Atenção Particularizada ao Idoso
Básico de Cuidador de Idosos
1 Atenção Particularizada ao Idoso em Unidades Básicas de Saúde:
Introdução: Envelhecer é um processo de mudanças irreversíveis na estrutura e no funcionamento de um organismo, que ocorre como resultado da passagem do tempo. Segundo a OMS, programas voltados à saúde dos idosos devem promover, estimular e potencializar situações que os levem a organizar sua rotina de acordo com o próprio planejamento e metas pessoais. No Brasil, a população de idosos aumenta significativamente; estima-se que representará 12,5% em 2020. Nesse contexto, justifica-se a criação de programas de saúde particularizados a esse grupo populacional. Objetivo: Elaborar programa de saúde para o idoso aplicável em Unidades Básicas de Saúde. Metodologia: O projeto foi aplicado no Centro de Saúde Escola Barra Funda “Dr. Alexandre Vranjac”. Com revisão bibliográfica, conhecimento da população local e das demandas regionais quanto a novas atividades e mapeamento das atividades existentes no terrritório, formulou-se uma apostila direcionada aos profissionais da saúde visando elucidar dúvidas e orientar o manejo do paciente idoso. Resultados: A Unidade é referência na organização dos projetos existentes em sua área de abrangência; muitos, atualmente, com potencial subutilizado. Foram encontrados diversos centros que oferecem atividades aos idosos, no entanto há necessidade de aprimorar a divulgação desses projetos através de meios que atinjam efetivamente essa população. Elaborou-se apostila composta de revisão bibliográfica, fluxograma de atendimento médico, roteiro para personalizar o atendimento do idoso, banco de dados com os principais projetos da região e calendário com as atividades existentes permitindo centralizar informações e torná-las acessíveis, para que atividades específicas a cada paciente possam ser indicadas de maneira objetiva.
O envelhecimento pode ser entendido como um processo de mudanças graduais irreversíveis na estrutura e no funcionamento de um organismo, que ocorre como resultado da passagem do tempo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), classificam-se como idosos os indivíduos com 65 anos ou mais, para os países centrais, e a partir dos 60 anos, para os países periféricos (ONU, 1982). A legislação brasileira define como idoso a pessoa maior de 60 anos (Brasil, 1994). Rosenberg (1992) define a velhice como sendo a época em que as tarefas básicas em relação ao desempenho profissional e à família foram, pelo menos em parte, cumpridas e o indivíduo pode se sentir livre para realizar seus desejos.
É importante observar que envelhecimento e velhice são entendidos de maneiras diferentes. Linton (1981) discorre sobre a variação do status atribuído aos velhos em diversos tipos de sociedade. “Em alguns casos, os velhos são dispensados de todo trabalho pesado, e podem acomodar-se confortavelmente à custa dos filhos. Em outros casos fazem a maioria das tarefas árduas e monótonas que não requerem grande força física. [...] Em certos lugares os velhos são tratados com consideração e respeito e noutros como trambolhos inúteis, eliminados logo que se tornem incapazes de executar trabalho pesado.” Nesse contexto, deve-se perceber que a velhice, tal como a noção de humanidade, é uma construção histórico-cultural (Pamplona, 2005). Beauvoir (1990) entende a velhice como uma totalidade bio-sócio-cultural. Trata-se de um fenômeno biológico, resultado e prolongamento de um processo que é influenciado diretamente por interpretações culturais O conceito de velhice é bastante recente. Para Goldfarb (2005), o evolucionismo darwinista do século XIX foi responsável pela separação da vida humana em faixas etárias e tornou o conceito de degeneração fundamental dentro do processo biológico, o que fez o envelhecimento ser associado à decrepitude e decadência. Ao se referirem às vivências frente ao processo de envelhecimento, idosos frequentemente fazem associações de natureza predominantemente negativas. Destacam-se insuficiência, incapacidade, limite, perda, vulnerabilidade, dependência, solidão, medo de abandono e subordinação (Lima, 1996).
No Brasil, a população de pessoas com mais de 60 anos de idade passou de 6% (7.428.132 habitantes) em 1980 para 9% (16.427.962) em 2008. A estimativa é que ela represente 12,5% (26.333.394) em 2020 (IBGE, 2000). No município de São Paulo, as pessoas com 60 anos ou mais representam 11% da população geral, o que equivale a 1,2 milhões de pessoas (Fundação Seade, 2006). Nas regiões da Barra Funda, Bom Retiro e Santa Cecília, áreas de atuação do Centro de Saúde Escola Barra Funda, essa relação é de 14,3%, com o total de 3371 representantes dessa faixa etária. O índice de idosos no Brasil (razão entre a população com mais de 65 anos e a população com menos de 15 anos de idade) passou de 6,5% e 1980 para 32% em 2008, e estimativas apontam para 53% em 2020 (IBGE, 2004). O envelhecimento populacional tornou-se um grande desafio, inclusive no Brasil, que atingirá, nos próximos 30 anos, o sexto lugar mundial em termos de população acima de 60 anos (Kalache e col., 1987; Ferreira, 2005).
Assim, a longevidade é, sem dúvida, não somente uma conquista coletiva, mas também um risco e uma preocupação social, uma vez que exige um novo posicionamento diante desse processo, principalmente por ser um processo intrinsecamente relacionado à modificação da incidência e prevalência de doenças na população (Chaimowicz, 1997; Silveira, 2005). Para tanto, é indispensável uma rede básica treinada e equipada, oferecendo atividades preventivas de reabilitação e promoção de saúde (Cipriano, 2005). A demanda social para que o setor público se responsabilize pela prestação de cuidados sociais e de saúde, com políticas públicas específicas que busquem promover autonomia, autocuidado, integração social e melhoria da qualidade de vida além de evitar a institucionalização, ainda bastante comum entre esses idosos (Andrade e Carneiro Junior, 2005). Designar o bem-estar da velhice exclusivamente ao núcleo familiar é adiar reflexão e propostas para uma experiência de envelhecimento bem-sucedida (Debert, 2005).
Nessa população é comum observar manifestações atípicas de doenças comuns. Por serem tão frequentes, algumas condições foram denominadas “gigantes da geriatria”: virtualmente qualquer agravo à saúde do idoso pode se manifestar – ou determinar –, como o surgimento de instabilidade postural e quedas, incontinências, demência, delirium, imobilidade e depressão (Horan, 1993). Por outro lado, a frequência com que esses diagnósticos deixam de ser firmados deu origem a outro termo, o “fenômeno do iceberg”, que alerta para a grande proporção de condições clínicas ocultas ou “submersas”. A diminuição da capacidade para realização de atividades da vida diária aumenta o risco de um idoso se tornar dependente da rede de saúde, sendo mais dependentes aqueles que apresentam maior comprometimento da capacidade funcional (Lima, 2005). A detecção de condições de doença, bem como tratamento adequado devem se somar a medidas preventivas, sendo estas orientadas por referenciais epidemiológicos.
Atualmente discute-se, em países industrializados, a denominada “compressão da morbidade” e refere-se à possibilidade de adiar o surgimento de doenças e sequelas, mantendo fixa a expectativa de vida e reduzindo, assim, o intervalo de tempo vivido entre o início das doenças ou incapacidades e a morte. Trata-se de um desafio oferecer ações diversificadas capazes de atender tanto ao idoso saudável como ao dependente, além daqueles que se encontram em fase terminal de doença. Apesar de o Sistema Único de Saúde (SUS) representar uma política social das mais inclusivas, no Brasil há lacunas na organização de serviços de saúde em diferentes níveis de complexidade assistencial, tanto no que se refere à quantidade como à qualidade das ações oferecidas para atender às diversas necessidades de saúde dos que envelhecem (Lima, 2005).
A qualidade de vida na velhice deve ser compreendida numa perspectiva que transcenda a renda e a saúde e atinja uma dimensão subjetiva, que envolva satisfação pessoal, desejos e capacidade de lidar com insegurança, solidão, medo, vontade e dificuldades que fazem parte dessa fase da vida (Silveira, 2005). Para a implementação de medidas de promoção da saúde do idoso, deve-se conhecer o processo de envelhecimento e ter consciência de suas implicações para a vida do indivíduo e para a sociedade. Devem-se avaliar os aspectos pertinentes à qualidade de vida dos idosos, discernindo as possibilidades e limitações em seus planos individuais e sociais. Segundo a OMS, programas de promoção de saúde aos idosos devem promover, estimular e potencializar situações que os levem a repensar em fortalecimento dos laços de solidariedade, autocuidado, alcance na utilização de suportes na família e na comunidade, organização do tempo e rotina de acordo com seu próprio planejamento e metas pessoais (OMS, 1980). A promoção de saúde e a profilaxia primária e secundária de doenças são medidas que apresentam bom custo-benefício para que se alcance a compressão da morbidade (Omenn, 1992). Dentre as intervenções destaca-se o papel do exercício físico. Diversas revisões e estudos atribuem à prática regular de atividade física – mesmo se iniciada após os 65 anos – maior longevidade, redução das taxas gerais de mortalidade, melhora da capacidade fisiológica, redução do número de medicamentos prescritos, prevenção do declínio cognitivo, manutenção de status funcional mais elevado, redução da frequência de quedas e incidência de fraturas e benefícios psicológicos, como melhora da autoestima.
Além do exercício físico, outros fatores influenciam de modo definitivo o perfil de morbidade de uma população de idosos. A divulgação dessas práticas deve alcançar toda a sociedade como forma de estimular o autocuidado. O controle da hipertensão arterial, a detecção e suporte à surdez, o screening de neoplasias de mama, cervical, colorretal e de próstata em pacientes idosos (Oddone e col., 1992), bem como as práticas de imunização contra o pneumococo e Influenza (Center for Disease Control, 1984)devem ser estimulados. Mostram-se fundamentais, ainda, orientações a respeito de higiene e dieta, de prevenção primária e secundária de quedas, além de detecção precoce de demências e depressão. Trata-se de aspectos básicos da abordagem adequada aos idosos, buscando condições frequentes em idosos que são pouco identificadas pelos médicos (Kramer e Reifler, 1992).
Lima (2005) determina como prioridades para um adequado suporte à população idosa os seguintes itens (Lima, 2005): 1. Implementação de políticas públicas ampliadas para promover o envelhecimento populacional saudável; 2. Extensão da cobertura assistencial do setor público de saúde para atender os idosos em situação de dependência; 3. Desenvolvimento de políticas públicas para amparar as famílias e os cuidadores dos idosos socialmente vulneráveis; 4. Desenvolvimento de políticas públicas e programas de saúde para amparar o óbito em domicílio. O engajamento dos idosos em projetos dessa natureza, além de promover atividade física e estimular hábitos saudáveis, contribui para a elevação da autoestima e pode servir para aproveitar o potencial criativo dos idosos (Ferreira, 2005). As pessoas que participam de grupos têm a possibilidade de quebrar os estereótipos de maneira mais fácil do que os demais indivíduos. Essas pessoas já precisaram romper outros estereótipos para se engajarem em trabalhos grupais e são revitalizadas por essa convivência. Conseguem mostrar aos outros o seu posicionamento como cidadãos e buscam qualidade de vida para o seu envelhecimento. Nesse sentido, a ênfase do envelhecimento é retirada do conceito de doença e estruturada sobre o conceito de saúde e, principalmente, de qualidade de vida (Santos, 2002).
A Política Nacional do Idoso, regulamentada em 1996, e, posteriormente, o Estatuto do Idoso, regulamentado em 2003, são mecanismos legais que regulam os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, e configuram uma das grandes conquistas da sociedade. A criação do Conselho Nacional do Idoso, de caráter deliberativo, órgão de controle democrático em que o governo e a sociedade, juntos, lutam pelo bem comum, é mais uma conquista para esse segmento populacional (Cipriano, 2005). No entanto, a política social, em verdade, não garante automaticamente o usufruto do direito social, mas o seu reconhecimento formal (Goldman, 2005). Deve-se avaliar se essas políticas se articulam entre si para oferecer uma assistência integral e integrada e se atendem às diferentes necessidades de saúde (Lima, 2005). Faz-se necessário rever os estereótipos construídos sobre a velhice e promover a implementação de políticas sociais e programas voltados para esse segmento da população. Na verdade, o que está em jogo na velhice é a autonomia, ou seja, a capacidade de determinar e executar seus próprios desígnios. Qualquer pessoa que chegue aos 80 anos capaz de gerir sua própria vida e determinar quando, onde e como se darão suas as atividades de lazer, convívio social e trabalho certamente será considerada uma pessoa saudável (Ramos, 2003).
A capacidade funcional é um novo paradigma de saúde particularmente relevante para o idoso. O envelhecimento saudável é resultado de uma interação multidimensional entre saúde física, saúde mental, independência na vida diária, integração social, suportefamiliar e independência econômica (Kane e Kane, 1981; Fillenbaum, 1984). Buscam-se esforços para o de senvolvimento de medidas e projetos que contemplem os aspectos multidimensionais dos idosos e forneçam subsídios para o envelhecimento saudável, com base nos princípios de saúde, participação, independência, autorrealização, dignidade, com oportunidades reais para o pleno exercício de uma vida autônoma e ativa. Atualmente podem-se verificar no município de São Paulo algumas medidas que visam suprir este déficit na saúde do idoso. O Programa de Saúde da Família, as atividades de convivência e a assistência dos centros de referência do idoso existentes no município constituem exemplos dessas iniciativas.
No Centro de Saúde Escola Barra Funda “Dr. Alexandre Vranjac” (CSEBFAV), a população idosa é estimulada a participar de grupos de caminhada e de Lian Gong, para prática de exercício físico, relaxamento, além de estimular a convivência. Trata-se de importantes iniciativas que ainda são, no entanto, insuficientes para um verdadeiro impacto sobre a saúde da população idosa como um todo. Nesse sentido, têm-se investido esforços em medidas que se complementem e contribuam para um envelhecimento saudável.
A predileção por determinados afazeres durante os períodos de lazer está demonstrada na figura 2. Aproximadamente 65% afirmaram não conhecer os projetos proporcionados pela Unidade de Saúde, como Lian Gong e caminhadas. Cerca de 35% dos entrevistados afirmaram praticar atividades físicas por conta própria, como caminhada e ginástica. As pessoas que não praticam nenhum tipo de atividade foram questionadas sobre os motivos para tal fato ocorrer, especificados na figura 3. A distância entre a residência e a UBS foi abordada, revelando que 55% dos idosos residem a menos de 30 minutos da Unidade, no entanto, apenas 40% deles manifestaram desejo em participar do Lian Gong e/ou da caminhada. Expressivos 70% não têm interesse em participar das atividades existentes.
Quando questionados sobre a eventual participação em outros projetos diferentes, 50% mostraram-se receptivos a novas atividades, como hidroginástica, oficina de culinária ou aula de dança. Em relação à possível aderência às atividades propostas. Considerou-se a amostra estudada como sendo representativa de toda a comunidade que frequenta o Centro de Saúde Escola, uma vez que foram entrevistadas pessoas participantes de atividades, bem como pessoas não participantes escolhidas aleatoriamente e entrevistadas por telefone.
2 O conceito de envelhecimento:
O conceito de envelhecimento é amplo e está intimamente ligado a um contexto histórico-cultural. Devemos fazer com que, em nossa sociedade, o envelhecer seja entendido como uma parte natural do ciclo da vida, em que atitudes antienvelhecimento sejam desencorajadas, que os idosos tenham o direito de viver com dignidade, livres de abusos e exploração, e seja dada a eles a oportunidade de participar plenamente das atividades da vida social.
A população idosa corresponde a uma parcela cada vez mais significativa da população de São Paulo, cidade em que bairros como Barra Funda, Bom Retiro e Santa Cecília, áreas de atuação do CSEBFAV, caracterizam-se por apresentar em sua composição importante contingente de pessoas com idade superior a 60 anos. A ênfase no ensino e na prática de medidas preventivas, do autocuidado, do suporte social ao idoso e ao cuidador, de incentivos e fiscalização de instituições asilares, de valorização do trabalho e benefícios sociais do idoso dependem em grande parte da iniciativa do Estado. Cabe à sociedade ampliar o debate sobre a transição demográfica e suas consequências para o sistema de saúde, avaliando alternativas que possibilitem minimizar seu impacto sobre a qualidade de vida da população, e cobrando do Estado o cumprimento de seu papel na implementação de políticas públicas direcionadas à manutenção da saúde da população idosa
A totalidade dessas intervenções pode, e deve, ser realizada nas proximidades do domicílio do idoso, desde que a rede básica de saúde seja adequadamente estruturada e treinada. Ações preventivas, realizadas nas unidades de saúde, são imprescindíveis para manter ou resgatar a autonomia de idosos e poderão ter grande impacto na saúde dessa população. As disparidades entre as condições socioeconômicas e de saúde dos idosos indicam que, para o adequado planejamento das ações, é fundamental identificar as demandas específicas de idosos residentes em regiões diversas e pertencentes a diferentes classes sociais.
Cabe a cada Unidade Básica de Saúde adaptar seu atendimento à população pela qual é responsável. Portanto, as UBS instaladas em regiões com grande população idosa tornam-se referência no atendimento a essa população. Para que um programa voltado aos idosos possa corresponder às necessidades dessa população faz-se necessário conhecer suas particularidades, evidenciando principalmente as razões que dificultam ou impedem que esse paciente não realize as atividades que poderiam beneficiá-lo; a partir desses dados devem ser propostas medidas voltadas a questões específicas dessa população, com suas características socioeconômicas e culturais.
A aplicação dos questionários revelou que muitos dos idosos entrevistados, que não praticam as atividades proporcionadas pela UBS, não demonstram interesse real na prática de exercícios físicos ou intelectuais, e referem que as atividades que mais lhes dão prazer são: ler, conversar e assistir à televisão. Tal fato mostra que mesmo com campanhas de incentivo a práticas esportivas, sociais ou culturais como atividades de prevenção primária à doença essas pessoas continuam não sendo atingidas por tais ações, seja por fatores culturais, sociais ou econômicos, o que mostra a necessidade de um projeto de atenção primária à saúde mais enfático e que corresponda ao grau de entendimento das diversas camadas sociais e culturais existentes no país. A maioria dos entrevistados conhece seus agravos de saúde, e um trabalho cuidadoso por parte do profissional de saúde, visando promover melhora da autoestima, poderia ser útil para a conscientização da importância de tais atividades e levaria a um maior interesse pela saúde física e mental.
As entrevistas permitiram concluir ainda que a maioria desses pacientes que não participam dos projetos propostos pelo CSEBFAV desconhece as atividades existentes em sua região. Pacientes que estão realizando alguma atividade remunerada têm menor aderência e conhecimento dos projetos. A população masculina apresenta-se menos participativa nos projetos estudados. Uma política de atenção e divulgação daria poder e conhecimento a essas pessoas para que assim decidissem sobre a prática de atividade física ou não. Os motivos que restringem os entrevistados são muitos, são complexos e compreensíveis. Cabe aos profissionais de saúde dar atenção, afastar obstáculos, assistir, responsabilizar e promover saúde. Ao entrevistar a população que frequenta as atividades da região, verifica-se que tomaram conhecimento destas através, principalmente, de amigos, familiares ou profissionais do CSEBFAV, evidenciando que o meio mais eficiente para promover a divulgação de projetos não é através de mídia impressa ou radiotelevisiva. Dessa forma mostram-se mais eficazes projetos que priorizam a capacitação do profissional de saúde e dos membros da comunidade, tornando-os multiplicadores da informação.
Verificou-se que a região da área de abrangência do Centro de Saúde Escola Barra Funda apresenta diversos projetos voltados à população idosa, necessitando de uma divulgação mais efetiva. Propõe-se um Roteiro que orienta as etapas do atendimento desde a chegada à UBS até o encaminhamento para especialistas, se necessário, além de uma ficha de atendimento específica visando à prevenção e ao diagnóstico precoce das afecções mais frequentes nessa população. Cada profissional de saúde deverá ter material de apoio quanto às condutas e orientações para o atendimento ao idoso, além de descrição detalhada dos projetos de referência (local, horário, telefone de contato e responsável pelo respectivo projeto). Toda a informação necessária estará contida em uma apostila, confeccionada para esse fim. Este trabalho propõe um programa de saúde do idoso de forma particularizada para a população atendida pelo Centro de Saúde Escola Barra Funda, podendo ser aplicado em outras Unidades Básicas de Saúde.
A existência de uma população que envelhece rapidamente exige medidas urgentes e bem estruturadas para que se promova a saúde e a qualidade de vida também nesse período da vida. Porém, como assinala, “o envelhecimento não começa subitamente aos 60 anos, mas consiste no acúmulo e na interação de processos sociais, médicos e de comportamento durante toda a vida. As metas (para se alcançar uma velhice saudável, e comprimir a morbidade) são promover a saúde e o bem-estar durante toda a vida do indivíduo”.
O presente trabalho, com objetivo de desenvolver ações relacionadas à atenção à saúde da população idosa em Unidade Básica de Saúde, possibilitou-nos chegar às seguintes considerações:
1. Diversos projetos oferecem variadas atividades para a população idosa, porém há necessidade de aprimorar a divulgação e a articulação desses projetos através de meios que atinjam efetivamente a população visada.
2. Necessidade de organizar na Unidade de Saúde atendimento particularizado ao paciente idoso, através de um fluxograma que oriente o manejo do paciente permitindo uma atenção integral, além de uma ficha específica que visa à prevenção e ao diagnóstico precoce das afecções mais frequentes nessa faixa etária.
3. Elaborar ações visando a atenção à saúde do idoso requer que a UBS organize-se de forma a realizar: mapeamento das atividades existentes na região, elaboração do perfil da população atendida, treinamento dos profissionais da unidade, integração entre os responsáveis por cada projeto ao idoso da região e divulgação dessas atividades na comunidade.