cultura. Desse modo, a maturação se manifesta e se produz no processo de educação e ensino. Daí a relevância da interação social, uma vez que dela depende o desenvolvimento mental.

VYGOTSKY (1998) identifica dois níveis de desenvolvimento nas crianças:

-Nível de desenvolvimento real, que é o desenvolvimento já adquirido, ou seja, aquilo que a criança já é capaz de fazer por si própria, sem ajuda do outro.

-Nível de desenvolvimento potencial, aquilo que ela realiza com o auxilio de outra pessoa.

2 Jogo , desenvolvimento e aprendizagem II:

Para melhor explicar a importância das interações sociais no desenvolvimento cognitivo, Vygotsky cria o conceito de zona de desenvolvimento proximal, que é a distancia entre o que a criança faz sozinha (nível de desenvolvimento real) e o que ela é capaz de fazer com a intervenção de um adulto (nível de desenvolvimento potencial). Esta zona de desenvolvimento proximal é a potencialidade para aprender, e que não é a mesma para todas as pessoas.
Desta forma o autor afirma que a aprendizagem interage com o desenvolvimento, e que ambos estão inter-relacionados. A aprendizagem gera o desenvolvimento, assim como o desenvolvimento mental só pode realizar-se por intermédio da aprendizagem.
Sendo assim, a escola é o lugar onde a intervenção pedagógica intencional desencadeia o processo de ensino-aprendizagem, através da interferência do professor na zona de desenvolvimento proximal do aluno. Ao observar a zona proximal, o educador pode orientar o aprendizado no sentido de adiantar o desenvolvimento potencial de uma criança, tornando-o real.
Obviamente, o ensino sistemático não é o único fator capaz de alargar os horizontes da zona de desenvolvimento proximal. Ao discutir o papel do brinquedo, Vygotsky demonstra, de forma extremamente original, como as interações sociais que as crianças estabelecem nestas circunstâncias colaboram para o seu desenvolvimento. Enquanto brinca, a criança reproduz regras, vivencia princípios que está percebendo na realidade. Logo, as interações requeridas pelo brinquedo possibilitam a internalização do real, promovendo o desenvolvimento cognitivo.
Para VYGOTSKY (1998):
É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. No brinquedo, o pensamento está separado dos objetos e a ação surge das ideias e não das coisas: um pedaço de madeira torna-se um boneco e um cabo de vassoura torna-se um cavalo. O brinquedo é um fator muito importante nas transformações internas do desenvolvimento da criança.
Para o autor, a criança se inicia no mundo adulto por meio da brincadeira e pode antever os seus papéis e valores futuros. Por meio da brincadeira a criança vai se desenvolver socialmente, conhecerá as atitudes e as habilidades necessárias para viver em seu grupo social.
É na brincadeira e no jogo que a criança aprende a lidar com o mundo, recriando situações do cotidiano, adquirindo conceitos básicos para formar sua personalidade, vivenciando sentimentos das mais variadas espécies.
Um paralelo entre o brinquedo e a instrução escolar: ambos criam uma “zona de desenvolvimento proximal”, e em ambos os contextos a criança elabora habilidades e conhecimentos socialmente disponíveis que passará a internalizar.
Através do brinquedo, a criança estabelece suas relações com a vida real. Ela vai experimentar sensações que já conhece e vai desenvolvendo regras de comportamento que imagina serem corretas. Um exemplo é quando ela brinca de irmã ou de mãe e filha, e se comporta como ela acha que seus irmãos devam se comportar, ou como acha que a filha tem de agir com sua mãe. Ela nem percebe que na brincadeira se comportou como deveria agir na vida real. Através da brincadeira ela incorpora as regras de comportamento.
A situação imaginária criada pela criança é que define o brincar,e assim, devemos considerar que o brincar preenche necessidades que variam conforme a idade e que as brincadeiras por meio de jogos estimulam a curiosidade e a auto-confiança, proporcionando o desenvolvimento do pensamento, da concentração, da atenção e da linguagem. Dessa forma se bem planejados, e aplicados com objetivos claros e bem definidos, considerando a idade e as limitações do aluno, os jogos favorecem a construção do conhecimento, ou seja, a aprendizagem e, por conseqüência, o desenvolvimento da criança.
De acordo com as concepções de Vygotsky, o jogo e o brinquedo são instrumentos que devem ser explorados na escola como um recurso pedagógico de grande valia, pois além desenvolver as regras de comportamento, o jogo atua na zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a criança consegue, muitas vezes, realizações numa situação de jogo, as quais ainda não é capaz de realizar numa situação de aprendizagem formal.
Diante da análise das concepções de Piaget e Vygotsky a respeito da aprendizagem e do desenvolvimento da criança, não podemos nos fechar a nenhuma das duas teorias, mas sim tentar compreendê-las de forma paralela.
Apesar da divergência entre as duas teorias, tanto Piaget como Vygotsky concordam que a brincadeira e os jogos contribuem para o desenvolvimento da criança. Embora cada um deles dê um enfoque diferente para estas atividades.
Enquanto Piaget analisa de forma minuciosa o processo de desenvolvimento do indivíduo, detalhando e explicando a função do jogo no desenvolvimento intelectual da criança e sua evolução nos diferentes estágios; Vygotsky destaca as interações sociais que o jogo promove. É na brincadeira e no jogo que a criança aprende a lidar com o mundo, recriando situações do cotidiano, adquirindo conceitos básicos para formar sua personalidade e vivenciando sentimentos das mais variadas espécies.

3 Jogos,brinquedos e brincadeiras como recurso pedagógico:

O brincar faz parte dos primeiros atos da criança. Desde o nascimento a criança descobre o mundo brincando, seja através do contato com seu próprio corpo, seja pela referência dos seus pais.
A brincadeira é a oportunidade de desenvolvimento onde a criança experimenta, descobre, inventa, exercita e ainda confere suas habilidades.
O brincar estimula a curiosidade, a iniciativa e a auto-confiança. Também proporciona aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e da atenção.Os jogos e brincadeiras são estimuladores da cognição, afeição, motivação e criatividade.
Através da brincadeira, a criança se apropria de conhecimentos que possibilitarão sua ação sobre o meio em que se encontra.
As maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade.
Ao brincar da criança um papel decisivo na evolução dos processos de desenvolvimento humano, como maturação e aprendizagem, embora com enfoques diferentes.
Ao contrário do que muitos pensam, a brincadeira não é um mero passatempo. Ela ajuda no desenvolvimento das crianças, promovendo processos de socialização e descoberta do mundo. Brincar desenvolve as habilidades da criança de forma natural, pois brincando aprende a socializar-se com outras crianças, desenvolve a motricidade, a mente, a criatividade, sem cobrança ou medo, mas sim com prazer.
Partindo da concepção de que a brincadeira e os jogos são atividades imprescindíveis para o desenvolvimento global da criança, favorecendo sua autoestima e auxiliando na aquisição e aprendizagem de novos conceitos, a escola deve valorizar e incentivar o trabalho pedagógico pautado em atividades lúdicas.
Ao atender as necessidades infantis, o jogo infantil torna-se forma adequada para a aprendizagem dos conteúdos escolares.
Os jogos e brincadeiras ao serem utilizados na prática pedagógica, transformam conteúdos maçantes em atividades interessantes e prazerosas, pois com os mesmos há motivação, disciplina e interesse pelo que está sendo ensinado. Porém, o professor deve estar consciente de que os jogos ou brincadeiras pedagógicas devem ser desenvolvidos como provocação a uma aprendizagem significativa e estímulo à construção de um novo conhecimento com o desenvolvimento de novas habilidades.
Pensar na atividade lúdica enquanto um meio educacional significa pensar não apenas no jogo pelo jogo, mas no jogo como instrumento de trabalho, como meio para atingir objetivos pré-estabelecidos. O jogo pode ser útil tanto para estimular o desenvolvimento integral da criança como para trabalhar conteúdos curriculares.
Os jogos e as brincadeiras podem e devem fazer parte das atividades curriculares, sobretudo nos níveis pré-escolares e nas séries iniciais.

O jogo contempla várias formas de representação da criança ou suas múltiplas inteligências, contribuindo para a aprendizagem e o desenvolvimento infantil. Quando as situações lúdicas são intencionalmente criadas pelo adulto com vistas a estimular certos tipos de aprendizagem, surge a dimensão educativa. Utilizar o jogo na educação infantil significa transportar para o campo do ensino aprendizagem condições para maximizar a construção do conhecimento.
A prática pedagógica pautada em situações lúdicas traz enorme prazer e alegria às crianças, promovendo assim, o desenvolvimento afetivo, cognitivo, social, psicomotor e linguístico do educando.
No entanto, o professor deve definir, previamente, seus objetivos e o espaço de tempo que o jogo irá ocupar em suas atividades. Os objetos, brinquedos ou outros materiais a serem utilizados devem também ser providenciados previamente. Esses são requisitos práticos fundamentais para começar o trabalho lúdico.
Ao utilizar o lúdico no processo ensino-aprendizagem, quando o educador tem o objetivo de desenvolver no aluno: o raciocínio, a formação de conceitos sobre os conteúdos, como também o desenvolvimento da linguagem, deve ter o cuidado de utilizar jogos adequados e que consigam atingir os objetivos propostos.
Para tanto, os educadores devem ter conhecimento dos diferentes tipos de jogos que podem ser utilizados em sala de aula e principalmente dos objetivos que com eles poderão ser alcançados.
O jogo pode ser considerado um recurso pedagógico indispensável, uma vez que é a forma primordial de construção dos conhecimentos pela criança. Cabe aos educadores conhecer esses recursos e utilizá-los de forma adequada, proporcionando jogos criativos ou com regras já estabelecidas.
A educação lúdica, além de contribuir e influenciar na formação da criança e do adolescente, possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente; integra-se ao mais alto espírito de uma prática democrática, enquanto investe em uma produção séria do conhecimento. A utilização de jogos educativos como recurso didático-pedagógico, voltado a estimular e efetivar a aprendizagem, desenvolvendo todas as potencialidades e habilidades nos alunos, é um caminho para o educador desenvolver aulas mais interessantes, descontraídas e dinâmicas, podendo competir em igualdade de condições com inúmeros recursos a que o aluno tem acesso fora da escola.
Porém, o jogo deve ser praticado de uma forma construtiva e não como uma série de atividades sem sentido, tendo como objetivos o desenvolvimento de capacidades físicas e intelectuais; não esquecendo a importância da socialização através da sensibilização para o espírito de grupo, a cooperação, a confiança e a interdependência.

O jogo lúdico inserido no processo ensino-aprendizagem se tornará pedagógico e deverá ser usado com rigor e cuidado no planejamento, por ser marcado por etapas muito nítidas, e que efetivamente acompanhem o progresso dos alunos. O elemento que separa um jogo pedagógico de um objeto de caráter apenas lúdico, é que os jogos ou brinquedos pedagógicos são desenvolvidos com a intenção explícita de provocar uma aprendizagem significativa, estimular a construção de um novo conhecimento e principalmente, despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória.
O aprendizado que se dá através de jogos e brincadeiras têm vários fatores positivos, tornando o desenvolvimento escolar da criança menos monótono e desinteressante que a simples exposição de conteúdos, pois na atividade lúdica ela participa ativamente como parte integrante do processo, fazendo com que a criança desenvolva-se de maneira integral, onde todas as suas habilidades e motivações são exploradas.
Os jogos também promovem o crescimento emocional e social. Nos jogos há sempre um desafio interessante e vivo, tornando a aprendizagem natural e rápida. Enfim, brincar promove uma possibilidade de construção e criação do conhecimento no ensino e na aprendizagem da criança. Ao transformarmos esse brincar em trabalho pedagógico, poderemos experimentar, como mediadores, o verdadeiro significado da aprendizagem com desejo e prazer.
Faz-se necessário que a escola como uma instituição socializadora, responsável pela formação consciente e critica da criança, proporcione pleno desenvolvimento do aluno em todas as suas dimensões, empregando um trabalho dinâmico e desafiante.
Pois o lúdico possibilita construir um novo jeito de educar e de trabalhar de forma solidária e conjunta. É fundamental que a educação seja capaz de atuar no âmbito interpessoal, fazendo com que os indivíduos percebam-se, para então, conviverem no mundo com consciência e responsabilidade de suas atitudes. E isso é possível por meio de um projeto consistente: tornar a escola um lugar de muito mais alegria a partir de atividades prazerosas e significativas, tendo o jogo, a brincadeira e o brinquedo como mediadores da aprendizagem.
Porém, deve-se prestar atenção para não considerar a atividade lúdica como único e exclusivo recurso de ação, já que essa seria uma postura ingênua. O jogo é uma alternativa significativa e importante, mas sua utilização não exclui a utilização de outros caminhos metodológicos.

4 O lúdico na prática pedagógica:

Crianças deficientes intelectuais moderadas:

Toda criança necessita brincar. Pois brincar é um momento indispensável à saúde física, emocional e intelectual da criança.
O brinquedo e os jogos infantis ocupam uma função importante no desenvolvimento, pois são as principais atividades da criança durante a infância.
Com a criança deficiente intelectual não é diferente. Embora apresente atrasos em seu desenvolvimento cognitivo e motor, também necessita de atividades lúdicas no seu dia a dia. Talvez até mais do que as outras crianças, por necessitar de muito mais estímulos para desenvolver suas habilidades cognitivas, motoras e sensoriais.
Os jogos e brincadeiras para as crianças com deficiência intelectual constituem atividades primárias que trazem grandes benefícios do ponto de vista físico, intelectual e social.
A arte de brincar pode ajudar a criança com necessidades educativas especiais a desenvolver-se, a comunicar-se com os que a cercam e consigo mesma.
Através dos jogos e brincadeiras a criança com deficiência intelectual pode desenvolver a imaginação, a confiança, a auto-estima, o auto-controle e a cooperação. Os jogos e brincadeiras proporcionam o aprender fazendo, o desenvolvimento da linguagem, o senso de companheirismo e a criatividade.
Considera-se o jogo como exercício e preparação para a vida adulta. A criança aprende brincando e assim desenvolve suas potencialidades, pois é um ser em desenvolvimento, e cada ato seu, transforma-se em conquistas e motivação.
Educar através do lúdico contribui e influencia na formação da criança e do adolescente com deficiência intelectual, favorecendo um crescimento sadio, pois possibilita o exercício da concentração, da atenção e da produção do conhecimento; promovendo ainda, a integração e a inclusão social.
Desse modo a criança deficiente intelectual, com a ajuda do brinquedo, terá a possibilidade de relacionar-se melhor com a sociedade na qual ela convive, já que o brinquedo busca o desenvolvimento cognitivo e oportunidades de crescimento e amadurecimento. Também através do jogo comprova-se a importância dos intercâmbios afetivos e interpessoais das crianças entre elas mesmas ou com os adultos (pais e professores).
A utilização do jogo como recurso didático pode contribuir para o aumento das possibilidades de aprendizagem da criança com deficiência intelectual, pois através desse recurso, ela poderá vivenciar corporalmente as situações de ensino aprendizagem, exercendo sua criatividade e expressividade, interagindo com outras crianças, exercendo a cooperação e aprendendo em grupo.
O jogo possibilita à criança deficiente mental aprender de acordo com seu ritmo e suas capacidades. Há um aprendizado significativo associado à satisfação e ao êxito, sendo este a origem da autoestima. Quando esta aumenta, a ansiedade diminui, permitindo à criança participar das tarefas de aprendizagem com maior motivação. O uso do jogo também possibilita melhor interação da criança deficiente mental com os seus coetâneos normais e com o mediador.
O professor poderá possibilitar à criança com deficiência intelectual o acesso ao conhecimento através da vivência, da troca, da experiência, propiciando uma educação mais lúdica e significativa. Aprender pode e deve ser extremamente agradável e motivante para a criança.
A importância do jogo no universo infantil e na vida escolar, tem sido evidenciada por vários estudiosos da aprendizagem e do desenvolvimento infantil, como um fato indiscutível, pois o jogo constitui um dos recursos mais eficientes de ensino para que a criança adquira conhecimentos sobre a realidade.
Durante o jogo a criança estimula o pensamento através da ordenação do tempo, espaço e movimento, como também o respeito pelas regras. Trabalha com o cognitivo, o emocional e o motor, construindo através dessa interação o seu conhecimento.
Os estudos , proporcionam a concepção de que os jogos não são apenas uma forma de entretenimento para gastar a energia das crianças, mas meios que contribuem para o seu desenvolvimento intelectual.
Os jogos e brincadeiras são instrumentos metodológicos através dos quais os educadores de crianças com necessidades educativas especiais podem estimular o seu desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, moral, linguístico e físico-motor; como também propiciar aprendizagens curriculares específicas.
Os jogos educativos ou didáticos estão orientados para estimular o desenvolvimento do conhecimento escolar mais elaborado: calcular, ler e escrever. São jogos fundamentais para a criança deficiente mental por iniciá-la em conhecimentos e favorecer o desenvolvimento de funções mentais superiores prejudicadas.
Porém, as atividades lúdicas devem ser orientadas de acordo com os objetivos que se quer alcançar. Podendo ser o desenvolvimento das habilidades motoras, habilidades perceptivas ou a noção de tempo e espaço. Em outro momento pode dar ênfase na formação de noções lógicas, como seriação, conservação e classificação. O objetivo também pode ser o trabalho em grupo, como forma de desenvolver a cooperação e a socialização.
O lúdico possibilita que a criança com deficiência intelectual se torne cada vez mais autônoma, melhorando a auto-estima e a consciência corporal. Pelo jogo, a criança aprende, verbaliza, comunica-se com as pessoas, internaliza novos comportamentos e, consequentemente, se desenvolve.
Brincando, a criança desenvolve seu senso de companheirismo. Jogando com os amigos, aprende a conviver, a criar e a respeitar as regras.
Sob o ponto de vista do desenvolvimento da criança com deficiência intelectual, a brincadeira traz vantagens sociais, cognitivas e afetivas.
A possibilidade de exploração e de manipulação que o jogo oferece, colocando a criança deficiente mental em contato com as normais, com adultos, com objetos e com o meio ambiente, propiciando o estabelecimento de relações e contribuindo para a construção da personalidade e do desenvolvimento cognitivo, torna a atividade lúdica imprescindível na sua educação.
Ter consciência de que a criança com deficiência intelectual é um todo integrado, é condição básica para o êxito do seu desenvolvimento com o brinquedo. E o professor que assume uma postura metodológica pautada no lúdico deverá organizar o seu trabalho de forma a estimular ao máximo o desenvolvimento das habilidades do seu aluno, estando sempre ao seu lado, participando, mediando e orientando-o nas atividades realizadas com o brinquedo.

5 Sugestão de jogos e brincadeiras:

Procurou-se dividir os jogos por área de desenvolvimento, para facilitar o trabalho do professor. No entanto, este material traz apenas algumas poucas sugestões, visto que temos uma grande variedade de atividades lúdicas disponibilizadas nas referências bibliográficas citadas e em outras bibliografias existentes nesta área. Além do que, os professores podem e devem usar de toda a sua criatividade para criar outros jogos e até mesmo modificar ou adaptar os jogos sugeridos, de acordo com as necessidades dos seus alunos.

Estimula:

Noção do esquema corporal, conscientização sobre as partes do corpo e suas posições, habilidade manual.

Descrição:

As partes do corpo recortadas em cartolina: cabeça, pescoço, tronco, dois braços, dois antebraços, duas mãos, duas coxas, duas pernas e dois pés. Para juntar as partes fazendo as articulações, podem ser feitos furos com o furador de papel e colocadas tachas, que se abrem depois e perfurar o papel. Outra alternativa é furar as articulações com uma agulha grossa e barbante, e depois dar um nó de cada lado do barbante.

Possibilidades de exploração:

-Recortar e montar o boneco articulado.
-Pedir a uma pessoa que sirva de modelo, assumindo diferentes posições que os alunos procurarão reproduzir com seus bonecos.
-Fazer o exercício contrário, colocar o boneco em posições que as pessoas deverão representar.
-Descobrir quais as posições que podem ser feitas com o boneco mas que são impossíveis de serem realizadas pelo ser humano.

Estimula:

Conscientização sobre as partes do rosto, criatividade.

Descrição:

Saco de papel, com furos recortados na altura dos olhos, do nariz e da boca, desenhado e decorado de maneira a imitar um rosto.

Possibilidades de exploração:

-Enfiar o saco de papel na cabeça para descobrir e marcar quais seriam os lugares onde devem ser feitos os furos.
-Desenhar as partes do rosto no saco e colori-las;
-Colar fios ou tiras de papel para representar o cabelo;
-Fazer uma dramatização usando as máscaras e cobrindo as cabeças;
-Misturar as máscaras e distribuí-las aleatoriamente. Pedir às crianças que adivinhem qual é o colega que está por trás da máscara.

Estimula:

Esquema corporal, noções das posições do corpo, criatividade, dramatização.

Descrição:

Boneco feito com roupas de criança preenchidas com jornal amassado, nos pés foram utilizadas meias, nas mãos luvas. Para formar a cabeça foi utilizado um pano dobrado e cortada em forma arredondada; o cabelo e franja foram feitos de lã costurada na cabeça. As partes do corpo foram costuradas umas nas outras.

Possibilidades de exploração:

-Despir e vestir o boneco.
-Colocar o boneco em diferentes posições, comparando sua postura com a de outras pessoas.
-Fazer movimentos corporais para que a criança os imite, usando o boneco.
-Brincar de faz de conta por meio de dramatizações, nas quais a criança represente situações de sua vida diária.

6 Sugestão De Jogos E Brincadeiras II:

Estimula:

Motricidade, coordenação motora ampla, coordenação viso-motora, arremesso ao alvo, controle de força e direção.

Descrição:

Bolas de meia feitas com algumas meias juntas, que são enfiadas no fundo de uma meia comprida. Para arrematar, torcer e desvirar o cano da perna da meia várias vezes, recobrindo a bola para, posteriormente, costura-la. Latas vazias, do mesmo tamanho, com números colados.

Possibilidades de exploração:

-Empilhar as latas fazendo um castelo;
-Jogar como boliche: cada jogador arremessa três bolas, tentando derrubar todas as latas;
-Contar os pontos de acordo com os números escritos nas latas derrubadas.
-Vence o jogo quem tiver feito mais pontos.

Estimula:

Motricidade, coordenação bimanual, recorte e enfiagem, atenção e concentração, orientação espacial.

Descrição:

Tiras de papel de capa de revista de 1,5 cm de largura, terminando em ponta, que são enroladas uma a uma, em torno de um lápis (ou agulha de tricô), começando pela parte mais larga da tira. A ponta do papel é colada. A peça é
plastificada pela cola.

Possibilidades de exploração:

-Usar como contas para enfiar.
-Fazer colares e pulseiras.

Estimula:

Motricidade, concentração da atenção, coordenação viso-motora.

Descrição:

Três garrafas de plástico transparente; em duas foi retirado o fundo para poderem ser encaixadas umas nas outras. Dentro delas foram colocadas três bolinhas de gude, e no topo das garrafas encaixadas, foi colocado o fundo de uma delas. As garrafas foram fixadas com durex colorido.

Possibilidades de exploração:

-Sacudir as garrafas de modo que as bolinhas passem pelo gargalo e vão para o fundo da última garrafa. Contar quanto tempo leva para conseguir passar as três bolinhas.

Estimula:

Coordenação viso-motora e noções de alternância e distância.

Descrição:

Garrafas plásticas descartáveis, cordão, argolas e durex colorido. Cortar duas garrafas ao meio, juntar as partes cortadas, colar com durex colorido. Passar dois fios (+ 3 m) por dentro das garrafas. Amarrar argolas nas quatro extremidades.

Possibilidades de exploração:

O vai e vem é um jogo de duplas, em que a criança segura as extremidades do cordão e uma delas dá um impulso abrindo os braços, jogando o objeto para o outro, que repete a operação, assim, sucessivamente.

Estimula:

Atenção, motricidade, percepção visual, noção de cor e quantidade.

Descrição:

Garrafa plástica descartável, contas ou material de contagem e varetas. Fazer vários furos com arame quente de um lado ao outro da garrafa. Colorir varetas (palitos de churrasco) em várias cores. Selecionar material de contagem nas mesmas cores das varetas. Para montar o jogo colocam-se as varetas nos furos da garrafa e, após, o material de contagem.

Possibilidades de exploração:

-Retirar uma a uma as varetas sem deixar cair as peças.
-Pode participar uma criança para cada cor de vareta. Cada jogador escolhe uma cor e, na sua vez de jogar, só poderá movimentar as suas varetas, tentando não deixar cair as suas contas.

7 Sugestão De Jogos E Brincadeiras III:

Estimula:

Motricidade fina, percepção visual e noção de quantidade.

Descrição:

Selecionar uma tampa de caixa grande (+ - 60x40 cm), uma bolinha de gude pequena, seis potes de iogurte e pintar três de uma cor e três de outra. Fazer um corte em forma de toca, colar as cores alternadas. Colocar os números de um a seis, sendo uma cor para os números ímpares e a outra para os pares.

Possibilidades de exploração:

-Cada criança num determinado tempo tenta colocar a bolinha na toca, “chutando-a” com os dedos. Cada vez que conseguir, faz os pontos especificados em cada peça.

Estimula:

Coordenação motora ampla, equilibro, postura e noção de direita e esquerda.

Descrição:

Usando papel cartão ou Eva, corte seis pés direitos e seis pés esquerdos. Com caneta hidrocor, marque um D nos pés direitos e um E nos esquerdos. Disponha os pezinhos de forma a representarem passos ao longo de um caminho e fixe-os no lugar.

Possibilidades de exploração:

-Pedir às crianças que andem sobre as pegadas e tentem ficar dentro das marcas.
-Quando colocarem o pé direito sobre a pegada D, digam “direita” e o mesmo para a esquerda.
-Pular só com o pé direito do primeiro D até o sexto D.

Estimula:

Coordenação motora ampla, equilibro, noção de direita e esquerda

Descrição:

Recorte seis pés e seis mãos direitas e esquerdas. Faça os moldes usando seus próprios pés e mãos. Disponha as figuras no chão, de forma que seja possível para os alunos andarem sobre elas como “gatos”, usando os pés e as mãos, e fixe as no lugar.

Possibilidades de exploração:

Pedir às crianças que tentem “andar” sobre as pegadas. Comecem colocando um pé em cada marca , depois coloquem as mãos, sem encostar os joelhos no chão. Movam primeiro as mãos e depois os pés para as marcas seguintes. Tentar manter-se dentro das pegadas até o final.

Estimula:

Coordenação motora, atenção e equilibro.

Descrição:

Uma ripa de madeira de 15cm de largura por 2m de comprimento, ou pode-se riscar no chão ou marcar com fita crepe. Um livro colocado no meio da ripa.

Exploração:

Pedir que as crianças andem sobre a prancha, uma de cada vez, e passem por cima do livro que está no centro, vão até o final da prancha e virem sem cair. Pedir que no caminho de volta, peguem o livro e sigam até o final.

Estimula:

Coordenação viso-motora fina, movimento de pinça, orientação espacial, manipulação de quantidades, concentração da atenção.

Descrição:

Caixa com palitos de fósforo. As laterais foram inutilizadas pela colocação de um durex (para evitar que as crianças possam riscar os fósforos).

Exploração:

-Retirar os fósforos da caixa e pedir à criança que os guarde, com as cabeças voltadas para o mesmo lado.
-Enfileirar os fósforos na mesa, seguindo determinados critérios (ex. três voltados para cima e três voltados para baixo)
-Fazer figuras com os fósforos.
-Fazer formas geométricas com três, quatro, cinco e seis fósforos.
-Construir um quadrado dentro do outro.
-Inventar linhas com desenhos variados e reproduzi-las; fazer sequência de fósforos.
-Fazer contas com os fósforos.

8 Sugestão De Jogos E Brincadeiras IV:

Estimula:

Pensamento, orientação espacial, discriminação visual, atenção e concentração, reprodução de modelos.

Descrição:

Papel cartão recortado em cartelas, do tamanho de meia folha de papel ofício. Palitos de fósforos colados, formando desenhos, fazendo modelos diferentes em cada cartela e deixando sempre espaço livre abaixo, para que a criança possa fazer a reprodução.

Exploração:

Reproduzir os modelos com palitos, observando a posição da cabeça dos palitos dentro da figura.

Estimula:

Noção de tempo.

Descrição:

Selecionar duas garrafas iguais. Colocar areia em uma delas, colar as duas tampas. Fazer um furo nas tampas já coladas. Fechar as duas garrafas com as tampas. Medir o tempo (usando o relógio) em que a areia passa de um recipiente para o outro. Anotar nas extremidades dos dois recipientes o tempo.

Exploração:

Como a ampulheta é um instrumento de medida ela pode ser usada simplesmente para que a criança observe o tempo que leva para a areia passar de um recipiente para o outro, ou pode servir de apoio aos jogos, controlando o tempo das tarefas.

Estimula:

Desenvolve a noção de tempo e a sequência lógica dos dias do mês, as estações do ano e as formas de vestuário adequadas ao clima.

Descrição:

Cortar um tecido liso de 1m x 1,20m. Prender 31 bolsos de 10cm x 10cm. Colocar um número em cada bolso de 1 a 31. Fazer uma série de cartões de 8cm x 8cm com desenho de situações climáticas, vestuário e acessórios.

Exploração:

Diariamente as crianças observam as condições climáticas e colocam as figuras correspondentes ao clima, ao vestuário e aos acessórios no bolso do calendário, identificando o dia da semana e o mês em que se encontram.

Estimula:

Motricidade, coordenação bimanual, discriminação visual de cores, habilidade manual, percepção tátil e visual.

Descrição:

Pares de quadrados feitos com retalhos de tecidos lisos e estampados, com um botão num dos lados e uma casa no outro.

Exploração:

-Abotoar as peças que têm as mesmas cores ou os mesmos motivos estampados.
-Esconder as peças soltas em uma caixa de papelão. Cada participante, sem olhar tira duas peças. Se formarem par serão abotoadas, caso contrário, voltam para a caixa.
-Jogar como dominó: distribuir as peças entre os participantes, quem tiver a peça igual, deve abotoa-la à outra.

Estimula:

Motricidade, discriminação visual, comparação de formas e de tamanhos, habilidade manual.

Descrição:

Pedaço de cartão coberto com feltro, no qual foi costurado o desenho de uma casa, com botões nos lugares onde devem ser abotoadas as partes que estão faltando. Essas partes são de feltro também e contêm pequenos cortes que são as casas que deverão ser abotoadas nos lugares correspondentes.

Exploração:

-Desabotoar as partes avulsas da casa.
-Verificar as formas que estão desenhadas na casa e procurar as peças correspondentes para abotoar.