Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits relacionados com a Comunicação

Atendimento Educacional Especializado - Aee

1 Programa Teacch:

Em português significa Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits relacionados com a Comunicação. É um programa educacional e clínico com uma prática predominantemente psicopedagógica criado a partir de um projeto de pesquisa que buscou observar profundamente os comportamentos das crianças autistas em diversas situações frente a diferentes estímulos.

O método Teacch fundamenta-se em pressupostos da teoria comportamental e da psicolinguística:

- Na área da psicolinguística, fundamenta-se nessa teoria a partir da afirmação de que a imagem visual é geradora de comunicação.;

- Na Terapia comportamental é imprescindível que o professor manipule o ambiente do autista de maneira que comportamentos indesejáveis desapareçam ou, pelo menos, sejam amenizados, e condutas adequadas recebam reforço positivo;

- Na terapêutica psicopedagógica, trabalha-se concomitantemente a linguagem receptiva e a expressiva. São utilizados estímulos visuais (fotos, figuras, cartões), estímulos corporais (apontar, gestos, movimentos corporais) e estímulos audiocinestesicovisuais (som, palavra, movimentos associados às fotos) para buscar a linguagem oral ou uma comunicação alternativa. Por meio de cartões com fotos, desenhos, símbolos, palavra escrita ou objetos concretos em seqüência (potes, legos etc.), indicam-se visualmente as atividades que serão desenvolvidas naquele dia na escola. Os sistemas de trabalho são programados individualmente e ensinados um a um pelo professor. As crianças autistas são mais responsivas às situações dirigidas que às livres e também respondem mais consistentemente aos estímulos visuais que aos estímulos auditivos.

Quando a criança apresenta plena desenvoltura na realização de uma atividade (conduta adquirida), esta passa a fazer parte da rotina de forma sistemática.

Mas o trabalho não se limita apenas aos aspectos cognitivos, ensinando-lhes também noções básicas de (AVD –atividades de vida diária e AVP- Atividades de vida prática) possibilitando-lhes maior independência possível.

Na maioria das vezes a utilização deste método traz tranqüilidade à criança já que possibilita melhor compreensão e comunicação. A classe é, geralmente , composta no máximo por seis alunos; há um professor e um assistente.

Usando da pesquisa de potencialidades, dificuldades e preferências do indivíduo para criar um plano que promova o máximo possível sua independência, tem atingido os objetivos propostos.

O TEACCH tem ajudado o autista a adequar-se dentro de suas possibilidades à sociedade, promovendo sua independência em função de suas dificuldades.

As técnicas comportamentais e a educação especial têm mostrado a forma mais eficiente para o atendimento dos indivíduos portadores do espectro autístico.

O TEACCH é um programa especial de educação talhado para as necessidades individuais de aprendizado da criança autista baseado no desenvolvimento do cotidiano.

Teve início nos anos 60 quando 3 médicos estavam trabalhando com crianças autistas e viram a necessidade de construir meios para o controle do ambiente de aprendizado e que encorajasse a independência das crianças. O que faz a diferença na abordagem TEACCH ser única é o foco no design do ambiente físico, social e na comunicação. O ambiente é estruturado para acomodar as dificuldades que a criança autista tem ao mesmo tempo que treina a sua performance para a aquisição de hábitos aceitáveis e apropriados.

Baseado no fato de crianças autistas serem frequentemente aprendizes visuais, o TEACCH trás uma clareza visual ao processo de aprendizado buscando a receptividade, a compreensão, a organização e a independência.

A criança trabalha num ambiente altamente estruturado que deve incluir organização física dos móveis, áreas de atividades claramente identificadas, murais de rotina e trabalhos baseados em figuras e instruções claras de encaminhamento. A criança é guiada por uma sequência de atividades muito clara e isso ajuda que ela fique mais organizada.

2 Objetivos do Teacch:

Os objetivos do TEACCH são basicamente dez, a saber:

1. Ensinar a relação entre causa e efeito;

2. Incentivar a comunicação;
 

3. Ensinar habilidades para a vida adulta;
 

4. Promover o máximo de independência reduzindo a ajuda do adulto;
 

5. Promover clareza e sinalização do ambiente e tarefas;
 

6. Apresentar visualmente instruções;
 

7. Organizar a noção de fim;


8. Manter a Rotina com flexibilidade;
 

9. Respeitar a individualidade;
 

10. Ensinar habilidades em situações as mais próximas das naturais.

3 Princípios do programa TEACCH:

Guiando-se pelos princípios abaixo, o TEACCH oferece as idéias básicas de sua fundamentação, sem as quais o educador não conseguirá organizar-se na estrutura do programa.

São eles:

1. Para se ensinar novas habilidades é necessário adequar o ambiente ás dificuldades do indivíduo;

2. A colaboração entre família e escola é condição indispensável para o tratamento;

3. Para que que a intervenção seja eficaz é necessário colocar ênfase na habilidade e nas facilidades;

4. A corrente teórica que fundamenta a prática educativa é a cognitivo-comportamental;

5. A avaliação deve nos guiar pelas áreas de desenvolvimento;

6. Os suportes visuais auxiliam na estruturação da forma de ensinar. São os chamados “prompts";

7. A Previsibilidade organiza a mente caótica da pessoa com autismo;

1. Preocupar-se com os interesses e facilidades do aluno;

2. Realizar avaliação processual;

3. Auxiliar o aluno na compreensão dos significados;

4. Potencializar a comunicação com a família;

5. Estruturar a forma de ensinar e apresentar as tarefas;

6. Planejar estratégias de mudança comportamental mediante a análise funcional do comportamento.

4 Características do TEACCH:

• Individualidade na programação do currículo;

• Instrução visual;

• Rotina com flexibilidade;

• Ambiente livre de hiperestimulação;

• Ordenação universal (da esquerda para a direita/ de cima para baixo);

• Clareza nas ordens;

• Automonitoramento provocando independência;

• Análise de tarefas como recurso de ensino e avaliação;

• Atividades e tarefas organizadas em sistemas de trabalho;

Contribuições do TEACCH:

1. Favorecer a Generalização;

2. Favorecer o Controle do comportamento;

3. Estimular e desenvolver Atenção;

4. Administrar a Sequencialização;

O TEACCH não visa eliminar o padrão autistico, mas aproveitar o que o autismo provoca na pessoa.

Ao mesmo tempo em que o TEACCH estrutura atividades em sistemas de trabalho que organizam o pensamento e evidenciam o conceito que está sendo ensinado, o oferecimento das tarefas em vários contextos (ambientes, pessoas, situações, material) favorece a generalização do conteúdo, gerando a aprendizagem.

O que infelizmente ainda se vê em instituições e escolas que supostamente usam o TEACCH, é o aluno executando as mesmas atividades por tempo indeterminado, sentado em uma mesa de trabalho o tempo todo, sem variar de conteúdo, sem mudar a ordem de apresentação, sem introduzir o conceito ensinado em outras tarefa, etc. Esta prática ajudou a proliferar a falsa idéia de que o TEACCH "mecaniza" ou "robotiza" os alunos. (ver "mitos e verdades sobre o TEACCH" no link TEACCH - o que é).

Isso não é verdade quando usamos as formas adequadas e o uso correto dos procedimentos de ensino. Além disso, colocando ênfase em um conceito, guiando o aluno para o foco a ser trabalhado, eliminando estímulos desnecessários e concorrentes, garantimos a atenção e por conseguinte, sucesso no trabalho. Tal engajamento, sendo mais produtivo faz com que o aluno obtenha sucesso e passe a emitir condutas mais adequadas. Sabendo o que tem que ser feito, por quanto tempo terá que trabalhar, visualizando a instrução e reconhecendo o que se espera dele, o aluno com autismo sai de um estado ansioso e passa a contribuir funcionalmente para a sua aprendizagem. Talvez seja esta a maior contribuição do TEACCH para estas pessoas.

O Programa TEACCH beneficia alunos que apresentam:

1. Dificuldade na aprendizagem de conceitos;

2. Foco excessivo em detalhes;

3. Distrabilidade;

4. Pensamento concreto;

5. Dificuldade na associação de idéias;

6. Dificuldade na generalização;

7. Impulsividade e ansiedade;

8. Anormalidades sensório-perceptuais.

5 Ambiente Otimizado para a Aprendizagem:

Compreender a maneira como o cérebro da sua criança funciona é crucial para poder oferecer a ela uma ambiente otimizado para a aprendizagem. Abaixo apresentamos um breve resumo de alguns dos estudos sobre o cérebro de crianças com autismo.

O autismo é referido como uma desordem de espectro devido à grande variedade de sintomas presentes em pessoas com o diagnóstico. Pesquisadores, utilizando tecnologias que possibilitam o estudo da estrutura cerebral, também afirmam que os cérebros de pessoas com o diagnóstico de autismo variam vastamente de um para o outro. Por consequência, alguns cientistas têm sugerido que devemos estudar não apenas a estrutura do cérebro, mas também o mecanismo em que neurônios (células cerebrais) individuais se conectam e comunicam para que encontremos o problema de conexão neural que afete todas as pessoas com autismo. Pesquisadores têm encontrado evidências de que a maneira com que alguns neurônios são conectados no cérebro de pessoas com autismo pode levar a uma correlação baixa entre sinal e ruído.

Isto significa que muitos dos sinais que as células cerebrais estão enviando umas para as outras talvez venham acompanhados de “barulho” ou “ruído”, como a estática em um sinal de rádio. Esta é uma das explicações do porquê crianças com autismo tornariam-se hiper-estimuladas por informações sensoriais e teriam então dificuldade para escolher entre duas fontes diferentes de informação. Por exemplo, é geralmente mais difícil para uma criança com autismo conseguir ouvir o que o professor fala quando outras crianças estão fazendo barulho.

Estudos analisando a eletricidade no cérebro de pessoas com autismo mostram que mesmo quando elas estão tentando ignorar certos aspectos de seu ambiente (como o barulho em uma sala de aula), seus cérebros respondem a estas informações do mesmo jeito que respondem à informação que a criança está tentando prestar atenção (como a voz do professor).

O problema para muitas crianças com autismo parece ser o de “filtragem”, isto é, elas são menos capazes do que as crianças típicas de filtrar e descartar a informação sensorial que é irrelevante para o que elas estão tentando prestar atenção. Consequentemente, os cérebros daqueles com autismo dão igual valor para todos os estímulos recebidos, causando um bombardeio de informação sensorial com o qual a criança tem de lidar.

Os cérebros de crianças típicas aprendem a filtrar e descartar os estímulos irrelevantes durante os primeiros anos de vida, o que possibilita que, ao começarem a frequentar a escola, consigam focar sua atenção na atividade pedida pelo professor. É muito difícil para um grande número de crianças com autismo conseguir aprender em um ambiente onde existem muitas informações sensoriais concomitantes (incluindo-se barulhos, toques, cheiros, estímulos visuais, etc.), como acontece em uma sala de aula.

Crianças com autismo estão absorvendo uma quantidade enorme de informação a todo momento; isto significa que em algum ponto elas terão que escolher entre reter ou descartar essas informações. Estudos demonstram que, em comparação com pessoas neurotípicas, as pessoas com autismo tendem a retardar este processo de “escolha”. Uma analogia para este processo seria como andar pelos corredores de um supermercado e colocar em seu carrinho uma unidade de cada item a venda para apenas depois, na chegada ao caixa, descartar o que você não quer comprar. Isto causa uma demora no processamento de estímulos.

Estudos com tecnologias que permitem ver quais partes do cérebro estão sendo utilizadas durante uma tarefa confirmam que este é o fenômeno acontecendo dentro do cérebro de pessoas com autismo. Há mais atividade nas regiões do cérebro designadas para o processamento de baixa ordem (como o andar pelos corredores do supermercado) do que em regiões cerebrais especializadas para o processamento de alta ordem (passar pelo caixa e levar para casa os itens que constavam na sua lista de compras).

Talvez isto explique por que as crianças com autismo frequentemente apresentam dificuldades em áreas de processamento de alta ordem (ex: atenção, organização, linguagem, etc.). Elas passariam tanto tempo tentando lidar com a recepção de informação sensorial (baixa ordem) que acabariam não tendo tempo para praticar o processamento de alta ordem que outras crianças da mesma idade praticam. Desta forma, o cérebro da criança com autismo começaria a se desenvolver de forma diferenciada em relação ao cérebro de seu irmão com desenvolvimento típico. Há sinais de que este estilo de processamento da informação já se encontre presente na época do nascimento da criança, mesmo que os comportamentos autísticos não sejam identificados até os cerca de 18 a 24 meses de idade.

Especialistas dão a este estilo de processamento (que limita-se em parte ao processamento de baixa ordem) o nome de “ fraca coerência central”. A coerência central refere-se à habilidade de processar contextualmente a informação recebida, associando informações para se chegar a um significado do todo, geralmente às custas da memória de detalhes. Assim sendo, na fraca coerência central haveria a tendência entre aqueles com autismo de prender-se ao processamento de detalhes ao invés da visão do todo em uma situação. Por exemplo, após olhar para figuras idênticas e receberem a requisição para se lembrarem do que estava na figura, uma pessoa típica provavelmente descreveria a cena como sendo “um pôr-do-sol na floresta”, enquanto que uma pessoa com autismo poderia descrevê-la como “folhas brilhantes, luz laranja e um galho com uma balança pendurada”.

Este estilo de processamento é a razão pela qual algumas pessoas com autismo, em comparação com pessoas típicas, apresentam performances superiores em certas tarefas. Uma destas tarefas é o teste da figura inserida. Como um exemplo desta tarefa, a figura de um carro seria apresentada para as pessoas. Todas conseguiriam identificar facilmente o carro. Porém, quando fosse pedido que apontassem os três triângulos na figura, as pessoas sem autismo seriam muito mais lentas do que aquelas com autismo. Isto se deve ao fato de pessoas típicas focarem rapidamente no todo da figura, não prestando tanta atenção aos detalhes. As pessoas com autismo identificariam rapidamente os triângulos por estarem acostumadas a ver o mundo através dos detalhes.

Pesquisas envolvendo pessoas com autismo, desde estudos sobre como as células cerebrais conectam-se até estudos sobre como as pessoas atuam em testes psicológicos, nos oferecem a imagem de um mundo fragmentado, sobrecarregado e tomado por “barulho” para aqueles com autismo. Esta noção é confirmada por relatos autobiográficos de pessoas com autismo. A compreensão do mundo fragmentado e sobrecarregado de uma criança com autismo nos leva a ver a importância que tem o ambiente ao seu redor na elaboração dos programas educacionais e nos tratamentos que a ela são oferecidos. Também explica a razão das crianças com autismo procurarem ordem e previsibilidade em seus ambientes físicos.

Ambientes físicos com grandes quantidades de estimulação sensorial (ex: painéis com cores fortes, barulho de fundo, etc.) aumentam o “barulho” num sistema sensorial já sobrecarregado, tornando extremamente difícil qualquer nova aprendizagem como tentar aprender japonês dentro de um barulhento shopping center. Devido à presença de outras crianças e do tamanho do espaço físico necessário para abrigá-las, a sala de aula convencional é altamente limitada em termos de poder atender às necessidades das crianças com autismo.

Até a iluminação por meio de lâmpadas fluorescentes, tão comum em salas de aula, tem sido apontada em estudos científicos como sendo um fator que afeta o comportamento de crianças com autismo. Infelizmente, estas considerações relativas ao ambiente da criança são geralmente desprezadas e têm sua importância desvalorizada quando programas educacionais são oferecidos para crianças com autismo, ou ficam além dos limites físicos e materiais das escolas convencionais.

6 Abordagem interacionista, Responsiva e Motivacional:

A Aprendizagem Social através da Interação Prazerosa:

Crianças e adultos com autismo apresentam dificuldades na aprendizagem da habilidade de orientação social, no desenvolvimento de habilidades como a atenção compartilhada (prestar atenção à mesma atividade ou ao tópico que outra pessoa está prestando) e o compartilhar experiências emocionais com os outros.
Estes são passos cruciais durante os primeiros anos do desenvolvimento da criança e formam a fundação para todo o aprendizado social. Sem a habilidade de atenção compartilhada, a criança não é capaz de sustentar uma conversa ou até envolver-se em uma simples brincadeira de cócegas por muito tempo.
De maneira similar, esta criança não consegue colocar-se “no lugar de outra pessoa” e imaginar o que a outra pessoa possa estar pensando ou sentindo, o que é vital para a participação em trocas sociais dinâmicas e espontâneas. O desenvolvimento da atenção compartilhada, da flexibilidade social, do contato visual, da comunicação receptiva e expressiva são fundamentais para que a criança com autismo não fique perdida na arena social.
Ao considerar o desenvolvimento da habilidade de atenção compartilhada uma fundação para os outros aprendizados, utilizamos uma abordagem interacionista que valoriza o relacionamento com a pessoa que apresenta características do espectro do autismo. Investimos em interações divertidas com a criança que incentivem o desejo por mais participações espontâneas em interações.
Queremos que a criança aprenda a ser ativa na interação social e que se interesse cada vez mais pelo que o outro faz ou fala. Para tanto, é essencial que sejamos pessoas interessantes para ela, pessoas com quem ela goste de estar! Procuramos então ser divertidos, lúdicos, compreensivos, prestativos, amorosos, demonstrando nosso respeito e admiração pela criança em nossas interações diárias com ela.
Muitas das pessoas com autismo apresentam grandes dificuldades de comunicação. O estilo responsivo de interação tem como princípio responder aos sinais e comunicações da criança para atender aos seus interesses e necessidades. Respondendo de forma imediata, positiva e intensa à maior parte das tentativas de comunicação da criança, demonstramos a função e o poder de sua comunicação, e a estimulamos a querer se comunicar conosco com maior frequência e qualidade.
Quanto mais motivada a criança estiver para interagir conosco espontaneamente, maior será o seu envolvimento, participação e aprendizado. Queremos então inspirar a criança a se sentir motivada para interagir, superar suas dificuldades e aprender. A avaliação das habilidades atuais da criança identifica os próximos passos a serem trabalhados e estimulados (as metas educacionais), e as informações relativas aos atuais interesses, estilo de aprendizagem e preferências sensoriais da criança auxiliam a elaboração personalizada de atividades interativas motivacionais, interessantes e divertidas, que proporcionem a oportunidade da criança desenvolver suas habilidades brincando.
O mesmo aplica-se para o trabalho com um adulto. As atividades são adaptadas para serem motivadoras e apropriadas ao estágio de desenvolvimento específico do indivíduo, qualquer que seja sua idade.
Uma vez que a pessoa com autismo esteja motivada para interagir com um adulto, este adulto facilitador poderá então criar interações que a ajudarão a aprender as habilidades do desenvolvimento que são aprendidas através de interações dinâmicas com outras pessoas (por exemplo, o contato visual “olho no olho”, as habilidades de linguagem e de conversação, o brincar, a imaginação, a criatividade, as sutilezas do relacionamento humano), e habilidades emocionais, sensório-motoras, de vida diária e de cognição.
Propomos a implementação de um programa de desenvolvimento contando com a participação fundamental dos pais, o acompanhamento de uma equipe profissional multidisciplinar, a parceria da escola e a possível colaboração de voluntários. Para muitas famílias, recomendamos um programa de desenvolvimento que inclua sessões responsivas e lúdicas na residência da criança ou adulto com autismo.
As sessões geralmente individuais (um-para-um) são realizadas em um quarto especialmente preparado com poucas distrações visuais e auditivas, contendo brinquedos e materiais motivadores que sirvam como instrumento de facilitação para a interação e subseqüente aprendizagem.

Colocando em Prática o Estilo Responsivo de Interação:

A criança com características do espectro do autismo apresenta dificuldades para interagir e se comunicar. Na residência da criança, em uma clínica, ou até na escola quando possível, reserve um tempo para ser especialmente responsivo à sua criança (Ver página sobre o Estilo Responsivo na Escola). Ao ser responsivo aos desejos e às iniciativas sociais da criança, sendo prestativo e respondendo positivamente ao que ela quer, você estará facilitando e encorajando mais interações com ela.
A atitude responsiva não poderá ser utilizada o tempo todo, pois precisaremos também impor limites e lidar com os direitos e desejos das outras pessoas, mas podemos aumentar a porcentagem do tempo em que somos responsivos com a criança, principalmente em ambientes especialmente preparados para ela e e nos quais ela tenha nossa total atenção.
Se sua criança demonstrar para você com gestos, sons, palavras ou olhares que deseja algo (e que seja possível para você dar), seja prestativo e responda imediatamente oferecendo a ela o que ela deseja. Mostre claramente que as iniciativas sociais da criança são eficazes para conseguir sua ajuda. Quanto mais a criança interagir com você, mais ela aprenderá com você.
Com o tempo, em interações prazerosas e de confiança, você poderá ajudar sua criança a comunicar-se de formas cada vez mais complexas e eficazes.
A atenção compartilhada ou conjunta (prestar atenção ao mesmo que a outra pessoa) é a base para o aprendizado social da criança. Queremos que a criança tenha experiências prazerosas ao interagir conosco para motivá-la a querer interagir mais vezes. Nada melhor então do que brincar. Observe o que a sua criança está gostando de fazer e brinque com ela, divirta-se, e ofereça ideias para expandir a brincadeira.
Conhecendo os interesses da criança, você também pode criar e sugerir atividades interativas que sejam interessantes para ela e que possibilitem mais interações e oportunidades para que as metas educacionais (aquilo que você gostaria de ajudá-la a aprender naquele momento) sejam trabalhadas. As metas educacionais podem ser trabalhadas de forma divertida no decorrer da interação prazerosa.

Brincadeira Imitativa:

No momento em que a criança não apresenta disponibilidade para interagir, ao invés de forçá-la a brincar conosco, podemos utilizar uma estratégia responsiva que crianças de desenvolvimento típico utilizam nos primeiros anos de vida: brincar em paralelo com as outras crianças.
Quando brincamos em paralelo, observamos as ações da outra pessoa e espelhamos ou imitamos essas ações demonstrando nosso interesse no que a pessoa faz. É uma forma não invasiva de aproximação.
Aos poucos, a criança que está sendo espelhada pode passar a espontaneamente prestar atenção em nós interessada em nossa ação, o que leva ao desenvolvimento da habilidade de atenção compartilhada! Ao sermos observados pela criança, podemos tentar expandir nossas ações oferecendo variações da ação imitada, ações motivadoras que estimulem a criança a permanecer interativa, e quem sabe conseguir até que a criança passe a nos imitar e a responder positivamente a desafios divertidos.
Pesquisas empíricas como as citadas abaixo demonstraram que a imitação das atividades da criança pode estimular o desenvolvimento de habilidades sociais, como o aumento do contato visual, maior atenção compartilhada e interesse no adulto, maior habilidade para imitar o adulto, maior disponibilidade para aproximar-se fisicamente e brincar junto.

Figuras e fotografias:

Para ensinar crianças a se comunicarem, temos que ajudá-las a entender que palavras, figuras e símbolos têm significado. O processo inicial é ensinar a associação entre figuras e objetos, que pode ser feito com jogos nos quais se nomeiam objetos. Depois, pode expandir-se para atividades, inicialmente usando-se ações reais (por exemplo, beber no copo) e, então, o abstrato (por exemplo, fingir que bebe no copo). Assim, pode-se usar a figura de um copo para expressar a necessidade de beber. Depois que se aprende essa etapa, pode-se acrescentar mais figuras.
Há dois modos de se usar figuras mais sistematicamente: o sistema de comunicação por troca de figuras para melhorar a comunicação e o horário visual, o qual emprega uma série de figuras para explicar uma sequência de eventos futuros. Constata-se que ambos são de grande utilidade para muitas crianças. Algumas talvez não atinjam esse estágio, mas ainda assim recebem ajuda com o uso de cartões isolados para indicar que o farão a seguir.

Objetos:

No início, algumas crianças acham dificílimo entender a ligação entre figuras e atividade. Nesse caso, é melhor começar usando-se um objeto real, talvez mostrando sapatos para indicar que a criança logo sairá. Ela pode comunicar a necessidade de beber alguma coisa colocando o copo sobre a mesa. Os pais talvez queiram ajudar o filho a encontrar o caminho mais adequado para buscar ajuda. Por exemplo, podem usar uma técnica denominada “modelagem”.

Usar linguagem simples:

Em geral, nossa linguagem é muito complicada para crianças com autismo. Muitos pais ficam perplexos ao descobrir o volume de complexidade da linguagem que usar ao assistirem a si próprios em vídeo, quando estão em casa com o filho. É mais útil manter frases curtas e o vocabulário simples. Usar primeiro o nome da criança e ater-se a verbos e substantivos simples pode fazer maravilhas em alguns casos: “George, dê o livro à mamãe” é mais eficaz do que: “Por favor, poderia me passar o livro?”

Contato frente a frente:

Crianças reagem melhor se nos aproximamos delas e as olhamos no olho. É assim com todas as crianças, mas é muito importante para aquelas com autismo. Como ela praticamente não lançam mão do contato visual, é tentador achar que não é importante. Contudo, talvez nunca o aprendam se não vivenciarem regularmente.

Dar tempo para as respostas:

Crianças com autismo costumam ter problemas de processamento da linguagem. Demoram mais para entender o que os outros dizem. Portanto, é importante dar-lhes mais tempo do que o normal para ouvirem, entenderem e descobrirem como responder. Deve-se falar mais devagar e esperar mais tempo pela resposta. Alguns pais ficam perplexos ao perceberem a diferença que essa atitude causa.

Computadores:

Às vezes crianças com autismo reagem bem às informações em uma tela de computador. Há muitos jogos e programas didáticos no mercado. Chegou-se a se pensar que o uso de computadores levaria as crianças a desenvolverem automaticamente obsessões com essas máquinas e, assim, reduziria seu contato social. Na verdade, o uso de computadores costuma ajudar a incentivar a comunicação porque motiva muitas crianças, que se dispõem a pedir ajuda e compartilhar seu entusiasmo. Contudo, é importante proporcionar várias atividades alternativas e ter cautela quanto ao tempo que a criança passa exclusivamente brincando com o computador, pois o desenvolvimento de obsessões é uma realidade.

Usar interesse e aptidões da criança:

Use os interesses e as aptidões de seu filho para ajudar seu desenvolvimento. Se ele é interessado em marcas de carro, por exemplo, tente criar jogos com elas para que seu filho denomine-as ou as relacione com palavras ou símbolos.

7 Sugestões:

8 Sugestões (PARTE II):