A função do enfermeiro na Transfusão de Sangue
Noções Básicas em Técnicas de Coleta de Sangue
1 Enfermeiros e seu papel fundamental na Transfusão de Sangue:
Além do doador e, obviamente, do receptor, existe outra figura que tem papel fundamental na doação de sangue: o enfermeiro,porque é dele a responsabilidade de acolher,informar, colher as informações, triar e até fazer a transfusão do sangue no paciente, só não participa do processamento.
Quando o assunto é segurança do paciente na doação e transfusão de sangue, existe um fator determinante e que diminui muito os riscos de eventos adversos que é a comunicação. O doador precisa estar disposto a dar a maior quantidade de informações detalhadas para que todo o trabalho não seja perdido no meio do processo.
O enfermeiro precisa estar sempre atento. Além da informação que conseguimos obter na entrevista, precisamos estar atentos aos sinais que o doador nos dá. Às vezes, a pessoa não prestou muita atenção na hora de responder o questionário, ou estava ansioso. Nesses casos, o enfermeiro pode perceber e reforçar algumas informações que o doador se lembra na hora. Isso pode fazer toda a diferença.
Existe ainda um processo de fluxo de retro vigilância, caso o doador se lembre de alguma informação importante depois da doação ou mesmo tenha alguma reação adversa, a pessoa entra em contato com o instituto e é possível rastrear o hemocomponente doado em qualquer fase do processo.
Outro fator que pesa a favor da boa comunicação com o doador de sangue é garantir um processo tranquilo para que ele possa voltar e doar mais vezes, pois um doador bem orientado ajuda na captação e serve como multiplicador.
Transfusão:
Transfusão é o ato médico de transferir de forma intravenosa, hemocomponentes (plasma sanguíneo, plaquetas, hemácias e leucócitos) de um doador para o sistema circulatório de um receptor diferente ou de um indivíduo para ele mesmo, conhecido como transfusão autóloga. Para o sucesso do procedimento, é necessário haver uma compatibilização entre os agentes.
Essa compatibilidade é confirmada através da classificação por tipo sanguíneo bem como pela realização de exames sorológicos para rastrear principalmente HIV, Hepatite C, Sífilis que determinarão se o possível doador está apto à doação.
Especialização da enfermagem:
Por conta da importância que tem em todo o processo, existem alguns conhecimentos desejáveis para enfermeiros que pretendem se especializar e hemoterapia. Como, por exemplo, o conhecimento das leis que regularizam a prática hemoterápica.
“Nessas leis têm todas as regras do ciclo. Os protocolos, normalmente, são baseados nessas leis nacionais e em outras internacionais”, explica Régis. São elas: Resolução do Cofen 306/2006 (que normatiza a atuação da enfermagem na hemoterapia), a Portaria do Ministério da Saúde 2712/2013 e a RDC da ANVISA 34/2014.
Outro pré-requisito desejável é a capacidade de se comunicar bem e transmitir informações. “É preciso ter um cuidado especial com o doador, geralmente para entrevistá-lo, abordá-lo da melhor maneira, às vezes tem diferença muito grande de escolaridade”, orienta o profissional.
Cabe ainda ao enfermeiro contribuir para desmistificar a doação de sangue.
Confira alguns dos principais (falsos) mitos que envolvem a prática:
- Engrossa o sangue: Muitas pessoas acreditam que quem doa uma vez deve doar sempre, pois, do contrário, o sangue ficaria mais grosso;
- Doenças: Outro temor que espanta muitos doadores é a falsa informação de que são grandes as chances de contrair alguma doença no processo;
- Mal-estar: Muitas pessoas acreditam que é uma regra passar mal após a doação. No entanto, isso não acontece com a maioria.
2 Complicações da Transfusão
A pior complicação existente é a coagulação do sangue transfundido ou uma reação chamada hemolítica,que é a destruição das hemacias durante ou após a transfusão e geralmente começa com um mal-estar ou uma ansiedade. Por isso, o enfermeiro deve estar atento à estas reações como também febre, hipersensibilidade, prurido, edema, tontura, cefaleia e erupção cutânea bem como sintomas de dificuldade respiratória e espamos musculares,sendo esses dois últimos bem menos comuns,mas podem ocorrer.
Portanto, um paciente não pode receber um tipo de sangue no qual ele possui anticorpos contra.
Cuidados da Enfermagem
Pré-transfusional:
- Garantir a assinatura do Termo de Consentimento pelo paciente ou familiar/responsável.
- Verificar a permeabilidade da punção, o calibre do cateter, a presença de infiltração e os sinais de infecção para garantir a disponibilidade do acesso.
- Confirmar obrigatoriamente a identificação do receptor, do rótulo da bolsa, dos dados da etiqueta de liberação, a validade do produto, a realização de inspeção visual da bolsa (cor e integridade) e a temperatura por meio de dupla checagem (Enfermeiro e Técnico de Enfermagem) para segurança do receptor.
- Garantir que os sinais vitais sejam aferidos e registrados para analisá-los.
- Garantir acesso venoso adequado, exclusivo, e equipo com filtro sanguíneo.
- Prescrever os cuidados de enfermagem relacionados ao procedimento.
Intra-transfusional:
- Confirmar, novamente, a identificação do receptor, confrontando com a identificação na pulseira e o rótulo do insumo a ser infundido.
- Verificar duas vezes o rótulo da bolsa de sangue ou hemoderivado para se assegurar de que o grupo e o tipo Rh estão de acordo com o registro de compatibilidade.
- Verificar se o número e o tipo indicados no rótulo do sangue, ou do hemoderivado, e no prontuário do paciente estão corretos, confirmando-se, mais uma vez e em voz alta, o nome completo do paciente.
- Verificar o conteúdo da bolsa quanto a bolhas de ar e qualquer alteração no aspecto e na cor do sangue ou do hemoderivado (as bolhas de ar podem indicar crescimento bacteriano; a coloração anormal ou a turvação podem ser sinais de hemólise).
- Assegurar que a transfusão seja iniciada nos 30 minutos após a remoção da bolsa do refrigerador do banco de sangue.
- Monitorar a transfusão durante todo seu transcurso e o tempo máximo de infusão não deve ultrapassar 4 (quatro) horas.
- Permanecer à beira do leito do paciente, acompanhando o procedimento,durante os 10 (dez) primeiros minutos da transfusão.
- Infundir o insumo lentamente, sem ultrapassar a 5 ml/min,nos primeiros 15 (quinze) minutos
- Observar, rigorosamente, o paciente quanto aos efeitos adversos da transfusão e, na negativa, aumentar a velocidade do fluxo.
- Garantir o monitoramento dos sinais vitais em intervalos regulares, comparando-os.
- Interromper a transfusão imediatamente e comunicar ao médico caso haja qualquer sinal de reação adversa, tais como: inquietação, urticária, náuseas, vômitos, dor nas costas ou no tronco, falta de ar, hematúria, febre ou calafrios.
- Encaminhar a bolsa para análise,nos casos de intercorrência com interrupção da infusão,
- Recomendar a troca do equipo de sangue a cada duas unidades transfundidas, a fim de minimizar riscos de contaminação bacteriana.
Pós-transfusional:
- Garantir que os sinais vitais sejam aferidos e compará-los com as medições de referência.
- Descartar adequadamente o material utilizado e assegurar que todos os procedimentos técnicos, administrativos, de limpeza, desinfecção e gerenciamento de resíduos sejam executados em conformidade com os preceitos legais e os critérios técnicos cientificamente comprovados, os quais devem estar descritos em procedimentos operacionais padrão (POP) e documentados nos registros dos respectivos setores de atividades.
- Registrar e documentar todas as atividades desenvolvidas pelo serviço de hemoterapia de forma a garantir a rastreabilidade dos processos e dos produtos, desde a obtenção até o destino final, incluindo-se a identificação do profissional que realizou o procedimento.
Deve-se constar obrigatoriamente:
- Data;
- Horário de início e término;
- Sinais vitais no início e no término;
- Origem e identificação das bolsas dos hemocomponentes transfundidos;
- Identificação do profissional que a realizou
- Registro de reações adversas, quando for o caso.
- Origem e identificação das bolsas dos hemocomponentes transfundidos;
- Identificação do profissional que a realizou; e
- Registro de reações adversas, quando for o caso.
- Monitorar o paciente quanto à resposta e à eficácia do procedimento.