Limites e possibilidades do processo de democratização
Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo- Sinase
1 Limites e possibilidades do processo de democratização
Introdução
A implementação de políticas voltadas ao adolescente incurso em ato infracional tem se tornado objeto de considerações as mais diversas, tanto do ponto de vista teórico, quanto das articulações práticas que envolvem a construção dessa política.
Assim, no intuito de contribuirmos para o fomento das reflexões acerca desta atualíssima temática, este trabalho apresenta algumas considerações acerca do assunto, em especial, o próprio papel da almejada socioeducação.
Nesse propósito, a partir dos discursos e discussões sobre socioeducação, que põe em evidência a finalidade da ação socioeducativa como sendo preparar os indivíduos para a vida social ou inseri-los na vida social, reintegrando-os, faz-se à análise dos limites e as possibilidades da efetivação de um processo democrático nos centros de socioeducação e a necessidade da implementação de uma proposta pedagógica capaz de constituir-se em ação formadora dos adolescentes que se encontram submetidos ao cumprimento de medidas socioeducativas. .
Ao definir os atributos do ato socioeducativo como o de preparar os indivíduos para a vida social, institui-se um parâmetro o de formar os indivíduos para o exercício da Cidadania
2 Limites e possibilidades do processo de democratização
Introdução
A organização do estado e a sua função frente ao capitalismo, formatado como um complexo processo de construção hegemônica, enquanto estratégia de poder que se implementa em sentidos articulados, através de um conjunto regular de reformas concretas no plano econômico, político, jurídico, educacional, através de uma série de estratégias culturais orientadas a impor novos diagnósticos acerca da crise visa construir novos significados sociais, através dos quais legitimar o poder do estado e a exclusão da grande massa trabalhadora, sendo este o atual contexto de nossa sociedade.
Na nossa sociedade capitalista, a transformação social visa acomodar somente os interesses das classes que detém o poder, sendo que no seu próprio sentido social está inserida a transformação educacional, visando atender as transformações de mercado. Contudo a grande massa excluída não tem acesso a sistema educacional, uma vez que não se insere nos moldes pré-estabelecidos. Nesse contexto forma-se uma grande fábrica de adolescentes que privados de qualquer de seus direitos, se julgam capazes de criar uma nova ordem, reordenando o sistema, privando e julgando o direito alheio através de atos ilícitos, violência e contravenções.
No sentido de reconstruir pessoas, cidadãos, agentes e sujeitos de direitos é que a Socioeducação se mostra como a chave capaz de abrir possibilidades, de transformar o homem anônimo, sem rosto, naquele que pode fazer escolhas, sujeito participante de sua reflexão, da reflexão do mundo e sua própria história, assumindo a responsabilidade dos seus atos e as mudanças que fizer acontecer. Permite modificar a realidade, alterando o seu rumo, provocando rupturas necessárias e aglutinando as forças que garantem a sustentação de espaços onde o novo seja buscado, construído e refletido.