Inteligência emocional no ambiente de trabalho

Inteligência Emocional no Ambiente de Trabalho

1 Inteligência emocional

O trabalho é algo de extrema importância na vida do ser humano e que ocupa grande parte de nossa existência. Digo isso, pois passamos um tempo considerável de nossa trajetória realizando as atividades laborais que escolhemos, para que assim tenhamos a oportunidade de aproveitar os frutos de tudo aquilo que realizamos profissionalmente no momento em que nos aposentarmos.

Por se tratar de algo que justamente ocupa um espaço significativo em nossa vida, precisamos lidar com ele, e com tudo que o envolve, da melhor maneira possível, pois somente assim poderemos ter os resultados positivos que tanto desejamos conforme evoluímos profissionalmente.

Estamos falando da a inteligência emocional, uma grande aliada em seu processo de desenvolvimento e também contra o estresse causado pelo trabalho.

De acordo com a psicologia, inteligência emocional é a capacidade que um indivíduo tem de compreender e gerenciar as próprias emoções e também de aprender a lidar com as emoções e sentimentos das pessoas a sua volta, com o objetivo de alcançar resultados positivos, não só na vida pessoal, como também na profissional.

Saber gerir as próprias emoções é muito importante para qualquer profissional, pois assim este saberá o que realmente está sentindo, será capaz de entender o significado de cada emoção e como elas podem afetar o seu desempenho e também o dos outros. Além disso, o desenvolvimento da inteligência emocional facilitará a percepção, por parte de qualquer tipo de indivíduo, do comportamento de cada pessoa com as quais ele trabalha e também com as quais se relaciona de uma maneira geral.

Inteligência emocional no trabalho

É através dela que um profissional tem a oportunidade de conquistar o sucesso com mais facilidade e consistência. Isso vale também para quem deseja desenvolver uma boa liderança na empresa em que atua.

Um profissional calmo, que tem clareza sobre suas emoções e sentimentos na hora de avaliar determinada situação, bem como resiliência, e que sabe gerenciar imprevistos e lidar com mudanças repentinas em seu dia a dia de trabalho, tem muito mais chances de alcançar o sucesso do que aquele que vive estressado e resolve os conflitos pelos quais passa com impulsividade.

Ter um controle sobre o fluxo das emoções e a capacidade de refrear impulsos é uma qualidade essencial para conseguir ser bem-sucedido e ter um bom relacionamento interpessoal com os colegas de trabalho, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento das atividades com excelência e para o crescimento de todos de uma forma geral.  

Hoje a inteligência emocional acabou se tornando uma condição indispensável para o planejamento de atividades empresariais no que se refere à liderança, gestão e organização, uma vez que é somente por meio dela que haverá a possibilidade dos profissionais que fazem parte de uma empresa trabalharem cada vez melhor em equipe, compreenderem a si mesmos e ao próximo, tendo ainda mais empatia, bem como motivando-se constantemente no sentido de alcançar resultados extraordinários para os negócios como um todo.

É a partir disso que se faz necessário estimular o desenvolvimento de atividades para trabalhar a inteligência emocional e também para aumentar ainda mais a qualidade de vida no trabalho.

Como desenvolver a inteligência emocional no trabalho

Até aqui compreendemos um pouco mais sobre o conceito de inteligência emocional, bem como a sua importância para o sucesso de profissionais e empresas. Agora, vamos abordar, de forma prática, o que deve ser feito no dia a dia para que seja possível desenvolver esta poderosa habilidade e ter cada vez mais resultados extraordinários em sua trajetória.

Conheça suas próprias emoções

Reconhecer os sentimentos é o primeiro passo para o desenvolvimento do autocontrole emocional, principalmente no que diz respeito ao ambiente de trabalho. Como somos colocados diariamente frente a frente com situações que por vezes têm o poder de nos levar ao limite emocional, é importante estarmos sempre atentos aos sentimentos que são despertados nos momentos de estresse profissional.

Assim, você deve prestar mais atenção em suas emoções e nos comportamentos gerados por elas, quando, por exemplo, estiver em conflito com um colega de trabalho, com seu gestor ou com seus colaboradores, desenvolvendo a consciência de que tais emoções existem e procurando analisar como esses comportamentos afetam você e também quem está a sua volta.

Fazendo esta análise você entenderá melhor quais comportamentos e atitudes, decorrentes de suas emoções, estão te atrapalhando profissionalmente e terá a oportunidade de lidar com eles e mantê-los sob controle nos momentos em que eles vierem à tona nas próximas vezes.

Aprenda a lidar com as emoções

Após identificar as emoções e sentimentos que estão sendo um empecilho para o seu crescimento profissional, é necessário aprender a lidar com cada um deles.

O primeiro passo para que isso aconteça é entender que cada um dos sentimentos e emoções que surgem nos momentos de crise no trabalho têm o seu valor e uma razão para existir. O que você vai fazer a partir de cada um deles, é que fará toda a diferença entre um profissional de sucesso e um profissional frustrado emocionalmente.

Diante disso, ao contrário do que muitos pensam, descobrir o poder da inteligência emocional no trabalho e aprender a lidar com as emoções, nada tem a ver com suprimir os sentimentos. Na verdade, o ideal é manter o equilíbrio destes, sabendo dosá-los de maneira correta e controlada, tornando-os proporcionais às circunstâncias que surgem no dia a dia profissional.  

Fazendo isso, você conseguirá, com muito mais facilidade e rapidez, se recuperar dos problemas e conflitos decorrentes do trabalho, se tornando o profissional bem-sucedido que sempre quis ser, uma vez que estará cada vez mais tranquilo para ajudar a empresa no alcance de resultados extraordinários.

Desenvolva a empatia

Também é preciso ter empatia, pois esta é fruto de um quoeficiente emocional elevado, ou seja, que um indivíduo que tem a capacidade de entender as emoções do outro e se colocar no lugar dele, tem um alto nível de inteligência emocional.

Quando nos tornamos pessoas cada vez mais empáticas, conseguimos estabelecer um nível mais alto de comunicação, uma vez que passamos a enxergar com os olhos dos outros.

Dessa forma, quando você se coloca no lugar do seu colega de trabalho, por exemplo, dos seus colaboradores ou do seu gestor, e passa a imaginar como eles estão se sentindo, tentando experimentar as mesmas emoções que eles, você passa a respeitá-los ainda mais e, com isso, os conflitos diminuem, abrindo espaço para a colaboração mútua.

Mantenha-se motivado

A relação existente entre automotivação e inteligência emocional é bem próxima. Isso acontece, pois quando nos deixamos dominar por emoções negativas, não conseguimos alcançar o nosso máximo potencial no sentido de nos automotivarmos constantemente para tornar palpáveis as metas e objetivos propostos diariamente em nosso ambiente de trabalho.

Assim, quando temos uma educação emocional positiva, afastamos de nós mesmos qualquer possibilidade de surgirem sentimentos que atrapalhem a nossa evolução enquanto profissionais, ou seja, abrimos espaço apenas para a motivação, que é o que vai nos ajudar a, não só atingir as nossas metas no trabalho, mas também a potencializar a nossa inteligência emocional.

2 A inteligência emocional na formação de um líder de sucesso

No ambiente de trabalho somos constantemente expostos à situações que têm o poder de nos levar ao limite. No caso de líderes, gestores, empreendedores e empresários, este cenário se configura com ainda mais força, pois são indivíduos que ocupam uma posição que lhes exige bastante responsabilidade e jogo de cintura.

Neste sentido, para que tenhamos cada vez mais líderes de sucesso em nossas empresas, e que contribuam para que estas também alcancem o sucesso, é fundamental que estes saibam como ter inteligência emocional.

Acontece que muitas coisas dependem dos líderes e gestores, que precisam lidar com pressão vinda de todos os lados e com a necessidade de tomar decisões assertivas a todo momento. Situações assim podem fazer com que estes profissionais sintam cada vez mais estressados, ansiosos e suscetíveis a emoções negativas, capazes de lhes prejudicar e também atrapalhar o bom desenvolvimento de suas atividades diárias.

Diante disso, é importante que os indivíduos que ocupam cargos de liderança trabalhem sempre e fortaleçam de forma constante a sua capacidade de lidar com suas próprias emoções e sentimentos, bem como com os das pessoas ao seu redor e dos colaboradores que deles dependem.

Trabalhando com a inteligência emocional, é possível que se formem líderes altamente bem-sucedidos e, consequentemente, empresas e negócios também de sucesso.

O cérebro e a inteligência emocional

No ano de 1995, o psicólogo Daniel Goleman revolucionou e expandiu a forma como nós enxergamos o que é inteligência. Em seu livro “Inteligência Emocional”, ele mostrou como o nível intelectual de uma pessoa não pode ser medido apenas por sua capacidade de completar equações e pensamento racional.

Utilizando-se de embasamentos teóricos, exemplos reais e conhecimento da anatomia do cérebro humano, o autor conseguiu mostrar como as emoções têm um papel fundamental em todas as decisões que tomamos, das mais simples até aquelas mais complexas.

Duas mentes

Diferente do que prega o senso comum, nosso cérebro não é puramente racional, na verdade, essa parte mais lógica corresponde somente a metade da estrutura que forma o pensamento. Segundo Daniel Goleman, em nosso corpo habitam duas mentes e normalmente elas funcionam de forma harmoniosa. Porém, em algumas situações há uma clara e expressa divergência entre as duas. Por exemplo, quando somos tomados por paixões e agimos por impulso.

Essa separação entre nossas duas mentes pode ser entendida como a distinção que fazemos entre coração e cabeça, sendo o primeiro guiado pelas emoções e o segundo por um processo estritamente racional.

Sentimos antes de agir

A expressão: “fulano agiu sem pensar”, que nos referimos toda a vez que citamos alguém que foi incapaz de refrear seus instintos e raciocinar sobre a melhor forma de agir em determinada situação, exemplifica bem a forma como o nosso cérebro funciona.

De acordo com o Daniel Goleman, a formação no nosso pensamento passa por duas regiões do cérebro: amígdala e o hipocampo. A primeira é onde nós “guardamos” as emoções, percepções, já o segundo é onde acontece o “processo racional”, especificamente falando. O fato de agirmos sem pensar é explicado porque existe um “atalho” que leva a informação primeiro a amigdala e só depois ao hipocampo. Por isso, muitas vezes, agimos antes que os dados possam ser processados de maneira racional.

Assim, compreender de forma mais aprofundada as nuances que envolvem nosso cérebro e que tem a ver como a maneira como dominamos ou deixamos de dominar nossas emoções e sentimentos, nos ajuda a entender a real necessidade de se desenvolver e estimular constantemente a nossa inteligência emocional.

3 Conhecimento técnico e competência comportamental

Um desejo que todo profissional possui é ser competitivo e conseguir se destacar no mercado de trabalho. Afinal, o sucesso na carreira está diretamente ligado a esses dois fatores.

Para isso, é necessário cumprir as habilidades que as empresas vêm buscando em profissionais. Mas, afinal, o que são?

Se você disse conhecimento técnico, qualificação ou habilidades para desempenhar a função, está certo, mas não completamente. A competência comportamental também vem se tornando um fator cada vez mais decisivo para as empresas e para a sua carreira.

Abaixo você irá entender a importância de ambos em um ambiente de trabalho.

O que é conhecimento técnico?

O conhecimento técnico é a condição básica para que o profissional possa atuar em sua área ou função. Podemos entendê-lo como todas aquelas técnicas que são adquiridas por meio da educação formal, dos treinamentos e das experiências profissionais que acumulamos no decorrer da carreira.

Esse conhecimento está diretamente relacionado ao nível de escolaridade que o profissional tem. Esse mesmo deve ser compatível com seu cargo e suas atribuições assumidas dentro da organização. Somam-se à escolaridade os treinamentos realizados, como cursos de habilitação profissional, e a experiência adquirida ao longo da carreira para formar os conhecimentos técnicos de um profissional.

O nível de conhecimento técnico de um profissional pode variar desde elementar aquele que é necessário e essencial para o desenvolvimento das funções até um nível mais profundo, que permite a ele contribuir para o desenvolvimento da organização implantando novos conceitos, planos e metodologias.Em resumo, conhecimento técnico é tudo aquilo que você coloca por escrito no seu currículo. É a sua formação somada à sua experiência.

E competência comportamental?

A competência comportamental, por outro lado, está atrelada ao comportamento e à atitude esperados de quem ocupa uma determinada posição dentro da organização. Ela deve traduzir em gestos a cultura da empresa, bem como seu propósito, missão, visão e valores.

Esse tipo de competência, entretanto, não se adquire por meio de cursos e formação. A competência comportamental é inerente à personalidade de cada um, a qual pode contribuir ou não  para o sucesso ao desempenhar uma função na empresa.

Porém, mesmo que uma pessoa não nasça com as competências ideais para desempenhar a função que tanto almeja na carreira, ela pode trabalhar no seu desenvolvimento pessoal para aprimorar e até mesmo criar sua competência comportamental.

Veja alguns dos tipos de competências comportamentais existentes e muito importantes no mercado de trabalho:

  • Intelectual: são competências essenciais para reconhecer, analisar e solucionar um problema utilizando a capacidade de pensar de forma estratégica, agir de maneira proativa, prevenir erros e compartilhar conhecimentos.
  • Social: esse tipo de competência está diretamente relacionado ao comportamento que o indivíduo assume, tanto no ambiente de trabalho como em sua vida pessoal.
  • Comportamental: as competências comportamentais demonstram a capacidade que um profissional tem em ser proativo, tomar iniciativas, inovar, empreender, mudar as coisas à sua volta, aprender coisas novas, criar, agir de forma ética e procurar fazer tudo o que faz com a maior qualidade possível.
  • Organizacional: são competências que envolvem a compreensão do funcionamento, das finalidades da organização, bem como o papel da mesma e sua relação com a sociedade.
  • Comunicação: essas competências têm a ver com a forma como o profissional se expressa e se comunica com as pessoas com as quais ele se relaciona ao exercer sua função.

Quais são as competências comportamentais mais buscadas?

Como as competências comportamentais ganharam muita importância nos últimos tempos, criou-se uma preferência, uma procura por certas competências comportamentais, para que as empresas possam ter em seu time o profissional considerado “ideal”.

Da mesma forma como se procura por profissionais com competências técnicas específicas como um determinado nível de escolaridade, a graduação em um curso definido para o cargo e uma experiência mínima necessária, procura-se, ao mesmo tempo, por profissionais com competências comportamentais consideradas importantes pelas empresas.

Veja agora quais são as competências comportamentais mais buscadas no mercado de trabalho:

  • Motivação: profissionais motivados são capazes de fazer toda a diferença em seu meio. Mesmo diante das dificuldades, as empresas buscam cada vez mais por profissionais com essa capacidade;
  • Proatividade: saber fazer aquilo que lhe é pedido é muito importante para a realização de um bom trabalho, mas um profissional de alta performance não se limita a isso, sendo capaz de ir além e fazer as coisas com maior eficiência;
  • Liderança: o mercado de trabalho precisa cada vez mais de profissionais capazes de guiar uma equipe e de extrair o melhor de cada membro dela;
  • Trabalho em equipe: ninguém está sozinho em uma empresa, ela é formada por todo um conjunto de pessoas com as quais é muito importante saber lidar, principalmente pelo fato de uma equipe de trabalho poder incluir os mais diferentes perfis de profissionais;
    • Adaptabilidade: o mundo dos negócios sofre mudanças frequentes é a tecnologia que evolui, o consumidor que muda seus hábitos, uma crise que se instaura e por aí vai. Saber se adaptar a essas situações é fundamental para todo profissional nos dias atuais;
    • Comunicação: essa é a chave para uma boa liderança, para o bom envolvimento da equipe e para o sucesso na carreira profissional. É fundamental saber ouvir, se expressar de forma clara e objetiva, bem como ser capaz de dar e receber feedbacks;
    • Criatividade: independentemente do seu ramo de atuação, a criatividade é uma competência essencial para criar oportunidades de negócio e propor soluções eficazes para superar os desafios;
    • Negociação: é muito importante saber negociar e não somente com os clientes! Essa competência é essencial para o gerenciamento de conflitos na empresa e para garantir um bom clima organizacional.

    O desenvolvimento dessas e outras competências requer paciência, investimento e coragem para mudar parte de quem você é. Para isso, é importante que, antes de tudo, seja feita uma profunda análise de si mesmo, pois o autoconhecimento é indispensável nesse processo.

    Além disso, é preciso estar disposto a aprender, refletir sobre o que você deseja e o que teme, identificar seus pontos fortes e fracos para, assim, despertar o que há de melhor em você. Vale lembrar que, ao desenvolver suas competências comportamentais, você não ganhará apenas como profissional, mas também crescerá como pessoa.

    Qual delas é mais importante?

    Como você deve ter percebido até aqui, tanto o conhecimento técnico como as competências comportamentais são de extremo valor e importância para o profissional. A verdade é que deve-se investir em ambos, pois essas competências, juntas, são o que formam um profissional realmente bom e lhe garantem o sucesso.

    Afinal de contas, de que adianta um profissional com muito conhecimento técnico, com boa formação e experiência, mas sem motivação, sem espírito de liderança e que não tem uma boa comunicação? Por outro lado, não adianta também apenas ser um profissional de caráter íntegro, proativo, motivado e sem nenhum conhecimento técnico.

    Invista e trabalhe no desenvolvimento do seu conhecimento técnico e de sua competência comportamental, pois eles se completam e o tornam um profissional realmente qualificado para o mercado.